Instrução – O Triunfo de Jesus Cristo

A festa da Ascensão propõe honrar o triunfo de Jesus, subindo ao céu, 40 dias depois da Ressurreição. Este acontecimento, sendo o penhor ida nossa própria glorificação futura, nos convida à alegria e à confiança. De fato, sendo o céu a residência do nosso Pai divino, para ali devem convergir todas as nossas aspirações. Esta festa remonta à origem Apostólica, diz Santo Agostinho, e merece ser celebrada com toda solenidade, para melhor orientar os fiéis para o céu, a pátria definitiva.


Instrução – A Ressurreição Gloriosa

A Páscoa é a mais antiga e a mais solene das festas do ano eclesiástico. A nota dominante da liturgia é uma intensa alegria e gratidão pelo benefício da Redenção que se traduz pela repetição do “Aleluia”.

A celebração da Páscoa não tem dia fixo no Calendário, mas se celebra no primeiro Domingo depois da lua cheia, de março.

Jesus Cristo morreu a 14 do mês de Nisan, mês judaico lunar, correspondente mais ou menos ao nosso 22 de março a 25 de abril.

Os meses atuais sendo solares, e pelo fato sendo mais longos, há necessariamente incompatibilidade nas datas.

Em 325 o Concílio de Niceia adotou como data da ressurreição o primeiro Domingo depois da lua cheia de março. É o que faz com que a Páscoa ocorra de 22 de março a 25 de abril.

A Páscoa é pois uma data fixa, Lunar, que difere da data fixa Solar do nosso atual calendário. 

Liturgia da Vigília Pascal (clique aqui); Liturgia do Domingo da Páscoa (clique aqui).


Instrução – As tristezas e alegrias de Maria

Maria Santíssima havia bebido, até ao fundo, o cálice da amargura, sofrendo tudo o que uma criatura humana é capaz de sofrer. Este sofrimento, entretanto, tinha a sua consolação: a certeza da ressurreição, a certeza que a primeira visita de Jesus glorioso seria a sua Mãe. É certo, a aparição de Jesus a Maria Santíssima não está mencionada no Evangelho, mas pouco importa. Sabemos que os Evangelhos não relataram todas as ações do Salvador, e sabemos, também, que eles não contêm nada de inútil. Para que assinalar um fato evidente, de que não se pode duvidar?

Além disso, a humildade da Virgem Santa não permitiu aos Evangelistas que relatassem o que era unicamente para a sua exaltação, sem ser uma base para qualquer verdade dogmática. Meditemos, um instante, para terminar na alegria, a Semana dolorosa que acabamos de percorrer, vendo:
I – O fundamento desta verdade.
II – A aparição de Jesus ressuscitado.

Instrução – A Adoração da Cruz

A cerimônia de hoje, em sua tocante simplicidade, é de um simbolismo profundo, que convém compreender.

Antes de prostrar-nos diante da imagem de Jesus Crucificado e beijar-lhe os pés sagrados, devemos compreender o que é a adoração.

Adorar é prestar a alguém o culto supremo, reservado a Deus, reconhecendo-o como nosso Criador e Mestre. Só podemos adorar a Deus. Adoramos a Jesus Cristo, prestando-lhe o culto, que a Igreja chama de latria (adoração), porque ele é verdadeiro Deus, como é verdadeiro homem, unindo a natureza divina e a natureza humana numa única pessoa: a pessoa do Verbo Encarnado.

A adoração, como todo ato de culto, é absoluto, quando se dirige ao próprio Filho de Deus, e relativo, quando se dirige à representação do Salvador.

Jesus Cristo deve ser adorado com um culto de latria adoração absoluto e devem ser adorados, com um culto de latria relativo, a sua imagem e a cruz sobre a qual morreu, por ter sido regada pelo seu sangue.

A este culto de adoração relativa, juntaremos o culto de nosso amor, expresso pelo beijo, que depositamos sobre seus pés.

Falemos um instante deste ato de beijar os pés de Jesus Cristo, examinando:
I – A sua significação.
II – A sua aplicação.

Liturgia do dia: clique aqui e leia.

Instrução – O Sacramento do Amor (Quinta-feira Santa)

A ceia legal estava terminada.

De repente, Jesus tomou em suas mãos um dos pães ázimos, que havia ficado na mesa, benzeu-o, e, levantando os olhos para o céu, deu-o a seus Apóstolos, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu corpo!

Profundo silêncio acolheu estas palavras: silêncio de admiração, sem dúvida, mas também de fé humilde e submissa, porque todos conservavam a lembrança da promessa feita à margem do lago: O pão que darei é a minha carne para vida do mundo. Minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue verdadeiramente bebida. (João VI. 5 2) .

Meditemos hoje, estas palavras divinas, no dia mesmo em que foram pronunciadas por Jesus, realizando o maior e o mais estupendo dos milagres: o da transubstanciação do pão em seu corpo, sangue, alma e divindade. Vejamos : 
     I – O fato da instituição.
     II – O amor que a inspirou.

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I – O FATO DA INSTITUIÇÃO

Ninguém duvida, o Mestre acaba de realizar a grande promessa.

