Instrução – As aparições de Lurdes

O Evangelho nos conta a aparição do Arcanjo Gabriel à Virgem Santíssima para comunicar-lhe que havia sido escolhida para ser a Mãe de Deus. Por sua vez, a Virgem Santa vem de vez em quando, transmitir-nos as mensagens do céu, aparecendo neste mundo para aproximá-lo de seu Jesus.

Entre estas numerosas aparições merecem lugar de destaque as de Lurdes, tanto pelos ensinamentos que nos trazem, como pelos numerosos milagres, que continuam a operar-se neste lugar. Contemplemos hoje esta maravilha da ternura da Mãe de Jesus, considerando:
      I. A sua aparição tão bela
      II. Os seus ensinamentos.

Liturgia da Festa: clique aqui e confira

Instrução – Os dois mistérios

ERRATA

Lembramos que a Procissão de Velas e Missa de hoje serão realizados às 15:15 horas, na Catedral, informação que não estava corretamente disposta no post da Liturgia Diária de hoje, agora corrigido.


Meditando bem o Evangelho desta festa, encontramos nele a expressão nítida de três grandes mistérios, que se unem num único, que a Igreja chama a “apresentação de Jesus no templo” , mas que no fundo inclui tudo o que há de mais tocante e sublime na religião.

De fato, temos diante de nós: um Homem-Deus oferecido a Deus; o Soberano Sacerdote da nova aliança num estado de vítima; o Redentor do mundo resgatado; uma virgem purificada; e enfim: uma mãe imolando o seu filho. Quantos prodígios na ordem da graça!

Entre estes grandes mistérios, escolhamos os dois primeiros para meditá-los: Estes dois mistérios são:
     1 – A apresentação de Jesus no templo
     2 – A purificação da Mãe de Jesus

[Novidade] Instruções sobre as Festas Litúrgicas – Pe. Julio de Lombaerde

A partir de hoje, 29, nosso site passa a contar com mais um conteúdo: a publicação das Instruções/Sermões do grande Padre Júlio Maria de Lombaerde, extraído de seu livro O Evangelho das Festas Litúrgicas e dos Santos mais populares. Conheça um pouco mais de sua história:

Instrução – São Francisco [de Sales] e a Mansidão

Jesus Cristo compara a santidade ao sal, que preserva da corrupção e à luz, que dissipa as trevas.

São Francisco de Salles foi sal, pela sua vida apostólica, que preservou tantas almas da corrupção do erro e do vício. Foi um luzeiro resplandescente pela sua mansidão e bondade atraente. Nos últimos anos de sua vida, foi introduzida a causa de Beatificação de S. Francisco Xavier. Falando deste acontecimento, um sacerdote observou: Já temos São Francisco de Assis, São Francisco de Bórgia, São Francisco de Paula e São Francisco Xavier; falta apenas São Francisco de Salles.

O Prelado sorriu e respondeu com íntima convicção: “Custe o que custar, quero ser santo também; teremos um São Francisco de Salles”. A profecia realizou-se e 45 anos mais tarde Francisco de Salles recebia as honras dos altares. Percorramos hoje esta vida admirável, vendo:
     I – Como o Santo adquiriu a mansidão
     II – Como nós podemos adquiri-la

Slide- Introdução aos Pecados Capitais- 2ª parte

Compartilhamos o slide, material-base, da aula de formação ocorrida no último sábado (29), na Sede da Irmandade do Carmo, que concluiu a análise introdutória dos Pecados Capitais. 

Slide sobre os Pecados Capitais (1ª Parte)- Material da Formação de 25/08

Como avisado na Formação de ontem (25), publicamos o slide utilizado em sala pelo Prof. Bruno, correspondente à 1ª parte do tópico Pecados Capitais. 

Carta Pastoral “A mediação universal da Santíssima Virgem”- D. Antônio de Castro Mayer

Publicamos texto integral da Carta Pastoral A mediação universal da Santíssima Virgem, escrita por Dom Antônio de Castro Mayer, baluarte brasileiro da Tradição Católica. Boa leitura!


D. Antonio de Castro Mayer,

Por Mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo Diocesano de Campos,
Ao Revmo. Clero Secular e Regular,
às Revdas. Religiosas,
à Venerável Ordem Terceirade Nossa Senhora do Monte Carmelo,
às Associações de piedade e apostolado
e aos fiéis em geral da Diocese de Campos,
Saudação, paz e bênçãos
em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Zelosos cooperadores e amados filhos.

