Natureza da Ordem Sacerdotal

Por Padre Lucas Prados

Tradução de Airton Vieira

Sobre o sacramento da Ordem, estudaremos os seguintes aspectos: natureza, instituição, matéria e forma, ministro, sujeito, efeitos e os graus deste sacramento. E como epílogo ao mesmo, faremos um estudo de cinco seções que hoje em dia estão sendo questionados: o celibato sacerdotal, o traje talar, a necessidade da reforma dos seminários, o diaconato permanente e o sacerdócio da mulher.

  1. Noções gerais

A Igreja é um organismo cujos membros têm funções diversas e harmônicas. Todos estão a serviço dos demais, mas cada um realiza esse serviço de maneira distinta. Existe uma hierarquização, uma ordem, querida por Cristo mesmo ao fundar a Igreja (DS 1776).

O termo ordem não é um expressão bíblica. O Novo Testamento fala de diversos hierarcas, chefes, vigilantes sagrados, presbíteros, diáconos etc., mas nunca utiliza a palavra ordem com sentido eclesial-sacramental. Na época patrística se toma o termo ordem do uso grecorromano para expressar com ele o conteúdo bíblico.

Desde o primitivo cristianismo, ordem significa um grau clerical e o ato sagrado pelo que um indivíduo é incorporado a dito grau.

A Ordem é o sacramento pelo que “por instituição divina, alguns dentre os fiéis ficam constituídos ministros sagrados, ao ser marcados com um caráter indelével, e assim são consagrados e destinados a apascentar o povo de Deus segundo o grau de cada um, desempenhando na pessoa de Cristo Cabeça as funções de ensinar, santificar e reger” (CIC, c. 1008).

Ordenar corresponde exclusivamente à autoridade cujos representantes supremos recebem o título de “ordinários” e cujas prescrições são chamadas “ordens”. Mas na Igreja isto não tem lugar mediante uma mera nomeação.

O uso dos Santos Padres e dos ritos litúrgicos mais antigos restringe o uso do termo ordem à união de um ofício sagrado, distinto e superior às funções que correspondem aos leigos, no que, prévio à eleição do candidato, se requer um rito especial. Se excetua o caso do Sumo Pontífice, que é um elegido, não ordenado Papa, posto que seu poder é singular e supremo.

O ofício sagrado assim conferido é de seu permanente e suscetível de graus, cujo conjunto constitui a Hierarquia eclesiástica. A cada grau corresponde um poder peculiar, superior ao do grau imediatamente inferior.

  1. Notas históricas

A Ordem na Igreja não é mera continuação da ordem da Sinagoga, isto é, do povo de Israel. No Antigo Testamento encontramos autoridades desde o momento em que Israel se constitui como povo: Moisés, Aarão, os setenta presbíteros. É um povo de sacerdotes cujo fim principal é o culto (Ex 19:6).

Alguns autores têm insistido na analogia existemte entre o sacerdócio judeu e o cristão, entretanto, ainda que não possa negar-se certa semelhança exterior, as diferenças são substanciais. A Carta aos Hebreus, quando compara o sacerdócio do Antigo Testamento com o do Novo Testamento, o faz para contrapô-los. O sacerdócio veterotestamentário é figura do novo; este não é continuação daquele, já que as autoridades eclesiais instituídas por Cristo, são tão originais como a Igreja mesma por cuja estrutura vêm exigidas.

