Sermão – Considerações ao encerrar este ano

Abaixo publicamos o Sermão do Rvmo. Pe. Daniel Pinheiro, IBP, proferido em 31/12/2017, cujo teor foi lido em parte pelo Rvmo. Pe. José Leles na Santa Missa de hoje. Destaque-se que, como explicado nessa ocasião, o sermão faz algumas referências a fatos daquele ano, não deixando, porém, de se manter atual e extremamente frutuoso. Por fim, colocamos também o vídeo do Sermão, para os interessados.


<

p style=”text-align:justify;”>

Nota sobre as Eleições

A pedido do Diretor-Geral, compartilhamos Nota emitida por S. Excia. Revma. Dom Fernando Guimarães, Arcebispo Militar do Brasil, unido à Tradição no Brasil, por ocasião das eleições deste domingo (27). 


Fonte: https://arquidiocesemilitar.org.br/nota-do-arcebispo-militar-aos-diocesanos-do-ordinariado-militar-do-brasil.html

Responsum | Pena de Morte e a evolução da doutrina

Por Bruno Vieira

Recentemente, o site Vatican News publicou texto em que defende a nova alteração do Catecismo da Igreja Católica quanto à pena de morte, expondo argumentos equivocados e movidos por um certo modernismo. Apresento, então, resposta àquelas ideias, para fins de esclarecimento.

Sermão sobre a correção e a educação dos filhos

Por Rev. Pe. Javier Olivera Ravasi

Tradução, notas e grifos de Airton Vieira

 

[12 de jun. 2018 (Extraído do Evangelho de S. Lucas, XV, 1-10)]

 

No Evangelho que recém acabamos de ouvir, Nosso Senhor conta uma parábola, como sempre, como todas as parábolas, com exagerações. Todas as parábolas de Nosso Senhor são hipérboles, são exagerações. Na realidade, nunca um pastor deixa 99 ovelhas para simplesmente ir buscar uma, porque não é negócio. Nunca uma pessoa revira toda a casa até que encontre uma moeda de cinco centavos, e depois faz festa e se alegra. Isso é uma hipérbole, por isso mesmo Nosso Senhor quando fala, tanto aos fariseus como aos discípulos, exagera, para que, dando-lhes o mais, ao menos alguém fique com o mínimo, o elementar.

E nesta parábola se fala das moedas e das ovelhas, aquelas que alguém pode chegar a perder. Eu gostaria de aplicar este texto hiperbólico, parabólico, de Nosso Senhor, a estas moedas, ou a estas ovelhas que todo pai e toda mãe podem chegar a ter em sua própria casa, que são os próprios filhos. Ainda que esse Evangelho se pudesse aplicar com muitíssimos outros sentidos (ao pecador que se arrepende e torna à casa paterna…), penso que seria bom aplicá-lo a isto. Peço que ninguém se sinta ofendido, mas como diz um dito espanhol: al que le quepa el sayo que se lo ponga[1]. E é por isso que o sacerdote tem de pregar sobre estes temas, porque uma primeira questão que alguém poderia colocar-se é: “O que tem a ver um Padre pregar sobre a educação dos filhos?”. O mesmo poderia dizer alguém a respeito de um médico oncologista: “O que tem a ver este médico oncologista falando de câncer se nunca teve câncer?”. A Igreja é Mater et Magistra, é Mãe e Mestre, por isso tem experiência nestes temas. E a vida dos santos e a doutrina do cristianismo durante dois mil anos lhe dá um pouco de experiência independentemente ou não de que o pregador seja um educador.

O primeiro princípio que quero salientar é que um pai ou uma mãe se salva ou se condena segundo a educação que dá a seus filhos. Às vezes se escuta dizer por aí “Padre, Padre – aconteceu comigo mais de uma vez – que posso fazer? Meu filho já tem 25, 30 anos, se desviou do caminho… a verdade é que já não sei o que fazer, já não sei… não sei o que posso fazer…” “Nada. [Desculpe] senhor, estou perdendo tempo. Há que ser realista. O senhor lhe deu uma educação sólida quando era pequeno, ou o mandou a um colégio “católico” entre aspas? Então, neste instante não há mais nada a fazer. Simples. Porque se perdeu há tempos. Há um tempo para tudo, diz o livro dos Provérbios[2]. E o tempo especial [destinado] aos filhos é justamente quando ainda os têm em casa. Depois já não há mais tempo, por dura que seja a resposta (…). “Dá-me os primeiros oito anos de vida das crianças, que lhe dou [de presente] o resto”, disse S. Agostinho. É isto.

Os pais se salvam ou se condenam segundo a educação que dão a seus filhos, ainda que se tenha presente a obrigação dos pais de alimentá-los; isso, inclusive em relação aos maus pais. E Nosso Senhor também o disse: “Quem de vós, se um filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará uma serpente?”. Bom, eu lhes digo que há muitos pais que a seus filhos lhes dão pedras, e serpentes. Quem sabe, com a melhor das intenções… ou quem sabe com um pouco de ignorância. Porque, queiramos ou não, todos aqui somos filhos da modernidade. Não é esta uma obrigação a mais do pai ou da mãe: é a obrigação. Os pais são depositários e não donos das vidas de seus filhos. Daí que S. João Crisóstomo o diga: “Olhemos aos filhos como um depósito precioso, e velemos por eles com toda a solicitude possível”. E como são não donos, mas depositários da vida, sobretudo da vida da alma, de seus filhos, vão ter de dar conta desse depósito que receberam: “Que fizeste com esse único filho que te dei? Que fizeste com esses dez filhos que te dei? Que fizeste?!”. Uma das perguntas que me fará o Senhor no dia do juízo é esta.

Quais são as consequências de uma boa e de uma má educação? Há muito já se perguntavam os gregos. Com os meninos mais velhos, este ano, estamos lendo um diálogo de Platão chamado Menon, [em que se pergunta] se a virtude pode ou não se educar, pode ou não se transmitir aos outros. E a educação, claramente, não é um remédio que alguém nos dê. Alguém dispõe os meios – que o diga a comunidade maçônica: somos livres, certo? –, contudo, se não ponho essa armadura, se não disponho os meios, dificilmente então posso lograr que no dia de amanhã surja na família um herói, um santo ou um mártir. Diz a Escritura no livro do Deuteronômio, que os filhos serão o que forem os pais. Isso qualquer de vocês poderá comprovar: vejam como são as crianças, e saberão como são os pais. Simples. O filho é o reflexo de seus pais. Porque pelo fruto se conhece a árvore.

Este problema da educação vem da época dos primeiros cristãos. Um dos Padres da Igreja recém citado, São João Crisóstomo, dizia que já em sua época, século IV, os pais se ocupavam mais dos cavalos e das bestas de carga que de seus próprios filhos. Que belo costume tinham os espartanos, que quando uma criança ou um jovem delinquia, cometia um delito, castigava-se principalmente o pai, porque de algum modo era responsável pelo delito de seu filho.

E por que dizemos que é importante pregar estes temas? Porque se não são pregados, considerando-os como óbvios, acaba-se por esquecê-los. E como são esquecidos, acaba-se por não se praticar. E como… somos filhos do tempo presente, puderam nos meter [na mente] – puderam nos meter porque somos filhos deste ambiente – a ideologia nefasta da psicopedagogia moderna de que há de deixar a criança ser [o que é]. Já Rousseau dizia, em seu célebre livro Emílio, que as crianças nascem boas, porém a sociedade as corrompe. Vemos todos os dias nos noticiários: “Pobrezinho desta criança que roubou, matou… Mas há que entender o contexto, não? Ela nasceu no morro, tinha um pai que a maltratava, uma mãe que era uma alcoólatra, uma prostituta… bom, como então não irá terminar numa prisão, se todo o tempo esteve no morro?” Rousseau puro. Nascemos com uma má levedura, nascemos por um pecado que é o pecado original, e se eu o apago pelo batismo fica em mim a tendência, a forma pecatti, a cicatriz, e é por isso que os pais têm de tentar ajudar a que essa cicatriz seja sanada o mais rápido possível.

“Não! Tem de deixar que seja [o que é]… Como vou levantar a mão para uma criança?”… Até isto que pareceria uma coisa elementar, agora tenho de alegar com a Escritura: Provérbios XIII [24]: “O que despreza a vara odeia a seu filho, mas o que o ama o disciplina com diligência”. Sigo: “A necedade está ligada ao coração da criança – a criança é caprichosa por natureza! – mas a vara da disciplina a afastará dela” [XX, 15]; “A vara da disciplina e as palavras da repreensão dão sabedoria, mas o jovem abandonado à sua própria sorte envergonhará sua mãe.” [XXIX, 15]. Bom, para aqueles que [porventura] possam dizer que as palavras do Antigo Testamento são duras demais, citemos o texto de São Paulo aos Hebreus, capítulo 12 [6ss]: “Quem ama ao Senhor, o Senhor o corrige, e açoita a todos os filhos que acolhe. Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige? Mas se permanecêsseis sem a correção que é comum a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos.” Filhos bastardos! Claro, não se está falando aqui de se converter um pai em um espancador; eu sou a favor de que os animais não se extingam, desta forma não há que bater demais nas crianças, mas às vezes alguém pode chegar ao ponto de dizer, quase como um louco… uma criança que insulta sua mãe, e sua mãe não lhe dá uma pequena bofetada, ou algo mais, está lhe causando um dano. Provavelmente – me desculpem que esteja dizendo estas coisas – há que voltar novamente quase como às origens…

Qual é o modo de educar os filhos? A Igreja nos tem ensinado sempre, em distintos documentos. Em primeiro lugar, formar a Cristo nas almas: “O princípio da sabedoria é o temor do Senhor” [Prov. IX, 10]. Falar-lhes do Céu, não ter medo de falar-lhes, inclusive, das penas do inferno. Claro, não é necessário gastar todo o tempo em uma educação castradora, mas aqueles que simplesmente dizem não a todo tipo de conversa sobre o castigo, o inferno – ou o que seja – terminam finalmente esquecendo-se de que se trata de uma realidade eterna. Ademais, Deus mesmo subscreveu em inumeráveis passagens da Escritura: “Desde sua infância, diz o pai Tobias a Tobit, lhe ensinei a temer a Deus e afastar-se de todo pecado” [Tob I, 9s]. Perguntaram a Santa Terezinha do Menino Jesus pelos pecados mortais que havia cometido. Ela, tocando em sua fronte, disse: “não tenho consciência de haver cometido um só pecado mortal em minha vida”. Seus pais, hoje canonizados, viviam no santo temor de Deus, e [tinham] horror por um pecado. A rainha Branca de Castela, mulher santa, mãe de São Luís rei, chegou a dizer-lhe: “Filho, te quero muito, mas antes preferiria ver-te morto a que cometesses um só pecado mortal”.

Como um pai, como uma mãe, tenta educar um filho para o Céu? Usando, armando, colocando essa armadura. E principalmente vigiando as ocasiões de pecado. Vou me fazer entender, vou dar-lhes um exemplo concreto: um pai tem que vigiar as amizades de seus filhos, os ambientes que frequenta. Não é suficiente dizer que o mandou jogar rugby, um esporte cavalheiresco, de homens [viris] etc., se depois, no que chamam de “terceiro tempo”, terminar sendo um desastre tudo isso; terá que pensar bem para onde o manda; porque logo terminam embebedando-se ou buscando más companhias, tendo más conversas, [por isso] acaba não tendo nenhum sentido, por mais heroico que seja esse esporte. Vigiar como fala, a roupa que usa, a música que escuta, as coisas que vê. Todos [nós], os maiores, passamos por esse período da adolescência. Período dificilíssimo, porque mudamos: hoje queremos uma coisa, amanhã queremos outra, e a grande tentação da adolescência para um homem ou para uma mulher, que por si mesmos são distintos por seu modo de ser, são os namoricos, as tentações contra a pureza, nos homens as imagens, na mulher a vaidade…

Se um pai ou uma mãe jogou a toalha, e diz: “Estou cansado, tenho 200 filhos, basta, tenho um montão de trabalho, não posso mais…”, estamos fritos. Porque não é que um pai ou uma mãe estejam fazendo essas coisas para causar dano à criança, ao contrário, [se trata de] um período em minha vida que tenho de esforçar-me ao máximo. E se tiver de perder uns trocados a mais ou uns trocados a menos… mas, [afinal] são meus filhos! Me salvo ou me condeno dependendo disso! E isso ocorre nos melhores ambientes, estou cansado de ver famílias boníssimas, boníssimas… passa o tempo… gente excelente, super comprometida, apostólica… vejam, façam um exame de consciência: [por]que de famílias excelentes, pode ser que depois os filhos lhes saiam mal… O que passou? Está certo, [é] a liberdade Padre… Sim, estamos de acordo, contudo muitas vezes encontramos famílias excelentes cujos filhos não as seguem. Aqui ocorreu algo. Aqui se rompeu o elo. Aqui não houve total dedicação. É verdade que pode haver mais de uma ovelha negra, normal, mas eu lhes posso nomear rapidamente várias famílias conhecidas que tinham uma boa família, gente de bem, [e que] não souberam transmitir a fé aos filhos, e a prática católica comprometida aos filhos: proibir que façam injustiças, que critiquem em público, ou inclusive em casa…

Isto [que] irei repetir me é tremendamente incômodo dizê-lo, porque repito mais de uma vez: não se pode deixar que nossos filhos namorem até que ao menos terminem o ensino médio. Porque são períodos claríssimos de perda de tempo, de perda de pureza, de queimar etapas.

A segunda coisa incômoda: o álcool. Alguém me dirá: “Bem, de fato… eu… para que vá se acostumando… e tome um pouquinho… até em casa com os pais, e tudo…”; lamentavelmente estão iniciando nisto um menino adolescente, que ainda não tem a mesotes, a medida para dizer se é bom, se é mal, o quanto… É como aqueles que dizem “Bom, há que iniciá-los em uma educação sexual completa, depois o garoto vai saber como se virar.”… Porque estou fomentando um vício a este jovem. Goste ou não goste, rapazes das melhores famílias… Bem, quem sabe… “Não, não, eu não faço nada com minha namorada”… sei lá o quê…; [mas] começou a beber aos 13 ou 14 anos… e com seus pais. Eu conheço mais de um caso. Chega aos 18 e, claro: “Um copo de cerveja não é nada, eu me aguento”. É um tema delicado? Sim, mas minha prudência exige que assim o fale; porque eu confesso. Ademais, há pais que por mais que gostem de seus filhos, não os corrigem nunca. Santo Alfonso diz que se um pai visse um de seus filhos cair em um poço e não soubesse nadar, e a única parte do corpo pela qual pudesse agarrá-lo fosse seus cabelos, que pai não os agarraria pelos cabelos e os tiraria [para] fora? Que pai? que bom pai? Há pais que preferem às vezes, por não corrigir, verem seus filhos simplesmente afogados. Porque o que não castiga a seu filho, não corrige a seu filho, diz o livro dos Provérbios, o odeia… o odeia!

Termino. Claro, não se pode dar um sermão a uma classe de pedagogia cristã. É verdade. É impossível. Não é nem o lugar, nem o momento. É verdade. De todo modo, não [há de se] esquecer que os pais são os pastores de seus próprios filhos. E se alguma dessas ovelhas, por meu cansaço, ou porque se foi por aí em quebradas obscuras, está como que se descarrilhando, e eu estou um pouco fatigado… tenho de saber que esse cansaço não pode me vencer, que não basta educar bem o primeiro ou o segundo filho, porque os últimos, claro, me encontrarão caindo pelas tabelas…

Me salvo ou me condeno de acordo com o que fiz nesse período com a educação de meus filhos. E justamente por isso não se pode deixar sós essas ovelhas. “O que tenha ouvido para ouvir, que ouça”. E ao que lhe sirva a carapuça, que a ponha.

Ave Maria Puríssima!


NOTAS

[1] O equivalente ao nosso: se a carapuça serviu…

[2] Se refere, em verdade, a Eclesiastes III, 1-8.


Fonte: http://www.quenotelacuenten.org/2018/06/12/correccion-y-educacion-de-los-hijos-sermon/

Estudante foi agredida por rezar em silêncio o Santo Terço dentro de ônibus

Por Nossa Senhora Cuida de Mim / Redação Catholicus

Indicação de Airton Vieira

O inimigo tenta, mas Maria sustenta. Veja o testemunho de uma jovem garota que foi atacada por uma protestante. O motivo? A mulher não gostou do fato da jovem rezar o terço em silêncio dentro de um ônibus. Leia abaixo o desabafo da menina:

Respondendo a algumas dúvidas sobre o comportamento das crianças na Missa

 

Por FSSPX México, traduzido e compartilhado pelo site Dominus Est (Católicos Ribeirão Preto) 

Revmo. Padre, sou pai da família e me surgiram algumas dúvidas a respeito do comportamento de meus filhos ao assistirem o Santo Sacrifício da Missa. Formulei algumas perguntas que peço que me responda, assim poderei saber o que devo fazer. 

Venezuela: as igrejas não têm hóstias para a Comunhão

Por Corrispondenza Romana

Tradução de Airton Vieira

Nota do tradutor: Conheço um pouco a realidade venezuelana, ao menos a da fronteira com o Brasil. Há pelo menos quatro anos vem se noticiando a questão da falta de trigo para hóstias na Venezuela. Não somente o Vaticano tinha conhecimento, como, antes, o ex Núncio atual Secretário de Estado e, antes deste, os bispos locais, por seu turno alertados por seus sacerdotes. O texto fala de uma penúria material (pão) seguida da espiritual (Palavra de Deus). Penso que seja o contrário. Há muito a Venezuela padece da fome do Pão do Céu em sentido latu, agravada, como bem salienta o texto, pelas muitas flechadas lançadas contra o Coração de Maria no intuito de repeli-la. Mas não se pense que a estratégia diabólica se restringirá à Venezuela. Procuramos fazer com que haja um compadecimento um tanto sentimental e pouco racional pelos famintos de pão. Há quanto tempo os famintos da Palavra de Deus não perambulam, não somente pelas ruas da Venezuela, mas pelos cantos mais fartos luxuosos do mundo, sem que haja, não digo nem projeção midiática, mas clamor ao céus? Como dizem os irmãos hispânicos: “Ojo! Hermanos, ojo!”

Pais de família protestam contra o ensino LGBT nas escolas

Tradução de Airton Vieira

Em 23 de abril passado, um movimento internacional de Pais de alunos de vários países do mundo anglo-saxão organizou uma “jornada de retirada” da escola para protestar contra a educação sexual com tendência LGBT, à qual são submetidos seus filhos nos colégios que estudam.

A iniciativa, denominada “sex ed sit out“, se pôs em marcha em Charlotte, Carolina do Norte, e dali se estendeu a uma quinzena de outras cidades dos Estados Unidos, seguidas por outras no Canadá, Reino Unido e Austrália. Os Pais protestaram, em particular, contra as imagens demasiado explícitas dos livros escolares dedicados à educação sexual, que beiram à pornografia, e contra o adestramento na teoria de gênero.

Agências internacionais como a OMS, a UNESCO e a mesma UNICEF há vários anos são promotoras de verdadeiras e autênticas aberrações como o ensino da masturbação desde o jardim de infância e a promoção de todas as formas de sexualidade e de aborto.

Não se pode senão expressar o mais pleno apoio à iniciativa destes Pais de família. (M.V.)

O artigo Pais de família protestam contra o ensino LGBT nas escolas provém de Correspondencia romana | agência de informação.


Fonte: https://adelantelafe.com/Pais-de-família-protestam-contra-la-ensenanza-lgbt-en-las-escolas/

Assim dirige a maçonaria a engenharia social: o exemplo da ofensiva da eutanásia na França

Por Javier Lozano / ReL

Tradução de Airton Vieira 

Em 2016 a França aprovava uma lei que legalizava o deixar de alimentar e hidratar doentes se eles mesmos – ou um representante seu no caso de incapacidade – o pedir. Os coletivos pró-vida mostraram sua grande preocupação por esta normativa que abria a porta a um precedente enquanto que os grupos pró-eutanásia ficaram por sua vez defraudados com uma lei que consideravam muito curta.

Não se passaram nem dois anos desde então e o lobby pró-eutanásia voltaram com força tentando acelerar a agenda desde a própria Assembleia Nacional, para assim pressionar a um presidente Macron a que legisle sobre este assunto.

Contos com moral da história: “Um teste para descobrir a autêntica santidade”

Por Padre Lucas Prados

Tradução de Airton Vieira

A história que lhes trago hoje é real. Aconteceu com São Felipe Neri a finais do século XVI.

Durante a vida de São Felipe Neri existiu uma monja na Itália que tinha fama de santidade. Se dizia que continuamente tinha revelações e locuções do céu. Um dia, o Papa mandou precisamente o padre Felipe ao convento onde vivia a citada monja para que avaliasse sua santidade.

O “Feminismo” e a “ideologia de gênero”

Feminismo: Olá, muito prazer me chamo Feminismo.

Ideologia de gênero: Olá, eu sou Ideologia de gênero. Prazer. A que te dedicas?

Feminismo: Eu luto pela segurança e a exaltação da mulher, e ponho em controvérsia e rivalidade os homens contra as mulheres para que não haja mais violência de gênero e não morram mais mulheres oprimidas pelo patriarcado machista. Te unes a minha causa?

Quatro sacerdotes que preferiram o martírio antes que revelar o segredo de confissão

Não se submeteram às autoridades ou os milicianos que lhes obrigaram a revelá-lo

Tradução de Airton Vieira – Depois que o Arcebispo de Melbourne na Austrália, monsenhor Denis Hart, afirmou que preferia ir ao cárcere antes que romper o segredo de confissão, devido uma possível ingerência do Estado, ACI Prensa relembra 4 sacerdotes que defenderam ao extremo o sigilo sacramental.

Em 14 de agosto a Royal Commission, entidade criada na Austrália para investigar os casos de abusos sexuais, propôs que os sacerdotes da Igreja Católica rompam o segredo de confissão quando saibam de algum caso de abuso sexual.

Não obstante, o Código de Direito Canônico que rege a Igreja Católica assinala que “o sigilo sacramental é inviolável; pelo qual está terminantemente proibido ao confessor descobrir o penitente, por palavra ou qualquer outro modo, e por nenhum motivo”. Aqui os 4 sacerdotes que defenderam até o extremo o segredo de confissão.

[IMPORTANTE] Algumas observações sobre o Missal de Fiéis de Dom Gaspar Lefebvre

Compartilhamos Nota do blog Missa Tridentina em Brasília, sobre o Missal Quotidiano editado por Dom Gaspar Lefebvre, o qual utilizamos no seguimento da Missa e nas postagens da Liturgia Diária aqui. Esperamos que sejam sanadas as dúvidas suscitadas pelos fiéis e que se contribua para o maior conhecimento e entendimento do Rito Romano Tradicional. 

Capítulo XVI – “Sede meus (não maus) imitadores” [Os Santos]

“Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.”

(Lc XVII, 10)

 

O tema nos lembra a pegadinha: você está no meio do rio para escapar ao incêndio e uma sucuri vem para devorá-lo. De um lado da margem há o incên­dio e de outro, uma onça pintada. Qual margem escolher?

Mais que um problema teológico, o protestantismo acabou inventando uma espécie de pegadinha aos seus membros; nada que um pouco de lógica e de bom senso não sejam suficientes para resolver o problema, contanto que se tenha retidão intelectual. Os santos sempre foram alvo de um falso dilema, como o acima. Fizeram com que se acreditasse que ou se adorava a Deus ou aos santos. Mal sabem os protestantes que a onça é pintada

“Estote ergo vos perfecti, sicut et Pater vester cælestis perfectus est” (Mt V, 48). Deus nos quis e ainda nos quer santos (perfeitos). É o que de mais sublime se pode almejar em uma vida. E o tudo, comparado a isto é nada. Daí que se os santos não existissem, haveria uma meta, um objetivo, um porquê para existir. Com base nisso se tentará lançar luz à questão.

Consideremos um casal íntegro, e que possuam filhos que por sua vez sigam os seus passos, sendo assim pessoas de bem. É sensato supor que estes filhos serão bem quistos e elogiados pelos demais. Os pais que por vê-los admirados e aplaudidos se sentissem por isso diminuídos ou humilhados, teriam por certo algum problema. Primeiro porque supõe-se que pais amem seus filhos, e o amor, o sabemos, não tem inveja ou busca os próprios interesses[1]; segundo, porque elogiar a um filho será, ponto passivo, elogiar quem o concebeu e educou. Daí as expressões: “fulano é bem criado” e “tal pai, tal filho”.

[Um pequeno registro. Foi dito: “aquele que se exaltar será humilhado e o que se humilhar será exaltado.” (Mt XXIII, 12)]

É de senso comum no protestantismo que não devemos cultuar os santos tampouco pedir sua intercessão. Muito bem. Primeiramente há que perguntar aos que pensam estar defendendo a honra e a glória de Deus com tal gesto se acaso sabem o que significa cultuar e se há mais de uma forma de fazê-lo. Será prudente desconfiar de quem, especialmente entre os pastores, nunca ouviu falar em culto de latria, dulia e hiperdulia. E aos que já conhecem os termos, mas têm má vontade em entendê-los, desconfiar em dobro. Me limitarei em dizer que o primeiro se refere à adoração, só destinado a Deus, os outros à veneração ou respeito e reverência, que aos homens é permitido, inclusive, pela Bíblia, como se viu no capítulo referente às imagens. Logo, resta saber que tipo de culto os católicos prestam aos santos. A resposta será o segundo. Um simples dicionário nos dá ciência de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, ou seja, de que a Deus se adora, venera e reverencia, enquanto que aos homens (quando merecem) apenas se venera e reverencia. Os católicos, por saber disto, seguem tranquilos em sua consciência há quase dois mil anos. Só não seguirá quem não souber distinguir entre gatos e lebres, terminando por dar ouvidos a quem não deveria.

A história da Igreja está repleta de exemplos documentados de cultos de dulia, ou seja, de veneração aos santos, suas relíquias (restos mortais) e objetos que a eles pertenceram, tudo por razões completamente razoáveis, uma vez que: “… Deus fazia milagres não vulgares por mão de Paulo; de tal modo que até sendo aplicados aos enfermos os lenços e aventais que tinham tocado no seu corpo, não só saiam deles as doenças, mas também os espíritos malignos se retiravam” (At XIX, 11s)[2]. E a quem quiser argumentar que “Paulo estava vivo”, então vale a pena lembrar que: “… logo que o cadáver tocou os ossos de Eliseu, o homem ressuscitou, e levantou-se sobre os seus pés” [2 Re XIII, 21] (ossos aqui – não custa nada esclarecer – referem-se não aos de um profeta Eliseu dotado de uma bela fratura exposta, mas aos de um profeta Eliseu morto; se preferir, restos mortais). Quanto à Mãe de Deus, que na ordem da Graça está acima dos santos e anjos, por dignidade e missão exercida nos planos da salvação, o culto será o de hiperdulia. Sobre ele se falará no próximo capítulo, dedicado a Ela.

Se as coisas são assim, o que estará então por trás do culto aos santos e de Nossa Senhora? Nada mais nada menos que a glória de Quem os criou. E os bons entendedores não tardarão a entender, pois se mostrará “onde está na Bíblia”:

Primeiro, aqui: “Sede meus imitadores, como eu também o sou de Cristo.” (1 Cor XI, 1)

Segundo, aqui: “O que aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim (Paulo), isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” (Fil IV, 9)

Terceiro, aqui: “Irmãos, sede meus imitadores, e olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos.” (Fil III, 17)

E quarto, aqui: “O que vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza, a mim despreza. E quem me despreza, despreza aquele que me enviou.” (Lc X, 16)

Pela ótica protestante é de supor que estas frases jamais devessem constar na Bíblia. Bem provável que Lutero também as quisesse tirar[3]. O fato é que elas, por si, são a prova de que os santos foram postos como “sal da terra” e “luz do mundo”, jus­tamente para que Deus pudesse ser glorificado em seus membros (cf. Mt V, 13-16). Ora, se não há membros santos que possam ser assim reconhecidos, não há uma Cabeça santa. Por isso o demônio se esforça tanto em fazer com que não se reconheça a santidade dos membros, porque sabe que estes pertencem a uma Cabeça. Mas se aqui se quiser novamente argumentar que tais santos são somente os vivos, então se pedirá que respondam: acaso os mortos em Cristo não estão vivos e junto a Ele no céu? Por que mencionaria então como modelos a “Abraão, Isaac e Jacó”, que nesse momento sequer estavam ainda no céu, uma vez que este não tinha sido aberto por Ele, mas que obviamente já não estavam pre­sentes há quase dois milênios[4]? Notemos por fim que o próprio Senhor designará os homens por um atributo que só a Deus se poderia designar, o de “santo”[5].

Vencendo a ignorância vencível

Quando cultuamos os santos, ou seja, prestamos-lhes homenagem (culto de dulia), não estamos fazendo outra coisa que ver/reconhecer as suas boas obras e glorificar a Deus que está nos céus (cf. Mt V, 16). Os santos existem, portanto, para serem provas vivas de que Deus existe e pode realizar milagres, pois sua própria vida não tem explicação do ponto de vista meramente humano. O que fazem, como vivem, a forma com que acreditam e, principalmente, o amor que têm a Deus e ao próximo, ao ponto de renunciar família, bens, poder, status, prosperidades, somente será possível através de uma explicação sobrenatural que justifique o cum­primento desta missão e a realização de atos muitas vezes heroicos, no verdadeiro sentido da palavra. Logo, uma vez que rendamos homenagens aos santos, que exaltemos aqueles que se humilharam, estaremos reconhecendo que tudo o que fizeram de bom veio do alto e a glória deve ser dada ao doador dos dons. Não será justo ou mesmo lógico achar que Deus (o Pai) possa sentir-se diminuído ou humilhado quando se reconhece nos homens e mulheres (os filhos) que O servem com mais perfeição as virtudes que só dEle poderiam proceder.

Mais.

Agindo assim estaremos cumprindo e fazendo cumprir a palavra divina que diz que todos os humilhados seriam exaltados (cabe aqui também notar que a Bíblia não se refere a uma exaltação a se realizar somente nos céus e/ou somente por Deus). Além disso, quando exaltamos a um santo, que não passa de criatura como nós mas san­tificada pelo Criador como poucos, estamos mostrando seu exemplo ao mundo para que o mundo o imite como ele imitou a Cristo, tal como ordenou S. Paulo aos Coríntios, aos Filipenses e a todos nós.

E mais.

Ao conhecer suas vidas, entendemos que também podemos almejá-las, pois vemos que foram homens e mulheres com defeitos e pecados às vezes maio­res que os nossos, e pensamos: se Deus pode santificar essa pessoa, por que não a mim? Passamos então a pedir com mais fé, esperança e vontade de que Ele nos transforme naquilo que sempre quis de nós: pessoas santas, perfeitas, imagem e semelhança Sua.

Por fim, por que pedir sua intercessão?

Para responder esse ponto há que lembrar primeiramente que todo protestante, por coe­rência, jamais deveria pedir intercessão aos irmãos, tampouco ao pastor. Se eles afirmam que não podemos pedir nada aos santos (que estão junto de Deus, por ora de maneira não corporal) por­que devemos ir a Deus diretamente, pois “há um só mediador…”, tampouco deveriam pedir algo a pessoa al­guma. Aqui voltamos a uma questão anterior[6]: se placa de igreja não salva, então não deveriam perder tempo pertencendo a uma; se podemos interpretar a Bíblia livremente, então não deveriam perder tempo ouvindo um intérprete como nós (o pastor) interpretando-a para nós; se temos o direito de ir diretamente a Deus, então pare­mos de ir aos homens, vivos ou mortos.

O que não se percebe é que tanto em relação aos que estão entre nós quanto aos que estão com Cristo na glória celeste não há problema algum em pedir sua intercessão[7]. Há seitas que não creem que ao morrer possamos ir diretamente ao céu. A estes, os espíritos dormem com o corpo na sepultura. Como, não o sabemos, pois o espírito além de não morrer não dorme jamais, simplesmente por não pos­suir matéria, corpo corruptível[8]. A maioria das seitas felizmente deste mal não sofre. Sofrerá, porém, de outro.

Como explicar que se possam pedir intercessões e orações aos vivos que ainda estão entre nós, e que por isso continuam pecando, às vezes mais e mais gravemente que nós mesmos, e não se possa pedir aos vivos que já contemplam a Deus “face a face” (cf. Mt XXII, 29-32; Ap V, 8; VIII, 3s)? Guardadas as devidas proporções, será o mesmo que querer que uma faxineira ou um office boy peçam algo ao Presidente da República, sendo que o poderíamos fazer à sua Secretária pessoal ou Chefe de gabinete, que com ele convivem “cara a cara” e com mais autoridade. O curioso é que os protestantes, ao mesmo tempo em que negam e criticam os santos sem nunca os ter lido ou conhecido, têm na conta de “homens santos” a notórios picaretas e usurpadores, pedindo suas orações e intercessão enquanto se desfazem do que têm (e não têm) para fazer o que a Bíblia proíbe: dar-lhes o dízimo pela pregação da palavra[9]. Vá se entender…

Por fim, querer justificar a não intercessão dos santos ou de Nossa Senhora utilizando Cristo como único mediador entre Deus e os homens também será ou falta de lógica ou heresia. A heresia estará com aqueles que negam a Cristo como Deus e a própria Santíssima Trindade, julgando haver três deuses. O erro de lógica ficará com os que creem em Deus Uno e Trino, mas não entendem que Cristo é o único mediador entre Deus Pai e os homens, o que não impede em absoluto que os santos – e especialmente Maria Santíssima – sejam interces­sores entre Deus Filho e os homens. Ao que sabemos, não “está na Bíblia” nada a respeito de Cristo dizer que ninguém iria a Ele (Verbo, Filho, Segunda Pessoa) senão por Ele…

Concluindo

Os católicos não adoram os santos ou a Virgem Maria, os respeitam e vene­ram porque assim estão dando glória ao Criador e Santificador, adquirindo mais disposição para imitar os melhores exemplos de imitação de Cristo que jamais existiram. Se os filhos não têm em casa bons modelos a imitar, provavelmente imitarão os maus modelos de fora. Por isso Deus inspirou os santos, para que quando os bons exemplos faltassem, houvesse uma luz ao fim do túnel, a luz da­queles que por receber a luz de Cristo puderam transmiti-la, como a lua a luz do Sol. Daí que somente a Santa Mãe Igreja poderá se orgulhar de ter entre seus filhos um S. Francisco de Assis ou um S. Antônio de Pádua, que entre inúmeros dons podiam conversar com os animais e ambos se entenderem, literalmente; um S. Francisco de Paula, que ressuscitou uma mesma pessoa duas vezes; um S. José de Cupertino, que só em ouvir os nomes de Jesus e Maria caía em êxtase, voando (também literalmente) ou levitando de onde estivesse até a Igreja mais próxima para adorar ao Santíssimo Sacramento; um S. Pio de Pietrelcina e um S. Cura D’Ars, que conheciam os pecados de seus confidentes antes mesmo de os confessar e sem nunca os ter visto, além de possuir o verdadeiro dom de línguas uma vez que falavam em sua língua (italiano e francês, respectivamente) e os interlocutores de outros países os escutavam em sua língua materna; uma S. Maria Goretti, que aos 11 anos preferiu a morte a ter de ceder a um estu­pro; uma S. Catarina de Sena, que sendo analfabeta ditou centenas de páginas de uma sabedoria divina, chegando a exortar a um Papa, que humildemente a atendeu em sua exortação[10]; ou ainda uma Tereza Newman, que durante 33 anos só se alimentou de água e de Eucaristia, o Pão do Céu, recebendo sobrenaturalmente, como S. Francisco de Assis, S. Pio de Pietrelcina e outros as marcas dos pregos de Cristo (os estigmas) nas mãos, nos pés, e no lado o corte da lança. Tudo isso sem falar nos verdadeiros milagres realizados pelas mãos, restos mortais e pertences destes homens e mulhe­res de Deus, que a Igreja os têm catalogado, estudado e apresentado ao mundo para quem quiser ver e comprovar, tendo em conta não se tratar de fraudes, coisa que facilmente poderia ser desmascarada, mas feitos concretos que geraram no decorrer desses quase dois mil anos a rendição e conversão de ateus, agnósticos, judeus, maçons, hindus, esotéricos, protestantes e muitos outros, o que até o presente momento em que escrevo estas linhas vem ocorrendo.

Por isso nos dirá um ilustre desconhecido:

Com amor infinito deste-nos os Santos, Deus amado, dos quais fi­gura em excelência a Santíssima Virgem. Luzeiros no firmamento sombrio de nossas vidas, deste-nos para que ao imitá-los pudéssemos imitar-Te. De não suportar nossa débil mácula a Tua luz solar, a refletiste ne­les, luzes lunares, subtraindo-nos da atroz escuridão. Vieste em nosso auxílio com um lampejo acessível; a nós, noturnos peregrinos em busca da eterna luz da felicidade.

