Os Novíssimos- o juízo particular

Por San Miguel Arcángel

Tradução de Airton Vieira

 

Por juízo se entende o estrito exame de toda nossa vida ante o tribunal de Deus, seguido da sentença que decidirá nossa sorte por toda a eternidade.

Há dois juízos: um particular entre a alma e Jesus Cristo imediatamente depois da morte; e outro universal no fim do mundo entre Jesus Cristo e todos os homens reunidos. O juízo universal é uma ratificação ou confirmação do particular.

Certeza ou provas deste Juízo.

Provas de fé. — Em várias passagens da Escritura encontramos sentenças, exemplos ou parábolas que provam a realidade do juízo de Deus. Eis aqui algumas citações: Diz São Paulo: Está estabelecido que os homens morram uma só vez e que à morte siga o juízo.

Jesus Cristo falou do juízo quando disse: Estai sempre preparados (para morrer) porque à hora que menos penseis o Filho do homem pedirá conta de vossa vida.

E em outra ocasião: Vigilai, pois, porque ignorais o dia, e a hora (da morte e do juízo).

Também fazem a este propósito as parábolas do rico Epulão e Lázaro, a do mordomo injusto (Lc XVI, 1-9) das dez virgens (Mat XXV).

Provas racionais. — l) Diz Santo Tomás: O homem pode ser considerado como indivíduo isolado e como parte do gênero humano; logo deve submeter-se a um duplo juízo: a) um particular no qual seja premiado ou castigado segundo suas obras, mas, sem que transcenda sua sentença, b) Outro juízo, universal no que chegue a conhecimento de todos a sentença merecida e todos louvem a justiça ou misericórdia de Deus.

2) Por analogia. — Em toda sociedade bem constituída nunca se condena um homem sem antes julgá-lo; assim também Deus, juiz retíssimo e sapientíssimo, julga ao homem para que este compreenda o motivo de sua salvação ou condenação.

3) Testemunho dos povos. Mesmo os povos privados da luz da fé acreditavam em um juízo das almas. Foram encontrados nas tumbas egípcias desenhos que representam esse juízo sob o símbolo de una balança onde é pesada a alma. O poeta Virgílio em sua “Eneida” (livro sexto, versos 565 e seguintes) faz ver como as almas se apresentam ao juiz Radamanto, quem as obriga a confessar seus delitos. Análogas crenças existem nos povos selvagens.

Celebração do juízo.

O juiz será Jesus Cristo, segundo o disse Ele mesmo: O Pai não julga a ninguém: mas todo o juízo foi dado ao Filho. A razão é porque Jesus Cristo foi nosso Redentor e como tal lhe corresponde pedir-nos conta do uso que fizemos de sua redenção.

Jesus Cristo quando nos julgue estará revestido já não dos atributos da misericórdia, mas sim da justiça: será um juiz justo que dará às boas e más obras seu verdadeiro valor; sábio, que tudo o conhece, até os mais leves pensamentos; não poderá ser enganado como os juízes da terra; incorruptível, que não se deixa desviar, como os juízes humanos, por prêmios ou ameaças; inapeláveis, do qual não se pode apelar a outro juiz superior para que mude a sentença.

Lugar do juízo. — Onde a morte surpreendesse ao homem, ali se levantará o tribunal do supremo Juiz.

Modo. — Deus iluminará a alma com uma luz tão viva, que abarcará de uma só vista todos os detalhes de sua vida, a fealdade e gravidade de seus pecados, como também a beleza e méritos de suas boas obras.

Matéria. — Jesus Cristo nos julgará sobretudo o bem e o mal que tivermos feito, a saber:

  1. a)O mal cometido, julgado em suas causas, em sua malícia, em seus efeitos.
  2. b)O bem voluntariamente omitido (pecado de omissão) feito com negligência, praticado com hipocrisia ou por fins humanos, p. ex: para ser visto, aplaudido, etc.
  3. c) Os escândalos dados às almas, às crianças, aos criados, aos ignorantes.
  4. d)As graças de que se abusou: sacramentos, instruções, remorsos, bons exemplos, enfermidades, reveses de fortuna, bens materiais.