  • Vivendo ainda os Apóstolos, o Novo Testamento menciona ofícios desempenhados de maneira estável por alguns membros da comunidade: os bispos presbíteros (At 11:30; 1 Tim 5:17; Fil 1:1; Tit 1: 7-9 etc.) e os diáconos (At 6: 1-6). Os primeiros atuam com frequência colegialmente (1 Tim 4:14) e, ao morrer os Apóstolos, desempenham a tríplice função daqueles. A sinonímia entre “bispos” e “presbíteros” no Novo Testamento não permite distinguir ainda entre ambos termos. Os diáconos desempenham um ofício supeditado aos bispos e presbíteros.
  • Esta situação se reflete também na Didaqué (15,1) e nos escritos dos Padres apostólicos.
  • Em Santo Inácio de Antioquia (ss. I-II), encontramos já um notável desenvolvimento, ou uns testemunhos mais explícitos, posto que em toda igreja particular existem perfeitamente diferençados: Bispo, presbíteros e diáconos, hierarquizados por esta ordem.
  • Um século depois a claridade documental é ainda mais meridiana. A meados do s. III a Tradição apostólica de São Hipólitode Roma inclui uma praxe prévia com respeito às fórmulas de ordenação, cada uma das quais perfila sem possibilidade de dúvidas o ofício sagrado que corresponde a cada grau da Ordem. Bispos, presbíteros e diáconos são constituídos mediante a imposição de mãos e uma oração concomitante na que se pedem eficazmente as graças específicas para desempenhar as funções próprias de cada caso, que se mencionam de forma explícita na ordenação de cada um.

É importante advertir que, ademais do Bispo, presbítero e diácono, a Tradição apostólica fala também de outros ofícios e estados: confessores, viúvas, virgens e subdiáconos. Temos aqui a base das chamadas ordens menores, que têm uma antiquíssima e rica tradição na Igreja. De fato, desde finais do s. II a Igreja foi instituindo outros graus inferiores ao diaconato, cuja missão consistia em ajudar nas funções cultuais e no ministério pastoral. No Oriente houve leitores e subdiáconos; no Ocidente se criaram subdiáconos, acólitos, exorcistas, hostiários e leitores, hierarquizados por esta ordem.

As diversas ordens menores foram em um primeiro momento ordens estáveis, isto é, mantidas por si mesmas; mas logo se converteram em degraus transitórios e necessários para ascender às ordens superiores: diaconato, presbiterado e episcopado.

  • Na reforma litúrgica realizada por Paulo VIteve duas partes. Em primeiro lugar pela Constituição Apostólica Pontificalis Romani recognitio (1968) o Papa aprovava os novos ritos da Ordenação do Diácono, Presbítero e Bispo. Após pelo Motu Proprio Ministeria quaedam (1972) se suprimia a tonsura, vinculando a entrada no estado clerical com o diaconato; e se estabelecia que as “ordens menores” se denominassem em adiante “ministérios”; que estes “ministérios” não se reservam só aos candidatos ao sacramento da Ordem, mas que podem ser confiados a leigos. Desta forma a Ordem ficava estruturado em três graus (episcopado, presbiterado e diaconato); aos que se unem dois ministérios (acolitado e leitorado).
  1. O sacerdócio de Cristo

Cristo é a fonte de todo sacerdócio, pois o sacerdote da Antiga lei era figura dEle, e o sacerdote da Nova lei atua em sua representação”. Jesus Cristo é o “único mediador entre Deus e os homens” (1 Tim 2:5), o único sacerdote da Nova lei, que nos redimiu mediante o sacrifício da cruz.

Este sacrifício da cruz, também único e realizado uma vez por sempre, se atualiza no sacrifício eucarístico. De modo semelhante, o único sacerdócio de Cristo se faz presente pelo sacerdócio ministerial; por isso só Cristo é o verdadeiro Sacerdote; os demais são ministros seus.

Como nos diz Pio XII em sua encíclica Mediator Dei: “É o mesmo Cristo Jesus, Sacerdote, a cuja sagrada pessoa representa o ministro. Este, certamente, graças à consagração sacerdotal recebida se assimila ao Sumo Sacerdote e goza da faculdade de atuar pelo poder de Cristo mesmo (a quem representa)”.