Entre nós, quando se dá cumprimento a um acontecimento memorável, este se anuncia com grande alarde, cerca-se de aparato, que o põe em destaque, descrevem-se-lhe com palavras elogiosas as belezas, os benefícios. Jesus não quer fazer como os homens; Ele quer agir como Deus; ora, é próprio de Deus fazer uma grande obra com poucas palavras ou ações. O que Jesus vai fazer não é nada menos do que um ato criador. Sem discursos preparatórios, sem explicações elogiosas, ele toma o pão, e o transforma em seu próprio corpo. A palavra divina realiza o que significa. No começo do mundo, Deus havia dito: Faça-se a luz! e a luz surgiu do nada!

Sobre o túmulo de Lázaro, morto e sepultado, Jesus havia dito: Lázaro, sai! e Lázaro voltou à vida.

Sobre o cadáver do jovem de Naim, Jesus havia dito: Jovem, levanta-te! e o mancebo reviveu. 

Aqui, Jesus diz simplesmente sobre o pão, que tinha nas mãos: Isto é o meu corpo! e é verdadeiramente o seu corpo adorável, real , vivo, capaz de multiplicar-se infinitamente.

Que simplicidade ! Que clareza nestas palavras! Que ausência de fraseados! Que autoridade divina!

Sente-se no tom da voz, na majestade, na ausência de palavras supérfluas, que tal frase é criadora. Disse; e isto é! Nenhuma objeção é possível. É a clareza do raio, e o espírito atemorizado nada tem a objetar, disse um dos fundadores do protestantismo, Melanchton, num momento de sinceridade.

Quando o Salvador propõe comparações, parábolas, usa de expressões tão claras que sejam compreendidas por todos. Aqui, sem nada preparar, suavizar, explicar nem antes, nem depois, ele disse simplesmente: Isto é o meu corpo! e é verdadeiramente o seu corpo adorável.

II – O AMOR QUE A INSPIROU

O mistério da presença real de Jesus Cristo é tão grande, que deslumbra o espírito humano.

Pensar que Deus vai mudar esta Hóstia em sua própria substância, que vai ficar no meio dos homens, que pretende ser o alimento das suas almas! Mas, em recompensa de que, Jesus opera tal milagre? Que é que fez o mundo para Jesus, para merecer tal recompensa?

Quando o doce Menino, o Filho de Deus, o Verbo Eterno baixou à terra, este mundo o recebeu e o hospedou do modo pior possível, num estábulo, entre dois animais; e no fim da sua vida, há-de pregá-lo vivo numa cruz, entre dois  Iadrões. Um Herodes procurou dar-lhe a morte, e outro Herodes o fará passar por louco. Uns tentaram precipitá-lo sob um montão de pedras. Ah ! Senhor, será possível, que após tais maus tratos, insultos e blasfêmias, instituas para os homens, um Sacramento tão inefável ! tão divino! Tu, Senhor, que és o pão dos anjos, tu consentirás em tornar-te o pão dos ingratos? Ah! lembra-te, Senhor, do que disseste um dia à Cananeia: Não é bom tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães (Mateus XV, 26).

Como é que tua majestade e santidade podem resolver se a entrar na boca de um Judas? na alma de um Lutero? no peito de um Voltaire, nas entranhas de um Calles?

Como é possível que te sujeites a qualquer Sacerdote, por indigno que seja, baixando ao menor sinal dele, do seio de teu Pai, até as mãos impuras ? Meu Deus! que mistério insondável! E este mistério chama -se: o amor de Deus para com os homens.

* * *

Quem aprofundará este abismo ? É o infinito Sic Deus dilexit mundum!

Ouço a voz de Jesus ressoar a meus ouvidos, e murmurar, triste mas amoroso: Ah, eu o sei, muitas vezes a minha morada será um tabernáculo grosseiro.

A minha igreja será rústica, deserta Até nas grandes solenidade, muitos maus cristãos me voltarão as costas. Outros permitir-se-ão insolências e ultrajes. Heréticos e gentios me lançarão como pasto aos animais, nas ruas e nas cloacas. Outros ferirão as minhas aparências com punhais. Serei na Hóstia Santa, coberto de escárnios, esmagado aos pés, lançado ao fogo. Eu sei tudo isto! Não importa. Se os homens são ingratos, eu não deixarei de amá-los; a sua maldade não vencerá a minha misericórdia! Quis legem dat amanti?

Eu quero amar até ao fim e amar sem limites. Se houver ingratos, haverá também almas generosas, amantes, anjos da minha Eucaristia ! e o amor destes últimos será o contra-peso da ingratidão dos outros! As Catarina de Sena, as Teresa, as Madalena de Pazzi, as Rosa de Lima, as Colomba de Rieti, as Margarida Maria, as Teresinha, os Santo Tomás, os São Boaventura, os Santos Afonso de Ligório, os São João da Cruz, os Francisco de Sales, de Assis, de Xavier, os Inácio, os Domingos, os João Vianney, me farão esquecer a tibieza, a maldade e o desprezo de milhares de outros!

Por amor destas almas puras, eucarísticas, porei as minhas delícias em morar com os homens. (Sal. 8-31).

