Confira a Programação do II Simpósio Summorum Pontificum de Uberlândia e Região:
Mais informações, clique aqui. Inscrições, acesse aqui
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Salve Maria!
É do vosso conhecimento que a Irmandade Nossa Senhora do Carmo agendou para os dias 15, 16 e 17 de novembro, na casa de retiros Oásis, o II Summorum Pontificum de Uberlândia e Região, cujo tema abordado será: A Reforma Litúrgica e a crise na Igreja.
Devido algumas intempéries, o Simpósio não poderá ser realizado naquele local. Porém, pensando na riqueza do assunto e no preparo dos ilustres professores convidados para abordá-lo em suas conferências, as quais nos trarão, em especial, a compreensão do momento em que vivemos na Igreja e bons frutos para nosso apostolado, decidimos manter o Simpósio, mas sem a estrutura anterior, ou seja, sem hospedagem, sem almoço e jantar e, não mais três dias, mas sim dois dias, a saber: 15 e 16 de novembro no Santuário Nossa Senhora Aparecida, Sala Esperança, localizado na Praça Nossa Senhora Aparecida, 100, Bairro Nossa Senhora Aparecida, em Uberlândia.
Assim, a taxa de participação por pessoa Simpósio será de R$ 60,00 (sessenta reais), valor que poderá ser divido em até 12x (doze vezes) sem juros. Tal contribuição servirá para cobrir as despesas com os professores conferencistas, que virão da cidade de São Paulo, bem como os lanches oferecidos aos participantes nos dois dias.
As inscrições já podem ser realizadas na plataforma Sympla (clique aqui). Qualquer dúvida, estamos à disposição através do e-mail diretoria@irmandadedocarmo.org ou via Whatsapp: 34 99165-4467.
Contamos com sua compreensão e, principalmente, sua participação neste evento, ao que pedimos suas orações por nosso apostolado.
EVENTO: II Simpósio Summorum Pontificum de Uberlândia e Região;
TEMA: Reforma Litúrgica e a crise na Igreja;
LOCAL: Santuário Nossa Senhora Aparecida – Sala Esperança.
ENDEREÇO: Praça Nossa Senhora Aparecida, 100, Bairro Nossa Senhora Aparecida, Uberlândia-MG;
DATA: 15 e 16/11/2019;
CONFERENCISTAS: Dr. André Melo, Me. Fernando Schlithler, Dra. Laura Palma.
TAXA: R$ 60,00, divididos em até 12 vezes.
INSCRIÇÕES: clique aqui
É com grande prazer que comunicamos a realização do II Simpósio Summorum Pontificum. Este ano, o Simpósio acontecerá no mês de novembro, nos dias 15, 16 e 17.
Estão abertas as inscrições para a Catequese em preparação para os sacramentos da Eucaristia (1ª Comunhão) e Crisma.
Compartilhamos algumas fotos da 1ª edição do Encontro Summorum Pontificum de Uberlândia e Região, realizado entre os dias 12 e 14 deste mês na Casa de Retiros Nossa Senhora das Graças.
Read More “[Fotos] I Encontro Summorum Pontificum de Uberlândia e Região”
Estão abertas as inscrições para o I Encontro Summorum Pontificum, organizado pela Irmandade do Carmo, no formato de retiro, que ocorrerá em outubro deste ano, em Uberlândia:
Confira os dados abaixo e faça sua inscrição:
Read More “I Encontro Summorum Pontificum de Uberlândia e Região”
Publicamos texto integral da Carta Pastoral A mediação universal da Santíssima Virgem, escrita por Dom Antônio de Castro Mayer, baluarte brasileiro da Tradição Católica. Boa leitura!
Zelosos cooperadores e amados filhos.
1.Circular de 23 de maio de 1978.
2.Cfr. a advertência feita pelo Sr. Arcebispo Coadjutor de Aparecida, D. Geraldo de Moraes Penido, em “Notícias”, da CNBB, 21-26\5\78.
3.Bossuet fez eco a Santo Agostinho no 2° sermão da 6ª feira da lª Semana da Paixão: “Sua carne [de Cristo] é a Vossa carne, ó Maria, seu Sangue o Vosso sangue” – J. B. Terrien, “Mère de Dieu, Mére des Hommes”, P. II, L.V, c. 1
4.Veja-se Gênesis 17, 5; 32, 28; Mt. 16, 18.
5.Sermão 51, c. 2, n.3 – H. Lennerz, “De Beata Virgine”, Univ. Greg., 1935.
6.> Símbolo niceno-constantinopolitano, que se recita na primeira parte da Santa Missa
7.Diálogo com Trifão, judeu – J. B. Terrien, O. C., L.1, c. 1
8.Adv. Haereses – Contra as Heresias, L.3, c. 22. Terrien, O. C., P. 2, L. 1, c. 1
9.De Carne Christi – Sobre a carne de Cristo – Lennerz, O. C
10.Assim, São Cirilo de Jerusalém, São Jerônimo, Santo Efrém, Santo Agostinho e outros, como pode ver-se em Terrien, O. C., P.2, L.1, c.1.
11.De Carne Christi – Sobre a carne de Cristo – Lennerz, O. C.
12.“Quod Aeva tristis abstulit \Tu reddis almo germine“.
13.II Ped. 3, 16: “Nelas [nas cartas de São Paulo] há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para sua própria ruína, como o fazem também com as demais escrituras”.
14.Bula “Ineffabilis Deus“, de 8 de dezembro de 1854: “Foi por Deus revelada e por isso deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis, a doutrina que sustenta que a Beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original. Tradução da Editora Vozes, Petrópolis – negrito nosso.
15.Abade de Claraval, verdadeiro Doutor Mariano, tão bem escreveu sobre a Virgem Maria, como Medianeira das Graças celestes. A expressão é do Sermão da festa da Natividade de Maria Santíssima, conhecido como “De Aquaeductu“, n. 4, Obras completas de São Bernardo, ed. Vivès, Paris, 1867, 3.° vol., p. 402. Se bem que São Bernardo tenha proporcionado a frase – Deus quis que tudo tivéssemos por Maria – de que se têm servido os últimos Papas para exprimir sua persuasão de que Maria é Medianeira de todas as graças, o pensamento, não obstante, remonta ao século II, pois já se encontra explícito nesta frase de Santo Irineu: “Deus quer que Ela seja o principio de todos os dons” – “Vult Deus ipsam omnium donorum esse principium” (Contra Valentinum, c. 33) – Em C. Boyer, “Synopsis Praelectionum de B. Maria Virgine”, Pont. Univ. Greg., Roma, 1946, p. 52.
16.Citado por Lagrange, “L’Evangile de Saint Jean” — comentário ao Cap.17.
17.“Gratias tibi, Domina, \ Quae mater es facta nostra, \ Sub cruce salutífera \ Filio cooperans” – Terrien, O. C., P. II, L. IV, c. IV.
18.Mariale, q.29 – G. Alastruey, “Tratado da Virgem Santíssima”, P. III, c. IV.
19.Summa, p.IV, tit.15, c.2 – In Alastruey, o. e 1. c.
20.Encíclica “Quanquam pluries“, de 15 de agosto de 1889. Em Alastruey, O. C. 1. c.
21.Encíclica “Ad diem illum“, de 2 de fevereiro de 1904.
22.In “Io. Praefatio“, n. 6 – Em C. Boyer, O. C. p. 52-53.
23.Em Lagrange, o. e 1. c.
24.“Datur mater discípulo \ Cum maximo mysterio \ Joannis sub vocabulo \ Quivis venit fidelis” – Terrien, o. c, P. II, L. IV, c. 1.
25.Veja-se Terrien, O. C, P.II, L.IV, c.1, II e sg.
26.Encíclica “Adiutricem populi christiani” de 5 de setembro de 1885.
27.Encíclica “Rerum Ecclesiae“, sobre as Missões de 28 de fevereiro de 1926.
28.In “La Sainte Bible”, Letouzey et Ané, Paris, 1946.
29.Veja-se Emilio Mersch, “Le Corps Mystique”, I volume, Descléé, Paris, 1936.
30.Adv. Haereses – Contra as Heresias, L. V., I, 1-3.Em Emilio Mersch, O. C., p. 332, nota.
31.Santo Agostinho, “De Virginitate“, c.6. – São Pio X, Encíclica “Ad diem illum” de 2 de fevereiro de 1904.
32.Este argumento é apresentado por São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, Cap. 1, art. 1, 2.° Princípio. Na tradução de D. Henrique G. Trindade, Ed. Vozes, n.° 32.
33.Sermão em louvor da SS. Virgem, em C. Boyer, O. C., p. 53.