Na Carta aos Hebreus, Cristo é apresentado como o Grande Sacerdote da Nova Aliança. Mais ainda, é sobretudo em sua qualidade de sacerdote, como Jesus aparece sentado à direita do Pai (Heb 8:1). Se trata, pois, de um reinado sacerdotal e de um sacerdócio régio.

O Salmo 110 já havia descrito o Messias como rei-sacerdote: “Oráculo de Yahvé a meu Senhor: Senta-te a minha direita até que ponha teus inimigos por escabelo de teus pés (…). Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque” (vv. 1 e 4). No Novo Testamento se cita com frequência este Salmo, entendendo-o como profecia messiânica.

Junto ao Salmo 110, com sua clara profecia em torno à natureza sacerdotal do Messias, é necessário ter presente a clara afirmação no Antigo Testamento de que o Messias salvaria seu povo mediante seus sofrimentos. Neste aspecto, se destacam sobre todas as profecias do Servo de Yahvé (Is 42: 1-7; 49: 1-9; 50: 4-11; 52: 12-53). O Ato de que a morte de Cristo tenha sido entendida pelo mesmo como sacrifício, implica a afirmação de que é sacerdote. Em efeito, oferecer o sacrifício é o ato próprio do sacerdócio. Assim pois, a afirmação do sacerdócio do Messias não só se encontra naqueles lugares em que se lhe chama sacerdote, como que se encontra também, ainda que de forma implícita, naquelas outras afirmações de que se entregaria voluntariamente pelos homens oferecendo sua vida pelo pecado (ls 54:10), contidas tanto no Antigo como no Novo Testamento.

O autor da Carta aos Hebreus não só fará do sacerdócio de Nosso Senhor o tema central de sua mensagem, como apresentará toda a obra messiânica de Cristo como uma mediação sacerdotal, designando-lhe como Grande Sacerdote da Nova Aliança. Ele é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque: com um sacerdócio eterno. Podemos dizer que, em Jesus, a consagração sacerdotal é a mesma união hipostática, porque é por ela que sua humanidade foi constituída ponte e mediação perfeita, entre Deus e os homens.

Duas vezes propõe a Carta aos Hebreus expressamente um conceito de sacerdote, e as duas vezes o apresenta relacionado com o sacrifício (Heb 5: 1-2 e 8:3): Todo pontífice, tomado dentre os homens, é constituído em favor dos homens para as coisas que apontam a Deus, para oferecer oferendas e sacrifícios pelos pecados (5:1).

É essencial ao sacerdote o pertencer à família humana “tomado dentre os homens”, e o “ter sido elegido e constituído por Deus para oferecer oferendas e sacrifícios pelos pecados”.

A Carta põe de relevo que todas estas características: verdadeira humanidade, vocação divina, consagração, relação ao sacrifício, se dão plenamente em Cristo (cf Heb 2: 11-18; 9:26; 10: 5-10).

Por que diz a Carta aos Hebreus que Cristo é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque?:

  • Porque Melquisedeque significa rei de justiça, e rei de Salém significa rei de paz, enquanto que o reino do Messias será o reino da paz e da justiça (7: 1-2);
  • Porque Melquisedeque, sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio nem fim de sua vida se assemelha nisso ao Filho de Deus, que é sacerdote para sempre (7: 3);
  • Porque foi ele, Melquisedeque, quem abençoou Abraão e quem recebeu dele os dízimos, mostrando-se nisto a superioridade de Melquisedeque sobre Abraão e, em consequência, a superioridade de Cristo, de quem Melquisedeque era tipo (7: 4-10).

As referências a Melquisedeque põem de relevo que o sacerdócio não vem a Jesus Cristo por herança carnal. Ele não é da tribo de Levi, mas da de Judá e, ao mesmo tempo, manifestam também que com o novo sacerdócio de Cristo foi abolido oi sacerdócio Aarônico (7: 11-19).