 

Em tempo: a Igreja sempre utilizou de muito discernimento para elevar estas pessoas à honra dos altares. Antes bastava o reconhecimento da Tradição, que de per se já era criterioso; depois, sua vida passou a ser cuidadosamente examinada, exigindo-se para declará-los santos a comprovação científica de uma ou duas curas milagrosas autênticas, ocorridas por sua intercessão após a sua morte, entre outros pormenores de igual seriedade. Deus, por isso, para exaltar os que por Ele se humilharam, deixou duas grandes provas da santidade de tais pessoas: vários deles após séculos de sua partida tiveram seus corpos intactos, no todo ou em parte, sem utilização de produtos químicos (conservação artificial). Tudo pesquisado e estudado por cientistas não católicos e não cristãos, que até hoje não encontraram uma explicação natural para o fenômeno: são os “corpos incorruptos”; todos, intrigantemente, de pessoas católicas fervorosas (do que sou testemunha ocular). E, em um mundo onde personagens vêm e vão, passam e são esquecidos, os santos permanecem na memória de todos os povos como um verdadeiro sinal: o sinal de que Deus existe e opera milagres pelas mãos dos homens.


NOTAS

[1] Cf. 1 Cor XIII, 4-7.

[2] Exemplos impressionantes podemos ler nas “Atas dos mártires”, documento do século II deixado pelas testemunhas oculares de Cristo nos primeiros períodos da Igreja e de sua perseguição.

[3] Ver a este respeito o capítulo VI – O cânon.

[4] Cf. Mt XXII, 32; Mc XII, 26s; Lc XVI, 19-31; XX, 37s; Jo VIII, 30-39.

[5] Cf. Lc II, 29-32; Jo I, 5.9; III, 19; VIII, 12.

[6] Ver capítulo II – “Fora da Igreja não há salvação”.

[7] Mesmo às almas santas (já salvas) que se encontram no Purgatório (ver capítulo XIV). Sugiro ainda uma vez a quem deseje aprofundar o tema a leitura de O Manuscrito do Purgatório.

[8] Cf. Lc IX, 28-33; Fil I, 21-33; Ap VI, 9ss.

[9] Ver Capítulo IX – O Dízimo.

[10] No caso em questão, a exemplo de muitos outros, temos uma eloquente prova do “machismo” da Igreja, em sentido obviamente contrário. Nunca a mulher foi tão valorizada como quando a Igreja caminhava junto aos poderes civis. Nunca a mulher foi e é tão sublimada como pela instituição mais acusada de machismo em todo o mundo, alvo de revoltas das feministas modernas e de todos os tempos.

Um bispo fala: entrevista a Mons. Schneider pelo Pe. Javier Olivera Ravasi

Buenos Aires, 1º de Outubro de 2017

Tradução de Airton Vieira – Aproveitando a visita que Mons. Athanasius Schneider fez à Argentina, no marco do XX Encontro de Formação Católica organizado pelo Círculo de Formação San Bernardo de Claraval, tivemos a oportunidade de entrevistá-lo graças à generosidade de seus organizadores.

Queremos aproveitar também para agradecer de público, não só à Sra. Virginia Olivera de Gristelli e seu esposo, Jorge, como também aos jovens que, abnegada e sacrificadamente, organizaram um dos encontros católicos mais importantes de nosso país.

Quanto à entrevista, oferecemos aqui, o vídeo e a transcrição que, cremos, vale a pena dedicar um tempo para ouvi-la, a fim de,

Que no te la cuenten[1]

Rumo a um “Novissimus Ordo Missae”?

Por SÍ SÍ NO NO

Tradução de Airton Vieira

Na web “www.maurizioblondet.it” de 10 de setembro de 2017, leio que uma Comissão vaticana estaria preparando textos litúrgicos ad experimentum para a celebração de «missas ecumênicas».

Por exemplo, na Diocese de Turim, o grupo ecumenista «Spezzrare il pane» [Partir o pão, ndt], dirigido pelo senhor Fredo Oliviero, apoiado decididamente pelo bispo de Turim, mons. Cesare Nosiglia, começou a celebrar ecumenisticamente a missa junto aos valdenses, aos ortodoxos, aos anglicanos e aos luteranos.

Sobre Fés, Furacões e uma virgem Mãe

Por Airton Vieira

(tonvi68@gmail.com)

 

Senhor Jesus Cristo, Filho do Pai

manda agora teu Espírito Santo sobre a Terra.

Faz com que o Espírito Santo habite

no coração de todos os povos,

para que sejam preservados da corrupção

das calamidades e da guerra.

Que a Senhora de todos os Povos,

a Santíssima Virgem Maria,

seja nossa Advogada.

Amém.

(Invocação a Nossa Senhora de Todos os Povos)

 

Há uma semana minha irmã falou-me do Irma, solicitando-me orações. É que dias depois, pelas previsões meteorológicas, estaria literalmente no olho do furacão, com meus dois sobrinhos e mais meio mundo de gente. E não seria um furacão qualquer, mas o segundo de uma série de três, dos quais o primeiro já havia devastado outra área americana, distinta da de minha irmã, sendo menos potente que este segundo, que atingiria a categoria máxima dos furacões. E sua área, como dito, seria a escolhida para receber a visita do “olho”. Quem tivesse olhos certamente não veria nada. Ou nada mais. Ou os dois.

II- Demônios (Cornélio A. Lápide)

Por San Miguel Arcanjo

Tradução de Airton Vieira

Por que Deus salvou o homem e não o anjo?

Os santos Pais indicam cinco causas principais que fizeram com que o perdão fosse negado ao anjo e concedido ao homem.

A primeira é que o homem pecou por fragilidade da carne; enquanto que o anjo, não tendo corpo, não tinha esta fragilidade…

A segunda é que o anjo pecou sem ser tentado por ninguém; enquanto que o homem foi tentado e seduzido pelo demônio…

A terceira é que não caiu toda a raça dos anjos, mas só parte deles; enquanto que na pessoa de Adão toda a natureza humana caiu. A posteridade de Adão não era indigna do perdão, posto que não havia tomado parte em sua vontade no pecado do primeiro homem. Assim o sente Santo Agostinho…

A quarta é que o anjo, por causa de sua grande inteligência, pecou com plena vontade e malícia; enquanto que o homem, dotado de uma inteligência mais escassa, pecou por debilidade e obedecendo a um impulso estranho, mais que por uma vontade muito deliberada e por malícia…

A quinta é que o anjo foi criado no mais alto grau de honra que pudesse alcançar enquanto estava ainda no caminho do mérito, e devia ser confirmado em graça pela contemplação de seu Criador. O homem, pelo contrário, havia sido criado em uma ordem inferior. Colocado na terra, destinado a multiplicar sua raça antes de chegar a melhor vida, se encontrava mais apartado da bem-aventurança…

O demônio é homicida.

Vós sois filhos do diabo, disse Jesus Cristo aos escribas e fariseus, orgulhosos e criminosos, e assim quereis satisfazer os desejos de vosso pai: Ele foi homicida desde o princípio, e criado justo, não permaneceu na verdade (João VIII, 44).

Com sua rebelião, o demônio se deu a morte… Foi homicida do primeiro homem, e o é da raça humana… Até queria destruir a Deus, se tivesse podido, a fim de usurpar seu posto. E o que não pode fazer a Deus no céu, o fez na terra, fazendo que os judeus matassem a Jesus Cristo…

O demônio é o pai da morte; não engendrou jamais outra coisa mais que a morte. Não sabe fazer viver: como um ladrão hábil e feroz, não sabe mais que despojar, degolar e rir-se dos crimes que pode cometer…

O demônio é o pai de todos os crimes e de todas as heresias.

O que comete pecado, do diabo é filho, porque o diabo continua pecando desde o momento de sua caída, diz o apóstolo São João. O demônio é o príncipe do pecado, e o pai de todos os males, diz São Cirilo.

O demônio é o autor de todos os crimes, de todas as mentiras e de todos os erros: por isto é o pai dos hereges e das heresias. Sem ele jamais teria existido o pecado; e sem ele, por conseguinte, jamais teria havido misérias, enfermidades, morte e inferno; porque todas estas coisas terríveis são a pena do pecado… Nenhum ser é tão culpável, criminoso, depravado e infame como o é Satanás…

Por que compara Jesus Cristo o demônio ao relâmpago e ao raio?

Eu vi, diz Jesus Cristo a seus apóstolos, Satanás cair do céu como um relâmpago (Luc X, 18).

Lúcifer é comparado ao relâmpago e ao raio: 1° por causa de sua agilidade…; 2° por causa de seu poder para danar…; 3° porque chega logo, mas passa e desaparece da mesma maneira, se não se o escuta…; 4° porque aparece algumas vezes sob uma forma brilhante e pura: ainda que rejeitado, e desprezado e maldito, se transforma em anjo de luz…

Por que é chamado leão o demônio?

Sede sóbrios e velai continuamente, diz o apóstolo São Pedro; porque o diabo, vosso inimigo, anda girando ao vosso redor como um leão que ruge em busca de quem devorar (1 V, 8).

Satanás é chamado leão; porque, 1° como o leão, vela… 2° É cruel como o leão… 3° Ruge como o leão… 4° O leão que se lança sobre sua presa, obedece à ira, à raiva, à fome; e o mesmo sucede com o demônio: o leão despreza e pisoteia as sobras de sua presa; o demônio despreza e pisoteia aos que perverte e mata… 5° O leão se oculta para surpreender a sua presa; o demônio também… 6° O leão se enfurece; Satanás também… 7° O leão cheira mal; o demônio espalha por todas as partes o mal odor das paixões e do pecado… 8° O leão e o demônio desejam poder devorar… 9° O leão e o diabo rondam buscando sua presa…10° O leão ataca sobretudo aos animais de grande tamanho e poderosos, despreza aos pequenos e aos débeis, não come mais que o que pega vivo; o demônio faz do justo sua vítima privilegiada, ataca sobretudo as almas mais piedosas, mais santas, mais elevadas em virtude e mais heroicas; despreza os corações covardes e carnais… 11°. O leão e o demônio se lançam com mais furor sobre o homem quando se veem feridos…

“Tesouros de Cornélio Á Lápide”


Fonte: http://adelantelafe.com/demônios-conerlio-lapide-ii/

Demônios (Cornelio A. Lapide)

Por San Miguel Arcanjo

Tradução de Airton Vieira

EXISTEM DEMÔNIOS?

Não há dúvida que existem espíritos malfeitores que se chamam demônios, pois a Sagrada Escritura assim nos atesta e todas as nações unanimemente o reconhecem.

As nações pagãs têm crido na existência de certos gênios, uns bons e outros maus; deduzindo disto que era preciso ganhar o afeto dos bons com respeitos, oferendas e orações, e apaziguar a cólera e a malignidade dos maus. Daí nasceram a idolatria, o politeísmo, as práticas supersticiosas, a magia, adivinhação, etc. Esta crença tem sido também a dos filósofos pagãos…

II- O matrimônio natural e o matrimônio sacramento

Por Padre Lucas Prados

Traduzido por Airton Vieira

 

Dizíamos no artigo anterior, que o matrimônio não foi instituído pelos homens, mas por Deus (Gen 1 e 2; DS 3700)O matrimônio, como instituição natural, é de origem divina. Deus criou aos homens macho e fêmea (Gen 1:27) e depositou na mesma natureza humana o instinto de procriação. Deus abençoou o primeiro casal humano e lhes disse que se multiplicassem: “Procriai e multiplica-vos, e enchei a terra” (Gen 1:28).

I- O Matrimônio na história do homem

Por Padre Lucas Prados

Traduzido por Airton Vieira

O matrimônio cristão é aquele sacramento pelo qual duas pessoas de distinto sexo, hábeis para casar-se, se unem em mútuo consentimento em indissolúvel comunidade de vida com o fim de engendrar e educar a prole, e recebem graça para cumprir os deveres especiais de seu estado.

No presente capítulo, dedicado ao sacramento do matrimônio, tentaremos fazer uma exposição clara e resumida de tudo aquilo que um cristão bem formado deveria saber a respeito. Falaremos pois de:

  • O matrimônio na história do homem.
  • O matrimônio civil e o matrimônio como sacramento.
  • Matéria, forma, ministro, sujeito e efeitos do matrimônio.
  • Propriedades do matrimônio.
  • Os fins do matrimônio: primário e secundário.
  • Condições para a validez e licitude do matrimônio.
  • O matrimônio temporário e o matrimônio consumado.
  • Matrimônios mistos e disparidade de culto.
  • Divórcio e nulidade matrimonial.
  • É possível falar de Matrimônio entre pessoas do mesmo sexo?

Como podem ver, o tema é amplíssimo, de forma que tentaremos simplificar ao máximo mantendo em todo tempo a claridade dos conceitos e da exposição.


1.- “O homem … se unirá a sua mulher, e serão os dois uma só carne”

1.1 O mandato de Deus expresso no Gênesis

O matrimônio foi instituído por Deus como último ato criador ao formar Eva de Adão. Uma vez criado o homem disse Deus:

Não é bom que o homem esteja só, vou fazer-lhe uma ajuda semelhante a ele… Apresentou então Deus ao homem todos os gados, as aves do céu, e todos os animais do campo, aos que Adão impôs nome; mas em nenhum encontrou uma ajuda adequada para ele… e Deus fez cair um profundo sono sobre o homem. Retirou uma costela enchendo o vazio com carne, formou uma mulher e a levou ante o homem, que exclamou: Esta sim que é osso de meus ossos e carne de minha carne, será chamada varoa pois do varão há sido tomada. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e serão uma só carne (Gen 2: 18-24).

O Criador fez o homem e a mulher um para o outro de tal maneira que sua união fosse indissolúvel. Serão uma só carne. Ademais o autor sagrado não se contenta somente com elogiar a união matrimonial, como também recalca a unidade monogâmica frente aos muitos abusos. Deus bendiz ao casal e lhes dá domínio sobre a criação:

“E criou Deus o homem a imagem de Deus; os criou macho e fêmea e os abençoou Deus e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai os peixes do mar e as aves do céu e todo animal que anda sobre a terra” (Gen 1: 27-28).

O mandato de crescei e multiplicai se cumprirá inexoravelmente; sendo desde esse momento a procriação, o fim primário do matrimônio (Gen 3:20; 1:28). O pecado original ocasionou a perda do estado de inocência inicial; em adiante, o sofrimento, a concupiscência, as tentações passionais, tratarão de dominar ao homem (Gen 3:16)

1.2 Desde o Pecado Original até o Nascimento de Cristo

Em muitos povos dominou, durante séculos, o costume patriarcal de que os pais determinassem o contraente sem perguntar aos filhos, tendo um papel decisivo os interesses econômicos, dinásticos ou políticos. Por isso, se dava por suposto que a mútua e profunda inclinação entre os sexos conduzia de imediato à simpatia e ao afeto. Não raro se viam os noivos pela primeira vez no dia da boda. Então se dizia: “porque tu és minha esposa, te quero”; hoje, em troca, se diz: “porque te quero, serás tu minha esposa”.

Naturalmente, o contrato matrimonial da época patriarcal somente podia considerar-se moralmente correto quando os contraentes davam seu assentimento à decisão paterna, sem temor e sem coação, e quando podia dar-se por seguro que haveria de despertar-se o amor mútuo. A Igreja tem considerado válidos os Matrimônios celebrados segundo costume em tempo do patriarcalismo, enquanto tem declarado inválidos os Matrimônios celebrados sob coação.

O matrimônio aparece como um convênio ou assunto privado entre as partes interessadas. O noivo (ou o pai do noivo, ou a mãe ou ambos) por um lado, e os pais da esposa (ou o pai, ou a mãe ou ambos) por outro, arranjavam a boda. Deus era a testemunha e o protetor deste acordo (cfr. Tob 8:7; 10:15; Gen 1:28; 2:18; Mal 2:17).

Do forte acento posto no fim primário do matrimônio, a procriação, derivam em Israel a justificação da poligamia (1 Re 11:1 ss.), do levirato (Gen 38:6 ss.), e de outros costumes, enquanto que a falta de filhos era tida por um castigo de Deus e uma maldição (Gen 30:1; 1 Sam 1:6 ss.; Jer 18:21).

Na Antiguidade era frequente ter duas esposas (concubina ou escrava); e assim o Código de Hamurabi autorizava ao esposo de mulher estéril tomar a sua escrava. Algo parecido encontramos nos patriarcas: Sara, ao sentir-se estéril, ofereceu sua escrava Agar a Abraão (Gen 21:14). Jacó tomou por esposas as duas irmãs filhas de Labão: Lia e Raquel (Gen 26:34 ss.; 28:65). Esaú se casa com três mulheres (Gen 26:34; 28:65).

Em tempos de Salomão o interesse político influiu nas bodas e o mesmo monarca contraiu múltiplas núpcias com mulheres estrangeiras para afiançar alianças (1 Re 11:1 ss.). Com alguma antecipação se arranjava a boda com todos seus detalhes, especialmente o preço; mas longe do que se pode pensar, a aquisição da esposa não era um contrato de compra e venda, porque o marido não podia dispor de sua mulher como de um objeto adquirido por compra ou como se fazia com a escrava. O preço era antes uma espécie de compensação pelos danos e prejuízos feitos a sua pessoa ou a seus bens. O matrimônio se contraía já na mocidade, em geral aos 18 anos (Eclo 7:23; 2 Re 8:16 ss.). Uma vez pagado o preço, a esposa passava a ser propriedade sua; era seu possuidor e ela sua pertença (Dt 22:22). Quando entrava a seu novo lar sob o poder conjugal do esposo, a mulher estava casada (Gen 24:65; Ez 16:18). Se celebrava uma festa que costumava durar até sete dias (Tob 11:21; Gen 29:27; Rut 3:9). O fato de passar a mulher ao poder do marido podia simbolicamente expressar-se estendendo a orla do vestido sobre ela.

Essa difusão da poligamia não impede que a monogamia seja vista como ideal matrimonial e a Sagrada Escritura põe exemplos recomendáveis como o de José, filho de Jacó e Raquel (Gen 30:22), que pela inveja de seus irmãos foi vendido como escravo a uns mercadores ismaelitas no deserto e levado ao Egito (Gen 37: 25 ss.). Ali permaneceu fiel à lei do Senhor, e por não querer consentir em adultério com a esposa de seu amo Putifar, mordomo do faraó, mereceu a prisão (Gen 39:7). O Sumo Sacerdote não podia ter mais que uma só esposa.

No Salmo 127:3 a poligamia se dá por desterrada“Tua esposa será como uma vide fecunda no interior de tua casa” e no livro dos Provérbios se recalca a exclusividade do amor matrimonial: “Seja tua fonte bendita, sacia-te na mulher de tua mocidade, cerva amável, graciosa gazela. Tenha ela sua conservação contigo. Seu amor te apaixone para sempre” (5:16 ss.). E de modo ainda mais claro se vê no Cântico dos Cânticos.

É indubitável que a partir do Exílio (s. VI a. C), a monogamia renasce no Povo de Deus. O livro de Tobias é um claro exemplo da alta concepção do matrimônio no povo hebreu:

“Tu fizeste Adão e lhe deste por ajuda e auxílio Eva, sua mulher; deles nasceu todo a linhagem humana, Tu disseste: Não é bom que o homem esteja só; façamos-lhe uma ajuda semelhante a ele. Agora, pois, Senhor, não levado da paixão sexual, mas do amor de tua lei, recebo a esta semelhante a mim por mulher. Tem misericórdia de mim e dela e concede-nos longa vida” (8, 5-8).

O matrimônio por levirato existiu sempre no Oriente e se funda em um princípio de direito hereditário, que estabelece que a viúva deve passar sempre à família do marido. Segundo o Antigo Testamento a viúva de um homem que morria sem filhos devia casar-se com seu cunhado a fim de conseguir descendência para o defunto (cfr. Gen 38:8; Dt 25: 5-10). O costume do matrimônio por levirato existia ainda nos tempos de Jesus Cristo (Mt 22:24).

Nos textos do Gênesis o matrimônio aparece claramente descrito como uno e indissolúvel. A legislação mosaica não instituiu o divórcio, mas o tolerou. O divórcio não é uma lei, mas uma exceção tolerada. Assim o Deuteronômio autoriza ao marido que descobre “algo escandaloso” em sua esposa a escrever uma carta de repúdio, que entrega à mulher, enviando-a a casa de seus pais (Dt 24: 1-5). Segundo a maior parte dos autores, esse texto jurídico não é uma concessão de divórcio, mas antes uma limitação: isto é, opinam que em épocas anteriores, os esposos repudiavam sem mais a suas esposas; o Deuteronômio limita esse direito exigindo que exista uma causa. Ainda que em princípio o divórcio podia dar-se só por iniciativa do marido, posteriormente, em tempos do exílio babilônico, se admitiu também por parte da mulher.

1.3 A restauração do matrimônio original realizada por Jesus Cristo

Há que mencionar em primeiro lugar aqueles textos nos que Cristo restitui o matrimônio a sua primitiva perfeição pondo de relevo que a tolerância do repúdio foi por motivo da dureza do coração do povo judeu e, portanto, alheia ao espírito da lei (cfr. Mt 5:32; 19:4 ss.; Mc 10: 2-12; Lc 16:18).

Recordemos também que Jesus participa em um banquete de bodas como convidado especial e ali realiza seu primeiro milagre (Jo 2:1 ss.) convertendo a água em vinho. A tradição tem visto nesse fato uma consagração por parte de Cristo do valor das núpcias, e portanto uma como proclamação de seu carácter sacramental no cristão.

Com o anúncio evangélico aparece um novo ideal: haverá homens e mulheres que por amor ao Reino dos Céus renunciarão voluntariamente ao Matrimônio (Mt 19:11); são a virgindade cristã e o celibato. Mas isso não supõe um desprezo do matrimônio. Na nova economia, o cristão pode seguir dois caminhos até a Segunda vinda do Filho de Deus: o estado matrimonial e o celibato. Na vida futura o matrimônio será abolido pois “nem os homens tomarão mulheres nem as mulheres tomarão marido, mas que serão como os anjos no céu” (Mt 22:29).

O Novo Testamento elevou o estado matrimonial; já não é somente um pacto ou acordo entre os contraentes, onde o esposo deve pagar um preço; o matrimônio, proclama São Paulo, é um sacramento (Ef 5: 22-23).

São Paulo resolve também as polêmicas suscitadas entre os novos cristãos das comunidades gregas de Corinto. O desconhecimento da doutrina inclinava aos novos fiéis a doutrinas aberrantes: “tudo me é lícito”, diziam uns (1 Cor 6:9 ss.) desconhecendo a santidade do corpo e a ressurreição, legitimando assim a anarquia sexual; “é bom não tocar mulher”, diziam outros, suspendendo a ordem criacional. A doutrina do Apóstolo aclara as questões colocadas: pode e deve contrair Matrimônio aquele a quem Deus dá esse dom, mas de modo absoluto é melhor a virgindade. O que se casa não peca, ainda que para dedicar-se às coisas do Senhor é melhor estar célibe, pois o que se casa tem que estar preocupado pelas coisas do mundo e como agradar a sua mulher; em troca o que se mantém célibe pode dedicar-se com liberdade às coisas do Senhor (cfr. 1 Cor 7: 1-11; 1 Tim 4:3 e 5: 8-15).

Mencionemos finalmente outros textos neotestamentários nos que se faz referência a questões práticas ou aos deveres matrimoniais e familiares: Heb 13:4; Ef 6: 1-9; Col 3: 18-22; 1 Tes 5: 8-15; 6: 1-2; Tit 2: 1-10; 1 Pe 3: 1-7.

2.- Teologia bíblica sobre unidade e indissolubilidade ou matrimônio

Seria equivocada uma apresentação da doutrina bíblica do matrimônio que não tivesse em conta o dinamismo da história da salvação e o aprofundamento progressivo do povo de Israel na verdade revelada.

2.1 Os relatos do Gênesis

Há dois relatos no Gênesis sobre a criação do homem e mulher e sobre a formação do casal humano. O ver seu conteúdo e diferenças é fundamental para a devida compreensão da doutrina e moral do matrimônio.

relato de Gen 2: 18-25 é o mais Antigo dos dois; seu conteúdo fundamental se pode expressar nas seguintes afirmações:

  1. Solidão do primeiro homem“não é bom que o homem esteja só”. A este respeito já sabemos que na Igreja há duas formas de sair dessa solidão: o matrimônio e a virgindade;
  2. Igualdade fundamental de homem e mulher: se refere à igual dignidade pessoal de ambos quanto a sua natureza e destino sobrenatural (Gen 2: 22-23);
  3. Poderoso e misterioso atrativo entre homem e mulher: esta reflexão do Gen 2: 21-24 tem um interesse extraordinário para a doutrina matrimonial, sobretudo na perspectiva de sua unidade e indissolubilidade, tal como as interpreta Cristo mesmo: “não haveis lido que o Criador desde o princípio os fez varão e mulher (no singular) e que lhes disse: por isto o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e serão os dois uma só carne?”(Mt 19: 4-5);
  4. União total e íntima: se trata, em efeito, de uma união mais íntima e prevalente que a de pais e filhos, uma união de características fundamentalmente distintas, já que se trata de uma união que também é de ordem física, corporal, conjugal; sem descuidar a espiritual, psicológica, cultural, moral, pessoal. Tudo isto e mais está compreendido, ou ao menos sugerido, no termo hebreu dabaq: aglutinar, aderir-se, unir-se intimamente homem e mulher. A expressão bíblica uma carne, expressão clara e misteriosa ao mesmo tempo, parece sugerir em um primeiro plano a união conjugal mediante o ato carnal; mas tem também, como temos dito, um sentido mais pleno e total: desde o físico até o espiritual, e vice-versa. A Bíblia se move na perspectiva integral, humana e salvífica;
  5. Exclusão da poligamia e do divórcio: é a consequência que se desprende obviamente da afirmação anterior, na que o texto bíblico expôs o plano divino primitivo: se são uma mesma carne, estará claro que é ilícito dividir e separar ao homem e sua mulher: “o que Deus uniu, o homem não o separe” dirá Cristo (Mt 19:6). O Concílio Vaticano II afirma que “esta íntima união dos esposos, exige plena fidelidade dos esposos entre si e urge a indissolubilidade do matrimônio”[1].

O pecado original produzirá a princípio uma brecha nesta unidade e indissolubilidade, tal como vemos no capítulo 3 do Gênesis; brecha que acabará em ruptura no seguinte capítulo.

A segunda narração do plano de Deus acerca do homem e da mulher a encontramos em Gen 1: 26-28 e nos apresenta as características da instituição matrimonial estabelecidas por Deus:

  1. homem e mulher são imagem de Deus(1:26);
  2. sexo é bompor ser criação de Deus (1:27);
  3. fecundidade é fruto da benção de Deus(1:28).

Apresentando agora sinteticamente o resultado unitário dos elementos matrimoniais de ambas narrações bíblicas, diremos que o matrimônio segundo o plano de Deus aparece como:

  1. uma comunidade de amor entre homem e mulher(Gen 2);
  2. uma instituição (Gen 1) que provém de Deus, com as leis fundamentais de unidade e indissolubilidade;
  3. orientada para a procriação e educação dos filhos.

2.2 A época dos profetas

A restauração do matrimônio na história da salvação terá na pedagogia divina duas grandes coordenadas: os filhos e o amor; que são os dois valores fundamentais do matrimônio.

Sendo o pecado a corrupção do amor verdadeiro, os profetas quererão pôr remédio a este mal fundamental fazendo uma verdadeira teologia do amor. Eles exaltam e dignificam o amor matrimonial valendo-se do símbolo do amor de Deus a seu povo elegido. Oséias é o primeiro em utilizar este simbolismo (Os 1-3). A literatura profética apresenta indubitavelmente as páginas mais belas, luminosas e profundas do Antigo Testamento, seja pela concepção pura do monoteísmo como pela forma comovedora da descrição do amor de Deus aos homens. No primeiro plano de não poucos textos proféticos (Jer 2:2; 3:1-13; Is 54: 4-8; 62:4 e ss.; Ez caps. 16 e 23) aparece a Aliança de Deus com seu povo, recorrendo sempre como riqueza de imagem ao símbolo matrimonial. Esses profetas falam em primeiro lugar do amor gratuito de Deus a seu povo, e dos adultérios com que este responde ao amor de Deus. Nos profetas se encontram ensinamentos esplêndidos para a vida e santificação dos esposos. Esta leitura profética obteve efeitos benéficos na ordem doutrinal do matrimônio, fazendo-o progredir para formas mais puras e mais em conformidade com o plano de Deus.

2.3 Período pós-exílico (desde 538 a.C.)

O período pós-exílico assinala uma recuperação moral e espiritual muito grandes, sendo bastante clara a tendência à monogamia, ao menos como ideal do matrimônio. O adultério era severamente castigado com a pena de morte para ambos cônjuges na legislação mosaica (Lev 20:10). Quanto ao repúdio unilateral à mulher por parte do varão (praticado por todos os povos em torno a Israel) tinha uma cláusula limitadamente permissiva no livro do Deuteronômio (24:1). As famílias judias representadas no livro de Tobias eram monogâmicas (Tob 1: 6,8). E os livros sapienciais exortam aos homens a buscar a alegria matrimonial na mulher única da juventude sem pretender outras (Prov 5,18). O Profeta Malaquias se levantou com uma mensagem clara contra o libelo de repúdio dizendo por parte de Deus: “Eu detesto o libelo de repúdio, diz Yahweh, Deus de Israel” (Mal 2: 14-16).

Ao dizer que a pedagogia divina do matrimônio no Antigo Testamento foi de uma educação progressiva, ainda não dissemos o principal. Jesus dirá que Moisés havia permitido o divórcio pela dureza de coração (Mt 19,8). São Paulo dirá que a antiga economia obedecia a certa permissão da paciência divina (Rom 1-3), como se se tratasse de menor idade espiritual da humanidade até chegar à maturidade e plenitude de graça em Cristo.

2.4 Na época neotestamentária

Os Evangelhos transferem a Cristo o título de Esposo atribuído pelos profetas a Yahweh no Antigo Testamento. A doutrina do Reino de Deus, núcleo dos Evangelhos sinóticos, se articula sobre o tema da alegoria matrimonial: “O Reino dos céus é semelhante, a um banquete de bodas que o Rei preparou para seu Filho” (Mt 22: 1-14).

Um dos pontos mais significativos da mensagem de Jesus Cristo é seu ensinamento relativo à indissolubilidade do matrimônio (Mc 10: 2-12; Lc 16:18; Mt 19; 1 Cor 7). Tanto o Evangelho de São Lucas como o de São Marcos, nos textos citados anteriormente, nos transmitem a doutrina pela que Cristo define como adultério o repúdio da mulher e sua posterior união com outra: “quem repudia a sua mulher e se casa com outra, comete adultério; e quem se casa com a repudiada comete também adultério”.

Qual é o conteúdo de Mc 10: 2-12, que é a perícope mais importante?:

  • que o libelo de repúdio obedecia a uma concessão precária pela dureza de coração;
  • “que no princípio não foi assim, mas que varão e mulher os fez Deus”;
  • que constituem entre si uma união mais íntima e inseparável que a que se tem com o pai e a mãe: “por isso deixará seu pai e sua mãe e serão os dois uma só carne”;
  • Cristo insiste nesta mesma união íntima como argumento de indissolubilidade: “assim, pois, já não são dois senão uma só carne”;
  • que essa união a realiza o mesmo Deus: “o que Deus uniu, o homem não o separe”;
  • que o homem não tem poder para separar o que Deus uniu;
  • o versículo 10 nos fala da surpresa dos discípulos que uma vez em casa, interrogam a Cristo; o qual demonstra ter compreendido o alcance e a novidade desta mensagem;
  • mas Jesus insiste: “quem repudie a sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra aquela”;
  • “e se ela repudia a seu marido e se casa com outro, comete também adultério”.

Como explicar então o inciso que aparece nos relatos de São Mateus (19:9 e 5:32) que parecem uma exceção à indissolubilidade do matrimônio?

 “Mas eu vos digo que quem repudia a sua mulher — exceto o caso de fornicação — a expõe ao adultério, e o que se casa com a repudiada, comete adultério” (Mt 5:32).

“E eu digo que quem repudia a sua mulher (salvo caso de fornicação) e se casa com outra, adultera” (Mt 19:9).

Sem entrar no detalhe das mesmas, façamos algumas considerações gerais: A primeira tomada do contexto do próprio São Mateus, que é claramente em favor da indissolubilidade:

“Não haveis lido que o Criador, desde o princípio, os fez varão e mulher e que disse: por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e serão os dois uma só carne? De maneira que já não são dois mas uma só carne. Pois bem, o que Deus uniu, não o separe o homem”. Dizem-lhe: então por que Moisés permitiu dar ata de divórcio e repudiá-la? Respondeu-lhes Jesus: por vossa dureza de coração os permitiu repudiar a vossas mulheres, mas no princípio não foi assim” (Mt 19:4-8).

Como se vê, este contexto e este ensinamento de São Mateus não é distinto do dos outros sinóticos, mas favorável à indissolubilidade e contrário ao divórcio.

A esta primeira consideração se acrescenta que os versículos 19:9 e 5:32, que poderiam parecer insinuar que há lugar a exceções no tema de indissolubilidade, seriam, segundo exegetas bem conhecidos como Bonsirven, Spadafora, Vaccari e Spicq, uma interpretação incorreta do original. [2]Realmente o texto original não diria nisi ob fornicationem (exceto em caso de adultério),  mas exceto no caso de concubinato. A palavra grega porneia, que aparece neste versículo, e que corresponde ao rabínico zenut (Matrimônio inválido, não verdadeiro, concubinato) indicaria o caso da união na que não existiu vínculo matrimonial.[3]

Expostas estes ensinamentos do Evangelho sobre o matrimônio, ainda temos de destacar dois aspectos mais, tomados de São Paulo: o primeiro se refere à consideração do matrimônio como dom e carisma de Deus (cfr. 1 Cor 7: 1-17). Por outro lado, o mesmo São Paulo situa todo o tema do matrimônio cristão na perspectiva do mistério da salvação: “Grande mistério (sacramento) é este, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja” (cfr. Ef 5: 22-32).


NOTAS:

[1] Vaticano II, Constituição Gaudium et spes, 48.

[2] Cristo afirma a indissolubilidade do matrimônio. O inciso aparentemente exceptivo do versículo 32, que só consigna São Mateus, do que se deduz que responde à situação peculiar da Igreja mateana, composta de cristãos vindos do judaísmo e da gentilidade, se refere a Matrimônios nulos por haver sido contraídos em graus de parentesco proibidos pela lei (cf. Lev 18) e que os judeus haviam permitido a seus prosélitos. É o significado de porneia na literatura rabínica. Cf. também Mt 19:9.

[3] Cf. J. Bonsirven, Le divorce dans le Nouveau Testament, París, 1948, 422 ss.


Fonte: https://adelantelafe.com/Matrimônio-la-história-del-homem/

 

O que diz o cardeal Sarah sobre a família seria delito em vários países

A retórica dos críticos de Sarah revela que os católicos liberais se converteram em nacionalistas eclesiais.

 


Tradução de Airton Vieira

Um grupo de críticos “pede a cabeça de Sarah na bandeja” em várias revistas católicas liberais e inclusive clamam a que o cardeal seja substituído, aponta o autor Matthew Schmitz em um artigo em Catholic Herald no que aporta citações de National Catholic Reporter, The Tablet e de Commonweal.

“Sarah no foi sempre tratado como o homem mais perigoso da cristandade. Quando em 2014 o Papa Francisco o nomeou prefeito da Congregação para o Culto Divino, foi bem recebido incluso pelos que hoje lhe criticam”.

O prefeito era visto como um homem do Vaticano II, um africano favorável à inculturação, um clérigo não ambicioso, cálido e modesto.

Bento XVI: a Igreja tem urgente necessidade de pastores que resistam ao espírito da época

Para o Papa emérito, a Igreja se encontra em uma necessidade particularmente urgente de pastores convincentes que possam resistir à ditadura do espírito da época. E destaca que o cardeal entendeu que «o Senhor não abandona a sua Igreja, incluso quando o barco há assumido tanta água que está a ponto de tombar-se».

(Fidem in Terra/InfoCatólica)

Tradução de Airton Vieira

O funeral de Joachim Cardeal Meisner ocorreu esta manhã, sábado 15 de julho, na magnífica catedral de Colônia. Uma mensagem do Papa Francisco foi lida pelo Arcebispo Nikola Eterović, Núncio Apostólico na Alemanha. Para surpresa dos presentes, o Arcebispo Georg Gänswein, Prefeito da Prefeitura da Casa Pontifícia e Secretário Pessoal de Bento XVI, leu uma mensagem do Papa Emérito.