III – CONCLUSÃO

Eis o que a Igreja nos apresenta na festa da instituição da Sagrada Eucaristia: o amor infinito do Filho de Deus, condenando-se a si mesmo a ser o prisioneiro de amor, dos nossos Tabernáculos e o alimento de nossas almas.

Como prisioneiro ele quer ser visitado.

Como alimento, ele quer ser comido. No dia de hoje, aproveitemos a ocasião para fazer-lhe uma visita prolongada, em seu sepulcro, onde ele jaz vivo, amoroso, esperando a gratidão de seus filhos. E durante estes dias Santos, façamos a nossa Comunhão pascoal, recebendo este Jesus em nosso coração, como a nossa luz, nossa fôrça, a nossa consolação. Amor com amor se paga.

Sic nos amantem, quis non redamaret!


Fonte: O Evangelho das Festas Litúrgicas e dos Santos mais populares. 2ª Edição: Manhumirim: O Lutador, 1952. pp. 146-149. (saiba mais sobre a obra e as postagens)

Instrução – O Santo e o Sábio – S. Tomás de Aquino

Sto. Tomás é, no dizer dos hagiógrafos, o mais sábio dos Santos e o mais santo dos sábios.

É por isso que a Igreja lhe aplica o Evangelho, no qual o divino Salvador proclama os seus Apóstolos e os seus sucessores o sal da terra e a luz do mundo.

Sal da terra, para preservá-la da corrupção; luz do mundo, para indicar-lhe o caminho da verdade.

O sal simboliza a vida santa, enquanto a luz significa a verdade da doutrina. Dois símbolos, que se aplicam admiravelmente a Santo Tomás. Examinemos;
I –  A vocação e as lutas do Santo.
II – A ciência e a virtude do sábio.

1 – VOCAÇÃO E LUTAS DO SANTO

Santo Tomás nasceu em Rocca-Secca, no reino de Nápoles, em 1225, sendo seu pai o Conde Landolfo de Aquino, irmão do Imperador Frederico II.

Desde a mais tenra infância, o menino demonstrava rara sagacidade de espírito. Na idade de 5 anos sua educação foi confiada aos monges Beneditinos do Monte Casino, cujo Convento se erguia em frente ao Castelo do santo. Ali o pequeno Tomás revelou aplicação constante aos estudos e compreensão sem igual.

Conversava pouco, parecia até taciturno e distraído, como indiferente a tudo o que se passava em redor de si. Na idade de 10 anos frequentou em Nápoles os cursos de belas artes e dialética, continuando também os estudos das ciências físicas, metafísicas e morais.

As mais árduas matérias eram um brinquedo para esta criança, que se fazia notar em todas as aulas pela clareza, a profundeza e o dom da fórmula positiva e adequada, que lhe era peculiar.

O atrativo para a vida religiosa, contemplativa e ativa, em breve o levou até Nápoles, ao Convento dos Dominicanos, em 1243.

Tomás tinha, então, 18 anos. A família, sobretudo a mãe, a Condessa Teodora, apesar de piedosa, tudo fez para desviar o jovem conde daquela resolução. Tornou o caminho de Nápoles para opôr-se à resolução de seu filho, porém, Tomás, avisado da sua. vinda, pediu que o mandassem secretamente à Roma, donde seguiu com destino a Paris.

A Condessa não se deu por vencida, mas recorreu a seus dois outros filhos, brilhantes oficiais do exército do Imperador, pedindo-lhes que prendessem o fugitivo em caminho.

Tomás foi preso, de fato, e tornou-se cativo de sua própria mãe, numa estreita cela do castelo paterno. Ali, a mãe recorreu a todos os meios para fazê-lo mudar de ideia: lágrimas, súplicas, carícias, eloquência materna, mas tudo em vão.

Tomás, sensibilizado, sofrendo pela dor, que causava a sua mãe, respondia com todo respeito que “Deus é o primeiro pai, a quem devemos obediência”.

Após os ataques da mãe, sucederam os ataques repetidos de suas irmãs, desfeitos por Tomás que chegou a ganhar uma delas para a vida religiosa.

A Condessa, vendo que não podia vencer pela doçura, recorreu à fôrça e mandou encarcerar o filho. numa das torres do castelo, encarregando os dois oficiais, que haviam chegado, de vencer a resistência do irmão. Um deles, verdadeiro fratricida, recorreu ao meio mais infame para perder a vocação do irmão. Resolveu abatê-lo pela voluptuosidade. Contratou uma jovem e bela cortesã, conhecida por sua astúcia, e introduziu-a na cela de Tomás.

A luta foi curta, mas enérgica. Compreendendo o perigo que corria sua virtude, o jovem tirou da fogueira de sua cela um tição ardente, foi ao encontro da tentadora, ameaçando de queimá-la, se não se retirasse imediatamente. A cortesã não se fez de rogada, e mais depressa do que tinha vindo, fugiu diante do tição aceso. Depois, ufano da rápida vitória, tal o cavaleiro com a sua espada, traçou com o tição abrasado, um grande sinal da cruz na parede da cela, caiu de joelhos e .pediu a Deus o dom de uma virgindade perpétua, superior a todos os ataques. Um sono extático apoderou-se do jovem e este viu aparecer dois anjos, que lhe cingiram os rins com o cordão da castidade. Finalmente, após um ano de reclusão, o conde e a condessa, seus país, fecharam os olhos sobre uma evasão possível, e, à noite, Tomás pôde descer por uma janela da torre, voltando logo a seu Convento em Nápoles. Tinha apenas 19 anos de idade.