Uma das mais poderosas razões em que se apoia a afirmação do sacerdócio de Cristo é o caráter sacrificial que teve sua morte. Este sacrifício, ao mesmo tempo, vem descrito como muito superior a todos os sacrifícios antigos, que eram só sua figura e que recebiam seu valor precisamente de sua ordenação a ele. O valor deste sacrifício é superior a todos não só pelo sacerdote que o oferece, como pela vítima oferecida de valor infinito, e também pela perfeição com que se unem em um mesmo sujeito o sacerdote que oferece e a vítima oferecida.

Esta perfeita identidade existente entre o sacerdote que oferece e a vítima que é oferecida leva a sua plenitude a unidade entre sacrifício interior e sacrifício exterior, a adoração a Deus em espírito e verdade (Jo 4:23).

Nos Evangelhos, Jesus fala de seu corpo que se oferece em comida, e de seu sangue como sangue da aliança que será derramado por muitos para a remissão dos pecados (Mt 26: 26-28).

A mesma linguagem sacrificial encontramos em São Paulo: Cristo, nossa páscoa, foi imolado (1 Cor 5:7), se ofereceu como oblação e hóstia por nós (Ef 5:2), como vítima pelo pecado (2 Cor 5:21). Parecidas expressões sacrificiais referidas à morte de Cristo encontramos também em 1 Pe 1: 18-19 e no Apocalipse (Apoc 5).

O sacerdócio de Cristo começa na Encarnação (Heb 2: 10-18), ao tomar uma natureza humana, e como consequência poder atuar como “mediador” entre o homem e Deus; chega a seu cume no Sacrifício do Calvário (Heb 9: 26-28) e se perpetua por toda a eternidade no Céu (Heb 10: 11-15).

  1. Sacerdócio comum e sacerdócio ministerial

Nem o sacerdócio dos fiéis e nem o sacerdócio ministerial sucedem, nem se somam ao sacerdócio de Cristo, mas são participação nesse sacerdócio. Não sucedem, porque o sacerdócio de Cristo é eterno, e Cristo porquanto permanece para sempre, tem um sacerdócio perpétuo, e é, portanto, perfeito seu poder de salvar aos que por ele se acercam a Deus e sempre vive para interceder por eles (Heb 7: 24-25). Não se somam ao sacerdócio de Cristo, porque não é possível somar nem outra oblação nem outra vítima ao sacrifício que já teve lugar no Calvário. Este sacrifício se atualiza na Eucaristia, sem acrescentar nada essencial ao acontecido no Calvário. É o mesmo Cristo o Sacerdote que, na celebração eucarística, se oferece a Si mesmo ao Pai pelo ministério dos sacerdotes com imolação incruenta.

Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja um Reino de sacerdotes. O grupo dos crentes é uma comunidade sacerdotal; mas há dois modos de participar no sacerdócio de Cristo: o comum (de todos os batizados) e o ministerial (dos que receberam o sacramento da Ordem).

A diferença entre o sacerdócio comum e o ministerial é de essência e de grau. O sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da graça batismal. O sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum e em ordem ao desenvolvimento da graça batismal de todos os cristãos.

Infelizmente, depois do Vaticano II se tem visto, por influxo protestante, uma forte tendência a esfumar arestas e a diluir o sacerdócio ministerial no sacerdócio comum de todos os fiéis. Com isso, se tem favorecido a crise da identidade sacerdotal e o abandono de muitos sacerdotes ao ter perdido o sentido específico de sua vocação. Como exemplo, baste aduzir aqui a desaparição dos dois distintos Confiteor na Missa do Novus Ordo (o do sacerdote celebrante e o dos fiéis), assim como a omissão da oração Placeat tibi, sancta Trinitas imediatamente antes da bênção final –em dita oração se aludia ao sacrifício oferecido pelo celebrante por ele e pelos fiéis, com distinção, mihique et omnibus pro quibus illud obtuli-, aparte de outros muitos lugares nos que se aludia à distinção entre o celebrante e os fiéis.

