Liturgia Diária- 17/03/2018

 SÁBADO DA 4ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria com Comemoração de São Patrício

“Sitientes”, sede das águas vivas da graça. O introito, cuja primeira palavra deu o nome a este sábado, traduz ao mesmo tempo a ardente aspiração dos catecúmenos à graça do batismo e a gratuidade do dom de Deus. A epístola recorda a aliança e a incansável solicitude de Deus pelo seu povo. O evangelho resume numa palavra o que Cristo é para os seus: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não caminhará nas trevas, mas verá a luz da vida”.

Missa admirável, que outrora servia de preparação para o batismo. Cristãos desde há muito, a maior parte mesmo desde a infância, apliquemo-nos a compreender melhor a grandeza dos dons de Deus, a fim de lhe sermos mais fiéis. 

É permitido conferir, neste dia, as ordens sacras.


SÃO PATRÍCIO, Bispo e Confessor

Comemoração- Missa Própria do dia com 2ªs orações da Missa “Statuit”, exceto a Coleta

Nasceu cerca de 385, nas Ilhas Britânicas. Sendo muito novo, foi raptado pelos irlandeses e vendido como escravo. Seis anos depois fugiu para o continente, fez-se monge e recebeu as ordens sagradas, para mais tarde pregar o evangelho na Irlanda. Durante os trinta anos de seu apostolado cobriu a ilha de igrejas e mosteiros. Em 444 fundou a igreja metropolitana de Armagh. Morreu em 461. Hoje, depois de 15 séculos, é considerado pelos irlandeses como seu pai na fé. O dia 17 de março, data de sua morte, é para eles festa de preceito e festa nacional. 


Páginas 289 a 293, 1006 a 1007852 do Missal Quotidiano (Dom Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 19 horas na Capela Nossa Senhora de Lourdes.


LEITURAS

Leitura (Is 49, 8-15)


O regresso dos exilados é o progressivo agrupamento do povo de Deus nas ubérrimas pastagens da sua Igreja. Os dias de salvação, anunciados por Isaías, são ainda atuais para nós.


Leitura do profeta Isaías.

Eis o que diz o Senhor: no tempo da graça eu te atenderei, no dia da salvação eu te socorrerei, (Eu te formei e designei para fazer a aliança com os povos), para restaurar o país e distribuir as heranças devastadas, para dizer aos prisioneiros: Saí! E àqueles que mergulham nas trevas: Vinde à luz! Ao longo de todo o trajeto terão o que comer. Sobre todas as dunas encontrarão seu alimento. Não sentirão fome nem sede; o vento quente e o sol não os castigarão, porque aquele que tem piedade deles os guiará e os conduzirá às fontes. Tornar-lhes-ei acessíveis todas as montanhas, e caminhos atingirão as alturas. Ei-los que vêm de longe, ei-los do norte e do poente, e outros da terra dos sienitas. Cantai, ó céus; terra, exulta de alegria; montanhas, prorrompei em aclamações! Porque o Senhor consolou seu povo, comoveu-se e teve piedade dos seus na aflição. Sião dizia: O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-me. Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca.

Evangelho (Jo 8, 12-20)


na noite de Páscoa, a aclamação do “Lumen Christi” dirá a nossa alegria de possuir a Cristo, luz do mundo, luz da nossa vida.


Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Naquele tempo, falou Jesus às turbas dos judeus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. A isso, eles lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé. Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou. Ora, na vossa lei está escrito: O testemunho de duas pessoas é digno de fé (Dt 19,15). Eu dou testemunho de mim mesmo; e meu Pai, que me enviou, o dá também. Perguntaram-lhe: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não conheceis nem a mim nem a meu Pai; se me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a meu Pai. Estas palavras proferiu Jesus ensinando no templo, junto aos cofres de esmola. Mas ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

 

Liturgia Diária- 16/03/2018

SEXTA-FEIRA DA 4ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

Hoje, como ontem, a epístola e o evangelho falam duma dupla ressurreição, imagem daquela que deve operar-se na alma dos catecúmenos, pelo batismo; imagem, igualmente, da nossa própria ressurreição, pois que a celebração do mistério da Redenção vem, todos os anos, purificar-nos e dar-nos novo estimulo na prática das promessas batismais.

As súplicas de Elias, para conseguir o milagre, opõem-se à simples ordem de Cristo, porquanto o Filho de Deus “é a própria ressurreição e a vida”. É por ocasião do milagre da ressurreição de Lázaro, realizado quase às portas de Jerusalém, na presença de numerosas testemunhas, que Jesus se afirma, com mais clareza, não somente o Senhor da vida natural, mas também o autor duma vida sobrenatural e eterna, que n’Ele tem a sua origem.


Páginas 283 a 289 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 18:30 horas na Capela Nossa Senhora de Lourdes.


LEITURAS

Leitura (II Reis 17, 17-24)


As cenas de ressurreição multiplicam-se ao aproximar-se a Páscoa. Anunciam, a um tempo, o triunfo de Cristo sobre a morte e a passagem do pecado à vida da graça.


Leitura do Segundo Livro dos Reis.

Naqueles dias: Algum tempo depois, o filho desta mulher, dona da casa, adoeceu, e seu mal era tão grave que já não respirava. A mulher disse a Elias: Que há entre nós dois, homem de Deus? Vieste, pois, à minha casa para lembrarme os meus pecados e matar o meu filho? Dá-me o teu filho, respondeu-lhe Elias. Ele tomou-o dos braços de sua mãe e levou-o ao quarto de cima onde dormia e deitou-o em seu leito. Em seguida, orou ao Senhor, dizendo: Senhor, meu Deus, até a uma viúva, que me hospeda, quereis afligir, matando-lhe o filho? Estendeu-se em seguida sobre o menino por três vezes, invocando de novo o Senhor: Senhor, meu Deus, rogo-vos que a alma deste menino volte a ele. O Senhor ouviu a oração de Elias: a alma do menino voltou a ele, e ele recuperou a vida. Elias tomou o menino, desceu do quarto superior ao interior da casa e entregou-o à mãe, dizendo: Vê: teu filho vive. A mulher exclamou: Agora vejo que és um homem de Deus e que a palavra de Deus está verdadeiramente em teus lábios.

Evangelho (Jo 11, 1-45)


Jesus está a poucos dias da sua prisão e morte. É nas vésperas deste combate decisivo, em que vai aniquilar a própria morte, que opera a ressurreição de Lázaro.


Naquele tempo, Lázaro caiu doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com o óleo perfumado e lhe enxugara os pés com os seus cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era seu irmão. Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo. A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus. Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro. Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar. Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia. Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá? Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz. Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo. Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar. Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal. Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.  Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele. A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele. À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro. Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios. Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão. Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa. Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá. Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto? Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo. A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama. Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele. (Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.) Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar. Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver. Jesus pôs-se a chorar. Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava! Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse? Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra. Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí… Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste. Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir. Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.

 

Liturgia Diária- 15/03/2018

QUINTA-FEIRA DA 4ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A epístola e o evangelho anunciam a Ressurreição pascal. Duas viúvas choram a morte de seus filhos; o profeta Eliseu ressuscita o filho único da Sunamita; Jesus, o da viúva de Naim. Semelhança de situações e, sobretudo, semelhança de sinais, escolhidos pela Igreja no Antigo e Novo Testamento, para nos fazer compreender o mistério da renovação espiritual e da ressurreição das almas, que vai celebrar na Páscoa.

Sente a Igreja todos os anos a alegria de ver numerosos filhos seus renascer para a vida da graça, por meio da confissão.


Páginas 280 a 283 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 18:30 horas na Capela Nossa Senhora de Lourdes.


LEITURAS

Epístola (I Reis 4, 25-38)


Eliseu, debruçando-se sobre a criança morta, para lhe restituir a vida, é imagem de Cristo, partilhando a nossa humana condição de mortais, para nos ressuscitar com Ele.


Leitura do Primeiro Livro dos Reis.

Naqueles dias: Uma mulher de Sunam partiu e chegou aonde estava o Eliseu, no monte Carmelo. Eliseu, vendo-a de longe, disse ao seu servo Giezi: Aí vem a sunamita; corre-lhe ao encontro e pergunta-lhe se ela vai bem, como vai o seu marido e o seu filho. Ela respondeu: Tudo vai bem. Mas chegando junto do homem de Deus na montanha, pegou-lhe os pés. Giezi aproximou-se para afastá-la, mas o homem de Deus disse-lhe: Deixa-a; sua alma está cheia de amargura e o Senhor me oculta o motivo, nada me revelou. A mulher disse: Pedi eu porventura um filho ao meu senhor? Não te disse que não zombasses de mim? Eliseu disse a Giezi: Põe o teu cinto, toma na mão o meu bastão e parte. Se encontrares alguém, não o saúdes; e se alguém te saudar, não lhe respondas. Porás o meu bastão no rosto do menino. A mãe do menino exclamou: Por Deus e pela tua vida, não te deixarei! Então Eliseu seguiu-a. Entretanto, Giezi, que os tinha precedido, pôs o bastão no rosto do menino; mas não houve voz, nem sinal de vida. Ele voltou a Eliseu e disse-lhe: O menino não despertou. Eliseu entrou na casa, onde estava o menino morto em cima da cama. Entrou, fechou a porta atrás de si e do morto, e orou ao Senhor. Depois, subiu à cama, deitou-se em cima do menino, colocou seus olhos sobre os olhos dele, suas mãos sobre as mãos dele, e enquanto estava assim estendido, o corpo do menino aqueceu-se. Eliseu levantou-se, deu algumas voltas pelo quarto, tornou a subir e estendeu-se sobre o menino; este espirrou sete vezes e abriu os olhos. Eliseu chamou Giezi e disse-lhe: Chama a sunamita; o que ele fez. Ela entrou e Eliseu disse-lhe: Toma o teu filho. Então ela veio e lançou-se aos pés de Eliseu, prostrando-se por terra. Em seguida tomou o filho e saiu. Quando Eliseu voltou a Gálgala, a fome devastava a terra. Estando os filhos dos profetas sentados diante dele, disse ao seu servo: Toma uma panela grande e prepara uma sopa para os filhos dos profetas.