A seguir nossa tradução da bela mensagem de Bento XVI no Funeral de seu amigo próximo o Cardeal Meisner:

Capítulo II – “PLACA DE IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM!” [“Fora da Igreja não há salvação”]

“Com toda a probabilidade, o melhor do protestantismo somente sobrevi­verá no catolicismo.”

(Chesterton)

 

A questão anterior, a da unidade da Igreja, nos coloca outra não menos importante para quem se preocupa de fato com a sua salvação, e não somente com a sua.

A máxima titular é comum ouvir-se na boca dos que se habituaram a pro­testar: “Placa de igreja não salva ninguém”. Isso, desconfio, parece pertencer a quem desconfia de que no fundo esteja em uma canoa furada, ainda que leve o escafândrico[1] nome de “Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água”. Também nos faz lembrar uma personagem comum em tempos de paganismo generalizado, que se auto delatou ao deixar que um rei dividisse uma criança ao meio por saber não ser a sua[2] (cf. 1 Re III, 16-28).

Do porquê de só três mistérios no Santo Rosário e não quatro

Artigo escrito por San Miguel Arcángel, Traduzido por Aiton Vieira.

Nota do Escritor: Muitas vezes nos preguntaram por que NÃO rezamos os mistérios de Luz (luminosos). Existem muitas razões e a vamos ir publicando por partes, pois procedem de diferentes fontes. O argumento mais forte é que o Santo Rosário tem caráter TRINITÁRIO. Assim sempre o entendeu a Santa Igreja Católica, e os maiores autores Marianos. Se agregamos um Mistério a mais se destrói sua significação TRINITÁRIA. Para maior aprofundamento e para os que queiram refutar os argumentos que não são nossos, lhes comentamos que até a forma de recitar o Pai Nosso foi mudado depois do CVII e muitos não o sabem. Pois a Igreja sempre rezou: “…e perdoai-nos as nossas DÍVIDAS, assim como nós perdoamos aos nossos DEVEDORES.” e não como se reza agora, mudando DÍVIDAS POR OFENSAS que não é o mesmo. Sem contar que na Missa Tradicional SÓ O SACERDOTE REZA O PAI NOSSO.

Fragmento “do Segredo admirável do Santíssimo Rosário” de São Luís Maria Grignion de Montfort.

O saltério ou rosário da Santíssima Virgem se compõe de três terços de cinco dezenas cada um, com o fim: 1.°, de honrar às três pessoas da Santíssima Trindade; 2.°, de honrar a vida, morte e glória de Jesus Cristo; 3.°, de imitar a Igreja triunfante, ajudar a peregrinante e aliviar a padecente; 4.°, de imitar as três partes do saltério, a primeira das quais mira a via purgativa; a segunda, a via iluminativa; a terceira, a via unitiva; 5.°, de enchermos de graça durante a vida, de paz na hora da morte e de glória na eternidade.


Fonte: http://adelantelafe.com/979553-2/

 

Capítulo I – “QUE SEJAM UM”… não dois, vinte, TRINTA E OITO MIL… [A unidade cristã]

Capa do Livro de Airton Vieira, publicado semanalmente. Por Adolfo José.

“Quase existem tantas seitas e crenças quanto existem cabeças… esta não aceita o Batismo; esta rejeita o Sacramento do altar… umas ensinam que Jesus Cristo não é Deus. Não há um indivíduo, por mais imbecil que seja, que não proclame ser inspirado pelo Espírito Santo e não proclame como profecias seus devaneios e sonhos”[1]

A citação acima poderia dar ao presente trabalho a característica de tendencioso, não fosse um pequeno detalhe: as palavras terem saído da pena de Martinho Lutero (1483-1546), o “pai” do protestantismo.

Direto ao assunto

Este pode ser considerado certamente um dos pontos centrais ao se falar em uma “Igreja de Cristo”: a unidade. Há um só Deus em três pessoas, um só Jesus Cristo, logo somente poderia haver uma única Igreja. Cristo disse que todo reino dividido contra si não é obra sua, tendo como conse­quência a autodestruição (cf. Lc XI, 17ss). Na história humana podemos verifi­car esta lei perfeitamente aplicável a todo e qualquer agrupamento: reinos, im­périos, partidos políticos, famílias, equipes de futebol e quadrilhas de traficantes.

500 anos de Reforma: um brinde! (?)- Introdução

INTRODUÇÃO

O trabalho em pauta, publicado em 2016 inicialmente sob o título de Evangélico, graças a Deus!(?), em uma pequena tiragem de 300 exemplares (já esgotada), foi realizado no intuito de dar meu “óbolo da viúva” a um tema que este ano adquire todo um significado, porque todo um programa contra a Igreja de Cristo. Consciente de minha estatura, não pretendi nem pretendo, nesta versão digital, se sobrepor às vozes mais credenciadas que antes, durante e depois de mim se pronunciam sobre o tema, mas tão somente ecoá-las e mesmo difundi-las para que a ignorância vencível possa, aos de boa vontade, ser de uma vez superada, pois disso dependerá a salvação de muitos e mesmo a boa ordem social humana.

Entretanto, o fato de se escolher uma forma de abordagem mais informal e direta para tratar do assunto, o que aqui é o caso, não dispensará o raciocínio lógico e o bom senso, ao contrário, serão eles fundamentais para a compreensão das questões propostas ao longo da leitura. No ensejo, alerto que a ironia será parte integrante do trabalho, mas como figura de linguagem, não gratuita, pois que será utilizada para combater ideias, pensamentos, doutrinas e práticas, não pessoas, ainda que algumas sejam citadas. Ao contrário do vulgo pensamento moderno, tão antigo quanto o homem, a melhor maneira de res­peitarmos alguém é não respeitar os seus erros uma vez que se manter no erro é reduzir ou mesmo abolir a dignidade de filhos de Deus, preferindo a lavagem dos porcos ao banquete oferecido pelo Pai celestial. De onde vem o propósito desta obra: não se respeitar os erros para se respeitar a quem erra.

Agradeço à Santíssima Trindade e sua Filha, Esposa e Mãe a concessão de tão precioso tesouro, que graças à generosidade do Missa Tridentina em Uberlândia o reparto com os que a Providência porá em nossos caminhos, recordando algo fundamental que servirá de auxílio à compreensão de uma das principais razões deste livro: “… se algum de vós se extraviar da verdade, e algum outro o converter, saiba que aquêle que reconduzir (à verdade) um pecador do erro do seu caminho, salvará a alma dêle da morte, e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg V, 19s). E como muito há o que restituir, sigamos em frente.

O Autor


NOTAS

(1) Ao presente trabalho será adotada prioritariamente uma das traduções bíblicas feitas direto da Vulgata em língua portuguesa, a do Pe. Matos Soares, em sua edição de 1973 (o que fará com que a acentuação em alguns casos seja distinta da atual). A Vulgata foi a primeira tradução latina utilizada oficialmente pela Igreja em todo o mundo. São Jerônimo (331?-420), monge, doutor e santo, foi seu principal responsável, traduzindo os textos sagrados a partir dos originais hebraico e grego, assim como cópias já existentes do aramaico e do latim.

(2) Para os capítulos bíblicos será adotada a numeração romana. Para os versículos e números de livros (quando houver duas partes de um mesmo livro), a arábica. Por exemplo: Mt V, 10 (Mateus, capítulo cinco, versículo 10); 1 Tim III, 12 (Primeira carta de São Paulo a Timóteo, capítulo três, versículo 12); Ap IX, 10s (Apocalipse capítulo nove, versículos dez e onze). A letra “s” após a numeração de alguns versículos significa o seguinte ou o próximo; “ss”, os dois seguintes ou os dois próximos. As palavras e termos em itálico dentro de parênteses (xxx) representam a intervenção do Pe. M. Soares para melhor compreensão do texto. As sem itálico (xxx) serão minhas intervenções.

(3) Todas as notas são de minha responsabilidade, bem como os destaques (negrito e itálico), salvo as citações e fontes.

(4) A expressão latina “sic” utilizada entre parênteses, em minúscula ou maiúscula, significa isso mesmo!, foi isto que disseram ou é assim que foi escrito; pode representar esclarecimento, espanto ou indignação.

(5) Exegese e Hermenêutica são duas disciplinas ligadas à Teologia que permitem estudar as palavras e os termos bíblicos dentro de seu contexto linguístico e histórico, para possibilitar uma correta e precisa interpretação do texto sagrado. Sem estas e outras ciências caímos no “achismo” e no subjetivismo do “Deus me disse”, “a Bíblia diz” ou “Deus me revelou”, isto é, no livre exame luterano.

(6) Por fim anexo aqui, adaptado, o que no livro figurava como post scriptum: “Ciente da condição de filho e servo, me ponho, livre e espontaneamente, sob a legítima autoridade eclesiástica estabelecida por Cristo, Deus, Rei e Mestre, na figura de Seu vigário, o Papa. E nas pegadas de S. Tomás de Aquino, a quem rogo sua intercessão a esta humilde iniciativa, digo: ‘… Se, por ignorância, fiz o contrário (do que pretendia), revogo tudo e submeto todos os meus escritos ao julgamento da Santa Igreja Romana’.”

 

Que o Espírito Santo os iluminem na leitura destas linhas. E de forma especial após elas.


HERESIA[1]

Não há como falar em protestantismo sem falar em heresia. A heresia, em resumo, é a distorção ou o desvirtuamento da doutrina de Cristo (a “sã doutri­na”), feito por homens que se julgaram inspirados por Deus (cf. 2 Pe II, 1ss). Quem as elabora e ensina e quem as aprende e põe em prática são denominados hereges. As heresias, por isso, são tumores que nascem do e no corpo. E de forma similar a um tumor, têm de ser retiradas, caso con­trário infeccionarão o todo. Todas as heresias são inoculadas por homens que se consideram deuses, arrastando maiores ou menores multi­dões de acordo com seu grau de inteligência e poder de manipulação, valendo-se do maior ou menor nível de vulnerabilidade que possua o adepto. A Igreja, como boa mãe e médica, tenta tratar a ferida, medicar para que a parte enferma seja restituída por completo. Caso o tumor se alastre e ameace gangre­nar terá então de ser extirpado (anatematizado – cf. Gal I, 6-9). Vale lembrar que tal medida poderá ser revertida caso o enfermo aceite a medicação oferecida e resolva “voltar à casa paterna”.

Como abordarei adiante, bastará conhecer um pouco de História Cristã para verificar que as heresias existem desde o tempo dos Apóstolos, motivo que os levou a imitar Nosso Senhor no alerta aos discípulos contra “estes tais” – os hereges. Com o decorrer do tempo não seria diferente; daí a Igreja ter sido desde o início prevenida de que teria de conviver até o fim com o joio (a cizânia), cum­prindo o papel que a ela foi dado por seu Fundador: o de combater os erros para manter sua doutrina sã.

Alguns nomes se tornaram notórios na história das heresias: Ário, Pelágio, Jansênio, Donato, que foram bispos, sacerdotes ou leigos influentes e que acabaram por originar os erros hoje conhecidos como arianismo, pela­gianismo, jansenismo, donatismo etc; cada um distorcendo determinados pontos da fé católica, que se defendeu de forma oficial e perene através de Con­cílios e documentos papais que originaram, entre outros, os dogmas e os aná­temas. A última delas foi denominada modernismo, junção de várias heresias do passado, que mereceu a certeira encíclica Pascendi, de S. Pio X, aqui citada. Há exatos 500 anos a Igreja enfrenta um dos mais perniciosos e infectados “tumores” saídos de seu seio. Em 1517, graças a um monge e sacerdote alemão apóstata, Martinho Lutero, o mundo viu surgir o Protestantismo. Dele vieram subinfecções como o “puritanismo”, o “evangelismo”, o “pentecostalismo” e o “neopentecostalis­mo”, entre outras. Neste livro pretendo tratar alguns dos pontos da sã doutrina católica distorcidos pelo Protestantismo, fazendo sua refu­tação (contra argumentação) de maneira a auxiliar a compreensão dos problemas e falsos argumentos desta heresia. Embora árdua, a tarefa será de fundamental impor­tância a quem desejar manter-se são, aos que quiserem (re)ingressar no Corpo de Cristo de “corpo e alma”. A eles, os remédios ofertados pela Santa Mãe (e médica) Igreja.

Um detalhe: ao chamar o protestantismo de heresia e os protestantes de hereges não estou em absoluto cometendo crimes ou pecados. Não estou caluniando, difamando, discriminando, exercendo preconceitos, cometendo bullyings, ou correlatos. Usando – com o respeito devido às pessoas – o jargão popular, estou “dando nome aos bois”, ou não “vendendo gato por lebre”. E, creiam-me, não o faço com o mínimo prazer. Por isso um dos maiores objetivos deste trabalho será o de auxiliar no entendimento de uma questão realmente crucial. Para todos.


NOTA:

[1] Do site protestante http://biblia.com.br/dicionario-biblico/h/heresia/: Este nome deriva-se de uma palavra grega, que primeiramente queria dizer o ato de tomar (uma cidade, por exemplo) – depois teve o sentido de escolha ou eleição, de inclinação ou preferência – e a significação da própria coisa escolhida – e por fim veio a significar um princípio filosófico ou sistema, as pessoas que seguem esses princípios, e uma seita ou escola de pensamento. Nos Atos dos Apóstolos a palavra grega equivalente a heresia é traduzida por ‘seita’, com aplicação aos saduceus (At 5.17), aos fariseus (At 15.5 – 26.5), aos nazarenos (At 24.5), e aos cristãos (At 28.22). o seu uso, como aplicado à igreja cristã, vê-se também em At 24.14. S. Paulo e S. Pedro, escrevendo a respeito de heresias, qualificaram-nas de divisões, ou de doutrinas que dividem a igreja (1 Co 11.19 – Gl 5.20 – 2 Pe 2.1). os escritores eclesiásticos empregam a palavra heresia para designar aquelas opiniões que se apartam da verdadeira fé. Santo Agostinho sustentou (De Haeret.) que era ‘inteiramente impossível, ou em todo o caso a coisa mais difícil’, dar uma definição de heresia. Segundo Filastrius, bispo de Bréscia, eram vinte e oito as heresias que existiam entre os judeus antes de Jesus Cristo, elevando-se o número delas a 128 depois desse tempo (destaques meus).

Em somente 10 anos o número de exorcismos se triplicou e disparou as petições de auxílio

Por Javier Lozano / ReL

Traduzido por Airton Vieira

 

O número de exorcismos não para de aumentar na França e a cifra de pessoas que acode à Igreja pedindo ajuda ante possíveis casos de possessão ou influência demoníaca se multiplica. Quem faz esta análise é o sacerdote Emmanuel Coquet, secretário geral adjunto da Conferência Episcopal francesa, de onde também coordena a Oficina Nacional de Exorcistas.

Em todas as dioceses francesas, mais de 90, existe já ao menos instalado um exorcista cuja missão o foi encomendada pelo bispo. Neste momento, há 120 sacerdotes desempenhando este ministério. Há não mais de 30 anos não superavam os 30, havendo dezenas de dioceses nas que não tinham exorcistas.

“Há um reconhecido aumento. Os exorcistas são golpeados por um fenômeno  que se está tornando cada vez mais importante”, assegura este sacerdote ao diário Le Figaro, enquanto explica que cada exorcista é assistido por uma equipe de leigos e religiosos.

50 exorcismos e 2.500 petições aio ano só na zona de Paris
Coquet dá cifras desta evolução pondo como exemplo a Ilha de França, a região que alberga a cidade de Paris e seus arredores, zona que soma mais de 12 milhões de habitantes. Esta região está conformada por oito dioceses: Creteil, Evry, Meaux, Nanterre, Paris, Pontoise, Saint-Denis e Versailles, nas que há mais de 7 milhões de católicos e cujo arcebispo metropolitano é o cardeal Vingt-Trois.

Emmanuel Coquet deixa claro aos leitores de Le Figaro que o demônio é real, não algo “simbólico”

Há dez anos se produziam na Ilha de França um máximo de 15 exorcismos ao ano. Na atualidade se realizam mais de 50. As cifras se dispararam em algumas dioceses tendo chegado o ano passado a mais de 2.500 petições. Se produz um exorcismo por cada 143.000 católicos e um pedido de ajuda à Igreja por cada 2.800 católicos. E os bispos se estão vendo obrigados a nomear mais exorcistas pois os que há não podem fazer mais.

“Tudo é real”, advertem desde a Conferência Episcopal francesa
O sacerdote assegura que o demônio não é algo “simbólico” mas a gente está realmente afetada pela influência do “mal”. Mas para isso, assegura, primeiro há que fazer uma “verdadeira obra de discernimento” pois não todo “está sujeito a um exorcismo, nem muito menos”. Antes a Igreja Católica utiliza exames psiquiátricos e médicos para determinar se a pessoa necessita de um exorcista ou de um profissional.

Coquet fala do que tem visto e lhe têm contado os exorcistas franceses: pessoas que mostram uma força sobre humana, que falam línguas que não conhecem, ódio a tudo que é religioso. “Tudo isto é real, não se pode inventar”, agrega o secretário geral adjunto dos bispos franceses.

Atende a mais de 10 pessoas ao dia

Na Ilha de França há ao menos quatro exorcistas mas nem de todos se conhece sua identidade. A Oficina Nacional de Exorcistas só publica dois nomes para estas dioceses: Jean Pascal Duloisy e George Berson.

O primeiro deles tem anos como exorcista. O padre Duloisy mostrava em uma entrevista em Vice seu atarefado dia a dia. “Mais ou menos recebo 10 pessoas ao dia, todo o ano. Trabalho com uma equipe de 15 pessoas, tanto religiosos como laicos, quem me ajudam a fazer um diagnóstico para determinar se é necessário um exorcismo. Em realidade, os exorcismos são muito raros. Somente 1 ou 2% necessita um exorcismo”, assegura este sacerdote que realiza seu trabalho na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Paris.

Nesta sala da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro se realizam os exorcismos em Paris

“O mal é concreto e inteligente”

Ademais, explicava que “a maioria das pessoas que vêm ver-nos cresceram em famílias marcadas por feridas psicológicas profundas e perdas graves, que são portas de entrada para o Diabo. Vejo muitas vítimas de violação, incesto e violência. Recebo tanto a homens como mulheres, de todas as idades e de todos os estratos sociais. O que têm em comum é que todos sentem um sofrimento enorme, as vezes reprimido durante anos, que nem a psicologia, as medicinas ou os bruxos têm podido aliviar”.

O exorcista de Paris insiste uma e outra vez em todos os âmbitos aos que pode chegar que o demônio existe e é real. “Devo aclarar que o exorcismo não é magia. Não estamos falando de algo hipotético. O mal é concreto e inteligente. Se mete pouco a pouco e nunca o faz ao azar. O Diabo se manifesta por meio da sugestão: a proposição do mal. Depois vem o deleite: o prazer de aceitar a proposição. E ao final, o consentimento: a determinação de fazer o mal. Os três domínios de tentação são as três atividades principais do homem: o poder, o dinheiro e o sexo”.

“Uma vez vi um homem que não falava, rugia!”

Por tudo isso, este religioso francês adverte que “há que pôr um guardião nas portas do coração”. Assim, explica que “há que evitar as drogas, o álcool e a pornografia. Tampouco devemos invocar espíritos, nem sequer por diversão. O espiritismo, os videntes, os bruxos e a magia negra favorecem a ação do Diabo”.

O padre Duloisy, exorcista na Ilha de França, celebrando a missa

O outro exorcista, o padre Berson, avisa que “o demônio está ao encalço” e por isso assegura que o melhor remédio é amar a Cristo, levar uma vida de piedade e praticar os sacramentos. Mas para os que pensam que o demônio é algo do imaginário do homem conta um fato que viveu em um exorcismo: “uma vez vi um homem que não falava, rugia! Suas expressões faciais mostravam a cara de um leão”.

Um fenômeno global

O fenômeno que se está vivendo na França com o aumento de casos de possessão não é algo isolado mas antes comum em toda a Igreja universal. Em março passado, exorcistas dos Estados Unidos falavam do alarmante número de casos que lhes chegavam. “O problema não é que o demônio tenha aumentado seu jogo mas que mais pessoas estão dispostas a jogar”, assegurava o padre Vincent Lampert.

Além disso, em numerosas dioceses estão tendo que multiplicar o número de exorcistas. Algo que ocorreu por exemplo em Madri quando em 2013 o então arcebispo, o cardeal Rouco, nomeou oito exorcistas ante a avalanche de casos. Também Milão multiplicou o número de sacerdotes encarregados de lutar contra o demônio. E como estas, muitos bispos tratam de frear os ataques do demônio em suas dioceses.


Fonte: http://www.religionenlibertad.com/solo-anos-numero-exorcismos-triplicado-57469.htm

O escrupuloso vê a vida da ótica do pecado, e não a do amor, que é a de Deus

Por ReL

Traduzido por Airton Vieira

 

Ser escrupuloso pode fazer-te «escravo do pecado»: 5 ideias para analisar se o é

 

É um são exercício fazer exame de consciência com frequência para ir ordenando a vida. Neste exercício é frequente olhar tudo aquilo que fazemos (e que fazem os demais) como se fosse pecado e que Deus seguramente está mui molesto conosco, explica Sebastián Campos em Catholic-link.

Em nossa vida espiritual é bom ser cuidadosos, piedosos e esforçados, mas sempre é bom ter cuidado e pensar se em meu modo de atuar há um farisaísmo um pouco escondido. Para compreender mais que significa ser escrupuloso e como afeta esta atitude a nossa vida espiritual, te deixo estes 5 pontos que te podem ser muito úteis.

Os bispos da Costa do Marfim advertem que um católico não pode ser maçom

Por Luis Santamaría

Traduzido por Airton Vieira

 

De 16 a 21 de maio teve lugar na localidade de Kodjoboué a CVII Assembleia Plenária da Conferência de Bispos Católicos da Costa do Marfim. Como explica o comunicado final desta reunião dos pastores, aproveitaram a ocasião para “enviar uma mensagem aos fiéis católicos sobre a incompatibilidade entre a franco maçonaria e a fé católica” (n. 13).

Segundo informam diversos meios locais, a carta, que já pode ser consultada na página web da Conferência Episcopal marfimenha, será lida nas paróquias este domingo 28 de maio, solenidade da Ascensão do Senhor.

Recordação da postura da Igreja

A missiva não supõe uma condenação ou excomunhão, como assinalaram alguns meios digitais, empenhados em tergiversar o que é, simplesmente, uma recordação da postura da Igreja Católica sobre a maçonaria. Não há nenhuma novidade. Os documentos do Magistério deixam claro que não é possível ser maçom e católico ao mesmo tempo. Mais além das inimizades históricas, se trata de um problema de incompatibilidade doutrinal e vital.

A carta diz responder à “problemática dos movimentos esotéricos”, que constitui “uma questão teológica e pastoral que preocupa ao mais alto nível à Igreja na Costa do Marfim”. Porque as sociedades secretas não deixam de atrair à gente. Tanta importância dão ao tema os bispos marfimenhos que avisam que publicarão em 2018 uma carta pastoral monográfica, na ocasião de sua CVIII Assembleia Plenária no mês de janeiro.

Na carta já publicada, se advertem as “incompatibilidades profundas entre a franco maçonaria e a fé cristã”. Os católicos que pertençam a qualquer obediência maçônica estão em situação de “pecado grave”. De fato, “a posição da Igreja ante a franco maçonaria tem sido constante e clara ao longo de toda sua história”.

No fundo, por quê?

A razão não é outra que os princípios da maçonaria são “inconciliáveis com a doutrina da Igreja”. Por isso “a inscrição dos fiéis católicos nestas associações continua proibida pela Igreja”. E citam o último pronunciamento oficial da Santa Sé sobre o tema, uma notificação da Congregação para a Doutrina da fé de 1983 onde se afirma que “os fiéis que pertençam a associações maçônicas se encontram em estado de pecado grave e não podem acercar-se à santa comunhão”.

O documento dos bispos da Costa do Marfim entra em alguns detalhes sobre a incompatibilidade, sublinhando alguns temas fundamentais: o relativismo (que inclui sua concepção de Deus como o “Grande Arquiteto do Universo”), a negação da divindade de Cristo e a problemática da salvação.

Após toda esta reflexão, os pastores da Igreja marfimenha fazem várias interpelações concretas aos fiéis laicos, aos jovens católicos, aos dirigentes políticos e homens da cultura, aos responsáveis das paróquias e das novas comunidades, ao clero e aos consagrados, aos candidatos ao sacerdócio… porque juntos devem “fazer frente a todos os grupos esotéricos e associações que trabalham pelo desaparecimento impossível da Igreja Católica”.


Para mais informação:

– Juan Daniel Escobar Soriano, “¿Por qué un católico no puede pertenecer a la masonería?”Aleteia, 22/11/13. Incluído no livro Esoterismo, sectas, Nueva Era. 50 preguntas y respuestas.

NOVIDADE EDITORIAL – Manuel Guerra Gómez, El árbol masónico. Trastienda y escaparate del Nuevo Orden Mundial, Digital Reasons, 2017. Página de Facebook. Pode ser comprado em formato digital aqui, e em papel escrevendo a ries.secr@gmail.com

– Alberto Bárcena, Iglesia y masonería. Las dos ciudades, San Román, 2016.


Fonte: http://infocatolica.com/blog/infories.php/1705260413-los-bispos-de-costa-de-marfi

Classificação útil para a direção espiritual

A pedido do Prof. Carlos Ribeiro, publicamos algumas orientações aos fiéis em relação à última formação de fiéis (A alma do apostolado).


Classificação útil para a direção espiritual

Cada alma é um mundo à parte, com os seus matizes próprios. Entretanto, os cristãos podem ser classificados em vários grupos. Por nos parecer útil, sobretudo para os diretores espirituais, damos a seguir esta classificação, adotando como pedra de toque, de um lado, o pecado ou a imperfeição e, de outro, a oração.

O fim da vergonha: grupo pró-vida celebra a ilegitimidade

Traducido por Marilina Manteiga. Artigo original. Postado por THE REMNANT

Traduzido por Airton Vieira

 

Nota do tradutor: As Escrituras falam na fidelidade ao pouco; em que uma só letra sagrada adulterada é o suficiente para causar um dano não pequeno; em que os céus e a terra passarão antes que uma só palavra de Deus se perca. Como (muito) bem destaca o autor do artigo abaixo, a que se atentar aos “detalhes”. Nunca os sofistas deram tanto ibope. Estamos ipsis litteris nos tempos em que fala o Apóstolo das Gentes: “… em que (muitos) já não suportarão a sã doutrina, pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2 Tim IV, 3s). Ai de nós!

Em 20 de maio de 2017, a escritora do New York Times, Sheryl Gay Stolberg, publicou um artigo intitulado, “Grávida aos 18. Aclamada pelos inimigos do aborto. Castigada por Escola Cristã.” Qual foi o crime da escola cristã? Não permitir uma estudante de dezoito anos, visivelmente grávida e solteira, Maddi Runkles, participar da cerimônia de graduação escolar.

Mortalium Animos, a condenação do falso ecumenismo

Por Javier Navascués

Tradução de Airton Vieira

O ecumenismo que nos é proposto e imposto hoje em dia não é reto, pois há um claro e grave menoscabo para a religião verdadeira. De maneira sutil se situa ao mesmo nível a Igreja Católica e as falsas crenças, um grandíssimo agravo para a verdadeira Igreja de Cristo. Na prática é baixar penosamente o listão, claudicar miseravelmente ante a mentira, conviver com a falsidade, calar covardemente aqueles pontos da doutrina verdadeira que possam escandalizar aos que estão no erro. Pareceria inclusive que a Igreja Católica se envergonha de ser a única verdadeira e incluso parece pedir perdão por existir.

Natureza da Ordem Sacerdotal

Por Padre Lucas Prados

Tradução de Airton Vieira

Sobre o sacramento da Ordem, estudaremos os seguintes aspectos: natureza, instituição, matéria e forma, ministro, sujeito, efeitos e os graus deste sacramento. E como epílogo ao mesmo, faremos um estudo de cinco seções que hoje em dia estão sendo questionados: o celibato sacerdotal, o traje talar, a necessidade da reforma dos seminários, o diaconato permanente e o sacerdócio da mulher.

Os Novíssimos- o juízo particular

Por San Miguel Arcángel

Tradução de Airton Vieira

 

Por juízo se entende o estrito exame de toda nossa vida ante o tribunal de Deus, seguido da sentença que decidirá nossa sorte por toda a eternidade.

Há dois juízos: um particular entre a alma e Jesus Cristo imediatamente depois da morte; e outro universal no fim do mundo entre Jesus Cristo e todos os homens reunidos. O juízo universal é uma ratificação ou confirmação do particular.

4 coisas que aprendeu este sacerdote mexicano após praticar 6 mil exorcismos

Por Diego López Marina

Tradução de Airton Vieira

O exorcista mexicano de 80 anos, Pe. Francisco López Sedano, assegurou em uma recente entrevista ter realizado pelo menos 6 mil exorcismos durante 40 anos de serviço e que o mesmo demônio tem medo dele.

Sobre o fato de que o diabo o teme, o sacerdote explicou ao diário Hoy Los Ángeles que quando fala através de pessoas possuídas ele responde: “não sou ninguém, mas venho da parte de Cristo, teu Deus e Senhor e suma agora mesmo, te mando em nome dEle que te vás, fora!”.

O Pe. López é o coordenador nacional emérito de exorcistas da Arquidiocese do México e pertence à ordem dos Missionários do Espírito Santo. Atualmente segue exercendo seu ministério na Paróquia da Santa Cruz na Cidade do México.

Durante a entrevista o presbítero ressaltou 4 coisas que aprendeu durante seus anos de exorcista.

  1. O demônio é uma pessoa e não uma coisa

O sacerdote disse que quando se fala com o demônio “não se fala com uma coisa, se fala com uma pessoa”, posto que Jesus o enfrentou muitas vezes e falou com ele.

Advertiu que o que o maligno mais gosta “é separar-nos de Deus, meter-nos medo, ameaçar-nos, ter-nos tremendo”, “nos mete preguiça, cansaço, sono, desconfiança, desespero, ódio; todo o negativo”.

  1. O demônio entra nas pessoas porque o permitem

O Pe. López pôs ênfase em que há pessoas que permitem que o diabo entre nelas, porque “não se meteria conosco se não lhe abríssemos as portas”.

“Por isso Deus proíbe praticar magia, superstição, bruxaria, feitiçaria, adivinhação, consulta a mortos e espíritos e astrologia. Esses são os sete terrenos da mentira e do engano”.

“Que os astros influem em nossa vida é a maior mentira. Estão a milhões e milhões de quilômetros! São corpos formados por metais e gases, como vão influir em nós? O mesmo passa com a magia, que é atribuir às coisas um poder que não têm. Carregar uma ferradura porque me dará boa sorte, é mentira”, asseverou.

  1. Os possuídos têm comportamentos específicos

Para identificar uma pessoa possuída, o Pe. López disse que se observa no possesso que em determinadas ocasiões “começa a gritar, a ladrar como cachorro, a vociferar ou a retorcer-se e a andar como cobras no piso. São mil formas”.

Também pode ocorrer que “ouve vozes, sente ódio ou rejeição por Deus, antes cria e agora zomba da Bíblia. É gente que tem uma dor terrível nas costas, mas os médicos dizem que está perfeitamente bem”.

“Os danos de Satanás estão fora da ordem médico-clínica. Gente que vive com uma diarreia permanente e com nada é retirada; gente que tem dor nos olhos e os oftalmologistas não encontram nada. São danos que a ciência não detecta”.

  1. O exorcismo é um mandato divino

A respeito de sua designação como exorcista há várias décadas, afirmou que foi “por necessidade” depois de ver “casos muito sérios e dolorosos”.

“Um companheiro sacerdote que estava metido nisso me fez ver que combater ao Maligno era uma obrigação. Me disse: ‘tens que meter-te nisto por mandato do Senhor’. Os três mandatos são levar a palavra de Deus, sanar enfermos e lançar demônios. Os três estão vigentes na igreja”.

Em uma ocasião, conta que um menino de uns 18 anos empurrou cinco bancas bastante grandes e pesadas “que nem 10 pessoas o conseguiriam”.

“Tinha uma força terrível. Tivemos que agarrar entre três para fazer-lhe o exorcismo. Havendo a presença do Outro, já se explica qualquer coisa. Que possam subir pelas paredes, sim; e voar também”.


Fonte: https://www.aciprensa.com/noticias/4-coisas-que-aprendio-este-sacerdote-mexicano-luego-de-praticar-6-mil-exorcismos-21852/

Alberto Bárcena: «Vendo os rituais maçônicos compreendes que dentro da maçonaria se adora Lúcifer»

Tradução de Airton Vieira

Alberto Bárcena, professor de História, autor de «Igreja e Maçonaria», sustenta que a ONU e outros organismos menos transparentes como o clube Bilderberg são empregados para impor leis de caráter anticristão à margem dos distintos parlamentos nacionais.

Pio XII adverte sobre “uma Igreja que relaxa a Lei de Deus”

Por RORATE CÆLI

Traduzido por Airton Vieira

Neste tempo de renovada perseguição de cristãos por parte de islâmicos, secularistas,  anarquistas sexuais, e de um Papa que abertamente promove e consola a estes e outros inimigos da Santa Madre Igreja, enquanto esquiva seu dever de confirmar a seus  irmãos na fé, publicamos uma tradução (abaixo) das palavras proféticas do Venerável Papa Pio XII, oferecidas em 20 de fevereiro de 1949 ao povo de Roma, condenando a perseguição de cristãos na Europa do Leste por parte das ditaduras socialistas e comunistas. 

García Moreno, Polônia e Peru

Artigo escrito por Sí sí No no

Traduzido por Airton Vieira

Em 25 de março de 1874, o Presidente do Equador, Gabriel García Moreno, consagrou seu País ao Sagrado Coração de Jesus em vista à plena atuação da Realeza social de Cristo sobre sua Pátria, mas a maçonaria o condenou à morte e, apenas um ano depois, foi crivado à saída da Missa com disparos de revólver por dois sicários (cfr. sì sì no no, 28 de fevereiro de 2017, pp. 4-5, García, il Presidente).

Os Novíssimos: A Morte

Artigo escrito por San Miguel Arcángel, traduzido por Aiton Vieira.

A palavra “Novíssimos” (do latim novíssimus — último, posterior) ou ultimidades, significa as últimas coisas que a todos nos aguardam, e são quatro: Morte, Juízo, Inferno e Glória.

A meditação séria e frequente destas quatro verdades é a melhor maneira para evitar o pecado como diz o Espírito Santo: Em todas tuas ações lembra-te de teus novíssimos, e jamais pecarás (Ecle; VII, 40).

Assim como a ameaça do castigo aparta a criança de suas travessuras; do mesmo modo o temor dos castigos da outra vida aparta muitos homens do caminho da perdição.

Se confirma com o exemplo de inumeráveis santos, quem se converteram ou se aperfeiçoaram com o pensamento da morte ou dos outros Novíssimos.

A grande apostasia dos Estados: renunciar à confissionalidade católica

Artigo de Javier Navascués para o Adelante la Fe, 

Traduzido por Airton Vieira

 

Uma das nefastas consequências do Concílio Vaticano II foi que alguns Estados confessionalmente católicos como a Espanha se viram obrigados a mudar sua legislação para adotar “a liberdade religiosa” e por conseguinte passaram com o tempo a ser Estados aconfessionais, com a conseguinte ruína para a verdadeira religião que isto supôs.

Sobre o Sacramento da Penitência- Parte 3- O ministro do sacramento da Penitência

Chegamos ao final desta série sobre o Sacramento da Penitência. Esperamos que esta série tenha ajudado a nossos leitores em suas confissões.

Boa leitura!


Por Padre Lucas Prados

Traduzido por Airton Vieira

 

Como já se mencionou no artigo anterior, Cristo deu o poder de perdoar os pecados aos apóstolos (Mt 18:18; Jo 20:23). Os bispos como sucessores deles e os sacerdotes como colaboradores dos bispos, são os ministros do sacramento da Penitência (CDC, c. 965). Os bispos, quem possuem em plenitude o sacramento da Ordem e têm todos os poderes que Cristo deu aos apóstolos, delegam nos sacerdotes sua missão ministerial, sendo parte deste ministério, a capacidade de poder perdoar os pecados.

A Contrição Perfeita

Capa do Livro editado pela “Edições Livre”.

RESUMO

    Esse livro procura explicar o significado de uma contrição perfeita, que, segundo o autor, é uma “dor da alma e uma detestação dos pecados cometidos”.  Ele irá apresentar os porquês de sua tese, apresentando também os meios para concretizá-la. Destaque-se o afinco com que o autor trabalha este tema, principalmente na medida em que explana todos os pontos da contrição perfeita. Chama o leitor a detestar seus pecados para que possa estar cada vez mais próximo de Deus e do Paraíso. Por fim, ele apresenta uma série de Atos de Contrição, que servirão ao leitor como reflexão e principalmente nas orações.

