Sobre Fés, Furacões e uma virgem Mãe

Por Airton Vieira

(tonvi68@gmail.com)

 

Senhor Jesus Cristo, Filho do Pai

manda agora teu Espírito Santo sobre a Terra.

Faz com que o Espírito Santo habite

no coração de todos os povos,

para que sejam preservados da corrupção

das calamidades e da guerra.

Que a Senhora de todos os Povos,

a Santíssima Virgem Maria,

seja nossa Advogada.

Amém.

(Invocação a Nossa Senhora de Todos os Povos)

 

Há uma semana minha irmã falou-me do Irma, solicitando-me orações. É que dias depois, pelas previsões meteorológicas, estaria literalmente no olho do furacão, com meus dois sobrinhos e mais meio mundo de gente. E não seria um furacão qualquer, mas o segundo de uma série de três, dos quais o primeiro já havia devastado outra área americana, distinta da de minha irmã, sendo menos potente que este segundo, que atingiria a categoria máxima dos furacões. E sua área, como dito, seria a escolhida para receber a visita do “olho”. Quem tivesse olhos certamente não veria nada. Ou nada mais. Ou os dois.

Dois dias antes do fatídico encontro receberam a proposta de uma casa de amigos em uma área não tão distante, mas mais segura. Do que tinham como opções, esta lhes pareceu a melhor. Foi-se com os seus, levando consigo “três Marias”: de Fátima, de Lourdes, das Graças. Não sem deixar outra em sua casa, junto a São Francisco e um Escapulário. E antes que as águas levadas pelos ventos banhassem os lugares, foram banhados com outra água, a benta.

Na madrugada deste sábado para o domingo chega ao seu encontro o furacão Irma, com suas presumíveis devastações. A comunicação durante um tempo permaneceu interrompida, e nesse tempo somente foi possível nos comunicarmos por nossos Anjos da Guarda, que não se deixam interromper por nada além do pecado. Nesse interim, obviamente já havia evocado a comunhão dos santos, ecoando o pedido de oração de minha irmã às poucas almas conhecidas, que apesar do tempo e da distância não negaram sua fé e caridade. Unimos as nossas vozes às de muitas almas desconhecidas, pertencentes à Igreja militante, purgante e triunfante, e esperamos, segundo o de S. Pio de Pietrelcina: “reza, tem paciência e não te preocupes”.

Pela manhã do domingo minha irmã informa que haviam rezado o rosário e encomendado à Santa Bárbara (protetora contra relâmpagos e tempestades) a proteção do recinto. À noite, comunica que o pior havia passado e praticamente sem danos a eles e à casa que os abrigava. Descobriram que “milagrosamente”, contra todas as previsões o Irma havia não só perdido força como desviado a rota (não esconderei dos leitores o desejo, quase prece, de que nesse desvio desse uma boa passada pela Disneylândia…). Informou ainda que o governador da Flórida (Estado em que vive), em dado momento orientou aos habitantes a fazer a única coisa possível dali em diante: rezar! Lembrei horas depois de perguntar a minha irmã sobre o último da série de três, desafortunadamente chamado Jose. “Dissipou-se pelo Atlântico”, disse-me ela. Por fim, narrou em uma mensagem que durante a passagem do furacão pela casa em que estava percebeu nitidamente como que uma “redoma” protegendo-os da ferocidade dos ventos e seus naturais danos.

Não foram (e não são) poucas as intervenções constatadas nos anais desses dois mil anos de Igreja, da Mãe de Deus e nossa Mãe. Intervenções que não raro deixam marcas incompreensíveis e inquestionáveis, humanamente inexplicáveis. Como a da preservação do templo e dos jesuítas em Hiroshima; como a dos lugares devastados em que somente uma imagem de Maria permanece de pé (como esteve na devastação do Calvário) em meio aos escombros. Eu mesmo fui testemunha ocular de uma dessas imagens (N.S. de Lourdes com S. Bernadete) em uma cidade do interior serrano do Rio de Janeiro arrasada por enchentes e desmoronamentos. Ainda, como a dos lugares que, incendiados, resta intacto ou levemente chamuscado o retrato de Maria feito em… papel. Como se os elementos, sem inteligência, se rendessem e rendessem o devido culto (de hiperdulia, esteja claro) a que os homens, inteligentes, se negam. E não foram ou são poucas as vezes que essa sempre indulgente Mãe atende com impressionante rapidez aos que sob seu manto e proteção se abrigam, porque aceitou ser mãe (cf. Lc I, 38 e Jo XIX, 26s) e, ao contrário de tantas outras, assumiu de fato o papel a ela confiado. E se ainda se pode acrescentar – sempre se pode –, papel que desempenha mesmo com os que não a receberam com tal.

A oração acima por Ela ensinada em Amsterdam[1] nos dá a chave para um conhecimento milenar: o de que as calamidades e a guerra são nada menos que frutos e consequências da corrupção, que não é outra coisa que o pecado. A oração aplaca a justa ira divina. Por isso tantas guerras e calamidades se dissiparam com somente o sopro do arrependimento seguido da súplica humilde e confiante aos ouvidos de Deus. A fé não só dissipa ou desvia o curso de furacões como o faz com a pior das calamidades: o pecado que nos devasta. Por isso – ainda o é preciso lembrar – Deus permite as guerras e calamidades: para que a corrupção perca força, desvie o seu curso e se dissipe pelos oceanos, deixando assim de causar danos aos continentes contingentes.

É para ensinar ao homem que Deus permite o mal. E aprendendo, consiga salvar menos os bens, o emprego, o status ou o poder, mais a alma, que não morre e não se acaba.

Aproveito o ensejo deste artigo para agradecer às vozes, todas, que se somaram aos nossos rogos. À “comunhão dos santos” – artigo de nossa fé –, que o bom Deus nos pôs como auxílio (de modo singular, aos padres que uniram ao Santo Sacrifício da Missa tais intenções). Aos Anjos da Guarda, dos homens e das nações, que combatem os “demônios espalhados pelos ares” (cf. Ef VI, 12), instrumentos da justiça e pedagogia divinas como responsáveis por determinadas calamidades[2]. Aos anjos e santos de Deus, de forma especial a S. Miguel Arcanjo e S. José. A Maria, Nossa Senhora de Todos os Povos, que em breve será declarada, oficialmente (queiram ou não os contrários), Advogada, Medianeira e Corredentora. Para que triunfe seu Imaculado Coração e o mundo tenha um pouco de paz.

Benedicamus Domino: Deo gratias!

Em 12 de setembro do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2017. Festa do Santo Nome de Maria.


NOTAS

[1]  Aparição reconhecida pela Igreja. Ver a esse respeito Mãe de Deus e nossa Mãe, de Santiago Lanus:  https://pt.scribd.com/document/300666089/MAE-DE-DEUS-E-NOSSA-MAE-Fatima-Amsterdam-e-Garabandal

[2] A esse propósito, mui pertinente a leitura de Santa Francisca Romana.

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