Evangelho (Lc 7, 11-16)


“Se todos têm olhos para verificar a ressurreição dum morto, como no caso da viúva de Naím, nem todos os têm para ver as ressurreições dos mortos espiritualmente. Para isso, é preciso estar espiritualmente ressuscitado” (Santo Agostinho, em matinas).

Sequência do Santo Evangelho segundo Lucas.

Naquele tempo, dirigiu-se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com ele diversos discípulos e muito povo. Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade. Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores! E aproximando-se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus: Moço, eu te ordeno, levanta-te. Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe. Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para o seu povo.

 

Liturgia Diária- 14/03/2018

QUARTA-FEIRA DA 4ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

Esta quarta-feira chamava-se, outrora, “o dia do grande escrutínio”, porquanto era reservada ao exame que decidiria da admissão dos catecúmenos ao batismo. A reunião estacional tinha lugar em São Paulo “extra muros”, magnífica basílica da via ostiense. Depois do canto do introito, que descreve maravilhosamente a transformação, que o Senhor deve operar nas almas, os catecúmenos eram exorcizados e recebiam a imposição das mãos. Depois das leituras de Ezequiel e Isaías, que falam também daquela transformação lia-se o princípio dos quatro Evangelhos, e explicava-se o Credo e o Pai-nosso. Os Evangelhos, o Credo e o Pai-nosso são, com efeito, os elementos essenciais da Revelação Cristã. 

O evangelho da missa refere-se à cura do cego de nascimento, e ao acolhimento que Jesus lhe fez, depois de o expulsarem da sinagoga. É mais um símbolo do batismo, que derrama nas almas a luz sobrenatural da fé. 


Páginas 273 a 279 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 18:30 horas na Capela Nossa Senhora de Lourdes (Rua Mário Paganini, 220, Roosevelt).


LEITURAS

Leitura (Ez 36, 23-28)


Pelo batismo, Deus adquire um povo novo, congregado de todas as partes, e como que recriado por Ele e transformado, interiormente, por uma mudança radical de vida. 


Leitura do profeta Ezequiel.

Isto diz o Senhor Deus: Quero manifestar a santidade do meu augusto nome que aviltastes, profanando-o entre as nações pagãs, a fim de que conheçam que eu sou o Senhor – oráculo do Senhor Javé -, quando sob seus olhares eu houver manifestado a minha santidade por meu proceder em relação a vós. Eu vos retirarei do meio das nações, eu vos reunirei de todos os lugares, e vos conduzirei ao vosso solo. Derramarei sobre vós águas puras, que vos purificarão de todas as vossas imundícies e de todas as vossas abominações. Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Dentro de vós meterei meu espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos. Habitareis a terra de que fiz presente a vossos pais; sereis meu povo, e serei vosso Deus.

Epístola (Is 1, 16-19)


O batismo supõe a conversão sincera, e, da parte de Deus, é o perdão completo e a porta da amizade divina. 


Leitura do profeta Isaías.

É isto que diz o Senhor Deus: lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva. Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã! Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores frutos da terra;

Evangelho (Jo 9, 1-38)


Para um homem cego de nascimento, ver é o começo duma vida nova, aberta à luz. Este milagre é o símbolo do renascimento batismal na água e no Espírito Santo, princípio de vida nova, inteiramente iluminada pela fé em Jesus.


Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Naquele tempo, caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus. Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar. Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Dito isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com o lodo ungiu os olhos do cego. Depois lhe disse: Vai, lava-te na piscina de Siloé (esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo. Então os vizinhos e aqueles que antes o tinham visto mendigar perguntavam: Não é este aquele que, sentado, mendigava? Respondiam alguns: É ele. Outros contestavam: De nenhum modo, é um parecido com ele. Ele, porém, dizia: Sou eu mesmo.  Perguntaram-lhe, então: Como te foram abertos os olhos? Respondeu ele: Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo. Interrogaram-no: Onde está esse homem? Respondeu: Não o sei. Levaram então o que fora cego aos fariseus. Ora, era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos. Os fariseus indagaram dele novamente de que modo ficara vendo. Respondeu-lhes: Pôs-me lodo nos olhos, lavei-me e vejo. Diziam alguns dos fariseus: Este homem não é o enviado de Deus, pois não guarda sábado. Outros replicavam: Como pode um pecador fazer tais prodígios? E havia desacordo entre eles. Perguntaram ainda ao cego: Que dizes tu daquele que te abriu os olhos? É um profeta, respondeu ele. Mas os judeus não quiseram admitir que aquele homem tivesse sido cego e que tivesse recobrado a vista, até que chamaram seus pais. E os interrogaram: É este o vosso filho? Afirmais que ele nasceu cego? Pois como é que agora vê? Seus pais responderam: Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego. Mas não sabemos como agora ficou vendo, nem quem lhe abriu os olhos. Perguntai-o a ele. Tem idade. Que ele mesmo explique. Seus pais disseram isso porque temiam os judeus, pois os judeus tinham ameaçado expulsar da sinagoga todo aquele que reconhecesse Jesus como o Cristo. Por isso é que seus pais responderam: Ele tem idade, perguntai-lho. Tornaram a chamar o homem que fora cego, dizendo-lhe: Dá glória a Deus! Nós sabemos que este homem é pecador. Disse-lhes ele: Se esse homem é pecador, não o sei… Sei apenas isto: sendo eu antes cego, agora vejo. Perguntaram-lhe ainda uma vez: Que foi que ele te fez? Como te abriu os olhos? Respondeu-lhes: Eu já vo-lo disse e não me destes ouvidos. Por que quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura, tornar-vos também seus discípulos?… Então eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: Tu que és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas deste não sabemos de onde ele é. Respondeu aquele homem: O que é de admirar em tudo isso é que não saibais de onde ele é, e entretanto ele me abriu os olhos. Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem lhe presta culto e faz a sua vontade. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada. Responderam-lhe eles: Tu nasceste todo em pecado e nos ensinas?… E expulsaram-no. Jesus soube que o tinham expulsado e, havendo-o encontrado, perguntou-lhe: Crês no Filho do Homem? Respondeu ele: Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele? Disse-lhe Jesus: Tu o vês, é o mesmo que fala contigo! Creio, Senhor, disse ele. (Aqui todos se ajoelham) E, prostrando-se, o adorou.

 

Liturgia Diária- 13/03/2018

TERÇA-FEIRA DA 4ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 4ª Classe- Missa Própria

Novo Moisés, Jesus é o legislador e salvador do seu povo. Transmite ensinamentos, que vêm de Deus, e legisla como quem tem autoridade. A despeito das resistências, procede como chefe e leva a diante sua obra. Abona-se da autoridade de Moisés, e , como ele e ainda mais do que ele, da autoridade de Deus, que o enviou. Escapa aos seus adversários, que nada podem contra Ele, até que chegue a hora, em que o Mediador e Intercessor todo poderoso se entregue espontaneamente, oferecendo a vida pela salvação dos homens.


Páginas 268 a 272 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre).


 Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Ex 32, 7-14)


A oração de Moisés acalma a cólera divina; a de Jesus, na cruz, obtém o perdão de Deus para todos os homens.


Leitura do Livro de Êxodo.

Naqueles dias: O Senhor disse a Moisés: “Vai, desce, porque se corrompeu o povo que tiraste do Egito. Desviaram-se depressa do caminho que lhes prescrevi; fizeram para si um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele e ofereceram-lhe sacrifícios, dizendo: eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito. Vejo, continuou o Senhor, que esse povo tem a cabeça dura. Deixa, pois, que se acenda minha cólera contra eles e os reduzirei a nada; mas de ti farei uma grande nação.” Moisés tentou aplacar o Senhor seu Deus, dizendo-lhe: “Por que, Senhor, se inflama a vossa ira contra o vosso povo que tirastes do Egito com o vosso poder e à força de vossa mão? Não é bom que digam os egípcios: com um mau desígnio os levou, para matá-los nas montanhas e suprimi-los da face da terra! Aplaque-se vosso furor, e abandonai vossa decisão de fazer mal ao vosso povo. Lembrai-vos de Abraão, de Isaac e de Israel, vossos servos, aos quais jurastes por vós mesmo de tornar sua posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e de dar aos seus descendentes essa terra de que falastes, como uma herança eterna.” E o Senhor se arrependeu das ameaças que tinha proferido contra o seu povo.

Evangelho (Jo 7, 14-31)


Assediado pelos adversários, Jesus confunde-os. Subjuga-os com a grandeza da sua missão e da sua pessoa. Ninguém ousa lançar-lhe a mão, e muitos creem em sua palavra.


