Liturgia Diária- 10/01/2020

MISSA DA FÉRIA

4ª Classe- Missa da Epifania (com Glória, sem Credo)

DIA DE ABSTINÊNCIA

Epifania, como dizem os gregos, ou aparição, é a segunda solenidade no ciclo de Natal. Jubilosos celebramos com a santa Igreja a entrada solene do Cristo-Rei no mundo, na humanidade, na alma de cada um de nós. Aquele que nascera no silêncio da santa noite de Natal, manifesta-se agora aos olhos do mundo. O Rei da eterna glória entra em sua cidade, a nova Jerusalém, a santa Igreja. 

Os Ofícios litúrgicos, especialmente o da madrugada, Laudes, falam de uma tríplice manifestação de Jesus. Diz a Antífona: “Hoje o Esposo celestial se uniu à Igreja, porque o Cristo lavou no Jordão os crimes de sua Esposa”. No batismo de Jesus, o Pai Eterno deu testemunho a seu Filho: “Este é o meu Filho, a Ele deveis ouvir”. — “Os Magos se apressam para as núpcias do Rei, com as suas dádivas” (Evangelho). Com os Magos, somos também nós convidados a apresentar no Ofertório a nossa dádiva: o dom de nós mesmos. E finalmente conclui a Antífona: “E a água se transforma em vinho e os convidados se alegram. Aleluia”. Nas bodas de Caná manifestou-se pela vez primeira o poder divino-real de Jesus Cristo. Assim como os convidados se alegram, nós nos alegramos pela transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Salvador que nos é proposto no banquete nupcial da Eucaristia.

A basílica de São Pedro foi escolhido para a celebração da Missa, neste dia, porque a Epifania desde o tempo mais remotos, é uma das maiores solenidades.

Oferecemo-nos com o Cristo (Secreta) e recebemos o Cristo (Pós-Comunhão). A vida interior do Cristão é uma reprodução da vida do Cristo. O fim da Igreja, celebrando o Ano eclesiástico, é este: assim como Jesus se manifestou aos Magos, pedimos que se manifeste a cada Cristão pela luz da fé.


Páginas 83 a 87 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 19 horas na Capela Nossa Senhora de Lourdes.


PRÓPRIO DO DIA

Introito (Mal. 3,1; I Cr 29, 12 | Sl 71, 1) 

Ecce, advénit dominátor Dóminus: et regnum in manu ejus et potéstas et impérium. Ps. Deus, judícium tuum Regi da: et justítiam tuam Fílio Regis. ℣. Gloria Patri. Eis que ai vem, o soberano Senhor; em sua mão está o Reino, o Poder e o Império. Sl. Ó Deus, dai o vosso julgamento ao Rei; e a vossa justiça ao Filho do Rei. ℣. Glória ao Pai.

Coleta

Deus, qui hodiérna die Unigénitum tuum géntibus steila duce reve- lásti: concéde propítius; ut, qui jam te ex fide cognóvimus, usque ad contemplándam spéciem tuæ celsitúdinis perducámur. Per eúndem D. N. Ó Deus, que no dia de hoje manifestastes o vosso Unigênito aos gentios, guiados por uma estrela, concedei propício, que conhecendo-Vos pela fé, cheguemos também a contemplar o Esplendor de vossa Majestade. Pelo mesmo J. C.

Epístola (Is 60, 1-6)

Lectio Isaíæ Prophétæ.

Surge, illumináre, Jerúsalem: quia venit lumen tuum, et glória Dómini super te orta est. Quia ecce, ténebræ opérient terram et caligo pópulos: super te autem oriétur Dóminus, et glória ejus in te vidébitur. Et ambulábunt gentes in lúmine tuo, et reges in splendóre ortus tui. Leva in circúitu óculos tuos, et vide: omnes isti congregáti sunt, venérunt tibi: fílii tui de longe vénient, et fíliæ tuæ de látere surgent. Tunc vidébis et áfflues, mirábitur et dilatábitur cor tuum, quando convérsa fúerit ad te multitúdo maris, fortitúdo géntium vénerit tibi. Inundátio camelórum opériet te dromedárii Mádian et Epha: omnes de Saba vénient, aurum et thus deferéntes, et laudem Dómino annuntiántes.

