Liturgia Diária- Quinta-feira “In Coena Domini”

Féria de 1ª Classe- Missa Própria – Estação em S. João de Latrão

Feria-Quinta in Coena Domini, isto é, Quinta-feira da ceia do Senhor, eis como a Liturgia designa o dia de hoje. Este nome nos indica o grande acontecimento que a santa Igreja comemora: a instituição do Sacrifício e Sacramento da Eucaristia e do Sacramento da Ordem.

Como no domingo de Ramos, reunimo-nos em S . João de Latrão, Mãe de todas as igrejas de Roma e do Universo, a mais nobre e mais antiga basílica, catedral do supremo Pastor da Igreja. Nela se conserva e venera ainda hoje a mesa em que o divino Salvador celebrou a última Ceia. O altar de nossa igreja é uma continuação daquela venerável mesa.

A Missa é festiva, com os paramentos brancos. Canta-se o Glória, durante o qual tocam festivamente os sinos, que depois emudecem até o Glória na Missa da Vigília Pascal.

Poucas passagens há, no ano eclesiástico, tão impressionantes e comovedoras para o coração do crente, quanto esta Missa; em que se mesclam alegria imensa e profunda tristeza.

Hoje só é celebrada uma santa Missa, durante a qual todos os Sacerdotes (e todos os Cristãos assim o deveriam fazer) recebem a sua Comunhão pascal da mão do Celebrante.

O memorável decreto “Maxima redemptionis nostrae mysteria” de 16/11/1955 com que a Sagrada Congregação dos Ritos, obedecendo a um mandado do Santo Padre Pio XII, renovou toda a liturgia da Semana Santa, prescreve que essa Missa in Coena Domini seja celebrada entre as 17 e as 20 horas.

Depois do Evangelho e da Homilia, pode-se realizar a cerimônia do Lava-pés.

A Santa Comunhão só pode ser distribuída durante a Missa ou logo depois dela e deve ser dada com partículas consagradas nessa mesma Missa.

Depois dia Missa, faz-se a solene transladação do SSmo. Sacramento para um altar lateral, que tenha sido ornamentado e preparado para esse fim desse altar se fará a pública adoração da Santa Reserva até meia-noite.


Páginas 392 a 406 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963)


Missa às 19 horas na Capela Nossa Senhora de Lourdes.


PRÓPRIO DO DIA

Introito (Gl 6, 14 | Sl 66, 2)

Nos autem gloriári opórtet in Cruce Dómini nostri Jesu Christi: in quo est salus, vita et resurréctio nostra: per quem salváti et liberáti sumus. Ps. Deus misereátur nostri, et benedícat nobis: illúminet vultum suum super nos, et misereátur nostri. Nos autem Quanto a nós, devemos gloriar-nos na Cruz de Nosso Jesus Cristo. Nele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres. Sl. Deus tenha piedade de nós e nos abençoe, faça resplandecer sobre nós a sua Face e se compadeça de nós. — Quanto a nós….

Coleta

Deus, a quo et Judas reatus sui pœnam, et confessiónis suæ latro prǽmium sumpsit, concéde nobis tuæ propitiatiónis efféctum: ut, sicut in passióne sua Jesus Christus, Dóminus noster, diversa utrísque íntulit stipéndia meritórum; ita nobis, abláto vetustátis erróre, resurrectiónis suæ grátiam largiátur: Qui tecum. Ó Deus, de quem Judas recebeu o castigo de seu pecado, e o ladrão a recompensa de sua profissão de fé, concedei-nos o efeito de vossa misericórdia, a fim de que, como Nosso Senhor Jesus Cristo em sua Paixão, a um e outro tratou segundo os méritos, assim também, destruída a nossa antiga maldade, nos conceda a graça de sua Ressurreição, Ele, que, sendo Deus, convosco vive e reina.

Epístola (I Cor 11, 20-32)

Léctio Epístolæ beáti Pauli Apóstoli ad Corínthios.

