Mortalium Animos, a condenação do falso ecumenismo

Por Javier Navascués

Tradução de Airton Vieira

O ecumenismo que nos é proposto e imposto hoje em dia não é reto, pois há um claro e grave menoscabo para a religião verdadeira. De maneira sutil se situa ao mesmo nível a Igreja Católica e as falsas crenças, um grandíssimo agravo para a verdadeira Igreja de Cristo. Na prática é baixar penosamente o listão, claudicar miseravelmente ante a mentira, conviver com a falsidade, calar covardemente aqueles pontos da doutrina verdadeira que possam escandalizar aos que estão no erro. Pareceria inclusive que a Igreja Católica se envergonha de ser a única verdadeira e incluso parece pedir perdão por existir.

Um verdadeiro ecumenismo tende a levar a todas as ovelhas ao verdadeiro aprisco de Cristo, à única Igreja que Ele fundou: “Tenho outras ovelhas que não são deste redil; a essas também me é necessário trazê-las, e ouvirão minha voz, e serão um rebanho com um só pastor” (Jo 10:16).

S.S. Pio XI em sua encíclica Mortalium Animos, nos dá as pautas para praticar o verdadeiro e reto ecumenismo e condena rotundamente como uma peste o falso ecumenismo. O historiador D. Borja Ruiz tem estudado a fundo este importante documento e resume os pontos principais da encíclica. Esmas que se animem a lê-la e a aprofundar-se nela.

Qual é o verdadeiro ecumenismo que a Tradição da Igreja admite?

O ecumenismo reto é aquele que tenta e deseja a união de todos os cristãos sob a única Igreja de Cristo, a Igreja católica. Este ecumenismo é um dever e inclusive uma obrigação. De tal forma, sua santidade Pio XI dedicou uma encíclica para mostrar com claridade os pontos e as advertências que devíamos ter em conta à hora de praticar o ecumenismo com os hereges e cismáticos.

Quais são as principais orientações que estabelece Sua Santidade Pio XI de feliz memória?

Em primeiro lugar, se reconhece que a fraternidade entre todos os homens é algo desejável, algo ao que devemos aspirar, contudo nem tudo vale. Ato contínuo, o Pontífice, deixa absolutamente proibida a organização ou participação em congressos, reuniões ou conferências daqueles que rejeitam a verdadeira religião. Todo encontro com os irmãos separados deve ser única e exclusivamente para exortar-lhes à conversão.

Após este importante aviso, que é o que o Pontífice recorda à grei do Senhor?

Que só há uma religião verdadeira, a Católica e que fora dela não há salvação, só há uma Igreja com uma única cabeça, um mesmo governo, magistério, sacramentos, tradição e dogmas. São os elementos distintivos da única Igreja que fundou Nosso Senhor.

Aborda de novo a pretendida união de igrejas cristãs. Por um exercício de pura lógica, qualquer um poderia pensar que essa união não existe, mas é falso, essa unidade já está realizada. Já há uma unidade de fé e de governo e isto se dá na Igreja Católica. Não é nenhum ideal ao que devamos aspirar, já existe.

Que sucederia se negamos que esta unidade de fé e de governo só se dá na Igreja?

Se negamos isto, relativizamos a Igreja Católica. Seria considerar que existem diferentes comunidades cristãs em plano de igualdade que vão em busca de sua unidade.

Tal é a lógica destes movimentos ecumênicos, que pretendem estabelecer um mínimo comum de doutrina relegando tudo no que discrepem. Ainda que em uma pedagogia ecumênica, pode servir, observar os pontos em comum, não é lícito fazê-lo, quando unicamente se pretende como fim e não como meio.

De que grandes perigos nos previne o Papa em matéria de ecumenismo?

O perigo de cair no indiferentismo religioso e o modernismo. Se fala de perigo, pois para enfrentar-nos a tarefa de converter os que abandonaram a Igreja,  há que ter grande formação, pedagogia, caridade fraterna e claridade de linguagem.

Já no final da carta encíclica o Papa recorda que, de nenhum modo pode adulterar-se, nem mudar nada em prol daqueles que se separaram. Finalmente sua Santidade como pastor de todas as ovelhas, também das descarrilhadas, as chama e as exorta a vir de novo ao rebanho com as seguintes palavras:

Voltem, pois, à Sé Apostó1ica, assentada nesta cidade de Roma, que consagraram com seu sangue os Príncipes dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, à Sede raiz e matriz da Igreja Católica; voltem os filhos dissidentes, não já com o desejo e a esperança de que a Igreja de Deus vivo, a coluna e o firmamento da verdade abdique da integridade de sua fé, e consinta os erros deles, senão para submeter-se ao magistério e ao governo dela. Aprazasse ao Céu alcançássemos felizmente Nós, o que não alcançaram tantos predecessores Nossos; o poder abraçar com paternais entranhas aos filhos que tanto nos dói ver separados de Nós por uma funesta divisão.

Há alguma oração eficaz para pedir por este reto ecumenismo?

Recomendamos também aos leitores, que cumprindo com a intenção deste Sumo Pontífice, acrescentem a suas orações a seguinte escrita por ele mesmo, para pedir à Virgem louvável propósito de destruir as heresias que atacam a unidade da Igreja:

E oxalá Nosso Divino Salvador, o qual quer que todos os homens se salvem e venha ao conhecimento da verdade, ouça Nossas ardentes orações para que se digne chamar à unidade da Igreja a quantos estão separados dela.

Com este fim, sem dúvida importantíssimo, invocamos e queremos que se invoque a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Divina Graça, debeladora de todas as heresias e Auxílio dos cristãos, para que quanto antes nos alcance a graça de ver alvorecer o desejadíssimo dia em que todos os homens ouçam a voz de seu divino Filho, e conservem a unidade do Espírito Santo com o vínculo da paz.

 


Fonte: https://adelantelafe.com/mortalium-animos-la-condena-del-falso-ecumenismo/

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