As promoções do laicato, além de parecer olvidar que a hierarquia eclesiástica é de instituição divina, costumam estar afetadas no fundo de uma desafortunada visão do sacerdócio ministerial. Para elas o sacerdócio ministerial está colocado acima, em uma situação de superioridade, enquanto que os seculares, em troca, estão situados melhor abaixo, em clara situação de inferioridade. A verdad é que, se bem é certo que a Hierarquia está integrada pelo sacerdócio ministerial (sendo os restantes membros do Corpo Místico os simples fiéis), não há de perder-se de vista o conceito neotestamentário da autoridade cristã. O sacerdote é um ser segregado, melhor que um ser superior: ex hominibus assumptus et pro hominibus constituitur. Foi posto para servir a seus irmãos, e com o mandato expresso, ainda, de considerar-se a si mesmo como o último de todos.

  1. Natureza do sacerdócio ministerial
  • É uma participação especial nos ofícios sacerdotais próprios de Cristo Cabeça; isto é, o sacerdócio ministerial constitui hierarquicamente a quem o possui, coisa que não faz o sacerdócio comum.
  • Através do ministro ordenado, Cristo se faz presente na Igreja como Cabeça de seu corpo, Pastor de seu rebanho (governar), Sumo Sacerdote do sacrifício redentor (santificar), Mestre da verdade (ensinar). É o que a Igreja expressa ao dizer que o sacerdote, em virtude do sacramento da ordem, atua “in pessoa Christi capitis”.
  • Atribui, portanto, uma participação nos ofícios de ensinar, santificar e governar que é peculiar e que não dá o sacerdócio comum.
  • Proporciona um poder especial sobre o Corpo sacramental de Cristo, e portanto sobre seu Corpo Místico. Os seculares podem, por exemplo, ensinar, mas não “ex ofício”, o que quer dizer que poderão ser teólogos, mas não pregadores.
  • Em troca a oblação de vítima, é própria das duas maneiras de sacerdócio, ainda que o sacerdócio ministerial esteja chamado a vivê-la de uma maneira particularmente intensa (e aqui a diferença de grau entre um e outro). O sacerdócio ministerial, além de representar a Cristo ante a assembleia dos fiéis, “atua também em nome de toda a Igreja quando apresenta a Deus a oração da Igreja e sobretudo quando oferece o sacrifício eucarístico”(CEC, 1552).
  • O homem que possui o ministério sacerdotal não é um representante da comunidade, nem é elegido por ela, nem pode sê-lo; pois, neste sentido, a comunidade não necessita representantes, já que é toda ela um Povo de sacerdotes (1 Pe 2:9). O sacerdote é um homem chamado diretamente por Deus; o que se conhece com o nome de vocação: “Ninguém tome a si esta honra, mas o que é chamado por Deus”(Heb 5:4).
  • Como participante nos ofícios de Cristo Cabeça, o sacerdócio ministerial menos ainda pode ser uma representação da comunidade, a qual, ainda que integrada em Cristo, não o está em suas funções capitais, e neste sentido o sacerdócio ministerial somente pode receber sua função hierárquica da mesma Cabeça.
  1. Os graus do sacerdócio ministerial

Tal como nos diz o Catecismo da Igreja católica: “A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus Apóstolos segue sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é pois, o sacramento do ministério apostólico. Compreende três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconato” (CEC, 1546).

Este poder sagrado se refere fundamentalmente à Eucaristia, ao perdão dos pecados e à pregação da fé. Além disso, depois da ressurreição e de maneira muito especial, Cristo confirmou o poder supremo a Pedro.

Estes poderes teriam pouca serventia se tivessem desaparecido com os Apóstolos. Por isto, Cristo lhes mandou que os transmitissem; e assim o entenderam e praticaram: impuseram as mãos sobre os que elegeram (At 6:6); constituíram presbíteros e bispos para governar as Igrejas locais (At 14:23), para administrar os sacramentos, para vigiar a boa doutrina e fomentar as bons costumes (2 Tes 3:2).