Fratres: Conveniéntibus vobis in unum, jam non est Domínicam cœnam manducáre. Unusquísque enim suam cenam præsúmit ad manducándum. Et alius quidem ésurit: álius autem ébrius est. Numquid domos non habétis ad manducándum et bibéndum? aut ecclésiam Dei contémnitis, et confúnditis eos, qui non habent? Quid dicam vobis? Laudo vos? In hoc non laudo. Ego enim accépi a Dómino quod et trádidi vobis, quóniam Dóminus Jesus, in qua nocte tradebátur, accépit panem, et grátias agens tregit, et dixit: Accípite, et manducáte: hoc est corpus meum, quod pro vobis tradétur: hoc fácite in meam commemoratiónem. Simíliter et cálicem, postquam cœnávit, dicens: Hic calix novum Testaméntum est in meo sánguine: hoc fácite, quotiescúmque bibétis, in meam commemoratiónem. Quotiescúmque enim manducábitis panem hunc et cálicem bibétis: mortem Dómini annuntiábitis, donec véniat. Itaque quicúmque manducáverit panem hunc vel bíberit cálicem Dómini indígne, reus erit córporis et sánguinis Dómini. Probet autem seípsum homo: et sic de pane illo edat et de cálice bibat. Qui enim mandúcat et bibit indígne, judícium sibi mandúcat et bibit: non dijúdicans corpus Dómini. Ideo inter vos multi infirmi et imbecílles, et dórmiunt multi. Quod si nosmetípsos dijudicarémus, non útique judicarémur. Dum judicámur autem, a Dómino corrípimur,ut non cum hoc mundo damnémur.

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios.

Irmãos: Quando vos reunis, já não se pode dizer: é para celebrar a Ceia do Senhor, pois cada um trata de comer a própria ceia. E assim, um tem fome enquanto o outro está farto em excesso. Porventura não tendes vossas casas para comer e beber? Ou desprezais a assembléia de Deus e quereis humilhar os que nada possuem? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Não, neste ponto, não vos posso louvar. Com efeito, foi do Senhor que recebi o que vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite mesma em que havia de ser traído, tomou o pão, e dando graças, partiu-o e disse: Tomai e comei, isto é o meu Corpo que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo Testamento em meu Sangue. Fazei isto todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão ou beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha. Por isso, todo aquele que indignamente comer este pão ou beber o cálice do Senhor, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo e só assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque, quem come e bebe indignamente, come e bebe a sua própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor. Por isso há entre vós muitos enfermos e fracos e muitos mortos. Se, porém, nos tivéssemos julgado a nós mesmos, certamente não seríamos julgados. Mas porque somos julgados pelo Senhor, o somos para castigo nosso, para não sermos condenados com este mundo.

Gradual (Filip. 2, 8-9)

Christus factus est pro nobis obǿdiens usque ad mortem, mortem autem crucis ℣. Propter quod et Deus exaltávit illum: et dedit illi nomen, quod est super omne nomen.

O Cristo por nós se fez obediente até à morte e morte na Cruz. ℣. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um Nome que está acima de todo nome.

Evangelho (Jo 13, 1-15)

✠ Sequéntia sancti Evangélii secúndum Joánnem

Ante diem festum Paschae, sciens Jesus, quia venit hora ejus, ut tránseat ex hoc mundo ad Patrem: cum dilexísset suos, qui erant in mundo, in finem diléxit eos. Et cena facta, cum diábolus jam misísset in cor, ut tráderet eum Judas Simónis Iscariótæ: sciens, quia ómnia dedit ei Pater in manus, et quia a Deo exivit, et ad Deum vadit: surgit a cena et ponit vestiménta sua: et cum accepísset línteum, præcínxit se. Deinde mittit aquam in pelvim, et cœpit laváre pedes discipulórum, et extérgere línteo, quo erat præcínctus. Venit ergo ad Simónem Petrum. Et dicit ei Petrus: Dómine, tu mihi lavas pedes? Respóndit Jesus et dixit ei: Quod ego fácio, tu nescis modo, scies autem póstea. Dicit ei Petrus: Non lavábis mihi pedes in ætérnum. Respóndit ei Jesus: Si non lávero te, non habébis partem mecum. Dicit ei Simon Petrus: Dómine, non tantum pedes meos, sed et manus et caput. Dicit ei Jesus: Qui lotus est, non índiget nisi ut pedes lavet, sed est mundus totus. Et vos mundi estis, sed non omnes. Sciébat enim, quisnam esset, qui tráderet eum: proptérea dixit: Non estis mundi omnes. Postquam ergo lavit pedes eórum et accépit vestiménta sua: cum recubuísset íterum, dixit eis: Scitis, quid fécerim vobis? Vos vocátis me Magíster et Dómine: et bene dícitis: sum étenim. Si ergo ego lavi pedes vestros, Dóminus et Magíster: et vos debétis alter altérius laváre pedes. Exémplum enim dedi vobis, ut, quemádmodum ego feci vobis, ita et vos faciátis. 

Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Antes da festa da Páscoa, sabia Jesus que chegara a hora de passar deste mundo ao Pai; e tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Depois da ceia, quando já o demônio havia incutido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o desígnio de trair a Jesus, sabendo Este que o Pai entregara todas as coisas em suas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs o seu manto, e tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida deitou água em uma bacia, e começou a lavar os pés de seus discípulos e a enxugá-los com a toalha com a qual se cingia. Chegou então a Simão Pedro. E disse-Lhe Pedro: Senhor, Vós quereis lavar-me os pés? Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço tu não entendes agora, mais tarde, porém, o compreenderás. Disse-Lhe Pedro: Nunca me lavareis os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar os pés, não terás parte comigo. Então disse-Lhe Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, como ainda as mãos e a cabeça. Disse-lhe Jesus: Quem foi lavado, necessita apenas de lavar os pés, porque está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos. Porque bem sabia Ele quem O havia de trair. Por isso disse: Não estais todos limpos. Depois de lhes ter lavado os pés, tomou de novo o seu manto, e sentando-se outra vez à mesa, disse-lhes: Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor, e dizeis bem: porque realmente o sou. Se eu, pois, sendo vosso Senhor e Mestre, vós lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que assim como eu vos fiz, vós outros o façais também.

LAVA-PÉS

Depois do Evangelho ou da Homília, procede-se ao Lava-pés. As antífonas, Salmos e Versículos a serem cantados são:

I. Antífona (Jo 13, 34; Sl 118, 1)

Mandátum novum do vobis: ut diligátis ínvicem, sicut diléxi vos, dicit Dóminus. Ps. Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. — Mandátum novum... Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei, diz o Senhor. SI. Bem-aventurados os que se mantêm sem mácula no caminho, os que andam na lei do Senhor. — Um novo mandamento…

II. Antífona (Jo 13: 4, 5 e 15; Sl 47, 2.)

Postquam surréxit Dóminus a cœna, misit aquam in pelvim, et cœpit laváre pedes discipulórum suórum: hoc exémplum réliquit eis. Ps. Magnus Dóminus, et laudábilis nimis: in civitáte Dei nostri, in monte sancto ejus. — Postquam surréxit Dóminus… Depois de se ter levantado da mesa, o Senhor deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos. E deixou-lhes este exemplo: Sl Grande é o Senhor e mui digno de louvores; na cidade do nosso Deus, em seu santo monte. — Depois de se ter levantado…

[…] – Outas antífonas, vide Missal. Nunca de dispense, porém, a antífona seguinte:

VIII. Antífona 

Ubi cáritas et amor, Deus ibi est. 

Congregávit nos in unum Christi amor. ℣. Exsultémus et in ipso jucundémur. ℣. Timeámus et amémus Deum vivum. ℣. Et ex corde diligámus nos sincéro.

Ubi cáritas et amor, Deus ibi est. 

Simul ergo cum in unum congregámur: ℣. Ne nos mente dividámur, caveámus. ℣. Cessent júrgia malígna, cessent lites. ℣. Et in médio nostri sit Christus Deus.

Ubi cáritas et amor, Deus ibi est.

Simul quoque cum Beátis videámus ℣. Gloriánter vultum tuum, Christe Deus: ℣. Gáudium, quod est imménsum atque probum, ℣. Sǽcula per infiníta sæculórum. Amen.

Onde estiver a caridade e o amor, Deus aí está.

Foi o amor do Cristo que nos remiu. Alegremo-nos e nele rejubilemos. Temamos e amemos o Deus vivo. E amemo-nos com coração sincero.

Onde estiver a caridade e o amor, aí Deus está. 

Estando, pois, reunidos numa única assembléia. Acautelemo-nos do que possa desunir os corações. Cessem entre nós as rixas e as dissenções. E entre nós esteja Cristo, nosso Deus.

Onde estiver a caridade e o amor, aí Deus está.

Fazei que vejamos juntos aos vossos bem-aventurados. A vossa face, na glória, ó Cristo Deus. Alegria que é imensa assim como é pura. Por todos os séculos dos séculos. Amém

Terminada a cerimônia do lava-pés, o celebrante retoma a capa e canta os seguintes versículos e oração:

Pater noster… (secreto)

℣. Et ne nos indúcas in tentationém.