Daí em diante, o angélico Tomás irá de triunfo, em triunfo, crescendo em virtude e ciência, até tornar-se o grande luzeiro teológico e o incomparável santo, que, hoje ainda, o mundo admira e venera.

II – A CIÊNCIA E A VIRTUDE DO SÁBIO

Tomás começou o noviciado e fez a profissão religiosa no ano seguinte, 1214.

Receando novas perseguições da parte da família, os Superiores mandaram-no terminar os estudos no estrangeiro. Foi a Paris e depois para Colonha, onde seguiu os cursos de teologia do famoso dominicano Alberto Magno. Com tal mestre, os progressos do jovem religioso foram imensos, porém ele os conservava escondidos por humildade. Corno falava pouco e fugia de toda discussão, seus condiscípulos julgavam que era falto de inteligência. Apelidaram-no o BOI MUDO, em alusão a sua corpulência. Pouco tempo depois, interrogado pelo professor sobre questões obscuras, Tomás respondeu com tanta segurança e perspicácia que Alberto Magno exclamou perante todos: “Apelidais Tomás de “boi mudo”, pois bem, chegará o dia, em que mugirá tão alto, que tais mugidos ecoarão no mundo inteiro'” Disse a verdade: o “boi mudo” tomou-se o Anjo das Escolas, o Doutor angélico, mestre universal de todos os sábios. O santo teria preferido ficar sempre religioso simples e desconhecido, porém a obediência o obrigou a conquistar os vários graus na célebre universidade de Paris, onde se tomou sucessivamente bacharel, licenciado e Doutor.

Sua incomparável capacidade intelectual obrigou os superiores a deixá-lo lecionar, uns tempos, na universidade, o que fez com tanta superioridade que ultrapassou todos os seus mestres.

Seu nome de Doutor Angélico é o testemunho bastante de seu mérito e da sua ciência. Tomás compôs as obras mais sábias, que se conhecem. A Suma Teológica, escrita pelo santo, marca o ponto culminante, que tinha alcançado o pensamento humano e cristão. É a exposição completa de toda a teologia dogmática e moral do Cristianismo. Cousa admirável! Desde o século XIII nenhum erro surgiu que não fosse previsto por seu espírito, como que profético, e refutado sem réplica até em suas bases. O protestantismo inteiro, com todas as suas modalidades, está de antemão refutado na Suma. A S. Boaventura, que lhe perguntou um dia onde aprendia tantas e tão sublimes cousas, Tomás disse que tudo que sabia o havia aprendido aos pés do crucifixo.

Um dia, em Nápoles, como de costume, orando com fervor diante de seu crucifixo, ele ouviu estas palavras: “Tomás, escreveste bem de mim; qual é a recompensa que queres?”

A resposta foi imediata: Senhor, não quero outra cousa senão a Ti mesmo!

Santo Tomás é chamado Doutor angélico, e de fato, era angélico pela sua pureza, como já o vimos e angélico pela sua doutrina. Morreu com toda a glória de sua virgindade, resultando dos documentos da sua canonização, que a sua confissão geral na hora da morte, foi como a de uma criança de cinco anos.

A sua doutrina é mais que humana; deve ter recebido, diretamente de Deus, uma comunicação da ciência dos anjos. De fato, ouve mais, do que argumenta, e possui mais intuição, do que raciocínio : parece mais anjo, do que homem.

* * *

Esta ciência extraordinária não alterava nunca a doçura e a amabilidade do santo. Descendo das alturas da contemplação, era de convivência sorridente e alegre.

A uma cortesia perfeita, que revelava o descendente de uma raça ilustre, Tomás juntava reserva e dignidade suaves, fugia às relações exteriores, evitava as palavras inúteis. e não se imiscuía, sem necessidade, nas cousas temporais.

Era de uma frugalidade extrema, comia pouco e apenas uma vez por dia, de modo que o seu jejum era perpétuo.

Dormia pouco, e quando a Comunidade, após completas. ia repousar. Tomás passava ainda longo tempo diante do Tabernáculo.

Na idade de 49 anos, havia terminado sua obra genial e sua carreira de santo.

O Papa Gregorio X, tendo convocado um Concílio geral, em Lião, para o ano de 1274, convidou o Santo, em razão de sua ciência e santidade.

Ele foi, mas caiu doente em caminho no Convento dos Cistercienses de Fossanova, onde faleceu santamente, depois de ter predito a sua morte, a 7 de março de 1274.

Tomás foi canonizado em 1323 , e declarado Doutor da Igreja em 1567, pelo Papa Pio V. com o título de Doutor angélico.

III – CONCLUSÃO

Tal é a vida e santidade admiráveis deste gênio tão profundo. Dessa vida fecunda, recolhamos para nossa imitação, o que forma o característico da sua devoção: um amor ardente pela sagrada Eucaristia. O ofício, que compôs sobre o Santíssimo Sacramento, é uma prova palpável deste amor apaixonado e esclarecido. Ordenado sacerdote, parecia no altar, antes um anjo, do que um homem.