Sequência do Santo Evangelho segundo João. 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Lá pelo meio da festa, Jesus subiu ao templo e pôs-se a ensinar. Os judeus se admiravam e diziam: Este homem não fez estudos. Donde lhe vem, pois, este conhecimento das Escrituras? Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se a minha doutrina é de Deus ou se falo de mim mesmo. Quem fala por própria autoridade busca a própria glória, mas quem procura a glória de quem o enviou é digno de fé e nele não há impostura alguma. Acaso não foi Moisés quem vos deu a lei? No entanto, ninguém de vós cumpre a lei!… Por que procurais tirar-me a vida? Respondeu o povo: Tens um demônio! Quem procura tirar-te a vida? Replicou Jesus: Fiz uma só obra, e todos vós vos maravilhais! Moisés vos deu a circuncisão (se bem que ela não é de Moisés, mas dos patriarcas), e até no sábado circuncidais um homem! Se um homem recebe a circuncisão em dia de sábado, e isso sem violar a Lei de Moisés, por que vos indignais comigo, que tenho curado um homem em todo o seu corpo em dia de sábado? Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça. Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: Não é este aquele a quem procuram tirar a vida? Todavia, ei-lo que fala em público e não lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que ele é o Cristo? Mas este nós sabemos de onde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá de onde seja. Enquanto ensinava no templo, Jesus exclamou: Ah! Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou!… Entretanto, não vim de mim mesmo, mas é verdadeiro aquele que me enviou, e vós não o conheceis. Eu o conheço, porque venho dele e ele me enviou. Procuraram prendê-lo, mas ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora. Muitos do povo, porém, creram nele e perguntavam: Quando vier o Cristo, fará mais milagres do que este faz?

 

Liturgia Diária- 12/03/2018

SEGUNDA-FEIRA DA 4ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria, com Comemoração de São Gregório Magno

O paralelismo entre a epístola e o evangelho refere-se, hoje, ao Templo de Salomão. A história do célebre julgamento de Salomão, recorda o prestígio de que gozava, entre o povo de Israel, a memória do grande rei, a quem se devia a construção do Templo. Por contraste, as palavras audaciosas de Jesus, deixam entender que o verdeiro objeto do culto é Ele mesmo, e que o culto prestado no Templo era apenas uma prefiguração.

Prosseguindo a sua doutrinação, a liturgia emprenha-se, mais uma vez, em mostrar que as personagens e toda a história do Antigo Testamento, mais não foram que preparação e anúncio daquilo que Cristo e a sua Igreja deveriam realizar, quando chegasse a plenitude dos tempos.


SÃO GREGÓRIO MAGNO, Papa, Confessor e Doutor

Comemoração- Missa do dia, com 2ªs orações próprias

Depois de ter sido senador e prefeito de Roma, e mais tarde monge, abade e cardeal, São Gregório governou a Igreja como papa de 590 a 604. A Inglaterra deve-lhe a conversão ao cristianismo. Teve grande influência na aquisição dos bárbaros para a Igreja, quando, depois das invasões, a Europa se transformou por completo. Ao mesmo tempo, preocupava-se com a santidade do clero e com a manutenção da disciplina eclesiástica, com os interesses materiais do seu povo e com os interesses espirituais de toda a cristandade. A liturgia deve-lhe bastantes das suas mais belas preces, e o próprio nome de “canto gregoriano” lembra a intervenção do grande papa na elaboração do canto sagrado. Seus comentários sobre a Sagrada Escritura exerceram uma influência considerável sobre o pensamento cristão da Idade Média. É considerado, com Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Jerônimo, um dos quatro grandes doutores da Igreja latina. Morreu no dia 12 de março de 604 e foi sepultado na basílica de São Pedro. 


Páginas 264 a 268 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (I Rs 3, 16-28)


O julgamento de Salomão prefigura a obra de sabedoria e justiça, que Cristo deve realizar. Anuncia o reinado do Rei pacífico.


Leitura do Primeiro Livro dos Reis.

Naqueles dias: Vieram duas prostitutas apresentar-se ao rei. Uma delas disse: Ouve, meu senhor: Esta mulher e eu habitamos na mesma casa, e eu dei à luz junto dela no mesmo aposento. Três dias depois, deu também ela à luz. Ora, nós vivemos juntas, e não havia nenhum estranho conosco nessa casa, pois somente nós duas estávamos ali. Durante a noite morreu o filho dessa mulher, porque o abafou enquanto dormia. Levantou-se ela então, no meio da noite, e enquanto a tua serva dormia, tomou o meu filho que estava junto de mim e o deitou em seu seio, deixando no meu o seu filho morto. Quando me levantei pela manhã para amamentar o meu filho, encontrei-o morto; mas, examinando-o atentamente à luz, verifiquei que não era o filho que eu dera à luz. É mentira!, replicou a outra mulher, o que está vivo é meu filho; o teu é que morreu. A primeira contestou: Não é assim; o teu filho é o que morreu, o que está vivo é o meu. E assim disputavam diante do rei. O rei disse então: Tu dizes: é o meu filho que está vivo, e o teu é o que morreu; e tu replicas: não é assim; é o teu filho que morreu, e o meu é o que está vivo. Vejamos, continuou o rei; trazei-me uma espada. Trouxeram ao rei uma espada. Cortai pelo meio o menino vivo, disse ele, e dai metade a uma e metade à outra. Mas a mulher, mãe do filho vivo, sentiu suas entranhas enternecerem-se e disse ao rei: Rogo-te, meu senhor, que dês a ela o menino vivo; não o mateis; a outra, porém, dizia: Ele não será nem teu, nem meu; seja dividido! Então o rei pronunciou o seu julgamento: Dai, disse ele, o menino vivo a essa mulher; não o mateis, pois é ela a sua mãe. Todo o Israel, ouvindo o julgamento pronunciado pelo rei, encheu-se de respeito por ele, pois via-se que o inspirava a sabedoria divina para fazer justiça.

Evangelho (Jo 2, 13-25)


Jesus anuncia a sua morte e ressurreição. É Ele o Templo que vai ser destruído, mas que Ele mesmo há de restaurar, em três dias. Esta inesperada evocação revela a alma profunda do Salvador, consciente do mistério da redenção, que deve realizar-se em sua pessoa.


Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes. Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68,10). Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo? Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias. Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?! Mas ele falava do templo do seu corpo. Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia. Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos. Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.

 

Liturgia Diária- IV Domingo da Quaresma

Domingo de 1ª Classe- Missa Própria

“Laetare”. É o grito de júbilo, ao chegar o meio da Quaresma, antecipação da alegria pascal, que há de jorrar da Cruz. Em Roma, a estação congregava-se na igreja de Santa Cruz de Jerusalém, escolhida, propositadamente, para cantar as alegrias e as grandezas da nova Jerusalém, a Igreja terrestre e a Cidade celeste. 

No breviário, a Igreja propõe-nos a leitura da história de Moisés, que se resume em dois grandes acontecimentos. Por um lado, Moisés liberta o povo de Deus do cruel cativeiro do Egito, e fá-lo atravessar o Mar Vermelho. É a libertação, o termo da escravatura. Por outro lado, sustenta-o com maná, no deserto, dá-lhe a Lei do Sinai e o conduz para a terra prometida, onde se erguerá, um dia, a Cidade Santa de Jerusalém, à qual todas as tribos se dirigiam anualmente, para cantar a alegria de serem o povo privilegiado, escolhido por Deus.

A missa mostra a realização destas figuras. O verdadeiro Moisés é Cristo, que, tendo-nos libertado da escravidão de Satanás e do pecado, nos faz atravessar as águas do batismo, nos alimenta com a Eucaristia, nos introduz na sua Igreja, a verdadeira Jerusalém e antecipação do Céu, onde os eleitos entoarão, eternamente, o cântico dos resgatados. 

A Igreja sente-se imensamente feliz de possuir estas riquezas, de as ver renovadas incessantemente e de poder comunicá-las. É com este pensamento que, a meio caminho, olhos fitos na Páscoa, a mesma Santa Igreja nos convida a respirar a aragem refrigerante da graça. 

Os paramentos cor-de-rosa, o órgão, as flores do altar, são sinais da sua alegria, que as jubilosas melodias gregorianas vêm, ainda, sublimar. 


Páginas 259 a 264 do Missal Quotidiano.


Missa Rezada às 9:30 horas na Capela São Judas Tadeu e Missa Cantada às 15:30 horas na Catedral Diocesana.


PRÓPRIO DO DIA

Intróito (Isaías 66, 10.11; Salmo 121, 1)

Rejubila, Jerusalém, e vós todos os que a amais, reuni-vos para partilhar do seu júbilo. Regozijai-vos com ela de prazer, vós que tendes vivido na tristeza, porque sereis saciados de consolações abundantes. Sl. Alegrei-me naquilo que me foi dito: Iremos para a casa do Senhor. Glória ao Pai.

Coleta

Concedei, Senhor onipotente, que nós, que somos merecidamente castigados pela nossa má conduta, encontremos refrigério na paz da vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Epístola (Gl 4, 22-31)


Em linguagem alegórica, em que Agar prefigura a Sinagoga, e Sara, a Igreja, São Paulo dá-nos a interpretação duma célebre do Gênesis (16;21,1-21), demostrando que, na economia da salvação, tudo depende do dom de Deus – “a Promessa”. Os herdeiros desta promessa são os que creem em Jesus, que é a sua realização.


Leitura da Epístola de São Paulo aos Gálatas.

Irmãos: A Escritura diz que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. O da escrava, filho da natureza; e o da livre, filho da promessa. Nestes fatos há uma alegoria, visto que aquelas mulheres representam as duas alianças: uma, a do monte Sinai, que gera para a escravidão, é Agar. (O monte Sinai está na Arábia.) Corresponde à Jerusalém atual, que é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém lá do alto é livre e esta é a nossa mãe, porque está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não davas à luz; rejubila e canta, tu que não tinhas dores de parto, pois são mais numerosos os filhos da abandonada do que daquela que tem marido (Is 54,1). Como Isaac, irmãos, vós sois filhos da promessa. Como naquele tempo o filho da natureza perseguia o filho da promessa, o mesmo se dá hoje. Que diz, porém, a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com o filho da livre (Gn 21,10). Pelo que, irmãos, não somos filhos da escrava, mas sim da que é livre.