℞. Sed líbera nos a malo.

℣. Tu mandásti mandáta tua, Dómine.

℞. Custodíri nimis.

℣. Tu lavásti pedes discipulórum tuórum.

℞. Opera mánuum tuárum ne despícias.

℣. Dómine, exáudi oratióne despícias.

℞. Et clamor meus ad te véniat.

℣. Dóminus vobíscum.

℞. Et cum spíritu tuo.

Orémus. Adésto, Dómine, quǽsumus, officio servitútis nostræ: et quia tu discípulis tuis pedes laváre dignátus es, ne despícias ópera mánuum tuárum, quæ nobis retinénda mandásti: ut, sicut hic nobis et a nobis exterióra abluúntur inquinaménta; sic a te ómnium nostrum interióra lavéntur peccáta. Quod ipse præstáre dignéris, qui vivis et regnas Deus: per ómnia sǽcula sæculórum. ℞. Amen.

Pai nosso… (em voz baixa)

℣. E não nos deixeis cair em tentação.

℞. Mas livra-nos do mal.

℣. Ordenastes, Senhor, que os vossos mandamentos.

℞. Sejam bem guardados.

℣. Lavastes os pés dos vossos discípulos.

℞. Não desprezeis as obras de vossas mãos.

℣. Ouvi, Senhor, a minha súplica.

℞. E chegue até Vós o meu clamor.

℣. O Senhor esteja convosco.

℞. E com o teu espírito.

Oremos. Recebei, Senhor, favoravelmente o serviço da nossa humildade e, desde que Vos dignastes lavar os pés dos vossos discípulos, não desprezeis o que acabamos de fazer, imitando-Vos como o ordenastes, a fim de que, depois de purificados das manchas exteriores do corpo, possamos ter a felicidade de por Vós sermos purificados das manchas interiores da culpa. Concedei-os isto benignamente, Vós que, sendo Deus, viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. ℞. Amém.

Após o lava-pés, ou, se tal cerimônia não se realizou, depois do Evangelho ou Homilia, é continuada a missa, como de costume. Não se diz o Credo.

Ofertório (Sl 117, 16 e 17)

Déxtera Dómini fecit virtútem, déxtera Dómini exaltávit me: non móriar, sed vivam, et narrábo ópera Dómini. A Destra do Senhor mostra o seu poder; a Destra do Senhor me exalta; não hei de morrer, mas viverei e contarei as obras do Senhor.

Secreta

Ipse tibi, quǽsumus, Dómine sancte, Pater omnípotens, ætérne Deus, sacrifícium nostrum reddat accéptum, qui discípulis suis in sui commemoratiónem hoc fíeri hodiérna traditióne monstrávit, Jesus Christus, Fílius tuus, Dóminus noster: Qui tecum vivit et regnat. Senhor santo, Pai onipotente, Deus eterno, nós Vos suplicamos que Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor, Vos torne agradável o nosso sacrifício, Ele que o instituiu no dia de hoje e ensinou a seus discípulos o fizessem em sua memória, e sendo Deus, convosco vive e reina.

Prefácio (da Santa Cruz)

Vere dignum et justum est, æquum et salutáre, nos tibi semper et ubíque grátias ágere: Dómine sancte, Pater omnípotens, ætérne Deus: Qui salútem humáni géneris in ligno Crucis constituísti: ut, unde mors oriebátur, inde vita resúrgeret: et, qui in ligno vincébat, in ligno quoque vincerétur: per Christum, Dóminum nostrum. Per quem majestátem tuam laudant Angeli, adórant Dominatiónes, tremunt Potestátes. Cœli cœlorúmque Virtútes ac beáta Séraphim sócia exsultatióne concélebrant. Cum quibus et nostras voces ut admítti júbeas, deprecámur, súpplici confessióne dicéntes:

Sanctus, Sanctus, Sanctus…

Verdadeiramente é digno e justo, razoável e salutar, que sempre e em todo o lugar, Vos demos graças, ó Senhor santo, Pai onipotente, eterno Deus, que estabelecestes no madeiro da Cruz a salvação do gênero humano, para que renascesse a vida de onde se originara a morte, e o que no lenho vencera, no lenho fosse vencido por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Por Ele louvam os Anjos a vossa Majestade, as Dominações a adoram, tremem as Potestades. Os Céus, as Virtudes dos Céus, e os bem-aventurados Serafins a celebram com recíproca alegria. As suas vozes, nós Vos rogamos, mandeis que se unam as nossas, quando, em humilde confissão, Vos dizemos:

Santo, Santo, Santo…

Há alterações próprias no Cânon para este dia. 