Não se podia vê-lo celebrar. sem sentir-se penetrado de devoção. Muitas vezes, regava o altar de lágrimas, e ficava longos momentos como em êxtase diante da Hóstia Santa, contemplando-a com um doce sorriso e olhares enternecidos. A sua devoção à Virgem Santíssima não era menos admirável, como testemunha o seu apreciável Comentário sobre as palavras de Ave-Maria.

A estas duas devoções fundamentais, juntemos a sua atividade. Aproveitava todos os momentos de sua vida, aliás curta, para produzir lima obra capaz de encher várias vidas de homens ativos.

É bem como lhe aplica a Igreja: o sal da terra, pela virtude e a luz do mundo, pela doutrina; um verdadeiro doutor angélico, proclamado por Leão XIII padroeiro especial das escolas superiores católicas.


Fonte: O Evangelho das Festas Litúrgicas e dos Santos mais populares. 2ª Edição: Manhumirim: O Lutador, 1952. pp. 118-123. (saiba mais sobre a obra e as postagens)

Instrução – Virtude e Devoção do Santo (S. Gabriel das Dores)

São Gabriel de L’Adolorata, cuja vida está encerrada na aplicação do Evangelho que lhe dedica a Igreja, é um dos santos protetores da juventude.

Jesus disse: Destes tais é o reino de Deus. Todo o que não receber o reino de Deus como um menino, não entrará nele.

O humilde Passionista que a Igreja honra neste dia, soube, admiravelmente, compreender e reduzir em prática o convite do divino Mestre: fez-se pequenino, simples, caridoso, como as crianças.

São Gabriel é entre os religiosos, o que Santa Teresinha de Lisieux é entre as religiosas: são dois luzeiros de uma santidade simples, prática, ao alcance de todos.

Cada santo tem a sua fisionomia própria, que o distingue dos outros santos e esta fisionomia é formada por uma devoção e uma virtude próprias.

Percorramos um instante a vida de São Gabriel, destacando depois esta fisionomia própria. Vejamos pois, sucessivamente:
    I – A sua vida simples e comum exteriormente.
    II – A sua devoção e virtude próprias.

Instrução – As aparições de Lurdes

O Evangelho nos conta a aparição do Arcanjo Gabriel à Virgem Santíssima para comunicar-lhe que havia sido escolhida para ser a Mãe de Deus. Por sua vez, a Virgem Santa vem de vez em quando, transmitir-nos as mensagens do céu, aparecendo neste mundo para aproximá-lo de seu Jesus.

Entre estas numerosas aparições merecem lugar de destaque as de Lurdes, tanto pelos ensinamentos que nos trazem, como pelos numerosos milagres, que continuam a operar-se neste lugar. Contemplemos hoje esta maravilha da ternura da Mãe de Jesus, considerando:
      I. A sua aparição tão bela
      II. Os seus ensinamentos.

Liturgia da Festa: clique aqui e confira

Instrução – Os dois mistérios

ERRATA

Lembramos que a Procissão de Velas e Missa de hoje serão realizados às 15:15 horas, na Catedral, informação que não estava corretamente disposta no post da Liturgia Diária de hoje, agora corrigido.


Meditando bem o Evangelho desta festa, encontramos nele a expressão nítida de três grandes mistérios, que se unem num único, que a Igreja chama a “apresentação de Jesus no templo” , mas que no fundo inclui tudo o que há de mais tocante e sublime na religião.

De fato, temos diante de nós: um Homem-Deus oferecido a Deus; o Soberano Sacerdote da nova aliança num estado de vítima; o Redentor do mundo resgatado; uma virgem purificada; e enfim: uma mãe imolando o seu filho. Quantos prodígios na ordem da graça!

Entre estes grandes mistérios, escolhamos os dois primeiros para meditá-los: Estes dois mistérios são:
     1 – A apresentação de Jesus no templo
     2 – A purificação da Mãe de Jesus

[Novidade] Instruções sobre as Festas Litúrgicas – Pe. Julio de Lombaerde

A partir de hoje, 29, nosso site passa a contar com mais um conteúdo: a publicação das Instruções/Sermões do grande Padre Júlio Maria de Lombaerde, extraído de seu livro O Evangelho das Festas Litúrgicas e dos Santos mais populares. Conheça um pouco mais de sua história:

Instrução – São Francisco [de Sales] e a Mansidão

Jesus Cristo compara a santidade ao sal, que preserva da corrupção e à luz, que dissipa as trevas.

São Francisco de Salles foi sal, pela sua vida apostólica, que preservou tantas almas da corrupção do erro e do vício. Foi um luzeiro resplandescente pela sua mansidão e bondade atraente. Nos últimos anos de sua vida, foi introduzida a causa de Beatificação de S. Francisco Xavier. Falando deste acontecimento, um sacerdote observou: Já temos São Francisco de Assis, São Francisco de Bórgia, São Francisco de Paula e São Francisco Xavier; falta apenas São Francisco de Salles.