34.Hom. in S. Mariae Zonam, n.° 5. Em Alastruey, O. C, P.III, c.3., art.I, Cuestión 2. Tesis 3 B; e em J. B. Terrien, O. C, P.II, L.V, c.2.
35.Oratio 37. Em Terrien, O. C., P.II, L.VII, c.4.
36.Sermão na festa da Natividade, “De aquaeductu”, n. 7.
37.Em C. Boyer, O. C, p. 54.
38.Tradução de José Pedro Xavier Pinheiro, Atena Editora, São Paulo. O texto original diz: “Donna, se tanto grande e tanto vali, \ Che, qual vuol grazia e a te non ricorre, \ Sua desienza vuol volar senz’ali” (Paradiso, 33, 13-15 – “La Divina Commedia di Dante Alighieri”, Edição do centenário da morte do poeta, Ulrico Hoepli Editor, Milão).
39.A.A.S., 1940, p. 145.
40.Bula de 27 de setembro de 1948.
41.“Ampliatio privilegiorum Ecclesiae B. M. V. ab angelo salutatae in coenobio FF. Ord. Servorum B. M. V. Florentiae“, anno 1806 – Em Alastruey, O. c., P.III, c.4, art.3, Cuestión 1, Tesis.
42.Encíclica “Ubi primum” de 2 de fevereiro de 1849, em Alastruey, O. c, P.III, c.3, art.1, Cuestión 1, Tesis, 1.° Magistério de los Romanos Pontífices.
43.Encíclica de 22 de setembro de 1897, em Alastruey, O. e l. c.
44.Encíclica de 2 de fevereiro de 1904, em Alastruey, O. e 1. c.
45.A.A.S., 1918, p. 182.
46.Encíclica “Miserentissimus Redemptor” de 8 de maio de 1928, p. 178, A.A.S., 1928, p. 178
47.Encíclica de 29 de junho de 1943, A.A.S., 1943, p. 247-8.
48.Encíclica de 20 de novembro de 1947, A.A.S., 1947, p. 582-3.
49.A.A.S., 1960, p. 641.
50.Exortação Apostólica “Signum Magnum“, de 13 de maio de 1967, A.A.S., 1967, p. 468.
51.Is. 55, 1-3 e 5, na festa de Nossa Senhora Medianeira; Prov. 8, 22-24 e 32-35, na festa de Nossa Senhora do Rosário e na da Imaculada Conceição; Ec. 24, 5-7, 9-11 e 30-31, na festa de Nossa Senhora Rainha; Ec. 24, 23-31, na festa de Nossa Senhora de Guadalupe; Ec. 24, 14-16, na festa de Nossa Senhora Auxiliadora.
52.Missa concedida para alguns lugares no dia 27 de novembro.
53.Transcrito de J. B. Terrien, O. C, P.II, L.VI, c.2.
54.Decreto da S. C. dos Ritos, de 21 de janeiro de 1921, A.A.S., 1921, p.345. A concessão foi feita primeiro para a Bélgica. Estendeu-se depois a outros países, inclusive o Brasil, que a via no seu Calendário no dia 1° de outubro.
55.“Cuncta quae nobis meruit Redemptor \ Dona partitur Genitrix Maria”.
56.“Senhor Jesus Cristo, nosso Mediador ante o Pai Eterno, que constituístes Medianeira junto a Vós a Virgem Santíssima, Vossa Mãe e também Mãe nossa, fazei que todo aquele que, aproximando-se de Vós, Vos pedir favores, se alegre em alcança-los por seu intermédio. Vós que reinais, etc.”, Trad. de D. B. Kekeiser.
57.Élevations sur les mystères, 3ª elevação da 8ª semana.
58.Encíclica Adiutricem populi, de 5 de setembro de 1895, Terrien, O. C., P.II, L.V, c.1.
59.“Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, Cap. V, art. 2. Na tradução de D. Henrique Galland Trindade, editada pela Vozes, o trecho citado encontra-se sob o n.° 140. Toda esta obra de São Luís Grignion de Montfort visa criar nos fiéis a convicção profunda de que a Mediação de Maria como Mãe que gera, nutre e aperfeiçoa os membros do Corpo Místico de Cristo, é imprescindível para a salvação. Daí a necessidade de uma Verdadeira Devoção à Maria Santíssima.
60.Oração 46. Em Terrien, O. C., P.II, L.VII, c.2.
61.Dante, “Divina Comédia”, Paraíso, c. 33, 16-18. Tradução de Xavier Pinheiro, ed. cit. O texto italiano é o seguinte; “La tua benignita non pur soccorre \ A chi domanda, ma molte fiate \ Liberamente al domandar precorre” (ed. cit.).
62.Oração 46. Negrito nosso. Em Terrien, o. c., P. II, L. VII, c. 2.
63.A expressão da piedade popular resume a afirmação de Papas e teólogos. Veja-se Alastruey, O. C. P.III, c.4, Cuestión 5.
64.Como já notamos, este pensamento está no sermão da Natividade, conhecido como “De Aquaeductu“, sob o n.° 7. Análoga metáfora usa São Bernardino de Sena (+1444), para significar a mesma idéia da Mediação Universal de Maria: “Ela é – diz o Santo – o pescoço de nossa Cabeça pelo qual todos os dons espirituais são comunicados ao seu Corpo Místico. Por isso o Cântico dos Cânticos VII declara: Teu pescoço é como uma torre de marfim” (Sermão 10 do 1.° Domingo da Quaresma, e Sermão 4 da Conceição. In Terrien, O. C., P.II, L.VII, c.III, III.
65.Veja-se a Oração da Missa de Maria Medianeira de todas as graças, citada na nota 54.
66.Eclesiástico 24, 30. Trecho lido na Epístola das Missas de Maria Rainha, 31 de maio, e de Nossa Senhora de Guadalupe, 12 de dezembro.
67.São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, cap. VIII, art. 2, explana essa Vida em Maria.ou nossa fé se esvazia, e se torna inútil como o sal insípido que para nada vale e se lança fora (Mt. 5, 13).
68.Posterior a São Bernardo, o “Memorare”, ou “Lembrai-vos”, consoladora súplica dos fiéis do Universo todo, inspira-se sobretudo em dois sermões do Doutor Melífluo, o IV da Festa da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria e o de dentro da oitava dessa mesma festa (D.T.C., vol. II, col. 758). Na edição por Nós usada, os trechos se acham no volume III, p. 387, sob o n.° 8 e p. 392, sob o n.° 15.
Publicamos o texto integral da Encíclica Ad Diem Illum, do Papa São Pio X, sobre a Imaculada Conceição de Maria Santíssima. Boa leitura!
CARTA ENCÍCLICA
AD DIEM ILLUM
DO SUMO PONTÍFICE S.S. PIO X
Caro leitor, se você, não sendo católico chegou até aqui, passando por toda a via crucis deste livro, permita partilhar minha felicidade movida por três razões.
A primeira, porque independentemente de suas motivações foi preciso travar uma luta constante ao menos contra a ignorância, a soberba, a malícia e a covardia, o que não é tarefa fácil. Como de Deus procede o querer e o executar (cf. Fil II, 13), graças sejam dadas a Nosso Senhor Jesus Cristo por sua perseverança, e grato por permitir a atuação da Graça.
A segunda, porque se a intenção que o moveu a esta leitura for reta, não resta dúvida de que o bom Deus, pelas mãos amorosas de Sua e nossa Mãe, o guiará para ou de volta à Casa Paterna (cf. Lc XV, 11-24).
A terceira, porque ainda que a intenção tenha sido a de contestar, isto só poderá ocorrer pelo estudo sério e desapaixonado, ou simplesmente pelo uso da razão, acima e além das emoções e dos sentimentos, uma vez que Deus não se importa com tais coisas: Ele se importa com a nossa salvação.
“Quem não crê como eu é destinado ao inferno. Minha doutrina e a doutrina de Deus são a mesma coisa. Meu julgamento é o julgamento de Deus” (M. Lutero)
Na versão impressa deste livro denominada “Evangélico, graças a Deus!(?)”, o presente apêndice estava ausente por considerar que tanto as colocações ao longo do trabalho como as indicações de leitura (última postagem) seriam satisfatórias. Como a realidade nos mostra que às fontes já quase não se bebe, uma vez que, como li recentemente, na vida de “internautas” há muito face e pouco book, resolvi acrescentar nesta versão digital, como rabeira, umas notas sobre o autor mor da heresia protestante, o homem que pretendeu destruir o Catolicismo substituindo o Altar Mor sacrifical por suas festivas mesas de bate-papo[1]. Sem abandonar o objetivo a que me propus com este estudo, também aqui as informações serão concisas, retiradas de algumas fontes que logo serão fornecidas, para quem tiver a reta intenção da verdade e não tiver preguiça de encontrá-la.