Gradual (Salmo 121, 1.7)

Alegrei-me com aquilo que me foi dito: Iremos para a casa do Senhor. Haja paz nas tuas muralhas, e abundância nos teus palácios.

Trato (Salmo 124, 1-2)

Aqueles que confiam no Senhor são como a montanha de Sião, porque não vacilará jamais o que habita em Jerusalém. Está cingida de montanhas, e o Senhor vela em volta do seu povo, agora e sempre. 

Evangelho (Jo 6,1-15)


A multiplicação dos pães é anúncio e símbolo da Eucaristia, que é, por excelência, o sacramento pascal, prometido aos batizados. “Os vossos pais comeram o maná, no deserto, e morreram. Eu sou o pão vivo, descido do céu; todo aquele que comer deste pão, viverá eternamente. E o pão, que Eu darei, é a minha carne, para a vida ao mundo”.


Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Naquele tempo, Jesus atravessou o lago da Galiléia (que é o de Tiberíades.) Seguia-o uma grande multidão, porque via os milagres que fazia em beneficio dos enfermos. Jesus subiu a um monte e ali se sentou com seus discípulos. Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus. Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com ele e disse a Filipe: Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer? Falava assim para o experimentar, pois bem sabia o que havia de fazer. Filipe respondeu-lhe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pedaço. Um dos seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes… mas que é isto para tanta gente? Disse Jesus: Fazei-os assentar. Ora, havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se aqueles homens em número de uns cinco mil. Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu-os às pessoas que estavam sentadas, e igualmente dos peixes lhes deu quanto queriam. Estando eles saciados, disse aos discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca. Eles os recolheram e, dos pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram, encheram doze cestos. À vista desse milagre de Jesus, aquela gente dizia: Este é verdadeiramente o profeta que há de vir ao mundo. Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte.

Ofertório (Salmo 134, 3.6)

Louvai o Senhor, porque é bom; cantai ao seu nome um salmo, porque é suave, e fez no Céu e na Terra tudo o que quis.

Secreta

Dignai-Vos olhar, Senhor, com bondade, para este sacrifício, e fazei que nos aproveite ao nosso progresso e à nossa salvação espiritual. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Comunhão (Salmo 121, 3-4)

A Jerusalém, cidade santa, cujas partes formam um todo admirável; lá sobem as tribos do Senhor para louvar o seu nome. 

Pós-comunhão

Concedei-nos, Deus de misericórdia, que celebremos com piedade sincera, e recebamos, de coração pura, aqueles santos mistérios, de que sem cessar nos alimentamos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. 


PARTITURAS E ÁUDIOS

Liturgia Diária- 10/03/2018

SÁBADO DA 3ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 4ª Classe- Missa Própria

Epístola e evangelho põem em evidência o mesmo pensamento: Deus não abandona aqueles que, na angústia, a Ele recorrem com confiança. Em ambos os casos, trata-se duma acusação de adultério, em que o feitiço se volta contra o feiticeiro. Caluniada, a inocente Susana vê a sua confiança recompensada por Deus; culpada, mas arrependida, a mulher adúltera recebe o perdão de seus pecados. Susana, figura de justificação, está sempre no pensamento das primeiras gerações cristãs, que, todavia, se compraziam mais em recordar a proteção divina que a sua inocência. Mais impressionante ainda é esta mesma proteção à mulher adúltera: “Vai, não voltes a pecar”. Em vez de condená-la, a bondade de Jesus convida-a a converter-se de coração.


OS SANTOS QUARENTA MÁRTIRES DE SEBASTE

Comemoração- Missa própria do dia, com 2ªs orações próprias

Durante o reinado do imperador Licínio, em 320, quarenta soldados da guarnição de Sebaste, na Armênia, recusaram sacrificar aos ídolos e foram martirizados por ódio aos cristãos. Conta uma tradição antiga que foram postos nus num tanque gelado. 


Páginas 251 a 258 1004 a 1005 do Missal Quotidiano.


 na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Dn 13, 1-9, 15-17, 19-30 e 33-62)

Leitura do profeta Daniel.

Naqueles dias: Havia um homem chamado Joaquim, que habitava em Babilônia. Tinha desposado uma mulher chamada Suzana, filha de Helcias, de grande beleza, e piedosa, porque havia sido educada segundo a lei de Moisés por pais honestos. Joaquim era sumamente rico. Junto à sua casa havia um pomar. Os judeus reuniam-se freqüentemente em casa dele, porque gozava de uma particular consideradão entre seus compatriotas. Haviam sido nomeados juízes, naquele ano, dois anciãos do povo, aos quais se aplicava bem a palavra do Senhor: A iniqüidade surgiu, em Babilônia, de anciãos juízes que passavam por dirigentes do povo. Esses dois personagens freqüentavam a casa de Joaquim, aonde vinham consultá-los todos aqueles queinham litígio. Lá pelo meio-dia, quando toda essa gente tinha ido embora, Suzana vinha passear no jardim de seu marido. Os dois anciãos viam-na portanto todos os dias durante seu passeio, tanto que se apaixonaram por ela e, perdendo a justa noção das coisas, desviaram os olhos para não ver mais o céu e não ter mais presente no espírito a verdadeira regra de comportamento.Enquanto calculavam qual seria o momento propício, eis que Suzana chegou como de costume, com duas
empregadas, e tomou a resolução de banhar-se, pois fazia calor. Lá não havia ninguém, salvo os dois anciãos escondidos, que a espreitavam. Trazei-me, disse ela às duas empregadas, óleo e ungüentos, e fechai as portas do jardim, para eu me banhar. Apenas saíram, os dois homens precipitaram-se em direção de Suzana. As portas do jardim estão fechadas, disseram-lhe, ninguém nos vê. Ardemos de amor por ti. Aceita, e entrega-te a nós. Se recusares, iremos denunciar-te: diremos que havia um jovem contigo, e que foi por isso que fizeste sair tuas servas. Suzana exclamou tristemente: Que angústias me envolvem por todos os lados! Consentir? Eu seria condenada à morte! Recusar? Nem assim eu escaparia de vossas mãos! Não! Prefiro cair, sem culpa alguma, em vossas mãos, do que pecar contra o Senhor. Suzana soltou grandes gritos, e os dois anciãos gritavam também contra ela. E um deles, correndo às portas do jardim, abriu-as. Com essa balbúrdia, os criados precipitaram-se pela porta do fundo para ver o que havia acontecido. Os anciãos se puseram a falar, e os criados enrubesceram, pois jamais nada de semelhante fora dito de Suzana. No dia seguinte, os dois anciãos, cheios de criminosas intenções contra a vida de Suzana, vieram à reunião que se realizava em casa de Joaquim, marido dela. Disseram, diante da assembléia: Mandem buscar Suzana, filha de Helcias, a mulher de Joaquim! Foram-na buscar, e ela chegou com seus pais, seus filhos e os membros de sua família.Os seus choravam, assim como seus amigos. Os dois anciãos levantaram-se à vista de todos, e pousaram a mão sobre sua cabeça, enquanto ela, debulhada em lágrimas, mas com o coração cheio de confiança no Senhor, olhava para o céu. Os anciãos disseram então: Quando passeávamos pelo jardim, ela entrou com duas servas; depois fechou a porta e mandou embora suas acompanhantes. Então, um jovem que se achava escondido ali, aproximou-se e pecou com ela. Nós nos encontrávamos num recanto do jardim. Diante de tal desvergonhamento, corremos para eles e os surpreendemos em flagrante delito. Não pudemos agarrar o homem, porque era mais forte do que nós, e fugiu pela porta aberta. Ela, nós a apanhamos; mas quando a interrogamos para saber quem era o jovem, recusou-se a responder. Somos testemunhas do fato. Confiando nesses homens, que eram anciãos e juízes do povo, condenaram Suzana à morte. Então ela exclamou bem alto: Deus eterno, vós que penetrais os segredos, que conheceis os acontecimentos antes que aconteçam, sabeis que isso é um falso testemunho que levantaram contra mim. Vou morrer, sem nada ter feito do que maldosamente inventaram de mim. Deus ouviu sua oração. Como a levassem para a morte, o Senhor suscitou o espírito íntegro de um adolescente chamado Daniel, que proclamou com vigor: Sou inocente da morte dessa mulher! Todo mundo virou-se para ele: O que significa isso?, perguntaram-lhe. Então, no meio de um círculo que se formava, disse: Israelitas, estais loucos! Eis que condenais uma israelita sem interrogatório, sem conhecer a verdade! Recomeçai o julgamento, porque é um falso testemunho a declaração desses dois homens contra ela. O povo apressou-se em voltar. Os anciãos disseram a Daniel: Vem sentar conosco e esclarece-nos, pois Deus te deu o privilégio da velhice! Separai-os um do outro, exclamou Daniel, e eu os julgarei. Foram separados. Então Daniel chamou o primeiro e disse-lhe: Velho perverso! Eis que agora aparecem os pecados que cometeste outrora em julgamentos injustos, condenando os inocentes e absolvendo os culpados; no entanto, é Deus quem diz: não farás morrer o inocente e o íntegro. Vamos! Se realmente a viste, dize-nos debaixo de qual árvore os viste juntos. -“Debaixo de um lentisco”, respondeu. “Ótimo!, continuou Daniel, eis a mentira, que pagarás com tua cabeça. Eis aqui o anjo do Senhor que, segundo a sentença divina, vai dividir teu corpo pelo meio”. Afastaram o homem. Daniel mandou vir o outro e disse-lhe: Filho de Canaã! Tu não és judeu: foi a beleza que te seduziu, e a concupiscência que te perverteu. Foi assim que sempre fizeste com as filhas de Israel, as quais, por medo, entravam em relação convosco. Mas eis uma filha de Judá que não consentiu no vosso crime. Vamos, dize-me sob qual árvore os surpreendeste em intimidade. Sob um carvalho. Ótimo!, respondeu Daniel, tu também proferiste uma mentira que vai te custar a vida. Eis aqui o anjo do Senhor, que empunha a espada, prestes a serrar-te pelo meio para te fazer perecer. Logo a assembléia se pôs a clamar ruidosamente e a bendizer a Deus por salvar aqueles que nele põem sua esperança. Toda a multidão revoltou-se então contra os dois anciãos os quais, por suas próprias declarações, Daniel provou terem dado falso testemunho. De acordo com a lei de Moisés, aplicaram o tratamento que tinham querido infligir ao seu próximo: foram mortos. Assim, naquele dia, foi poupada uma vida inocente.