O Prelado sorriu e respondeu com íntima convicção: “Custe o que custar, quero ser santo também; teremos um São Francisco de Salles”. A profecia realizou-se e 45 anos mais tarde Francisco de Salles recebia as honras dos altares. Percorramos hoje esta vida admirável, vendo:
     I – Como o Santo adquiriu a mansidão
     II – Como nós podemos adquiri-la

Sermão sobre a correção e a educação dos filhos

Por Rev. Pe. Javier Olivera Ravasi

Tradução, notas e grifos de Airton Vieira

 

[12 de jun. 2018 (Extraído do Evangelho de S. Lucas, XV, 1-10)]

 

No Evangelho que recém acabamos de ouvir, Nosso Senhor conta uma parábola, como sempre, como todas as parábolas, com exagerações. Todas as parábolas de Nosso Senhor são hipérboles, são exagerações. Na realidade, nunca um pastor deixa 99 ovelhas para simplesmente ir buscar uma, porque não é negócio. Nunca uma pessoa revira toda a casa até que encontre uma moeda de cinco centavos, e depois faz festa e se alegra. Isso é uma hipérbole, por isso mesmo Nosso Senhor quando fala, tanto aos fariseus como aos discípulos, exagera, para que, dando-lhes o mais, ao menos alguém fique com o mínimo, o elementar.

E nesta parábola se fala das moedas e das ovelhas, aquelas que alguém pode chegar a perder. Eu gostaria de aplicar este texto hiperbólico, parabólico, de Nosso Senhor, a estas moedas, ou a estas ovelhas que todo pai e toda mãe podem chegar a ter em sua própria casa, que são os próprios filhos. Ainda que esse Evangelho se pudesse aplicar com muitíssimos outros sentidos (ao pecador que se arrepende e torna à casa paterna…), penso que seria bom aplicá-lo a isto. Peço que ninguém se sinta ofendido, mas como diz um dito espanhol: al que le quepa el sayo que se lo ponga[1]. E é por isso que o sacerdote tem de pregar sobre estes temas, porque uma primeira questão que alguém poderia colocar-se é: “O que tem a ver um Padre pregar sobre a educação dos filhos?”. O mesmo poderia dizer alguém a respeito de um médico oncologista: “O que tem a ver este médico oncologista falando de câncer se nunca teve câncer?”. A Igreja é Mater et Magistra, é Mãe e Mestre, por isso tem experiência nestes temas. E a vida dos santos e a doutrina do cristianismo durante dois mil anos lhe dá um pouco de experiência independentemente ou não de que o pregador seja um educador.

O primeiro princípio que quero salientar é que um pai ou uma mãe se salva ou se condena segundo a educação que dá a seus filhos. Às vezes se escuta dizer por aí “Padre, Padre – aconteceu comigo mais de uma vez – que posso fazer? Meu filho já tem 25, 30 anos, se desviou do caminho… a verdade é que já não sei o que fazer, já não sei… não sei o que posso fazer…” “Nada. [Desculpe] senhor, estou perdendo tempo. Há que ser realista. O senhor lhe deu uma educação sólida quando era pequeno, ou o mandou a um colégio “católico” entre aspas? Então, neste instante não há mais nada a fazer. Simples. Porque se perdeu há tempos. Há um tempo para tudo, diz o livro dos Provérbios[2]. E o tempo especial [destinado] aos filhos é justamente quando ainda os têm em casa. Depois já não há mais tempo, por dura que seja a resposta (…). “Dá-me os primeiros oito anos de vida das crianças, que lhe dou [de presente] o resto”, disse S. Agostinho. É isto.

Os pais se salvam ou se condenam segundo a educação que dão a seus filhos, ainda que se tenha presente a obrigação dos pais de alimentá-los; isso, inclusive em relação aos maus pais. E Nosso Senhor também o disse: “Quem de vós, se um filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará uma serpente?”. Bom, eu lhes digo que há muitos pais que a seus filhos lhes dão pedras, e serpentes. Quem sabe, com a melhor das intenções… ou quem sabe com um pouco de ignorância. Porque, queiramos ou não, todos aqui somos filhos da modernidade. Não é esta uma obrigação a mais do pai ou da mãe: é a obrigação. Os pais são depositários e não donos das vidas de seus filhos. Daí que S. João Crisóstomo o diga: “Olhemos aos filhos como um depósito precioso, e velemos por eles com toda a solicitude possível”. E como são não donos, mas depositários da vida, sobretudo da vida da alma, de seus filhos, vão ter de dar conta desse depósito que receberam: “Que fizeste com esse único filho que te dei? Que fizeste com esses dez filhos que te dei? Que fizeste?!”. Uma das perguntas que me fará o Senhor no dia do juízo é esta.

Quais são as consequências de uma boa e de uma má educação? Há muito já se perguntavam os gregos. Com os meninos mais velhos, este ano, estamos lendo um diálogo de Platão chamado Menon, [em que se pergunta] se a virtude pode ou não se educar, pode ou não se transmitir aos outros. E a educação, claramente, não é um remédio que alguém nos dê. Alguém dispõe os meios – que o diga a comunidade maçônica: somos livres, certo? –, contudo, se não ponho essa armadura, se não disponho os meios, dificilmente então posso lograr que no dia de amanhã surja na família um herói, um santo ou um mártir. Diz a Escritura no livro do Deuteronômio, que os filhos serão o que forem os pais. Isso qualquer de vocês poderá comprovar: vejam como são as crianças, e saberão como são os pais. Simples. O filho é o reflexo de seus pais. Porque pelo fruto se conhece a árvore.