“Porque, qual é o bem (oriundo) dêle, e qual a sua formosura, senão o pão dos escolhidos e o vinho que gera virgens?” (Zac IX, 17)
Deixei para o final o ponto mais grave e temerário para alguém que permanece neste erro, isto é, na heresia protestante, possuindo uma ignorância vencível[1]. Há pelo menos 50 anos o que muito se vê na Igreja e no mundo é o discurso de tipo ecumênico[2]. Hoje fala-se mesmo em uma “missa ecumênica”, em que o elemento principal do culto divino por excelência desaparece; óbvio. No entanto, ao se definir dogmaticamente que Fora da Igreja não há salvação[3], um dos motivos para sua justificativa pode ser aqui – neste “elemento” – encontrado com clareza e força argumentativa. Para discorrer sobre ele escolhi como instrumento de auxílio a gramática, uma vez que possui, compreensivelmente, ligação com o Verbo.
Read More “Capítulo XIX – Verbo representar x Verbo ser [A “dura” Doutrina da Eucaristia]”
“Ó Santa e imaculada virgindade, não sei com que louvores Vos possa exaltar; pois quem os céus não podem conter, Vós O levastes em vosso seio”
Os pontos mais controversos entre católicos e protestantes, como não poderia deixar de sê-lo, são os que tocam diretamente Mãe e Filho. Como nada há de oculto que não venha cedo ou tarde revelar-se, vamos presenciando nos dias atuais a “rédea solta” e desenfreada do ódio a este divino par, e de forma cada vez menos oculta ou disfarçada. Sinais dos tempos! No que diz respeito ao Filho, o mencionarei no próximo capítulo. Em relação à Mãe, basta com os exemplos das inúmeras imagens de Maria que como nunca vêm sendo profanadas, deste a destruição física por parte de protestantes, muçulmanos e pagãos[1], até sua nefasta utilização em apresentações “artísticas” e, o que é pior, em reuniões e cultos “ecumênicos” com direito à (triste) presença de nossos prelados. Nada que não se esperasse do pai das trevas e seus filhos.
À título de introdução, para se ter uma pequena ideia, nos estudos sobre Nossa Senhora, onde a Teologia destinou uma disciplina específica por nome Mariologia, há páginas já na casa dos milhares. E ainda não se disse tudo. Outrossim, depois do Santo Sudário de Turim (IT), o objeto mais estudado em todo o mundo é a manta de San Juan Diego na que se vê estampada, há mais de 500 anos, uma imagem da Virgem denominada de Guadalupe (ME), de origem sobrenatural. E isso nos diz alguma coisa.
Não poderia, por isso, ficar de fora deste trabalho tema tão candente. Aqui vai, com a devida vênia, meu “óbolo da viúva”.
Read More “Capítulo XVIII – Mãe de quem? “Do meu Senhor”! [Nossa Senhora]”
Publicamos texto integral e editado da Carta Encíclica Quas Primas, de Sua Santidade Pio XI, sobre a Festa de Cristo Rei, documento de leitura sugerida pelo Pe. José Leles na Missa do último domingo. Boa leitura!
“Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.”
(Lc XVII, 10)
O tema nos lembra a pegadinha: você está no meio do rio para escapar ao incêndio e uma sucuri vem para devorá-lo. De um lado da margem há o incêndio e de outro, uma onça pintada. Qual margem escolher?
Mais que um problema teológico, o protestantismo acabou inventando uma espécie de pegadinha aos seus membros; nada que um pouco de lógica e de bom senso não sejam suficientes para resolver o problema, contanto que se tenha retidão intelectual. Os santos sempre foram alvo de um falso dilema, como o acima. Fizeram com que se acreditasse que ou se adorava a Deus ou aos santos. Mal sabem os protestantes que a onça é pintada…
“Estote ergo vos perfecti, sicut et Pater vester cælestis perfectus est” (Mt V, 48). Deus nos quis e ainda nos quer santos (perfeitos). É o que de mais sublime se pode almejar em uma vida. E o tudo, comparado a isto é nada. Daí que se os santos não existissem, haveria uma meta, um objetivo, um porquê para existir. Com base nisso se tentará lançar luz à questão.
Consideremos um casal íntegro, e que possuam filhos que por sua vez sigam os seus passos, sendo assim pessoas de bem. É sensato supor que estes filhos serão bem quistos e elogiados pelos demais. Os pais que por vê-los admirados e aplaudidos se sentissem por isso diminuídos ou humilhados, teriam por certo algum problema. Primeiro porque supõe-se que pais amem seus filhos, e o amor, o sabemos, não tem inveja ou busca os próprios interesses[1]; segundo, porque elogiar a um filho será, ponto passivo, elogiar quem o concebeu e educou. Daí as expressões: “fulano é bem criado” e “tal pai, tal filho”.
[Um pequeno registro. Foi dito: “aquele que se exaltar será humilhado e o que se humilhar será exaltado.” (Mt XXIII, 12)]
É de senso comum no protestantismo que não devemos cultuar os santos tampouco pedir sua intercessão. Muito bem. Primeiramente há que perguntar aos que pensam estar defendendo a honra e a glória de Deus com tal gesto se acaso sabem o que significa cultuar e se há mais de uma forma de fazê-lo. Será prudente desconfiar de quem, especialmente entre os pastores, nunca ouviu falar em culto de latria, dulia e hiperdulia. E aos que já conhecem os termos, mas têm má vontade em entendê-los, desconfiar em dobro. Me limitarei em dizer que o primeiro se refere à adoração, só destinado a Deus, os outros à veneração ou respeito e reverência, que aos homens é permitido, inclusive, pela Bíblia, como se viu no capítulo referente às imagens. Logo, resta saber que tipo de culto os católicos prestam aos santos. A resposta será o segundo. Um simples dicionário nos dá ciência de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, ou seja, de que a Deus se adora, venera e reverencia, enquanto que aos homens (quando merecem) apenas se venera e reverencia. Os católicos, por saber disto, seguem tranquilos em sua consciência há quase dois mil anos. Só não seguirá quem não souber distinguir entre gatos e lebres, terminando por dar ouvidos a quem não deveria.
A história da Igreja está repleta de exemplos documentados de cultos de dulia, ou seja, de veneração aos santos, suas relíquias (restos mortais) e objetos que a eles pertenceram, tudo por razões completamente razoáveis, uma vez que: “… Deus fazia milagres não vulgares por mão de Paulo; de tal modo que até sendo aplicados aos enfermos os lenços e aventais que tinham tocado no seu corpo, não só saiam deles as doenças, mas também os espíritos malignos se retiravam” (At XIX, 11s)[2]. E a quem quiser argumentar que “Paulo estava vivo”, então vale a pena lembrar que: “… logo que o cadáver tocou os ossos de Eliseu, o homem ressuscitou, e levantou-se sobre os seus pés” [2 Re XIII, 21] (ossos aqui – não custa nada esclarecer – referem-se não aos de um profeta Eliseu dotado de uma bela fratura exposta, mas aos de um profeta Eliseu morto; se preferir, restos mortais). Quanto à Mãe de Deus, que na ordem da Graça está acima dos santos e anjos, por dignidade e missão exercida nos planos da salvação, o culto será o de hiperdulia. Sobre ele se falará no próximo capítulo, dedicado a Ela.
Se as coisas são assim, o que estará então por trás do culto aos santos e de Nossa Senhora? Nada mais nada menos que a glória de Quem os criou. E os bons entendedores não tardarão a entender, pois se mostrará “onde está na Bíblia”:
Primeiro, aqui: “Sede meus imitadores, como eu também o sou de Cristo.” (1 Cor XI, 1)
Segundo, aqui: “O que aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim (Paulo), isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” (Fil IV, 9)
Terceiro, aqui: “Irmãos, sede meus imitadores, e olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos.” (Fil III, 17)
E quarto, aqui: “O que vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza, a mim despreza. E quem me despreza, despreza aquele que me enviou.” (Lc X, 16)
Pela ótica protestante é de supor que estas frases jamais devessem constar na Bíblia. Bem provável que Lutero também as quisesse tirar[3]. O fato é que elas, por si, são a prova de que os santos foram postos como “sal da terra” e “luz do mundo”, justamente para que Deus pudesse ser glorificado em seus membros (cf. Mt V, 13-16). Ora, se não há membros santos que possam ser assim reconhecidos, não há uma Cabeça santa. Por isso o demônio se esforça tanto em fazer com que não se reconheça a santidade dos membros, porque sabe que estes pertencem a uma Cabeça. Mas se aqui se quiser novamente argumentar que tais santos são somente os vivos, então se pedirá que respondam: acaso os mortos em Cristo não estão vivos e junto a Ele no céu? Por que mencionaria então como modelos a “Abraão, Isaac e Jacó”, que nesse momento sequer estavam ainda no céu, uma vez que este não tinha sido aberto por Ele, mas que obviamente já não estavam presentes há quase dois milênios[4]? Notemos por fim que o próprio Senhor designará os homens por um atributo que só a Deus se poderia designar, o de “santo”[5].