CRÍTICA

O que podemos dizer é que este livro é verdadeiramente uma “Chave de ouro do Céu“. O autor tem a preocupação de trabalhar bastante os significados e meios da perfeita contrição, a fim de que seus fiéis e demais leitores possam encontrar o alívio de seus pecados e a união com Deus, tão frequentemente quebrada por nossos variados pecados. O autor ainda mostra que os atos que, mesmo bons, são realizados em estado de pecado, são “inúteis e sem mérito no Céu”. Ora, dependemos tanto de Deus, e Dele nos afastamos? A Ele rendemos somente vergonhas e impropérios. Por que não detestamos os erros passados, deixando-os para traz, e caminhamos para junto de Deus? Àqueles que também pensam assim, eis um livro que lhes servirá imensamente nessa caminhada.

Boa leitura e até a próxima!


BAIXE ESTE LIVRO CLICANDO AQUI 

Sobre o Sacramento da Penitência- Parte 2- É válida a Absolvição Coletiva? e outros temas afins

Por Padre Lucas Prados

Traduzido por Airton Vieira

O sujeito do sacramento da Penitência

O sujeito do sacramento da Penitência é toda pessoa que estando batizada e tendo chegado ao uso da razãocometendo pecado mortal ou venial, acuda à confissão com as devidas disposições, e não tenha nenhum impedimento para receber a absolvição. Expliquemos agora brevemente o conteúdo desta definição.

Sobre o Sacramento da Confissão- Parte 1- Matéria e forma do sacramento da Penitência

Inicia-se uma série de três artigos sobre a Confissão, tema muito recorrente e importante neste período da Quaresma, traduzidos por nosso colunista Airton Vieira, a partir do blog Adelante la Fe. Esta série será postada às quartas-feiras.

Boa leitura!


Por Padre Lucas Prados

Traduzido por Airton Vieira

 

O Concílio de Trento, seguindo Santo Tomás de Aquino, reafirmou que o sinal sensível deste sacramento era a absolvição dos pecados por parte do sacerdote unido aos atos do penitente (DS 1320-1321; CEC, 1448).

Como em todo sacramento este sinal sensível está composto de matéria e forma. Neste caso são:

  • A matéria é: a dor de coração ou contrição, os pecados ditos ao confessor de maneira sincera e íntegra e o cumprimento da penitência ou satisfação.
  • A forma são as palavras que pronuncia o sacerdote depois de escutar os pecados: “Eu te absolvo de teus pecados, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

São Vicente de Lérins: Regra para distinguir a verdade católica do erro

Artigo de Adelante la Fe, Traduzido por Airton Vieira


São Vicente de Lérins foi um Padre da Igreja do século V. Sobre sua vida se possuem escassos dados; só os de uma breve notícia que lhe dedica o marselhês Genadio (De viris illustribus, 64; PL 58,1097-98) e os que se desprendem de sua obra mais importante: o Commonitorio. Era de origem francesa, ainda que se ignora o lugar de seu nascimento e onde passou sua vida, somente que, se fez religioso uma vez «afugentados os ventos da vaidade e da soberba, aplacando a Deus com o sacrifício da humildade cristã». Teve um passado tempestuoso, como parece deduzir-se de certa alusão que faz em um de sus livros? Não é seguro, possivelmente a ênfase que põe em suas palavras há que atribui-la à severidade com que os santos costumam julgar-se a si mesmos.

O que sim é indubitável é que foi um homem muito douto nas Escrituras e nos dogmas e com profundos conhecimentos das letras clássicas. Sacerdote no mosteiro da ilha de Leríns (chamada hoje de São Honorato), com o pseudônimo de Peregrino compôs um tratado contra os hereges. Genadio narra também que é autor de outra obra de tema análogo, cujo manuscrito foi roubado, pelo que elaborou um breve resumo, que sim se conserva. Morreu no reinado de Teodosio e Valentiniano, pouco antes do 450. O Commonitorio está escrito três anos depois do Concílio de Éfeso, ou seja, o ano 434.

Este pequeno livro, cheio de vigor e ciência, tem atraído a atenção dos estudiosos sobretudo a partir do s. XVI, e suas afirmações têm sido muito tidas em conta em momentos de confusão doutrinal, desde as polêmicas entre protestantes e católicos do s. XVII até a crise modernista, porque nele se encontra um excelente testemunho cristão e resposta ante os riscos de ceticismo e de relativismo teológico. Em efeito, os temas chaves do tratado são: fidelidade à Tradição e progresso dogmático. O Conmonitorio é um dos livros que mais história deixou a posteriori. Hoje passam de 150, entre edições e traduções a diversas línguas.

A palavra Conmonitorio, bastante frequente como título de obras naquela época, significa notas ou apontamentos postos por escrito para ajudar à memória, sem pretensões de compor um tratado exaustivo. Nesta obra, São Vicente de Lérins se propôs facilitar, com exemplos da Tradição e da história da Igreja, os critérios para conservar intacta a verdade católica.

Não recorre a um método complicado. As regras que oferece para distinguir a verdade do erro podem ser conhecidas e aplicadas por todos os cristãos de todos os tempos, pois se resume em uma notória fidelidade à Tradição viva da Igreja.

O Conmonitorio constitui uma joia da literatura patrística. Seu ensino fundamental é que os cristãos têm de crer quod semper, quod ubique, quod ab ómnibus: só e tudo quanto foi crido sempre, por todos e em todas as partes. Vários Papas e Concílios têm confirmado com sua autoridade a validez perene desta regra de fé. Segue sendo plenamente atual este pequeno livro escrito em uma ilha do sul da França, há mais de quinze séculos.

Vejamos agora um resumo das ensinos de São Vicente que seguem plenamente atuais:

REGRA PARA DISTINGUIR A VERDADE CATÓLICA DO ERRO

Havendo interrogado com frequência e com o maior cuidado e atenção a numerosíssimas pessoas, sobressalentes em santidade e em doutrina, sobre como poder distinguir por meio de uma regra segura, geral e normativa, a verdade da fé católica da falsidade perversa da heresia, quase todas me têm dado a mesma resposta: «Todo cristão que queira desmascarar as intrigas dos hereges que brotam ao nosso redor, evitar suas armadilhas e manter-se íntegro e incólume em uma fé incontaminada, deve, com a ajuda de Deus, apetrechar sua fé de duas maneiras: com a autoridade da lei divina antes de tudo, e com a tradição da Igreja Católica»… É pois, sumamente necessário, ante as múltiplas e enrevesadas tortuosidades do erro, que a interpretação dos Profetas e dos Apóstolos se faça seguindo a pauta do sentir católico. Na Igreja Católica há que pôr o maior cuidado para manter o que tem sido crido em todas as partes, sempre e por todos. Isto é o verdadeira e propriamente católico, segundo a ideia de universalidade que se encerra na mesma etimologia da palavra. Mas isto se conseguirá se nós seguimos a universalidade, a antiguidade, o consenso geral. Seguiremos a universalidade, se confessamos como verdadeira e única fé a que a Igreja inteira professa em todo o mundo; a antiguidade, se não nos separamos de nenhuma forma dos sentimentos que notoriamente proclamaram nossos santos predecessores e padres; o consenso geral, por último, se, nesta mesma antiguidade, abraçamos as definições e as doutrinas de todos, ou de quase todos, os Bispos e Mestres.

EXEMPLO DE COMO APLICAR A REGRA

Qual deverá ser a conduta de um cristão católico, se alguma pequena parte da Igreja se separa da comunhão na fé universal?

-Não cabe dúvida de que deverão antepor a saúde do corpo inteiro a um membro podre e contagioso.

-Mas, e se se trata de uma novidade herética que não está limitada a um pequeno grupo, mas que ameaça com contagiar à Igreja inteira?

-Em tal caso, o cristão deverá fazer todo o possível para aderir-se à antiguidade, a qual não pode evidentemente ser alterada por nenhuma nova mentira.

E se na antiguidade se descobre que um erro tem sido compartilhado por muitas pessoas, ou inclusive por toda uma cidade, ou por uma região inteira?

-Neste caso porá o máximo cuidado em preferir os decretos -se os há- de um antigo Concílio Universal, à temeridade e à ignorância de todos aqueles.

E se surge uma nova opinião, acerca da qual nada há sido ainda definido?

-Então indagará e confrontará as opiniões de nossos maiores, mas somente daqueles que, sempre permaneceram na comunhão e na fé da única Igreja Católica e vieram a ser mestres provados da mesma. Todo o que ache que, não por um ou dois somente, mas por todos juntos de pleno acordo, há sido mantido, escrito e ensinado abertamente, frequente e constantemente, saiba que ele também o pode crer sem vacilação alguma.
EXEMPLOS HISTÓRICOS DE RECURSO À UNIVERSALIDADE E À ANTIGUIDADE CONTRA O ERRO


…Quando o veneno da heresia ariana contaminou não já uma pequena região, mas o mundo inteiro, até o ponto de que quase todos os bispos latinos cederam ante a heresia, alguns obrigados com violência, outros sacerdotes reduzidos e enganados.

Uma espécie de neblina ofuscou então suas mentes, e já não podiam distinguir, em meio de tanta confusão de ideias, qual era o caminho seguro que deviam seguir. Somente o verdadeiro e fiel discípulo de Cristo que preferiu a antiga fé à nova perfídia não foi contaminado por aquela peste contagiosa. O que por então sucedeu mostra suficientemente os graves males a que pode dar lugar um dogma inventado.

Tudo se revolucionou: não só relações, parentescos, amizades, famílias, como também cidades, povos, regiões. O mesmo Império Romano foi sacudido até seus fundamentos e transtornado de, acima abaixo quando a sacrílega inovação ariana, como nova Bellona ou Furia, seduziu inclusive ao Imperador, o primeiro de todos os homens.

Depois de haver submetido a suas novas leis inclusive os mais insignes dignitários da corte, a heresia começou a perturbar, transtornar, ultrajar toda coisa, privada e pública, profana e religiosa. Sem fazer já distinção entre o bom e o mau, entre o verdadeiro e o falso, atacava de perto a tudo o que se pusesse adiante….

E qual foi a causa de tudo isto? Uma só: a introdução de crenças humanas no lugar do dogma vindo do céu. Isto ocorre quando, pela introdução de uma inovação vazia, a antiguidade fundamentada nos mais seguros embasamentos é demolida, velhas doutrinas são pisoteadas, os decretos dos Padres são desgarrados, as definições de nossos maiores são anuladas; e isto, sem que a desenfreada concupiscência de novidades profanas consiga manter-se nos nítidos limites de uma tradição sagrada e incontaminada.

a mesma natureza da religião exige que tudo seja transmitido aos filhos com a mesma fidelidade com a qual foi recebido dos pais, e que, ademais, não nos é lícito levar e trazer a religião por onde nos pareça, mas que antes somos nós os que temos que segui-la por onde ela nos conduza. E é próprio da humildade e da responsabilidade cristã não transmitir a quem nos sucedam nossas próprias opiniões, mas conservar o que tem sido recebido de nossos maiores.

[A respeito dos erros do Bispo Agripino]  houve um tal desenvolvimento de inteligências, uma tal profusão de eloquência, um número tão grande de partidários, tanta verossimilhança nas teses, tal cúmulo de citações da Sagrada Escritura, ainda que interpretada em um sentido totalmente novo e errado, que de nenhuma maneira, creio eu, se teria podido superar toda aquela concentração de forças, se a inovação tão acerrimamente abraçada, defendida, louvada, não se tivesse vindo abaixo por si mesma, precisamente a causa de sua novidade.

ASTUCIA TÁTICA DOS HEREGES

Com frequência se apropriavam de passagens complicadas e pouco claras de algum autor antigo, os quais, por sua mesma falta de claridade parecia que concordavam com suas teorias; assim simulavam que não eram os primeiros nem os únicos que pensavam dessa maneira. Esta falta de honradez eu a qualifico de duplamente odiosa, porque não têm escrúpulo algum em fazer que outros bebam o veneno da heresia, e porque maculam a memória de pessoas santas, como se espalhassem ao vento, com mão sacrílega, suas cinzas dormidas.

…Devemos ter horror, como se de um delito se tratasse, a alterar a fé e corromper o dogma; não só a disciplina da constituição da Igreja nos impede fazer uma coisa assim, como também a censura da autoridade apostólica.

Todos conhecemos com quanta firmeza, severidade e veemência São Paulo se lança contra alguns que, com incrível frivolidade, se haviam afastado em pouquíssimo tempo daquele que os havia chamado à graça de Cristo, para passar-se a outro Evangelho, ainda que a verdade é que não existe outro Evangelho; ademais, se haviam rodeado de uma turba de mestres que secundavam seus caprichos próprios, e apartavam os ouvidos da verdade para dá-los às fábulas, incorrendo assim na condenação de haver violado a fé primeira. Se haviam deixado enganar por aqueles de quem escreve o mesmo Apóstolo em sua carta aos irmãos de Roma: Os rogo, irmãos, que os guardeis daqueles que originam entre vós dissensões e escândalos, ensinando contra a doutrina que vós haveis aprendido; evitai sua companhia. Estes tais não servem a Cristo Senhor nosso, mas a sua própria sensualidade; e com palavras doces e com adulações seduzem os corações dos simples.

ADVERTÊNCIA DE SÃO PAULO AOS GÁLATAS

Indivíduos dessa raça, que recorriam as províncias e as cidades fazendo mercado com seus erros, chegaram até os Gálatas. Estes, ao escutá-los, experimentaram como uma certa repugnância rumo à verdade; rejeitaram o maná celestial da doutrina católica e apostólica e se deleitaram com a sórdida novidade da heresia.

A autoridade do Apóstolo se manifestou então com sua maior severidade: ainda quando nós mesmos, ou um anjo do céu os pregasse um Evangelho diferente do que nós os temos anunciado, seja anátema.

E por que diz São Paulo ainda quando nós mesmos, e não diz ainda que eu mesmo? Porque quer dizer que inclusive se Pedro, ou André, ou João, ou o Colégio inteiro dos Apóstolos anunciassem um Evangelho diferente do que os temos anunciado, seja anátema.

Tremendo rigor, com o que, para afirmar a fidelidade à fé primitiva, não se exclui nem a si mesmo nem aos outros Apóstolos.

Mas isto não é tudo: ainda que um anjo do céu os pregasse um Evangelho diferente do que nós os temos anunciado, seja anátema.

Para salvaguardar a fé entregada uma vez para sempre, não lhe bastou recordar a natureza humana, como que quis incluir também a excelência angélica: ainda que nós -diz- ou um anjo do céu. Não é que os santos ou os anjos do céu possam pecar, mas é para dizer: inclusive se sucedesse isso que não pode suceder, qualquer que fosse o que tentasse modificar a fé recebida, este tal seja anátema.

Mas talvez o Apóstolo escreveu estas palavras às pressas, movido mais por um ímpeto passional humano que por inspiração divina! Continua, não obstante, e repete com insistência e com força a mesma ideia, para fazer que penetre: qualquer que os anuncie um Evangelho diferente do que haveis recebido, seja anátema.

Não diz: se um os pregasse um Evangelho diferente do nosso, seja bendito, louvado, acolhido; mas diz: seja anátema, isto é, separado, afastado, excluído, com o fim de que o contágio funesto de uma ovelha infectada não se estenda, com sua presença mortífera, a todo o rebanho inocente de Cristo.



De tudo o que temos dito, aparece evidente que o verdadeiro e autêntico católico é o que ama a verdade de Deus e à Igreja, corpo de Cristo; aquele que não antepõe nada à religião divina e à fé católica: nem a autoridade de um homem, nem o amor, nem o gênio, nem a eloquência, nem a filosofia; mas que desprezando todas estas coisas e permanecendo solidamente firme na fé, está disposto a admitir e a crer somente o que a Igreja sempre e universalmente tem crido..”

Pode ler-se o Commonitorio inteiro neste link


Fonte: http://adelantelafe.com/san-vicente-de-Lérins-regra-para-distinguir-la-verdad-catolica-del-erro/#at_pco=smlwn-1.0&at_si=58b085c7e713ef7b&at_ab=per-2&at_pos=0&at_tot=1

 

[Nota] Documentos relativos a Encíclica Pascendi Dominici Gregis

Postamos abaixo Nota do Prof. Carlos Ribeiro contendo alguns documentos relacionados à Encíclica estudada na última formação.


Documentos relacionados à Pascendi

Decreto Lamentabili, Papa São Pio X, 3 de julho de 1907 – sobre as doutrinas modernistas condenadas pela Igreja;

Motu Proprio Sacrorum Antistitum, São Pio X, 1 de setembro de 1910 – normas para rechaçar o perigo do modernismo;

– Juramento antimodernista – incluso no documento anterior.

– Sobre a Filosofia e a Teologia tomistas, remédios contra o modernismo:

Encíclica Aeterni Patris, Papa Leão XIII, 4 de agosto de 1879 – sobre a restauração da Filosofia Cristã conforme a doutrina de Santo Tomás de Aquino;

Motu proprio Doctoris Angelici, São Pio X, 29 de junho de 1914 – sobre o estudo da doutrina de Santo Tomás de Aquino;

As 24 Teses Tomistas, aprovadas sob pontificado de São Pio X e confirmadas sob Bento XV.

Cân. 1366 §2, CIC 1917, a saber: que os professores adotassem religiosamente o método, a doutrina e os princípios do Doutor Angélico nos estudos de Filosofia e de Teologia;

Encíclica Studiorum Ducem, 29 de junho de 1923, Papa Pio XI, – sobre Santo Tomás de Aquino com motivo do VI centenário de sua canonização;

Encíclica Humani Generis, Papa Pio XII, 12 de agosto de 1950 – sobre opiniões falsas que ameaçam a doutrina católica.

Obras de Santo Tomás de Aquino apropriadas aos iniciantes:

Exposição sobre o Símbolo dos Apóstolos (Comentário ao Credo);

Exposição à Oração do Senhor (Pai Nosso);

Exposição à Saudação Angélica (Ave Maria);

Dos dois preceitos da Caridade e dos dez preceitos da Lei (Comentário aos Dez Mandamentos);

Compêndio de Teologia.

“A todos quantos agora sentem sede da verdade, dizemos-lhes: Ide a Tomás de Aquino” (Pio XI, Studiorum Ducem)

 

Voltaremos ao tema.

Salve Maria!

Beato Francisco Marto- Bela, santa e curta vida

Artigo escrito por San Miguel Arcángel, traduzido por Aiton Vieira.

 

Vamos expor brevemente a curta vida e morte de Francisco Marto, irmão de Jacinta, e quem também teve a graça de ver e ouvir nossa Senhora de Fátima (Tomado do livro “Aparições da Santíssima Virgem em Fátima” pelo Padre Leonardo Ruskovic O.F.M. A. Ano 1946).

Na exposição dos fatos das aparições da Santíssima Virgem em Fátima, muito pouco ressalta a figura do pequeno Francisco. Ao longo desta história, quase sempre o encontramos calado, meditabundo, humilde e sempre pronto em aceitar sem contradizer as propostas seja de Lúcia ou de sua irmã menor Jacinta. Raras vezes fala para manifestar sua opinião.

Francisco, antes das aparições era um menino de caráter comum como os outros de sua idade: brincalhão, pouco amigo de rezar, mas tranquilo e reflexivo e de bom temperamento. Não obstante, desde a primeira aparição o encontramos maravilhosamente mudado. O seguinte fato ilustra melhor sua virtuosa conduta: Conduziram nossos pastores suas manadas a um lugar, propriedade dos pais de Francisco; existia ali uma parcela destinada ao pastoreio e outra para a cimenteira. Deviam ter muito cuidado para que as ovelhas não danificassem o semeado, e assim, Lúcia, que era a maior, dispôs cuidar ela mesma a parte de mais perigo, enquanto Francisco e Jacinta atenderiam a outra parte. Jacinta, chorando pediu a Lúcia que ficasse com ela e que para lá fosse Francisco.

–– Eu também queria ficar convosco — manifestou humildemente Francisco,–– mas irei e oferecerei este sacrifício a Deus pela conversão dos pecadores.

Transcorrido já um longo tempo, Jacinta vai em busca de seu irmão; chega ao lugar onde pastavam as ovelhas e chama uma e outra vez, mais não recebe resposta. Gemendo vai a Lúcia, e entre lágrimas lhe manifesta que “Francisco se perdeu”. Lúcia, alarmada com a notícia, o busca por todas as partes, chamando-o repetidas vezes, até que por último dá com ele: Francisco estava detrás de um montículo de pedra, com a cabeça inclinada quase tocando o solo.

–– Estás rezando? — pergunta Lúcia.

–– Sim —respondeu humildemente––; comecei a rezar a oração que o Anjo nos ensinou.

–– Não ouviste quando Jacinta te chamava?

–– Não––, respondeu muito devagar.

Para consolar Jacinta, que tinha ficado chorando amargamente a perda do irmão, Francisco e Lúcia regressaram juntos.

Apesar de sua pouca idade e conhecimento superficial da doutrina cristã, Francisco era de muito escrupulosa e delicada consciência. Certo dia sua mãe lhe ordenou levar o rebanho a pastar em um prado próximo sem expresso consentimento do dono; resistiu tenazmente a obedecer, alegando que faltaria contra o sétimo mandamento de Deus, isto é, roubar.

No final do ano 1918 uma terrível e contagiosa doença arrasava toda Europa, chamada febre espanhola. Em 23 de dezembro do mesmo ano caiu doente nosso pequeno Francisco; da mesma febre espanhola jaziam prostrados todos seus familiares. Durante o período de sua doença não brotou de seus lábios nem uma só queixa, nem manifestou jamais um só ato de impaciência. Tudo o soube levar pacientemente, resignando-se à vontade de Deus e aplicando todos seus méritos pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e em sufrágio das almas do Purgatório, especialmente pelas mais abandonadas. Durante sua convalescência, e apesar de sua grande debilidade, levado por seu filial amor à Santíssima Virgem, visitava com frequência a Cova da Iria, lugar tão grato para seu terno coração e onde recebera abundância de graças por intermédio da bondosa Mãe de Deus.

Ainda que seu espírito se mantivesse sempre forte e vigoroso, não assim as suas forças físicas, que iam languidescendo-se paulatinamente; sua vida, como um lume, ia extinguindo-se. Aos que para ocultar seu mal estado lhe diziam que melhorava, ele, com acento seguro e claro, replicava sempre com um ‘‘não”. Grandemente lhe mortificava ao sentir-se diariamente com menos forças para rezar sua devoção favorita, o santo Rosário, até o extremo de chegar ser impossível rezá-lo até o fim. Sua mãe procurava consolá-lo dizendo-lhe que a Santíssima Virgem aceitaria assim mesmo sua oração ainda que a fizesse mentalmente.

Continuamente recomendava que honrassem à Mãe de Deus com a devoção do rosário, e quando sua mãe se lamentava de que pela multidão de suas tarefas domésticas não podia rezá-lo, ele lhe replicava que em todas as partes, até nas viagens, se podia satisfazer esta devoção que tanta glória tributa a nossa Santíssima Mãe.

Um dia lhe visitou sua madrinha de batismo manifestando que havia prometido à Virgem Maria dar grossas esmolas aos pobres se obtivesse sua saúde; ele respondeu resolutamente que era vontade de Deus que morresse.

Uns dias antes de sua morte, sua prima Lúcia perguntou se lhe causava muitas moléstias a doença. “Sim, sofro ––respondeu––, mas sofro por amor de Deus e da Santíssima Virgem”.

Sua debilidade foi acentuando-se mais e mais, e apesar de suas grandes dolências não proferiu queixa alguma; os remédios prescritos, ainda os mais repugnantes, os tomava com imutável calma.

A poucos dias de sua morte disse a suas inseparáveis companheiras: “Eu me vou para cima, e quando chegue ao céu pedirei a Nosso Senhor Jesus Cristo e à Santíssima Virgem que as leve também a vós”.

Quando Jacinta preveniu que Francisco logo abandonaria esta miserável terra, com sua costumeira simplicidade e ingenuidade lhe confiou este recado: “Quando chegues ao Paraíso, diz a Nosso Senhor que lhe mando muitas saudações e que de bom grado sofro todas as coisas por amor dEle, pela conversão dos pecadores e em satisfação das ofensas feitas contra o Imaculado Coração de Maria”.

Em 2 de abril de 1919 piorou notavelmente a saúde do enfermo; foi chamado o senhor pároco para administrar-lhe os últimos sacramentos. Francisco se encontrava muito apenado, porque julgava que não podia receber a Jesus em seu peito, por não haver tomado ainda a primeira comunhão. O sacerdote lhe deu a absolvição sacramental e lhe disse que no dia seguinte lhe traria Jesus para que comungasse. Ao receber tão inesperada notícia, seu ser inteiro se comoveu profundamente, sacudido por tão veemente desejo ao que tanto tempo anelara com fervorosas ânsias, dentro de breves horas ia ser seu amável e bondoso hóspede. Suplicou a sua mãe que lhe permitisse receber em jejum a Jesus-Hóstia.

Ao adentrar o sacerdote em seu aposento trazendo em suas sagradas mãos o Consolador dos afligidos, o médico divino das almas, o pequeno paciente, de seu leito de dor, o saudou com suma reverência e desejou incorporar-se no momento em que o ministro de Deus depositava a Hóstia em sua boca; mas suas forças, em extremo debilitadas, não o permitiram.

Com Jesus já dentro de seu peito, sua inocente alma podia estabelecer doces e celestiais colóquios; seu semblante se transfigurou de tal maneira, que os olhos radiavam beatífica alegria; parecia um Anjo, afirmam os que tiveram a dita de contemplá-lo. E verdadeiramente, com quanta razão podia exclamar com o Apóstolo São Paulo: “Vivo eu, mas não eu, senão Cristo que vive em mim”.

As dolências e moléstias da doença desapareceram, e com tranquila serenidade esperou o supremo instante de traspor os umbrais da eternidade em 5 de abril, primeira sexta do mês, consagrado ao Sacratíssimo Coração de Jesus, sem nenhum sinal de agonia, com angelical sorriso, entregou sua inocente alma nas mãos de seu Criador e voou às celestiais mansões em companhia da Santíssima Virgem, como Ela mesma o havia prometido, a continuar por séculos eternos os louvores que na terra começara à Infinita Majestade de Deus.

A morte de Francisco foi um terrível golpe para sua prima Lúcia e em especial para sua irmãzinha Jacinta. Frente aos hirtos despojos de seu irmão, ela permaneceu silenciosa, muda, sem poder pronunciar palavras nem desafogar com o pranto sua insondável dor, e este sentimento a acompanhou o pouco tempo que sobreviveu a seu irmão; e quando alguém lhe perguntava a causa de sua tristeza, respondia: “Penso em Francisco” e com profundo suspiro acrescentava:

“Ah, se pudesse vê-lo!”…


Fonte original: http://adelantelafe.com/beato-francisco-marto-bella-santa-corta-vida/

Conciliábulo feito por Lúcifer no inferno após a morte de Cristo- Irmã Maria Jesus de Ágreda

Texto extraírdo da obra de Irmã Ágreda por San Miguel Arcángel, traduzido por Frei Zaqueu

 

Nota: com este texto confio, por obediência, minhas traduções e mesmo a colaboração com os blogs católicos que ofertaram sua aquiescência ao meu trabalho, à pessoa de meu conhecimento e confiança. Ora em diante, o professor Airton Vieira assume o que a mim foi confiado por Deus nesse pequeno período e que, com gratidão, o devolvo às Suas mãos. O estilo literário, bem como o fio condutor, o posso dizer, é o de “gêmeos siameses”. Daí que meus leitores lendo-o, poderão ler-me. E louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo e sua mãe Maria Santíssima pelos talentos confiados. Que tudo, por fim, seja feito à Sua maior glória, ao nosso bem e de toda a Santa Igreja. Que assim seja!

 Frei Zaqueu


Aos meus leitores: Posso-lhes assegurar que esta leitura ou nunca a fizeram, ou muito poucos, e se não a fazem agora é muito possível que jamais a façam. Pois bem, em suas mãos deixo estas linhas, e não exagero no que vou dizer: pode que o destino eterno de suas almas esteja em que leiam esta publicação. Esclareço que não é uma leitura para almas frívolas, mas para almas que de verdade buscam a perfeição. As frívolas nada entenderão nem saberão degustar a beleza, que acompanha a toda verdade, e sempre causa o bem nas almas. NICKY PÍO.


d

A caída de Lúcifer com seus demônios do monte Calvário ao profundo do inferno, foi mais turbulenta e furiosa que quando foi lançado do céu. E ainda que sempre aquele lugar é terra tenebrosa e coberta das sombras da morte, de caliginosa (tenebrosa) confusão, de misérias, tormentos e desordem, como diz o santo Jó: mas nesta ocasião foi maior sua infelicidade e turbação; porque os condenados receberam novo horror e pena acidental com a ferocidade e encontros com que baixaram os demônios, e o despeito que os raivosos manifestavam. Certo é que não têm poder no inferno para pôr as almas à sua vontade em lugares de maior ou menor tormento; porque isto o dispensa o poder da divina justiça, segundo os deméritos de cada um dos condenados, e que com esta medida sejam atormentados. Mas, além da pena essencial, dispõe o justo Juiz que possam sucessivamente padecer outras penas acidentais em algumas ocasiões; porque seus pecados deixaram no mundo raízes e muitos danos para outros que por sua causa se condenam, e o novo efeito de seus pecados não retratados lhes causa estas penas. Atormentaram os demônios a Judas com novas penas, por ter vendido e procurado a morte a Cristo. E conheceram então que aquele lugar de tão formidáveis penas, onde lhe haviam posto, era destinado para castigo dos que se condenassem com fé e sem obras, e os que desprezassem intencionalmente o culto desta virtude e o fruto da redenção humana. E contra estes manifestam os demônios maior indignação, como a conceberam contra Jesus e Maria.

Logo que Lúcifer teve permissão para isto e para levantar-se do aterramento em que esteve algum tempo, procurou intimar aos demônios sua nova soberba contra o Senhor. Para isto os convocou a todos, e posto em lugar eminente lhes falou, e disse: A vós, que por tantos séculos seguistes e seguireis minha justa parcialidade em vingança de meus agravos, é notório o que agora tenho recebido deste novo Homem e Deus, e como por espaço de trinta e três anos me enganou, ocultando-me o ser divino que tinha, e encobrindo as operações de sua alma, e alcançando de nós o triunfo que obteve com a mesma morte que para destruí-lo lhe procuramos. Antes que tomasse carne humana lhe aborreci, e não me sujeitei a reconhecê-lo por mais digno que eu e de que todos lhe adorassem como superior. E ainda mais que por esta resistência fui derrubado do céu convosco, e convertido na fealdade que tenho, indigna de minha grandeza e formosura; mas mais que tudo isto me atormenta encontrar-me tão vencido e oprimido deste Homem e de sua Mãe. Desde o dia que foi criado o primeiro homem os tenho buscado com desvelo para destruí-los; e se não a eles, a todos seus feitos, e que nenhum lhe admitisse por seu Deus nem lhe seguisse, e que suas obras não resultassem em benefício dos homens. Estes têm sido meus desejos, estes meus cuidados e esforços; mas em vão, pois me venceu com sua humildade e pobreza, me quebrantou com sua paciência, e ainda me derrubou do império que tinha no mundo com sua paixão e afrontosa morte. Isto me atormenta de tal maneira, que se a ele lhe derrubasse da destra de seu Pai, onde já estará triunfante, e a todos seus redimidos os trouxesse a estes infernos, ainda não ficasse meu ódio satisfeito, nem se aplacasse meu furor.

É possível que a natureza humana, tão inferior à minha, aconteça de ser tão levantada sobre todas as criaturas![1] Que há de ser tão amada e favorecida de seu Criador que a juntasse a si mesmo na pessoa do Verbo eterno! Que antes de executar-se esta obra me fizesse guerra, e depois me quebrantasse com tanta confusão minha! Sempre a teve por inimiga cruel; sempre me foi aborrecível e intolerável. Oh homens tão favorecidos e presenteados do Deus que eu aborreço, e amados de sua ardente caridade! Como impedirei vossa dita? Como os farei infelizes qual eu sou, pois não posso aniquilar o mesmo ser que recebestes? Que faremos agora, oh vassalos meus? Como restauraremos nosso império? Como cobraremos forças contra o homem? Como poderemos já vencê-lo? Porque se de hoje em diante não são os mortais insensíveis ingratíssimos, se não são piores que nós contra este Homem e Deus que com tanto amor os redimiu, claro está que todos lhe seguirão a porfia; todos lhe darão o coração e abraçarão sua suave lei; nenhum admitirá nossos enganos; aborrecerão as honras que falsamente lhes oferecemos, e amarão o desprezo; quererão a mortificação de sua carne, e conhecerão o perigo dos deleites; deixarão os tesouros e riquezas, e amarão a pobreza que tanto honrou seu Mestre; e a tudo quanto nós pretendamos excitar seus apetites, lhes será aborrecível por imitar seu verdadeiro Redentor. Com isto se destrói nosso reino, pois ninguém virá conosco a este lugar de confusão e tormentos; e todos alcançarão a felicidade que nós perdemos; todos se humilharão até o pó, e padecerão com paciência, e não se logrará minha indignação e soberba.

Oh infeliz de mim, e que tormento me causa meu próprio engano! Se lhe tentei no deserto serviu para dar-lhe ocasião a que com aquela vitória desse exemplo aos homens, e que no mundo lhe fosse tão eficaz para vencer-me. Se lhe persegui, ocasionou o ensino de sua humildade e paciência. Se persuadi a Judas que lhe vendesse, e aos judeus que com mortal ódio lhe atormentassem e pusessem na cruz, com estas diligências solicitei minha ruína, e o remédio dos homens, e que no mundo ficasse aquela doutrina que eu pretendi extinguir. Como se pode humilhar tanto o que era Deus? Como sofreu tanto dos homens, sendo tão maus? Como eu mesmo ajudei tanto para que a redenção humana fosse tão copiosa e admirável? Oh que força tão divina a deste Homem, que assim me atormenta e debilita! Aquela minha inimiga, sua Mãe, como é tão invencível e poderosa contra mim? Nova é em pura criatura tal potência, e sem dúvida a participa do Verbo eterno, a quem vestiu de carne. Sempre me fez grande guerra o Todo-poderoso por meio desta Mulher tão aborrecível à minha altivez, desde que a conheci em seu sinal ou ideia. Mas se não se aplaca minha soberba indignação, não me dispo de fazer perpétua guerra a este Redentor, a sua Mãe e aos homens. Eia, demônios de meu séquito, agora é o tempo de executar a ira contra Deus. Chegai todos a conferir comigo por que meios o faremos, que desejo nisto o vosso parecer.

A esta formidável proposta de Lúcifer responderam alguns demônios dos mais superiores, animando-o com diversos arbítrios que fabricaram para impedir o fruto da redenção nos homens. Concordaram todos em que não era possível ofender à pessoa de Cristo, nem minguar o valor imenso de seus merecimentos, nem destruir a eficácia dos Sacramentos, nem falsificar nem revogar a doutrina que Cristo havia pregado; mas que não obstante tudo isto convinha que, conforme às novas causas, meios e favores que Deus havia ordenado para o remédio dos homens, se inventassem ali novos modos de impedi-los, pervertendo-os com maiores tentações e falácias. Para isto alguns demônios de maior astúcia e malícia, disseram: Verdade é que os homens têm já nova doutrina e lei muito poderosa, têm novos e eficazes Sacramentos, novo exemplar e Mestre das virtudes, e poderosa intercessora e advogada nesta nova Mulher; mas as inclinações e paixões de sua carne e natureza sempre são as mesmas, e as coisas deleitáveis e sensíveis não se têm mudado. Por este meio, acrescentando nova astúcia, desfaremos, enquanto é de nossa parte, o que este Deus e Homem tem obrado por eles; e lhes faremos poderosa guerra procurando atraí-los com sugestões, irritando suas paixões, para que com grande ímpeto as sigam, sem atender a outra coisa; e a condição humana, tão tímida, embaraçada em um objeto, não pode atender ao contrário.

Com este arbítrio começaram de novo a repartir tarefas entre os demônios, para que com nova astúcia se encarregassem como por quadrilhas de diferentes vícios em que tentar aos homens. Determinaram que se procurasse conservar no mundo a idolatria, para que os homens não chegassem ao conhecimento do verdadeiro Deus nem da redenção humana. Se esta idolatria faltava, arbitraram que se inventassem novas seitas e heresias no mundo; e que para tudo isto buscassem os homens mais perversos e de inclinações depravadas que primeiro as admitissem, e fossem Mestres e cabeças dos erros. E ali foram fraguadas no peito daquelas venenosas serpentes a seita de Maomé, as heresias de Ário, de Pelágio, de Nestório, e quantas se têm conhecido no mundo, desde a primitiva Igreja até agora, e outras que têm maquinadas, que nem é necessário nem conveniente referi-las. Este infernal arbítrio aprovou Lúcifer, porque se opunha à divina verdade, e destruía o fundamento da saúde humana, que consiste na fé divina. Aos demônios, que o promoveram e se encarregaram de buscar homens ímpios para introduzir estes erros, os louvou e acariciou, e os pôs a seu lado.