Leitura do Profeta Isaías.

Levanta-te, Jerusalém, e resplandece, porque já veio a tua luz, e a glória do Senhor nasceu sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos, mas sobre ti se levanta o Senhor e em ti se manifesta a sua glória. E as nações caminham ao fulgor de tua luz, e os reis, ao esplendor de tua aurora. Ergue os olhos em derredor, e vê: todos o povos se congregam e vêm a ti; teus filhos vêm de longe, e tuas filhas surgem de todos os lados. Então verás e transbordarás de alegria, teu coração se maravilhará e se dilatará, quando a ti vier a multidão de além dos mares, e os grandes, dentre os pagãos, se acercarem de ti. Serás como inundada pela afluência de camelos e dromedários de Mediam e Efa; todos virão de Sabá, trazendo ouro e incenso, e proclamando os louvores do Senhor.

Gradual (Sl 97, 3 e 2 | Heb 1, 1-2) 

Omnes de Saba vénient, aurum et thus deferéntes, et laudem Dómino annuntiántes. ℣. Surge et illumináre, Jerúsalem: quia glória Dómini super te orta est.

Allelúia, allelúia, ℣. Vídimus stellam ejus in Oriénte,et vénimus cum munéribus adoráre Dóminum. Allelúia.

Todos virão de Sabá, trazendo ouro e incenso, e proclamando os louvores do Senhor. ℣. Levanta-te, Jerusalém, e resplandece, porque a glória do Senhor se levantou sobre ti.

Aleluia, aleluia. ℣. Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos com presentes adorar o Senhor. Aleluia.

Evangelho (Mt 2, 1-12)

Sequéntia sancti Evangélii secúndum Matthaeum.

Cum natus esset Jesus in Béthlehem Juda in diébus Heródis regis, ecce, Magi ab Oriénte venerunt Jerosólymam, dicéntes: Ubi est, qui natus est rex Judæórum? Vidimus enim stellam ejus in Oriénte, et vénimus adoráre eum. Audiens autem Heródes rex, turbatus est, et omnis Jerosólyma cum illo. Et cóngregans omnes principes sacerdotum et scribas pópuli, sciscita- bátur ab eis, ubi Christus nasceretur. At illi dixérunt ei: In Béthlehem Judae: sic enim scriptum est per Prophétam: Et tu, Béthlehem terra Juda, nequaquam mínima es in princípibus Juda; ex te enim éxiet dux, qui regat pópulum meum Israel. Tunc Heródes, clam vocátis Magis, diligénter dídicit ab eis tempus stellæ, quæ appáruit eis: et mittens illos in Béthlehem, dixit: Ite, et interrogáte diligénter de púero: et cum invenéritis, renuntiáte mihi, ut et ego véniens adórem eum. Qui cum audíssent regem, abiérunt. Et ecce, stella, quam víderant in Oriénte, antecedébat eos, usque dum véniens staret supra, ubi erat Puer. Vidéntes autem stellam, gavísi sunt gáudio magno valde. Et intrántes domum, invenérunt Púerum cum María Matre ejus, (hic genuflectitur) ei procidéntes adoravérunt eum. Et, apértis thesáuris suis, obtulérunt ei múnera, aurum, thus et myrrham. Et re sponso accépto in somnis, ne redírent ad Heródem, per aliam viam revérsi sunt in regiónem suam.

Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Tendo Jesus nascido em Belém de Judá, nos dias do Rei Herodes, eis que do Oriente vieram uns Magos a Jerusalém, perguntando: Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo. Ouvindo isto, o rei Herodes turbou-se e com ele toda Jerusalém. E convocando todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, indagava deles onde havia de nascer o Cristo. E eles disseram: Em Belém de Judá, porque assim está escrito pelo. Profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia, que há de governar o meu povo de Israel. Então Herodes chamando secretamente os Magos, inquiriu cuidadosamente deles o tempo em que lhes aparecera a estrela. E enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide e perguntai diligentemente pelo Menino, e assim que O achardes, fazei-mo saber para que eu vá também e O adore. Tendo eles ouvido as palavras do Rei, foram-se. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando, parou sobre o lugar em que estava o Menino. Vendo a estrela, exultaram com grandíssima alegria. E entraram na casa, e acharam o Menino com Maria, sua Mãe (aqui todos se ajoelham) e, prostrando-se, O adoraram. E abertos os seus tesouros ofereceram-Lhe como presentes, ouro, incenso e mirra. E, sendo avisados em sonho que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho a seu país. 

Ofertório (Sl 71, 10-11) 

Reges Tharsis, et ínsulæ múnera ófferent: reges Arabum et Saba dona addúcent: et adorábunt eum omnes reges terræ, omnes gentes sérvient ei. Os reis de Tarsis e das ilhas oferecer-Lhe-ão presentes; os reis da Arábia e de Sabá trarão donativos; adorá-Lo-ão todos os reis da terra e os povos todos O servirão. 

Secreta

Ecclésiæ tuæ, quæsumus, Dómine, dona propítius intuere: quibus non jam aurum, thus et myrrha profertur; sed quod eisdem munéribus declarátur, immolátur et súmitur, Jesus Christus, fílius tuus, Dóminus noster: Qui tecum vivit et regnat. Nós Vos suplicamos, Senhor, olhai propício para as ofertas de vossa Igreja, que não mais Vos oferece ouro, incenso e mirra, porém Aquele mesmo que estes dons simbolizam, e que é agora imolado e recebido como Alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, que, sendo Deus, convosco vive e reina.

Prefácio (da Epifania)

℣. Dóminus vobíscum.
℞. Et cum spíritu tuo.
℣. Sursum corda.
℞. Habémus ad Dóminum.
℣. Grátias agámus Dómino Deo nostro.
℞. Dignum et iustum est.
.
Vere dignum et justum est, aequum et salutare, nos tibi simper, et ubique gratias agree: Domine sancta, Pater omnipotens, aeterne Deus. Quia cum Unigenitus tuus in substantia nostrae mortalivatis apparuit, nova nos immortalitatis suae luce reparavit. Et ideo cum Angelis et Archangelis, cum Thronis et Dominationibus, cumque omni militia celestis exercitus, hymmum gloriae tuae canimus, sine fine dicentes: Sanctus, Sanctus, Sanctus…
℣. O Senhor seja convosco.
℞. E com o vosso espírito,
℣. Para o alto os corações.
℞. Já os temos para o Senhor,
℣. Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
℞. É digno e justo.
.
Verdadeiramente é digno e justo, razoável e salutar, que sempre e em todo o lugar, Vos demos graças, ó Senhor santo, Pai onipotente, eterno Deus. Porque, manifestando-se o vosso Unigênito Filho na substância de nossa carne mortal, restaurou-nos com a nova luz de sua imortalidade. E por isso, com os Anjos e os Arcanjos, com os Tronos e as Dominações, com toda a milícia do exército celestial, cantamos hinos à vossa glória, dizendo sem fim: Santo, Santo, Santo…

Comunhão (Mt 2, 2) 

Vídimus stellam ejus in Oriénte, et vénimus cum munéribus adoráre Dóminum. Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos com presentes adorar o Senhor.

Pós-comunhão

Præsta, quǽsumus, omnípotens Deus: ut, quæ sollémni celebrámus officio, purificátæ mentis intellegéntia consequámur. Per D.N. Fazei, nós Vos pedimos, ó Deus onipotente, que alcancemos com inteligência e pureza de alma o Mistério que celebramos com tão festivo ofício. Por N. S.


Traduções e comentário principal do Missal de D. Beda Keickeisen (1947/1962). 

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