Já tivemos oportunidade de lamentar convosco o abominável sacrilégio cometido contra a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Assim que soubemos da nefanda profanação, que despedaçou a sagrada efígie, sob cuja invocação a materna solicitude de Maria Santíssima deu inúmeras demonstrações de seu misericordioso afeto por nossa gente, unimo-Nos aos vossos sentimentos, e juntos demos à Excelsa Mãe de Deus uma reparação pela ofensa inaudita ao seu Coração amoroso, e significamos nosso amor e nosso reconhecimento pelo desvelo e carinho com que Ela nos acompanha com seus favores 1.
Secundamos os desígnios da Providência – que tem contados até os fios de cabelo de nossa cabeça (Mt 10, 30) – quando buscamos perceber nas ocorrências da vida, qual a misericórdia de Deus a nosso respeito. Com muito maior razão, portanto, compete-nos refletir sobre esse fato insólito e altamente pecaminoso, que atinge a veneranda imagem da Padroeira de nossa terra.
É esta, zelosos cooperadores e amados filhos, ocasião oportuna, para afervorar-mos nossa devoção e nossa confiança em Maria Santíssima. Devoção que nos leve ao arrependimento sincero de nossos pecados, também eles responsáveis pela profanação havida, porquanto Deus Nosso Senhor não a teria permitido se nossas faltas não merecessem a advertência. Nossa confiança, porque, no Seu amor materno, a Virgem Mãe não despreza, antes recebe com benevolência e carinho, o coração contrito e humilhado.
Em comentários, após o ato sacrílego ocorrido em Aparecida, salientou-se que o importante é a Mãe de Deus, Maria Santíssima, e não propriamente a imagem. Frase cunhada para aliviar o luto que caiu pesado sobre a Igreja no Brasil. Está, no entanto, longe de dizer toda a verdade. A imagem, de fato, tem sua importância; e tão grande é ela, que justifica a existência do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Contudo, embora a frase não diga toda a verdade, diz o suficiente para nos alertar sobre o significado real do culto das imagens. Ou seja, que é um culto que se mede pela importância da Pessoa a quem a imagem representa. E, nesse caso, não poderíamos dizer, sem receio de errar, que a imagem quebrou-se, porque já estava em pedaços em nossos corações?2 Em outras palavras, não terá a Providência permitido a profanação da imagem, para sacudir o torpor de nossa devoção a Maria Santíssima?
Eis a razão desta Nossa Carta Pastoral. Esperamos, com a graça de Deus e a proteção da Virgem Mãe, contribuir para afervorar vossa confiança, vosso amor e devotamento à Imaculada Mãe de Deus e Mãe nossa amabilíssima, a fim de que vossa piedade filial se volte à Maria Santíssima com maior ternura e seriedade.
I
Zelosos cooperadores e amados filhos.
As peregrinações a Aparecida, que somam milhões de pessoas, são um testemunho vivo da Fé com que os fiéis crêem que Maria Santíssima é a Medianeira na distribuição das graças divinas. Vamos, pois, lembrar convosco os títulos que justificam essa nossa fé na Mediação Universal de Maria Santíssima, como canal que é de todas as graças que descem do Coração Sacratíssimo de Jesus sobre as almas, desde a vocação ao Batismo até os auxílios quotidianos de santificação, com que a bondade de Deus nos acompanha os passos da vida.
Maria Santíssima é Mãe de Deus. Dogma suavíssimo, contido explicitamente nos Santos Evangelhos e definido no Concilio de Éfeso, em 22 de junho de 431, contra os desvarios de Nestório, Patriarca de Constantinopla, com suma alegria do povo fiel, que prestou triunfal homenagem aos Padres Conciliares, acompanhando-os com tochas e aclamações de júbilo, no retorno da sede do Concílio às suas residências.
Maria Santíssima é Mãe de Deus porque, com sua carne virginal, colaborou com o Divino Espírito Santo na formação da natureza humana do Filho de Deus, o que levou Santo Agostinho à bela e arrojada expressão, “Caro Christi, caro Mariae” – “a Carne de Cristo é carne de Maria”3.
Assim, o Verbo de Deus veio ao mundo por Maria. Nasceu de Maria, é verdadeiro Filho de Maria, e como o Verbo é Deus (Jo 1, 1), Maria Santíssima é verdadeiramente Mãe de Deus. São Lucas, no trecho de seu Evangelho dedicado à infância do Senhor, relata a mensagem de Deus transmitida pelo Arcanjo São Gabriel à Virgem Santíssima. Nessa mensagem afirma-se, de maneira insofismável, a maternidade divina de Maria. Disse o Arcanjo: “Eis que conceberás em Teu seio e darás à luz um Filho, e Lhe imporás o nome de Jesus […]. O Espírito Santo descerá sobre Ti, de maneira que o Santo que nascer de Ti será chamado filho de Deus” (Lc 1, 30-35). A expressão “será chamado” quer dizer: terá como nome próprio, indicador de sua natureza, pois é este, na Sagrada Escritura, o valor dos nomes impostos por Deus. 4
*
O fato de Maria Santíssima ter sido escolhida para Mãe de Deus, e de sê-la realmente, por isso que é Mãe do Filho de Deus Humanado, tem conseqüencia irrecusável na economia da Graça, no plano da Redenção do gênero humano. Observa muito bem Santo Agostinho, que Deus poderia fazer-se homem, sem nascer de mulher, sem o concurso da Virgem Maria. Seria coisa facílima à Sua onipotente majestade. Como pôde nascer de mulher, sem concurso de varão, poderia igualmente dispensar a colaboração de Maria5. Se, pois, quis nascer de Maria, é porque Maria entrava no plano divino que determinou a Encarnação do Filho de Deus.
O Altíssimo, com efeito, nada faz sem motivo. É agente infinitamente sábio, para agir inconsideradamente. Toca-nos, se nos queremos integrar nos desígnios divinos, aceitar o pressuposto irrefragável de sua misericórdia, quando determinou que a Encarnação do Verbo se fizesse mediante o corpo humano formado no puríssimo seio de Maria Santíssima. E, como professamos no Credo, se Jesus se encarnou“por causa de nós homens e de nossa salvação”6,não nos é lícito excluir a colaboração de Maria Santíssima na obra com que a bondade divina remiu o gênero humano.
Aliás, o relacionamento da maternidade de Maria com o plano da restauração do gênero humano é anterior a Santo Agostinho. O Doutor da Graça não passa de um elo, precioso sem dúvida, da corrente formada pela Tradição eclesiástica que remonta à Igreja Apostólica.
Com efeito, já nos primeiros séculos, os Padres da Igreja compaginavam Maria Santíssima ao seu Divino Filho na missão restauradora do gênero humano.
São Paulo, na Epístola aos Romanos, declara que, como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim pela obediência de um só, todos se justificam (Rom. 5, 19). Os Padres da Igreja, como a completar o pensamento do Apóstolo, inserem na antítese entre Adão e Jesus Cristo, a oposição entre Eva e Maria. No século II, registram os anais eclesiásticos o testemunho de São Justino, mártir (+165), segundo o qual, a obediência de Maria anulou a desobediência de Eva “Eva – afirma o santo – virgem e sem mácula, concebendo a palavra da serpente, gerou a desobediência e a morte; mas Maria, aquiescendo à palavra do Anjo […] gerou Aquele que derrotou a serpente e seus asseclas, anjos e homens” 7.De modo mais explícito, Santo Irineu (+202), Bispo de Lyon, no mesmo século II, atesta: “Como Eva, virgem, pela sua desobediência, tornou-se para si e para todo o gênero humano, causa de morte; assim, Maria, pela sua obediência tornou-se para Si e para todo o gênero humano, causa de salvação. […] Assim, a cadeia da desobediência de Eva foi dissolvida pela obediência de Maria. […] Como o gênero humano foi vinculado à morte por uma virgem; assim, pela Virgem Maria foi salvo” 8.Tertuliano, na África, desenvolve, em fins do século segundo e começo do terceiro, o mesmo pensamento: Eva acreditou na serpente: Maria em Gabriel; a falta cometida pela incredulidade de uma, a outra apagou com Sua fé”. 9.A medida que avançamos na História, continua no ensinamento eclesiástico a mesma concepção da economia da Graça que faz de Maria a restauradora da desgraça causada por Eva10.
A antítese, pois, entre Eva, causa de nossa ruína, e Maria, causa de nossa vida, é a maneira comum da Tradição destacar, junto aos fiéis, a missão reservada à Santíssima Virgem Maria na obra da Redenção do gênero humano11.
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Não há dúvida, amados filhos, que esta doutrina provém dos Apóstolos.
Com efeito, através de Santo Ireneu chegamos a São João Evangelista, uma vez que o Bispo de Lyon fora discípulo de São Policarpo, que, de sua parte, ouvira ao discípulo amado. Por outro lado, a maneira como se exprimem estes Santos Padres dos primeiros séculos é a de pessoas que transmitem uma verdade que faz parte da doutrina cristã, portanto, da doutrina revelada, legada por Jesus Cristo aos seus Apóstolos. Em outras palavras: ao fixarem a antítese entre Eva e Maria, estes Santos Padres não pretendem propor um pensamento próprio. Eles expõem simplesmente a verdade católica. Por isso mesmo, este ensino é geral. São Justino é da Palestina e viveu em Roma, Tertuliano é africano, Santo Irineu veio do Oriente e estabeleceu-se na França. São, igualmente, das várias regiões da Cristandade, os continuadores desta Tradição: Santo Efrem é da Síria; São Cirilo, de Jerusalém etc.
Não há, pois, dúvida: a participação de Maria Santíssima na obra da Redenção, como restauradora da desgraça causada por Eva, é doutrina revelada.
Eis que, na Idade Média, passou ela a figurar na Sagrada Liturgia, constituindo uma profissão de Fé da mesma Igreja. Até nos últimos breviários, aliás, lêem-se, no Hino de Laudes do Ofício Comum da Bem-aventurada Virgem Maria, os versos atribuídos a Venâncio Fortunato (+ 600) onde se professa “o que Eva, infeliz, nos arrebatou, Tu restitues com a santa prole” 12
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Não vos perturbe, pois, amados filhos, o fato de a frase da Epístola aos Romanos, por nós citada, nada dizer de Maria. Porquanto os textos da Sagrada Escritura devem ser sempre entendidos em harmonia com os outros dados da Revelação, uma vez que fazem parte de um todo coerente que é a Verdade confiada por Jesus Cristo aos seus Apóstolos: “Ide, ensinai tudo quanto vos mandei” (Mt 28, 19-20). Tomando-os isoladamente, e dando-lhes um sentido exclusivo, que nem sempre têm, expomo-nos a entendê-los mal e a naufragarmos na Fé, como advertia São Pedro, aludindo explicitamente aos escritos de São Paulo. 13 Assim, não é porque certos textos destacam uma verdade de Fé, que excluem outras igualmente reveladas. Na Epístola aos Romanos, inculca o Apóstolo na mente dos fiéis, um ponto fundamental da economia da Graça, a saber, que somente o Sacrifício de Jesus Cristo, por seu valor infinito, foi capaz de satisfazer condignamente, atendendo a toda justiça, à majestade e santidade de Deus, lesadas pelos pecados dos homens. Em conseqüência, por isso que estabeleceu a Providência pedir uma reparação perfeita pelo pecado, nenhum ser criado, Anjo ou homem, pôde restaurar a amizade entre o Céu e a terra. Neste sentido, Jesus Cristo é o único Mediador, como afirma o Apóstolo na primeira Carta a Timóteo: “Há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tm 2, 5), Mediação que beneficia a própria Virgem Mãe, como proclamou Pio IX ao definir o Dogma da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria14.
Não é, porém, este, amados filhos, o único aspecto da Redenção.
Com efeito, as graças merecidas por Jesus Cristo, para santificarem deveras os homens, precisam chegar às almas, informá-las, delas expulsando o pecado e tornando-as agradáveis a Deus, capazes de fazer atos sobrenaturais, meritórios da vida eterna. E esta aplicação da Graça às almas, merecida por Jesus Cristo, não se faz sem a intervenção de Maria.
Assim como é inteiramente certa a afirmação do Apóstolo – que pela obediência de um só todos se tornam justos, como pela desobediência de um só perdeu-se o gênero humano – assim é igualmente verdadeira a asserção de que por uma mulher, Maria, nos vem a Graça e a Vida, como por uma mulher, Eva, tivemos o pecado e a morte. Eis que Jesus Cristo e Maria, ambos, são causa de nossa salvação: Jesus Cristo, porque realiza a satisfação que aplaca a ira divina e merece a Graça para todo o mundo; Maria, porque recolhe esta Graça, fruto da satisfação de Jesus Cristo, e a aplica aos homens individualmente. E, como sem essa aplicação, na realidade, o homem não se salva, Maria é também causa da salvação do gênero humano. Como diz São Bernardo 15, Maria é o canal, o aqueduto, por onde nos chegam as torrentes de graças que brotam das sacrossantas chagas de Jesus Cristo. É normal, portanto, que fora desse canal não se possam os homens dessedentar com a água viva que jorra para a vida eterna.
E eis, amados filhos, a harmonia entre o Dogma contido na frase do Apóstolo, ao afirmar que há um só Mediador entre Deus e os homens, e a verdade, transmitida pela Tradição, que nos aponta a Maria Santíssima como Medianeira necessária, por vontade de Deus, na aplicação dos méritos de Jesus Cristo, uma vez que, segundo os desígnios do Altíssimo, é Sua intercessão que obtém para os homens as graças de salvação.
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Esta Mediação Universal de Maria Santíssima tem, como vimos, seu fundamento na cooperação que, segundo o misterioso beneplácito da munificência divina, Lhe coube na obra da Redenção, operada pelo seu Unigênito Filho, cooperação que Lhe conferiu a maternidade espiritual com relação a todos os homens.
Implícita em vários tópicos dos Santos Evangelhos – dentre os raros em que aparece a Virgem Mãe – a Tradição salienta especialmente dois que lhe favorecem a explanação desse Mistério que é a maternidade da Graça, suavíssima irradiação da Pessoa amabilíssima de Maria.
Como não poderia deixar de ser, chama a atenção dos Santos Padres a presença da Virgem Mãe ao pé da Cruz, no Monte Calvário. Padecendo ali as dores mais acerbas que possa uma mãe sofrer, assiste Maria, em pé, com pleno domínio de si, à cruel e atrocíssima Morte de seu Unigênito bem amado. Ali, numa inefável misericórdia, Ela se une ao sacrifício expiatório do Filho de Deus, e suas dores, seu martírio, nos geram para a vida da Graça.
Na paixão de seu Unigênito – escreve Ruperto de Deutz, teólogo do começo do século XII (+ 1129) – gerou a Bem-aventurada Virgem a salvação de todos nós, de maneira que Ela é, de direito, Mãe de nós todos” 16. A interpretação de Ruperto não é singular. É da Idade Média, com efeito, uma seqüência cantada na festa da Compaixão da Bem-aventurada Virgem Maria, na qual se declara que cooperando com o Filho, sob a Cruz salutífera, Maria se tornou nossa Mãe 17. E a Liturgia, como sabeis, amados filhos, é um dos meios de que se serve a Igreja para professar a Fé Católica.
Mas não faltaram mestres consagrados na Igreja, para sublinhar a mesma persuasão de que Maria, pelas dores suportadas em Sua alma, ao lado de seu Filho no Calvário, se tornou a Mãe dos membros do Corpo Místico de Cristo. Eis o que diz Santo Alberto Magno (+1280): ao tempo da Paixão realizou-se a profecia de Simeão “pois a espada transpassou Sua alma […] e ficou constituída […] Mãe de todo o gênero humano18. Santo Antonino, Arcebispo de Florença (+1459), sustenta que “também Maria nos gerou entre as maiores dores, compadecendo com o Filho” ao pé da Cruz 19. Com maior autoridade, os Papas endossam esta doutrina. Leão XIII ensina que “Maria é Mãe também de todos os cristãos, por havê-los gerado no Calvário, entre os supremos tormentos do Redentor” 20. São Pio X, por sua vez, afirma que a “comunhão de dores e angústias entre Mãe e Filho concedeu à Virgem o ser, junto do Filho Unigênito, a Medianeira poderosíssima e Advogada de todo o mundo” 21. As últimas palavras são tiradas da Bula “Ineffabilis Deus” de Pio IX.
Como conseqüência dessa maternidade, que à Virgem custou-lhe na alma dores muito mais atrozes do que as comuns dos partos, Jesus Cristo, do alto da Cruz, promulgou sua missão materna, confiando-Lhe todo o gênero humano e cada um dos homens, na pessoa de São João, o discípulo amado. Embora uma exegese excessivamente preocupada com o sentido literal menospreze o sentido espiritual desse passo do quarto Evangelho, em que o Senhor entrega a Maria o discípulo amado, não há dúvida de que a Tradição viu nele confirmada a missão singular de Maria na obra da Redenção, como Mãe de todos os homens na ordem da Graça.
De fato, já no século III, Orígenes sublinhava o sentido místico das palavras dirigidas por Jesus Cristo, do alto da Cruz, à sua Mãe, “Eis aí teu Filho” (Jo. 19, 26). “Com efeito, afirma o Doutor Alexandrino, o fiel perfeito não mais vive, eis que nele vive Cristo, e porque nele vive Cristo, por isso, dele é dito a Maria: Eis Teu filho, o Cristo” 22. Em outros termos, o que renasce para a vida da Graça, torna-se outro Cristo e, como tal, filho de Maria Santíssima. A interpretação de Orígenes, com o tempo fez-se comum. Ruperto assim continua o trecho que citamos: “Por isso, o que ali foi dito do discípulo amado, poderia dizer-se de qualquer outro que estivesse presente, porquanto Ela é Mãe de todos23. Na Seqüência da festa da Compaixão de Maria, por nós já citada em outra estrofe, consigna-se esta interpretação do passo de São João: “A Mãe é dada ao discípulo com grande mistério; sob o nome de João, entende-se todo fiel24. Seria muito longo enumerar os teólogos, exegetas e doutores ascéticos que secundam a interpretação consignada na Liturgia pela Seqüência acima25. Baste-vos, amados filhos, a palavra autorizada de Leão XIII comentando o trecho a que nos referimos: “Na pessoa de João, segundo o pensamento constante da Igreja [quod perpetuo sensit Ecclesia], designou Cristo o gênero humano, principalmente aqueles que a Ele aderem pela Fé26. Principalmente, diz Leão XIII, porquanto, como acentua Pio XI, “ao receber, no Calvário, os homens recomendados ao seu materno coração, Maria não somente anima e ama os que se beneficiaram da graça divina, como também aqueles que ignoram a Redenção27.
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No Gólgota, Maria gerou-nos para a vida da Graça.
Jesus, no entanto, não esperou o fim de sua vida mortal, para fazer Maria nossa Mãe. Diz bem o Pe. Braun, O.P., no seu comentário ao tópico de São João que analisamos: “A doação de todos os homens, feita a Maria, no Calvário, deve considerar-se como uma consagração oficial à vista do futuro, de um fato já existente28.
E realmente, a revelação da maternidade espiritual de Maria Santíssima está contida na doutrina da recapitulação, tão cara aos Padres da Igreja, especialmente no Oriente29. De acordo com esta doutrina, Adão, em certo sentido, encerrou em si a todo o gênero humano, por isso que dele teriam origem todos os homens. Estavam todos em Adão “em germe”. O fato, pois, de ser Adão o pai de todo o gênero humano fez que ele englobasse a todos os homens na desgraça de seu pecado (Rm 5, 12). De modo análogo, Jesus Cristo, o novo Adão (1 Cor 15, 45), encerra em Si a todos os homens que, recebendo dEle a Graça santificante, são Sua descendência na ordem sobrenatural, da vida eterna. Sinteticamente, Santo Irineu afirma: “Como todos morremos no Adão corporal, assim somos vivificados no espiritual30.
Como complemento natural do objeto da Revelação, que apresenta a Jesus Cristo como Cabeça da humanidade, encerrando em Si, em germe, a todos os homens, desenvolvem os Santos Padres a doutrina da maternidade Universal de Maria Santíssima com relação a todos os fiéis. Como Jesus é o novo Adão, Maria é a nova Eva, a nova Mãe de todos os homens, já agora na ordem sobrenatural.
A melhor explanação deste suavíssimo Mistério encontramos na Encíclica com que São Pio X preparou o povo fiel a uma digna comemoração do cinqüentenário da Bula “Ineffabilis Deus“, que definiu o Dogma da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria. Leiamos, amados filhos, para nossa edificação as dulcíssimas palavras do último Papa canonizado: – “Não é Maria, Mãe de Deus?” – pergunta o Pontífice. E conclui: – “Portanto, é Mãe nossa também“. E desenvolve a argumentação: “Pois, deve-se estabelecer o princípio de que Jesus, Verbo feito carne, é ao mesmo tempo Salvador do gênero humano. Em conseqüência, como Deus Homem, Ele tem um corpo qual os outros homens; como Redentor de nosso gênero, um corpo espiritual, ou, como sói dizer-se, místico, que outra coisa mais não é do que a comunidade dos cristãos unidos a Ele pela Fe“. E cita São Pio X, em abono de sua doutrina, a palavra de São Paulo: “Embora muitos, somos um só corpo em Cristo” (Rm 12, 5). E continua: “A Virgem, pois, não concebeu o Filho de Deus só para que, dEla recebendo a natureza humana, se tornasse homem; mas, a fim de que Ele se tornasse, mediante esta natureza dEla recebida, o Salvador dos homens. O que explica as palavras dos Anjos aos pastores: “Hoje nasceu-vos o Salvador que é o Cristo Senhor” (Lc 2, 11). Por isso, no seio virginal de Maria, onde Jesus assumiu a carne mortal, lá mesmo, Ele se agregou um corpo espiritual, formado de todos os que deviam crer nEle. E pode dizer-se que Maria, trazendo a Jesus nas Suas entranhas, trazia também a todos aqueles cuja vida o Salvador continha. Todos, portanto, que, unidos a Cristo, somos, consoante as palavras do Apóstolo, “membros de Seu corpo, de Sua carne, de Seus ossos” (Ef 5, 30), devemos crer-nos nascidos do seio da Virgem, de onde um dia saímos, qual um corpo unido à cabeça. E por isso somos chamados, num sentido espiritual e místico, filhos de Maria, e Ela é, por sua vez, nossa Mãe comum. Mãe espiritual, contudo verdadeira Mãe dos membros de Jesus Cristo quais somos nós” 31.
São Pio X destaca, pois, como vistes, amados filhos, que Maria Santíssima não é Mãe do filho de Deus que será o Redentor do mundo. Ela é, diretamente, a Mãe do Redentor. Ela colaborou com o Divino Espírito Santo para a formação do próprio Redentor. Quem durante nove meses se manteve no Seu seio puríssimo, e sob Seu influxo vital foi se formando Homem, era o Filho de Deus, como Redentor.
Ora, amados filhos, como lembramos acima, Jesus Cristo nos redime, mediante nossa incorporação à sua Pessoa. Pela Graça, que Ele nos mereceu, nós nos unimos a Ele, formando com Ele um só Corpo Místico. A Graça é como o sangue vivificante que, de Jesus, desce e penetra em nossa alma, dando-nos a vida sobrenatural, e unindo-nos a Ele que é a Cabeça do organismo do qual nós somos os membros. E é através desta nossa incorporação a Jesus Cristo que somos salvos. Eis que, conclui legitimamente São Pio X, no momento em que Maria se torna Mãe de Deus, no mesmo instante, torna-se Mãe dos homens, como sinteticamente o disse no enunciado de sua tese: – “Não é Maria, Mãe de Deus? – Portanto, é Mãe nossa também”.
Como corolário suavíssimo de ordem prática, deduzimos que é sob o influxo materno de Maria Santíssima que os homens renascem para a vida da Graça. Com que alegria pensamos que somos realmente filhos de Maria! Ela, como Mãe de Deus, nos gerou a nós também e para a vida eterna! “Nossa alma glorifica o Senhor” (Lc 1, 46).
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Amados filhos,
A Maternidade espiritual de Maria Santíssima, como dissemos, fundamenta sua Mediação Universal.
Com efeito, os homens se salvam – acabamos de ver – por isso que se enxertam (a expressão é de São Paulo – Rm 11, 17) em Nosso Senhor Jesus Cristo, mediante a Graça santificante que os faz filhos de Deus, precisamente porque os incorpora ao Filho Unigênito do Padre Eterno.
A conclusão lógica de todo este raciocínio é que se salvam somente aqueles que se recolhem ao seio onde se forma esse Corpo Místico de Cristo. Em outras palavras, nossa incorporação a Jesus Cristo, na unidade de seu Corpo Místico, não se faz sem a intervenção de Maria Santíssima. Aliás, a comparação tomada ao organismo humano, sublinha energicamente essa verdade. Com efeito, é impossível imaginar-se uma mulher que gere apenas a cabeça de seu filho. Necessariamente ela dará à luz o corpo inteiro da prole, cabeça e membros. Como se poderia, então, pensar que Maria, Mãe do Redentor, gerasse apenas a cabeça do Corpo Místico, quando o Redentor é constituído do Cristo inteiro, cabeça e membros, Jesus Cristo e os homens unidos a Ele pela Graça?32. Ao contemplar seu Unigênito, apieda-se o Padre Eterno do mundo, porque Seu olhar amoroso atinge a todos os homens que, na unidade do Verbo Encarnado, constituem seu Corpo Místico.