Quando cultuamos os santos, ou seja, prestamos-lhes homenagem (culto de dulia), não estamos fazendo outra coisa que ver/reconhecer as suas boas obras e glorificar a Deus que está nos céus (cf. Mt V, 16). Os santos existem, portanto, para serem provas vivas de que Deus existe e pode realizar milagres, pois sua própria vida não tem explicação do ponto de vista meramente humano. O que fazem, como vivem, a forma com que acreditam e, principalmente, o amor que têm a Deus e ao próximo, ao ponto de renunciar família, bens, poder, status, prosperidades, somente será possível através de uma explicação sobrenatural que justifique o cumprimento desta missão e a realização de atos muitas vezes heroicos, no verdadeiro sentido da palavra. Logo, uma vez que rendamos homenagens aos santos, que exaltemos aqueles que se humilharam, estaremos reconhecendo que tudo o que fizeram de bom veio do alto e a glória deve ser dada ao doador dos dons. Não será justo ou mesmo lógico achar que Deus (o Pai) possa sentir-se diminuído ou humilhado quando se reconhece nos homens e mulheres (os filhos) que O servem com mais perfeição as virtudes que só dEle poderiam proceder.
Mais.
Agindo assim estaremos cumprindo e fazendo cumprir a palavra divina que diz que todos os humilhados seriam exaltados (cabe aqui também notar que a Bíblia não se refere a uma exaltação a se realizar somente nos céus e/ou somente por Deus). Além disso, quando exaltamos a um santo, que não passa de criatura como nós mas santificada pelo Criador como poucos, estamos mostrando seu exemplo ao mundo para que o mundo o imite como ele imitou a Cristo, tal como ordenou S. Paulo aos Coríntios, aos Filipenses e a todos nós.
E mais.
Ao conhecer suas vidas, entendemos que também podemos almejá-las, pois vemos que foram homens e mulheres com defeitos e pecados às vezes maiores que os nossos, e pensamos: se Deus pode santificar essa pessoa, por que não a mim? Passamos então a pedir com mais fé, esperança e vontade de que Ele nos transforme naquilo que sempre quis de nós: pessoas santas, perfeitas, imagem e semelhança Sua.
Para responder esse ponto há que lembrar primeiramente que todo protestante, por coerência, jamais deveria pedir intercessão aos irmãos, tampouco ao pastor. Se eles afirmam que não podemos pedir nada aos santos (que estão junto de Deus, por ora de maneira não corporal) porque devemos ir a Deus diretamente, pois “há um só mediador…”, tampouco deveriam pedir algo a pessoa alguma. Aqui voltamos a uma questão anterior[6]: se placa de igreja não salva, então não deveriam perder tempo pertencendo a uma; se podemos interpretar a Bíblia livremente, então não deveriam perder tempo ouvindo um intérprete como nós (o pastor) interpretando-a para nós; se temos o direito de ir diretamente a Deus, então paremos de ir aos homens, vivos ou mortos.
O que não se percebe é que tanto em relação aos que estão entre nós quanto aos que estão com Cristo na glória celeste não há problema algum em pedir sua intercessão[7]. Há seitas que não creem que ao morrer possamos ir diretamente ao céu. A estes, os espíritos dormem com o corpo na sepultura. Como, não o sabemos, pois o espírito além de não morrer não dorme jamais, simplesmente por não possuir matéria, corpo corruptível[8]. A maioria das seitas felizmente deste mal não sofre. Sofrerá, porém, de outro.
Como explicar que se possam pedir intercessões e orações aos vivos que ainda estão entre nós, e que por isso continuam pecando, às vezes mais e mais gravemente que nós mesmos, e não se possa pedir aos vivos que já contemplam a Deus “face a face” (cf. Mt XXII, 29-32; Ap V, 8; VIII, 3s)? Guardadas as devidas proporções, será o mesmo que querer que uma faxineira ou um office boy peçam algo ao Presidente da República, sendo que o poderíamos fazer à sua Secretária pessoal ou Chefe de gabinete, que com ele convivem “cara a cara” e com mais autoridade. O curioso é que os protestantes, ao mesmo tempo em que negam e criticam os santos sem nunca os ter lido ou conhecido, têm na conta de “homens santos” a notórios picaretas e usurpadores, pedindo suas orações e intercessão enquanto se desfazem do que têm (e não têm) para fazer o que a Bíblia proíbe: dar-lhes o dízimo pela pregação da palavra[9]. Vá se entender…
Por fim, querer justificar a não intercessão dos santos ou de Nossa Senhora utilizando Cristo como único mediador entre Deus e os homens também será ou falta de lógica ou heresia. A heresia estará com aqueles que negam a Cristo como Deus e a própria Santíssima Trindade, julgando haver três deuses. O erro de lógica ficará com os que creem em Deus Uno e Trino, mas não entendem que Cristo é o único mediador entre Deus Pai e os homens, o que não impede em absoluto que os santos – e especialmente Maria Santíssima – sejam intercessores entre Deus Filho e os homens. Ao que sabemos, não “está na Bíblia” nada a respeito de Cristo dizer que ninguém iria a Ele (Verbo, Filho, Segunda Pessoa) senão por Ele…
Os católicos não adoram os santos ou a Virgem Maria, os respeitam e veneram porque assim estão dando glória ao Criador e Santificador, adquirindo mais disposição para imitar os melhores exemplos de imitação de Cristo que jamais existiram. Se os filhos não têm em casa bons modelos a imitar, provavelmente imitarão os maus modelos de fora. Por isso Deus inspirou os santos, para que quando os bons exemplos faltassem, houvesse uma luz ao fim do túnel, a luz daqueles que por receber a luz de Cristo puderam transmiti-la, como a lua a luz do Sol. Daí que somente a Santa Mãe Igreja poderá se orgulhar de ter entre seus filhos um S. Francisco de Assis ou um S. Antônio de Pádua, que entre inúmeros dons podiam conversar com os animais e ambos se entenderem, literalmente; um S. Francisco de Paula, que ressuscitou uma mesma pessoa duas vezes; um S. José de Cupertino, que só em ouvir os nomes de Jesus e Maria caía em êxtase, voando (também literalmente) ou levitando de onde estivesse até a Igreja mais próxima para adorar ao Santíssimo Sacramento; um S. Pio de Pietrelcina e um S. Cura D’Ars, que conheciam os pecados de seus confidentes antes mesmo de os confessar e sem nunca os ter visto, além de possuir o verdadeiro dom de línguas uma vez que falavam em sua língua (italiano e francês, respectivamente) e os interlocutores de outros países os escutavam em sua língua materna; uma S. Maria Goretti, que aos 11 anos preferiu a morte a ter de ceder a um estupro; uma S. Catarina de Sena, que sendo analfabeta ditou centenas de páginas de uma sabedoria divina, chegando a exortar a um Papa, que humildemente a atendeu em sua exortação[10]; ou ainda uma Tereza Newman, que durante 33 anos só se alimentou de água e de Eucaristia, o Pão do Céu, recebendo sobrenaturalmente, como S. Francisco de Assis, S. Pio de Pietrelcina e outros as marcas dos pregos de Cristo (os estigmas) nas mãos, nos pés, e no lado o corte da lança. Tudo isso sem falar nos verdadeiros milagres realizados pelas mãos, restos mortais e pertences destes homens e mulheres de Deus, que a Igreja os têm catalogado, estudado e apresentado ao mundo para quem quiser ver e comprovar, tendo em conta não se tratar de fraudes, coisa que facilmente poderia ser desmascarada, mas feitos concretos que geraram no decorrer desses quase dois mil anos a rendição e conversão de ateus, agnósticos, judeus, maçons, hindus, esotéricos, protestantes e muitos outros, o que até o presente momento em que escrevo estas linhas vem ocorrendo.