Comunhão (Jo 13: 12, 14 e 15) 

Dóminus Jesus, postquam cœnávit cum discípulis suis, lavit pedes eórum, et ait illis: Scitis, quid fécerim vobis ego, Dóminus et Magíster? Exemplum dedi vobis, ut et vos ita faciátis. O Senhor Jesus, depois de cear com os seus discípulos, lavou-lhes os pés e disse-lhes: Compreendeis o que vos fiz, sendo eu vosso Senhor e Mestre? Dei-vos o exemplo para que também façais o mesmo.

Pós-comunhão

Refécti vitálibus aliméntis, quǽsumus, Dómine, Deus noster: ut, quod témpore nostræ mortalitátis exséquimur, immortalitátis tuæ múnere consequámur. Per D.N. Saciados com este Alimento da vida, nós Vos suplicamos, Senhor, nosso Deus, que pelo Dom de vossa imortalidade alcancemos o que celebramos agora durante nossa vida mortal. Por N. S.

Em lugar de “lte, missa est” diz-se: “Benedicamus Domino”. Não se dá a bênção, nem se lê o Evangelho final. Mas se realiza logo a

SOLENE TRASLADAÇÃO E REPOSIÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Depois da Missa, conduz-se processionalmente o Santíssimo Sacramento ao lugar em que deverá ficar conservado até a tarde de Sexta-feira. Durante a procissão canta-se o seguinte:

Pange lingua gloriósi
Córporis mystérium,
Sanguinísque pretiósi,
Quem in mundi pretium
Fructus ventris generósi,
Rex effúdit géntium.
.
Nobis datus, nobis natus
Ex intácta Vírgine,
Et in mundo conversátus,
Sparso verbi sémine,
Sui moras incolátus
Miro clausit órdine.
.
In suprémae nocte cenae,
Recúmbens cum frátribus,
Observáta lege plene
Cibis in legálibus,
Cibum turbae duodénae
Se dat suis mánibus.
.
Verbum caro, panem verum
Verbo carnem éfficit,
Fitque sanguis Christi merum,
Et si sensus déficit,
Ad firmándum cor sincérum
Sola fides súfficit.
.
Tantum ergo Sacraméntum
Venerémur cérnui:
Et antíquum documéntum
Novo cedat rítui:
Praestet fides suppleméntum
Sénsuum deféctui.
.
Genitóri Genitóque
Laus et jubilátio,
Salus honor virtus quoque
Sit et benedíctio;
Procedénti ab utróque
Compar si laudátio. Amen
Canta, ó língua, este Mistério
Deste Corpo glorioso
Fruto do ventre sagrado
E do Sangue precioso
Que verteu o Rei das gentes
Para a redenção do mundo.
.
Dado a nós, por nós nascido,
De uma Virgem imaculada,
Por entre os homens viveu.
E espalhada a sã doutrina
Quis de modo surpreendente
Seu ministério encerrar.
.
Na noite da ultima ceia
Com seus irmãos posto à mesa
E observada plenamente
A lei suprema da Páscoa
Com as suas próprias mãos
Dá-se aos doze em alimento.
.
O Verbo Encarnado muda
Com sua palavra, em Carne
O nosso pão verdadeiro,
E o vinho em Sangue do Cristo.
Se o sentido o não alcança
A fé viva o peito anima.
.
Este grande Sacramento
Humildemente adoremos
Da antiga lei as figuras
Cedam ao novo Mistério.
À fraqueza dos sentidos
Sirva a fé de suplemento.
.
Ao Pai, ao Filho igualmente
Louvores mil tributemos,
Seus altos dons inefáveis
Por justo tributo honremos:
Ao que de ambos procede
Os mesmos louvores demos. Amen.

Depois da Procissão, rezam-se no Coro as Vésperas. O Celebrante faz em seguida a denudação dos altares (Recitando o Sl 21 – utiliza-se como antífona o versículo 19). A Igreja, privada de seus ornamentos, chora, com tristeza, o abandono em que se encontra nestes dias.


Traduções e comentários extraídos do Missal Quotidiano de D. Beda (1947).

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