Será tão rigoroso este juízo, que apenas se salvará o justo. Diz São Pedro na primeira epístola: “Se o justo a duras penas se salvará, onde irão o ímpio e o pecador?

A sentença.

Terminado o juízo, Jesus Cristo pronunciará a sentença, a qual é irrevogável, porquanto não há escusas que alegar; não há defensor em quem esperar; não há já lugar a súplica porque com a morte termina o tempo da misericórdia e só resta estrita justiça.

A sentença para a alma justa será: “Vem, alma bendita, possuir o reino que te está preparado desde o estabelecimento do mundo” (Mat XXV, 34).

Se a alma não está purificada inteiramente de suas faltas veniais ou tem algo a expiar, a enviará Deus ao Purgatório, de onde, acabada a expiação, subirá à glória.

A sentença para a alma culpável será: “Aparta-te de mim, maldita, vai ao fogo eterno que está preparado para o diabo e para seus anjos” (Mat XXV, 41). Em seguida a alma será precipitada no inferno por toda a eternidade.

Descrição do juízo universal.

O fim do mundo. — Assim como todo homem está sujeito à morte e à ressurreição, assim também todo o mundo será destruído e renovado.

A opinião da maior parte dos Padres é que a terra e o mundo perecerão, não enquanto à substância, mas quanto às qualidades exteriores e que tomarão um ‘estado mais perfeito, mas não serão aniquilados.

Ninguém sabe quando ocorrerá o fim do mundo.

Não obstante a Escritura nos mostra os sinais remotos e próximos que precederão o fim dos tempos. Estes são:

A pregação do Evangelho em todo o mundo; a conversão dos judeus à fé de Cristo; uma apostasia geral; a grande maioria dos homens se apartarão de Deus, não fazendo caso de sua divindade; muitas calamidades no mundo: guerra, revoluções, fome, pestes, perturbações atmosféricas; advento do Anticristo com quem se unirão os inimigos de Deus para combater a Igreja e os cristãos; aparição de Elias e Enoque que virão combater contra o Anticristo, pelo qual, depois de três anos e meio serão mortos; também miseravelmente; grandes cataclismos no universo, terremotos, inundações, escurecimento do sol, da lua, das estrelas e morte de todos os homens.

A isto seguirá a ressurreição de todos os homens, da qual falaremos mais adiante.

Lugar do juízo final. Se crê comumente que será no vale de Josafá, próximo ao monte Calvário; é mui conveniente que Jesus Cristo julgue aos homens no lugar onde eles o julgaram e onde morreu para salvá-los.

Modo do juízo. — Ressuscitados todos os homens e reunidos no vale de Josafá, aparecerá nos céus Jesus Cristo com grande poder e majestade, rodeado de toda a corte celestial e precedido da Cruz.

Começará o juízo: Jesus Cristo abrirá o livro da consciência de cada homem, cerrado durante o curso da vida e o exporá à vista e à censura do Universo (Apoc XX, 12. 1 Cor IV, 5). Publicará também os pecados dos justos, mais para glória dos mesmos e para confusão dos maus que não os imitaram na penitência ao pecar.

Por ministério dos anjos, se fará a separação dos bons e dos maus. Os primeiros serão colocados à direita de Jesus Cristo; os segundos, à sua esquerda.

Em seguida pronunciará o supremo Juiz a sentença de salvação para os bons e de condenação para os maus.

Se cumprirão no ato ambas sentenças: os justos subirão em corpo e alma à glória entoando hinos de louvor e de triunfo, em presença dos réprobos que contemplarão desesperados a sublime cena. Entretanto se abrirá a terra e demônios e condenados em corpo e alma serão tragados juntamente; e ouvirão cerrar-se após de si as portas que jamais se abrirão.

E tudo haverá terminado: já não haverá mais tempo; só a eternidade.

 

A RELIGIÃO EXPLICADA (Ano 1953)


Fonte: https://adelantelafe.com/los-novisimos-juízo-particular/

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