Outros demônios tomaram por sua conta perverter as inclinações das crianças, observando as de sua geração e nascimento. Outros de fazer negligentes seus pais na educação e doutrina dos filhos, ou pôr demasiado amor, ou aborrecimento, e que os filhos aborrecessem seus pais. Outros se ofereceram a pôr ódio entre os maridos e mulheres, e facilitar-lhes os adultérios, e desprezar a justiça e fidelidade que se devem. Todos concordaram em que semeariam entre os homens rancores, ódios, discórdias e vinganças, e para isto os moveriam com sugestões falsas, com inclinações soberbas e sensuais, com avareza e desejo de honras e dignidades, e lhes proporiam razões aparentes contra todas as virtudes que Cristo havia ensinado; e sobretudo divertiriam os mortais da memória de sua paixão e morte, e do remédio da redenção, das penas do inferno e de sua eternidade. E por estes meios lhes pareceu a todos os demônios que os homens ocupariam suas potências e cuidados nas coisas deleitáveis e sensuais, e não lhes restaria atenção nem consideração às espirituais, nem às de sua própria salvação.

Ouviu Lúcifer estes e outros arbítrios dos demônios, e respondendo disse: com vossos pareceres fico muito obrigado, todos os admito e aprovo, e tudo será fácil de alcançar com os que não professarem a lei que este Redentor deu aos homens. Mas nos que a admitam e abracem, dificultosa empresa será. Mais nela e contra estes pretendo estreitar minha sanha e furor, e perseguir acerbissimamente aos que ouvirem a doutrina deste Redentor e lhe seguirem; e contra eles há de ser nossa guerra sangrenta até o fim do mundo. Nesta nova Igreja hei de procurar sobremaneira semear minha cizânia, as ambições, a cobiça, a sensualidade e os mortais ódios, com todos os vícios de que sou cabeça. Porque se uma vez se multiplicam e crescem os pecados entre os fiéis, com estas injúrias e sua pesada ingratidão irritarão a Deus para que lhes negue com justiça os auxílios da graça que lhes deixa seu Redentor tão merecidos; e se com seus pecados se privam deste caminho de seu remédio, segura teremos a Vitória contra eles. Também é necessário que trabalhemos em tirar-lhes a piedade, e tudo o que é espiritual e divino; que não entendam a virtude dos Sacramentos, ou que os recebam em pecado, e quando não o possuam, que seja sem fervor nem devoção; pois como estes benefícios são espirituais, é mister admiti-los com afeto de vontade, para que tenha mais fruto quem os usar. E se uma vez chegarem a desprezar a medicina, tarde recuperarão a saúde, e resistirão menos a nossas tentações; não conhecerão nossos enganos, esquecerão os benefícios, não estimarão a memória de seu próprio Redentor, nem a intercessão de sua Mãe; e esta feíssima ingratidão os fará indignos da graça, irritando seu Deus e Salvador que a negará. Nisto quero que todos me ajudeis com grande esforço, não perdendo tempo nem ocasião de executar o que os mando.

Não é possível referir os arbítrios que maquinou o dragão com seus aliados nesta ocasião contra a santa Igreja e seus filhos, para que estas águas do Jordão entrassem em sua boca. Basta dizer que lhes durou esta conferência quase um ano inteiro depois da morte de Cristo, e considerar o estado que teve o mundo e o que tem depois de haver crucificado a Cristo nosso bem e mestre, e haver manifestado sua Majestade a verdade de sua fé com tantas luzes de milagres, benefícios e exemplos de homens santos. E se tudo isto não basta para manter os mortais no caminho da salvação, bem se deixa entender quanto tem podido Lúcifer com eles, e que sua ira é tão grande, que podemos dizer com São João: Ai da terra, que baixa a vós Satanás cheio de indignação e furor! Mas ai dor!, que verdades tão infalíveis como estas e tão importantes para conhecer nosso perigo, escusando-as com todas nossas forças, estando assim tão apagadas da memória dos mortais com tão irreparáveis danos do mundo! O inimigo astuto, cruel e vigilante; nós dormidos, descuidados e fracos! Que maravilha é que Lúcifer se tenha apoderado tanto do mundo, se muitos lhe ouvem, lhe admitem e seguem seus enganos, e poucos lhe resistem, porque se esquecem da eterna morte que com inculpável indignação e malícia lhes procura? Peço eu aos que isto leiam, não queiram esquecer tão formidável perigo. E se não lhe conhecem pelo estado do mundo e suas desditas, e pelos danos que cada um experimenta em si mesmo, conheça-o ao menos pela medicina e remédios tantos e tão poderosos, que deixou na Igreja nosso Salvador e Mestre, pois não aplicaria tão abundante antídoto se nossa dolência e perigo de morrer eternamente não fosse tão grande e formidável.

“MÍSTICA CIDADE DE DEUS”

 Ano 1888


(NdT) * Irmã María de Jesús de Ágreda – Mística

Nasce: 2 de abril, 1602 em Ágreda (Soria)

Morre: 24 de maio de 1665 no mesmo lugar.

Nome de batismo: María Coronel y Arana

Filha de uma nobre família, Francisco Coronel y Catalina Arana.

Foi religiosa com extraordinários dons místicos.

Padecia “mortes místicas” pelas que permanecia imóvel durante horas imóvel e insensível. Seguidamente experimentava êxtases e levitação. Dizem que também tinha o dom de bilocação.

Estes fenômenos a fizeram suspeita ante o Santo Ofício (Inquisição) mas saiu absolvida. Isso fomentou ainda mais sua fama e até o rei Felipe IV quis conhecê-la.

O Papa Clemente X, em 1765, a declarou Venerável.


Obras

Sua obra mais importante, A Mística Cidade de Deus, sobre a Vida da Virgem, foi, segundo a Venerável, ditado pela Virgem Maria. A escreveu duas vezes. A primeira foi queimada pela própria autora por causa da imposição de um religioso ancião que era contrário a que as mulheres escrevessem sobre temas teológicos, e a segunda versão foi publicada após sua morte.

 
Outras: Cartas a Felipe IV, Escala ascética, Exercícios cotidianos, Exercícios espirituais e Leis da esposa.

 http://www.corazones.org/santos/maria_de_jesus_agreda.htm


Fonte: http://adelantelafe.com/conciliabulo-lucifer-infierno-tras-la-muerte-cristo-sor-maria-jesus-agreda/

[1] Cf. Sl 8

Jacinta Marto: uma vida breve, santa e cheia de ensinamentos (III)

Escrito por San Miguel Arcángel

Traduzido por Frei Zaqueu

OS ÚLTIMOS DIAS DE JACINTA E SUA MORTE –– Vamos expor brevemente e em partes a vida e morte de Jacinta Marto. (Tomado do livro “Aparições da Santíssima Virgem em Fátima” pelo Padre Leonardo Ruskovic O.F.M. Ano 1946)

Chegou Jacinta a Lisboa acompanhada de sua mãe; aqui começarão para seu espírito as mais dolorosas provas, e aqui também receberá eterna recompensa das mãos do Eterno Juiz a suas heroicas virtudes.

No hospital onde devia ser internada não encontraram alojamento, por encontrar-se o nosocômio repleto de enfermos. A Providência acudiu em seu auxilio, e por especial exceção foi recebida em um asilo de órfãs chamado Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres (rua da Estrela 17).

Neste asilo se encontrava como em sua própria casa; para ela foi “A casa de Nossa Senhora de Fátima”, e à madre superiora, a quem chamava “madrinha” e em quem havia depositado toda confiança, a tinha em alta estima.

A Reverenda Madre Superiora. Irmã Maria Godinho, ao receber Jacinta no Asilo a considerou uma benção especial do céu e logo pode verificar de seu acertado critério, pois Jacinta era verdadeiro modelo de inocência e modéstia e um vivo exemplo de obediência e paciência, não menos que de piedade; virtudes estas que muito contribuíram ao crescimento espiritual daquele estabelecimento. Aconselhava suas companheiras à prática da obediência e a dominar seus caprichos, repudiar as mentiras e sofrer todas as contrariedades por amor de Deus para obter o céu.

Sua alegria por viver junto a Jesus, sob o mesmo teto, lhe proporcionava tal imensa alegria, que esquecia as cruéis doenças que a martirizavam; enquanto se albergou na Casa de Nossa Senhora de Fátima, acompanhava Jesus em sua solidão do sacrário com frequentes visitas eucarísticas e o recebia quase diariamente em seu inocente coração.

A medida que sua doença cobrava maiores progressos, suas dores também se intensificavam mais e mais; a bondosa Mãe dos Aflitos não deixou de sustentá-la e animá-la nas dolorosas provas com frequentes e consoladoras aparições.

Conversava um dia com a Madre Superiora, quem se encontrava junto ao leito da enferma, quando esta lhe disse:

—Madre, retire-se daqui, porque esse lugar virá em seguida ocupá-lo Nossa Senhora…

E enquanto falava assim, tinha os olhos fixos ao lugar onde esperava a visão.

Exporemos aqui algumas das numerosas instruções que a Virgem Santíssima se dignava comunicar a Jacinta, e que ela revelava fielmente a sua “Madrinha”, a Madre Superiora.

“O PECADO QUE LEVA MAIS ALMAS AO INFERNO É O PECADO CARNAL; POR ISSO É NECESSÁRIO DEIXAR O LUXO, NÃO OBSTINAR-SE NO PECADO COMO ATÉ AGORA; É NECESSÁRIO FAZER MUITA PENITÊNCIA.”

Em outra ocasião lhe dizia a Mãe de Deus: “NÃO POSSO TOLERAR UMAS MODAS QUE TANTO OFENDEN A DEUS NOSSO SENHOR. AS PESSOAS QUE SERVEM A DEUS NÃO DEVEM SEGUIR AS MODAS. AS GUERRAS SÃO SINAIS DE CASTIGOS DO MUNDO”.

Jacinta dizia mui aflita à Madre Superiora: —Nossa Senhora já não pode sustentar o braço vingador de seu Amado Filho, que o estende para castigar o mundo. É urgente fazer penitência; se os homens se corrigem, Nosso Senhor salvará o mundo; mas se não se emendarem, virá o castigo”

Também conta Jacinta que enquanto a Virgem lhe dirigia aquelas palavras, mostrava um semblante tão triste e aflito, que sua alma se lhe desgarrava de pura dor; por isso, ao recordar aquela visão, costumava exclamar com profunda tristeza:

— Como me aflige a dor de Nossa Senhora Ah!… Se os homens soubessem o que é a eternidade, o que não fariam para corrigir-se? Ai daqueles que perseguem a religião!… Se o governo deixasse a Igreja livre e desse liberdade à santa religião, seria abençoado.

Dirigindo-se à Superiora lhe dizia:

—Madrinha, reze muito pelos pecadores; reze muito pelos sacerdotes; reze muito pelos religiosos; reze muito pelos governos. Os sacerdotes devem ocupar-se de seu ministério eclesiástico. Os sacerdotes têm que ser castos. A desobediência dos sacerdotes e dos religiosos a seus superiores ofende muito a Deus.

E em tom mais veemente dizia à Superiora:

—Não ame as riquezas. Fuja do luxo. Seja muito amiga da santa pobreza e do silêncio. Tenha muita caridade com os maus. Não fale mal de ninguém e evite o murmurador. Tenha muita paciência, porque a paciência nos leva ao céu. A mortificação e os sacrifícios são muito agradáveis a Deus Nosso Senhor. Com muito prazer me faria religiosa, mas prefiro mais me ir ao céu. Para ser religiosa é urgente ser muito limpa e casta de alma e de corpo.

— E sabes tu— perguntou-lhe a Reverenda Madre superiora—, o que significa ser casta?

—Ser limpa de corpo — respondeu Jacinta— quer dizer guardar a castidade; ser limpa de alma é cuidar-se para não pecar: não olhar coisas desonestas; não roubar nem mentir jamais, mas dizer sempre a verdade, ainda que nos custe um sacrifício.

— Quem te ensinou estas coisas? — lhe perguntou a Superiora.

Ela humildemente respondeu:

—Nossa Senhora me ensinou.

E verdadeiramente, não há que duvidar que tal sabedoria fosse celestial e infusa em uma menina que não tinha recebido senão conhecimentos muito superficiais da doutrina cristã e jamais tivesse ouvido falar de mística perfeição.

Deus, em prêmio de suas virtudes, a tinha adornado do dom de profecia. Três fatos bastarão para evidenciá-lo:

Recebeu um dia a visita de sua mãe. A Madre superiora perguntou a esta se lhe agradaria que suas filhas Florinda e Teresa se fizessem religiosas.

—Deus me livre!  —respondeu ela muito enfática —.

Jacinta não havia ouvido esta conversação. Passados uns dias manifestou confidencialmente à Madre superiora:

—Muito agradaria a Nossa Senhora que minhas irmãs se fizessem religiosas, mas como minha mãe não está conforme, a Virgem se as levará às duas, dentro de muito pouco tempo, ao Paraíso.

Apenas haviam transcorrido vários meses, quando desconsolada chorava a mãe a morte de suas duas filhas.

Tempo fazia que a Reverenda Madre abrigava um desejo de ir a Fátima.

—A senhora irá — lhe disse Jacinta—, mas será depois de minha morte.

E os fatos confirmaram a veracidade destas palavras. Acompanhando os restos mortais de Jacinta a Vila Nova de Ourem cumpriu seu anelo de visitar Fátima.

Havia um sacerdote terminado de pronunciar uma conferência na capela do Asilo; perguntou a Superiora a Jacinta se lhe haviam agradado as palavras do ministro de Deus. Depois de um breve silêncio respondeu:

— Não me agradou.

— Não ouviste como fala bem? —seguiu interrogando-lhe a Superiora.

— Sim, fala, mas… a Nossa Senhora no lhe agrada.

— É tão bom e fala como um anjo! — afirmou outra vez a Superiora.

— Sim fala…, mas ele não é bom sacerdote.

A Religiosa a admoestou docemente, que de ninguém deveria julgar-se mal e menos dos sacerdotes.

Jacinta nada respondeu. Não passou muito tempo, e aquele triste sacerdote apostatou com grave escândalo dos fiéis.

No Asilo recebia a atenção médica de dois distinguidos residentes, quem lhe dispensavam muita delicadeza e cristã caridade. Um destes lhe rogou que intercedesse muito por ele no céu ante o trono da Santíssima Virgem. Jacinta prometeu cumprir seu desejo, e olhando-lhe com ternura, lhe disse:

—O senhor, doutor, irá ao céu.

O outro doutor se encomendou a si mesmo e a sua filha às orações da enferma: esta respondeu: —Também o senhor, doutor, irá ao céu: primeiramente sua filha, e depois, lhe seguirá o senhor.

Todas estas profecias tiveram mais tarde exato cumprimento.

Jacinta foi trasladada do Asilo ao Hospital de D. Estefania. Ali ficou só, isolada, desconhecida de todos. A Reverenda Madre superiora costumava visitá-la, e era então o único momento de consolo, e alívio. Estendida em sua caminha, sofrendo contínuas dores, recordava aos seus e de especial forma a sua prima e companheira Lúcia, e diariamente a encomendava em sus orações. Por causa da distância não podia comunicar-lhe suas confidências; por isso lhe dirigiu a seguinte mensagem: “Nossa Senhora de novo me visitou e me disse que dia morrerei. Tu fica sempre boa’’.

Muito afligia a nossa enferma o ateísmo e incredulidade dos médicos. Ah!. … se os pobres soubessem o que lhes aguarda!, repetia com frequência.

Ofuscado por uma época de tantos progressos modernos e sob o influxo de uma ilimitada liberdade, o governo português, ateu em sua crença, reduzia por todos os meios a moral cristã. Os incrédulos, para lograr mais facilmente suas diabólicas intenções, propagaram e difundiram a indecente moda feminina na segurança de que perdendo a mulher o belo tesouro do pudor ficariam soltas as cordas a todos os vícios e franca difusão a todas as corrupções. E diariamente estamos contemplando que sob o pretexto de modernas exigências sociais, a imoralidade nos vestidos vai triunfando em numerosas consciências cristãs, ofuscadas pelo ambiente ateu e pagão em que vivemos.

Jacinta, ao contemplar às enfermeiras do hospital com exígua modéstia em seus atavios, costumava dirigir-lhes esta advertência: “Para que serve vosso vestido imoral?… Se soubésseis o que é a eternidade, não vos vestiríeis tão indecentemente”. Jacinta não podia apagar de sua memória o tétrico e dantesco quadro do inferno que vira na Cova da Iria, como tampouco as palavras que lhes dirigira a Santíssima Virgem ao abrir-lhes as ígneas portas do averno: “A maioria das almas que se condenam no inferno, se condenam pelo pecado carnal. Por isso é necessário que o mundo se afaste da vida deliciosa e sensual. Não deve insensibilizar-se no pecado mas fazer penitência deles”.

A doença é um duro crisol que purifica às almas, deixando-as expeditas de todos os afetos terrenos. O último período da vida de nossa enferma não era senão uma contínua e amorosa união com Deus. A ideia de estar afastada de seus pais e irmãos já não trazia nostalgia ao seu espírito, pois Deus preenchia todos seus anelos. “A vida é breve — costumava exclamar—, e logo nos encontraremos todos na região da eternidade”

Em 10 de fevereiro de 1920 foi submetida a uma intervenção cirúrgica; por sua extrema debilidade não pode ser cloroformizada. Sofrendo as terríveis dores da operação, não brotou de seus lábios queixa alguma, exceto os naturais e angustiosos suspiros. “Meu Jesus — repetia com frequência em meio de suas dores— seja tudo por teu amor e pela conversão dos pecadores! Aceita este sacrifício pela salvação de muitos deles”.

Três dias antes de sua morte recebeu a visita da Reverenda Madre superiora do Asilo, e então Jacinta lhe manifestou: “De novo me visitou Nossa Senhora e me disse que dentro de pouco viria buscar-me e que não terei mais dores”. E desde aquele momento deixaram de martirizá-la os terríveis sofrimentos e se apagaram de seu rostro os vestígios de dor.

Em 20 de fevereiro, às 16 horas, sentiu apoderar-se de suas forças extrema debilidade e pediu a presença de um sacerdote para que lhe administrasse os últimos auxílios da religião. Depois de receber a absolvição sacramental, expressou ao ministro de Deus seu vivo desejo de receber por viático Jesus-Eucaristia.

O sacerdote prometeu que o traria à manhã seguinte, pois os sintomas, ainda que graves, não acusavam um próximo desenlace. Insistiu em seus desejos a pequena enferma, mas não foi atendida; assim o havia disposto Deus, exigindo dela um último e doloroso sacrifício, que ofereceu resignada pela conversão dos pecadores.

Havia soado por fim para Jacinta a hora de liberar-se desta miserável envoltura humana e voar apressadamente rumo às mansões celestiais. Quando o relojo do tempo assinalava as 23 e 30 horas, começavam para Jacinta as horas infinitas da eternidade. Como se o prometesse, a Rainha dos Céus, rodeada de inúmeros espíritos angélicos, desceu de seu magnífico trono de glória a receber em sua Imaculada Mão a inocente alma de Jacinta Marto. Expirava em suma paz, assistida unicamente pela gentil enfermeira Aurora Gómez, a quem chamara com especial carinho “minha Aurorazinha”.

Havia cumplido heroicamente a admirável e difícil missão que lhe encomendara a Mãe de Deus na Cova da Iria, 34 meses e 18 dias atrás. A ela como aos outros dois videntes, lhes havia pedido a Santíssima, Virgem voluntários sacrifícios praticados por amor a Deus, em reparação das ofensas cometidas diariamente; contra o Imaculado Coração de Maria, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre, pelas benditas almas do Purgatório, especialmente pelas mais abandonadas. E assistida da graça de Deus, Jacinta, com imensa caridade, generosamente se havia imolado na ara dolorosa do sacrifício; agora podia exclamar com a mesma segurança do Apóstolo: “Combati o bom combate e cheguei ao fim. Agora aguardo a recompensa que me dará o Justo Juiz”.

Cumprindo o expresso desejo da defunta, seu corpo foi amortalhado em alva veste com uma faixa azul que cingia sua cintura. Engalada com esta veste tinha se aproximado um dia para receber pela primeira vez em seu peito ao Cordeiro Imaculado.

A capela de Nossa Senhora dos Anjos guardou transitoriamente seus despojos mortais; Jacinta descansava agora à sombra do Santuário da Santíssima Virgem, a quem ela tanto havia amado e venerado.

Veloz como a aurora correu a notícia do falecimento por todo Portugal, e como obedecendo a um só impulso, desfilaram ante o féretro em interminável caravana homens de toda condição social. Todos anelavam possuir uma relíquia, mas estando proibido cortar algo de sua veste, satisfaziam seus desejos fazendo tocar sobre o venerado corpo quantos objetos tinham a seu alcance, paninhos, medalhas, rosários, etc.

Três dias e meio ficou exposto o corpo defunto à veneração pública e ante um imenso gentio que ia cobrando proporções cada vez mais gigantescas. A expressão angelical da que fosse mártir do amor divino obrava nos corações qual poderoso e secreto imã.

O senhor Antonio Rebelo de Almeida, encarregado de custodiar o venerando corpo, nos descreve assim sua impressão: “Me parecia antes ver ante meus olhos um anjo que um despojo de ser humano. Seu corpo mortal parecia vivo. Seus lábios, assim como todo seu rosto, eram semelhantes às mais belas rosas. O agradável odor que exalavam seus membros não pode explicar-se naturalmente; superava à fragrância das mais perfumadas flores. Muitas pessoas acudiram a venerá-la e todos se retiravam levando em suas almas a impressão de haver contemplado uma santa”.

O notável especialista doutor Enrique Lisboa faz notar particularmente o aromático perfume que exalou constantemente o corpo defunto todo o tempo que permaneceu insepulto, tendo Jacinta falecido de uma pleurisia purulenta.

Em 24 de fevereiro, às 11 horas, era levada processionalmente à estação ferroviária Rosário, desde onde em triunfal apoteose devia seguir até Vila Nova de Ourem e ser depositada no suntuoso mausoléu da família do barão de Alvaiázere.

Esta piedosa conduta do barão em dar tão magnífica pousada aos restos venerandos de Jacinta, evitando assim a profanação dos anticlericais, foi para ele e para toda sua família jalón bendito de inumeráveis graças da parte do Altíssimo. Os membros desta ilustre família se encontravam atacados dos mortíferos micróbios da tuberculose; quatro irmãos do barão haviam caído vítimas desta doença, e desde aquele momento em que Jacinta, podíamos dizer, entrou a formar parte integrante da família, o terrível flagelo abandonou seu domínio, vencido pelo hálito protetor do “Anjo da Guarda”, como costumava chamá-la o piedoso barão de Alvaiázere a Jacinta.

Neste suntuoso mausoléu ficou o corpo de Jacinta até 12 de setembro de 1935, data em que por decreto do bispo diocesano foi trasladado a Fátima, acompanhado de um grandioso cortejo. “Com lágrimas nos olhos — escreve o piedoso barão — vimos retirar do mausoléu a bendita relíquia, por cuja intercessão havíamos conseguido tantas graças celestiais”.

Antes de empreender a triunfal marcha, abriram o féretro na parte da cabeceira e encontraram seu rosto incorrupto, mostrando a plácida expressão do que disfruta de um tranquilo sonho. Fecharam novamente o venerado féretro em presença das autoridades eclesiásticas e civis, e iniciaram a marcha até o novo destino.

Na Cova da Iria, lugar das benditas aparições, se deteve o cortejo, cantaram o ofício de defuntos e celebraram uma Missa.

Chegaram por fim a Fátima, em cujo cemitério, que se encontra junto à mesma Igreja Paroquial, o bispo diocesano, Mons. José Alves Correia da Silva, havia ordenado construir um mausoléu para os dois videntes: Francisco e Jacinta Marto. O mausoléu, em suas linhas arquitetônicas, é de sóbria simplicidade, distinguindo-se entre os demais por sua nítida brancura. Em sua entrada lemos o seguinte epitáfio: “Aqui jazem os restos mortais de Francisco e Jacinta, favorecidos com a augusta presença da Rainha dos Céus”.

Em 20 de fevereiro de 1944, aniversário da morte da inocente pastorinha Jacinta, foi abençoada uma placa comemorativa no Hospital Estefânia, o qual leva o seguinte epitáfio:

“Em 20 de fevereiro de 1920, Às 23:30 horas, faleceu neste Hospital, Jacinta Marto,

Ainda não cumpridos 10 anos de sua vida. É uma dos três videntes, Aos que se apareceu em “Fátima A Bem-aventurada Virgem Maria.”

“FINAL DA PUBLICAÇÃO DE JACINTA”


Fonte: http://adelantelafe.com/jacinta-marto-una-vida-breve-santa-llena-ensenanzas-iii/

Jacinta Marto: uma vida breve, santa e cheia de ensinamentos (II)

Escrito por San Miguel Arcángel

Traduzido por Frei Zaqueu

 

JACINTA NO HOSPITAL –– Vamos expor brevemente e em partes a vida e morte de Jacinta Marto. (Tomado do livro “Aparições da Santíssima Virgem em Fátima” pelo Padre Leonardo Ruskovic O.F.M. Ano 1946)

A enfermidade continuava sua ação destruidora no corpo de Jacinta; seus pais, alarmados, resolveram levá-la ao hospital de Vila Nova de Ourem. Este povoado, como já dissemos ao princípio desta história, é de origem medieval. Muito próximo se encontra C’astel, o último e bem patente vestígio muçulmano.

Vila Nova já é bem conhecida por nossos pastores; ali passaram três dias de duro cárcere, abandonados de todos, até de seus mesmos pais.

Muito penoso parecia aos pais de Jacinta comunicar a sua pequena esta resolução, ignorando eles que a enferma esperava já de antemão, com tranquila resignação, este desejo da vontade Divina; seus pais ficaram admirados vendo com quanta serenidade e calma recebia de seus lábios a triste notícia.

De todos se despediu, especialmente de Lúcia, a quem nesta ocasião lhe referiu tudo o que a Santíssima Virgem lhe havia manifestado quando se lhe apareceu durante sua enfermidade.

—Perguntei a Nossa Senhora — disse Jacinta— se tu também irias a Vila Nova, e me disse que não; isso foi para mim o mais penoso. Me advertiu que minha mãe me acompanharia ao hospital, e ali ficaria só.

Depois de um momento de silêncio, Jacinta acrescentou:

— Ah, se tu fosses comigo!… Me custa separar-me de ti. No hospital estarei sem nenhuma companhia. Quanto sofrerei ali!

Bem conhecia a pequena enferma por que ia ao hospital; assim o manifestou a sua prima quando lhe disse:

—Nossa Senhora quer que vá ao hospital, não para curar-me, mas para sofrer ali por amor de Deus e pela conversão dos pecadores.

E estas proféticas palavras que lhe comunicara a Mãe de Deus cumpriram-se ao pé da  letra.

Quando sua mãe a visitou pela primeira vez, não manifestava outro anelo que o de ver sua prima Lúcia.

Na segunda visita chegou a senhora Olimpia, acompanhada de Lúcia; quando se viram as duas inseparáveis companheiras, se abraçaram ternamente e lembraram os distantes dias de inocente alegria. Os momentos transcorreram velozes e quando se despediram, muito tinham ainda que dizer-se mutuamente. A quantos perguntavam a Lúcia pela saúde de Jacinta, respondia:

—A encontrei como sempre, muito alegre. Seu único desejo é sofrer por amor de Deus, em honra do Imaculado Coração de Maria e pela conversão dos pecadores. Só nisso pensa e disso fala; é seu único e maior anelo.

Depois de dois longos meses de permanência no hospital, Jacinta regressou novamente a sua casa sem a menor mostra de alívio. Ao contrário, se lhe manifestou uma grande ferida ao modo de úlcera e que era necessário curá-la com muita dor da  paciente. Nova penitência que a bondosa e paternal mão de Deus a enviava e ela aceitava com inteira resignação. Não era para ela menos dorosa cruz as contínuas e multiplicadas visitas que afluíam agora mais numerosas, ao saber-se a notícia de sua grave enfermidade; a todas recebia com plácido semblante, oferecendo a Deus seus interiores sofrimentos, pela conversão dos pecadores e em sufrágio das benditas almas do Purgatório. Muito lhe comprazia a visita dos pequeninos; com eles passava doces momentos, ensinando-lhes os rudimentos da doutrina cristã; lhes fazia rezar o santo rosário e lhes aconselhava não ofender a Deus Nosso Senhor para não cair no inferno…, e os pequeninos se encontravam felizes na amável companhia da bondosa paciente.

Nunca olvidava o seu já defunto irmão Francisco.

— Ah, se pudesse vê-lo!… —repetia com frequência.

Sua prima a consolava, dizendo-lhe:

—Já logo o verás; já não te falta muito para ir ao céu; em troca, eu. . .

—Pedirei muito para que logo te dirijas ao céu— dizia Jacinta —; é Nossa Senhora a que deseja que ainda continues vivendo na terra.

Visitou um dia Lúcia o senhor pároco de Olival, quem, como temos dito, se interessava muito pelo profresso espiritual dos pastorzinhos; ao saber que Jacinta se encontrava muito enferma e tão sumamente debilitada que não podia rezar de joelhos suas orações, lhe ordenou que as recitasse em seu mesmo leito de dor. Ao ouvir Jacinta a mensagem, respondeu:

— E Nossa Senhora estará conforme com tal oração?

Lúcia lhe respondeu que era vontade de Deus o cumprimento dos mandatos de seus ministros.

Jacinta manifestava confidencialmente a Lúcia o seguinte:

— Se soubesses quanto gozo todas as vezes que digo a Jesus que lhe amo!; sinto em meu interior como se tivesse fogo.

Muito resignada lhe disse um dia a Lúcia:

—De novo vi à bela Senhora e me disse que me levariam novamente ao hospital, em Lisboa, e que ali sofrerei muito e morrerei sem ver-te… Mas me animou muito a sofrer tudo por amor de Deus e que Ela mesma me levaria ao Paraíso—, e concluiu entre lágrimas:

—Nunca mais te verei; lá não irás visitar-me…

Não haviam passado vários dias deste doloroso colóquio, quando se apresentou em Aljustrel um especialista, o doutor Enrique Lisboa, e diagnosticando a nossa enferma declarou que era necessário levá-la à capital, Lisboa, e ali operá-la, assegurando a seus pais que recobraria a saúde.

Ao pensar Jacinta em sua rápida e para sempre ausência, não podia evitar que furtivas lágrimas assomassem seus olhos. E encontrou-a um dia Lúcia abraçando ternamente uma imagem da Virgem e dizendo:

— Oh, querida Mãe Celestial!… morrerei tão longe de meus pais e de Lúcia?. . .

Quanto mais se acercava a morte, tanto mais se acrescentava nela o desejo veemente de salvar pecadores!

— Que farás no céu? — lhe perguntou Lúcia.

—Amarei muito a Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. Rezarei pelos pecadores e pelo Santo Padre.

E terminou rogando a sua prima que não revelasse a ninguém tudo quanto a Santíssima Virgem lhe havia manifestado.

Chegou o dia fixado para partir rumo a Lisboa. Momentos amargos e dolorosos foram para nossa enferma aqueles em que dirigia o último adeus aos seres queridos, de quem agora a distância a afastava e a morte mais tarde se encarregaria de selar com seu gélido hálito esta separação. Difícil é à palavra interpretar fielmente os sentimentos que unem a duas almas que vibraram e latiram uníssonas sob o impulso de um mesmo e santo ideal. Que poderemos dizer dos últimos instantes que transcorreram para Jacinta e Lúcia?… Deixemos respeitosos correr as lágrimas que brotaram de ambos corações, que elas, em sua muda linguagem, nos falarão com mais eloquência.


Fonte: http://adelantelafe.com/jacinta-marto-una-vida-breve-santa-cheia-ensenanzas-ii/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook

Jacinta Marto: uma vida breve, santa e cheia de ensinamentos (I)

Nos próximos sábados, apresentamos uma série de Jacinta Marto: uma vida breve, santa e cheia de ensinamentos“, escrita pelo colunista do site Adelante la Fe sob nome de San Miguel Arcángel, que foi traduzida por nosso colunista Frei Zaqueu. Boa leitura!


Escrito por San Miguel Arcángel

Traduzido por Frei Zaqueu

 

JACINTA – Vamos expor brevemente e em partes a vida e morte de Jacinta Marto. (Tomado do livro “Aparições da Santíssima Virgem em Fátima” pelo Padre Leonardo Ruskovic O.F.M. Ano 1946)

Na presente história é muito conveniente fazer uma breve reflexão sobre a vida de Jacinta. Sua característica é: comiseração pelos pobres pecadores e sentir por eles; depois da primeira aparição da Virgem na Cova da Iria, sede insaciável de imolação ante a justiça ofendida de Deus.

Menina inocente, ignorando ainda a fealdade e malícia daquele pecado que ultrajara a virtude angelical da santa pureza, depois que a bondosa Mãe dos pecadores lhe manifestou que a maioria das almas se condenam, arrastadas pela cega paixão da sensualidade, pratica toda classe de sacrifícios para expiar de alguma maneira tão nefandos crimes.

Jacinta nasceu em 11 de março de 1910. Sua mãe Olimpia contraiu segundas núpcias com don Manuel Marto. Do primeiro matrimônio teve dois filhos, e do segundo nove. Dos onze, a menor era Jacinta.

A história nos atesta que destas numerosas famílias saem ordinariamente eminentes figuras que honram à humanidade, enquanto que se atraem a maldição de Deus e da Pátria os matrimônios voluntariamente estéreis, os que aniquilam as vidas de seres indefesos apenas embarcados no baú da existência, os que anelando unicamente o voluptuoso prazer de satisfazer seus apetites irracionais fogem dos frutos sagrados do matrimônio.

Por ser a menor da família, Jacinta era o rico tesouro e a flor mais mimada de seus pais e irmãos. Nela, antes da primeira aparição, nada notava de extraordinário, nem sinal algum de sua futura santidade. Ao contrário, tinha muita imperfeição. Com suas companheiras, afirma Lúcia, era com frequência bastante antipática, por seu carácter demasiado melindroso. Sempre lutava para sair triunfante com sua opinião. Nos jogos era necessário deixá-la que escolhesse o que mais lhe agradava. Ordinariamente não gostava de entreter-se senão com Francisco e sua prima Lúcia. Demonstrava especial afeição ao jogo dos botões; quando a chamavam para comer, sempre guardava várias peças deste artigo com o fim de ser dona absoluta no jogo seguinte. Mas o baile a atraía com singular complacência; era suficiente sentir o pulsar de qualquer instrumento para que imediatamente se pusesse a bailar e ainda que criança ainda, era já uma “artista” na dança, segundo expressão de sua prima Lúcia.

Pouca inclinação sentia à oração. Para terminar quanto antes a reza do santo rosário, dizia somente: “Ave Maria, Ave Maria”, e quando chegávamos ao fim de cada mistério —nos conta Lúcia—, rezávamos com muita lentidão o Pai Nosso e assim concluíamos em um abrir e fechar, de olhos.

Quando mais tarde, principalmente nos dois últimos anos de sua vida, a encontramos praticando heroicas virtudes, podemos admirar o efeito da graça divina quando a alma corresponde amplamente aos amorosos chamados de Deus; a santidade não é um dom gratuito do Senhor, mas o resultado feliz da íntima cooperação do homem com a vontade de Deus.

A santidade consiste no amor centrado em Deus e no próximo. É necessário o esforço do homem, lutando contra suas más inclinações. As imperfeições da alma são como ferrugens, que é preciso limpá-las para que não privem a alma de sua lucidez e beleza.

Em meio da veleidade natural da infantil idade, Jacinta procurava não ofender a Deus. Jogava em certa ocasião às “prendas”, jogo no que o ganhador manda com absoluto império aos outros, que devem obedecer submissamente. Coube a mim a sorte de ganhar —conta Lúcia—, e mandei Jacinta abraçar e beijar um irmãozinho meu que estava ali próximo.

—Isso não —respondeu Jacinta—; por que não me mandas outra coisa? Manda-me beijar o Crucifixo, que está preso na parede.

—Está bem —respondeu Lúcia—, beija-o.

Jacinta, subindo em uma cadeira, abraçou três vezes a sagrada efigie, dando-lhe três ósculos, um por Francisco, outro por Lúcia e o terceiro por ela; ao beijar o Crucifixo dizia:

—A Cristo, Nosso Senhor, beijo quanto queiras.