Evangelho (Jo 8, 1-11)


“Os acusadores retiram-se sucessivamente. Ficam apenas duas pessoas: a Miséria e a Misericórdia”. (Santo Agostinho, em matinas).


Sequência do Santo Evangelho segundo João. 

Naquele tempo: Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras. Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso? Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.

 

Liturgia Diária- 09/03/2018

SEXTA-FEIRA DA 3ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A epístola e o evangelho destinavam-se, outrora, a preparar os catecúmenos para o batismo. A água, que Moisés fez brotar da rocha, no deserto, para dessedentar o povo, anuncia aquela água misteriosa de que Jesus fala à samaritana, e que dá a vida eterna. Esta água é a graça do batismo, a graça da penitência e dos outros sacramentos – toda a vida nova, que brota de Cristo. Nela encontram os cristãos com que acalmar, para sempre, a sua sede.


SANTA FRANCISCA ROMANA, Viúva

Comemoração- Missa do dia, com 2ªs orações da missa “Cognovi”, exceto a Coleta

Santa Francisca foi, no século XV, modelo perfeito de esposa cristã no seio da nobreza romana. Depois de lhe morrer o marido retirou-se do mundo para viver num mosteiro de oblatas por ela fundado, To de’ Spechi, perto do Tibre; observava-se nele a regra de São Bento. Deus favoreceu-a com a presença visível do seu anjo da guarda, com o qual a santa conversava familiarmente (coleta). Morreu em 1440 e foi enterrada na igreja de Santa Maria a Nova, depois chamada de Santa Francisca Romana. 


Páginas 245 a 251, 1003 a 1004 894 a 895 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Num 20, 1-3 e 6-13)


A arte cristã primitiva representava Moisés e São Pedro ao lado do rochedo, figura de Cristo; os dois chefes do povo de Deus fazem jorrar a água viva que jamais se há de estancar.


Leitura do Livro dos Números.

Naqueles dias: Toda a assembléia dos filhos de Israel chegou ao deserto de Sin no primeiro mês. O povo ficou em Cades; ali morreu Maria, que foi sepultada no mesmo lugar. Como não houvesse água para a assembléia, o povo se ajuntou contra Moisés e Aarão, procurou disputar com Moisés e gritou: “Oxalá tivéssemos perecido com nossos irmãos diante do Senhor! Moisés e Aarão deixaram a assembléia e dirigiram-se à entrada da tenda de reunião, onde se prostraram com a face por terra. Apareceu-lhes a glória do Senhor, e o Senhor disse a Moisés: “Toma a tua vara e convoca a assembléia, tu e teu irmão Aarão. Ordenareis ao rochedo, diante de todos, que dê as suas águas; farás brotar a água do rochedo e darás de beber à assembléia e aos seus rebanhos.” Tomou Moisés a vara que estava diante do Senhor, como ele lhe tinha ordenado. Em seguida, tendo Moisés e Aarão convocado a assembléia diante do rochedo, disse-lhes Moisés: “Ouvi, rebeldes: acaso faremos nós brotar água deste rochedo?” Moisés levantou a mão e feriu o rochedo com a sua vara duas vezes; as águas jorraram em abundância, de sorte que beberam, o povo e os animais. Em seguida, disse o Senhor a Moisés e Aarão: “Porque faltastes à confiança em mim para fazer brilhar a minha santidade aos olhos dos israelitas, não introduzireis esta assembléia na terra que lhe destino.” Estas são as as águas de Meribá, onde os israelitas se queixaram do Senhor, e onde este fez resplandecer a sua santidade.

Evangelho (Jo 4, 5-42)


Não nos cansamos de reler esta página do Evangelho, na qual a alma de Jesus se revela plenamente. Vindo saciar-nos a sede, Ele próprio sente fome e sede das almas, que deseja salvar.


Sequência do Santo Evangelho segundo João. 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José. Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber. (Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.) Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!… (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.) Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva. A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo… donde tens, pois, essa água viva? És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos? Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna. A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la! Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e volta cá. A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Tens razão em dizer que não tens marido. Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade. Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!… Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar. Jesus respondeu: Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade. Respondeu a mulher: Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Sou eu, quem fala contigo. Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela? A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo? Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos lhe pediam: Mestre, come. Mas ele lhes disse: Tenho um alimento para comer que vós não conheceis. Os discípulos perguntavam uns aos outros: Alguém lhe teria trazido de comer? Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra. Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa. O que ceifa recebe o salário e ajunta fruto para a vida eterna; assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão. Porque eis que se pode dizer com toda verdade: Um é o que semeia outro é o que ceifa. Enviei-vos a ceifar onde não tendes trabalhado; outros trabalharam, e vós entrastes nos seus trabalhos. Muitos foram os samaritanos daquela cidade que creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: Ele me disse tudo quanto tenho feito. Assim, quando os samaritanos foram ter com ele, pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias. Ainda muitos outros creram nele por causa das suas palavras. E diziam à mulher: Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este verdadeiramente o Salvador do mundo. Passados os dois dias, Jesus partiu para a Galileia

 

Liturgia Diária- 08/03/2018

QUINTA-FEIRA DA 3ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

Quase todos os textos falam da saúde espiritual e física, em alusão à tradição, que atribui a estes mártires a profissão de médicos. O evangelho refere várias curas miraculosas, que foram escolhidas intencionalmente. Na quadra quaresmal, curas e expulsões do demônio testemunham a missão do Salvador: Ele arranca os homens do poder de Satanás e restabelece neles o reino de Deus. A pertença a Deus supõe uma verdadeira conversão do coração e a retidão duma vida, que se empenha na prática dos mandamentos. A epístola no-lo recorda: não basta ir à igreja, é preciso mudar de vida.


SÃO JOÃO DE DEUS, Confessor

Comemoração- Missa própria do dia, com 2ªs orações da Missa “Os justi” (1º), exceto Coleta

São João de Deus era português. Foi primeiro pastor, depois mercador e soldado. Tendo se convertido aos 40 anos, consagrou-se ao cuidado dos alienados, e revelou-se, neste ingrato trabalho, um verdeiro inovador e um santo de sobre-humano heroísmo. Fundou a Ordem dos Irmãos Hospitaleiros, que tem o seu nome e foi reconhecida oficialmente em 1586. São joão de Deus morreu em Granada, em 1550. Leão XIII o nomeou patrono dos enfermeiros e dos doentes. 


Páginas 242 a 245, 1003 863 a 864 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 18:30 horas na Capela Nossa Senhora de Lourdes (Rua Mário Paganini, 220, Roosevelt).


LEITURAS

Leitura (Jr 7, 1-7)


Seria vã uma Quaresma de jejuns e preces, se não fosse acompanhada da prática dos mandamentos, particularmente da caridade e da justiça com o próximo.


Leitura do profeta Jeremias.

Naqueles dias:  A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: por que repetis continuamente esse provérbio entre os israelitas: os pais comeram uvas verdes, mas são os dentes dos filhos que ficam embotados? Por minha vida – oráculo do Senhor Javé -, não tereis mais ocasião de repetir esse provérbio em Israel. É a mim que pertencem as vidas, a vida do pai e a vida do filho. Ora, é o culpado que morrerá. O homem justo – que procede segundo o direito e a eqüidade, que não participa dos festins das montanhas, que não volve os olhos para os ídolos da casa de Israel, que não desonra a mulher do próximo, e não tem relação com uma mulher durante o tempo de sua impureza, que não oprime ninguém, que restitui o penhor ao seu devedor, que não exerce a rapina, que dá seu pão aos famintos, e cobre com vestimenta o que está nu, que não empresta à taxa usurária e não recebe com juros, que afasta a sua mão da iniqüidade, e julga eqüitativamente entre um homem e outro, que segue os meus preceitos e observa as minhas leis, para proceder com retidão – esse homem é um justo: certamente viverá. Oráculo do Senhor Javé.

Evangelho (Lc 4, 38-44)

Sequência do Santo Evangelho segundo Lucas.

Naquele tempo: Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela. Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los. Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava. De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque sabiam que ele era o Cristo. Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que não as deixasse. Mas ele disse-lhes: É necessário que eu anuncie a boa nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão. E andava pregando nas sinagogas da Galileia.

 

Liturgia Diária- 07/03/2018

QUARTA-FEIRA DA 3ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

Na primitiva Igreja organizavam-se, hoje, as listas dos candidatos ao batismo. Considerados, desde então, catecúmenos, assistem à ante-missa. Daí, os ensinamentos da epístola e do evangelho sobre os preceitos do decálogo. “Se queres possuir a vida eterna, guarda os mandamentos”. Os dez mandamentos continuam a ser a lei fundamental dos cristãos, como foram dos Judeus. Devem guardar-se fielmente, em toda a sua extensão moral, sem aqueles subterfúgios, que Jesus condenava aos fariseus do seu tempo. Para além dos atos exteriores, é a retidão e a nobreza de sentimento que Deus exige, como homenagem perfeita.