Por isso nos dirá um ilustre desconhecido:
Com amor infinito deste-nos os Santos, Deus amado, dos quais figura em excelência a Santíssima Virgem. Luzeiros no firmamento sombrio de nossas vidas, deste-nos para que ao imitá-los pudéssemos imitar-Te. De não suportar nossa débil mácula a Tua luz solar, a refletiste neles, luzes lunares, subtraindo-nos da atroz escuridão. Vieste em nosso auxílio com um lampejo acessível; a nós, noturnos peregrinos em busca da eterna luz da felicidade.
Em tempo: a Igreja sempre utilizou de muito discernimento para elevar estas pessoas à honra dos altares. Antes bastava o reconhecimento da Tradição, que de per se já era criterioso; depois, sua vida passou a ser cuidadosamente examinada, exigindo-se para declará-los santos a comprovação científica de uma ou duas curas milagrosas autênticas, ocorridas por sua intercessão após a sua morte, entre outros pormenores de igual seriedade. Deus, por isso, para exaltar os que por Ele se humilharam, deixou duas grandes provas da santidade de tais pessoas: vários deles após séculos de sua partida tiveram seus corpos intactos, no todo ou em parte, sem utilização de produtos químicos (conservação artificial). Tudo pesquisado e estudado por cientistas não católicos e não cristãos, que até hoje não encontraram uma explicação natural para o fenômeno: são os “corpos incorruptos”; todos, intrigantemente, de pessoas católicas fervorosas (do que sou testemunha ocular). E, em um mundo onde personagens vêm e vão, passam e são esquecidos, os santos permanecem na memória de todos os povos como um verdadeiro sinal: o sinal de que Deus existe e opera milagres pelas mãos dos homens.
[1] Cf. 1 Cor XIII, 4-7.
[2] Exemplos impressionantes podemos ler nas “Atas dos mártires”, documento do século II deixado pelas testemunhas oculares de Cristo nos primeiros períodos da Igreja e de sua perseguição.
[3] Ver a este respeito o capítulo VI – O cânon.
[4] Cf. Mt XXII, 32; Mc XII, 26s; Lc XVI, 19-31; XX, 37s; Jo VIII, 30-39.
[5] Cf. Lc II, 29-32; Jo I, 5.9; III, 19; VIII, 12.
[6] Ver capítulo II – “Fora da Igreja não há salvação”.
[7] Mesmo às almas santas (já salvas) que se encontram no Purgatório (ver capítulo XIV). Sugiro ainda uma vez a quem deseje aprofundar o tema a leitura de O Manuscrito do Purgatório.
[8] Cf. Lc IX, 28-33; Fil I, 21-33; Ap VI, 9ss.
[9] Ver Capítulo IX – O Dízimo.
[10] No caso em questão, a exemplo de muitos outros, temos uma eloquente prova do “machismo” da Igreja, em sentido obviamente contrário. Nunca a mulher foi tão valorizada como quando a Igreja caminhava junto aos poderes civis. Nunca a mulher foi e é tão sublimada como pela instituição mais acusada de machismo em todo o mundo, alvo de revoltas das feministas modernas e de todos os tempos.
Façam os protestantes – e tantos outros – o que mui raramente hoje se faz: bebam das fontes[1]! Se houver o mínimo de integridade não digo nem moral, mas intelectual, e verão que em dois mil anos de Cristianismo não houve, não há, tampouco haverá instituição mais atacada, combatida, caluniada, perseguida e odiada que a Igreja Católica. São milhares de páginas contendo altas – e baixas – teorias de conspiração e projetos arquitetados com o único fim de extirpar do mundo essa persona non grata, uma vez que: 1) Cristo crucificado, anunciado desde sempre pela Igreja, é “escândalo para os Judeus, loucura para os Gentios” (1 Cor I, 21), e que por isso 2) “… Se êles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós, se êles guardaram a minha palavra, também hão de guardar a vossa. Mas tudo isso vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquêle que me enviou.” (Jo XV, 20s).
Diante desta verdade não será mui difícil se entender estas duas reações da Igreja: a Inquisição e as Cruzadas. Aos de boa-fé, queiram nos acompanhar.
Read More “Capítulo XV – “O que arde, cura. O que aperta, segura” [A Inquisição e as Cruzadas]”
“É que Narciso acha feio o que não é espelho.”
(Caetano Veloso)
Peguemos um exemplo concreto para falar do tema. Em um vídeo postado há alguns anos assisti a uma cena de um culto neopentecostal em que um, como chamaríamos, “pastor da prosperidade” fazia sua defesa contra o que considerava idolatria na utilização de imagens e nas orações a elas dirigidas pelos católicos. O homem em questão é uma dessas espécies a quem podemos denominar bons de grito, figura apropriada a estes (fins dos) tempos tão conturbados, e barulhentos.
Dizia ele ao seu público que havia debatido com um padre em um programa televisivo sobre a questão das imagens. O padre, em dado momento o indagou se em suas viagens não levava na carteira como recordação a imagem de sua esposa. Já antevendo a argumentação do sacerdote, sua resposta foi positiva, mas – acrescentou em tom de burla –, nunca se ajoelhava diante dela para realizar algum pedido, e isto é o que fazia a grande diferença. E por aí foi a entusiasmada pregação…
Read More “Capítulo XIV – Idolatrias Protestantes [As imagens]”
“A justiça divina pesa em balanças diferentes os pecados dos homens dissimulados e os dos sinceros.”
(Dante Alighieri)
Jesus na discussão com os fariseus chama hipócritas aos que sabem perceber as coisas mais ordinárias e não se atentam às fundamentais, que não esperam o filho crescer para proporcionar-lhe algum benefício material (p. ex.: uma vacina ou uma conta bancária) ao tempo em que negligenciam o espiritual (p. ex.: os Sacramentos, dos quais o Batismo é a porta de entrada[1]). Tais pessoas farão o mesmo com as verdades de fé definidas pela Igreja, que quanto mais desconhecem mais atacam. Tal é o caso do Purgatório.
Ao tratar este tema há que primeiro pôr à luz um sofisma a ele ligado, o tão falado: “não existe pecado, pecadinho ou pecadão”, pois se assim rezasse a doutrina cristã significaria dizer que Jesus, às portas da morte encontraria tempo para uma nova metáfora ao dizer a Pilatos: “… Tu não terias poder algum sobre mim se não te fosse dado do alto. Por isso o que me entregou a ti, tem maior pecado”[2]. Mas se por outro lado, Cristo também afirmou que “o que recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá a recompensa de profeta; e o que recebe um justo na qualidade de justo, receberá a recompensa de justo” (Mt X, 41), como querer que a própria Justiça trate igual quem agiu de forma desigual, tanto ao bem quanto ao mal? Se parece coerente que um ladrão de galinha jamais deva pegar a mesma pena que um ladrão de banco, ou da pátria, como querer que Deus, a pura e incorrupta Justiça seja injusto tratando da mesma forma quem pecou distintamente? O sofisma acima leva a que todos os pecados bem como todas as virtudes sejam nivelados, o que atenta contra a justiça e o bom senso. Feitas estas considerações, entendamos o Purgatório.
Read More “Capítulo XIII – Sem purgar não dá! [O Purgatório]”
“Não queirais ser como o cavalo e o mulo sem entendimento, cujo ímpeto se domina com o cabresto e o freio; doutro modo não se aproximam de ti”
(Sl XXXI, 9)
Primeira: “O que crer e for batizado, será salvo…” (Mc XVI, 16a).
Segunda: “… Crê no Senhor Jesus, e serás salvo tu e tua família”; por isso “… imediatamente foi batizado êle e tôda a sua família” (At XVI, 31.33).
Terceira: “… Deixai vir a mim os meninos, e não os embaraceis, porque dêstes tais é o reino de Deus” (Mc X, 14).
Muito bem. Um parênteses.
NOTA: Em um primeiro momento propunha-me apresentar 17 dos variados temas controversos entre católicos e protestantes, no entanto apercebi-me que ao menos dois não poderiam ficar de fora dado a premência e importância, em especial aos nossos dias, o das Indulgências e o da Inquisição/Cruzadas. Assim que resolvi entremeá-los aos temas finais de acordo com seu grau de ligação com os assuntos posteriores, a começar por este, intimamente ligado ao do Limbo das Crianças e o do Purgatório, que virão a seguir. Que tudo sirva à maior glória de Deus, o nosso bem e de toda a Santa Igreja.