Lúcia lhes referia as dolorosas cenas da Paixão do Senhor; ao concluir, Jacinta, muito enternecida, suspirou:

— Pobre Nosso Senhor!; daqui por diante não quero pecar mais, não quero que Nosso Senhor sofra.

Depois da primeira aparição, Jacinta não buscava outra coisa senão agradar a Deus e a sua Divina Mãe, imaginando sempre novas mortificações para oferecê-las a Deus pela conversão dos pecadores, em sufrágio das almas do Purgatório e pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria, de tal maneira que sua breve vida podemos compendiá-la em “breve vida de reparação pelos ultrajes cometidos contra Deus Nosso Senhor”. Este generoso amor a Deus o observamos nos inumeráveis sacrifícios e o veremos especialmente durante o período de sua dolorosa e grave doença; tão enamorada estava de Deus, que por seu amor aceitava comprazer qualquer gênero de martírio; nada, absolutamente nada, podia separá-la da caridade de Cristo.

Com agigantados passos caminhou Jacinta pela senda da santidade nos dois anos seguintes à aparição na Cova da Iria; todos seus desejos e afetos estavam concentrados em Deus, e por isso anelava tanto sua alma unir-se a Jesus–Hóstia na sagrada comunhão; bem sabia que o manjar eucarístico havia que recebê-lo “só por amor, quem só por amor se deu a nós”, conforme afirma são Francisco de Sales. Viu tornar-se em doce realidade seu ardente desejo em maio de 1918, mês destinado na Europa ao culto de nossa Divina Mãe. Uniu sua alma pela primeira vez ao Cordeiro Imaculado na Igreja de Fátima, lugar onde anos atrás nascera à vida da graça. Desde este momento, Jacinta se abraça mais que nunca a seu Divino Amado e para Ele continua vivendo e latindo seu Coração.

Lúcia, falando desta íntima união com Jesus, nos diz: “Se sentia junto a Jacinta o que de ordinário se experimenta junto a uma pessoa santa, que a todo momento está em íntima união com Deus. Jacinta, (desde a primeira aparição) conservava sempre um continente sério, modesto, amável, que parecia traduzir seu sentimento da presença de Deus em todos seus atos, sinais próprias em pessoas de idade e consumadas em virtude. Se em sua presença alguma criança ou pessoa de idade dizia o fazia algo inconveniente, os reprendia dizendo-lhes: “Não faças isso, porque ofendes a Deus Nosso Senhor”. Se alguma pessoa se burlava dela chamando-a beata, hipócrita ou santa de pau oco, o que acontecia com muita frequência, a olhava docemente e recebia essas injúrias sem dizer palavras”.

Enquanto Francisco seguia em seu leito de dor, o mesmo terrível mal, a febre espanhola, postrou também em cama sua irmãzinha Jacinta, mas pode reestabelecer-se prontamente de sua doença e voltar novamente junto ao leito de Francisco. Um dia, enquanto ainda estava enferma, chamou apressadamente sua prima Lúcia; quando aduziu, lhe disse:

“Por que não vieste mais cedo?… assim terias podido ver Nossa Senhora. Esteve aqui e me disse que logo levaria ao céu a Francisco. Me perguntou se desejava converter mais pecadores, e ao responder que sim, me manifestou que iria a um hospital aonde me aguardavam muitos sofrimentos, e me pediu que todos os sofresse por amor de Deus e em reparação dos ultrajes contra o Imaculado Coração de Maria”.

Pouco tempo depois da morte de Francisco, Jacinta sentia esgotar-se sua saúde, até que um dia, com santa resignação à divina vontade, voltou ao leito do dor. Quando recebia a visita de Lúcia, sempre lhe encomendava que lhe dissesse a Jesus escondido (assim chamava a Jesus no Santíssimo-Sacramento), que lhe amava muito.

Recebia muito consolo com a visita de sua bondosa prima e costumava dizer-lhe:

—Fica um pouco mais comigo; me consola tanto tua presença!..

Quanta caridade e união ligava essas inocentes almas!. . .

Algumas vezes, Lúcia lhe apresentava bonitas e perfumadas flores recolhidas do campo. Ao vê-las, Jacinta exclamava:

—Eu nunca tornarei ao Cabeço, nem a Valhinhos, nem à Cova da Iria.

—Consola-te, porque logo irás ao céu gozar de Deus — lhe respondia Lúcia.

Pela extrema debilidade que havia alcançado seu inocente corpo, não lhe foi possível levar mais tempo cingido o rude cilício com que havia mortificado sua carne; o depositou nas mãos de Lúcia, dizendo-lhe:

—Toma esta corda, e se me saro, me a devolverás.

A corda tinha três nós e estavam tingidos de sangue. Hoje esta corda se conserva junto com a de Francisco, como preciosa relíquia no grandioso santuário de Nossa Senhora de Fátima. Lúcia queimou a sua ao retirar-se ao convento.

Ao ver a senhora Olimpia que sua pequena Jacinta se esgotava pela ação lenta mas contínua da doença, amargo tormento lacerava seu coração de mãe e lágrimas ardentes sulcavam suas faces. Em tal transe, Jacinta a consolava:

—Não chores mãe, porque me vou ao céu, de onde rezarei muito por ti.

Aos amorosos cuidados de sua mãe, ela manifestava sempre que nada necessitava. Unicamente Lúcia conhecia a razão desta conduta.

—Tenho sede— lhe dizia a esta—, mas não quero beber; quero oferecer este sacrifício pela conversão dos pecadores.

Um dia não quis provar uma taça de leite que lhe oferecia sua mãe, e grande foi a dor desta ao ver que sua filha rejeitava o alimento. Lúcia estava presente, e quando ficaram sós lhe disse:

— Por que desobedeces a tu mamãe e não ofereces este sacrifício a Nosso Senhor?

Humildemente prometeu obedecer sempre, e, pedindo o alimento, satisfez a vontade de sua mãe.

— Ah, se soubesses com quanta repugnância tomei o leite! — confessava a sua prima.

Conforme havia prometido obedecer, recebia todos os alimentos que lhe subministravam, ainda que eles lhe causassem profunda repugnância. Outro dia lhe ofereceu sua mãe uma taça de leite e um cacho de uvas: ela, muito alegre, bebeu o primeiro e rejeitou as uvas, ainda que estas fossem de seu agrado.

Quando Lúcia a animava com a esperança de recobrar a saúde, ela respondia:

—Já sabes que não melhorarei. Sinto dentro do peito muita dor, mas tudo o sofro pela conversão dos pecadores.

Horas inteiras transcorriam sem que entabulasse conversação, exceto com Lúcia. A senhora Olimpia perguntou a esta, porque Jacinta passava tanto tempo em profundo silêncio.

—Já lhe preguntei —respondia Lúcia—, mas sorrindo-se não quis dizer-me nada.

Não obstante, para comprazer à afligida senhora, a interrogou novamente, respondendo Jacinta:

—Penso em Nosso Senhor Jesus Cristo e no Imaculado Coração de Maria, como também no segredo que nos havia comunicado. . .

Bem podemos ver quanto intimamente unida esteve Jacinta com seu amado Jesus; este amor animava em sua alma a sede insaciável de penitências e sacrifícios; seu anelo era sofrer e sofrer muito pelos pecadores, consolar ao Imaculado Coração de Maria em sua pena pelos ultrajes dos homens.

__________________

Fonte: http://adelantelafe.com/jacinta-marto-una-vida-breve-santa-cheia-ensenanzas-i/

O Aborto e o Culto Satânico ou A “New World Worder”

Publicamos, em caráter extraordinário, o artigo semanal de Frei Zaquel.

Trata-se do 3º artigo de 3, de uma série sobre o Aborto. Este é o último artigo dessa série, e também dos artigos iniciais de Frei Zaqueu. Boa leitura!


Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

À guisa de introdução não sou exorcista. Nem demonólogo. Analista político, investidor da Bolsa ou sionista. Mas como fui o vencedor entre bilhões; entre milhões recebi o Selo fluído concedendo-me nada menos que a condição de um filho de Deus, confirmado, entre outros milhões mais, com outro Selo, invisível, mas mais indelével que as marcas visíveis dos pagãos em seus corpos; como ao longo de algumas décadas, entre centenas de milhares logrei escapar às cotidianas possibilidades de morte com as quais nos deparamos sem que nos demos conta; como, por fim, me foi concedida alguma medida de inteligência e certas condições de alimentá-la: mais que um direito, é um dever que se me impõe falar contra a morte (a má, porque a  exemplo do colesterol, também há uma boa). Isto posto, vamos ao que interessa.

7 dias. E falamos sobre o Aborto sob sua mórbida causa principal, a Gnose ou o pensamento gnóstico, recordando que “No primeiro (de três) abordei o Limbo como uma das possíveis causas-consequências sobrenaturais para o Aborto institucionalizado”[1]. Após, sob um aspecto digamos mais natural, “o que move este ato, sua legalização ilegal e a adesão por parte de pessoas cuja defesa da vida deveria vir umbilicalmente ligada à função que exercem. Também o contexto em que se insere, o da Cultura da morte[2]. Aqui, tentarei pôr fim à thanata[3] tríade falando em autorias, intensões e consequências. Quiçá se encerrassem com ela os casos de aborto, mas esta é nada além de uma leda esperança…

Permitam-me então iniciar este fim de tríade com um elemento comum a todas: o sangue. No momento em que escrevo estas linhas um milenar sangue em estado sólido que deveria tornar-se líquido neste 16 de dezembro de 2016 não o fez[4]: permaneceu endurecido. Como a dura face divina em ocasiões de contumaz teimosia, desobediência e indiferença humanas. Para aprendermos a não negligenciar nosso Pai do Céu que, como modelo de nossos pais terrenos (os que ainda fazem jus a esta palavra), castiga. Para aprendermos que o castigo divino se dá menos de forma ativa como passiva: soltando-nos as mãos. Para aprendermos a não derramar sangue inocente. Daí que pelo sangue endurecido do santo mártir é provável que em breve muito sangue liquidamente vá rolar, sendo muitos os liquidados a exemplo das outras vezes em que o santo sangue não se liquefez. Infeliz destino de tantos surdos, cegos e mudos aos apelos do Amor. É que o aborto, um dos desencadeadores da ira divina e novamente em voga, envolve também o amor, ainda que sob a forma de rejeição.

É fato que desde o primeiro fratricídio da história o homem imola o homem sobre o altar da soberba, da inveja e do ódio. Assim, o sangue de Abel se torna o primeiro de milhões a encher, gota a gota a ensandecida e insaciável taça colérica dos homens. Mas ela não será a única. Uma outra taça de cólera se enche em medida inimaginável com o sangue inocente, e esta é a taça da justiça divina. O Apocalipse revela a força deste sangue no clamor por justiça – e mesmo por vingança – porque o Gênesis já lhe autorizava. E a propósito do Apocalipse se diz que Chesterton[5] dizia que para ficarmos por dentro das últimas notícias bastava com abrir este livro sagrado. Concedamos-lhe ainda esta vez a razão. Com base nessa afirmativa e seguindo o conselho de Cristo é bom que comecemos a dar mais atenção, à luz da Tradição, a esta divina Revelação como “lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações” (1 Pe I, 19).

Mas como disse ao abordar o aborto inserindo-o – obviamente – em uma lógica de morte, claro como a luz que nessa humana tragédia devesse figurar um personagem central, o Pai das trevas, o “homicida desde o princípio”, pois a morte não só lhe interessa como lhe é familiar. Para falar neste personagem é mister dizer que o símbolo taoísta do yin yang é um sofisma. Não somente pelo Taoísmo ser outro dos tentáculos gnósticos como pelo fato de a verdade valer para um dos lados do círculo, somente. O lado verdadeiro está em que de fato não há nada completamente mal que não possua um bem. Ou mau que não seja em algo bom. É o lado preto com o ponto branco. Mas como todo sofisma que se preza, em algum ponto enganará, ao fim e ao cabo arrastando-nos ao erro. O lado branco com o ponto preto indicando que não existe nada absolutamente bom é um erro grasso e grosseiro, pois há uma exceção e esta reside em Deus. Isto já é o suficiente para atribuir a este símbolo os adjetivos supracitados. Do sumo Bem, ou Suprema Bondade, como dizia Santo Tomás (outro que deveria ser tomado em conta nesses tempos obscuros) não pode advir algo mal, ou mesmo mau. Sendo a morte consequência do mal, dele não poderia advir. Em que pese e façam beiço os satanistas, satanás nunca foi ou será o antagonista à altura, pelo simples fato de não ser absolutamente mau, uma vez que possua coisas boas como, por exemplo, a existência (sinal de que nem ele foi abortado). E isso não é de poca monta como dizem nossos cari fratelli. E que viva Agostinho de Hipona (outro aconselhável) quem nos deu esta verdade!

Mas o fato é que aquele anjo bendito escolheu de livre e espontânea vontade a maldição-para-sempre. E se foi suficientemente convincente para arrastar milhões de semelhantes com ele, dificilmente não o lograria com seres pouco inferiores[6] como nós (hoje, um pouco mais…). Corrompendo a Mãe dos viventes logrou, primeira e indiretamente, com que a morte entrasse no mundo. E não demoraria para que o posterior fratricídio entre os seus primeiros filhos inspirasse similitudes como o sororicídio, o matricídio, o parricídio, o filicídio[7], o infanticídio, o uxoricídio, o suicídio – e mesmo o fordicídio – até galgar o cume dos homicídios com o deicídio. A Meretriz apocalíptica embriagava-se com o sangue dos mártires, à exemplo da mencionada no livro dos Reis citada no Primeiro de três, pois o espírito de morte reclama a seiva da vida. Assim, o espírito homicida reclamará da seiva da vida humana para encher a sua taça insaciável. Não somente a título de serviço prestado, mas de serviço ofertado. Mesmo tornado o Anjo de luz em Príncipe das trevas não perde a potestade, somente que inverte sua destinação, sendo ora em diante obcecado pela coroa real. E como o reconhecimento por excelência da realeza divina é o culto de latria, também ele quererá ser adorado em culto próprio e com vítimas próprias, invertendo as polaridades ao se fazer passar pelo mocinho; porque também é o Pai da mentira. E aqui chega-se ao ponto nuclear, em que sou obrigado à força de justiça a tratar, mas antecedido da observação abaixo, uma vez que entender a questão não é tarefa das mais simples, envolvendo quase tantas vertentes quanto os fios de cabelo em uma cabeça adulta.

[Mea culpa. Por falta de entendimento não só o povo perece[8], como faz perecer. Para abdicar da hipocrisia e restituir a quem defraudei, ainda que de maneira aquém das minhas defraudações, mesmo já o tendo feito ao sacerdote competente tenho de confessar aqui que também eu já abortei. Se não pelas condições feminina ou médica que não possuo, pela condição de auxiliar. Um mau auxiliar. Como o foi nossa primeira mãe ao nosso primeiro pai. Auxiliando com meios sedutores a que algumas Evas provassem do fruto proibido sacrificando assim vidas inocentes. Num tempo em que fui levado a pensar no sexo como coisa hedonista e nos filhos como coisa descartável ainda que fosse para o seu próprio bem, no velho sofisma de que melhor é não deixar vingar a vida se for para fazê-la sofrer. Assim cri, como irresponsável, covarde e estulto. E assim agi, como coassassino filicida e infanticida. Até a misericórdia se antepor à justiça e fazer com que em Sua luz eu visse a luz. Não encontrando então algo selado com relação a este ponto específico de nossa doutrina pelo fato de estar ainda em aberto[9], meu primeiro impulso se deu através de um sólido e profundo desejo do Batismo a todos os santos inocentes cujos seios maternos auxiliei a que se tornassem um campo de batalha mortal. Para isso fiz o que de melhor estava ao alcance: encomendei ao Senhor do Tempo Santas Missas ad orientem nesta intensão. Em seguida me comprometi em rezar e sacrificar-me por cada um, por toda a vida, ainda que não tivesse ou continue tendo ideia de quantos poderiam ter (s)ido. Por fim, confessei a minha culpa ao tempo em que comprometi-me também eu a combater contra toda espécie de morte má dali em diante. E que o bom Deus, pelo Seio virginal, permita-me reencontrá-las algum dia plenamente felizes, juntamente com suas hoje infelizes mães.]

Feito o registro, sigamos adiante.

A coisa, apesar de complexamente tremenda é simples no tocante a causas e efeitos. O aborto, o comprovam as Escrituras, a Tradição e o Magistério, além de muitos envolvidos direta ou indiretamente, é uma mistura de alguns elementos nada desprezíveis que vão do ódio à vida (leia-se também: à matéria[10]) ao culto satânico de latria: adoração ao demônio com direito à oferenda sacrifical humana. Já o faziam alguns primitivos povos pagãos; ainda o fazem alguns desenvolvidos povos pagãos e outros ditos cristãos. O fato é o mesmo, muda-se apenas a forma. Se é verdade que no passado crianças e adultos eram imolados nos templos sob o altar dos falsos deuses, que não são outra coisa que demônios[11], é ainda tristemente verdade que tais pessoas hoje são imoladas de maneira especial nas clínicas de abortos transformadas em templos, com as mesas cirúrgicas servindo de altar e os médicos, de sacerdotes. Mas não só. Em sentido mais grave e primário, os templos e altares onde são feitos tais sacrifícios são os próprios ventres maternos, sendo as sacerdotisas as próprias mães. Mui elucidativo a propósito são alguns recentes exorcismos realizados pelos profissionais competentes, os sacerdotes. Entres estes, o notório caso de um senhor mexicano possesso levado para receber a benção do então recém empossado Papa há pouco mais de três anos. Pela boca desse senhor declararam os demônios serem os abortos uma espécie de versão moderna de rituais sacrificais a eles dedicados. Mais. Também fora anunciado pelos seres infernais através de boca humana que o número mensal de ocorrências de assassinatos no México seria proporcional ao número mensal de ocorrências de abortos. Em dados obviamente oficiais. O que foi estatisticamente comprovado. E que tanto estas estatísticas quanto a possessão do homem não sessariam enquanto, oficialmente por parte dos Bispos mexicanos, não se consagrasse aquele outrora católico país aos Corações que mais sofrem com a desordem e o desprezo humanos: os de Jesus e Maria.

Ocorre que como já se logrou que uma determinada teologia filosófica influenciasse a cultura, como dito anteriormente, há algumas centúrias vivemos numa cultura da morte cujo passo natural seria a influência direta no tecido social. Como? Como de maneira especial o inventou Gramsci[12]: através da revolução sócio-política-econômica não pelas armas, mas pela cultura. Trabalhando-se as cabeças pensantes para pensar segundo uma determinada cosmovisão de mundo, estas cabeças, uma vez no poder, passariam a legislar, a julgar e a executar segundo o que acreditariam ser a verdade, o bem e o belo. E se isso for contrário e mesmo antagônico à moral legada pelo Criador através do Salvador, certo é que ela atenderá aos princípios legados pelo Desordenador escravocrata. Uma vez cientes do que seja a moral cristã, que em sua integralidade não é outra que a moral católica, torna-se menos difícil detectar as pegadas de uma “moral” gnóstica favorável à morte ainda que sob a toga de direitos humanos, liberdade de expressão, religiosa e de tudo o mais; o que se traduz em outra mortífera tríade maçônico-revolucionária e contraditória em termos: LibertéEgalitéFraternité.

O Aborto e tudo o que esteja relacionado a este espírito de morte, rostos visíveis do antimetafísico pensamento gnóstico, ao tempo em que transformam homens em hóstias a serem imoladas sobre o altar de Moloc, oferecem ao “homicida desde o princípio” a força necessária à implantação de sua desordem mundial em detrimento à ordenação estabelecida pelo doador da vida. Não seria implausível, por isso, que o demônio – sabiamente considerado pelos antigos como o símio de Deus –, curiando desde o princípio o Plano de salvação, deixasse de elaborar e vender à humanidade o seu Plano de perdição que, principiado de maneira emblemática com a Torre de Babel, hoje vemo-lo remoçado em uma espécie de sua versão atual e definitiva com a New World Order[13]. Me parece instigante pensar ao modo de um grande símbolo deste começo do fim o tombo ígneo do Centro Mundial do Comércio também designado de as Torres gêmeas. As Escrituras trazem uma interessante simbologia com relação a destruição de torres. Alguns exemplos os temos pelo das duas colunas (torres) com que Sansão pôs fim ao templo filisteu[14], e com ele aos filisteus; das torres candentes com que os Macabeus desbarataram os filhos de Beã[15]; das torres como o fim de um tempo de arrogância[16]; e das torres, por fim, do Dies irae[17]. Estas figuras altamente semióticas servem tanto a uma boa quanto a uma má significação. De um lado temos as torres góticas das catedrais como braços erguidos ao céu em gratidão, adoração e súplica. De outro, as torres seculares como braços erguidos ao céu em afronta, soberba e rebeldia.

Assim que a Nova Ordem Mundial a podemos considerar tão somente como uma nova versão de uma velha ideia, a ideia de uma desordem mundial onde o homem possa ser definitivamente o seu próprio deus, com seu paraíso terreno uma vez que não há necessidade de transcender, porque por si jamais o lograria. Tudo é subjacente, underground, camuflado, esotérico. E ambíguo. Tudo carece ser oculto para não ser revelado, pois a aparente Bela não resistiria à Fera real. “Nada há novo sob o sol”, dizia o sábio rei[18]. Daí que ao se tornar cada vez mais velha a Fera, há que dar a ela a aparência de nova. Para rejuvenescer, acredita-se alguns bem intencionados homens de superstição que deva-se regar. O elixir da juventude então se fará do elixir escarlate da vida, com o tecido inocente servindo de cosméticos rejuvenescedores. Tudo carsicamente[19] arquitetado para não dar conotação de rito.

Deixemos de prolixidades: o Aborto, como tudo o que envolva direta ou indiretamente o ódio à vida, é uma forma de culto de latria ao demônio “homicida desde o princípio”, “pai da mentira” e “príncipe das trevas”. Os homens e mulheres que o apoiam, defendem e praticam, seja pela descriminalização, pelo financiamento, a facilitação ou o ato em si, não fazem outra coisa que prestar sua homenagem e adoração a quem lhes premiará com o sofrimento e a morte eterna e sem fim. Tal atitude possui uma principal base teórica e esta é a Gnose ou o pensamento gnóstico que atribui ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó a criação da matéria como coisa má, como prisão, tendo seu salvador e libertador na pessoa de uma criatura angélica por nome Satanás ou Lúcifer, em que pesem algumas distinções. Tal pensamento nasce desde as origens, permeia toda a história e possui seus maiores arautos nos que hoje dominam economicamente o mundo, porque assim dominam o resto do mundo. Estes, por seu turno, possuem os seus peões, cavalos, bispos, torres, reis e rainhas nas mais diversas esferas sociais: do poder religioso ao militar, do civil ao político, do intelectual ao cultural e midiático. Pensando que assim lograrão terminar a Torre e serem deuses, dando o tão sonhado xeque-mate no Criador.

Mas como tudo o que jaz sob o maligno, traz as suas inevitáveis consequências. Que o homem não esqueça, por isso, que insistindo em brincar com o fogo estará pedindo para ser queimado. E logo o será. Pois, em algum lugar dos céus, já se pode ouvir o brado: “Senhor santo e verdadeiro, até quando tardarás em fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?[20]

Pensemos nestes tempos Neste que nasceu, que se fez carne (vendo que isso era bom) e por amor, mas um amor literalmente maior que o mundo. Pensemos nas mãos desta Criança que libertariam a tantos para depois se deixar prender. Pensemos em seus pés de cujas sandálias o Profeta não ousou desatar as correias, atados sob o laço dos cravos. Pensemos em sua cabeça, antes envolta em panos macios apoiada nos cândidos braços da Mãe, depois cravada em ásperos espinhos, sem apoio ou esteio; ela que optou ter pedras por travesseiros. Pensemos, por fim, em um lado cujo singelo palpitar de um pequeno coração a cada batida já abarcava o mundo, para literalmente explodir de amor no último brado. Esse Menino só pode receber a adoração de um Deus por um fato simples longe de ser simplório: o fato de um Fiat que não lhe permitiu um aborto.

Sacra Familia: ora pro nobis!

 ______________________

* Publicado em 21/12/2016


NOTAS: 

[1] http://www.padremarcelotenorio.com/2016/12/primeiro-de-tres-o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo-tribunal-celestial/

[2] http://www.padremarcelotenorio.com/2016/12/segundo-de-tres-o-aborto-e-a-cultura-da-morte-ou-a-gnose-dos-homens-de-preto/

[3] Relativo ao termo grego thanatós: morte.

[4] O sangue do bispo mártir São Genaro (Januário) é um dos muitos sinais dados por Deus para nos alertar de perigos iminentes graças à nossa contumaz desobediência e indiferença. Dado ao caráter sucinto destes artigos sugiro ao leitor conhecer mais sobre o tema, pois recentemente nova manifestação dos céus se deu através deste sangue.

[5] Jornalista e escritor inglês (1874-1936).

[6] Cf. Sl VIII, 6.

[7] Aproveito aqui para corrigir uma incorreção no artigo anterior. Onde lá se lê “matricídio/parricídio”, leia-se este presente termo.

[8] Os IV, 6.

[9] Me refiro aqui ao destino das crianças que morrem sem o Batismo, o que pode ser visto no Primeiro de três: O Aborto e o Limbo das Crianças ou O Supremo Tribunal Celestial.

[10] Ver artigo anterior.

[11] Sl XCV, 5.

[12] Antonio Gramsci (1891-1937). Pensador marxista italiano. A este propósito indico a leitura de: http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2014/01/o-grandioso-plano-de-antonio-gramsci.html (acesso em 19/12/2016).

[13] A propósito deste candente e mal compreendido tema sugerimos os muito bons trabalhos do sacerdote e jornalista argentino Mons. Juan Claudio Sanahuja, fundador de Noticias Globales: http://www.noticiasglobales.org/.

[14] Jz XVI, 26-30.

[15] 1 Mac V, 4s.

[16] Isa XXXIII, 18.

[17] Sof I, 16 (recomendo a leitura de todo o capítulo).

[18] Ecle I, 9.

[19] De cársico, que se manifesta sempre e novamente após um período de latência, dando a aparência de diferente o que vem a ser o mesmo.

[20] Ap VI, 10.

O Aborto e a Cultura da Morte ou A Gnose dos Homens de Preto

Publicamos, em caráter extraordinário, o artigo semanal de Frei Zaquel.

Trata-se do 2º artigo de 3, de uma série sobre o Aborto. No dia de amanhã será publicado o último artigo dessa série, encerrando-a, e também os artigos iniciais de Frei Zaqueu. Boa leitura!


Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

“As crianças são inocentes e amam a justiça, enquanto muitos de nós somos vis e naturalmente preferimos a misericórdia.” (G. K. Chesterton)

À guisa de introdução não sou antropólogo. Nem sociólogo. Artista, filósofo ou necrolátrico. Mas a coisa vem tomando contornos catastróficos. Então há que emitir, com alguma insistência, sob pena de se cultuar um dos atos que mais conduzem ao abismo eterno e sem fim: o ato da omissão. Isto posto, vamos ao que interessa.

7 dias. E falamos sobre o Aborto, mas sob a peculiar ótica do Limbo das Crianças[1] que, ao que parece, desde a supressão do direito à vida por parte dos nossos Homens de Preto, verá elevado seu índice demográfico. Ao discorrer sobre este tema aludi en passant a outro, o da cultura da morte em que está inserido, e que ocupará aqui a cadeira da presidência, ainda que de maneira compartilhada. No primeiro abordei o Limbo como uma das possíveis causas-consequências sobrenaturais para o Aborto institucionalizado. Aqui, abordarei o que move este ato, sua legalização ilegal e a adesão por parte de pessoas cuja defesa da vida deveria vir umbilicalmente ligada à função que exercem. Também o contexto em que se insere, o da Cultura da morte, expressão coeva[2] cujo alvo é a cova, com o perdão do trocadilho.

Então, vejamos: Aborto, suicídio, divórcio, homicídio, eutanásia, homossexualismo, ideologia de gênero, prostituição e promiscuidade: caracterizações do que conhecemos como a Cultura da Morte.  Por motivo simples – ainda que complexo – a caracterizam: por serem causa ou consequência de morte, nos únicos dois sentidos em que podemos empregar o termo: o físico e o espiritual. A curto, médio ou longo prazo, não importa. Enganam-se, contudo, os que estancam aí as caracterizações deste mote, pois os tentáculos do polvo são incontáveis. A título de emissão queiram, data venia, acompanhar-me: New Age, esoterismo, espiritismo, hedonismo, hinduísmo, ecologismo, drogas e alcoolismo. Islamismo, máfia, budismo, rock n’roll, macumba, umbanda, candomblé e xamanismo. Romantismo, ateísmo, funk, agnosticismo, marxismo, liberalismo, carnaval e socialismo. Hare krishna, gramscismo, ioga, heiki, iluminismo, eugenia, rosa cruz, corrupção e comunismo. Indigenismo, vodu, moda, quimbanda, necrofilia, ocultismo, magia, sufi, maçonaria e satanismo. Estes são alguns tentáculos extra Ecclesiae. Não faltariam os intra Ecclesiae, só me falta o espaço. Mas para não correr também eu o risco da omissão, faço a menção de uma dupla inseparável ao nível do Dr. Jekyll e Mr. Hyde[3]: Dr. Protestantismo e Mr. Modernismo, com a diferença apenas nos efeitos esquartejadores. Que se faça o registro. Mas que também se explique. Porque se chegamos ao ponto de se ter de elaborar teses científicas, organizar congressos e simpósios, fazer leis ou nos aproximar das táticas do Greenpeace para convencer gente inteligente e estudada que, a exemplo do gênero, número e grau gramáticos, só existem homem e mulher, desconfio que a inteligência chegou mesmo ao limbo, sem esperanças para si a não ser por intervenção divina direta. Porque, como recentemente anunciaram os meios científicos: “os fatos, não a ideologia, é que determinam a realidade”[4]. Com isso a ciência demonstra uma das mais antigas verdades do universo, a de que existem verdades absolutas, também chamadas dogmas. Usemos então da lógica, cuja antonomásia é senso comum. Para não matar ou desperdiçar neurônios, nem neoconcebidos.

De um lado, falar em uma cultura da morte é necessariamente falar em uma filosofia da morte que lhe é anterior esteio; esta, por sua vez, não existe senão cimentada em uma teologia da morte, pois a trave horizontal da cruz, a sustenta, a vertical, não o contrário. Isto, em linguagem feminina, e têm-se: filha, mãe e avó. Todas bem nascidas, ainda que falemos em causas e efeitos de morte.

De outro, temos que Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida; isto, ainda que posto em dúvida é indubitável. Ocorre que dada a característica uníssona de Cristo, em verdade um só poderia ser o caminho em que esta Vida se tornaria integralmente manifesta às criaturas humanas. Esse caminho inicia-se com a Antiga e conclui-se com a Nova Aliança. Em outras palavras, de um Povo Escolhido passa-se a uma Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Deste axioma conclui-se que tudo o que não esteja contido verdadeiramente neste Caminho, em algum ponto do caminho revelará não o gérmen da vida, mas o da morte. O que quero dizer é que tudo o que não seja stricto sensu católico em maior ou menor grau integrará uma Cultura da morte, porque pertencerá a uma Filosofia esteada em uma Teologia da morte. Queiram ou não abortar esta verdade os supremos, os tribunais e os federais mundo afora. Porque tudo o que não proceda diretamente da Vida, dada a condição da Queda original, estará sob o jugo da morte. Por isso Jesus Cristo ordenou a pregação do seu Evangelho com o consequente Batismo trinitário “a toda a criatura” (Mt XXVIII, 19; Mc XVI, 15). Desta maneira compreende-se melhor o caráter de perenidade de um dogma: por conter em si a perene semente da Vida que o revelou. Em outras palavras: um dogma não muda porque Cristo, a Verdade, é imutável.

Isto, ligado ao presente artigo, será compreensível à medida em que tivermos clareza de que os nossos supremos Homens de Preto, ao legislar (sic!) legalizando o matricídio/parricídio das proles até a trindade mensal intrauterina, não fazem outra coisa senão manter viva uma filosofia cuja teologia gira em torno de uma heresia mortífera por nome Gnose, diametralmente oposta à verdade católica. Não por acaso esta palavra empresta sua inicial para a composição logótipa de outro tentáculo mortal: uma misteriosa agremiação constituída de outros sombrios homens de preto. Não por acaso ela ainda foi, por exemplo, o artefato teórico que catapultaria os cátaros[5] se a Igreja com a Santa Inquisição antes não os sepultasse. Esclarecendo neste ponto que se os cátaros não fossem sepultados pela Igreja, eles é que sepultariam não só uma boa parte da mesma como também da própria humanidade; sendo muito provável que, por exemplo, muitos dos pouco informados críticos desta Santa Inquisição jamais o fossem (porque sequer existiriam…).

É que a Gnose, originada na grande inteligência de um ser sem cabeça – mas “homicida desde o princípio” – e dali inoculada em algumas cabeças não digo sem inteligência, mas nada sábias, é contrária à vida tal como a conhecemos. A explicação do que seja a Gnose se dá em algo similar à consideração da matéria não com, mas como um defeito de fábrica. Por ter sido criada como prisão para o que os gnósticos denominam partículas ou centelhas divinas; a princípio livres, leves, soltas e sorridentes pelo universo, uma espécie de micro deuses. Prisão esta criada por ninguém menos que o ser a quem chamamos de Criador, que para aquelas cabeças é o Demiurgo, ou o Bad God, o “Deus do Antigo Testamento”. Daí que toda matéria é sinônimo de “prisão de centelha divina”; e para que as tais centelhas tornem a cintilar pelo universo sem fim há duas vias principais, uma para os que aqui chamarei “primos ricos” outra para os que denominarei “primos pobres”. Estes últimos serão literalmente os primeiros a voltar a cintilar, mas pela via da eliminação. Pela eliminação da matéria creem os gnósticos que se tornam algum tipo de juiz de soltura às centelhas injustamente aprisionadas, devolvendo-as ao universo donde voltarão a ser integralmente… divinas. Os meios para esta “obra de caridade”? Todos os ligados à cultura da morte.

Mas se há eliminados é de se supor que haja eliminadores. Tais são os “primos ricos”, assim considerados não somente por seu poder aquisitivo, como também pelas facilidades de acesso a uma categoria de conhecimento (do grego gnosis) denominada iniciática ou esotérica. Tal seleto pequeno rebanho será o (auto)responsável pela elaboração das teologias que fundamentarão as filosofias que darão o necessário suporte às ideologias que por seu turno serão as pedras angulares das leis que obrigarão os homens a fazerem o que fez o profeta Jonas, a princípio: ir na contramão da razão obediente e ordenada. Ou ainda o que denunciou o Apóstolo: trocar a verdade de Deus pela mentira, e adorar e servir às coisas e aos seres criados em lugar do Criador. Tudo com o curioso detalhe de que os iniciados – também autoconsiderados iluminados ­– têm como “instrumentos de execução” de sua ideológica filosofia teológica um rol de operários (inocentes úteis) que vão do personal training ao congressista; do professor primário ao governante; do recruta militar ao juiz (todos também elimináveis quando a conveniência assim o requerer).

Daí que quando vemos os nossos demiurgos[6] do Supremo a uma só voz com legisladores e governantes inventando, aprovando, promovendo e obrigando a sociedade a um comportamento contra naturam (porque irracional), há que denunciar claramente a existência por trás de tais (más) ações, de ideologias muito bem definidas. Que nos bastidores das políticas públicas se articulam teologias e filosofias privadas, pouco ou nada perceptíveis, mas bem assimiladas por todos os poros sociais sejam eles religiosos, midiáticos, universitários, escolares, militares, políticos, econômicos, culturais etc. E sem que nos demos conta, nós, demos[7], já estaremos bem habituados ao Monstro que nos devora!

O Aborto integra uma Cultura de morte. Esta última integra uma Filosofia de morte, que por seu turno integra uma Teologia de morte concentrada de forma especial, ainda que não exclusiva, no abrangente pensamento gnóstico[8]. A maioria ignora. Muitos desdenham. Outros tantos negam, ignorante ou maliciosamente. Mas como “não há nada de oculto que não venha a revelar-se”[9], caberá, aos de boa vontade, uma prece: “Senhor, que eu veja!”[10]

Na Festa de Santa Luzia do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

 

______________________

* Publicado em 14/12/2016

 


NOTAS:

[1] http://www.sensusfidei.com.br/2016/12/06/primeiro-de-tres-o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo-tribunal-celestial/#.WEqmCOgrKCi; http://www.ofielcatolico.com.br/2006/12/o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo.html; http://www.padremarcelotenorio.com/2016/12/primeiro-de-tres-o-aborto-e-o-limbo-ou-diante-do-supremo-tribunal-celestial/

[2] Recente.

