Liturgia Mensal – Setembro/2020

01º

MISSA DA FÉRIA

Féria de 4ª Classe- Missa do domingo, com comemoração de S. Egídio, Abade e Ss. Doze Irmãos Mártires de Benavente

Três pensamentos preparam-nos para a santa Missa de hoje: 1. A necessidade que temos do auxilio de deus. 2. A prontidão do auxilio divino. 3. A prova de que Deus nos auxilia. No Introito pedimos o auxílio em geral; na Oração, um aumento de fé, esperança e caridade, virtudes que, como sementes, foram pelo Batismo depostas em nossa alma, e que não se desenvolvem em nós sem a graça de Deus. Nossa súplica é baseada na Epístola que fala na fidelidade de Deus em suas promessas. Abraão é um exemplo de fé, esperança e caridade. A ele e seus descendentes dirigem-se as promessas de Deus. No Evangelho vemos como o Salvador prometido se desempenha de sua missão. E na santa Missa sabemos que Ele a continua no Sacrifício e no Sacramento, como nos mostram a Secreta, a Communio e a Postcommunio.


Páginas 648 a 651 e 1263 a 1265 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963)


Liturgia Mensal – Agosto/2020

01º/08

SANCTA MARIA IN SABBATO

Missa Votiva de 4ª Classe- Missa “Salve Sancta Parens”, com comemoração dos SS. Macabeus, Mártires

Dando graças a Deus e enaltecendo as glórias de Maria, subimos com ela ao altar para celebrar o Santo Sacrifício. Participando do augusto mistério do altar, tomamos também parte na grandeza da Mãe de Deus, recebendo em nós o Verbo Divino pela santa Comunhão. “Bem-aventuradas as entranhas da Virgem Maria”. Bem-aventurados também todos aqueles que recebem o Filho de Deus na santa Eucaristia. Assim, por Maria somos conduzidos a Jesus: “Per Mariam ad Jesum”.

São Pio I: Ocupou a Cadeira de S. Pedro de 140 a 155.


Páginas 11164; 802 a 805 do Missal Quotidiano (D.Gaspar Lefebvre, 1963).  


PRÓPRIO DO DIA

Introito (- |Sl 44, 2)

Salve, sancta Parens, eníxa puérpera Regem: qui cœlum terrámque regit in sǽecula sæculórum. Ps. Eructávit cor meum verbum bonum: dico ego ópera mea Regi. ℣. Glória Patri… Salve, ó Santa Mãe, em cujo seio foi gerado o Rei que governa o céu e a terra, por todos os séculos dos séculos. Sl. Exulta o meu coração em alegre canto; ao Rei dedico as minhas obras. ℣. Glória ao Pai…

Coleta

Concéde nos fámulos tuos, quǽsumus, Dómine Deus, perpétua mentis et córporis sanitáte gaudére: et, gloriósa beátæ Maríæ semper Vírginis intercessióne, a præsénti liberári tristítia, et ætérna pérfrui lætítia. Per D.N.  Senhor, Deus, Vos pedimos, concedei a vossos servos perpétua saúde no corpo e na alma, e por intercessão gloriosa da bem-aventurada sempre Virgem Maria, fazei que sejamos livres da presente tristeza, e gozemos da eterna alegria. Por N. S. 

2ª Coleta (dos Ss. Macabeus)

Fratérna nos, Dómine, Mártyrum tuórum coróna lætíficet: quæ et fídei nostræ præbeat increménta virtútum; et multíplici nos suffrágio consolétur. Per D.N. Senhor, alegre-nos este coro de irmãos, vossos Mártires, e proporcione à nossa fé aumento de virtudes, consolando-nos a sua múltipla intercessão. Por N. S.

Leitura (Eclo 24, 14-16)

Léctio libri Sapiéntiae.

 

Ab inítio et ante sǽcula creáta sum, et usque ad futúrum sǽculum non désinam, et in habitatióne sancta coram ipso ministrávi. Et sic in Sion firmáta sum, et in civitáte sanctificáta simíliter requiévi, et in Ierúsalem potéstas mea. Et radicávi in pópulo honorificáto, et in parte Dei mei heréditas illíus, et in plenitúdine sanctórum deténtio mea.