Compreende-se, amados filhos, que a concepção de Maria Santíssima como canal indispensável por onde descem as graças da Cabeça aos membros do Corpo Místico, esteja na profissão de Fé Católica desde os primeiros séculos. Esta verdade está contida na antítese entre Eva, mãe dos pecadores, e Maria, Mãe dos viventes em Cristo. Como a colaboração de Eva, tronco que é de onde procede todo o gênero humano, é condição para que nasçam os homens com o pecado original, assim a intervenção de Maria é indispensável para o nascimento na ordem da Graça.
II
Há, no entanto, também afirmações diretas de que só por Maria recebem os homens a graça de Deus. Assim, por exemplo, Santo Efrém (+373), a cítara do Espírito Santo, o melífluo cantor da Virgem, dirige-se à Mãe de Deus com estas palavras: “Por Ti, ó única Imaculatíssima, toda honra e santidade, desde o primeiro Adão e até a consumação dos séculos, derivou-se, deriva-se e derivar-se-á aos Apóstolos, aos Profetas, aos justos e humil­des de coração” 33. Santo Efrém considera, imediatamente, a origem do Salvador, que nasceu de Maria. Suas palavras, no entanto, só se entendem mediante a associação da Virgem Santíssima à obra de seu Unigênito Filho, que a faz medianeira de todas as graças a toda classe de pessoas, desde os justos do Velho Testamento. São Germano, Patriarca de Constantinopla (+733) é mais incisivo: “Ninguém […] a não ser por Ti, ó Santíssima, consegue a salvação. Ninguém a não ser por Ti, ó Imaculatíssima, liberta-se do mal. Ninguém, a não ser por Ti, ó Castíssima, obtém indulgência. A ninguém, a não ser por Ti, ó Honorabilissima, se concede misericordiosamente o dom da Graça”34. Na Idade Média, permanece, e mesmo se intensifica o fervor mariano, a certeza de que é por Maria que nos vem a vida eterna. Santo Anselmo (+1109), Arcebispo de Cantuária, assim se exprime: “Sem Ti, não há piedade, nem bondade, porque és a Mãe da virtude e de todos os bens”35. E São Bernardo (+153), o suavíssimo Doutor da Virgem, tem uma frase taxativa de que se servirão com freqüência os Papas, para caracterizarem a missão de Maria Santíssima na economia da Graça: “Nada quis Deus que possuíssemos que não passasse pelas mãos de Maria”36.
Dos grandes teólogos do século XIII, Santo Tomás de Aquino, no comentário à Saudação Angélica, compara a redundância da Graça de Maria sobre os homens com a do próprio Jesus Cristo. Esta comparação, como se vê, envolve a afirmação da universalidade da Mediação de Maria Santíssima, na distribuição das graças. São Boaventura, por sua vez, tem esta afir­mação taxativa: “Ninguém pode entrar no Céu a não ser que passe por Maria que é a porta37.
E, resumindo a profissão de fé do povo cristão, cantou Dante (+1321), na sua grandiosa Divina Comédia: “Virgem Mãe […] Há tanta grandeza em Ti, tal pujança que quer sem asas voe seu anelo quem graças aspira em Ti sem confiança.”38
Santo Antônio de Florença, no século XV, retoma o pensamento de Alighieri, na sua Summa Theol. P.VI, tit.15, c.22, §9: “Qui petit sine Ipsa duce, sine alis tentat volare” – “Quem pede, sem tê-La como guia, tenta voar sem asas”.
Nos nossos tempos, Pio XII, em Carta ao Card. Maglione, com data de 15 de abril de 1940, encarecendo junto do Secretário de Estado a necessidade de orações pela Paz, retoma a mesma figura de Dante para sublinhar a eficácia da intercessão de Maria Santíssima: “Tanta Beata Virgo apud Deum pollet gratia, tanta apud Unigenitum suum potentia fruitur, ut quisquis, egens opis, non ad eam recurrat, nullo is alarum remigio, ut Aligherius concinit, volare conelur” – “É tão grande a valia da Bem-aventurada Virgem junto a Deus, tanto Seu poder junto a seu Filho, que um indigente que a Ela não recorre, empenha-se, como cantou Alighieri, por voar sem o remo das asas”39. Não faltam também, amados filhos, documentos do Magistério Pontifício, caucionando a fé arraigada no coração do povo cristão. Bento XIV (1740-1758), na famosa bula áurea “Gloriosæ Dominæ” proclama a Bem-aventurada Virgem Maria o alveo do rio por onde correm todas as graças e dons para o coração dos míseros mortais 40. Pio VII (1800-1823) declara “Maria nossa Mãe amantíssima e Dispensadora de todas as graças41. Pio IX (1846-1878), repetindo a frase de São Bernardo, atesta ser o desejo de Deus que “tudo tivéssemos por Maria42. Leão XIII inculca esta verdade nas suas muitas encíclicas sobre o Rosário do mês de outubro. Por exemplo, na “Octobri mense” retoma a conhecida frase de São Bernardo, “por vontade divina, nada, a não ser por Maria, nos é concedido43. São Pio X, na esplêndida encíclica “Ad diem illum“, já por nós analisada, chama a Maria Santíssima, “Dispensadora de todas as graças que Jesus providenciou com seu Sangue preciosíssimo44. Bento XV, em Carta Apostólica à Confraria da Boa Morte, afirma: “As graças que o gênero humano recebe do tesouro da Revelação são distribuídas pessoalmente pela Virgem Dolorosa”45. Pio XI ensina que o único Mediador entre Deus e os homens quis associar sua Mãe como Advogada dos pecadores e Ministra e Mediadora da Graça46. Pio XII, em muitas oportunidades, deu aos fiéis o exemplo de confiança inabalável na proteção da Virgem Mãe. Na encíclica sobre o Corpo Místico47 destaca o lugar que tem Maria na economia da Graça. O mesmo faz na encíclica sobre a Sagrada Liturgia48, onde subscreve a frase de São Bernardo que Deus “quis que tudo tivéssemos por Maria”. João XXIII (1959-1963) utiliza-se dessa mesma frase quando exorta os congregados marianos à confiança e devoção à Maria Santíssima49.
Paulo VI declara que a missão exercida no Céu por Maria Santíssima, na geração e aumento da vida divina em cada um dos homens, é, por livre vontade de Deus sapientíssimo, parte expletiva do mistério da salvação humana, e por isso, devem os fiéis aceitá-la como verdade de fé50.
*
Enfim, para que não faltasse a confirmação da lex orandi, a Sagrada Liturgia se compraz em atribuir a Maria Santíssima trechos de Isaías, dos Provérbios e do Eclesiástico51 que literalmente se aplicam à Sabedoria Increada, ao Verbo de Deus, ratificando assim a convicção dos fiéis de que Maria está estreitamente unida ao Filho de Deus, de maneira a constituir com Ele o traço de união entre a misericórdia divina e as necessidades dos homens.
Não somente na parte catequética da Santa Missa, inculca a Sagrada Liturgia a união íntima entre Maria Santíssima e seu Divino Filho no Mistério de nossa Redenção. Esta verdade é afirmada também em outros lugares das Missas de Nossa Senhora, bem como nos ofícios correspondentes.
Assim, na oração após a Comunhão da Missa comemorativa da outorga da Medalha Milagrosa a Santa Catarina Labouré52, professa-se: “Ó Senhor Deus Onipotente que quiseste que tivéssemos TUDO pela Imaculada Progenitora de teu Filho, concedei-nos, etc.” Na sétima lição do Ofício de Nossa Senhora Auxiliadora, diz-se que Deus “pôs em Maria a plenitude de todo bem, de maneira que saibamos que dEla redunda o que há em nós de esperança, de graça, de salvação53.
Esta oficial profissão de Fé da Santa Igreja, no seu culto público, obteve uma ratificação marcante com a aprovação, por parte de Bento XV, em 1921, da Missa e Ofício da Bem-aventurada Virgem Maria Medianeira de todas as graças54. No invitatório desse ofício faz-se o seguinte convite: “A Cristo Redentor que quis que todos os bens tivéssemos por Maria, vinde, adoremos”. No hino de Matinas, canta-se: “Todos os bens que nos mereceu o Redentor, reparte-os sua Mãe Maria”.55. E na oração da Missa, que todos os favores pedidos ao Senhor, sejam alcançados por meio de Maria56
III
Zelosos cooperadores e amados filhos.
Repassamos convosco as fontes da Revelação que nos explanam a missão confiada por Deus Nosso Senhor a Maria Santíssima, na obra da Redenção do gênero humano e na economia da Graça. Vimos que, pelos altos desígnios de Deus, Maria foi escolhida para cooperar, com Sua carne e Seu sangue, na constituição da natureza humana do Verbo Divino, quando, pelos inefáveis mistérios de Seu amor, Deus resolveu pedir uma reparação justa, proporcionada à enormidade da malícia inerente ao pecado do homem, como violação que é dos direitos divinos.
Semelhante cooperação física, na feitura da natureza humana de Jesus Cristo, implica, normal e logicamente, uma participação na obra colimada pelo Filho de Deus ao encarnar-se, ou seja, na Redenção do gênero humano. E a razão é porque Deus, na Sua onipotência, poderia dispensar o concurso de Maria na Encarnação do Verbo. Se não o fez, é porque na Sua insoldável sabedoria designou a Maria Santíssima uma parte importante na própria restauração do gênero humano.
Argumenta com razão Bossuet que Deus, tendo querido dar-nos Jesus Cristo por Maria, esta ordenação Ele não a muda mais. A vontade de Deus é sem arrependimento. O caminho par irmos a Jesus, o meio de recebê-Lo, será sempre Maria.57 Análogo pensamento ocorre em Leão XIII: “Tendo prestado Seu ministério na Redenção dos homens, Ela exerce paralelamente o mesmo ministério na distribuição da Graça que daquela Redenção perpetuamente decorre, investida, para esse fim, de um poder quase imenso”58.
De onde o papel assumido por Eva na desobediência original, que implicou na desgraça de todos os homens, oferece aos Santos Padres o meio de inculcar a parte que teve Maria na restauração da humanidade. Como Eva foi a causa da morte espiritual de todos os homens, Maria é a causa da vida da Graça para todos os homens. Como Eva é a mãe de todos os viventes, enquanto a todos transmite a vida natural, Maria é a Mãe de todos os homens que, por Ela, recebem a vida sobrenatural.
Este pensamento suscita o aspecto suavíssimo de Maria como Mãe celeste, que vela pelos Seus filhos na terra, aos quais gerou para a vida espiritual, ao participar, no Calvário, das dores acerbíssimas com que Jesus remiu o mundo.
Aprofundando mais o alcance da palavra do Arcanjo Gabriel a Maria, anunciando-Lhe que seria Mãe do Redentor, a Tradição precisa melhor a natureza da maternidade pela qual Maria é Mãe de todos os homens. É que estes fazem parte do Corpo Místico de Cristo, e, precisamente como membros desse Corpo Místico, são resgatados do cativeiro do demônio, e animados pela vida da Graça. Assim, Maria Santíssima, ao conceber no Seu seio puríssimo o Redentor, tornou-se, pelo mesmo fato, Mãe de todos os remidos pelo Sangue de Cristo, ou seja, de todos os membros do Corpo Místico do Salvador.
Concretamente, a ação materna de Maria com relação a todos os homens faz-se mediante a distribuição das graças merecidas pelo Sacrifício propiciatório do Filho de Deus, pois, “Deus quis que nada tivéssemos, a não ser por Maria”. Citemos ainda uma vez São Bernardo, que resume nessa frase a amabilíssima e consoladora dádiva da bondade divina que é Maria, nossa Medianeira.
A mesma concepção da economia da Graça, na qual Maria ocupa uma posição chave, ensina São Luís Grignion de Montfort: “Deus Padre – diz ele – nos deu e dá o Filho por Ela [Maria] somente, só produz outros filhos por meio dEla e só por meio d’Ela nos comunica suas graças. Deus Filho foi formado, para todo o mundo, por Ela, e não é senão por Ela que é formado todos os dias, e gerado por Ela em união com o Espírito, e é Ela a única via pela qual nos comunica suas virtudes e Seus méritos. O Espírito Santo formou Jesus Cristo por meio dEla, e por meio dEla forma os membros de seu Corpo Místico, e só por Ela nos dispensa seus dons e favores” 59.
Precisamente nessa indispensável intervenção de Maria Santíssima, para a consecução dos favores do Céu, desde a primeira graça até a perseverança final, consiste sua Mediação Universal, que A faz Mãe que, continuamente, gera e alimenta a vida divina dos homens, e como tal Paulo VI declarou artigo de fé, e que ardentemente esperamos seja dogma solenemente definido, para glória de Deus, exaltação da Santa Igreja, honra de Maria Santíssima, alegria dos habitantes do Céu e consolo para os que ainda gememos neste vale de lágrimas.
IV
Concebida assim no seu verdadeiro sentido, amados filhos, a Mediação Universal de Maria, longe de entrar em colisão, harmoniza-se perfeitamente com o Dogma de um só Mediador necessário, que apresente ao Altíssimo a reparação pelos pecados dos homens. Pois, segundo os altos desígnios divinos, é nesta indispensável Mediação de Jesus Cristo, que adquire vigor toda a Mediação de Maria, porque é a Mediação de Jesus Cristo que A faz Santíssima, Imaculada, Mãe de Jesus Cristo, que concede a Maria todos os títulos que fundamentam sua missão de Medianeira de todas as graças.
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Por motivo análogo, a Mediação Universal de Maria não anula, amados filhos, a intercessão dos Santos e Anjos, todos eles também mediadores, amigos que são de Deus e benfeitores nossos. Suas preces são também valiosas, porém, não dispensam a intercessão de Maria. Com as da Mãe de Deus adquirem a eficácia de que sozinhas ficariam destituídas. Exprime esta verdade, de modo incisivo, o grande Doutor da Igreja, Santo Anselmo (+1109). Diz ele: “O mundo tem seus apóstolos, seus patriarcas, seus profetas, seus mártires, seus confessores e suas virgens: bons, excelentes auxiliares que eu desejo, súplice, invocar. Mas, Vós, Senhora, Vós sois melhor e mais elevada do que eles todos […]. O que eles podem convosco, Vós podeis sozinha e sem eles todos […]. Se Vós Vos calais, ninguém suplicará, ninguém me auxiliará. Falai, e todos pedirão, todos virão em meu auxílio” 60.
Mesmo o pecador empedernido, que nem sequer cogita da Mediação de Maria, que jamais a Ela recorre, é beneficiado pela intercessão da Virgem Mãe, e pode vir à conversão, porquanto
Ao mísero, que roga ao teu desvelo acode, e, as mais das vezes, por vontade livre, te praz sem súplica valê-lo61.
Em outras palavras, mesmo quando o fiel não recorre a Maria, Ela o faz espontaneamente e lhe alcança a graça que ele, infeliz, não soube pedir. Dante nos transmite a persuasão do povo fiel. Santo Anselmo, o ensino da Hierarquia: “Sem Vossa assistência – suplica ele à Virgem – eu sou um nada que retorna ao nada. Socorrei-me, e não recuseis só a mim o que concedeis a todos mesmo sem ser rogada62.
De um modo semelhante, amados filhos, não se opõe à Mediação Universal de Maria a eficácia sacramental na alma. Como sabeis, os Santos Sacramentos produzem na alma a Graça santificante, por si mesmos, ou na expressão clássica em Teologia, ex opere operato, isto é, pela virtude do próprio Jesus Cristo, de quem é vigário ou representante o ministro do Sacramento, servindo-se de um meio ao qual vinculou o Salvador essa causalidade na ordem sobrenatural.
É verdade que se poderia excogitar uma Mediação de Maria Santíssima incompatível com a Teologia Sacramental. Seria concebê-la como se Maria agisse diretamente na alma, nela criando, como causa eficiente, a Graça santificante. Mas, este conceito da Mediação Universal de Maria é falso. Maria é Medianeira de todas as graças porque nenhuma graça é aplicada ao homem sem que intervenha a Sua intercessão. A Tradição compendiou esta verdade numa expressão muito justa: “Maria – diz a piedade cristã – é a onipotência suplicante63. Ela é Medianeira porque suplica, intercede, e Deus Nosso Senhor quer que esta intercessão, esta súplica esteja presente para conceder Sua graça, Seu favor. Repitamos a palavra de São Bernardo: “Deus quis que tudo obtivéssemos por Maria64.
Como a graça sacramental está condicionada à recepção condigna do Sacremento, isto é, sem que a vontade lhe oponha o óbice da adesão do pecado, quem obtém de Deus, para um indivíduo, o benefício de receber o Sacramento, e de recebê-lo frutuosamente, pode e deve dizer-se que, com Sua intercessão, beneficiou o fiel com a graça sacramental. Em outras palavras, pode-se dizer que a própria graça sacramental está condicionada à Mediação de Maria, uma vez que Deus concede a graça da recepção frutuosa do Sacramento, como fruto da intercessão da Virgem Santíssima. Tanto mais que as boas disposições da alma, que contribuem para o pleno efeito da graça sacramental, são fruto de graças atuais condicionadas por Deus à intercessão de Maria.
Concluímos: nem a Mediação Universal de Maria Santíssima impede a causalidade própria dos Sacramentos; nem esta causalidade é dificuldade àquela Mediação Universal.
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Quanto aos auxílios divinos outorgados pelo Senhor, como fruto de petições que os fiéis fazem subir diretamente ao Augusto Trono de Sua misericórdia, em nada extenuam a Mediação Universal de Maria Santíssima.
Porquanto, na economia da Graça fixada pela inefável bondade de Deus, Jesus é inseparável de sua Mãe Santíssima. A ordem da Encarnação envolve Mãe e Filho. Assim o determinaram livremente os carinhosos e insondáveis desígnios da Providência. Não há a menor dúvida de que a intercessão de Jesus Cristo, aliás ininterrupta, como o declara São Paulo (Heb 7, 27), é infinitamente suficiente para obter o agrado do Altíssimo, uma vez que corroborada pelos Seus méritos infinitos. Deus, porém, O quis inseparável de sua Mãe Santíssima, na realização de Seu múnus redentor. Por isso, diz muito exatamente São Bernardo, “Deus quis que tudo recebêssemos por Maria“. Não era uma exigência que se impunha. Foi uma benignidade inefável do amor divino. Eis que se aplica a estes rogos o princípio geral, segundo o qual, mesmo quando a Ela não recorrem, Ela espontaneamente acode com Sua prece65
E eis, amados filhos, até onde vai a misericórdia divina. Quase diríamos que, para aliviar nossa vergonhosa vida, dispôs Deus que, na reparação de nossa culpa, pudéssemos apresentar junto a Ele, como nosso representante válido e aceito, uma pessoa totalmente da nossa raça. Já é um Mistério inefável da bondade do Senhor prover à Redenção através da humilhação de seu Unigênito, que tomou a forma de escravo e apresentou-se como homem verdadeiro (Fl 2, 7). Pois a misericórdia divina, como que completou sua amabilidade conosco, associando uma pura criatura à obra da Redenção. Deu-nos uma possibilidade de participar no pagamento de nosso débito, de si inteiramente insolvável. Como a nos encarecer que seus favores eram também fruto de uma cooperação nossa, de um membro de nossa família. Verdadeiramente em Jesus, nascido de Maria, aparece a suave benignidade do Salvador nosso Deus. Demos sempre mil graças a Deus!
V
E podemos, amados filhos, concluir.
Que ação de graças não devemos elevar aos Céus, amados filhos, fazer soar válida e harmoniosamente aos ouvidos divinos, por esta inefável e amabilíssima disposição carinhosa da Providência, dando-nos Maria por Mãe, e tornando-a o canal de todas as graças que decorrem da abundância de Suas misericórdias! Tem aqui sua aplicação o dito do salmo: “Sua misericórdia está acima de todas as suas obras“. Não há dúvida de que o ponto culminante da misericórdia de Deus é o Verbo Encarnado, a obra-prima de uma bondade que só pode ser divina. Mas, podemos nós separar Maria Santíssima do Verbo Encarnado? Na ordem que aprouve à Providência estabelecer, Maria é elemento indispensável na Encarnação do Verbo. Ela é que, de Sua carne formou o corpo que tornou possível ao Filho de Deus vir a fazer parte da raça humana. De onde, é impossível pensar no Deus Humanado, sem que à mente surja a figura excelsa de sua doce Mãe, Maria.
Por tão amabilíssima disposição, elevou Deus a Maria Santíssima, de certo modo, à participação de sua Paternidade única. Pois, como o Padre Eterno diz com toda a propriedade ao seu Verbo: “meu Filho”, assim, Maria pode, com toda propriedade, dizer ao mesmo Filho de Deus: “meu Filho”, porquanto em Jesus há uma só Pessoa, a Pessoa do Filho de Deus, e foi esta Pessoa que Maria gerou na natureza humana.
E como as obras de Deus são perfeitas, o Altíssimo associou-A também à Sua inefável misericórdia.
Com toda a verdade aplicamos à Maria o que diz São Paulo da imensa bondade de Deus com relação aos homens: “Não poupou seu próprio Filho, pelo contrário, entregou-O para nossa salvação” (Rm 8, 32). Pois, como o Padre Eterno como que se despojou de seu Filho, esvaziando-O da glória celeste, quando Lhe deu um corpo mortal (Fl 2, 7) a fim de que pudesse imolar-se por nós, sórdidos pecadores; assim, a Virgem Maria, junto à Cruz, no Calvário, com o coração estraçalhado de acerbíssimas dores, não obstante em pé, varonilmente não poupa ao Unigênito bem amado, senão que O entrega à morte atrocíssima por nossa salvação. Não poupou seu Filho, senão que O entregou por todos nós (Rm 8, 32). Associa-se assim, à misericórdia do Padre Eterno, como, de algum modo fora associada à Paternidade, quando deu à luz ao Filho de Deus feito homem.
*
Eis que, diante do riquíssimo Mistério da Mediação Universal de Maria, devemos entoar ao Senhor dos Céus e da terra o hino de ação de graças, proclamando com o salmista: “Sua misericórdia está acima de todas as Suas obras“.
Depois, reflitamos, amados filhos, com freqüência, sobre a realidade sobrenatural em que vivemos, como verdadeiros filhos de Maria e colocados, por conseguinte, sob a suave ação materna de Maria Santíssima. E lembremo-nos do que diz de si, na Sagrada Escritura, a Sabedoria Increada e que a Sagrada Liturgia coloca nos lábios da Santa Mãe de Deus e Mãe nossa dulcíssima: “Os que agem em mim não pecarão” – “Qui operantur in me non peccabunt66. Vivamos sob o olhar de Maria, na dependência de Maria. Consagrados inteiramente a Ela, agiremos sempre dentro do ambiente que Lhe é próprio, feito do santo temor de Deus e impregnado de fé, pureza e caridade. Em semelhante ambiente marial não entra o pecado. É nele que agimos em Maria e por Maria e experimentamos a palavra da Escritura: os que agem em Maria não pecarão67.
Essa é a maneira de viver nossa fé na Mediação Universal de Maria. De onde, ou somos lógicos, e nos conservamos no seio materno de Maria, no Seu ambiente próprio, feito de castidade, mortificação do amor próprio e caridade divina e fraterna, ou nossa fé se esvazia, e se torna inútil como o sal insípido que para nada vale e se lança fora (Mt 5, 13).
Para realizarmos o ideal da vida em Maria, precisamos dos auxílios divinos, visto que “sem mim – diz o Senhor – nada podeis fazer” (Jo 15, 5). Pois, a Medianeira de todas as graças nô-los obterá. Habituemo-nos a recorrer, com suma e inabalável confiança, à Maria. Lembremo-nos de que Ela é Mãe, e dá o que de bom Lhe pedimos, pois dispõe do tesouro inesgotável dos méritos de seu Divino Filho, e é por isso, a onipotência suplicante. Não vemos aqui na terra as angústias e quase desespero das mães que não vêem como satisfazer aos desejos de seus filhos? Não pensemos que Maria tem menos sentimentos maternais do que as mães da terra que, apesar de tudo, não conseguem depor totalmente seu egoísmo.
Recorramos, pois, a Maria, com inabalável confiança. Por maiores pecadores que sejamos, não nos falte a convicção de que Maria é poderosa, e quer expulsar o demônio de nossas almas e nos aliviar com as esperanças da vida eterna.
E sejamos assíduos na reza do Rosário, ou ao menos do Terço de Nossa Senhora. Das devoções à Santíssima Virgem, é esta a que nos leva a aprofundar o Mistério da Mediação Universal de Maria. De vez que, no Santo Rosário, entrelaçamos os mistérios da vida de Jesus Cristo e da vida de Maria, de maneira que, por ele, somos levados a assimilar as virtudes e a caridade do Senhor, guiados pelo exemplo e as mãos maternais de Maria.
Enfim, nossa gratidão exige que nos empenhemos por que chegue logo, muito brevemente, o momento feliz e oportuno, determinado pela Providência, em que, pela palavra infalível da Santa Igreja, seja colocada na coroa de glória que adorna a Mãe Santíssima de Deus, a Bem-aventurada Virgem Maria, mais esta estrela luminosa, o dogma de Maria Santíssima Medianeira de todas as graças.
Com esta intenção, desejamos que todos os nossos amados diocesanos rezem todos os dias a súplica “Lembrai-vos” inspirada em sermões de São Bernardo 68 que compendia não somente o amor ardente, a confiança e o devotamento filial que o Doutor Melífluo nutria com relação à Virgem Santíssima, como sua fé na Mediação Universal desse canal de todas as graças, que santifica todos os homens
a Mãe Santíssima de Deus e Mãe amabilíssima dos homens.
Dada e passada sob Nosso Sinal e selo de Nossas Armas na Nossa Episcopal Cidade de Campos, aos dezesseis dias do mês de junho do ano de mil e novecentos e setenta e oito, comemoração de Nossa Senhora do Monte Carmelo
+ Antonio, Bispo de Campos
Pe. Henrique Conrado Fischer, Chanceler