[3] Personagens da obra Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde (1886), em português O médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. De fato um só personagem com dupla personalidade, em que uma esquartejava suas vítimas, em sua maioria prostitutas.

[4] http://www.avozdocidadao.com.br/agentesdecidadania/saude-publica-associacao-americana-de-pediatras-fulmina-ideologia-de-genero/

[5] Seita gnóstica europeia dos séculos XI e XII, que defendia, entre outras coisas, a morte por inanição, o aborto e mesmo o assassinato de mulheres grávidas por crerem no princípio da matéria como coisa intrinsecamente má, como veremos a seguir.

[6] Aqui o termo é empregado como sinônimo de um corpo de notáveis que formam uma restrita assembleia, partícipes de uma magistratura, ainda, como o corpo dos principais magistrados de uma cidade.

[7] Do grego: o povo.

[8] Cujo conceito o encontramos de forma inteligentemente explorado na obra Antropoteísmo – A Religião do Homem (Montfort, 2011), de Orlando Fedeli.

[9] Mc IV, 22.

[10] Lc XVIII, 41.

O Aborto e o Limbo ou Diante do Supremo Tribunal Celestial*

Publicamos, com atraso (do qual pedimos desculpas), o artigo semanal de Frei Zaquel.

Trata-se do 1º artigo de 3, de uma série sobre o Aborto. Boa leitura!


Frei Zaqueu

(freizaqueu@gmail.com)

 

À guisa de introdução não sou teólogo. Nem doutor da Igreja. Profeta, santo ou vidente. Mas sobre o assunto tenho a data venia de colocar-me[1], também por se tratar de um tema ainda em aberto[2]. Isto posto, vamos ao que interessa.

Dia 08 de dezembro festejamos a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Desconfio, porém que o seio de Maria está suando, e suando sangue. Por milhões de seios sangrentos porque maculados, expelindo pelos poros os filhos esquartejados e envenenados; pelo templo que deveria ser o mais sagrado, pelo quartel que deveria ser o mais guarnecido, pela guardiã que deveria ser a mais vigilante.

7 dias. E tivemos a satânica, imoral e ilegal legalização do matricídio/parricídio para proles de até três meses de idade, intrauterina. Pelo Supremo Tribunal Federal. Pelo que conclamo a que unamos a Festa ao Luto pelos milhões mais que morrerão agora “legalizados” e com nosso cofinanciamento mesmo a contragosto. O que significa sem a mais pequena possibilidade de erro que esperemos o pior. Todo o Brasil! Do Caburaí ao Chuí. Pelo pecado de muitos maus e a omissão de muitos bons, o que dá no mesmo. E dê-se voz a quem de direito: “Aí onde se aprova o aborto por lei, ou alguma lei anticristã, há mais demônios presentes, e aos milhares, que em qualquer outro ato do maligno. Evidentemente, uma lei que legaliza e normaliza o mal permite muitos milhares de males para a sociedade[3].” (grifo nosso). Muito justo. EUA, México e outros tantos que o digam, afinal “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, os espíritos malignos espalhados pelo espaço” (Ef VI, 12).

Assim que é hora de fazer ressoar estrondosamente as trombetas dos ais apocalípticos sobre as muralhas supremas: Ai!, ai!, ai! de vós, pobres juízes do Supremo, ao comparecerdes diante do Supremo Juiz para a derradeira sessão de vossas vidas. Ali, a cessão da justiça negada aos indefesos e inocentes; ali, a seção destinada “a quem muito foi dado”[4], onde se chorará e rangerá dentes por muito e muito e muito tempo; ali, por esse e um sem número de injustos despachos também vós sereis despachados, sem toga, anel, terno ou gravata. Agora, pelo Supremo Tribunal Celestial. Agora, pela pérfida simbologia, pela Trindade Santa. Agora, na justa medida, e sem apelação. Que a suprema Bondade, que é suprema Justiça e suprema Verdade, não o permita!

Aos “beneficiados” com a medida também uma consideração. E rogamos que a considerem. Como dito em outro lugar[5] as mulheres de hoje ganham em perversa crueldade em relação à prostituta dos tempos de Salomão. Esta “…não se importava que dividisse, em dois pedaços, a criança que não era sua, por mágoa e inveja[6]. As hodiernas “… não se importam em deixar retalhar, em vários pedaços, as suas próprias, por vaidade e covardia. E o que é pior: aquelas (mulheres) ainda não conheciam o amor em pessoa, na figura do Menino-Deus. Estas sim.”. E a cumplicidade, conivência e covardia dos “companheiros” não ficará atrás de quem os abaliza para o mal uso da liberdade que os escravizará pela eternidade sem fim. Também estes haverão – se a misericórdia não se antepuser à justiça, do que não temos garantia em termos absolutos – de chorar e ranger os dentes até serem destroçados por completo pelo medonho bruxismo, o que jamais ocorrerá.

De outra parte, muitos são os justos e acertados enfoques dados hoje em dia pelos grupos e pessoas pró-vida especialmente nos campos médico, jurídico e moral. Quero somar-me a estes, mas por outra via, quase nada vista apesar de válida porque não condenada pela Igreja ainda que nossos bem intencionados, mas mal (in)formados clérigos digam – como já ouvi – que “isso deixou de ser dogma”. Como se algum dia tivesse sido; ou sendo, pudesse deixar de sê-lo. Falamos do Limbo das Crianças! Aqui, de meu livro, o extrato de um capítulo dedicado ao Batismo e o Limbo das Crianças, temas umbilicalmente ligados ao aborto, creiam-me[7]:

Para um tema de crucial importância na vida de todos nós existe uma teoria ainda não definida como dogma pela Igreja, o que não impede de encontrar em Santo Tomás de Aquino, considerado o doutor por excelência, um argumento sólido e consistente seguido por muitos doutores, santos e teólogos: o Limbo das Crianças.

Aqui esboçaremos muito superficialmente o pensamento do santo doutor, sendo aconselhável seu aprofundamento através da Suma Teológica que elaborou (1) ou através de pesquisa sobre o tema do Limbo em Santo Tomás. Para expô-lo, comecemos com a continuação das palavras de Cristo acima mencionadas: “… o que, porém, não crer, será condenado” (Mc XVI, 16b). Na primeira parte do versículo, como visto, Nosso Senhor deixa claro quais os critérios de entrada em seu Reino. Compreendendo o que seja a mancha do pecado original teremos uma ideia da perfeição e justeza desta sentença: nada de impuro pode entrar no céu, na presença de Deus, que é pureza absoluta. Em contrapartida, ao declarar que somente a falta de fé pressupõe a condenação e não a falta do batismo, abre-se outra perspectiva, que podemos resumir da seguinte forma: Se para o inferno basta a falta de fé (que em última instância será a negação de Deus, se não da criança, de seus pais, que sobre ela possuem autoridade), mas para o céu há a necessidade da fé e do batismo, é lógico inferir que deva existir outro lugar para os que, apesar de não ter o batismo não tiveram tempo ou condições de pecar, negar a Deus. Que não tiveram as duas condições necessárias para obter o paraíso, mas também não passaram pela condição necessária à condenação eterna. Lugar semelhante existiu para receber os que morriam na graça de Deus, mas que ainda não podiam entrar no céu antes que Cristo nascesse, morresse, ressuscitasse e lhes abrisse as portas, pois ainda não tinham sido batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”: era o Limbo dos Justos, o “Seio de Abraão” narrado nas Escrituras (2).

Sabemos todos que o fato de algo não ser mencionado na Bíblia de forma explícita não significa que não possa existir ou ser verdadeiro (3). No caso do Limbo das Crianças, apesar de não ser explicitamente declarado também não foi explícita ou implicitamente negado (da mesma forma que o batismo para os pequenos). Não será por isso difícil entender sua lógica, pois a doutrina defendida por S. Tomás e vários teólogos, além de razoável, se bem analisada não possui contradição alguma com a Revelação. Para entendê-la precisamos antes saber como seria este lugar.

O doutor angélico (4) o explica como possuindo basicamente duas características: as crianças que para lá se dirigem, primeiro em espírito e após o juízo final também em corpo, jamais verão a Deus “face a face”, porém jamais terão sofrimento ou dor. O que a princípio parece contraditório e intricado, de fato não o é. É que estas alminhas, que por negligência dos pais ou outro motivo não receberam a “vacina”, ainda que não tenham culpa (pecados atuais) não ficarão imunes à doença do pecado original, que já nasce com elas, permanecendo suas almas manchadas (impuras, maculadas) ao morrer. Como no céu nada de impuro pode entrar, por uma questão de justiça não entrarão, mas também por justiça não irão ao Inferno pois não cometeram pecados voluntários, não negaram a Deus ou blasfemaram seu santo nome. Daí ser destinado a estes pequeninos um lugar sem sofrimento ou dor, apesar de não ser o paraíso. Qual o sentido de justiça de tais disposições? Justamente em não conhecer o céu.

Sigamos com a explicação tomista.

Só se deseja o que se conhece. Se desconhecemos a existência de algo não sofremos sua falta… Com o Limbo ocorre algo semelhante. Segundo S. Tomás, por misericórdia e justiça Deus não permite que estes pequenos tomem conhecimento da existência do céu, para que não o desejem e assim sofram eternamente sua não participação. Acontece que devido a este lugar ser isento de sofrimentos ou dores, o que podemos deduzir se tratar de um local agradável e feliz, para elas ali será o paraíso, o melhor lugar do mundo, não havendo assim injustiça por parte de Deus. O fato de não ser citado nos relatos referentes ao juízo final se justificaria em que as almas do Limbo também não participariam dele, dado que seremos julgados pelos nossos atos, o que pressupõe inteligência e vontade suficientes para pecar. Sua ressurreição, por isso, se daria à parte (para a ressurreição não há exceção, pois todos haveremos de ressuscitar (5)), sem um juízo, pois nenhum pecado atual haverá nelas para ser julgado.

Por fim, entender atualmente a doutrina do Limbo das Crianças por este prisma também nos dá condições de melhor entender a “cultura da morte” impregnada nas sociedades cada vez mais paganizadas, que vem promovendo um número crescente de abortos pelo mundo, passando por cima das leis natural e divina ao legalizar o assassinato infantil, privando milhões de crianças não só da vida, mas do batismo, porta de entrada para a eterna visão de Deus (6). O problema maior não é a morte, mas as condições em que se morre (7). Ao demônio não interessa tanto matar, mas fechar as portas do paraíso. Por isso vem inspirando cada vez mais celeremente os homens a criar leis desordenadas e falsas doutrinas que acarretarão, pela falta do batismo, o impedimento de se chegar a Cristo um número significativo de “meninos”.


Notas:

Há teólogos que discordam deste posicionamento de S. Tomás, como p.ex., S. Carlos Borromeu, bispo e doutor. Outros que concordam em parte. Ao analisar os argumentos contrários veremos que os de Santo Tomás ainda prevalecem em lógica e clareza, por isso os adotamos neste livro.

Lc XVI, 26

Jo XXI, 25 e XIV, 26

Assim chamado por ter tratado do tema da natureza angélica de forma sublime e destacada. É ainda chamado de Aquinate (derivação de Aquino, lugar de onde veio).

Lc XX, 37s; 1 Cor XV, 51

Rom VI, 4

Mt X, 28


 

Em favor da doutrina tomista há ainda outra defesa de peso. Sabemos que existem revelações públicas e privadas por parte de Deus. As primeiras, de fé obrigatória, residem nas Sagradas Escrituras e são corroboradas pela Tradição e o Magistério. As segundas, de fé opcional, as recebem os santos e santas de Deus ou os de boa vontade. Aqui se trata das segundas. A extraio da mesma fonte acima e com ela encerro, não sem antes recordar aos pais e mães especialmente católicos, cujos filhos mortos não receberam o batismo ao menos em uma de suas três possibilidades[8]: vocês serão os primeiros da lista de cobranças. Seguidos pelos pastores que não lhes formaram devidamente a consciência. Ou vice-versa. Listo, Señor[9].

Com relação ao Limbo, mui interessante é o relato de outra revelação de Jesus a Santa Brígida, que corrobora a doutrina do Aquinate. Tais revelações chamadas “particulares” ou “privadas”, apesar de não ter a autoridade do dogma e não obrigar ao fiel à sua aceitação, em alguns casos recebem o aval da autoridade Eclesiástica que atesta não haver erro teológico ou relativo à fé e à moral, o que aqui é o caso; por isso nos permitimos transcrever parte de uma destas revelações, em que Cristo fala sobre o tema. Ela se encontra no livro 2, capítulo 1 de As profecias (e Revelações) de Santa Brígida (da Suécia): “Devido ao meu grande amor, eu dou o reino dos céus a todos os batizados que morrem antes de atingirem a idade do discernimento. Como está escrito: É do agrado do meu Pai conceder o Reino dos Céus a tais como estes. Devido ao meu terno amor, Eu mostro misericórdia até mesmo às crianças dos pagãos (as não batizadas de nenhuma forma – grifo nosso). Se qualquer um deles morre antes de atingir a idade do discernimento, eles não podem me conhecer face a face, e vão para um lugar que não é permitido que se saiba, mas onde eles viverão sem sofrimento”.[10]

 

            Com isso nos sobra um rogo: Regina sine labe originali concepta, ora pro nobis!

  Na Festa da Imaculada Conceição de Maria do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

___________________

Em tempo:     1) O enfoque proposto, como entrevisto, não se antecipa ao juízo da Igreja, estando a ela submetido. Por isso, nada afirma-se. Sobre os ombros das Escrituras, da Tradição e do Magistério se propõe o tema como uma via possível e mesmo plausível, porque já anteriormente defendida por competências abalizadas.

2) valerá a pena a leitura desta feliz matéria cuja reconhecida história a resgata, neste nefasto momento de nossa história, O Fiel Católico: http://www.ofielcatolico.com.br/2006/12/medico-campeao-em-abortos-convertido.html

______________________

* Publicado em 08/12/2016


[1] Ver: http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_exhortations/documents/hf_jp-ii_exh_30121988_christifideles-laici.html

[2] Catecismo da Igreja Católica (C.I.C) 1261.

[3] http://www.padremarcelotenorio.com/2016/11/um-discipulo-do-pe-amorth-fala-amplamente-sobre-exorcismos/

[4] Lc XII, 47s.

[5] Cf. 1 Re III, 16-28.

[6] FREI ZAQUEU. Evangélico, graças a Deus!(?) – V.1. Uberaba, 2016. Pg. 28 (nota 25).

[7] Ibidem. Pgs 66-73.

[8] Cf. C.I.C 1257-1260.

[9] Do espanhol: com o sentido de Está avisado.

[10] Cabe lembrar que esta revelação a Santa Brígida recebeu ainda o aval de um Beato Papa, Pio IX.

O Declinar de uma jovem Nação: A profecia de Chesterton sobre os Estados Unidos

Por Frei Zaqueu 

(freizaqueu@gmail.com)

            A guisa de prólogo, não sou teólogo. Analista político, crítico literário ou adivinho. Tampouco historiador. Como não sou dotado da erudição, autodidatismo ou média acima das médias de um bom número de senhores e senhoras que plantam árvores e colocam no – às vezes retiram do – mundo filhos e filhas, para, ao fim e ao cabo, deixarem suas pegadas nas linhas que se perpetuam pelas bibliotecas, livrarias e internet mundo afora. Alguns merecedores do nosso mais profundo respeito e ouvidos, outros nem tanto, e outros ainda somente com “um pé lá, outro cá”. Se alguma virtude há, esta é a de reconhecer a grandiosidade da minha pequenez, daí que o que siga primeiro se revista do mais comuns dos sentidos, o sentido comum, para logo poder dar voz a quem a merece. Uma e outra coisa, porém, carentes de mérito próprio. E vamos ao que interessa.

            Dias atrás vi um vídeo no qual se falava sobre as clarividências de um senhor por nome Edgar Cayce, cuja passagem por nosso mundo se deu entre 1877 e 1945 e do qual ainda não ouvira falar graças, também, à condição acima apontada. Era este senhor – ao que parece pessoa de boas intenções – norte-americano. Chamou-me a atenção o fato de uma de suas previsões situar o fim de seu país, os Estados Unidos da América, no momento em que o 44º presidente, que seria negro, assumisse o poder. Também – sou obrigado a confessar – chamou-me a atenção uma previsão destas proporções sobre esse país por nele viver minha irmã mais nova e sua família. A profecia, que já teve uma de suas duas faces devidamente desveladas (sobre a cor de seu 44º presidente), ao que consta veio novamente à tona pelo fato de aquele país acabar de eleger um novo presidente branco, após o negro, às portas, portanto, de concluir o que seria o período destinado à validade profética sem que a outra face fosse devidamente descoberta, inserindo assim a profecia do sr. Cayce no rol das falsificadas, que são a maioria. Entretanto, em um outro vídeo havia uma plausível defesa à veracidade desse vaticínio, e não era nada ligado ao assassinato do novo presidente, à eclosão da terceira guerra ou às tão badaladas catástrofes naturais vindas do exterior, mas do planeta. A coisa se explicava de forma muito mais simples, concreta e verossímil. E é que os Estados Unidos pode sim estar na iminência do fim. Ao menos tal como o conhecemos. O motivo é o mesmo que antes cavalgou sobre este país e que passou aos livros de história como Movimento separatista. Os EUA, segundo gente competente, estão às portas de concretizar também ele o seu cisma, liderados por um dos Estados membros, a Califórnia[1]. E pelo andar da carruagem, pode ser que se concretize antes mesmo de o novo presidente de direito assumir de fato, dando por isso cumprimento à segunda parte desta clarividência, então integramente clara e desvelada para que se queira provar o contrário.

            Entretanto, para não ser acusado de vender gato por lebre – comércio em clara ascensão na atualidade – o que interessará, mais que o supracitado vaticínio, será uma outra profecia oriunda não de um profeta ou místico visionário (ao menos em sentido stricto), mas de um jornalista. Ainda que, a bem da verdade, já quase um candidato aos altares, o que nos daria o primeiro santo jornalista da História. Como dito em outro lugar[2], algo providencial considerando esses tempos carregados de pecados jornalísticos. Em um trecho de Hereges[3], o inglês Gilbert Keith Chesterton nos brinda com outra de suas abrangentes análises em que antecipa décadas e mesmo séculos de acontecimentos humanos em suas mais variáveis facetas e campos de batalha. Não sem espanto – aos que desconhecem ou não o autor – encontramos uma fina lógica nesta análise, fruto e resultado das grandes mentes com que a Providência, a exemplo dos luzeiros proféticos[4], nos alumia em noite escura. Tal análise não pode ocorrer sem uma visão sincrônica e diacrônica amplas, acrescida da perspicácia conjuntural de um enxadrista exímio. Ambas não faltaram a ele, capaz de ver o macro através do micro, o que neste caso será o mesmo que entender o mundo através do quintal de sua casa. Mas como a intenção é dar e não ser voz, ei-lo escrevendo, em 1905, sobre o futuro do “jovem” Estados Unidos da América (aqui como metáfora, mas sem eufemismo ou hipérbole, poderíamos mesmo ver um pai escrevendo sobre um filho):

                                                (…)

Ao tocar nas colônias britânicas, não desejo ser mal-entendido. Não estou dizendo que as colônias, ou os Estados Unidos não têm um futuro, ou que não serão grandes nações. Simplesmente nego todo o conjunto moderno de noções consagradas a respeito disso. Nego que estejam “destinadas” ao futuro. Nego que estejam “destinadas” a ser grandes nações. Nego (é claro) que qualquer coisa humana esteja destinada a ser qualquer coisa. Todas as absurdas metáforas físicas, tais como juventude e velhice, vida e morte, são, quando aplicadas a nações, nada além de tentativas pseudocientíficas de ocultar dos homens a terrível liberdade de suas almas solitárias.

No caso dos Estados Unidos, por certo, um alerta desse tipo é urgente e essencial. Os Estados Unidos, como qualquer outro empreendimento humano, podem certamente, no sentido espiritual, viver ou morrer da forma que escolherem. Mas, no presente momento, a questão que os Estados Unidos têm de considerar muito seriamente não é quão perto estão do nascimento e do início, mas quão perto podem estar do fim… Que evidência verídica temos de que os Estados Unidos são uma força viçosa e não decadente? Possuem uma grande população como a China; têm muito dinheiro, como a vencida Cartago ou a moribunda Veneza. Estão cheios de agitação e irritabilidade, como Atenas antes da ruína, e todas as cidades gregas ao declinar… Tudo isso é perfeitamente compatível com tédio e declínio. Há três formas ou símbolos principais com que uma nação se pode mostrar essencialmente grande e satisfeita – pelo heroísmo no governo, pelo heroísmo nas armas e pelo heroísmo nas artes…

Submetidos a tais testes eternos, os Estados Unidos não parecem, de modo algum, puros e intocados. Aparecem com todas as fraquezas e desgastes da moderna Inglaterra ou de qualquer potência ocidental. Na política, estão divididos como a Inglaterra, entre o selvagem oportunismo e a insinceridade. Na guerra e no posicionamento nacional frente à guerra, as similaridades com a Inglaterra são ainda mais manifestas e deprimentes. Podemos dizer, com razoável precisão, que há três estágios na vida de um povo forte. No princípio, é uma pequena potência e luta com pequenas potências. Em seguida, se torna uma grande potência e luta contra grandes potências. Então é uma grande potência e luta contra pequenas potências, mas finge que são grandes potências, para reacender as cinzas da antiga emoção e vaidade. Depois disso, o próximo passo é se tornar uma pequena potência…

Mas ao chegarmos ao último teste da nacionalidade, o teste da arte e das letras, o caso é quase terrível. As colônias britânicas não produziram nenhum grande artista… Mas os Estados Unidos produziram grandes artistas. E esse fato certamente prova que estão repletos de uma boa futilidade e do fim de todas as coisas… As colônias não falaram, e estão a salvo. O silêncio delas pode ser o silêncio de um nascituro. Mas, dos Estados Unidos, vem um lamento doce e assustador, tão inequívoco quanto o lamento de um moribundo.

 

Em um conciso e nada abalizado resumo, cujas vistas terão o direito e mesmo o dever de refutar, permitam-me apenas uma pequena digressão sobre o heroísmo dos governos, das armas e das artes acima mencionados, à guisa de epílogo:

No tocante ao primeiro, parece-me fato que a política americana tenha já logrado o renascimento da panis et circenses romana. Muito pouco neste país se leva a sério neste sentido, a começar pelos próprios protagonistas políticos. Há uma sensação de fast food e não só entre os alimentos. Mas para ficar nesta metáfora a impressão de comida congelada soa tão palatável que mesmo o profissional de jornalismo já não mais a disfarça tão profissionalmente. Pareceria mesmo que de um tempo para cá se permita colocar fim aos disfarces. Coisas que acontecem entre cardápios congelados com prazo de validade, salvo se ocorrer imprevistos. Mas estes são, via de regra, exceção. Se não, entram para a categoria daqueles imprevistos previsíveis. Poderíamos aqui esperar o descongelamento completo para ver se o prazo não espirou ou se não falsificaram a validade. De toda forma ainda há um cheiro de azedo no ar…

No tangente às segundas vejo, não obstante a miopia e o astigmatismo que me são característicos, assim: veio a primeira fase em que os EUA, por exemplo, engordaram à base de proteicas terras mexicanas ainda como potência de shorts; em seguida veio a segunda fase, com a Segunda Guerra, agora lutando a grande potência de calças compridas; então, de um tempo esfriando a marmita com a Guerra Fria, ainda que os fornos nucleares continuassem a todo vapor, reascende-se as emotivas cinzas da “vaidades das vaidades”[5] às custas de poderosos e ameaçadores inimigos como o Vietnã, o Afeganistão e o Iraque. Certamente pudéssemos incluir a Colômbia, mas me parece que ali tenha sido suficiente o Rambo com sua equipe. Agora… bem, agora desconfio que é se preparar para encolher, porque se se descongela a torta atômica, não sei não.

Por fim, quanto às terceiras, basta com lembrar o recente Nobel de literatura ao senhor Dylan e não será o caso de precisarmos de Cayce ou de Chesterton: o essencial já é visível aos olhos.

Aos 30 de novembro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.


* Publicado em 30/11/2016

[1] http://www.cartacapital.com.br/internacional/calexit-movimento-tenta-independencia-da-california

[2] Frei Zaqueu: O Casamento Tem Cura. Em:  http://www.sensusfidei.com.br/2016/11/23/o-casamento-tem-cura/#.WD2-X_krK00http://www.ofielcatolico.com.br/2006/11/o-casamento-tem-cura.html ou http://www.padremarcelotenorio.com/2016/11/o-casamento-tem-cura/

[3] G.K. Chesterton. Hereges. 3ª ed. Ecclesiae. Campinas, 2014. Pg. 251-254.

[4] Cf. 2 Pe I,19.

[5] Referência a Ecle I, 2.

O Casamento tem cura

Publicamos o primeiro artigo de nosso novo colunista, em dia diferente do anunciado, estreando esta coluna.

Os artigos foram escritos em 2016 e já publicados em sites e blogs em que o mesmo autor possui coluna.


Por Frei Zaqueu 

(freizaqueu@gmail.com)

A família pode ser claramente caracterizada como a suprema instituição humana. Todos deveriam admitir que ela tem sido, até agora, a célula-mãe e a unidade central de quase todas as sociedades, salvo, na verdade, de sociedades como as da Lacedemônia, que decidiram pela “eficiência” e, portanto, pereceram sem deixar vestígios. O cristianismo… não alterou antiga e selvagem santidade; simplesmente a inverteu. Não negou a trindade de pai, mãe e filho. Apenas leu em sentido contrário, fazendo-a passar para filho, mãe e pai. Esta não é chamada de família, mas de Sagrada Família, pois muitas coisas são santificadas ao virar de ponta-cabeça. (Chesterton, Hereges).

 

Recentemente tive acesso pelas redes sociais, estas fantásticas invenções que ao nos interligar nos mantêm enredados, de uma novidade tão antiga quanto a geração antediluviana. E esta foi a separação de mais um casal. Não fosse talvez pela senhora, pessoa pública e notória defensora de valores cristãos, a coisa ficasse como ficasse. Mas então o fato despertou-me estas linhas, que lanço à arena virtual por intermédio de almas caridosas e gentis para daí poder dizer com santo Inácio de Antioquia: que se tornem o trigo de Deus.

Os nossos tempos se encontram bem traduzidos de maneira especial em duas passagens das Escrituras de difícil digestão, mesmo ingestão. A primeira dirigida ao gênero feminino, um dos dois únicos existentes, em que pese alguns distintos cientistas e estudiosos. São os tempos daquela espécie de mulher que ao ir misturando distraidamente desejos e pecados jamais aprende que a conta para se entender a Trindade, na medida em que isso possa se dar, não é a da adição, mas da multiplicação[1]. A segunda dirigida ao gênero masculino, outro dos dois únicos, em que pese alguns distintos políticos e filósofos. São os daqueles homens que entram no salão alardeando sua nova e opulenta roupa de gala, sem dar-se conta de que ainda estão com o pijama[2]. Assim que, mulher e homem parecem ter chegado ao cume da baixeza humana, desconsiderando por completo a que veio, porque já não se sabe de onde veio ou para onde foi destinado. Melhor dizer, de Quem e para Quem.

Iniciamos, como visto, pela mulher, pois o início desse processo de involução se dá com ela, sem pré-conceitos ou discriminação, esta, no sentido comumente entendido. Mas o fato é que uma vez desligados da dignidade com que, em Cristo, foram revestidos: “Tu o fizeste pouco inferior aos anjos, de glória e de honra o coroaste, e lhe deste o mando sobre as obras de tuas mãos.” (Sl VIII, 6s), invertem a ordem natural, pondo tudo de ponta-cabeça. E como por ordem divina a sociedade humana inicia com a família, sua célula-mãe, o Criador, sabendo de antemão das peripécias de suas criaturas, como nos aponta Chesterton porá de ponta-cabeça as desordens das mesmas, reordenando-as com modelos de santificação, em nosso caso o de uma Família Sagrada, que demonstre a que a primeira e todas as demais vieram, ao tempo em que comprove que o ideal, não só é desejável, mas realizável.

Para pecar não precisamos sair do lugar (o que evidentemente vale para a santificação). Quando, pela herança da Queda original, o homem (leia-se: a humanidade; porque hoje é preciso aclarar sob pena de alguma espécie de homolatria) se torna propenso a essa desordem, instintivamente se agarra a qualquer folha de justificação para não se sentir nu. Ou para não permitir que o vejam nu. Se por algum resquício de uma longínqua integridade intelectual não consiga revestir sua nudez, isto é, justificar a desordem do pecado, não demorará a vir em seu auxílio a rebeldia soberba, fundamento de toda insana revolução. Revolta-se porque não se logrou dar rédea solta aos galopes dos desejos desenfreados, uma vez que existem mãos de cocheiro perseverando em manter as bestas longe do perigo de desembestar. Chame-se aquele consciência ou Anjo da Guarda. Até que se precipite cocheiros ao solo, arrebente-se freios, sacuda-se viseiras, desvencilhe-se de carroças e se ponha a galopar bestamente precipício abaixo, não como os três, mas como os dois mil suínos de uma história nada fictícia.

Assim que as insanidades estão atadas à vida. Elas a atingem direta e indiretamente. Um de seus maiores sintomas, que já vem causando úlceras de todos os tipos na vida de nossa enferma sociedade, é a hoje denominada “cultura da morte”, visceralmente interligada a uma determinada cosmovisão de mundo a que chamamos Gnose (coincidentemente a mesma que empresta sua inicial a determinados agrupamentos humanos que “Alardeando sabedoria, tornaram-se tolos e trocaram a glória do Deus incorruptível por uma imagem de seres corruptíveis…”). Já no A.T. encontramos bons exemplos desta cosmovisão gnóstica: no fratricídio de Caim, na sodomia dos habitantes de Sodoma, na tentativa de infanticídio por parte da meretriz dos tempos de Salomão, e mesmo no adultério e posterior homicídio de seu pai, o rei Davi: o que hoje conseguimos elevar a porcentagens até então impensáveis, ainda que previstas[3]. Em nossos tempos, o hedonismo hodierno traduz de forma convincente os frutos desta insana cosmovisão: na guerra e violência banal e generalizada, no divórcio, no aborto, na eutanásia, na ideologia de gênero, enfim, no mal, no feio e no falso. Por isso hoje em dia existe um exemplo muito curioso em que vemos pessoas de todo tipo ansiando por dar justificativas ao injustificável. Assim, ao mesmo tempo em que sabemos que Deus, que fez homem e mulher complementários, e que “Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua esposa, e os dois se tornarão uma só carne.”, o que elucida a ordem: “o que Deus uniu, não o separe o homem!” (Gen II, 24; Mt XIX, 6; Mc X, 8; Efe V, 31); a esse Deus o queiramos responsabilizar e agradecer pelas separações dos homens – entenda-se homem e mulher – unidos sob um sagrado compromisso, o do casamento, apesar da concessão à famigerada carta de divórcio, concebida como exceção à regra e “por causa da dureza de vossos corações” (Mt XIX, 8). O que torna sem justificação possível uma coabitação entre Casamento e Divórcio, mui especialmente se se pressupor que tal coabitação possa se dar “graças a Deus”.

Parafraseando Chesterton, a questão sobre o casamento é que não há questão sobre o casamento. O pano de fundo é simplesmente um que se desmembra: ainda como herança da Queda, queremos a Redenção sem o Calvário. Desde a reprovação de nossos primeiros pais, herdamos uma ácida acídia que corrói o desejo do mérito justamente adquirido. Quer-se o prêmio sem o esforço. Daí que queremos a Deus sem a Cristo, e Cristo sem a Igreja; daí que queremos ao Crucificado sem a cruz, o bônus sem o ônus; daí que se quer o casal sem o casamento. Em minha cidade natal há um parque por nome Redenção. Ele nos diz algo a respeito do espírito com que o homem moderno busca ser redimido, e este é o recreativo. Penitência, jejum, esmola, sacrifício e tudo o que tange ao negar-se a si mesmo e tomar sua cruz, parte integrante não só do seguimento a Cristo, como de uma família, cheira à mofo, ou dá indigestão. O Antigo Testamento já o demostrava. O Novo já soava o alarme. A Igreja e os Santos o anunciaram e as heresias o comprovam.

Emblemático – por se tratar de algo em voga – é o caso de Lutero e sua invenção, o protestantismo. Entre costumeiras supressões, acaba por suprimir também a cruz, dela baixando o Crucificado para aliviar o fardo, ou a lembrança de um fracasso. Dado que falhe à (ou apague da) memória de seus fiéis o fato de Cristo desde sempre ter sido alegre e incompreensivelmente anunciado em seu instante menos glorioso, tido por isso como “… escândalo para os Judeus, loucura para os Gentios…”[4]; é compreensível que se queira a Cristo, mas não a “Cristo crucificado…”, com suas loucuras e escândalos. E que se deseje ardentemente o Adveniat regnum tuum, mas sem o Fiat voluntas Tua. Já em relação ao catolicismo, para ficar em um bom, belo e verdadeiro – além de atual – exemplo, mencionemos a pequena cidade bósnia-herzegovina por nome Siroki-Brijeg. Lá não há (fábricas de) divórcios, garantindo assim, pela união terrena com o ser amado a união celeste com o Ser Amor; em consequência, tornando-se aqueles citadinos modelos universais. É que lá – coisa um tanto louca e escandalosa – quem casa não quer casa, quer cruz.[5] E aqui está o segredo do anel.

Há uma curiosa frase de efeito cunhada sob encomenda para traduzir o estado de ânimo/alma dos adeptos da liberdade absoluta (contradição em termos a tudo o que se refira à criação): “poder trocar de marido/mulher como se troca de roupa”. Nada tão fácil e cômodo, livre de empecilhos. Ocorre que uma vez tornada lei a utopia, a separação pelo homem do que Deus uniu terá como uma de suas naturais consequências o aborto, natural empecilho à renovação de guarda-roupas. Não sabendo como justificar o matricídio (por vezes de mãos dadas com o parricídio), inventa-se o “argumento” de que, tal como a indumentária ou as partes por ela cobertas, a criança seja algo que pertença à mulher; de onde a palavra de (des)ordem: “meu corpo, minhas regras”. Claro sinal de que a doença já criou metástase, atingindo as faculdades intelectivas de mulheres e homens; e nos encontramos diante do mundo como um Grande Manicômio, como bem vaticinaram os visionários Huxley e Orwell[6]. Como bem arquitetaram os gnósticos de Sião[7]. Mas os defensores do casamento-indumento parecem não se contentar com esta pseudojustificação e vão além: querem tornar defensável que uma separação possa constituir um bem, um belo e um justo à prole – não raro, fruto de ato livre e espontaneamente acidental. É batido o “argumento” oferecido a ela na base da quantidade=qualidade: o de que, dada a nova situação, não se ponha abatida ou fique aflita, ao menos agora terá duas casas para morar.

O mais gramisciano dos gramscianos, o pensador marxista Antonio Gramsci, nos fez o prestimoso favor de descobrir que para se implantar o Comunismo a nível mundial bastaria com “rifar” duas simples instituições, a Igreja Católica e a Família[8]. E como chegou à conclusão? Muito sensatamente por descobrir serem estes os alicerces do mundo. Se houver alguma fundada objeção quanto à Igreja e o Oriente, tal objeção não pode ser aplicada à Família. E ainda assim ficaríamos como estamos, pois os valores contidos na e difundidos pela Igreja em todo o orbe não são nada mais que os dez mandamentos universalmente conhecidos porque inscritos no coração do homem[9], desde que este deixou sua condição puramente mineral.

Mas a questão é que o Casamento tem cura, e ela, bem administrada com a correta medicação, tornará novamente sadio o corpo, seu e de quem dele se beneficia. Valendo-nos de Gramsci como da víbora, se o Comunismo se alimenta, como parasita, da (morte da) Igreja e da Família; e se o Comunismo já provou ser por si um câncer, portanto uma enfermidade social e por cima gangrenada; dois remédios nos restam para extirpá-lo, antes que estirpe todo o corpo social. E tais remédios já nos ensinaram as avós das avós de nossas avós. Assim que a Igreja e a Família, glóbulos brancos contra as células cancerígenas do Comunismo (e de tantas outras), sua doença, são a cura para o casamento. Contudo, há que saber extrair o veneno da própria serpente que o morde para então poder entrar neste jardim sagrado, neste oásis em meio ao deserto, já tão maltratado pelas intempéries e fauna peçonhenta. Para poder beber de suas fontes, provar de seus frutos (permitidos) e desfrutar de sua sombra, pois que há um “vale da sombra da morte”[10] à espreita em cada esquina, em cada mídia, em cada diversão e ainda que nos custe, em cada igreja. Mas que não desesperemos, como guia no caminho nos foi dada uma Sagrada Família. Em seu seio, uma Mulher, que obviamente é uma Mãe. Com Ela a promessa de que um belo dia seu materno Coração triunfará.