SÃO TOMÁS DE AQUINO, Confessor e Doutor

Comemoração- Missa própria do dia, com 2ªs orações da Missa “In Medio”, exceto a Coleta

Tendo sido primeiro confiado, na idade de cinco anos, aos cuidados dos monges beneditinos do Monte Cassino, São Tomás resolveu depois entrar para a Ordem de São Domingos, de que veio a ser a maior glória. Ensinou filosofia e teologia com tanta ciência e tanto brilho, que se tornou um dos mestes mais importantes do pensamento cristão. A sua pureza e o seu gênio valeram-lhe o título de “doutor angélico”. Morreu no dia 7 de março de 1274 e foi canonizado três anos depois. Leão XIII escolheu-o para patrono do ensino católico.


Páginas 238 a 242, 1002 859 a 860 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Ex 20, 12-24)


A lembrança da promulgação da Lei, no cenário impressionante do Sinai, deve incutir-nos um profundo apreço por ela, como os catecúmenos de outrora.


Leitura do Livro do Êxodo.

Assim disse o Senhor Deus: Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.” Diante dos trovões, das chamas, da voz da trombeta e do monte que fumegava, o povo tremia e conservava-se à distância. E disseram a Moisés: “Fala-nos tu mesmo, e te ouviremos; mas não nos fale Deus, para que não morramos.” Moisés respondeu-lhes: “Não temais, porque é para vos provar que Deus veio e para que o seu temor, sempre presente aos vossos olhos, vos preserve de pecar”. E o povo conservou-se à distância, enquanto Moisés se aproximava da nuvem onde se encontrava Deus. O Senhor disse a Moisés: “Eis o que dirás aos israelitas: vistes que vos falei dos céus. Não fareis deuses de prata, nem deuses de ouro para pôr ao meu lado. Tu me levantarás um altar de terra, sobre o qual oferecerás teus holocaustos e teus sacrifícios pacíficos, tuas ovelhas e teus bois. Em todo lugar onde eu fizer recordar o meu nome, virei a ti para te abençoar.

Evangelho (Mt 15, 1-20)


O decálogo, que Deus confiou a Moisés, é confirmado por Jesus; nada se ab-roga, tudo se aprofunda e completa.


Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tempo: Alguns fariseus e escribas de Jerusalém vieram um dia ter com Jesus e lhe disseram: Por que transgridem teus discípulos a tradição dos antigos? Nem mesmo lavam as mãos antes de comer. Jesus respondeu-lhes: E vós, por que violais os preceitos de Deus, por causa de vossa tradição? Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será castigado de morte (Ex 20,12; 21,17). Mas vós dizeis: Aquele que disser a seu pai ou a sua mãe: aquilo com que eu vos poderia assistir, já oferecia Deus, esse já não é obrigado a socorrer de outro modo a seus pais. Assim, por causa de vossa tradição, anulais a palavra de Deus. Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías: Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim. Vão é o culto que me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13). Depois, reuniu os assistentes e disse-lhes: Ouvi e compreendei. Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem. Então se aproximaram dele seus discípulos e disseram-lhe: Sabes que os fariseus se escandalizaram com as palavras que ouviram? Jesus respondeu: Toda planta que meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz. Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala. Tomando então a palavra, Pedro disse: Explica-nos esta parábola. Jesus respondeu: Sois também vós de tão pouca compreensão? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca vai ao ventre e depois é lançado num lugar secreto? Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso o que mancha o homem. Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias. Eis o que mancha o homem. Comer, porém, sem ter lavado as mãos, isso não mancha o homem.

 

Liturgia Diária- 06/03/2018

TERÇA-FEIRA DA 3ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

Os textos da missa falam principalmente de Redenção e misericórdia. Um dedal de azeite, milagrosamente acrescentado pela intervenção de Eliseu, liberta uma pobre viúva da ameaça de um credor sem piedade. É o símbolo da misericórdia do Salvador, cujos méritos infinitos são o resgate dos nossos pecados (epístola). Ninguém é bom como Deus, e ninguém sabe perdoar como Deus perdoa. A clemência dos judeus limitava-se a perdoar sete vezes; Jesus quer que seus discípulos perdoem sempre: “Setenta vezes sete vezes” (evangelho). Beneficiários da infinita misericórdia de Deus, os cristãos têm por obrigação ser, por sua vez, infinitamente bons e prontos em socorrer-se fraternalmente.


SANTAS PERPÉTUA E FELICIDADE, Mártires

Comemoração- Missa própria do dia, com 2ªs orações próprias

A narrativa do martírio de Santa Perpétua e de Santa Felicidade é uma das mais belas páginas da história dos primeiros séculos, pelos sentimentos que revela em duas mulheres cristãs, quando lhes anunciaram a sua condenação às feras. Conscientes da sua fraqueza, mas seguras da força de Cristo, que combatia com elas, caminhavam para o suplício como para o triunfo para o qual as convidava o próprio Cristo. Foram lançadas às feras no anfiteatro de Cartago, em 203, e acabadas de matar à espada. O seu culto propagou-se rapidamente mesmo para além da África. Seus nomes dizem-se ainda hoje no cânon da Missa. 


Páginas 234 a 238 1001 a 1002 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (II Reis 4, 1-7)

Leitura do Segundo Livro dos Reis.

Naqueles dias: uma mulher dentre as mulheres dos profetas gritou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu, e tu sabes que teu servo era temente ao Senhor; e agora eis que vem o credor levar-me os meus dois filhos para fazer seus escravos. Eliseu disse-lhe: Que queres que eu faça? Dize-me, que tens em tua casa? E ela respondeu: Eu, tua serva, não tenho em minha casa outra coisa, senão um pouco de azeite para me ungir. Disse-lhe Eliseu: Vai, e pede emprestadas as tuas vizinhas bastante vasilhas vazias. Depois, entra, e fecha a tua porta, quando estiveres de dentro tu e os teus filhos; e deita do azeite em todas estas vasilhas; e, estando cheias, as porás a parte. Foi pois a mulher, e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; os filhos chegavam-lhe as vasilhas, e ela as enchia. Cheias que foram as vasilhas, disse ela um de seus filhos: Chega-me cá ainda outra vasilha. E ele respondeu: Não tenho mais. E o azeite cessou (de multiplicar). Foi pois ela, e referiu tudo ao homem de Deus. E ele disse: Vai, vende o azeite, e paga teu credor; e tu e teus filhos viverei do resto.

Evangelho (Mt 18, 15-22)

Sequência do Evangelho segundo Mateus. 

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão.  Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu. Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

 

Liturgia Diária- 05/03/2018

SEGUNDA-FEIRA DA 3ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A liturgia quaresmal era, outrora, dominada pelo batismo dos catecúmenos. Convidam-se hoje a assistir, na quarta-feira da semana seguinte, ao primeiro escrutínio dos catecúmenos. A missa evoca-o, recordando as graças batismais. 

A epístola e o evangelho falam de Naamam, o general sírio, que, obedecendo às indicações do profeta Eliseu, ficou curado da lepra ao banhar-se no Jordão. O próprio Jesus haveria, mais tarde, de mergulhar naquelas mesmas águas, para receber o batismo de João.

“Muitos leprosos havia em Israel, no tempo do profeta Eliseu; porém nenhum deles foi curado, mas sim Naaman, o sírio.” Figura do batismo, a cura de Naaman anuncia, antecipadamente, a universalidade da Redenção.


Páginas 230 a 234 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Epístola (II Reis 5, 1-15)


O pecado é a lepra da alma; a cura de Naaman, o leproso, ajuda a compreender que o batismo é uma cura.


Leitura do Segundo Livro dos Reis.

Naqueles dias: Naamã, general do exército do rei da Síria, gozava de grande prestígio diante de seu amo, e era muito considerado, porque, por meio dele, o Senhor salvou a Síria; era um homem valente, mas leproso. Ora, tendo os sírios feito uma incursão no território de Israel, levaram consigo uma jovem, a qual ficou a serviço da mulher de Naamã. Ela disse à sua senhora: Ah, se meu amo fosse ter com o profeta que reside em Samaria, ele o curaria da lepra! Ouvindo isso, Naamã foi e contou ao seu soberano o que dissera a jovem israelita. O rei da Síria respondeu-lhe: Vai, que eu enviarei uma carta ao rei de Israel. Naamã partiu com dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez vestes de festa. Levou ao rei de Israel uma carta concebida nestes termos: Ao receberes esta carta, saberás que te mando Naamã, meu servo, para que o cures da lepra. Tendo lido a missiva, o rei de Israel rasgou as vestes e exclamou: Sou eu porventura um deus, que possa dar a morte ou a vida, para que esse me mande dizer que cure um homem da lepra? Vede bem que ele anda buscando pretextos contra mim. Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei tinha rasgado as vestes, mandou-lhe dizer: Por que rasgaste as tuas vestes? Que ele venha a mim, e saberá que há um profeta em Israel. Naamã veio com seu carro e seus cavalos e parou à porta de Eliseu. Este mandou-lhe dizer por um mensageiro: Vai, lava-te sete vezes no Jordão e tua carne ficará limpa. Naamã se foi, despeitado, dizendo: Eu pensava que ele viria em pessoa, e, diante de mim, invocaria o Senhor, seu Deus, poria a mão no lugar infetado e me curaria da lepra. Porventura os rios de Damasco, o Abana e o Farfar, não são melhores que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles e ficar limpo? E, voltando-se, retirou-se encolerizado. Mas seus servos, aproximando-se dele, disseram-lhe: Meu pai, mesmo que o profeta te tivesse ordenado algo difícil, não o deverias fazer? Quanto mais agora que ele te disse: Lava-te e serás curado. Naamã desceu ao Jordão e banhou-se ali sete vezes, como lhe ordenara o homem de Deus, e sua carne tornou-se tenra como a de uma criança. Voltando então para o homem de Deus, com toda a sua comitiva, entrou, apresentou-se diante dele e disse: Reconheço que não há outro Deus em toda a terra, senão o de Israel. Aceita este presente do teu servo.