Leitura do livro da Sabedoria.

 

Desde o princípio e antes dos séculos fui criada; e não deixarei de existir em toda a sucessão dos tempos; na morada santa exerci perante Ele o meu ministério. Fui assim firmada em Sião, e repousei na cidade santa; e em Jerusalém está o meu poder. Arraiguei-me em um povo glorioso, e nesta porção do meu Deus, que é a sua herança. Na assembléia dos Santos, estabeleci a minha assistência.

Gradual 

Benedícta et venerábilis es, Virgo María: quæ sine tactu pudóris invénia es Mater Salvatóris. ℣. Virgo, Dei Génetrix, quem totus non capit orbis, in tua se clausit víscera factus homo.

 

Allelúia, allelúia. ℣. Post partum, Virgo, invioláta permansísti: Dei Génetrix, intercéde pro nobis. Allelúia.

Bendita e venerável sois vós, ó Virgem Maria, que sem ofensa de pureza, viestes a ser Mãe do Salvador. ℣. Ó Virgem Mãe de Deus, em vosso seio se encerrou feito homem, Aquele que o orbe inteiro não pode conter..

 

Aleluia, aleluia. ℣. Depois de haverdes dado à luz, ó Virgem, permanecestes Imaculada. Intercedei por nós, ó Mãe de Deus. Aleluia.

Evangelho (Lc 11, 27-28)

Sequéntia sancti Evangélii secúndum Lucam.

In illo témpore: Loquénte Iesu ad turbas, extóllens vocem quædam múlier de turba, dixit illi: Beátus venter, qui te portávit, et úbera, quæ suxísti. At ille dixit: Quinímmo beáti, qui áudiunt verbum Dei, et custódiunt illud.

Sequência do Santo Evangelho segundo Lucas.

Naquele tempo, falava Jesus ao povo, quando uma mulher elevando a voz, do meio da multidão, Lhe disse: Bem-aventurado o seio que Vos trouxe e os peitos que Vos amamentaram. Ele porém disse: Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a põem em prática..

Ofertório (Lc 1, 28 e 42)

Ave, María, grátia plena; Dóminus tecum: benedícta tu in muliéribus, et benedíctus fructus ventris tui. Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre. .

Secreta

Tua, Dómine, propitiatióne, et beátæ Maríæ semper Vírginis intercessióne, ad perpétuam atque præséntem hæc oblátio nobis profíciat prosperitátem et pacem. Per D.N. Aproveite-nos, Senhor, esta oblação para a nossa perpétua e presente paz e prosperidade, por vossa misericórdia, e pela intercessão da Bem-aventurada sempre Virgem Maria. Por N.S.

2ª Secreta (dos Ss. Macabeus)

Mystéria tua, Dómine, pro sanctórum Martyrum tuórum honóre, devóta mente tractémus: quibus et præsídium nobis crescat et gáudium. Per D. N. Senhor, daí-nos celebrar com devoção os vossos sagrados Mistérios em honra de vossos Mártires, a fim de que aumentem para nós o seu auxílio e a nossa alegria. Por N. S.

Prefácio (da Ssma. Virgem)

℣. Dóminus vobíscum.
℞. Et cum spíritu tuo.
℣. Sursum corda.
℞. Habémus ad Dóminum.
℣. Grátias agámus Dómino Deo nostro.
℞. Dignum et iustum est.
.
Vere dignum et justum est, æqum et salutáre, nos tibi semper, et ubique grátias ágere: Dómine sancte, Pater omnípotens, ætérne Deus. Et te in Festivitate beátæ Mariæ semper Vírginis collaudáre, benedícere, et prædicáre. Quæ et Unigénitum tuum Sancti Spíritus obumbratióne concépit, et virginitátis glória permanénte, lumen ætérnum mundo effúdit, Jesum Christum Dóminum nostrum. Per quem majestátem tuam laudant Angeli, adórant Dominatiónes, tremunt Potestátes coeli coelorúmque Virtútes, ac beáta Séraphim, sócia exsultatióne concélebrant. Cum quibus et nostras voces ut admitti júbeas deprecámur, súpplici confessióne dicéntes: Sanctus, Sanctus, Sanctus…
℣. O Senhor seja convosco.
℞. E com o vosso espírito,
℣. Para o alto os corações.
℞. Já os temos para o Senhor,
℣. Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
℞. É digno e justo.
.
Verdadeiramente é digno e justo, razoável e salutar que, sempre e em todo o lugar, Vos demos graças, ó Senhor santo, Pai onipotente, eterno Deus. E que, na Festividade da Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Vos louvemos, bendigamos e exaltemos. Por obra do Espírito Santo ela concebeu o vosso Unigênito, e permanecendo com a glória da virgindade, deu ao mundo a eterna Luz, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Por Ele os Anjos louvam a vossa Majestade, as Dominações a adoram, tremem as Potestades. Os Céus, as Virtudes dos Céus e os bem-aventurados Serafins a celebram com recíproca alegria. As suas vozes, nós Vos rogamos, mandeis que. se unam as nossas, quando, em humilde confissão, Vos dizemos: Santo, Santo, Santo…