Mandamento
Nomine Domini invocato
Mandamos que esta Nossa Carta Pastoral seja lida e explanada aos fiéis à estação da Missa dominical, e nas reuniões das Associações Religiosas. Um seu exemplar seja arquivado na Paróquia ou Curato e uma breve síntese da mesma seja registrada no libro do Tombo.
Dado e passado em Campos na Nossa Cúria Episcopal, aos dezesseis dias do mês de julho do ano de mil e novecentos e setenta e oito, na Comemoração de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
+ Antonio, Bispo de Campos
Pe. H. C. Fischer, Secretário do Bispado
* * * * *
Lembrai-Vos
 
“Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à Vossa proteção, implorado a Vossa assistência e reclamado o Vosso socorro, fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós, Virgem entre todas singular, como a mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso de meus pecados, me prosto a Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que Vos rogo Amen”.

NOTAS

1.Circular de 23 de maio de 1978.

2.Cfr. a advertência feita pelo Sr. Arcebispo Coadjutor de Aparecida, D. Geraldo de Moraes Penido, em “Notícias”, da CNBB, 21-26\5\78.

3.Bossuet fez eco a Santo Agostinho no 2° sermão da 6ª feira da lª Semana da Paixão: “Sua carne [de Cristo] é a Vossa carne, ó Maria, seu Sangue o Vosso sangue” – J. B. Terrien, “Mère de Dieu, Mére des Hommes”, P. II, L.V, c. 1

4.Veja-se Gênesis 17, 5; 32, 28; Mt. 16, 18.

5.Sermão 51, c. 2, n.3 – H. Lennerz, “De Beata Virgine”, Univ. Greg., 1935.

6.> Símbolo niceno-constantinopolitano, que se recita na primeira parte da Santa Missa

7.Diálogo com Trifão, judeu – J. B. Terrien, O. C., L.1, c. 1

8.Adv. Haereses – Contra as Heresias, L.3, c. 22. Terrien, O. C., P. 2, L. 1, c. 1

9.De Carne Christi – Sobre a carne de Cristo – Lennerz, O. C

10.Assim, São Cirilo de Jerusalém, São Jerônimo, Santo Efrém, Santo Agostinho e outros, como pode ver-se em Terrien, O. C., P.2, L.1, c.1.

11.De Carne Christi – Sobre a carne de Cristo – Lennerz, O. C.

12.Quod Aeva tristis abstulit \Tu reddis almo germine“.

13.II Ped. 3, 16: “Nelas [nas cartas de São Paulo] há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para sua própria ruína, como o fazem também com as demais escrituras”.

14.Bula “Ineffabilis Deus“, de 8 de dezembro de 1854: “Foi por Deus revelada e por isso deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis, a doutrina que sustenta que a Beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original. Tradução da Editora Vozes, Petrópolis – negrito nosso.

15.Abade de Claraval, verdadeiro Doutor Mariano, tão bem escreveu sobre a Virgem Maria, como Medianeira das Graças celestes. A expressão é do Sermão da festa da Natividade de Maria Santíssima, conhecido como “De Aquaeductu“, n. 4, Obras completas de São Bernardo, ed. Vivès, Paris, 1867, 3.° vol., p. 402. Se bem que São Bernardo tenha proporcionado a frase – Deus quis que tudo tivéssemos por Maria – de que se têm servido os últimos Papas para exprimir sua persuasão de que Maria é Medianeira de todas as graças, o pensamento, não obstante, remonta ao século II, pois já se encontra explícito nesta frase de Santo Irineu: “Deus quer que Ela seja o principio de todos os dons” – “Vult Deus ipsam omnium donorum esse principium” (Contra Valentinum, c. 33) – Em  C. Boyer, “Synopsis Praelectionum de B. Maria Virgine”, Pont. Univ. Greg., Roma, 1946, p. 52.

16.Citado por Lagrange, “L’Evangile de Saint Jean” — comentário ao Cap.17.

17.“Gratias tibi, Domina, \ Quae mater es facta nostra, \ Sub cruce salutífera \ Filio cooperans” – Terrien, O. C., P. II, L. IV, c. IV.

18.Mariale, q.29 – G. Alastruey, “Tratado da Virgem Santíssima”, P. III, c. IV.

19.Summa, p.IV, tit.15, c.2 – In Alastruey, o. e 1. c.

20.Encíclica “Quanquam pluries“, de 15 de agosto de 1889. Em Alastruey, O. C. 1. c.

21.Encíclica “Ad diem illum“, de 2 de fevereiro de 1904.

22.In “Io. Praefatio“, n. 6 – Em C. Boyer, O. C. p. 52-53.

23.Em Lagrange, o. e 1. c.

24.Datur mater discípulo \ Cum maximo mysterio \ Joannis sub vocabulo \ Quivis venit fidelis” – Terrien, o. c, P. II, L. IV, c. 1.

25.Veja-se Terrien, O. C, P.II, L.IV, c.1, II e sg.

26.Encíclica “Adiutricem populi christiani” de 5 de setembro de 1885.

27.Encíclica “Rerum Ecclesiae“, sobre as Missões de 28 de fevereiro de 1926.

28.In “La Sainte Bible”, Letouzey et Ané, Paris, 1946.

29.Veja-se Emilio Mersch, “Le Corps Mystique”, I volume, Descléé, Paris, 1936.

30.Adv. Haereses – Contra as Heresias, L. V., I, 1-3.Em Emilio Mersch, O. C., p. 332, nota.

31.Santo Agostinho, “De Virginitate“, c.6. – São Pio X, Encíclica “Ad diem illum” de 2 de fevereiro de 1904.

32.Este argumento é apresentado por São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, Cap. 1, art. 1, 2.° Princípio. Na tradução de D. Henrique G. Trindade, Ed. Vozes, n.° 32.

33.Sermão em louvor da SS. Virgem, em C. Boyer, O. C., p. 53.

34.Hom. in S. Mariae Zonam, n.° 5. Em Alastruey, O. C, P.III, c.3., art.I, Cuestión 2. Tesis 3 B; e em J. B. Terrien, O. C, P.II, L.V, c.2.

35.Oratio 37. Em Terrien, O. C., P.II, L.VII, c.4.

36.Sermão na festa da Natividade, “De aquaeductu”, n. 7.

37.Em C. Boyer, O. C, p. 54.

38.Tradução de José Pedro Xavier Pinheiro, Atena Editora, São Paulo. O texto original diz: “Donna, se tanto grande e tanto vali, \ Che, qual vuol grazia e a te non ricorre, \ Sua desienza vuol volar senz’ali” (Paradiso, 33, 13-15 – “La Divina Commedia di Dante Alighieri”, Edição do centenário da morte do poeta, Ulrico Hoepli Editor, Milão).

39.A.A.S., 1940, p. 145.

40.Bula de 27 de setembro de 1948.

41.Ampliatio privilegiorum Ecclesiae B. M. V. ab angelo salutatae in coenobio FF. Ord. Servorum B. M. V. Florentiae“, anno 1806 – Em Alastruey, O. c., P.III, c.4, art.3, Cuestión 1, Tesis.

42.Encíclica “Ubi primum” de 2 de fevereiro de 1849, em Alastruey, O. c, P.III, c.3, art.1, Cuestión 1, Tesis, 1.° Magistério de los Romanos Pontífices.

43.Encíclica de 22 de setembro de 1897, em Alastruey, O. e l. c.

44.Encíclica de 2 de fevereiro de 1904, em Alastruey, O. e 1. c.

45.A.A.S., 1918, p. 182.

46.Encíclica “Miserentissimus Redemptor” de 8 de maio de 1928, p. 178, A.A.S., 1928, p. 178

47.Encíclica de 29 de junho de 1943, A.A.S., 1943, p. 247-8.

48.Encíclica de 20 de novembro de 1947, A.A.S., 1947, p. 582-3.

49.A.A.S., 1960, p. 641.

50.Exortação Apostólica “Signum Magnum“, de 13 de maio de 1967, A.A.S., 1967, p. 468.

51.Is. 55, 1-3 e 5, na festa de Nossa Senhora Medianeira; Prov. 8, 22-24 e 32-35, na festa de Nossa Senhora do Rosário e na da Imaculada Conceição; Ec. 24, 5-7, 9-11 e 30-31, na festa de Nossa Senhora Rainha; Ec. 24, 23-31, na festa de Nossa Senhora de Guadalupe; Ec. 24, 14-16, na festa de Nossa Senhora Auxiliadora.

52.Missa concedida para alguns lugares no dia 27 de novembro.

53.Transcrito de J. B. Terrien, O. C, P.II, L.VI, c.2.

54.Decreto da S. C. dos Ritos, de 21 de janeiro de 1921, A.A.S., 1921, p.345. A concessão foi feita primeiro para a Bélgica. Estendeu-se depois a outros países, inclusive o Brasil, que a via no seu Calendário no dia 1° de outubro.

55.“Cuncta quae nobis meruit Redemptor \ Dona partitur Genitrix Maria”.

56.“Senhor Jesus Cristo, nosso Mediador ante o Pai Eterno, que constituístes Medianeira junto a Vós a Virgem Santíssima, Vossa Mãe e também Mãe nossa, fazei que todo aquele que, aproximando-se de Vós, Vos pedir favores, se alegre em alcança-los por seu intermédio. Vós que reinais, etc.”, Trad. de D. B. Kekeiser.

57.Élevations sur les mystères, 3ª elevação da 8ª semana.

58.Encíclica Adiutricem populi, de 5 de setembro de 1895, Terrien, O. C., P.II, L.V, c.1.

59.“Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, Cap. V, art. 2. Na tradução de D. Henrique Galland Trindade, editada pela Vozes, o trecho citado encontra-se sob o n.° 140. Toda esta obra de São Luís Grignion de Montfort visa criar nos fiéis a convicção profunda de que a Mediação de Maria como Mãe que gera, nutre e aperfeiçoa os membros do Corpo Místico de Cristo, é imprescindível para a salvação. Daí a necessidade de uma Verdadeira Devoção à Maria Santíssima.

60.Oração 46. Em Terrien, O. C., P.II, L.VII, c.2.

61.Dante, “Divina Comédia”, Paraíso, c. 33, 16-18. Tradução de Xavier Pinheiro, ed. cit. O texto italiano é o seguinte; “La tua benignita non pur soccorre \ A chi domanda, ma molte fiate \ Liberamente al domandar precorre” (ed. cit.).

62.Oração 46. Negrito nosso. Em Terrien, o. c., P. II, L. VII, c. 2.

63.A expressão da piedade popular resume a afirmação de Papas e teólogos. Veja-se Alastruey, O. C. P.III, c.4, Cuestión 5.

64.Como já notamos, este pensamento está no sermão da Natividade, conhecido como “De Aquaeductu“, sob o n.° 7. Análoga metáfora usa São Bernardino de Sena (+1444), para significar a mesma idéia da Mediação Universal de Maria: “Ela é – diz o Santo – o pescoço de nossa Cabeça pelo qual todos os dons espirituais são comunicados ao seu Corpo MísticoPor isso o Cântico dos Cânticos VII declara: Teu pescoço é como uma torre de marfim” (Sermão 10 do 1.° Domingo da Quaresma, e Sermão 4 da Conceição. In Terrien, O. C., P.II, L.VII, c.III, III.

65.Veja-se a Oração da Missa de Maria Medianeira de todas as graças, citada na nota 54.

66.Eclesiástico 24, 30. Trecho lido na Epístola das Missas de Maria Rainha, 31 de maio, e de Nossa Senhora de Guadalupe, 12 de dezembro.

67.São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, cap. VIII, art. 2, explana essa Vida em Maria.ou nossa fé se esvazia, e se torna inútil como o sal insípido que para nada vale e se lança fora (Mt. 5, 13).

68.Posterior a São Bernardo, o “Memorare”, ou “Lembrai-vos”, consoladora súplica dos fiéis do Universo todo, inspira-se sobretudo em dois sermões do Doutor Melífluo, o IV da Festa da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria e o de dentro da oitava dessa mesma festa (D.T.C., vol. II, col. 758). Na edição por Nós usada, os trechos se acham no volume III, p.  387, sob o  n.° 8 e p.  392, sob o n.° 15.


Fonte: http://permanencia.org.br/drupal/node/1078

Carta Encíclica Ad Diem Illum- São Pio X

Publicamos o texto integral da Encíclica Ad Diem Illum, do Papa São Pio X, sobre a Imaculada Conceição de Maria Santíssima. Boa leitura!


CARTA ENCÍCLICA

AD DIEM ILLUM

DO SUMO PONTÍFICE S.S. PIO X

Sobre o Cinquentenário da Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição.

500 anos de Reforma: um brinde! (?)- Bibiografia e Indicação de Fontes

SITES

(1) http://adelantelafe.com/

(2) https://missatridentinaemuberlandia.wordpress.com/

(3) http://romadesempre.blogspot.com.br/

(4) http://www.hsjonline.com/

(5) http://mulhercatolica.blogspot.com/

(6) http://www.fratresinunum.com/

(7) http://www.missatridentina.com.br/

(8) https://quenotelacuenten.com/

(9) http://macabeus.no.comunidades.net/

(10) http://www.chestertonbrasil.blogspot.com/

(11) http://www.montfort.org.br

(12) http://www.pueblodemaria.com

 

LIVROS

(1) A Didaquê.

(2) A Igreja, a Reforma e a Civilização – Obras Completas do Pe. Leonel França S.J – v. II (Agir).

(3) A Inquisição em seu mundo – João Bernardino Gonzaga. Ed Saraiva.

(4) A verdadeira religião – S. Agostinho. 2ª edição. 1987. Ed. Paulinas.

(5) As grandes heresias – Hilaire Belloc.

(6) Bíblia Sagrada – tradução Pe. Matos Soares. 32ª edição. 1973. Ed. Pau­linas.

(7) Bíblia Sagrada. Ed. CNBB-Cristal. 14a ed. Paulinas

(8) Biblia Comentada. Straubinger. 1969.

(9) Carta do além – cópia digitalizada.

(10) Catecismo de S. Pio X.

(11) Catecismo ilustrado – Edição da Juventude Catholica de Lisboa.