Evangelho (Lc 4, 23-30)


“Nenhum profeta é bem aceito na sua pátria”. Jesus aproveita a oposição que encontra entre seus conterrâneos para anunciar a universalidade de sua missão.


Sequência do Santo Evangelho segundo São Lucas : Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Sem dúvida me citareis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria. E acrescentou: Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria. Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda a terra; mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia. Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu; mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã.  A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga. Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se.

 

Liturgia Diária- III Domingo da Quaresma

Domingo de 1ª Classe- Missa Própria

A missa deste domingo apresenta-nos Jesus a contas com Satanás. Fulmina-o e expulsa-o do corpo dum possesso (evangelho). Logo ao principiar o seu ministério, Jesus teve de medir-se com o demônio. Quando chegar a Paixão travará o combate supremo, mas a vitória está-lhe assegurada. “Vem aí o príncipe deste mundo, mas não tem nenhum poder sobre mim.” O próprio Jesus resume a sua obra como uma vitória definitiva sobre Satanás: “Vai agora ser lançado fora o príncipe deste mundo; quanto a mim, quando for erguido da terra, atrairei todos os homens”.

É, pois, toda a missão de Jesus que nos apresenta, como um combate e um triunfo sobre o demônio. No decurso da Quaresma, a Igreja não podia deixar de o sublinhar. Apresentou-nos, já no primeiro domingo, o evangelho da tentação, cujo sentido foi então explanado. Expulso, hoje, do corpo dum possesso, o demônio vê escapar-se-lhe o domínio que havia usurpado. Estamos a caminho da Paixão e do batismo da noite pascal: depois do exorcismo dos catecúmenos,  Jesus tomará plena posse das almas que resgatou.

A luta contra Satanás prossegue-se na vida dos batizados. Enquanto não reconhecer a Cristo, a humanidade, muda e cega, é presa fácil do demônio; abrindo os olhos para a luz, fixa o Salvador, e, fortalecida com a sua graça, envereda por caminhos novos, longe das trevas do pecado (epístola).


Páginas 225 a 229 do Missal Quotidiano.


Missa Rezada às 9:30 horas na Capela São Judas Tadeu e Missa Cantada às 15:30 horas na Catedral.


PRÓPRIO DO DIA

Introito (Salmo 24, 15-16. 1-2)

Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor, porque Ele desembaraçará dos laços os meus pés. Olhai, Senhor, para mim, e tende compaixão, porque sou sozinho e fraco. Sl. A Vós, Senhor, levantei a minha alma. Tenho confiança em Vós, ó meu Deus, e não serei confundido. Glória ao Pai. 

Coleta

Dignai-Vos satisfazer, Senhor onipotente, as aspirações humildes, e estendei, em nossa defesa, a destra da vossa majestade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Epístola (Ef 5, 1-9)


Arrancados ao jugo de Satanás, príncipe das trevas, enveredamos pelas pegadas de Cristo, isto é, por caminhos de caridade e de pureza, aluminados pelo seu celeste fulgor. 


Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios.

Irmãos: Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes. Não vos comprometais com eles. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade.

Gradual (Salmo 9, 20.4)

Levantai-Vos, Senhor, e não deixeis que os homens levem a melhor: Chamai os povos a juízo. Vós fizestes recuar os meus inimigos, porque diante da vossa face se sentem todos fracos e perecem.

Trato (Salmo 122, 1-3)

A Vós, Senhor, que habitais nos Céus, levantei os meus olhos. Assim como os olhos do servo se fixam nas mãos do senhor. E os da escrava nas mãos da senhora; assim o nosso olhar se fixa no nosso Deus, até que se compadeça de nós. Tende compaixão de nós, Senhor, tende compaixão de nós. 

Evangelho (Lc 11, 14-28)


“Se é pelo poder de Deus que expulso os demônios, é que o Reino de Deus chegou.” Toda e qualquer vitória sobre o demônio é uma projeção do Reino de Deus. Quer se trate de nós, quer dos que nos rodeiam, é isto uma verde incontestável e consoladora.


Sequência do Santo Evangelho segundo Lucas.

Naquele tempo: Jesus expulsava um demônio que era mudo. Tendo o demônio saído, o mudo pôs-se a falar e a multidão ficou admirada. Mas alguns deles disseram: Ele expele os demônios por Beelzebul, príncipe dos demônios. E para pô-lo à prova, outros lhe pediam um sinal do céu. Penetrando nos seus pensamentos, disse-lhes Jesus: Todo o reino dividido contra si mesmo será destruído e seus edifícios cairão uns sobre os outros. Se, pois, Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que expulso os demônios por Beelzebul. Ora, se é por Beelzebul que expulso os demônios, por quem o expulsam vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes! Mas se expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado a vós o Reino de Deus. Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui. Mas se sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as armas em que confiava, e repartirá os seus despojos. Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha. Quando um espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; não o achando, diz: Voltarei à minha casa, donde saí. Chegando, acha-a varrida e adornada. Vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira. Enquanto ele assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram! Mas Jesus replicou: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!

Ofertório (Salmo 18, 9-12)

Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; e os juízos do Senhor são mais suaves que o mel dos favos: E o vosso servo guarda-os fielmente.

Secreta

Que esta vítima, Senhor, nos lave da mácula do pecado, e nos santifique na alma e no corpo, para celebrar dignamente este sacrifício. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Comunhão (Salmo 83, 4-5)

A ave encontrou ninho, e a rola morada, para colocar os seus filhos: São os vossos altares, Senhor dos exércitos, meu Rei e meu Deus! Felizes os que habitam na vossa casa: Eles Vos louvarão eternamente. 

Pós-Comunhão

Dignai-Vos, Senhor, livrar de todo o pecado e perigo aqueles que admitistes à participação dos vossos excelsos mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. 


PARTITURAS E ÁUDIOS

Liturgia Diária- 03/03/2018

SÁBADO DA 2ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

Tal como ontem, a epístola e o evangelho põem em paralelo as lições do Antigo Testamento e a doutrina de Jesus. A epístola, que narra a benção de Isaac, da qual resultou ser Esaú posto de lado, a despeito do seu direito de primogenitura, significa que a eleição de filhos de Deus não depende da linguagem carnal, mas de livre escolha do Senhor. Um homem tinha dois filhos, diz ainda Jesus, exprimindo em parábola a gratuidade absoluta da escolha divina. O mais novo, o pródigo, que vem afinal a converter-se e volta para o pai, é acolhido sem mais título que o de ser amado. É assim que, sem acepção de pessoas, a humanidade inteira e não somente o povo judeu, é chamada a beneficiar, gratuitamente, do regime de salvação instaurado por Cristo.

Estes ensinamentos, que se ministravam, outrora, aos penitentes e catecúmenos, dirige-os agora a Igreja a todos os cristãos. 


Páginas 218 a 224 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Gn 27, 6-40)


Jacó, escolhido em vez de Esaú; Efraim, em vez de Manassés; Davi, em vez de Eliab. Na história do povo eleito manifesta-se continuamente a livre escolha de Deus. “Usarei de misericórdia com quem me aprouver, terei compaixão de quem quiser“.


Leitura do Livro de Gêneses.