“Em verdade vos digo, tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu” (Mt XVIII, 18)
À guisa de ilustração introdutória:
Via de regra: as mães querem o bem dos filhos; as madrastas, o seu bem nos filhos. Porque as primeiras lidam com o que é seu, as segundas, com o dos outros. As mães, quando pensam em um filho o pensam pelo filho. As madrastas, quando pensam em um enteado o pensam pelo pai. As mães só podem ser uma. Já as madrastas… E assim caminha a humanidade. Iniciemos então pelas madrastas e sua (livre) interpretação de nosso dístico:
“Cristo no céu ratifica o que é feito em Seu nome e em obediência à Sua Palavra aqui na terra. Tanto em Mateus 16:19 como em 18:18, a sintaxe do texto grego deixa bem claro o seu sentido (sic). O que você ligar na terra já vai ter sido ligado no céu. O que você desliga na terra já vai ter sido desligado no céu (SIC). Em outras palavras, Jesus no céu libera a autoridade de Sua Palavra à medida que é proclamada na terra para a realização do seu propósito.”[1] (grifo meu)
À luz do que já vimos até o momento, temos aqui um novo exemplo de como são distorcidas hermenêutica e exegese a fim de se forçar a sintaxe e a semântica do texto sagrado. Ou vice-versa. À maneira das madrastas que adquirem no pacote um enteado um tanto fora dos padrões estéticos: logo pensa em uma loja onde obtenha para ele um modelito perfeito, mas para ela. Quer então que o mancebo se encaixe a qualquer custo. Não adapta a roupa à criança, adapta a criança à roupa. Amassa-o daqui, torce-o dali, joga-o numa sauna, deixa-o de molho umas horinhas, empurra-lhe um providencial jejum, até que sirva ao modelo de roupa escolhido. “Perfeito!”, exclamará por fim.
Read More “Capítulo XII – Mãe, não madrasta [As Indulgências]”
“O demônio é um cão acorrentado, pode ladrar muito, mas só faz mal a quem se lhe chegue perto”
(Santo Agostinho)
Como já foi dito o demônio pode ser tudo, de rato a leão, menos burro. Ao menos no tangente à inteligência.
As Sagradas Escrituras, a Tradição e o Magistério da Igreja (a quem Cristo deu a ordem e a autoridade de ir e ensinar[1]), nos ensinam que os demônios são criaturas como nós, entretanto sua natureza é a angélica, pois são anjos, ainda que decaídos. E os anjos, por sua vez, são seres quase puramente espirituais (só Deus é puro espírito), portanto, invisíveis, mais inteligentes e poderosos que os homens, além de não estar presos ao tempo e ao espaço como estamos. Seu mundo é o metafísico enquanto o nosso é o físico. Mas como podem interagir com o mundo físico e influenciar as decisões humanas, não fosse a onipotência e a misericórdia divinas seu estrago seria ainda maior, porque a natureza angélica decaída só deseja e faz o mal, assim como a nossa em função do pecado original, que aqueles experimentaram primeiro e depois nos induziram. A diferença é que enquanto vivemos podemos contar com a Graça e os Sacramentos[2], que ajudam a combater essa natureza manchada e os próprios demônios (cf. Efe VI, 10-18; Tg V, 13ss), o que para estes últimos é impossível devido a que não podem mais arrepender-se uma vez que sua decisão foi definitiva em função de não estarem, como dito, presos ao tempo e ao espaço, tendo assim pleno conhecimento da consequência de seu ato.
“Deus é silêncio e o demônio é barulhento.” (Cardeal Robert Sara)
Entre as muitas contradições protestantes uma tem se tornado, diríamos, gritante nos últimos cem anos. Os melhores – se é que podemos usar este adjetivo – shows de rock ou programas de auditório vêm perdendo e muito, especialmente para os (neo)pentecostais, neste quesito.
Publicamos o texto integral editado e corrigido da Encíclica Humani Generis, do Papa Pio XII, que trata de opiniões falsas que ameaçam a Fé Católica na modernidade.
Boa leitura!
A verdade nada mais é do que o obvio.
E por falar em sacerdócio, tratemos agora de uma questão a ele unida, da qual pouco ou nada se sabe, mas que se tornou o ponto central da pregação de muitos, especialmente os ligados ao segmento da “teologia da prosperidade”. Quem quiser aprofundá-la aconselhamos ir à fonte principal aqui utilizada, pois o que será dito não passará de uma sucinta exposição deste vídeo[1]. E tudo se resume a um fato óbvio, o fato de nenhum pastor ou seita protestante poder cobrar o dízimo.
Read More “Capítulo IX – Díz(imo) a quem dás que te direi quem és [O Dízimo]”
Publicamos o texto integral, editado e corrigido da Encíclica Doctoris Angelici de São Pio X, que trata do estudo da doutrina de São Tomás de Aquino. Boa leitura!
NOTA DO BLOG: Publicamos o 8º Capítulo do Livro de Airton Vieira. Pedimos desculpas pelo atraso na publicação. Boa leitura!
“O celibato é um grande escândalo, porque demonstra que o Senhor e o seu mundo futuro são uma realidade no nosso tempo e isso deveria desaparecer. Esta crítica permanente contra o celibato pode surpreender, num tempo em que a moda é não se casar. Mas este ‘não se casar’ é totalmente distinto do celibato, porque o ‘não se casar’ baseia-se no querer viver só para si, sem aceitar vínculos definitivos, enquanto o celibato é exatamente o contrário: é um sim definitivo, é um entregar-se nas mãos do Senhor.”
(Bento XVI)
Uma vez apontados os falsos pastores, resta trazer à luz os verdadeiros, pois nestes tempos modernos a noção do que seja um padre se perdeu, mesmo entre os padres.
Comecemos pelo título.
Read More “Capítulo VIII – Padre não casa! Quem disse? [O Celibato. A Confissão]”
Publicamos o texto integral da Carta Encíclica Aeterni Patris, do Papa Leão XIII, que trata da Restauração da Filosofia conforme São Tomás de Aquino.
Boa leitura!
NOTA DO BLOG: Publicamos o 7º Capítulo do Livro de Airton Vieira. Pedimos desculpas pelo atraso na publicação. Boa leitura!
“Como tenho agido continuarei agindo, a fim de não dar nenhuma chance aos que desejam igualar-se a nós, pelos mesmos títulos de glória. Esses tais são falsos apóstolos, operários fraudulentos, disfarçados em apóstolos de Cristo”
(2 Cor XI, 12s).
A questão anterior nos leva necessariamente a esta, uma vez que todo neófito protestante deveria, antes de acolher a primeira seita que lhe bate à porta, indagar: QUEM fundou determinada igreja e QUEM deu autoridade aos ditos pastores para ser o que não são – contrariando assim o princípio aristotélico e o direito mais elementar? Tal pergunta deveria vir especialmente de católicos que abandonando seu Navio se lançam à deriva agarrando-se desesperadamente a canoas furadas na ilusão de que estando bem arrolhadas não venham cedo ou tarde a afundar, o que será apenas uma questão de tempo1. Por ser este tema de importância capital, tentaremos apontar o caminho para o entendimento.
Read More “Capítulo VII – Pastores, Bispos, Apóstolos… com que autoridade? [A sucessão apostólica]”
Convidamos a todos para a Aula de Formação a ser realizada no dia 26 de agosto, último sábado do mês:
Tema: Provas bíblicas da Primazia de Pedro;
Horário: 18:00 horas;
Local: Sede da Irmandade do Carmo (Av. Mauá, 148, Bom Jesus).
Publicamos, o texto integral, editado e corrigido do Decreto Lamentabili, conhecido pela condenação de algumas sentenças modernas. Nesse sentido, é apresentado um rol, que, após a redação e aprovação da Sagrada Inquisição Romana e Universal (atual Congregação para a Doutrina da Fé), foi ratificado pelo Papa São Pio X.
“Para ele [Lutero] não havia outra fonte de verdade revelada senão um livro mudo (embora inspirado) de que cada indivíduo é constituído juiz.”
(Pe. Júlio Maria de Lombaerde)
Como foi dito acima, de fato, somente os fariseus e protestantes fizeram isto até hoje, acrescentar e retirar palavras das Sagradas Escrituras. E mais que palavras.
Para entender a questão necessitaremos do auxílio da história. A Igreja, segura de possuir a verdade jamais dela teve medo, pois sabe que “nada há oculto que não venha a descobrir-se” (Lc XII, 2), de louvável para a exaltação dos bons, de deplorável para a humilhação dos maus, e de tudo para a glória da justiça divina. Portanto, aos fatos.