O ministério eclesiástico, instituído por Deus, está exercido em diversas ordens que já desde antigamente recebem os nomes de bispos, presbíteros e diáconos.

Destes, o episcopado e o presbiterado são dois graus de participação ministerial no sacerdócio de Cristo, e a expressão “sacerdote” se aplica tanto aos bispos como aos presbíteros. Não se aplica em troca aos diáconos, que não constituem um grau de sacerdócio mas de serviço, destinado a ajudar a servir àquele. De toda forma, as três ordens se conferem por um mesmo rito sacramental de ordenação, o sacramento da ordem (CEC, 1554).

6.1 A plenitude do sacerdócio: o episcopado

Os bispos, através de uma sucessão apostólica ininterrupta, são os transmissores da semente apostólica. A consagração episcopal confere as funções de santificar, ensinar e governar. Em consequência os bispos fazem as vezes do mesmo Cristo, Mestre, Pastor, e Sacerdote, e atuam em seu nome.

Pertence aos bispos:

  • Conferir o sacramento da Ordem e, ordinariamente, a administração da Confirmação e a benção dos óleos e de algumas coisas destinadas ao culto.
  • Governam suas dioceses com poder ordinário sob a autoridade do papa, e são eles quem conferem aos presbíteros qualquer poder de reger que possam ter sobre os demais fiéis.
  • Pregam autorizadamente a Palavra de Deus.

Por outra parte, cada bispo tem, como vigário de Cristo:

  • O ofício pastoral da Igreja particular que lhe foi confiada.
  • Ao mesmo tempo tem colegialmente com todos seus irmãos no episcopado a solicitude de todas as Igrejas.
  • E, em virtude da consagração episcopal e pela comunhão hierárquica com a cabeça e membros do Colégio, todos os bispos formam parte do colégio episcopal.

6.2 O presbiterado: colaborador do bispo

A função ministerial dos bispos, em grau subordinado, foi encomendada aos presbíteros para que, fossem os colaboradores dos bispos para realizar adequadamente a missão apostólica confiada por Cristo.

Os presbíteros ainda que não tenham a plenitude do sacerdócio e dependam dos bispos no exercício de seus poderes, sem embargo estão unidos a estes na honra do sacerdócio e, em virtude do sacramento da ordem, ficam consagrados como verdadeiros sacerdotes da Nova Aliança.

  • O poder dos presbíteros se estende a consagrar o Corpo e o Sangue do Senhor, perdoar os pecados, apascentar a seus súbditos com as obras e a doutrina, e administrar os sacramentos que não requerem a ordem episcopal.
  • Os presbíteros são colaboradores dos bispos e seus instrumentos.
  • Os presbíteros só podem exercer seu ministério em dependência do bispo e em comunhão com ele.
  • Os presbíteros, instituídos pela ordenação na ordem do presbiterado, estão unidos entre si pela íntima fraternidade do sacramento. Formam um único presbitério especialmente na diocese a cujo serviço se dedicam sob a direção do bispo.

6.3 Os diáconos, ordenados “em ordem ao ministério”

No grau inferior da hierarquia estão os diáconos, aos que são impostas as mãos para realizar um serviço e não para exercer um sacerdócio.

O poder dos diáconos consiste em:

  • Assistir ao bispo e ao presbítero nas funções litúrgicas, sobretudo na celebração da Santa Missa.
  • Administrar o Batismo, assistir ao Matrimônio quando lhes seja devidamente delegado, proclamar o Evangelho e pregar, presidir as exéquias…

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Concluímos assim este primeiro artigo. No próximo falaremos da Instituição deste sacramento, da matéria e a forma do mesmo.


Fonte: https://adelantelafe.com/natureza-del-orden-sacerdotal/

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