Este problema da educação vem da época dos primeiros cristãos. Um dos Padres da Igreja recém citado, São João Crisóstomo, dizia que já em sua época, século IV, os pais se ocupavam mais dos cavalos e das bestas de carga que de seus próprios filhos. Que belo costume tinham os espartanos, que quando uma criança ou um jovem delinquia, cometia um delito, castigava-se principalmente o pai, porque de algum modo era responsável pelo delito de seu filho.

E por que dizemos que é importante pregar estes temas? Porque se não são pregados, considerando-os como óbvios, acaba-se por esquecê-los. E como são esquecidos, acaba-se por não se praticar. E como… somos filhos do tempo presente, puderam nos meter [na mente] – puderam nos meter porque somos filhos deste ambiente – a ideologia nefasta da psicopedagogia moderna de que há de deixar a criança ser [o que é]. Já Rousseau dizia, em seu célebre livro Emílio, que as crianças nascem boas, porém a sociedade as corrompe. Vemos todos os dias nos noticiários: “Pobrezinho desta criança que roubou, matou… Mas há que entender o contexto, não? Ela nasceu no morro, tinha um pai que a maltratava, uma mãe que era uma alcoólatra, uma prostituta… bom, como então não irá terminar numa prisão, se todo o tempo esteve no morro?” Rousseau puro. Nascemos com uma má levedura, nascemos por um pecado que é o pecado original, e se eu o apago pelo batismo fica em mim a tendência, a forma pecatti, a cicatriz, e é por isso que os pais têm de tentar ajudar a que essa cicatriz seja sanada o mais rápido possível.

“Não! Tem de deixar que seja [o que é]… Como vou levantar a mão para uma criança?”… Até isto que pareceria uma coisa elementar, agora tenho de alegar com a Escritura: Provérbios XIII [24]: “O que despreza a vara odeia a seu filho, mas o que o ama o disciplina com diligência”. Sigo: “A necedade está ligada ao coração da criança – a criança é caprichosa por natureza! – mas a vara da disciplina a afastará dela” [XX, 15]; “A vara da disciplina e as palavras da repreensão dão sabedoria, mas o jovem abandonado à sua própria sorte envergonhará sua mãe.” [XXIX, 15]. Bom, para aqueles que [porventura] possam dizer que as palavras do Antigo Testamento são duras demais, citemos o texto de São Paulo aos Hebreus, capítulo 12 [6ss]: “Quem ama ao Senhor, o Senhor o corrige, e açoita a todos os filhos que acolhe. Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige? Mas se permanecêsseis sem a correção que é comum a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos.” Filhos bastardos! Claro, não se está falando aqui de se converter um pai em um espancador; eu sou a favor de que os animais não se extingam, desta forma não há que bater demais nas crianças, mas às vezes alguém pode chegar ao ponto de dizer, quase como um louco… uma criança que insulta sua mãe, e sua mãe não lhe dá uma pequena bofetada, ou algo mais, está lhe causando um dano. Provavelmente – me desculpem que esteja dizendo estas coisas – há que voltar novamente quase como às origens…

Qual é o modo de educar os filhos? A Igreja nos tem ensinado sempre, em distintos documentos. Em primeiro lugar, formar a Cristo nas almas: “O princípio da sabedoria é o temor do Senhor” [Prov. IX, 10]. Falar-lhes do Céu, não ter medo de falar-lhes, inclusive, das penas do inferno. Claro, não é necessário gastar todo o tempo em uma educação castradora, mas aqueles que simplesmente dizem não a todo tipo de conversa sobre o castigo, o inferno – ou o que seja – terminam finalmente esquecendo-se de que se trata de uma realidade eterna. Ademais, Deus mesmo subscreveu em inumeráveis passagens da Escritura: “Desde sua infância, diz o pai Tobias a Tobit, lhe ensinei a temer a Deus e afastar-se de todo pecado” [Tob I, 9s]. Perguntaram a Santa Terezinha do Menino Jesus pelos pecados mortais que havia cometido. Ela, tocando em sua fronte, disse: “não tenho consciência de haver cometido um só pecado mortal em minha vida”. Seus pais, hoje canonizados, viviam no santo temor de Deus, e [tinham] horror por um pecado. A rainha Branca de Castela, mulher santa, mãe de São Luís rei, chegou a dizer-lhe: “Filho, te quero muito, mas antes preferiria ver-te morto a que cometesses um só pecado mortal”.