As categorias de judeus que não aceitaram a Cristo como Salvador e por consequência todo o cristianismo, nossos “Cains” e “Esaús”, aproximadamente em 90 d.C, reunidos na cidade palestina de Jâmnia, recusaram de seus escritos sagrados 7 livros do A.T [Tobias (Tob), Judite (Jud), Eclesiástico (Eclo), Sabedoria (Sab), Baruque (Bar), 1 e 2 Macabeus (Mac); além de trechos dos livros de Ester (X, 4-16.24) e Daniel (III, 24-90; XIII-XIV)] que Cristo, os Apóstolos e a Igreja utilizaram. Lutero, 1400 anos depois desses judeus, fará o mesmo. As bíblias protestantes, por isso, têm 7 LIVROS a menos e passagens inteiras de outros dois. E teriam menos ainda se alguns companheiros de Lutero não o tivessem feito desistir de retirar outros que ele considerava não inspirados. Seitas como as Testemunhas de Jeová irão além, adulterando várias passagens para negar a SS. Trindade e a divindade de Cristo. Outros seguirão o seu (mau) exemplo. Estes são os fatos, que poderão ser comprovados pelas indicações de leitura. Passemos, resumidamente, às explicações.
Por volta de 300 a.C Israel antiga foi tomada pelos gregos sob o comando de Alexandre Magno. Com o passar do tempo, devido à invasão grega os israelitas foram perdendo costumes e língua. Ocorre que uma colônia judaica se estabeleceu na cidade de Alexandria, ao norte da África, tendo de conviver quase que exclusivamente com a língua dos colonizadores. Como havia o risco de se perder com o exílio muito dos livros religiosos originais e pelo distanciamento gradual do hebraico por parte do povo, um grupo de sábios e estudiosos da colônia traduziu estes escritos, passando a utilizá-los em língua grega. Com o evoluir do tempo novos livros foram surgindo, alguns nesta língua, o que não foi problema para considerá-los inspirados ou dignos de veneração. No tempo de Cristo e dos Apóstolos existiam duas versões destes escritos: a assim chamada versão dos 70 (ou septuaginta ou grega), devido ao grupo de setenta e dois homens responsaveis pelo trabalho de tradução, e a versão hebraica, com os escritos em língua original, além de uma terceira, posterior, oriunda da tradução do hebraico ao aramaico para os judeus da Palestina. Todas as cópias eram utilizadas.
Ocorre que na septuaginta figuravam os 7 livros acima (o que não ocorria na dos judeus da Palestina) e estes, como vimos, eram também considerados inspirados, uma vez que mencionavam implícita ou explicitamente a figura do Messias, revelando doutrinas que os cristãos as incorporariam posteriormente. Não por acaso Cristo e os Apóstolos deles fizeram menção. A partir dos anos 90 d.C, com o concílio dos fariseus definindo somente a versão hebraica como a inspirada, por questões políticas, culturais e religiosas que envolviam diretamente os cristãos, a versão grega foi banida e mesmo anatematizada por tais judeus, que não mais a utilizaram e proibiram utilizar, sob sanção. Os critérios de retirada desses livros foram basicamente:
O primeiro critério, por si já descartaria praticamente todo o Novo Testamento, uma vez que este foi escrito em grego. O último anularia por completo o profetismo de João Batista, pela afirmação de Jesus o último dos profetas (cf. Mt XI, 13), sem falar ainda em livros inteiros como o do Apocalipse, pura e legítima profecia. Por aí se entrevê que a história não acabaria bem…
Como desde o princípio a Igreja os adotou, especialmente em função de Cristo, dos Apóstolos e dos discípulos dos Apóstolos o terem feito, direta ou indiretamente, não teve problemas quando mil e trezentos anos depois do concílio judaico de Jâmnia precisou definir, no concílio de Florença (1442), o cânon (ou cânone, isto é, a relação) dos livros inspirados, dando ao mundo a Bíblia Sagrada tal qual a conhecemos, com 46 (45) livros no AT (esta variação se dá em função de algumas versões unirem o livro de Baruque com o de Jeremias, pois Baruque, discípulo e secretário do último, foi quem o escreveu com base nas revelações ditadas pelo profeta) e 27 no NT, totalizando 73 (72) livros. Contudo, muito antes, já nos concílios de Cartago e Hipo (393 e 397) a Igreja dava como certos e inspirados estes livros.
Antes de tudo temos de ter claro que foi a Igreja Católica quem trouxe à lume a Santa Bíblia, foi a sua autoridade – não a da Bíblia em si mesma – que decretou quais livros eram inspirados e quais não eram, o que suscitou a afirmação de S. Agostinho citada no capítulo anterior. E isso por 1500 anos, até que…
… a partir de 1517 um monge e sacerdote alemão, mais tarde excomungado devido às heresias e ao ódio contra a Igreja [como se verá ao final], por sua conta e risco resolve que o (cânon do) Antigo Testamento válido não era o que a Igreja vinha utilizando por pelo menos doze séculos, que Cristo e os Apóstolos haviam utilizado, mas o que ele dizia ser o inspirado, isto é, o dos judeus de Jâmnia, o escolhido pelas mesmas pessoas que negaram e mataram o Salvador.
Curioso…
Mas não parou por aí. Lutero em sua soberba desenfreada quis mais. Se dependesse dele o protestantismo também não teria livros como a epístola de S. Tiago, a segunda carta de S. Pedro, a carta aos Hebreus e – pasmem os (neo) pentecostais! – o Apocalipse, pois nenhum destes os considerava inspirados. Agradeçam os protestantes atuais a alguns contemporâneos de Lutero menos megalomaníacos, que o impediram de ir adiante neste desvario. Insatisfeito, porém, de não poder levar a cabo sua intenção de mutilar ainda mais sua bíblia, o heresiarca alemão irá desferir outro grande atentado contra a Revelação Sagrada escrita, que dizia seguir e ser sua única regra de fé: acrescentará palavra. A adulteração servirá de respaldo à sua coluna doutrinal da sola fide, que hoje a maioria dos protestantes sabe não passar de uma estaca rota e mal fincada, já descartada por muitas seitas. Na prática o lema de Lutero será: “adulterar para enganar”, o que não nos causa espanto vindo do mesmo homem que afirmou: “Se os nossos adversários fazem valer a Sagrada Escritura contra Jesus Cristo, nós fazemos valer Jesus Cristo contra a Escritura” (opera latina I-387-a); e “Tu fazes grande caso da Escritura que é serva de Jesus Cristo; eu, pelo contrário, dela não me importo” (Walch VIII -2140 segs.). E se isso não bastar, podemos dar a conhecer sua resposta quando a Igreja se colocou fortemente contra a insolência e profanação bíblica cometidas: “Se o papista faz tão grande escândalo pela palavra ‘somente’, diga-lhe diretamente: ‘assim o quer o Dr. Martinho Lutero’, e ordeno que assim seja, e a minha vontade é razão suficiente.”.
Diante deste quadro, torna-se pertinente a pergunta: como continuar adotando uma bíblia que se sabe traduzida e imposta por alguém que de livre e espontânea vontade acrescentou palavras e retirou livros inteiros, fazendo assim o que a própria Bíblia condena? E mais: como confiar na palavra de um único homem contra a da Igreja que deu à luz as Escrituras? Deus, pela boca do profeta, não disse ser maldito o homem que confia em outro homem (cf. Jr XVII, 5)? E como tudo o que está oculto acaba por revelar-se como afirmou Nosso Senhor, reproduzo um recente achado científico que uma vez mais confirma as verdades católicas, agora sobre este ponto específico. Sugiro que aprofundem também aqui as pesquisas:
Recentemente, porém, graças às descobertas de Qûmram, mais conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, o cânon tradicional católico foi mais uma vez confirmado, porque se descobriu que aquela comunidade hebraica mais antiga dispunha de uma coleção semelhante à tradução dos Setenta. Ou seja, não foram os alexandrinos (os “setenta”) que ampliaram o catálogo dos Livros Sagrados, mas a Escola de Jamnia que o reduziu.
Para concluir, como muitos nunca tiveram a oportunidade de ter diante de si os sete livros inspirados, além dos exemplos já fornecidos e de outros que virão, daremos a citação textual de dois. Através deles se poderá entender um pouco do porquê dos inimigos de Cristo os terem retirado de suas escrituras: o primeiro vem do Livro da Sabedoria, composto em grego por volta de 100 a.C., uma das mais contundentes profecias sobre o Messias que pouco mais de um século se faria carne no seio da virgem Mãe:
Armemos, pois, laços ao justo, porque nos é molesto, e é contrário às nossas obras, e nos lança em rosto as transgressões da lei, e desonra-nos, publicando as faltas do nosso procedimento. Ele afirma que tem a ciência de Deus, e chama-se a si mesmo filho de Deus. Fez-se o sensor dos nossos próprios pensamentos. Só o vê-lo nos é insuportável; porque a sua vida não é semelhante a dos outros, e o seu proceder é muito diferente. Somos considerados por ele como pessoas vãs, e abstém-se do nosso modo de viver como duma coisa imunda, e prefere o fim dos justos, e gloria-se de que tem a Deus por pai. Vejamos, pois, se os seus discursos são verdadeiros, e experimentemos o que lhe acontecerá, e veremos qual será o seu fim. Porque, se é verdadeiro Filho de Deus, (Deus) o amparará, e o livrará das mãos dos seus inimigos. Ponhamo-lo à prova por meio de ultrajes e tormentos, para que conheçamos a sua mansidão, e provemos a sua paciência. Condenemo-lo à morte mais infame, e ver-se-á o resultado das suas palavras (II, 12-20).