Comunhão 

Beáta viscera Maríæ Vírginis, quæ portavérunt ætérni Patris Fílium, allelúia. Bem-aventuradas as entranhas dá Virgem Maria que encerraram o Filho do Pai Eterno.

Pós-comunhão

Sumptis, Dómine, salútis nostræ subsídiis: da, quǽsumus, beátæ Maríæ semper Vírginis patrocíniis nos ubíque prótegi; in cuius veneratióne hæc tuæ obtúlimus maiestáti. Per D. N. Tendo recebido, Senhor, os auxílios de nossa salvação, pedimos nos concedais que em todo o lugar, nos proteja o patrocínio da Bem-aventurada sempre Virgem Maria, em cuja honra oferecemos este sacrifício à vossa divina Majestade. Por N. S. 

2ª Pós-comunhão (dos Ss. Macabeus)

Præsta, quǽsumus, omnípotens Deus: ut, quorum memóriam sacraménti participatióne recólimus, fidem quoque proficiéndo sectémur. Per D.N. Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, progredindo, sigamos, também, em sua fé os Mártires cuja memória honramos pela participação neste Sacramento. Por N. S.
O martírio dos sete irmãos Macabeus, por ordem de Antíoco Epifanio em 166 aC.


Traduções e comentários extraídos do Missal Quotidiano de D. Beda (1947/1962).

Calendário Litúrgico- 2020

Publicamos o Calendário Litúrgico anual, editado pela Irmandade do Carmo segundo as normas e rubricas aprovadas até 1962 pela Sé Apostólica, com o Próprio do Brasil

O Tempo do Natal

1. Significação deste Tempo

O Tempo do Natal é o intervalo de quarenta dias, entre 25 de dezembro e 2 de fevereiro. Comparando o Advento à subida de uma montanha, chegamos agora a seu cume — Natal — o ponto mais elevado da primeira parte do Ano eclesiástico.

Durante doze dias permanecemos nesta altura, com a celebração das duas festas principais deste Tempo: Natal e Epifania ou festa dos Reis. A oitava desta última solenidade é seguida de 6 domingos, número este por vezes diminuído pelo tempo da Setuagésima que varia conforme a celebração da Páscoa, mais cedo ou mais tarde: Termina, o tempo do Natal com a festa da Purificação de Nossa Senhora, que é o oferecimento de Jesus, no templo, pelos pecados do mundo e assim esta festa já prepara o Mistério da Redenção que é o assunto do ciclo pascal.

Voltemos à festa de Natal. Seu fim é lembrarmos o nascimento do Salvador e comunicar-nos as graças particulares deste Mistério.

«Propter nos hómines, et propter nostram salútem descéndit de cælis». Por nossa causa e por nossa salvação desceu do céu (Credo). Sendo e permanecendo verdadeiro Deus, tornou-se verdadeiro homem. Não hesitou em se revestir da forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e sendo reconhecido pelo exterior como homem. E sendo homem, atrai todo o gênero humano a Si e o faz seu Corpo místico e sua propriedade. Comunica-lhe a filiação de Deus, tornando-se Irmão de todos e dando aos homens a sua vida que é a graça santificante.