(12) Catolicismo e protestantismo – Obras Completas do Pe. Leonel Fran­ça S.J – v. VI (Agir).

(13) Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental – Thomas E. Woods Jr. 4ª ed. Quadrante, 2011.

(14) Confissões – S. Agostinho. 22ª ed. 2010. Ed Paulinas.

(15) Diccionario de Patrística – Por César Vidal Manzanares.

(16) Encíclica Dominus Yesus – Papa Bento XVI – Ed. Paulinas.

(17) Hereges – G. K. Chesterton.

(18) História Eclesiástica de Dom Bosco.

(19) Jesus de Nazaré (3 v.) – Joseph Ratzinger. Ed Paulinas.

(20) La nave y las tempestades: La Reforma Protestante – Alfredo Sáenz. Gladius, 2005.

(21) Legítima Interpretação da Bíblia – Lúcio Navarro (Campanha de Ins­trução Religiosa Brasil-Portugal. Recife. 1958).

(22) Milagres da Hóstia Santa – Romano. Ed Paulinas.

(23) Milagres eucarísticos – Juraci Josino Cavalcante (compilador). http:// quodlibeta.bolgspot.com/

(24) O Diabo, Lutero e o Protestantismo. Pe. Júlio Maria de Lombaerde. Imaculada, 2016.

(25) O Homem e a Eternidade – Reginald Garregou-Lagrange. Ed. Flam­boyant.

(26) O homem eterno – G. K. Chesterton.

(27) O manuscrito do Purgatório – Trad. Mons. Ascânio Brandão. 2ª edi­ção. Ed Paulinas.

(28) Ortodoxia – G. K. Chesterton.

(29) Patrística-Padres Apostólicos – Ed. Paulinas.

(30) Por um cristianismo autêntico – D. Antonio de Castro Mayer. Ed Vera Cruz. 1971.

(31) Suma contra os Gentios – S. Tomás de Aquino. Ed Paulinas.

(32) Suma Teológica – S. Tomás de Aquino. Ed Paulinas.

(33) Todos os caminhos levam a Roma – G. K. Chesterton.

(34) Todos os caminhos levam a Roma – Scott e Kimberly Hahn.

(35) Um Exorcista Conta-nos – Pe. Gabriele Amorth. Ed. Paulinas.

500 anos de Reforma: um brinde!(?) – Epílogo

Caro leitor, se você, não sendo católico chegou até aqui, passando por toda a via crucis deste livro, permita partilhar minha felicidade movida por três razões.

A primeira, porque independentemente de suas motivações foi preciso travar uma luta constante ao menos contra a ignorância, a soberba, a malícia e a covardia, o que não é tarefa fácil. Como de Deus procede o querer e o executar (cf. Fil II, 13), graças sejam dadas a Nosso Senhor Jesus Cristo por sua perseverança, e grato por permitir a atuação da Graça.

A segunda, porque se a intenção que o moveu a esta leitura for reta, não resta dúvida de que o bom Deus, pelas mãos amorosas de Sua e nossa Mãe, o guiará para ou de volta à Casa Paterna (cf. Lc XV, 11-24).

A terceira, porque ainda que a intenção tenha sido a de contestar, isto só poderá ocorrer pelo estudo sério e desapaixonado, ou simplesmente pelo uso da razão, acima e além das emoções e dos sentimentos, uma vez que Deus não se importa com tais coisas: Ele se importa com a nossa salvação.

Apêndice – Ecce Homo

Quem não crê como eu é destinado ao inferno. Minha doutrina e a doutrina de Deus são a mesma coisa. Meu julgamento é o julgamento de Deus” (M. Lutero)

Na versão impressa deste livro denominada “Evangélico, graças a Deus!(?)”, o presente apêndice estava ausente por considerar que tanto as colocações ao longo do trabalho como as indicações de leitura (última postagem) seriam satisfatórias. Como a realidade nos mostra que às fontes já quase não se bebe, uma vez que, como li recentemente, na vida de “internautas” há muito face e pouco book, resolvi acrescentar nesta versão digital, como rabeira, umas notas sobre o autor mor da heresia protestante, o homem que pretendeu destruir o Catolicismo substituindo o Altar Mor sacrifical por suas festivas mesas de bate-papo[1]. Sem abandonar o objetivo a que me propus com este estudo, também aqui as informações serão concisas, retiradas de algumas fontes que logo serão fornecidas, para quem tiver a reta intenção da verdade e não tiver preguiça de encontrá-la.

Capítulo XIX – Verbo representar x Verbo ser [A “dura” Doutrina da Eucaristia]

“Porque, qual é o bem (oriundo) dêle, e qual a sua formosura, senão o pão dos escolhidos e o vinho que gera virgens?” (Zac IX, 17)

Deixei para o final o ponto mais grave e temerário para alguém que permanece neste erro, isto é, na heresia protestante, possuindo uma ignorância vencível[1]. Há pelo menos 50 anos o que muito se vê na Igreja e no mundo é o discurso de tipo ecumênico[2]. Hoje fala-se mesmo em uma “missa ecumênica”, em que o elemento principal do culto divino por excelência desaparece; óbvio. No entanto, ao se definir dogmaticamente que Fora da Igreja não há salvação[3], um dos motivos para sua justificativa pode ser aqui – neste “elemento” – encon­trado com clareza e força argumentativa. Para discorrer sobre ele escolhi como instrumento de auxílio a gramática, uma vez que possui, compreensivelmente, ligação com o Verbo.

Capítulo XVIII – Mãe de quem? “Do meu Senhor”! [Nossa Senhora]

“Ó Santa e imaculada virgindade, não sei com que louvores Vos possa exaltar; pois quem os céus não podem conter, Vós O levastes em vosso seio”

Os pontos mais controversos entre católicos e protestantes, como não poderia deixar de sê-lo, são os que tocam diretamente Mãe e Filho. Como nada há de oculto que não venha cedo ou tarde revelar-se, vamos presenciando nos dias atuais a “rédea solta” e desenfreada do ódio a este divino par, e de forma cada vez menos oculta ou disfarçada. Sinais dos tempos! No que diz respeito ao Filho, o mencionarei no próximo capítulo. Em relação à Mãe, basta com os exemplos das inúmeras imagens de Maria que como nunca vêm sendo profanadas, deste a destruição física por parte de protestantes, muçulmanos e pagãos[1], até sua nefasta utilização em apresentações “artísticas” e, o que é pior, em reuniões e cultos “ecumênicos” com direito à (triste) presença de nossos prelados. Nada que não se esperasse do pai das trevas e seus filhos.

À título de introdução, para se ter uma pequena ideia, nos estudos sobre Nossa Senhora, onde a Teologia destinou uma disciplina específica por nome Mariologia, há páginas já na casa dos milhares. E ainda não se disse tudo. Outrossim, depois do Santo Sudário de Turim (IT), o objeto mais estudado em todo o mundo é a manta de San Juan Diego na que se vê estampada, há mais de 500 anos, uma imagem da Virgem denominada de Guadalupe (ME), de origem sobrenatural. E isso nos diz alguma coisa.

Não poderia, por isso, ficar de fora deste trabalho tema tão candente. Aqui vai, com a devida vênia, meu “óbolo da viúva”.

Encíclica Quas Primas- S.S.Pio XI

Publicamos texto integral e editado da Carta Encíclica Quas Primas, de Sua Santidade Pio XI, sobre a Festa de Cristo Rei, documento de leitura sugerida pelo Pe. José Leles na Missa do último domingo. Boa leitura!

Capítulo XVI – “Sede meus (não maus) imitadores” [Os Santos]

“Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.”

(Lc XVII, 10)

 

O tema nos lembra a pegadinha: você está no meio do rio para escapar ao incêndio e uma sucuri vem para devorá-lo. De um lado da margem há o incên­dio e de outro, uma onça pintada. Qual margem escolher?

Mais que um problema teológico, o protestantismo acabou inventando uma espécie de pegadinha aos seus membros; nada que um pouco de lógica e de bom senso não sejam suficientes para resolver o problema, contanto que se tenha retidão intelectual. Os santos sempre foram alvo de um falso dilema, como o acima. Fizeram com que se acreditasse que ou se adorava a Deus ou aos santos. Mal sabem os protestantes que a onça é pintada

“Estote ergo vos perfecti, sicut et Pater vester cælestis perfectus est” (Mt V, 48). Deus nos quis e ainda nos quer santos (perfeitos). É o que de mais sublime se pode almejar em uma vida. E o tudo, comparado a isto é nada. Daí que se os santos não existissem, haveria uma meta, um objetivo, um porquê para existir. Com base nisso se tentará lançar luz à questão.

Consideremos um casal íntegro, e que possuam filhos que por sua vez sigam os seus passos, sendo assim pessoas de bem. É sensato supor que estes filhos serão bem quistos e elogiados pelos demais. Os pais que por vê-los admirados e aplaudidos se sentissem por isso diminuídos ou humilhados, teriam por certo algum problema. Primeiro porque supõe-se que pais amem seus filhos, e o amor, o sabemos, não tem inveja ou busca os próprios interesses[1]; segundo, porque elogiar a um filho será, ponto passivo, elogiar quem o concebeu e educou. Daí as expressões: “fulano é bem criado” e “tal pai, tal filho”.

[Um pequeno registro. Foi dito: “aquele que se exaltar será humilhado e o que se humilhar será exaltado.” (Mt XXIII, 12)]

É de senso comum no protestantismo que não devemos cultuar os santos tampouco pedir sua intercessão. Muito bem. Primeiramente há que perguntar aos que pensam estar defendendo a honra e a glória de Deus com tal gesto se acaso sabem o que significa cultuar e se há mais de uma forma de fazê-lo. Será prudente desconfiar de quem, especialmente entre os pastores, nunca ouviu falar em culto de latria, dulia e hiperdulia. E aos que já conhecem os termos, mas têm má vontade em entendê-los, desconfiar em dobro. Me limitarei em dizer que o primeiro se refere à adoração, só destinado a Deus, os outros à veneração ou respeito e reverência, que aos homens é permitido, inclusive, pela Bíblia, como se viu no capítulo referente às imagens. Logo, resta saber que tipo de culto os católicos prestam aos santos. A resposta será o segundo. Um simples dicionário nos dá ciência de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, ou seja, de que a Deus se adora, venera e reverencia, enquanto que aos homens (quando merecem) apenas se venera e reverencia. Os católicos, por saber disto, seguem tranquilos em sua consciência há quase dois mil anos. Só não seguirá quem não souber distinguir entre gatos e lebres, terminando por dar ouvidos a quem não deveria.

A história da Igreja está repleta de exemplos documentados de cultos de dulia, ou seja, de veneração aos santos, suas relíquias (restos mortais) e objetos que a eles pertenceram, tudo por razões completamente razoáveis, uma vez que: “… Deus fazia milagres não vulgares por mão de Paulo; de tal modo que até sendo aplicados aos enfermos os lenços e aventais que tinham tocado no seu corpo, não só saiam deles as doenças, mas também os espíritos malignos se retiravam” (At XIX, 11s)[2]. E a quem quiser argumentar que “Paulo estava vivo”, então vale a pena lembrar que: “… logo que o cadáver tocou os ossos de Eliseu, o homem ressuscitou, e levantou-se sobre os seus pés” [2 Re XIII, 21] (ossos aqui – não custa nada esclarecer – referem-se não aos de um profeta Eliseu dotado de uma bela fratura exposta, mas aos de um profeta Eliseu morto; se preferir, restos mortais). Quanto à Mãe de Deus, que na ordem da Graça está acima dos santos e anjos, por dignidade e missão exercida nos planos da salvação, o culto será o de hiperdulia. Sobre ele se falará no próximo capítulo, dedicado a Ela.

Se as coisas são assim, o que estará então por trás do culto aos santos e de Nossa Senhora? Nada mais nada menos que a glória de Quem os criou. E os bons entendedores não tardarão a entender, pois se mostrará “onde está na Bíblia”:

Primeiro, aqui: “Sede meus imitadores, como eu também o sou de Cristo.” (1 Cor XI, 1)

Segundo, aqui: “O que aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim (Paulo), isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” (Fil IV, 9)

Terceiro, aqui: “Irmãos, sede meus imitadores, e olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos.” (Fil III, 17)

E quarto, aqui: “O que vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza, a mim despreza. E quem me despreza, despreza aquele que me enviou.” (Lc X, 16)

Pela ótica protestante é de supor que estas frases jamais devessem constar na Bíblia. Bem provável que Lutero também as quisesse tirar[3]. O fato é que elas, por si, são a prova de que os santos foram postos como “sal da terra” e “luz do mundo”, jus­tamente para que Deus pudesse ser glorificado em seus membros (cf. Mt V, 13-16). Ora, se não há membros santos que possam ser assim reconhecidos, não há uma Cabeça santa. Por isso o demônio se esforça tanto em fazer com que não se reconheça a santidade dos membros, porque sabe que estes pertencem a uma Cabeça. Mas se aqui se quiser novamente argumentar que tais santos são somente os vivos, então se pedirá que respondam: acaso os mortos em Cristo não estão vivos e junto a Ele no céu? Por que mencionaria então como modelos a “Abraão, Isaac e Jacó”, que nesse momento sequer estavam ainda no céu, uma vez que este não tinha sido aberto por Ele, mas que obviamente já não estavam pre­sentes há quase dois milênios[4]? Notemos por fim que o próprio Senhor designará os homens por um atributo que só a Deus se poderia designar, o de “santo”[5].

Vencendo a ignorância vencível

Quando cultuamos os santos, ou seja, prestamos-lhes homenagem (culto de dulia), não estamos fazendo outra coisa que ver/reconhecer as suas boas obras e glorificar a Deus que está nos céus (cf. Mt V, 16). Os santos existem, portanto, para serem provas vivas de que Deus existe e pode realizar milagres, pois sua própria vida não tem explicação do ponto de vista meramente humano. O que fazem, como vivem, a forma com que acreditam e, principalmente, o amor que têm a Deus e ao próximo, ao ponto de renunciar família, bens, poder, status, prosperidades, somente será possível através de uma explicação sobrenatural que justifique o cum­primento desta missão e a realização de atos muitas vezes heroicos, no verdadeiro sentido da palavra. Logo, uma vez que rendamos homenagens aos santos, que exaltemos aqueles que se humilharam, estaremos reconhecendo que tudo o que fizeram de bom veio do alto e a glória deve ser dada ao doador dos dons. Não será justo ou mesmo lógico achar que Deus (o Pai) possa sentir-se diminuído ou humilhado quando se reconhece nos homens e mulheres (os filhos) que O servem com mais perfeição as virtudes que só dEle poderiam proceder.

Mais.

Agindo assim estaremos cumprindo e fazendo cumprir a palavra divina que diz que todos os humilhados seriam exaltados (cabe aqui também notar que a Bíblia não se refere a uma exaltação a se realizar somente nos céus e/ou somente por Deus). Além disso, quando exaltamos a um santo, que não passa de criatura como nós mas san­tificada pelo Criador como poucos, estamos mostrando seu exemplo ao mundo para que o mundo o imite como ele imitou a Cristo, tal como ordenou S. Paulo aos Coríntios, aos Filipenses e a todos nós.

E mais.

Ao conhecer suas vidas, entendemos que também podemos almejá-las, pois vemos que foram homens e mulheres com defeitos e pecados às vezes maio­res que os nossos, e pensamos: se Deus pode santificar essa pessoa, por que não a mim? Passamos então a pedir com mais fé, esperança e vontade de que Ele nos transforme naquilo que sempre quis de nós: pessoas santas, perfeitas, imagem e semelhança Sua.

Por fim, por que pedir sua intercessão?

Para responder esse ponto há que lembrar primeiramente que todo protestante, por coe­rência, jamais deveria pedir intercessão aos irmãos, tampouco ao pastor. Se eles afirmam que não podemos pedir nada aos santos (que estão junto de Deus, por ora de maneira não corporal) por­que devemos ir a Deus diretamente, pois “há um só mediador…”, tampouco deveriam pedir algo a pessoa al­guma. Aqui voltamos a uma questão anterior[6]: se placa de igreja não salva, então não deveriam perder tempo pertencendo a uma; se podemos interpretar a Bíblia livremente, então não deveriam perder tempo ouvindo um intérprete como nós (o pastor) interpretando-a para nós; se temos o direito de ir diretamente a Deus, então pare­mos de ir aos homens, vivos ou mortos.

O que não se percebe é que tanto em relação aos que estão entre nós quanto aos que estão com Cristo na glória celeste não há problema algum em pedir sua intercessão[7]. Há seitas que não creem que ao morrer possamos ir diretamente ao céu. A estes, os espíritos dormem com o corpo na sepultura. Como, não o sabemos, pois o espírito além de não morrer não dorme jamais, simplesmente por não pos­suir matéria, corpo corruptível[8]. A maioria das seitas felizmente deste mal não sofre. Sofrerá, porém, de outro.