Como um pai, como uma mãe, tenta educar um filho para o Céu? Usando, armando, colocando essa armadura. E principalmente vigiando as ocasiões de pecado. Vou me fazer entender, vou dar-lhes um exemplo concreto: um pai tem que vigiar as amizades de seus filhos, os ambientes que frequenta. Não é suficiente dizer que o mandou jogar rugby, um esporte cavalheiresco, de homens [viris] etc., se depois, no que chamam de “terceiro tempo”, terminar sendo um desastre tudo isso; terá que pensar bem para onde o manda; porque logo terminam embebedando-se ou buscando más companhias, tendo más conversas, [por isso] acaba não tendo nenhum sentido, por mais heroico que seja esse esporte. Vigiar como fala, a roupa que usa, a música que escuta, as coisas que vê. Todos [nós], os maiores, passamos por esse período da adolescência. Período dificilíssimo, porque mudamos: hoje queremos uma coisa, amanhã queremos outra, e a grande tentação da adolescência para um homem ou para uma mulher, que por si mesmos são distintos por seu modo de ser, são os namoricos, as tentações contra a pureza, nos homens as imagens, na mulher a vaidade…

Se um pai ou uma mãe jogou a toalha, e diz: “Estou cansado, tenho 200 filhos, basta, tenho um montão de trabalho, não posso mais…”, estamos fritos. Porque não é que um pai ou uma mãe estejam fazendo essas coisas para causar dano à criança, ao contrário, [se trata de] um período em minha vida que tenho de esforçar-me ao máximo. E se tiver de perder uns trocados a mais ou uns trocados a menos… mas, [afinal] são meus filhos! Me salvo ou me condeno dependendo disso! E isso ocorre nos melhores ambientes, estou cansado de ver famílias boníssimas, boníssimas… passa o tempo… gente excelente, super comprometida, apostólica… vejam, façam um exame de consciência: [por]que de famílias excelentes, pode ser que depois os filhos lhes saiam mal… O que passou? Está certo, [é] a liberdade Padre… Sim, estamos de acordo, contudo muitas vezes encontramos famílias excelentes cujos filhos não as seguem. Aqui ocorreu algo. Aqui se rompeu o elo. Aqui não houve total dedicação. É verdade que pode haver mais de uma ovelha negra, normal, mas eu lhes posso nomear rapidamente várias famílias conhecidas que tinham uma boa família, gente de bem, [e que] não souberam transmitir a fé aos filhos, e a prática católica comprometida aos filhos: proibir que façam injustiças, que critiquem em público, ou inclusive em casa…

Isto [que] irei repetir me é tremendamente incômodo dizê-lo, porque repito mais de uma vez: não se pode deixar que nossos filhos namorem até que ao menos terminem o ensino médio. Porque são períodos claríssimos de perda de tempo, de perda de pureza, de queimar etapas.

A segunda coisa incômoda: o álcool. Alguém me dirá: “Bem, de fato… eu… para que vá se acostumando… e tome um pouquinho… até em casa com os pais, e tudo…”; lamentavelmente estão iniciando nisto um menino adolescente, que ainda não tem a mesotes, a medida para dizer se é bom, se é mal, o quanto… É como aqueles que dizem “Bom, há que iniciá-los em uma educação sexual completa, depois o garoto vai saber como se virar.”… Porque estou fomentando um vício a este jovem. Goste ou não goste, rapazes das melhores famílias… Bem, quem sabe… “Não, não, eu não faço nada com minha namorada”… sei lá o quê…; [mas] começou a beber aos 13 ou 14 anos… e com seus pais. Eu conheço mais de um caso. Chega aos 18 e, claro: “Um copo de cerveja não é nada, eu me aguento”. É um tema delicado? Sim, mas minha prudência exige que assim o fale; porque eu confesso. Ademais, há pais que por mais que gostem de seus filhos, não os corrigem nunca. Santo Alfonso diz que se um pai visse um de seus filhos cair em um poço e não soubesse nadar, e a única parte do corpo pela qual pudesse agarrá-lo fosse seus cabelos, que pai não os agarraria pelos cabelos e os tiraria [para] fora? Que pai? que bom pai? Há pais que preferem às vezes, por não corrigir, verem seus filhos simplesmente afogados. Porque o que não castiga a seu filho, não corrige a seu filho, diz o livro dos Provérbios, o odeia… o odeia!

Termino. Claro, não se pode dar um sermão a uma classe de pedagogia cristã. É verdade. É impossível. Não é nem o lugar, nem o momento. É verdade. De todo modo, não [há de se] esquecer que os pais são os pastores de seus próprios filhos. E se alguma dessas ovelhas, por meu cansaço, ou porque se foi por aí em quebradas obscuras, está como que se descarrilhando, e eu estou um pouco fatigado… tenho de saber que esse cansaço não pode me vencer, que não basta educar bem o primeiro ou o segundo filho, porque os últimos, claro, me encontrarão caindo pelas tabelas…

Me salvo ou me condeno de acordo com o que fiz nesse período com a educação de meus filhos. E justamente por isso não se pode deixar sós essas ovelhas. “O que tenha ouvido para ouvir, que ouça”. E ao que lhe sirva a carapuça, que a ponha.

Ave Maria Puríssima!


NOTAS

[1] O equivalente ao nosso: se a carapuça serviu…

[2] Se refere, em verdade, a Eclesiastes III, 1-8.


Fonte: http://www.quenotelacuenten.org/2018/06/12/correccion-y-educacion-de-los-hijos-sermon/