«Deus factus est homo ut homo fíeret Deus». Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus, diz admiravelmente Santo Agostinho. 

Enquanto a festa de Natal se ocupa muito mais com o Menino-Deus, no berço, a segunda grande solenidade deste Tempo, a Epifania, descortina novos horizontes. Este Menino é o grande Rei, o Soberano que vem à terra fundar o seu reino na humanidade, na Igreja, na alma humana. Reis desta terra vêm adorar a Criancinha em seu presépio e, neste fato, a humanidade Lhe reconhece a Realeza suprema. Este Menino dominará as nações, pois no fim dos tempos reunirá os seus fiéis num reino celestial, reino de Deus, reino de eterna bem-aventurança. A Igreja procura intensificar estes mesmos sentimentos ainda depois da festa, nos domingos seguintes. Adoramos nos Introitos o poder de Cristo-Rei sobre as criaturas animadas e inanimadas.

2. Quais devem ser as nossas disposições neste Tempo

Para as almas que se unem à vida da Igreja, que jubilosa quarentena! Isaías, que durante todo o tempo do Advento, foi o nosso guia, entoa este cântico de alegria nas suaves Matinas de Natal: « Levanta-te, ó Sião, reveste-te de tua força; compõe-te com os vestidos de tua glória, Jerusalém, cidade do Santo; sacode-te do pó, levanta-te, desata a cadeia do teu pescoço, cativa filha de Sião » (Isaías, LII). E S. Leão, explicando estes brados do profeta, exclama: « Meus caríssimos filhos, nasceu-nos hoje o Salvador: rejubilemo-nos. Para longe todo sentimento de tristeza: eis a aurora da vida. Exulte o Justo, porque a recompensa está perto; o pecador se alegre, eis o perdão; o pagão espere, eis a vida. »

Esta alegria fará nascer em nossos corações profundos sentimentos de gratidão para com Deus pela Incarnação de seu Filho Unigênito, gratidão que se manifestará pelo sincero desejo de desenvolver em nós, pela prática das boas obras, a vida nova que Jesus trouxe ao mundo. Esperemos que ela sempre cresça e também cresça o Cristo em nós. Eis a obra do santo Sacrifício da Missa, pois o que aconteceu há quase dois mil anos, repete-se ainda hoje: a Incarnação do Verbo divino, seu Nascimento no presépio de Belém. Na santa Missa, na santa Comunhão, une-se Jesus às nossas almas, escondido sob os véus das espécies eucarísticas, como outrora ocultou o esplendor de sua Divindade sob o humilde manto de sua humanidade. Nossa Belém é o altar! Nossa gruta é o tabernáculo! Nosso presépio é a nossa alma! Nela, bem longe do tumulto do mundo, Ele quer, no silêncio e na solidão, “tomar nova forma»; quer ocupá-la, imprimir-lhe o selo de filha de Deus, transforma-la em Si próprio. A esta alma Deus predestinou « conformar-se com a imagem do Filho de Deus ». E se somos filhos de Deus, também seremos seus herdeiros e coerdeiros de Jesus Cristo. É assim que não somente comemoramos e celebramos o Natal, como participamos do Nascimento de Jesus Cristo e dos frutos da Redenção da santa Missa, ao pé da Cruz.

3. Particularidades deste Tempo

A alegria deste Tempo manifesta-se por vários modos: a cor violácea dos tempos de penitência é substituída pelos ornamentos brancos, bordados a ouro ou completamente dourados; os órgãos, mudos no Advento, executam as suas mais jubilosas modulações e o Glória in excélsis Deo ressoa de novo, trazendo-nos os ecos pacíficos do presépio. As melodias estão impregnadas de uma doce e comunicativa alegria, que se prolonga em toda a liturgia deste tempo. As multidões, numa satisfação expansiva, reúnem-se nos templos, recordando por sua assistência às Matinas de Natal, a sincera piedade de antanho. 

O Sacerdote celebra três Missas, em memória da tríplice geração do Verbo, que Santo Tomás assim explica: eterna no seio do Pai, temporal no da Virgem Santíssima e espiritual em cada um de nós.


Imagem e texto extraído do Missal Quotidiano de D. Beda Keickeisen, 1962 (pp. 76-78).