Como explicar que se possam pedir intercessões e orações aos vivos que ainda estão entre nós, e que por isso continuam pecando, às vezes mais e mais gravemente que nós mesmos, e não se possa pedir aos vivos que já contemplam a Deus “face a face” (cf. Mt XXII, 29-32; Ap V, 8; VIII, 3s)? Guardadas as devidas proporções, será o mesmo que querer que uma faxineira ou um office boy peçam algo ao Presidente da República, sendo que o poderíamos fazer à sua Secretária pessoal ou Chefe de gabinete, que com ele convivem “cara a cara” e com mais autoridade. O curioso é que os protestantes, ao mesmo tempo em que negam e criticam os santos sem nunca os ter lido ou conhecido, têm na conta de “homens santos” a notórios picaretas e usurpadores, pedindo suas orações e intercessão enquanto se desfazem do que têm (e não têm) para fazer o que a Bíblia proíbe: dar-lhes o dízimo pela pregação da palavra[9]. Vá se entender…

Por fim, querer justificar a não intercessão dos santos ou de Nossa Senhora utilizando Cristo como único mediador entre Deus e os homens também será ou falta de lógica ou heresia. A heresia estará com aqueles que negam a Cristo como Deus e a própria Santíssima Trindade, julgando haver três deuses. O erro de lógica ficará com os que creem em Deus Uno e Trino, mas não entendem que Cristo é o único mediador entre Deus Pai e os homens, o que não impede em absoluto que os santos – e especialmente Maria Santíssima – sejam interces­sores entre Deus Filho e os homens. Ao que sabemos, não “está na Bíblia” nada a respeito de Cristo dizer que ninguém iria a Ele (Verbo, Filho, Segunda Pessoa) senão por Ele…

Concluindo

Os católicos não adoram os santos ou a Virgem Maria, os respeitam e vene­ram porque assim estão dando glória ao Criador e Santificador, adquirindo mais disposição para imitar os melhores exemplos de imitação de Cristo que jamais existiram. Se os filhos não têm em casa bons modelos a imitar, provavelmente imitarão os maus modelos de fora. Por isso Deus inspirou os santos, para que quando os bons exemplos faltassem, houvesse uma luz ao fim do túnel, a luz da­queles que por receber a luz de Cristo puderam transmiti-la, como a lua a luz do Sol. Daí que somente a Santa Mãe Igreja poderá se orgulhar de ter entre seus filhos um S. Francisco de Assis ou um S. Antônio de Pádua, que entre inúmeros dons podiam conversar com os animais e ambos se entenderem, literalmente; um S. Francisco de Paula, que ressuscitou uma mesma pessoa duas vezes; um S. José de Cupertino, que só em ouvir os nomes de Jesus e Maria caía em êxtase, voando (também literalmente) ou levitando de onde estivesse até a Igreja mais próxima para adorar ao Santíssimo Sacramento; um S. Pio de Pietrelcina e um S. Cura D’Ars, que conheciam os pecados de seus confidentes antes mesmo de os confessar e sem nunca os ter visto, além de possuir o verdadeiro dom de línguas uma vez que falavam em sua língua (italiano e francês, respectivamente) e os interlocutores de outros países os escutavam em sua língua materna; uma S. Maria Goretti, que aos 11 anos preferiu a morte a ter de ceder a um estu­pro; uma S. Catarina de Sena, que sendo analfabeta ditou centenas de páginas de uma sabedoria divina, chegando a exortar a um Papa, que humildemente a atendeu em sua exortação[10]; ou ainda uma Tereza Newman, que durante 33 anos só se alimentou de água e de Eucaristia, o Pão do Céu, recebendo sobrenaturalmente, como S. Francisco de Assis, S. Pio de Pietrelcina e outros as marcas dos pregos de Cristo (os estigmas) nas mãos, nos pés, e no lado o corte da lança. Tudo isso sem falar nos verdadeiros milagres realizados pelas mãos, restos mortais e pertences destes homens e mulhe­res de Deus, que a Igreja os têm catalogado, estudado e apresentado ao mundo para quem quiser ver e comprovar, tendo em conta não se tratar de fraudes, coisa que facilmente poderia ser desmascarada, mas feitos concretos que geraram no decorrer desses quase dois mil anos a rendição e conversão de ateus, agnósticos, judeus, maçons, hindus, esotéricos, protestantes e muitos outros, o que até o presente momento em que escrevo estas linhas vem ocorrendo.

Por isso nos dirá um ilustre desconhecido:

Com amor infinito deste-nos os Santos, Deus amado, dos quais fi­gura em excelência a Santíssima Virgem. Luzeiros no firmamento sombrio de nossas vidas, deste-nos para que ao imitá-los pudéssemos imitar-Te. De não suportar nossa débil mácula a Tua luz solar, a refletiste ne­les, luzes lunares, subtraindo-nos da atroz escuridão. Vieste em nosso auxílio com um lampejo acessível; a nós, noturnos peregrinos em busca da eterna luz da felicidade.

 

Em tempo: a Igreja sempre utilizou de muito discernimento para elevar estas pessoas à honra dos altares. Antes bastava o reconhecimento da Tradição, que de per se já era criterioso; depois, sua vida passou a ser cuidadosamente examinada, exigindo-se para declará-los santos a comprovação científica de uma ou duas curas milagrosas autênticas, ocorridas por sua intercessão após a sua morte, entre outros pormenores de igual seriedade. Deus, por isso, para exaltar os que por Ele se humilharam, deixou duas grandes provas da santidade de tais pessoas: vários deles após séculos de sua partida tiveram seus corpos intactos, no todo ou em parte, sem utilização de produtos químicos (conservação artificial). Tudo pesquisado e estudado por cientistas não católicos e não cristãos, que até hoje não encontraram uma explicação natural para o fenômeno: são os “corpos incorruptos”; todos, intrigantemente, de pessoas católicas fervorosas (do que sou testemunha ocular). E, em um mundo onde personagens vêm e vão, passam e são esquecidos, os santos permanecem na memória de todos os povos como um verdadeiro sinal: o sinal de que Deus existe e opera milagres pelas mãos dos homens.


NOTAS

[1] Cf. 1 Cor XIII, 4-7.

[2] Exemplos impressionantes podemos ler nas “Atas dos mártires”, documento do século II deixado pelas testemunhas oculares de Cristo nos primeiros períodos da Igreja e de sua perseguição.

[3] Ver a este respeito o capítulo VI – O cânon.

[4] Cf. Mt XXII, 32; Mc XII, 26s; Lc XVI, 19-31; XX, 37s; Jo VIII, 30-39.

[5] Cf. Lc II, 29-32; Jo I, 5.9; III, 19; VIII, 12.

[6] Ver capítulo II – “Fora da Igreja não há salvação”.

[7] Mesmo às almas santas (já salvas) que se encontram no Purgatório (ver capítulo XIV). Sugiro ainda uma vez a quem deseje aprofundar o tema a leitura de O Manuscrito do Purgatório.

[8] Cf. Lc IX, 28-33; Fil I, 21-33; Ap VI, 9ss.

[9] Ver Capítulo IX – O Dízimo.

[10] No caso em questão, a exemplo de muitos outros, temos uma eloquente prova do “machismo” da Igreja, em sentido obviamente contrário. Nunca a mulher foi tão valorizada como quando a Igreja caminhava junto aos poderes civis. Nunca a mulher foi e é tão sublimada como pela instituição mais acusada de machismo em todo o mundo, alvo de revoltas das feministas modernas e de todos os tempos.

Capítulo XV – “O que arde, cura. O que aperta, segura” [A Inquisição e as Cruzadas]

Um preâmbulo

Façam os protestantes – e tantos outros – o que mui raramente hoje se faz: bebam das fontes[1]! Se houver o mínimo de integridade não digo nem moral, mas intelectual, e verão que em dois mil anos de Cristianismo não houve, não há, tampouco haverá instituição mais atacada, combatida, caluniada, perseguida e odiada que a Igreja Católica. São milhares de páginas contendo altas – e baixas – teorias de conspiração e projetos arquitetados com o único fim de extirpar do mundo essa persona non grata, uma vez que: 1) Cristo crucificado, anunciado desde sempre pela Igreja, é “escândalo para os Judeus, loucura para os Gentios” (1 Cor I, 21), e que por isso 2) “… Se êles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós, se êles guar­daram a minha palavra, também hão de guardar a vossa. Mas tudo isso vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquêle que me enviou.” (Jo XV, 20s).

Diante desta verdade não será mui difícil se entender estas duas reações da Igreja: a Inquisição e as Cruzadas. Aos de boa-fé, queiram nos acompanhar.

Capítulo XIV – Idolatrias Protestantes [As imagens]

“É que Narciso acha feio o que não é espelho.”

(Caetano Veloso)

 

Resumindo

Peguemos um exemplo concreto para falar do tema. Em um vídeo postado há alguns anos assisti a uma cena de um culto neopentecostal em que um, como chamaríamos, “pastor da prosperidade” fazia sua defesa contra o que considerava idolatria na utilização de imagens e nas orações a elas dirigidas pelos católicos. O homem em questão é uma dessas espécies a quem podemos denominar bons de grito, figura apropriada a estes (fins dos) tempos tão conturbados, e barulhentos.

Dizia ele ao seu público que havia debatido com um padre em um programa televisivo sobre a questão das imagens. O padre, em dado momento o indagou se em suas viagens não levava na carteira como recordação a imagem de sua esposa. Já antevendo a argumentação do sacerdote, sua resposta foi positiva, mas – acrescentou em tom de burla –, nunca se ajoelhava diante dela para realizar algum pedido, e isto é o que fazia a grande diferença. E por aí foi a entusiasmada pregação…

Capítulo XIII – Sem purgar não dá! [O Purgatório]

“A justiça divina pesa em balanças diferentes os pecados dos homens dissimulados e os dos sinceros.”

(Dante Alighieri)

 

Jesus na discussão com os fariseus chama hipócritas aos que sabem perceber as coisas mais ordinárias e não se atentam às fundamentais, que não esperam o filho crescer para proporcionar-lhe algum benefício material (p. ex.: uma vacina ou uma conta bancária) ao tempo em que negligenciam o espiritual (p. ex.: os Sacramentos, dos quais o Batismo é a porta de entrada[1]). Tais pessoas farão o mesmo com as verdades de fé definidas pela Igreja, que quanto mais desconhecem mais atacam. Tal é o caso do Purgatório.

Ao tratar este tema há que primeiro pôr à luz um sofisma a ele ligado, o tão falado: “não existe pecado, pecadinho ou pecadão”, pois se assim rezasse a doutrina cristã significaria dizer que Jesus, às portas da morte encontraria tempo para uma nova metáfora ao dizer a Pilatos: “… Tu não terias poder algum sobre mim se não te fosse dado do alto. Por isso o que me entregou a ti, tem maior pecado[2]. Mas se por outro lado, Cristo também afirmou que “o que recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá a recompensa de profeta; e o que recebe um justo na qualidade de justo, receberá a recompensa de justo” (Mt X, 41), como querer que a própria Justiça trate igual quem agiu de forma desigual, tanto ao bem quanto ao mal? Se parece coerente que um ladrão de galinha jamais deva pegar a mesma pena que um ladrão de banco, ou da pátria, como querer que Deus, a pura e incorrupta Justiça seja injusto tratando da mesma forma quem pecou distintamente? O sofisma acima leva a que todos os pecados bem como todas as virtudes sejam nivelados, o que atenta contra a justiça e o bom senso. Feitas estas considerações, entendamos o Purgatório.

Capítulo XIII – Criança não sabe o que faz. Não importa. [O Batismo e o Limbo das Crianças]

“Não queirais ser como o cavalo e o mulo sem entendimento, cujo ímpeto se domina com o cabresto e o freio; doutro modo não se aproximam de ti”

(Sl XXXI, 9)

 Algumas considerações preliminares

Primeira: “O que crer e for batizado, será salvo…” (Mc XVI, 16a).

Segunda: “… Crê no Senhor Jesus, e serás salvo tu e tua família”; por isso “… imediatamente foi batizado êle e tôda a sua família” (At XVI, 31.33).

Terceira: “… Deixai vir a mim os meninos, e não os embaraceis, porque dêstes tais é o reino de Deus” (Mc X, 14).

Muito bem. Um parênteses.

Capítulo XII – Mãe, não madrasta [As Indulgências]

NOTA: Em um primeiro momento propunha-me apresentar 17 dos variados temas controversos entre católicos e protestantes, no entanto apercebi-me que ao menos dois não poderiam ficar de fora dado a premência e importância, em especial aos nossos dias, o das Indulgências e o da Inquisição/Cruzadas. Assim que resolvi entremeá-los aos temas finais de acordo com seu grau de ligação com os assuntos posteriores, a começar por este, intimamente ligado ao do Limbo das Crianças e o do Purgatório, que virão a seguir. Que tudo sirva à maior glória de Deus, o nosso bem e de toda a Santa Igreja.


Em verdade vos digo, tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu” (Mt XVIII, 18)

 

À guisa de ilustração introdutória:

Via de regra: as mães querem o bem dos filhos; as madrastas, o seu bem nos filhos. Porque as primeiras lidam com o que é seu, as segundas, com o dos outros. As mães, quando pensam em um filho o pensam pelo filho. As madrastas, quando pensam em um enteado o pensam pelo pai. As mães só podem ser uma. Já as madrastas… E assim caminha a humanidade. Iniciemos então pelas madrastas e sua (livre) interpretação de nosso dístico:

“Cristo no céu ratifica o que é feito em Seu nome e em obediência à Sua Palavra aqui na terra. Tanto em Mateus 16:19 como em 18:18, a sintaxe do texto grego deixa bem claro o seu sentido (sic). O que você ligar na terra já vai ter sido ligado no céu. O que você desliga na terra já vai ter sido desligado no céu (SIC). Em outras palavras, Jesus no céu libera a autoridade de Sua Palavra à medida que é proclamada na terra para a realização do seu propósito.”[1] (grifo meu)

À luz do que já vimos até o momento, temos aqui um novo exemplo de como são distorcidas hermenêutica e exegese a fim de se forçar a sintaxe e a semântica do texto sagrado. Ou vice-versa. À maneira das madrastas que adquirem no pacote um enteado um tanto fora dos padrões estéticos: logo pensa em uma loja onde obtenha para ele um modelito perfeito, mas para ela. Quer então que o mancebo se encaixe a qualquer custo. Não adapta a roupa à criança, adapta a criança à roupa. Amassa-o daqui, torce-o dali, joga-o numa sauna, deixa-o de molho umas horinhas, empurra-lhe um providencial jejum, até que sirva ao modelo de roupa escolhido. “Perfeito!”, exclamará por fim.

Capítulo XI – Com o diabo no Couro [O Demônio]

“O demônio é um cão acorrentado, pode ladrar muito, mas só faz mal a quem se lhe chegue perto”

(Santo Agostinho)

 

Como já foi dito o demônio pode ser tudo, de rato a leão, menos burro. Ao menos no tangente à inteligência.

As Sagradas Escrituras, a Tradição e o Magistério da Igreja (a quem Cristo deu a ordem e a autoridade de ir e ensinar[1]), nos ensinam que os demônios são criaturas como nós, entretanto sua natureza é a angélica, pois são anjos, ainda que decaídos. E os anjos, por sua vez, são seres quase puramente espirituais (só Deus é puro espírito), portanto, invisíveis, mais inteligentes e poderosos que os homens, além de não estar presos ao tempo e ao espaço como estamos. Seu mundo é o metafísico enquanto o nosso é o físico. Mas como podem interagir com o mundo físico e influenciar as decisões humanas, não fosse a onipotência e a misericórdia divinas seu estrago seria ainda maior, porque a natureza angélica decaída só deseja e faz o mal, assim como a nossa em função do pecado original, que aqueles experimentaram primeiro e depois nos induziram. A diferença é que enquanto vivemos podemos contar com a Graça e os Sacramentos[2], que ajudam a combater essa natureza manchada e os próprios demônios (cf. Efe VI, 10-18; Tg V, 13ss), o que para estes últimos é impossível devido a que não podem mais arrepender-se uma vez que sua decisão foi definitiva em função de não estarem, como dito, presos ao tempo e ao espaço, tendo assim pleno conhecimento da consequência de seu ato.

Capítulo X – “Entra no teu quarto, fecha a porta”… E para de gritar que Deus não é surdo! [A oração]

Deus é silêncio e o demônio é barulhento.” (Cardeal Robert Sara)

Entre as muitas contradições protestantes uma tem se tornado, diríamos, gritante nos últimos cem anos. Os melhores – se é que podemos usar este adjetivo – shows de rock ou programas de auditório vêm perdendo e muito, especialmente para os (neo)pentecostais, neste quesito.

Carta Encíclica Humani Generis- Pio XII

Publicamos o texto integral editado e corrigido da Encíclica Humani Generis, do Papa Pio XII, que trata de opiniões falsas que ameaçam a Fé Católica na modernidade.

Boa leitura!

Capítulo IX – Díz(imo) a quem dás que te direi quem és [O Dízimo]

A verdade nada mais é do que o obvio.

E por falar em sacerdócio, tratemos agora de uma questão a ele unida, da qual pouco ou nada se sabe, mas que se tornou o ponto central da pregação de muitos, especialmente os ligados ao segmento da “teologia da pros­peridade”. Quem quiser aprofundá-la aconselhamos ir à fonte principal aqui uti­lizada, pois o que será dito não passará de uma sucinta exposição deste vídeo[1]. E tudo se resume a um fato óbvio, o fato de nenhum pastor ou seita protestante poder cobrar o dízimo.

Carta Encíclica Doctoris Angelici- São Pio X

Publicamos o texto integral, editado e corrigido da Encíclica Doctoris Angelici de São Pio X, que trata do estudo da doutrina de São Tomás de Aquino. Boa leitura!


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Capítulo VIII – Padre não casa! Quem disse? [O Celibato. A Confissão]

NOTA DO BLOG: Publicamos o 8º Capítulo do Livro de Airton Vieira. Pedimos desculpas pelo atraso na publicação. Boa leitura!