Aos 23 de novembro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2016.

__________________

Em tempo: O jornalista inglês Gilbert Keith Chesterton, detentor de uma vasta, versátil e inigualável produção literária, e possível primeiro santo jornalista da Igreja (mui providencial a esses tempos de abundante pecado jornalístico), nos deixou o feliz e apaixonante ensaio sobre o Casamento intitulado: The Superstition of Divorce[11]. Ele traz a dupla vantagem de nos servir, ao casamento e à família. E se puder acrescentar ainda outra serventia não menos desprezível, ele também nos servirá à eterna felicidade. Mas se com ele abrimos este artigo, com ele podemos com justiça encerrá-lo, pois aos que há muito decretaram a morte do casamento tal como nos foi proposto pelo Criador, ele responde: “Essa sociedade nunca será capaz de julgar o casamento. O casamento julgará essa sociedade; e possivelmente irá condená-la.”


* Publicado em 26/11/2016

[1] Cf. 2 Tim III, 6s.

[2] Cf. Rom I, 21ss.

[3] Cf. Lc XVIII, 8 e Mt XXIV, 12.

[4] 1 Cor I, 18-22.

[5] Marriage Crucifix (https://catholicismpure.wordpress.com/2012/09/24/marriage-crucifix/). Traduzido do original por Rogério Schmitt como A cruz do casamento (http://www.modestiaepudor.com/2016/05/a-cruz-do-casamento.html). Acesso em 15/11/2016.

[6] Respectivamente, autores das afamadas obras: Admirável Mundo Novo e 1984.

[7] Referência ao centenário escrito anônimo Os Protocolos dos Sábios de Sião, do qual sugiro a atenta leitura, e não somente aos católicos.

[8] Do artigo: Antonio Gramsci e Sua Influência na Revolução Cultural de Nosso Tempo. Tradução de Renato Salles (01/08/2009). Disponível em: <http://renatosalles.blogspot.com/2009/08/antonio-gramsci-e-sua-influencia-na.html&gt;. Acesso em 15/01/2013.

[9] Cf. Rom II, 14s.

[10] Sl XXIII.

[11] Em: http://basilica.org/pages/ebooks/G.K.Chesterton-The%20Superstition%20of%20Divorce.pdf. Há tradução em nossa língua, A Superstição do Divórcio, em versão preliminar de Carlos Ramalhete através da sugestiva página dos Amigos da Cruz: http://amigocruz.blogspot.com.br/2013/06/a-supersticao-do-divorcio-gilbert-keith.html. Acesso em 15/11/2016.

Aula do Papa Bento XVI na Universidade de Ratisbona, Alemanha – 2006

[Caríssimos, salve Maria!

Atualíssimo discurso proferido há quase dez anos por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, no  qual, abordando o diálogo acadêmico da Teologia com as demais ciências, o então Romano Pontífice menciona a doutrina do Islão e a do frade Duns Escoto – a violência da primeira e o voluntarismo de ambas; temas comentados na palestra de nossa Irmandade, que seguem por nós destacados]

VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
A MÜNCHEN [Munique], ALTÖTTING E REGENSBURG [Ratisbona]
(9-14 DE SETEMBRO DE 2006)

ENCONTRO COM OS REPRESENTANTES DAS CIÊNCIAS

DISCURSO DO SANTO PADRE

Aula Magna da Universidade de Regensburg [Ratisbona]
Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

Fé, razão e universidade: Recordações e reflexões.

 

Eminentíssimos Senhores Cardeais,
Magníficos Reitores,
Excelentíssimos Senhores Bispos,
Ilustríssimos Senhores e Senhoras!

Provo grande emoção neste momento em que me encontro de novo na universidade para dar mais uma lição. Ao mesmo tempo, voltam ao pensamento aqueles anos em que, depois dum belo período no Instituto Superior de Frisinga, comecei a minha actividade de professor académico na Universidade de Bona. Estávamos no ano 1959, vigorava ainda na universidade o antigo regime dos professores ordinários. Nas diversas cátedras, não existiam assistentes nem dactilógrafos, mas em contrapartida havia um contacto muito directo com os estudantes e sobretudo entre os professores. Antes e depois das aulas, encontrávamo-nos nas salas dos professores. Os contactos com historiadores, filósofos, filólogos e naturalmente entre as duas faculdades teológicas eram muito estreitos. Uma vez por semestre havia o chamado dies academicus, no qual se apresentavam diante dos estudantes de toda a universidade professores de todas as faculdades, tornando assim possível uma experiência de universitas – realidade esta a que há pouco se referiu também nas suas palavras, Magnífico Reitor – isto é, a experiência de que, não obstante as múltiplas especializações que por vezes nos tornam incapazes de comunicar entre nós, formamos um todo e trabalhamos no todo da única razão com as suas várias dimensões, encontrando-nos assim unidos também na responsabilidade comum pelo recto uso da razão – esta realidade tornava-se uma experiência viva. A universidade era, sem dúvida, orgulhosa também das suas duas faculdades teológicas. Via-se claramente que também estas, interrogando-se sobre a razoabilidade da fé, realizam um trabalho que necessariamente faz parte do «todo» que é a universitas scientiarum, embora nem todos pudessem partilhar a fé, da qual os teólogos se esforçavam por mostrar a correlação com a razão comum. Esta coesão interior no cosmos da razão nunca foi turbada, nem mesmo certa vez quando correu a notícia de que um dos colegas tinha dito que, na nossa universidade, havia um facto estranho: duas faculdades que se ocupavam duma realidade que não existia, ou seja, de Deus. Ora, mesmo em presença dum cepticismo tão radical, permaneceu indiscutível a convicção de que, no conjunto da universidade, continua a ser necessário e razoável interrogar-se sobre Deus por meio da razão e que isto se deve fazer no contexto da tradição da fé cristã.

Tudo isto me voltou à mente, quando recentemente li a parte – publicada pelo professor Theodore Khoury (Münster) – do diálogo que o douto imperador bizantino Manuel II Paleólogo teve com um persa erudito sobre cristianismo e islão e sobre a verdade de ambos, talvez durante os acampamentos de inverno no ano de 1391 em Ankara.[1] Presumivelmente terá sido o próprio imperador que depois, durante o assédio de Constantinopla entre 1394 e 1402, escreveu este diálogo; deste modo se explicaria por que aparecem os seus raciocínios referidos de forma muito mais pormenorizada que os do seu interlocutor persa.[2] O diálogo cobre todo o âmbito das estruturas da fé contidas na Bíblia e no Alcorão, detendo-se principalmente sobre a imagem de Deus e do homem mas também – e repetidamente, como era de esperar – sobre a relação entre as três «Leis» ou três «ordens de vida», como então se designava o Antigo Testamento, o Novo Testamento e o Alcorão. Por agora, nesta lição, não pretendo falar disso; primeiro gostava de acenar brevemente a um assunto – aliás bastante marginal na estrutura de todo o diálogo – que me fascinou no contexto do tema «fé e razão» e vai servir como ponto de partida para as minhas reflexões sobre este tema.

No sétimo colóquio (διάλεξις – controvérsia) publicado pelo Prof. Khoury, o imperador aborda o tema da jihād, da guerra santa. O imperador sabia seguramente que, na sura 2, 256, lê-se: «Nenhuma coacção nas coisas de fé». Esta é provavelmente uma das suras do período inicial – segundo uma parte dos peritos – quando o próprio Maomé se encontrava ainda sem poder e ameaçado. Naturalmente, sobre a guerra santa, o imperador conhecia também as disposições que se foram desenvolvendo posteriormente e se fixaram no Alcorão. Sem se deter em pormenores como a diferença de tratamento entre os que possuem o «Livro» e os «incrédulos», ele, de modo surpreendentemente brusco – tão brusco que para nós é inaceitável –, dirige-se ao seu interlocutor simplesmente com a pergunta central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: «Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava».[3] O imperador, depois de se ter pronunciado de modo tão ríspido, passa a explicar minuciosamente os motivos pelos quais não é razoável a difusão da fé mediante a violência. Esta está em contraste com a natureza de Deus e a natureza da alma. Diz ele: «Deus não se compraz com o sangue; não agir segundo a razão – «σὺν λόγω» – é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma, não do corpo. Por conseguinte, quem desejar conduzir alguém à fé tem necessidade da capacidade de falar bem e de raciocinar correctamente, e não da violência nem da ameaça… Para convencer uma alma racional não é necessário dispor do próprio braço, nem de instrumentos para ferir ou de qualquer outro meio com que se possa ameaçar de morte uma pessoa…».[4]

Nesta argumentação contra a conversão através da violência, a afirmação decisiva está aqui: não agir segundo a razão é contrário à natureza de Deus.[5] E o editor, Theodore Khoury, comenta: para o imperador, como bizantino que cresceu na filosofia grega, esta afirmação é evidente; mas não o é para a doutrina muçulmana, porque Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está vinculada a nenhuma das nossas categorias, incluindo a da razoabilidade.[6] Neste contexto, Khoury cita uma obra do conhecido islamita francês R. Arnaldez, onde este assinala que Ibn Hazm chega a declarar que Deus nem sequer estaria vinculado à sua própria palavra e que nada O obrigaria a revelar-nos a verdade. Se fosse a sua vontade, o homem deveria inclusive praticar a idolatria.[7]

Aqui gera-se um dilema, na compreensão de Deus e consequentemente na realização concreta da religião, que nos desafia hoje de maneira muito directa: a convicção de que o agir contra a razão estaria em contradição com a natureza de Deus, faz parte apenas do pensamento grego ou é válida sempre e por si mesma? Penso que, neste ponto, se manifesta a profunda concordância entre o que é grego na sua parte melhor e o que é a fé em Deus baseada na Bíblia. Modificando o primeiro versículo do livro do Génesis, o primeiro versículo de toda a Sagrada Escritura, João iniciou o prólogo do seu Evangelho com estas palavras: «No princípio era o λόγος». Ora, é precisamente esta a palavra que usa o imperador: Deus age «σὺν λόγω», com logos. Logos significa conjuntamente razão e palavra – uma razão que é criadora e capaz de se comunicar, mas precisamente enquanto razão. Com este termo, João ofereceu-nos a palavra conclusiva para o conceito bíblico de Deus, uma palavra na qual todos os caminhos, muitas vezes cansativos e sinuosos, da fé bíblica alcançam a sua meta, encontram a sua síntese. No princípio era o logos, e o logos é Deus: diz-nos o evangelista. Este encontro entre a mensagem bíblica e o pensamento grego não era simples coincidência. A visão de São Paulo – quando diante dele se estavam fechando os caminhos da Ásia e, em sonho, viu um macedónio que lhe suplicava: «Passa à Macedónia e vem ajudar-nos!» (cf. Act 16, 6-10) – esta visão pode ser interpretada como a «condensação» da necessidade intrínseca de aproximação entre a fé bíblica e a indagação grega.

Na realidade, há muito tempo que esta aproximação se tinha iniciado. Já, na sarça ardente, o nome misterioso de Deus – que O separa do conjunto das divindades com múltiplos nomes, afirmando d’Ele apenas «Eu sou», o seu ser – apresenta-se, face ao mito, como uma contestação, que está em íntima analogia com a tentativa de Sócrates para vencer e superar precisamente o mito.[8] Ora, o processo iniciado na sarça ardente alcança, no âmbito do Antigo Testamento, uma nova maturidade durante o exílio, quando o Deus de Israel, agora privado da Terra e do culto, se anuncia como o Deus do céu e da terra, apresentando-se com uma fórmula simples que prolonga a frase da sarça: «Eu sou». Em paralelo com este novo conhecimento de Deus, cresce uma espécie de iluminismo que se expressa drasticamente na derisão das divindades como sendo apenas obra das mãos do homem (cf. Sal 115). Assim, durante a época helenista, a fé bíblica – não obstante o desacordo em toda a sua dureza com os soberanos helenistas que queriam obter pela força a sua adequação ao estilo grego de vida e ao seu culto idolátrico –, estava interiormente caminhando ao encontro da parte melhor do pensamento grego até chegar a um contacto recíproco que se verificou depois especialmente na literatura sapiencial tardia. Sabemos hoje que a tradução grega do Antigo Testamento realizada em Alexandria – a «Setenta» – é mais do que uma simples (no sentido de avaliar de modo pouco positivo) tradução do texto hebraico: de facto, trata-se de um testemunho textual único no seu género e um passo específico e importante da história da Revelação, no qual se realizou de tal forma o referido encontro que acabou por ter um significado decisivo para o nascimento do cristianismo e sua difusão.[9] Trata-se, no fundo, do encontro entre fé e razão, entre iluminismo autêntico e religião. Ora, o imperador Manuel II, verdadeiramente partindo da natureza íntima da fé cristã e, ao mesmo tempo, da natureza do pensamento grego já fundido com a fé, podia dizer: Não agir «com o logos» é contrário à natureza de Deus.

Por honestidade, temos de referir aqui que, na teologia da baixa Idade Média, se desenvolveram tendências que rompem esta síntese entre o espírito grego e o espírito cristão. Em contraste com o chamado intelectualismo agostiniano e tomista, Duns Escoto deu início a uma orientação voluntarista que, no termo de sucessivos desenvolvimentos, havia de levar à afirmação segundo a qual, de Deus, só conheceremos a voluntas ordinata. Para além desta, existiria a liberdade de Deus, em virtude da qual Ele teria podido criar e fazer inclusivamente o contrário de tudo o que efectivamente realizou. Vemos esboçarem-se aqui posições próximas, sem dúvida, das de Ibn Hazm e que poderiam levar à imagem dum Deus-Arbítrio, que não está dependente sequer da verdade e do bem. A transcendência e a diversidade de Deus aparecem tão exageradamente acentuadas, que inclusive a nossa razão e o nosso sentido da verdade e do bem deixam de ser um verdadeiro espelho de Deus, cujas possibilidades abismais permaneceriam, para nós, eternamente inatingíveis e ocultas por detrás das suas decisões efectivas. Em contraste com isto, a fé da Igreja sempre se ateve à convicção de que entre Deus e nós, entre o seu eterno Espírito criador e a nossa razão criada, existe uma verdadeira analogia, na qual por certo – como afirma, em 1215, o IV Concílio de Latrão – as diferenças são infinitamente maiores que as semelhanças, mas não até ao ponto de abolir a analogia e a sua linguagem. Deus não se torna mais divino pelo facto de O afastarmos para longe de nós num voluntarismo puro e impenetrável, mas o Deus verdadeiramente divino é aquele Deus que se mostrou como logos e, como logos, agiu e age cheio de amor em nosso favor. Certamente o amor, como diz Paulo, «ultrapassa» o conhecimento, sendo por isso capaz de apreender mais do que o simples pensamento (cf. Ef 3, 19), mas aquele permanece o amor do Deus-Logos, motivo pelo qual o culto cristão, como afirma ainda Paulo, é «λογικη λατρεία» [logike latreía] – um culto que está de acordo com o Verbo eterno e com a nossa razão (cf. Rm 12, 1).[10]

A recíproca aproximação interior, a que aludimos, entre a fé bíblica e a indagação a nível filosófico do pensamento grego é um elemento de importância decisiva sob o ponto de vista não só da história das religiões, mas também da história universal – um dado a que estamos obrigados ainda hoje. Considerando tal encontro, não surpreende que o cristianismo, apesar da sua origem e de qualquer desenvolvimento importante no Oriente, tenha no fim de contas encontrado a sua fisionomia historicamente decisiva na Europa. E o mesmo se pode exprimir inversamente: o referido encontro, ao qual depois veio juntar-se o património de Roma, criou a Europa e permanece o fundamento daquilo que, com razão, se pode chamar Europa.

À tese segundo a qual o património grego, criticamente purificado, é uma parte integrante da fé cristã, contrapõe-se a reclamação de deselenização do cristianismo – um pedido que, desde o início da Idade Moderna, tem dominado de modo crescente a pesquisa teológica. Entretanto vendo-o mais de perto, podem-se observar três ondas no programa da deselenização: estas, embora interligadas, são claramente distintas uma da outra nas suas motivações e objectivos.[11]

Primeiro, a deselenização surge em conexão com os postulados da Reforma do século XVI. Ao considerarem a tradição das escolas teológicas, os reformadores achavam-se perante uma sistematização da fé condicionada totalmente pela filosofia, isto é, uma fé determinada a partir de fora em virtude de um modo de pensar que não derivava dela. Deste modo, a fé apresentava-se, não já como palavra histórica viva, mas como elemento inserido na estrutura dum sistema filosófico. Pelo contrário, a sola Scriptura busca a pura forma primordial da fé, tal como se apresenta originariamente na Palavra bíblica. Aparecendo a metafísica como um pressuposto derivado de outra fonte, é necessário libertar dela a fé para fazê-la voltar a ser totalmente ela mesma. Quando Kant afirmou que teve de pôr de lado o pensar para dar espaço à fé, ele procedeu fundado neste programa e com um radicalismo imprevisível para os reformadores. Foi assim que ele ancorou a fé exclusivamente na razão prática, negando-lhe o acesso ao conjunto da realidade.

A teologia liberal dos séculos XIX e XX trouxe uma segunda onda ao programa da deselenização: o seu representante eminente é Adolf von Harnack. Tanto durante o tempo dos meus estudos como nos primeiros anos da minha actividade académica, este programa estava fortemente activo também na teologia católica. Como ponto de partida, utilizava-se a distinção de Pascal entre o Deus dos filósofos e o Deus de Abraão, Isaac e Jacob. Na prelecção que fiz em Bona, no ano de 1959, procurei analisar este assunto,[12] e não pretendo retomar aqui por inteiro o discurso. Mas gostaria de tentar pôr em evidência, embora brevemente, a novidade que caracterizava, relativamente à primeira, esta segunda onda de deselenização. Como ideia central temos, em Harnack, o regresso ao Jesus meramente homem e à sua mensagem simples, que viria antes de todas as teologizações e, concretamente, antes das helenizações: tal mensagem simples constituiria o verdadeiro apogeu do desenvolvimento religioso da humanidade. Jesus teria deixado de lado o culto em favor da moral. Em última análise, Ele é representado como pai duma mensagem moral humanitária. O objectivo de Harnack é fundamentalmente trazer o cristianismo à harmonia com a razão moderna, libertando-o precisamente de elementos aparentemente filosóficos e teológicos, como, por exemplo, a fé na divindade de Cristo e na trindade de Deus. Neste sentido, a exegese histórico-crítica do Novo Testamento, com esta sua visão, insere novamente a teologia no cosmos da universidade: para Harnack, a teologia é essencialmente algo de histórico e por conseguinte de estritamente científico. O que ela indaga, por meio da crítica, sobre Jesus é, por assim dizer, expressão da razão prática e consequentemente sustentável também no conjunto da universidade. No fundo, temos a autolimitação moderna da razão, com a sua expressão clássica na «críticas» de Kant, mas ulteriormente radicalizada pelo pensamento das ciências naturais. Em poucas palavras, este conceito moderno da razão baseia-se numa síntese entre platonismo (cartesianismo) e empirismo, que o sucesso técnico confirmou. Por um lado, pressupõe-se a estrutura matemática da matéria, por assim dizer a sua racionalidade intrínseca, que torna possível compreendê-la e usá-la na sua eficácia operacional: este pressuposto básico é, por assim dizer, o elemento platónico no conceito moderno da natureza. Por outro lado, trata-se da utilização funcional da natureza para as nossas finalidades, onde só a possibilidade de controlar verdade ou falsidade através da experiência é que fornece a certeza decisiva. O peso entre os dois pólos pode, segundo as circunstâncias, oscilar para um lado ou outro. Um pensador estritamente positivista como J. Monod declarava-se um platónico convicto.

Isto encerra duas orientações fundamentais e decisivas para a nossa questão. Só o tipo de certeza que deriva da sinergia entre matemática e experiência nos permite falar de cientificidade. Tudo o que pretenda ser ciência deve confrontar-se com este critério. E assim as ciências que dizem respeito à realidade humana, como a história, a psicologia, a sociologia e a filosofia, procuravam também aproximar-se deste cânone da cientificidade. Entretanto, para as nossas reflexões, é ainda importante o facto de o método como tal excluir o problema de Deus, apresentando-o como problema acientífico ou pré-científico. Mas, aqui estamos perante uma redução do espaço próprio da ciência e da razão, facto este que é obrigatório pôr em questão.

Voltarei mais adiante ao assunto. Por agora, basta ter presente que, numa tentativa de conservar, segundo esta perspectiva, o carácter de disciplina «científica» na teologia, do cristianismo restaria apenas um mísero fragmento. E mais grave ainda: se a ciência no seu conjunto é apenas isto, desse modo então o próprio homem sofre uma redução. Porque nesse caso as questões propriamente humanas, isto é, «donde venho» e «para onde vou», as questões da religião e do ethos não podem ter lugar no espaço da razão comum, tal como a descreve uma «ciência» assim entendida, devendo ser transferidas para o âmbito do subjectivo. O sujeito decide, com base nas suas experiências, o que lhe parece religiosamente sustentável, e a «consciência» subjectiva torna-se em última análise a única instância ética. Desta forma, porém, o ethos e a religião perdem a sua força de criar uma comunidade e caem no âmbito da discricionariedade pessoal. Trata-se duma condição perigosa para a humanidade: constatamo-lo nas patologias que ameaçam a religião e a razão – patologias que devem necessariamente eclodir quando a razão fica a tal ponto limitada que as questões da religião e do ethos deixam de lhe dizer respeito. O que resta das tentativas de construir uma ética partindo das regras da evolução ou da psicologia e da sociologia, é simplesmente insuficiente.

Antes de chegar às conclusões para as quais tende todo este raciocínio, devo ainda aludir, brevemente, à terceira onda de deselenização que se difunde actualmente. Em ordem ao encontro das culturas na sua multiplicidade, facilmente se ouve hoje dizer que a síntese realizada na Igreja Antiga com o helenismo teria sido uma primeira inculturação, que não deveria vincular as outras culturas. Mas, estas deveriam ter o direito de remontar até à etapa anterior a tal inculturação para aí descobrirem a mensagem pura e simples do Novo Testamento e, depois, inculturá-la novamente nos respectivos ambientes. Esta tese não é errada de todo; mas é superficial e imprecisa. É que o Novo Testamento foi escrito em língua grega e traz no seu seio o contacto com o espírito grego – um contacto já maturado anteriormente no decurso do Antigo Testamento. Existem, sem dúvida, elementos no processo formativo da Igreja Antiga que não devem ser integrados em todas as culturas. Mas, decisões de fundo, como as que se referem precisamente à relação da fé com a busca da razão humana, fazem parte da própria fé, constituem o seu crescimento, de acordo com a sua natureza.

Dito isto, chego à conclusão. Esta tentativa, feita apenas em linhas gerais, de crítica da razão moderna a partir do seu interior não inclui de forma alguma a opinião de que agora se deva voltar atrás, para antes do iluminismo, rejeitando as convicções da Idade Moderna. Tudo o que é válido no desenvolvimento moderno do espírito, há-de ser reconhecido sem reservas: todos nos sentimos agradecidos pelas grandiosas possibilidades que isso abriu ao homem e pelos progressos que nos foram proporcionados no campo humano. Aliás, o ethos da cientificidade – como acenava nas suas palavras, Magnífico Reitor – é vontade de obediência à verdade e, consequentemente, expressão duma atitude que faz parte das decisões essenciais do espírito cristão. Portanto, a intenção não é retirada, nem crítica negativa; pelo contrário, trata-se de um alargamento do nosso conceito de razão e do seu uso. Porque, juntamente com toda a alegria face às possibilidades do homem, vemos também as ameaças que resultam destas mesmas possibilidades e devemos perguntar-nos como poderemos dominá-las. Consegui-lo-emos apenas se razão e fé voltarem a estar unidas duma forma nova; se superarmos a limitação autodecretada da razão ao que é verificável na experiência, e lhe abrirmos de novo toda a sua amplitude. Neste sentido, a teologia não só enquanto disciplina histórica e humano-científica, mas como verdadeira e própria teologia, ou seja, como indagadora da razão da fé, deve ter o seu lugar na universidade e no amplo diálogo das ciências.

Só assim nos tornamos capazes também de um verdadeiro diálogo das culturas e das religiões – um diálogo de que temos necessidade muito urgente. No mundo ocidental, é largamente dominante a opinião de que são universais apenas a razão positivista e as formas de filosofia dela derivadas. Mas, as culturas profundamente religiosas do mundo vêem, precisamente nesta exclusão do divino da universalidade da razão, um ataque às suas convicções mais íntimas. Uma razão, que diante do divino é surda e repele a religião para o âmbito das subculturas, é incapaz de inserir-se no diálogo das culturas. E no entanto a razão moderna, própria das ciências naturais, com a sua dimensão platónica intrínseca traz consigo, como procurei demonstrar, uma questão que a transcende a ela juntamente com as suas possibilidades metódicas. Ela própria tem simplesmente de aceitar a estrutura racional da matéria e a correspondência entre o nosso espírito e as estruturas racionais operativas na natureza como um dado de facto, sobre o qual se baseia o seu percurso metódico. Mas, a pergunta sobre o porquê deste dado de facto existe e deve ser confiada pelas ciências naturais a outros níveis e modos do pensar – à filosofia e à teologia. Para a filosofia e, de maneira diferente, para a teologia, a escuta das grandes experiências e convicções das tradições religiosas da humanidade, especialmente da fé cristã, constitui uma fonte de conhecimento; recusá-la significaria uma inaceitável redução do nosso escutar e responder. Isto traz-me à mente uma frase de Sócrates a Fédon; nos colóquios anteriores tinham sido citadas muitas opiniões filosóficas erradas, e então Sócrates diz: «Seria facilmente compreensível que alguém, irritado por causa de tantas coisas erradas, detestasse pelo resto da sua vida todo e qualquer discurso sobre o ser, ou o denegrisse. Mas, desta forma, perderia a verdade do ser e sofreria um grande dano».[13] Ora, desde há muito tempo que o ocidente vive ameaçado por esta aversão contra as questões fundamentais da sua razão, mas o único resultado seria sofrer um grande dano. A coragem de abrir-se à vastidão da razão, e não a rejeição da sua grandeza – tal é o programa pelo qual uma teologia comprometida na reflexão sobre a fé bíblica entra no debate do tempo actual. «Não agir segundo razão, não agir com o logos, é contrário à natureza de Deus», disse Manuel II, partindo da sua imagem cristã de Deus, ao interlocutor persa. É a este grande logos, a esta vastidão da razão que convidamos os nossos interlocutores no diálogo das culturas. Reencontrá-la nós mesmos sempre de novo, é a grande tarefa da universidade.


[1] Da totalidade dos 26 colóquios (διάλεξις – Khoury traduz: controvérsia) que compõem o diálogo («Entretien»), Th. Khoury publicou a 7.ª «controvérsia» com notas e uma ampla introdução sobre a origem do texto, a tradição manuscrita e a estrutura do diálogo, juntamente com breves resumos das «controvérsias» não publicadas; ao texto grego juntou uma tradução francesa: Manuel II Paléologue, Entretiens avec un Musulman: 7e Controverse, Sources Chrétiennes n.º 115 (Paris 1966). Entretanto Karl Förstel publicou, no Corpus Islamico-Christianum (Series Graeca. Redacção A. Th. Khoury – R. Glei), uma edição greco-alemã comentada do texto: Manuel II Palaiologus, Dialoge mit einem Muslim, 3 volumes (Würzburg – Altenberge 1993-1996). Já, em 1966, E. Trapp tinha publicado o texto grego com uma introdução como vol. II dos «Wiener byzantinische Studien». As citações que farei em seguida são tiradas de Khoury.

[2] Quanto à origem e à redacção do diálogo, veja-se Khoury pp. 22-29; também nas edições de Förstel e Trapp se encontram amplos comentários a tal respeito.

[3] Controvérsia VII 2c: Khoury, pp. 142-143; Förstel, vol. I, VII Dialog 1.5, pp. 240-241. Infelizmente, esta citação foi tomada, no mundo muçulmano, como expressão da minha posição pessoal, suscitando assim uma indignação compreensível. Espero que o leitor do meu texto possa depreender imediatamente que esta frase não exprime a minha apreciação pessoal face ao Alcorão, pelo qual nutro o respeito que se deve ao livro sagrado duma grande religião. Eu, ao citar o texto do imperador Manuel II, pretendia unicamente evidenciar a relação essencial entre fé e razão. Neste ponto, estou de acordo com Manuel II, sem contudo fazer minha a sua polémica.

[4] Controvérsia VII 3b-c: Khoury, pp. 144-145; Förstel, vol. I, VII Dialog 1.6, pp. 240-243.

[5] Foi unicamente por esta afirmação que citei o diálogo entre Manuel e o seu interlocutor persa. É nesta afirmação que surge o tema das minhas afirmações seguintes.

[6] Cf. Khoury, op. cit., p. 144, nota 1.

[7] R. Arnaldez, Grammaire et théologie chez Ibn Hazm de Cordoue (Paris 1956) p. 13: cf. Khoury, p. 144. Mais adiante, no desenvolvimento do meu discurso, aludirei ao facto da existência de posições semelhantes na teologia da baixa Idade Média.

[8] Para a interpretação do episódio da sarça ardente, objecto de ampla discussão, veja-se o meu livro «Einführung in das Christentum» (Mónaco 1968), pp. 84-102. Penso que as minhas afirmações lá feitas continuam, não obstante os sucessivos desenvolvimentos do debate, a ser ainda válidas.

[9] Cf. A. Schenker, «L’Écriture sainte subsiste en plusieurs formes canoniques simultanées», in: A interpretação da Bíblia na Igreja. Actas do Simpósio promovido pela Congregação para a Doutrina da Fé (Cidade do Vaticano 2001), pp. 178-186.

[10] Tratei este tema, de forma mais pormenorizada, no meu livro «Der Geist der Liturgie. Eine Einführung» (Friburgo 2000), pp. 38-42.

[11] Dentre a vasta literatura sobre este tema da deselenização, apraz-me citar antes de mais: A. Grillmeier, «Hellenisierung-Judaisierung des Christentums als Deuteprinzipien der Geschichte des kirchlichen Dogmas», in: Id., Mit ihm und in ihm. Christologische Forschungen und Perspektiven (Friburgo 1975) pp. 423-488.

[12] Foi publicada de novo e comentada por Heino Sonnemanns: Joseph Ratzinger–Benedikt XVI, Der Gott des Glaubens und der Gott der Philosophen. Ein Beitrag zum Problem der theologia naturalis, Johannes-Verlag Leutesdorf, 2.ª edição aumentada, 2005.

[13] 90 c-d. A propósito deste texto, veja-se também R. Guardini, Der Tod des Sokrates. (Mainz-Paderborn 51987) pp. 218-221.

– Do sítio da Santa Sé

Sermão (trecho) sobre a Confissão – Pe. José do Prado Leles

[N]a situação que estamos vivendo hoje… – ainda que a Igreja peça para que voltem com as confissões! – …o que fizeram da Confissão? Fizeram uma terapia! O padre senta num banco, a pessoa senta de lá, no outro banco. Tem gente que tem a capacidade de falar: “Padre, eu queria bater um papo com o senhor”! Ora, não existe sacramento do bate-papo! A Confissão (…) era feita num lugar sagrado, o Confessionário… Nem temos mais os confessionários… jogaram tudo fora! Pois se quer que fique o padre numa “salinha” ali… uma hora, para atender uma só pessoa! E você não consegue perceber arrependimento. Culpa? Todo mundo tem culpa! Até os ateus sentem culpa com alguma coisa que é feita de errado. Mas tem que ter arrependimento! Mas a pessoa não manifesta a vontade de mudar de vida. Não existe conversão. Até inventaram agora – fiquei sabendo por esse tempo – existe agora um “Pastoral da Escuta”. Ora, banalizou-se tanto o sacramento que a pessoa vai fazer uma terapia… vai sentar com outro leigo e “vamos conversar…”. Reduziu-se o amor a Deus ao amor ao homem. Acham que a nossa vida aqui na terra é para sempre. Então vamos adorar a nós mesmos! A verdadeira idolatria do ser humano! Tudo voltado para o próprio homem. Quando se colocam às vezes uns cantores para se ajudar a louvar a Deus, voltam-se para o povo e passam a fazer um show, e todos ficam adorando-se e contemplando-se uns aos outros. Esquece-se que o centro da nossa vida deve ser Jesus Cristo, Nosso Senhor. Que o Salvador é Nosso Senhor e não o homem!

Muitas vezes [o fiel] procura o padre porque este fala de um certo jeito que agrada, no Sacramento da Penitência… O padre é um pecador como todos os outros. Nosso Senhor usa desse indivíduo para se fazer presente porque não podemos ver Nosso Senhor. Então, o padre age in persona Christi. Ou seja, não é porque o padre é santo é que eu vou ser perdoado. Mas Deus utilizou-se desse homem – fraco, frágil – para ser sinal de perdão para todos. (…) Não façamos do Sacramento da Penitência uma terapia… Claro que o veneno, quando é engolido, para se salvar a vida deve ser vomitado; por isso, o modo de se jogar fora [implica] de certo modo uma ação psicológica, no sentido de que ajuda a pessoa a perceber, na humildade diante de um outro homem – que não é um homem comum, mas que age na pessoa de Cristo – o perdão de seus pecados.

(…) o arrependimento perfeito, o desejo de não voltar cometer mais os mesmos erros, a vergonha de ter ofendido ao nosso Pai, ao nosso Criador, que nos amou e nos ama muito. É isso o principal, a vontade de não voltar mais a pecar (…).

Peçamos, irmãos caríssimos, a Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos ajude nessa Quaresma a não fazer só essa penitência externa, não rasgar as nossas vestes mas rasgar o nosso coração, para que assim Nosso Senhor, habitando nos nossos corações, nos ajude a vencer as dificuldades da vida, as dificuldades por que passa a Igreja e, assim, podermos caminhar juntos até o encontro definitivo com Nosso Senhor. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Louvável esforço do Bispo D. Paulo e Pe. Leles

A Diocese de Uberlândia recentemente passou a ter mais uma missa dominical. Trata-se da missa celebrada às 16 horas na Catedral Santa Teresinha. Essa missa, segundo palavras do padre que a celebra, o Pe. José do Prado Leles, foi um pedido do próprio bispo. “Uma missa solene a ser rezada aos domingos em nossa catedral, o que é comum em várias dioceses do Brasil e do mundo”.

Não se trata ainda, entretanto, de uma Missa na forma extraordinária, conforme definida no Motu Proprio Summorum Pontificum de 07 de julho de 2007, de Bento XVI.

O espírito que moveu à realização dessa missa nesse horário, entretanto, parece ótimo: uma vontade do bispo e do padre em atender o desejo do Santo Padre em disponibilizar ao povo católico o enorme tesouro espiritual litúrgico da Santa Igreja.

Conforme palavras do Pe. Leles, em uma carta sua aos fiéis assistentes dessa missa, “não podemos desprezar o tesouro espiritual, cultural e religioso que o Santo Padre oferece à Igreja”.

“O ritual, incluindo os paramentos, movimentos e gestos do sacerdote celebrante, bem como dos acólitos e dos fiéis, ressalta a grandeza, a seriedade e o respeito devidos à Fé daquela comemoração litúrgica: a ‘RENOVAÇÃO DO SACRIFÍCIO DO CALVÁRIO’.”

Num tempo como esses em que se cometem frequentes e intensos abusos litúrgicos, e “não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, (…) levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável” (Bento XVI, em carta aos bispos acompanhada do M.P. Summorum Pontificum), é muito louvável essa atitude do Bispo. Como ficará contente o Papa Bento XVI em saber que conta com obedientes servos seus quando talvez pense que esteja lutando um tanto sozinho pela restauração da liturgia católica! Em tempo em que se observa feroz rebelião (dos próprios bispos) contra o Vigário de Cristo, essa é uma atitude grandiosa e heróica desse nosso amado bispo!

Claro está pelas palavras do Pe. Leles que logo se começará a celebrar, em Uberlândia, a Missa segundo o Missal do Beato João XXIII, ou seja, segundo o rito de 1962: “porém não havendo um padre preparada adequadamente, isso não pode ser oferecido ao povo, pois (…) trata-se de conhecer também o antigo rito”.

Os fiéis católicos de Uberlândia esperam sinceramente que, empenhando-se o máximo possível para aprender a celebrar o Santo Sacrifício no rito tridentino, o reverendo padre possa em pouquíssimo tempo já fazer essa maravilhoso gesto católico de restauração da liturgia e culto católico!

Assim termino esse post de homenagem, dizendo-me na esperança de poder assistir em breve, em Uberlândia, a Santa Missa segundo o rito conhecido por todos os santos dos últimos séculos!

V. F.