E o segundo nos vem do livro do Eclesiástico (não confundir com Eclesiastes). Aqui há que destacar quatro pontos: no primeiro o texto menciona a existência de uns misteriosos personagens que hoje algumas ciências como a Arqueologia vêm estudando em profusão. O autor sagrado (hagiógrafo) corrobora o que já fora mencionado no livro do Gênesis sobre a raça conhecida como a dos “gigantes”. No segundo responde a uma categoria de pessoas que hoje pensa e vê Deus somente em sua dimensão de misericórdia, que tudo perdoa indiscriminadamente, e que por isso seguem ainda aqui (por conveniência? malícia?) os passos de Lutero: “crê firmemente e peca muitas vezes”. No terceiro, totalmente de acordo com o conjunto das Escrituras, derruba ainda uma vez a tese da sola fide luterana. Por fim, vaticina um futuro nada distante, também muito especulado em nossos dias, o do “fim dos tempos”:
O fogo acender-se-á na reunião dos pecadores, e a ira (de Deus) inflamar-se-á contra a nação incrédula. Não obtiveram perdão dos seus pecados os antigos gigantes que foram destruídos por confiarem na sua fortaleza. E Deus não perdoou a cidade, em que Lot morava como estrangeiro, e detestou os seus habitantes, por causa da insolência das suas palavras… Porque a misericórdia e a ira estão sempre com ele; é poderoso para perdoar, e também o é para derramar a sua ira. Os seus castigos igualam a sua misericórdia; julga o homem segundo as suas obras. Não escapará (ao castigo) o pecador com as suas rapinas, e a paciência do que usa de misericórdia não tardará em ser recompensada. Toda a obra de misericórdia preparará a cada um o seu lugar, segundo o merecimento das suas obras, e segundo a prudência (com que tiver vivido) neste lugar de exílio (XVI, 7ss.12-15).
Em tempo: pegue uma Bíblia católica e compare:
1) 2 Mac VI, 18 – VII, 42 com Heb XI, 32-38;
2) Sab III, 5s com 1 Pe I, 6s;
3) Sab XIII, 1-9 com Rom I, 18-32;
4) Eclo XVI, 13ss com Apo II, 23-26.
5) Eclo XLIV, 16 e XLIX, 16 com Gên V, 24 e Heb XI, 5
Estes são apenas cinco dos muitos exemplos existentes. Para termos uma ideia, das 360 citações que o Novo faz do Antigo Testamento, 300 são extraídas da septuaginta e somente 60 da hebraica. Disso podemos deduzir que se uma letra já causará enorme prejuízo, o quanto não será cobrado pela “rapina” de sete livros?
Publicamos o texto integral do conhecido Decreto de São Pio X sobre a idade para o acesso à Santíssima Eucaristia e à Confissão. Dá regras e expõe os motivos da decisão. O ato é original da Sagrada Congregação para Disciplina dos Sacramentos (hoje Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos).
“Ele (o protestante) não acredita, convencionalmente, no que a Bíblia diz, pela simples razão de que a Bíblia não diz nada. Você não pode colocar um livro no banco das testemunhas e perguntar o que ele quer dizer.”
(Chesterton)
Nosso povo é marcado pela fé, portanto, um povo crédulo, que acredita. Ocorre que a fé sem a caridade, sabedoria e humildade, não raro torna-se fanatismo, crendice e estupidez, por mais boa-fé que se tenha. Como exemplo, vejamos como Cristo responde à nada sábia e humilde boa-fé de Pedro: “Retira-te de mim, Satanás; tu serves-me de escândalo, porque não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas das coisas dos homens” (Mt XVI, 23). Não será demais lembrar que Jesus referia-se aqui ao espírito maligno que acabara de dar umas baforadas nos ouvidos do apóstolo sugerindo-lhe uma “boa intenção” para com o Mestre, e isso logo após aquele ter permitido que o Espírito Santo o inspirasse a profissão de fé que lhe granjearia a “… chave do reino dos céus” (v. 18). Nesta mesma linha ensinará S. Paulo ao povo de Corinto: “Portanto, quem julga estar de pé, tome cuidado para não cair” (1 Cor X, 12). Algo a se ter em mente o tempo todo, todo o tempo, sobretudo aos que se consideram já salvos apenas por ter “aceitado Jesus”.
“Prazerosa quietação da minha vida, sê bem-vinda, cruz querida. (…)
Quem não te ama vive atado, e da liberdade alheio
Quem te abraça sem receio não toma caminho errado.
Oh! ditoso o teu reinado, onde o mal não tem cabida!
Sê bem-vinda, cruz querida”
(Do poema À Cruz – S. Tereza de Jesus)
Após abordar nos capítulos anteriores a Igreja em seu aspecto mais geral, adentremos agora especificamente nos pontos em desacordo entre a doutrina católica e a das seitas protestantes, começando por um sumamente emblemático: o da cruz com o Crucificado. Os protestantes, em sua maioria, defendem que porque “Jesus já desceu da cruz” não há porquê de o representar crucificado. Nós, ao contrário, dizemos que justamente por assim ter escolhido morrer por nossos pecados é que a cruz se torna o troféu do qual se orgulhar. Quem tem a razão? É o que veremos neste capítulo. Note-se, antes, que há templos protestantes como, por exemplo, o de luteranos, metodistas e (sic!) batistas que possuem não só a imagem da cruz, mas com ela o Crucificado.
“… Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós, se eles guardaram a minha palavra, também hão de guardar a vossa. Mas tudo isso vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.”
(Jo XV, 20s)
No capítulo anterior vimos por que “Fora da Igreja não há salvação”. Antes, porém, que Cristo é um só. Sendo um só, só poderia haver um Esposo com sua única Esposa, pois Deus, apesar de em determinadas situações tolerar a poligamia, nunca foi poligâmico. Aqui, contudo, a questão que deve ser retomada seriamente é: se Cristo então fundou/edificou[1] uma Igreja, qual seria?
Read More “Capítulo III – Tudo,menos Catolicismo! [A rejeição católica]”
“Com toda a probabilidade, o melhor do protestantismo somente sobreviverá no catolicismo.”
(Chesterton)
A questão anterior, a da unidade da Igreja, nos coloca outra não menos importante para quem se preocupa de fato com a sua salvação, e não somente com a sua.
A máxima titular é comum ouvir-se na boca dos que se habituaram a protestar: “Placa de igreja não salva ninguém”. Isso, desconfio, parece pertencer a quem desconfia de que no fundo esteja em uma canoa furada, ainda que leve o escafândrico[1] nome de “Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água”. Também nos faz lembrar uma personagem comum em tempos de paganismo generalizado, que se auto delatou ao deixar que um rei dividisse uma criança ao meio por saber não ser a sua[2] (cf. 1 Re III, 16-28).
Read More “Capítulo II – “PLACA DE IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM!” [“Fora da Igreja não há salvação”]”
Como já avisado aqui, a partir do próximo dia 07 de agosto, iniciaremos um grupo de estudos filosóficos amparados pelo pensamento aristotélico – tomista. O curso terá duração de 2 anos (estudaremos 4 disciplinas por semestre) e as aulas sempre nas Segundas e Terças feiras das 19:00hs às 21:00hs em nossa Sede. As vagas são limitadas (apenas 10 vagas) e qualquer pessoa pode se inscrever. Faça a matrícula, clicando aqui.
“Concedei-me, Verdade das verdades,
inteligência para conhecer-Vos,
diligência para Vos procurar,
sabedoria para Vos encontrar,
uma boa conduta para Vos agradar,
confiança para esperar em Vós,
constância para fazer a Vossa vontade.”
Santo Tomás de Aquino – Doutor Angélico
Publicamos o texto integral, encontrado no Portal do Vaticano, com algumas correções ortográficas e edições, para servir de apoio ao estudo desta Encíclica. Abaixo da edição de visualização, é possível baixar o arquivo.