“O celibato é um grande escândalo, porque demonstra que o Senhor e o seu mundo futuro são uma realidade no nosso tempo e isso deveria desaparecer. Esta crítica per­manente contra o celibato pode surpreender, num tempo em que a moda é não se casar. Mas este ‘não se casar’ é totalmente distinto do celibato, porque o ‘não se casar’ baseia-se no querer viver só para si, sem aceitar vínculos definitivos, enquanto o celibato é exatamente o contrário: é um sim definitivo, é um entregar-se nas mãos do Senhor.”

(Bento XVI)

 

Uma vez apontados os falsos pastores, resta trazer à luz os verdadeiros, pois nestes tempos modernos a noção do que seja um padre se perdeu, mesmo entre os padres.

Comecemos pelo título.

Carta Encíclica Aeterni Patris- S.S. Leão XIII

Publicamos o texto integral da Carta Encíclica Aeterni Patris, do Papa Leão XIII, que trata da Restauração da Filosofia conforme São Tomás de Aquino.

Boa leitura!

 


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Capítulo VII – Pastores, Bispos, Apóstolos… com que autoridade? [A sucessão apostólica]

NOTA DO BLOG: Publicamos o 7º Capítulo do Livro de Airton Vieira. Pedimos desculpas pelo atraso na publicação. Boa leitura!



“Como tenho agido continuarei agindo, a fim de não dar nenhuma chance aos que desejam igualar-se a nós, pelos mesmos títulos de glória. Esses tais são falsos apóstolos, operários fraudulentos, disfarçados em apóstolos de Cristo”

(2 Cor XI, 12s).

A questão anterior nos leva necessariamente a esta, uma vez que todo neófito protestante deveria, antes de acolher a primeira seita que lhe bate à porta, in­dagar: QUEM fundou determinada igreja e QUEM deu autoridade aos ditos pastores para ser o que não são – contrariando assim o princípio aristotélico e o direito mais elementar? Tal pergunta deveria vir especialmente de católicos que abandonando seu Navio se lançam à deriva agarrando-se desesperadamente a canoas furadas na ilusão de que estando bem arrolhadas não venham cedo ou tarde a afundar, o que será apenas uma questão de tempo1. Por ser este tema de importância capital, tentaremos apontar o caminho para o entendimento.

Decreto Lamentabili Sine Exitu- São Pio X

Publicamos, o texto integral, editado e corrigido do Decreto Lamentabili, conhecido pela condenação de algumas sentenças modernas. Nesse sentido, é apresentado um rol, que, após a redação e aprovação da Sagrada Inquisição Romana e Universal (atual Congregação para a Doutrina da Fé), foi ratificado pelo Papa São Pio X.

 

 


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Capítulo VI – 66 ou 73? [O Cânon bíblico]

Para ele [Lutero] não havia outra fonte de verdade revelada senão um livro mudo (embora inspirado) de que cada indivíduo é constituído juiz.”

(Pe. Júlio Maria de Lombaerde)

Direto ao assunto

Como foi dito acima, de fato, somente os fariseus e protestantes fizeram isto até hoje, acrescentar e retirar palavras das Sagradas Escrituras. E mais que palavras.

Para entender a questão necessitaremos do auxílio da história. A Igreja, segura de possuir a verdade jamais dela teve medo, pois sabe que “nada há oculto que não venha a descobrir-se” (Lc XII, 2), de louvável para a exaltação dos bons, de deplorável para a humilhação dos maus, e de tudo para a glória da justiça divina. Portanto, aos fatos.

As categorias de judeus que não aceitaram a Cristo como Salvador e por consequência todo o cristianismo, nossos “Cains” e “Esaús”, aproximadamente em 90 d.C, reunidos na cidade palestina de Jâmnia, recusaram de seus escritos sagrados 7 livros do A.T [Tobias (Tob), Judite (Jud), Eclesiástico (Eclo), Sabedoria (Sab), Baruque (Bar), 1 e 2 Macabeus (Mac); além de trechos dos livros de Ester (X, 4-16.24) e Daniel (III, 24-90; XIII-XIV)] que Cristo, os Apóstolos e a Igreja utilizaram. Lutero, 1400 anos depois desses judeus, fará o mesmo. As bíblias protestantes, por isso, têm 7 LIVROS a menos e passagens inteiras de outros dois. E teriam menos ainda se alguns companheiros de Lutero não o tivessem feito desistir de retirar outros que ele considerava não inspirados. Seitas como as Testemunhas de Jeová irão além, adulterando várias passagens para negar a SS. Trindade e a divindade de Cristo. Outros seguirão o seu (mau) exemplo. Estes são os fatos, que poderão ser comprovados pelas indicações de leitura. Passemos, resumidamente, às explicações.

Por volta de 300 a.C Israel antiga foi tomada pelos gregos sob o comando de Alexandre Magno. Com o passar do tempo, devido à invasão grega os israelitas foram perdendo costumes e língua. Ocorre que uma colônia judaica se estabeleceu na cidade de Alexandria, ao norte da África, tendo de conviver quase que exclusivamente com a língua dos colonizadores. Como havia o risco de se perder com o exílio muito dos livros religiosos originais e pelo distanciamento gradual do hebraico por parte do povo, um grupo de sábios e estudiosos da colônia traduziu estes escritos, passando a utilizá-los em língua grega. Com o evoluir do tempo novos livros foram surgindo, alguns nesta língua, o que não foi problema para considerá-los inspirados ou dignos de veneração. No tempo de Cristo e dos Apóstolos existiam duas versões destes escritos: a assim chamada versão dos 70 (ou septuaginta ou grega), devido ao grupo de setenta e dois homens responsaveis pelo trabalho de tradução, e a versão hebraica, com os escritos em língua original, além de uma terceira, posterior, oriunda da tradução do hebraico ao aramaico para os judeus da Palestina. Todas as cópias eram utilizadas.

Ocorre que na septuaginta figuravam os 7 livros acima (o que não ocorria na dos judeus da Palestina) e estes, como vimos, eram também considerados inspirados, uma vez que mencionavam implícita ou explicitamente a figura do Messias, revelando doutrinas que os cristãos as incorporariam posteriormente. Não por acaso Cristo e os Apóstolos deles fizeram menção. A partir dos anos 90 d.C, com o concílio dos fariseus definindo somente a versão hebraica como a inspirada, por questões políticas, culturais e religiosas que envolviam diretamente os cristãos, a versão grega foi banida e mesmo anatematizada por tais judeus, que não mais a utilizaram e proibiram utilizar, sob sanção. Os critérios de retirada desses livros foram basicamente:

  1. por não terem sido escritos em hebraico;
  2. por serem utilizados pelos cristãos devido às fortes referências a Jesus, que rejeitavam como Messias;
  3. por falar abertamente dos pecados dos líderes do povo, os doutores da Lei, fariseus e anciãos, ou seja, deles próprios;
  4. por terem sido escritos depois de Esdras (458-428 a.C), pois consideravam que após o profeta Malaquias (contemporâneo do primeiro), a profecia teria cessado.

O primeiro critério, por si já descartaria praticamente todo o Novo Testamento, uma vez que este foi escrito em grego. O último anularia por completo o profetismo de João Batista, pela afirmação de Jesus o último dos profetas (cf. Mt XI, 13), sem falar ainda em livros inteiros como o do Apocalipse, pura e legítima profecia. Por aí se entrevê que a história não acabaria bem…

Como desde o princípio a Igreja os adotou, especialmente em função de Cristo, dos Apóstolos e dos discípulos dos Apóstolos o terem feito, direta ou indiretamente, não teve problemas quando mil e trezentos anos depois do concílio judaico de Jâmnia precisou definir, no concílio de Florença (1442), o cânon (ou cânone, isto é, a relação) dos livros inspirados, dando ao mundo a Bíblia Sagrada tal qual a conhecemos, com 46 (45) livros no AT (esta variação se dá em função de algumas versões unirem o livro de Baruque com o de Jeremias, pois Baruque, discípulo e secretário do último, foi quem o escreveu com base nas revelações ditadas pelo profeta) e 27 no NT, totalizando 73 (72) livros. Contudo, muito antes, já nos concílios de Cartago e Hipo (393 e 397) a Igreja dava como certos e inspirados estes livros.

Antes de tudo temos de ter claro que foi a Igreja Católica quem trouxe à lume a Santa Bíblia, foi a sua autoridade – não a da Bíblia em si mesma – que decretou quais livros eram inspirados e quais não eram, o que suscitou a afirmação de S. Agostinho citada no capítulo anterior. E isso por 1500 anos, até que…

… a partir de 1517 um monge e sacerdote alemão, mais tarde excomungado devido às heresias e ao ódio contra a Igreja [como se verá ao final], por sua conta e risco resolve que o (cânon do) Antigo Testamento válido não era o que a Igreja vinha utilizando por pelo menos doze séculos, que Cristo e os Apóstolos haviam utilizado, mas o que ele dizia ser o inspirado, isto é, o dos judeus de Jâmnia, o escolhido pelas mesmas pessoas que negaram e mataram o Salvador.

Curioso…

Mas não parou por aí. Lutero em sua soberba desenfreada quis mais. Se dependesse dele o protestantismo também não teria livros como a epístola de S. Tiago, a segunda carta de S. Pedro, a carta aos Hebreus e – pasmem os (neo) pentecostais! – o Apocalipse, pois nenhum destes os considerava inspirados. Agradeçam os protestantes atuais a alguns contemporâneos de Lutero menos megalomaníacos, que o impediram de ir adiante neste desvario. Insatisfeito, porém, de não poder levar a cabo sua intenção de mutilar ainda mais sua bíblia, o heresiarca alemão irá desferir outro grande atentado contra a Revelação Sagrada escrita, que dizia seguir e ser sua única regra de fé: acrescentará palavra. A adulteração servirá de respaldo à sua coluna doutrinal da sola fide, que hoje a maioria dos protestantes sabe não passar de uma estaca rota e mal fincada, já descartada por muitas seitas. Na prática o lema de Lutero será: “adulterar para enganar”, o que não nos causa espanto vindo do mesmo homem que afirmou: “Se os nossos adversários fazem valer a Sagrada Escritura contra Jesus Cristo, nós fazemos valer Jesus Cristo contra a Escritura” (opera latina I-387-a); e “Tu fazes grande caso da Escritura que é serva de Jesus Cristo; eu, pelo contrário, dela não me importo” (Walch VIII -2140 segs.). E se isso não bastar, podemos dar a conhecer sua resposta quando a Igreja se colocou fortemente contra a insolência e profanação bíblica cometidas: “Se o papista faz tão grande escândalo pela palavra ‘somente’, diga-lhe diretamente: ‘assim o quer o Dr. Martinho Lutero’, e ordeno que assim seja, e a minha vontade é razão suficiente.”.

Diante deste quadro, torna-se pertinente a pergunta: como continuar adotando uma bíblia que se sabe traduzida e imposta por alguém que de livre e espontânea vontade acrescentou palavras e retirou livros inteiros, fazendo assim o que a própria Bíblia condena? E mais: como confiar na palavra de um único homem contra a da Igreja que deu à luz as Escrituras? Deus, pela boca do profeta, não disse ser maldito o homem que confia em outro homem (cf. Jr XVII, 5)? E como tudo o que está oculto acaba por revelar-se como afirmou Nosso Senhor, reproduzo um recente achado científico que uma vez mais confirma as verdades católicas, agora sobre este ponto específico. Sugiro que aprofundem também aqui as pesquisas:

Recentemente, porém, graças às descobertas de Qûmram, mais conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, o cânon tradicional católico foi mais uma vez confirmado, porque se descobriu que aquela comunidade hebraica mais antiga dispunha de uma coleção semelhante à tradução dos Setenta. Ou seja, não foram os alexandrinos (os “setenta”) que ampliaram o catálogo dos Livros Sagrados, mas a Escola de Jamnia que o reduziu.

Para concluir, como muitos nunca tiveram a oportunidade de ter diante de si os sete livros inspirados, além dos exemplos já fornecidos e de outros que virão, daremos a citação textual de dois. Através deles se poderá entender um pouco do porquê dos inimigos de Cristo os terem retirado de suas escrituras: o primeiro vem do Livro da Sabedoria, composto em grego por volta de 100 a.C., uma das mais contundentes profecias sobre o Messias que pouco mais de um século se faria carne no seio da virgem Mãe:

Armemos, pois, laços ao justo, porque nos é molesto, e é contrário às nossas obras, e nos lança em rosto as transgressões da lei, e desonra-nos, publicando as faltas do nosso procedimento. Ele afirma que tem a ciência de Deus, e chama-se a si mesmo filho de Deus. Fez-se o sensor dos nossos próprios pensamentos. Só o vê-lo nos é insuportável; porque a sua vida não é semelhante a dos outros, e o seu proceder é muito diferente. Somos considerados por ele como pessoas vãs, e abstém-se do nosso modo de viver como duma coisa imunda, e prefere o fim dos justos, e gloria-se de que tem a Deus por pai. Vejamos, pois, se os seus discursos são verdadeiros, e experimentemos o que lhe acontecerá, e veremos qual será o seu fim. Porque, se é verdadeiro Filho de Deus, (Deus) o amparará, e o livrará das mãos dos seus inimigos. Ponhamo-lo à prova por meio de ultrajes e tormentos, para que conheçamos a sua mansidão, e provemos a sua paciência. Condenemo-lo à morte mais infame, e ver-se-á o resultado das suas palavras (II, 12-20).

E o segundo nos vem do livro do Eclesiástico (não confundir com Eclesiastes). Aqui há que destacar quatro pontos: no primeiro o texto menciona a existência de uns misteriosos personagens que hoje algumas ciências como a Arqueologia vêm estudando em profusão. O autor sagrado (hagiógrafo) corrobora o que já fora mencionado no livro do Gênesis sobre a raça conhecida como a dos “gigantes”. No segundo responde a uma categoria de pessoas que hoje pensa e vê Deus somente em sua dimensão de misericórdia, que tudo perdoa indiscriminadamente, e que por isso seguem ainda aqui (por conveniência? malícia?) os passos de Lutero: “crê firmemente e peca muitas vezes”. No terceiro, totalmente de acordo com o conjunto das Escrituras, derruba ainda uma vez a tese da sola fide luterana. Por fim, vaticina um futuro nada distante, também muito especulado em nossos dias, o do “fim dos tempos”:

O fogo acender-se-á na reunião dos pecadores, e a ira (de Deus) inflamar-se-á contra a nação incrédula. Não obtiveram perdão dos seus pecados os antigos gigantes que foram destruídos por confiarem na sua fortaleza. E Deus não perdoou a cidade, em que Lot morava como estrangeiro, e detestou os seus habitantes, por causa da insolência das suas palavras… Porque a misericórdia e a ira estão sempre com ele; é poderoso para perdoar, e também o é para derramar a sua ira. Os seus castigos igualam a sua misericórdia; julga o homem segundo as suas obras. Não escapará (ao castigo) o pecador com as suas rapinas, e a paciência do que usa de misericórdia não tardará em ser recompensada. Toda a obra de misericórdia preparará a cada um o seu lugar, segundo o merecimento das suas obras, e segundo a prudência (com que tiver vivido) neste lugar de exílio (XVI, 7ss.12-15).

Em tempo: pegue uma Bíblia católica e compare:

1) 2 Mac VI, 18 – VII, 42 com Heb XI, 32-38;

2) Sab III, 5s com 1 Pe I, 6s;

3) Sab XIII, 1-9 com Rom I, 18-32;

4) Eclo XVI, 13ss com Apo II, 23-26.

5) Eclo XLIV, 16 e XLIX, 16 com Gên V, 24 e Heb XI, 5

Estes são apenas cinco dos muitos exemplos existentes. Para termos uma ideia, das 360 citações que o Novo faz do Antigo Testamento, 300 são extraídas da septuaginta e somente 60 da hebraica. Disso podemos deduzir que se uma letra já causará enorme prejuízo, o quanto não será cobrado pela “rapina” de sete livros?

Decreto Quam Singulari- São Pio X

Publicamos o texto integral do conhecido Decreto de São Pio X sobre a idade para o acesso à Santíssima Eucaristia e à Confissão. Dá regras e expõe os motivos da decisão.  O ato é original da Sagrada Congregação para Disciplina dos Sacramentos (hoje Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos).

Capítulo V – As antibíblicas “Só a Fé”, “Só a Bíblia” e “Livre interpretação” [Os dogmas protestantes]

“Ele (o protestante) não acredita, convencionalmente, no que a Bíblia diz, pela simples razão de que a Bíblia não diz nada. Você não pode colocar um livro no banco das testemunhas e perguntar o que ele quer dizer.”

(Chesterton)

Nosso povo é marcado pela fé, portanto, um povo crédulo, que acredita. Ocorre que a fé sem a caridade, sabedoria e humildade, não raro torna-se fanatismo, crendice e estupidez, por mais boa-fé que se tenha. Como exemplo, vejamos como Cristo responde à nada sábia e humilde boa-fé de Pedro: “Retira-te de mim, Satanás; tu serves-me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas das coisas dos homens” (Mt XVI, 23). Não será demais lembrar que Jesus referia-se aqui ao espírito maligno que acabara de dar umas baforadas nos ouvidos do apóstolo sugerindo-lhe uma “boa intenção” para com o Mestre, e isso logo após aquele ter permitido que o Espírito Santo o inspirasse a profissão de fé que lhe granjearia a “… chave do reino dos céus” (v. 18). Nesta mesma linha ensinará S. Paulo ao povo de Corinto: “Portanto, quem julga estar de pé, tome cuidado para não cair” (1 Cor X, 12). Algo a se ter em mente o tempo todo, todo o tempo, sobretudo aos que se con­sideram já salvos apenas por ter “aceitado Jesus”.

Capítulo IV – “Escândalo para os judeus, Loucura para os pagãos” [A Cruz e o Crucificado]

“Prazerosa quietação da minha vida, sê bem-vinda, cruz querida. (…)

Quem não te ama vive atado, e da liberdade alheio

Quem te abraça sem receio não toma caminho errado.

Oh! ditoso o teu reinado, onde o mal não tem cabida!

Sê bem-vinda, cruz querida”

(Do poema À Cruz – S. Tereza de Jesus)

Após abordar nos capítulos anteriores a Igreja em seu aspecto mais geral, adentremos agora especificamente nos pontos em desacordo entre a doutrina católica e a das seitas protestantes, começando por um sumamente emblemático: o da cruz com o Crucificado. Os protestantes, em sua maioria, defendem que porque “Jesus já desceu da cruz” não há porquê de o representar crucificado. Nós, ao contrário, dizemos que justamente por assim ter escolhido morrer por nossos pecados é que a cruz se torna o troféu do qual se orgulhar. Quem tem a razão? É o que veremos neste capítulo. Note-se, antes, que há templos protestantes como, por exemplo, o de luteranos, metodistas e (sic!) batistas que possuem não só a imagem da cruz, mas com ela o Crucificado.

Capítulo III – Tudo,menos Catolicismo! [A rejeição católica]

“… Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós, se eles guar­daram a minha palavra, também hão de guardar a vossa. Mas tudo isso vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.”

(Jo XV, 20s)

 

No capítulo anterior vimos por que “Fora da Igreja não há salvação”. Antes, porém, que Cristo é um só. Sendo um só, só poderia haver um Esposo com sua única Esposa, pois Deus, apesar de em determinadas situações tolerar a poligamia, nunca foi poligâmico. Aqui, contudo, a questão que deve ser retomada seriamente é: se Cristo então fundou/edi­ficou[1] uma Igreja, qual seria?

Capítulo II – “PLACA DE IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM!” [“Fora da Igreja não há salvação”]

“Com toda a probabilidade, o melhor do protestantismo somente sobrevi­verá no catolicismo.”

(Chesterton)

 

A questão anterior, a da unidade da Igreja, nos coloca outra não menos importante para quem se preocupa de fato com a sua salvação, e não somente com a sua.

A máxima titular é comum ouvir-se na boca dos que se habituaram a pro­testar: “Placa de igreja não salva ninguém”. Isso, desconfio, parece pertencer a quem desconfia de que no fundo esteja em uma canoa furada, ainda que leve o escafândrico[1] nome de “Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água”. Também nos faz lembrar uma personagem comum em tempos de paganismo generalizado, que se auto delatou ao deixar que um rei dividisse uma criança ao meio por saber não ser a sua[2] (cf. 1 Re III, 16-28).

Capítulo I – “QUE SEJAM UM”… não dois, vinte, TRINTA E OITO MIL… [A unidade cristã]

Capa do Livro de Airton Vieira, publicado semanalmente. Por Adolfo José.

“Quase existem tantas seitas e crenças quanto existem cabeças… esta não aceita o Batismo; esta rejeita o Sacramento do altar… umas ensinam que Jesus Cristo não é Deus. Não há um indivíduo, por mais imbecil que seja, que não proclame ser inspirado pelo Espírito Santo e não proclame como profecias seus devaneios e sonhos”[1]

A citação acima poderia dar ao presente trabalho a característica de tendencioso, não fosse um pequeno detalhe: as palavras terem saído da pena de Martinho Lutero (1483-1546), o “pai” do protestantismo.

Direto ao assunto

Este pode ser considerado certamente um dos pontos centrais ao se falar em uma “Igreja de Cristo”: a unidade. Há um só Deus em três pessoas, um só Jesus Cristo, logo somente poderia haver uma única Igreja. Cristo disse que todo reino dividido contra si não é obra sua, tendo como conse­quência a autodestruição (cf. Lc XI, 17ss). Na história humana podemos verifi­car esta lei perfeitamente aplicável a todo e qualquer agrupamento: reinos, im­périos, partidos políticos, famílias, equipes de futebol e quadrilhas de traficantes.

500 anos de Reforma: um brinde! (?)- Introdução

INTRODUÇÃO

O trabalho em pauta, publicado em 2016 inicialmente sob o título de Evangélico, graças a Deus!(?), em uma pequena tiragem de 300 exemplares (já esgotada), foi realizado no intuito de dar meu “óbolo da viúva” a um tema que este ano adquire todo um significado, porque todo um programa contra a Igreja de Cristo. Consciente de minha estatura, não pretendi nem pretendo, nesta versão digital, se sobrepor às vozes mais credenciadas que antes, durante e depois de mim se pronunciam sobre o tema, mas tão somente ecoá-las e mesmo difundi-las para que a ignorância vencível possa, aos de boa vontade, ser de uma vez superada, pois disso dependerá a salvação de muitos e mesmo a boa ordem social humana.

Entretanto, o fato de se escolher uma forma de abordagem mais informal e direta para tratar do assunto, o que aqui é o caso, não dispensará o raciocínio lógico e o bom senso, ao contrário, serão eles fundamentais para a compreensão das questões propostas ao longo da leitura. No ensejo, alerto que a ironia será parte integrante do trabalho, mas como figura de linguagem, não gratuita, pois que será utilizada para combater ideias, pensamentos, doutrinas e práticas, não pessoas, ainda que algumas sejam citadas. Ao contrário do vulgo pensamento moderno, tão antigo quanto o homem, a melhor maneira de res­peitarmos alguém é não respeitar os seus erros uma vez que se manter no erro é reduzir ou mesmo abolir a dignidade de filhos de Deus, preferindo a lavagem dos porcos ao banquete oferecido pelo Pai celestial. De onde vem o propósito desta obra: não se respeitar os erros para se respeitar a quem erra.

Agradeço à Santíssima Trindade e sua Filha, Esposa e Mãe a concessão de tão precioso tesouro, que graças à generosidade do Missa Tridentina em Uberlândia o reparto com os que a Providência porá em nossos caminhos, recordando algo fundamental que servirá de auxílio à compreensão de uma das principais razões deste livro: “… se algum de vós se extraviar da verdade, e algum outro o converter, saiba que aquêle que reconduzir (à verdade) um pecador do erro do seu caminho, salvará a alma dêle da morte, e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg V, 19s). E como muito há o que restituir, sigamos em frente.

O Autor


NOTAS

(1) Ao presente trabalho será adotada prioritariamente uma das traduções bíblicas feitas direto da Vulgata em língua portuguesa, a do Pe. Matos Soares, em sua edição de 1973 (o que fará com que a acentuação em alguns casos seja distinta da atual). A Vulgata foi a primeira tradução latina utilizada oficialmente pela Igreja em todo o mundo. São Jerônimo (331?-420), monge, doutor e santo, foi seu principal responsável, traduzindo os textos sagrados a partir dos originais hebraico e grego, assim como cópias já existentes do aramaico e do latim.

(2) Para os capítulos bíblicos será adotada a numeração romana. Para os versículos e números de livros (quando houver duas partes de um mesmo livro), a arábica. Por exemplo: Mt V, 10 (Mateus, capítulo cinco, versículo 10); 1 Tim III, 12 (Primeira carta de São Paulo a Timóteo, capítulo três, versículo 12); Ap IX, 10s (Apocalipse capítulo nove, versículos dez e onze). A letra “s” após a numeração de alguns versículos significa o seguinte ou o próximo; “ss”, os dois seguintes ou os dois próximos. As palavras e termos em itálico dentro de parênteses (xxx) representam a intervenção do Pe. M. Soares para melhor compreensão do texto. As sem itálico (xxx) serão minhas intervenções.

(3) Todas as notas são de minha responsabilidade, bem como os destaques (negrito e itálico), salvo as citações e fontes.

(4) A expressão latina “sic” utilizada entre parênteses, em minúscula ou maiúscula, significa isso mesmo!, foi isto que disseram ou é assim que foi escrito; pode representar esclarecimento, espanto ou indignação.

(5) Exegese e Hermenêutica são duas disciplinas ligadas à Teologia que permitem estudar as palavras e os termos bíblicos dentro de seu contexto linguístico e histórico, para possibilitar uma correta e precisa interpretação do texto sagrado. Sem estas e outras ciências caímos no “achismo” e no subjetivismo do “Deus me disse”, “a Bíblia diz” ou “Deus me revelou”, isto é, no livre exame luterano.

(6) Por fim anexo aqui, adaptado, o que no livro figurava como post scriptum: “Ciente da condição de filho e servo, me ponho, livre e espontaneamente, sob a legítima autoridade eclesiástica estabelecida por Cristo, Deus, Rei e Mestre, na figura de Seu vigário, o Papa. E nas pegadas de S. Tomás de Aquino, a quem rogo sua intercessão a esta humilde iniciativa, digo: ‘… Se, por ignorância, fiz o contrário (do que pretendia), revogo tudo e submeto todos os meus escritos ao julgamento da Santa Igreja Romana’.”

 

Que o Espírito Santo os iluminem na leitura destas linhas. E de forma especial após elas.


HERESIA[1]

Não há como falar em protestantismo sem falar em heresia. A heresia, em resumo, é a distorção ou o desvirtuamento da doutrina de Cristo (a “sã doutri­na”), feito por homens que se julgaram inspirados por Deus (cf. 2 Pe II, 1ss). Quem as elabora e ensina e quem as aprende e põe em prática são denominados hereges. As heresias, por isso, são tumores que nascem do e no corpo. E de forma similar a um tumor, têm de ser retiradas, caso con­trário infeccionarão o todo. Todas as heresias são inoculadas por homens que se consideram deuses, arrastando maiores ou menores multi­dões de acordo com seu grau de inteligência e poder de manipulação, valendo-se do maior ou menor nível de vulnerabilidade que possua o adepto. A Igreja, como boa mãe e médica, tenta tratar a ferida, medicar para que a parte enferma seja restituída por completo. Caso o tumor se alastre e ameace gangre­nar terá então de ser extirpado (anatematizado – cf. Gal I, 6-9). Vale lembrar que tal medida poderá ser revertida caso o enfermo aceite a medicação oferecida e resolva “voltar à casa paterna”.

Como abordarei adiante, bastará conhecer um pouco de História Cristã para verificar que as heresias existem desde o tempo dos Apóstolos, motivo que os levou a imitar Nosso Senhor no alerta aos discípulos contra “estes tais” – os hereges. Com o decorrer do tempo não seria diferente; daí a Igreja ter sido desde o início prevenida de que teria de conviver até o fim com o joio (a cizânia), cum­prindo o papel que a ela foi dado por seu Fundador: o de combater os erros para manter sua doutrina sã.

Alguns nomes se tornaram notórios na história das heresias: Ário, Pelágio, Jansênio, Donato, que foram bispos, sacerdotes ou leigos influentes e que acabaram por originar os erros hoje conhecidos como arianismo, pela­gianismo, jansenismo, donatismo etc; cada um distorcendo determinados pontos da fé católica, que se defendeu de forma oficial e perene através de Con­cílios e documentos papais que originaram, entre outros, os dogmas e os aná­temas. A última delas foi denominada modernismo, junção de várias heresias do passado, que mereceu a certeira encíclica Pascendi, de S. Pio X, aqui citada. Há exatos 500 anos a Igreja enfrenta um dos mais perniciosos e infectados “tumores” saídos de seu seio. Em 1517, graças a um monge e sacerdote alemão apóstata, Martinho Lutero, o mundo viu surgir o Protestantismo. Dele vieram subinfecções como o “puritanismo”, o “evangelismo”, o “pentecostalismo” e o “neopentecostalis­mo”, entre outras. Neste livro pretendo tratar alguns dos pontos da sã doutrina católica distorcidos pelo Protestantismo, fazendo sua refu­tação (contra argumentação) de maneira a auxiliar a compreensão dos problemas e falsos argumentos desta heresia. Embora árdua, a tarefa será de fundamental impor­tância a quem desejar manter-se são, aos que quiserem (re)ingressar no Corpo de Cristo de “corpo e alma”. A eles, os remédios ofertados pela Santa Mãe (e médica) Igreja.

Um detalhe: ao chamar o protestantismo de heresia e os protestantes de hereges não estou em absoluto cometendo crimes ou pecados. Não estou caluniando, difamando, discriminando, exercendo preconceitos, cometendo bullyings, ou correlatos. Usando – com o respeito devido às pessoas – o jargão popular, estou “dando nome aos bois”, ou não “vendendo gato por lebre”. E, creiam-me, não o faço com o mínimo prazer. Por isso um dos maiores objetivos deste trabalho será o de auxiliar no entendimento de uma questão realmente crucial. Para todos.


NOTA:

[1] Do site protestante http://biblia.com.br/dicionario-biblico/h/heresia/: Este nome deriva-se de uma palavra grega, que primeiramente queria dizer o ato de tomar (uma cidade, por exemplo) – depois teve o sentido de escolha ou eleição, de inclinação ou preferência – e a significação da própria coisa escolhida – e por fim veio a significar um princípio filosófico ou sistema, as pessoas que seguem esses princípios, e uma seita ou escola de pensamento. Nos Atos dos Apóstolos a palavra grega equivalente a heresia é traduzida por ‘seita’, com aplicação aos saduceus (At 5.17), aos fariseus (At 15.5 – 26.5), aos nazarenos (At 24.5), e aos cristãos (At 28.22). o seu uso, como aplicado à igreja cristã, vê-se também em At 24.14. S. Paulo e S. Pedro, escrevendo a respeito de heresias, qualificaram-nas de divisões, ou de doutrinas que dividem a igreja (1 Co 11.19 – Gl 5.20 – 2 Pe 2.1). os escritores eclesiásticos empregam a palavra heresia para designar aquelas opiniões que se apartam da verdadeira fé. Santo Agostinho sustentou (De Haeret.) que era ‘inteiramente impossível, ou em todo o caso a coisa mais difícil’, dar uma definição de heresia. Segundo Filastrius, bispo de Bréscia, eram vinte e oito as heresias que existiam entre os judeus antes de Jesus Cristo, elevando-se o número delas a 128 depois desse tempo (destaques meus).

500 anos de Reforma: um brinde!(?) – Airton Vieira

Apresentação

Há um ano foi lançado o livro “Evangélico, graças a Deus!(?)”, de Frei Zaqueu (pseudônimo literário de Airton Vieira), como disse o autor, no intuito de oferecer “meu óbolo da viúva” a um tema tão candente mas infelizmente mal compreendido à maioria dos católicos e protestantes, de maneira especial nesses tempos de pseudo-ecumenismo. Com espírito de gratidão e amor à verdade o colocaremos à disposição dos leitores agora em formato virtual (revisado e atualizado), sob o título acima, sendo previamente autorizada sua reprodução “a maior glória de Deus, o nosso bem e de toda a Santa Igreja”.

[Nota] Documentos relativos a Encíclica Pascendi Dominici Gregis

Postamos abaixo Nota do Prof. Carlos Ribeiro contendo alguns documentos relacionados à Encíclica estudada na última formação.


Documentos relacionados à Pascendi

Decreto Lamentabili, Papa São Pio X, 3 de julho de 1907 – sobre as doutrinas modernistas condenadas pela Igreja;

Motu Proprio Sacrorum Antistitum, São Pio X, 1 de setembro de 1910 – normas para rechaçar o perigo do modernismo;

– Juramento antimodernista – incluso no documento anterior.

– Sobre a Filosofia e a Teologia tomistas, remédios contra o modernismo:

Encíclica Aeterni Patris, Papa Leão XIII, 4 de agosto de 1879 – sobre a restauração da Filosofia Cristã conforme a doutrina de Santo Tomás de Aquino;

Motu proprio Doctoris Angelici, São Pio X, 29 de junho de 1914 – sobre o estudo da doutrina de Santo Tomás de Aquino;

As 24 Teses Tomistas, aprovadas sob pontificado de São Pio X e confirmadas sob Bento XV.

Cân. 1366 §2, CIC 1917, a saber: que os professores adotassem religiosamente o método, a doutrina e os princípios do Doutor Angélico nos estudos de Filosofia e de Teologia;

Encíclica Studiorum Ducem, 29 de junho de 1923, Papa Pio XI, – sobre Santo Tomás de Aquino com motivo do VI centenário de sua canonização;

Encíclica Humani Generis, Papa Pio XII, 12 de agosto de 1950 – sobre opiniões falsas que ameaçam a doutrina católica.

Obras de Santo Tomás de Aquino apropriadas aos iniciantes:

Exposição sobre o Símbolo dos Apóstolos (Comentário ao Credo);

Exposição à Oração do Senhor (Pai Nosso);

Exposição à Saudação Angélica (Ave Maria);

Dos dois preceitos da Caridade e dos dez preceitos da Lei (Comentário aos Dez Mandamentos);

Compêndio de Teologia.

“A todos quantos agora sentem sede da verdade, dizemos-lhes: Ide a Tomás de Aquino” (Pio XI, Studiorum Ducem)

 

Voltaremos ao tema.

Salve Maria!

Carta Encíclica Pascendi Dominici Gregis

 

Publicamos o texto integral, encontrado no Portal do Vaticano, com algumas correções ortográficas e edições, para servir de apoio ao estudo desta Encíclica. Abaixo da edição de visualização, é possível baixar o arquivo.

VERSÃO PARA BAIXAR (Clique no texto abaixo):

CARTA ENCÍCLICA PASCENDI DOMINICI GREGIS