Naqueles dias: Rebeca disse a Jacó, seu filho: “Acabo de ouvir teu pai dizer ao teu irmão Esaú para que lhe traga uma caça e lhe prepare um bom prato, a fim de comer e o abençoar diante do Senhor antes de morrer. Ouve-me, pois, meu filho, e faze o que te vou dizer. Vai ao rebanho e traze-me dois belos cabritos. Prepararei com eles um prato suculento para o teu pai, como ele gosta, tu lho levarás e ele comerá, a fim de que te abençoe antes de morrer.”
“Mas, respondeu Jacó à sua mãe, Esaú, meu irmão, é peludo, enquanto eu sou de pele lisa. Se meu pai me tocar, passarei aos seus olhos por um embusteiro e atrairei sobre mim uma maldição em lugar de bênção.” “Tomo sobre mim esta maldição, meu filho, disse sua mãe. Ouve-me somente, e vai buscar o que te digo.” Jacó foi e trouxe os dois cabritos, com os quais sua mãe preparou um prato suculento, como seu pai gostava.  Escolheu as mais belas vestes de Esaú, seu filho primogênito, que tinha em casa, e revestiu com elas Jacó, seu filho mais novo. Cobriu depois suas mãos, assim como a parte lisa do pescoço, com a pele dos cabritos, e pôs-lhe nas mãos o prato suculento e o pão que tinha preparado. Jacó foi para junto do seu pai e disse-lhe: “Meu pai!” ”Eis-me aqui! Quem és, meu filho?” Jacó respondeu: “Eu sou Esaú, teu primogênito; fiz o que me pediste. Levanta-te, assenta-te e come de minha caça, a fim de que tua alma me abençoe.” “Como encontraste caça tão depressa, meu filho?” “É que o Senhor, teu Deus, fez que ela se apresentasse diante de mim.” “Aproxima-te, então, meu filho, para que eu te apalpe e veja se, de fato, és o meu filho Esaú.” Jacó aproximou-se de Isaac, seu pai, que o apalpou e disse: “A voz é a voz de Jacó, mas as mãos são as mãos de Esaú.” E não o reconheceu, porque suas mãos estavam peludas como as do seu irmão Esaú. E abençoou-o. “Tu és bem o meu filho Esaú?” Disse-lhe ele: “Sim.” “(Então) serve-me, para que eu coma de tua caça, meu filho, e minha alma te abençoe.” Jacó serviu-lhe e ele comeu; e trouxe-lhe também vinho, do qual ele bebeu. Então Isaac, seu pai, disse-lhe: “Aproxima-te, meu filho, e beija-me.” E, aproximando-se Jacó para lhe dar um beijo, Isaac sentiu o perfume de suas vestes, e o abençoou nestes termos. “Sim. o odor de meu filho é como o odor de um campo que o Senhor abençoou. Deus te dê o orvalho do céu e a gordura da terra, uma abundância de trigo e de vinho! Sirvam-te os povos e prostrem-se as nações diante de ti! Sê o senhor dos teus irmãos, e curvem-se diante de ti os filhos de tua mãe! Maldito seja quem te amaldiçoar e bendito quem te abençoar!”  Apenas Isaac acabara de abençoar Jacó, e este saíra de junto do seu pai, chegou Esaú da caça. Preparou também ele um prato suculento e trouxe-o ao seu pai, dizendo: “Levanta-te, meu pai, e come da caça do teu filho, a fim de que tua alma me abençoe.” “Quem és tu?”, perguntou-lhe seu pai Isaac. “Eu sou o teu filho primogênito Esaú.” Então Isaac, tomado de emoção violenta, exclamou: “Quem é, pois, aquele que foi à caça e me trouxe o prato que eu comi antes que tu voltasses? Eu o abençoei, e ele será bendito.” Ouvindo estas palavras de seu pai, Esaú soltou um grito cheio de amargura, e disse-lhe: “Abençoa-me também a mim, meu pai!” “Teu irmão, respondeu-lhe Isaac, veio, fraudulentamente, tomar a tua bênção.” Esaú disse então: “Será porque ele se chama Jacó que me suplantou já duas vezes? Tirou-me meu direito de primogenitura, e eis que agora me rouba minha bênção!” E ajuntou: “Não reservaste, porventura, uma bênção também para mim?” Isaac respondeu-lhe: “Eu o constituí teu senhor, e dei-lhe todos os seus irmãos por servos e o estabeleci na posse do trigo do vinho. Que posso ainda fazer por ti, meu filho?” Esaú disse ao seu pai: “Então só tens uma bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai!” E pôs-se a chorar. Isaac tomou a palavra: “Eis, disse ele, que a tua habitação será desprovida da gordura da terra e do orvalho que desce dos céus. Viverás de tua espada, servindo o teu irmão, mas, se te libertares, quebrarás o seu jugo de cima do teu pescoço.”

Evangelho (Lc 15, 11-32)


Grandes que sejam os nossos desvarios, a graça de Deus não nos há de faltar. Podemos subtrair-nos ao dom da graça, recusando-a; mas não poderemos fazer que seja revogado o plano da graça.


Sequência do Santo Evangelho segundo Lucas.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome! Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo. Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele. Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos. E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo! Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.

 

Liturgia Diária- 02/03/2018

SEXTA-FEIRA DA 2ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A epístola e o evangelho põem em evidência o paralelo entre José, vendido pelos irmãos, e Jesus, Filho predileto do Pai, entregue à morte pelos chefes religiosos de Israel. É, a um tempo, o anúncio da Paixão e a condenação dos maus servos de Deus, cuja infidelidade orgulhosa se opõe aos seus planos providenciais. 

Os fariseus e os príncipes dos sacerdotes, aos quais Jesus se dirige, sentem-se atingidos. Despedaçar-se-ão contra Aquele que pretendem afastar. Levando a infidelidade ao ponto de rejeitar o Messias, vão ser eles mesmos os rejeitados, e doravante o povo de Deus há de englobar todas as nações, e será governado por uma hierarquia, cuja missão será garantida pela assistência do Espírito Santo.


Páginas 213 a 217 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Gn 37, 6-22)


José, vendido pelos irmãos, foi depois quem os salvou. Do mesmo modo, Jesus, entregue à morte pelos homens, lhes dará também a vida.


Leitura do Livro de Gênesis.

Naqueles dias: Dise José a seus irmãos: “Ouvi, disse-lhes ele, o sonho que tive: estávamos ligando feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e se pôs de pé, enquanto os vossos o cercavam e se prostravam diante dele.” Seus irmãos disseram-lhe: “Quererias, porventura, reinar sobre nós e tornar-te nosso senhor?” E odiaram-no ainda mais por causa de seus sonhos e de suas palavras. José teve ainda outro sonho, que contou aos seus irmãos. “Tive, disse ele, ainda um sonho: o sol, a lua e onze estrelas prostravam-se diante de mim.” Ele contou isso ao seu pai e aos seus irmãos, mas foi repreendido por seu pai: “Que significa, disse-lhe ele, este sonho que tiveste? Viremos, porventura, eu, tua mãe e teus irmãos, a nos prostrar por terra diante de ti? Seus irmãos ficaram, pois, com inveja dele, mas seu pai guardou a lembrança desse acontecimento. Os irmãos de José foram apascentar os rebanhos de seu pai em Siquém. Israel disse a José: “Teus irmãos guardam os rebanhos em Siquém. Vem: vou mandar-te a eles.” “Eis-me aqui”, respondeu José. “Vai, pois, ver se tudo corre bem a teus irmãos e ao rebanho, e traze-me notícias deles.” Enviou-o do vale de Hebron, e José foi a Siquém. Um homem encontrou-o errando pelo campo: “Que buscas?” perguntou ele. “Busco meus irmãos, respondeu ele. Dize-me onde apascentam os rebanhos.” E o homem respondeu: “Partiram daqui e ouvi-os dizer: Vamos a Dotain.” Partiu então José em busca dos seus irmãos e encontrou-os em Dotain. Eles o viram de longe. Antes que José se aproximasse, combinaram entre si como o haveriam de matar; e disseram: “Eis o sonhador que chega. Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos.” Ouvindo-o, porém, Rubem, quis livra-lo de suas mãos: “Não lhe tiremos a vida, disse ele. Não derrameis sangue. Jogai-o naquela cisterna, no deserto, mas não levanteis vossa mão contra ele.” Pois Rubem pensava livrá-lo de suas mãos para o reconduzir ao pai.

Evangelho (Mt 21, 33-46)


A vinha do Senhor, no Antigo Testamento, é a casa de Israel, objeto do seu amor e dos seus cuidados. Os maus rendeiros, que apenas lhe granjearam frutos amargos, serão substituídos por outros, e então a vinha dará, a seu tempo, os frutos saborosos, que o Senhor espera.


Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país. Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha. Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: Hão de respeitar meu filho. Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança! Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram. Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores? Responderam-lhe: Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo. Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl 117,22)? Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele. [Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair será esmagado.] Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava. E procuravam prendê-lo; mas temeram o povo, que o tinha por um profeta.

 

Liturgia Diária- 01/03/2018

QUINTA-FEIRA DA 2ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

O pensamento expresso na epístola é uma das ideias fundamentais dos grandes profetas: encontramo-lo também nos Salmos (particularmente no Salmo 1) e no livro dos Provérbios. Confiança nos homens, confiança em Deus: a primeira é ilusória; a segunda assegura a nossa felicidade, e dá frutos abundantes. 

A parábola do rico avarento e do pobre Lázaro alveja os fariseus. O homem rico é o protótipo do orgulhoso, que, egoisticamente satisfeito com a benevolência de Deus, não repara que a perde vivendo dessa maneira. A lição é idêntica à da epístola: felizes os pobres de espírito, aqueles que esperam incessantemente em Deus.


Páginas 208 a 212 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Jr 17, 5-10)

Leitura do profeta Jeremias. 

Eis o que diz o Senhor Deus: Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor! Assemelha-se ao cardo da charneca e nem percebe a chegada do bom tempo, habitando o solo calcinado do deserto, terra salobra em que ninguém reside. Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Assemelha-se à árvore plantada perto da água, que estende as raízes para o arroio; se vier o calor, ela não temerá, e sua folhagem continuará verdejante; não a inquieta a seca de um ano, pois ela continua a produzir frutos. Nada mais ardiloso e irremediavelmente mau que o coração. Quem o poderá compreender? Eu, porém, que sou o Senhor, sondo os corações e escruto os rins, a fim de recompensar a cada um segundo o seu comportamento e os frutos de suas ações.

Evangelho (Lc 16, 19-31)

Sequência do Santo Evangelho segundo Lucas. 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico… Até os cães iam lamber-lhe as chagas. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. Gritou, então: – Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas.  Abraão, porém, replicou: – Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. O rico disse: – Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. Abraão respondeu: – Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos! O rico replicou: – Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão. Abraão respondeu-lhe: – Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.

Liturgia Diária- 28/02/2018

QUARTA-FEIRA DA 2ª SEMANA DA QUARESMA 

A epístola nos oferece hoje a oração de Mardoqueu, uma das mais belas que o Antigo Testamento nos legou. A Igreja fá-la sua e a põe, bastas vezes, nos lábios. A prece do povo de Deus conserva sempre o mesmo acento; baseia-se na onipotência do Senhor, nas suas promessas, na sua bondade e misericórdia para com o povo eleito. 

O evangelho lembra-nos a necessidade de participar dos sofrimentos de Cristo, de “beber o seu cálice”, para entrar na glória do Reino celeste. Efetivamente, a grande lição de renúncia de si, para serviço de Deus e do próximo, apresenta-se, aqui, como qualquer coisa premente.


Páginas 205 a 208 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963).


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Ester 13, 8-11; 15-17)

Leitura do Livro de Ester

Naqueles dias Mardoqueu orou ao Senhor, recordando tudo o que havia feito: Senhor, disse, Senhor, rei todo-poderoso, tudo está realmente no vosso poder, e ninguém pode resistir à vossa vontade, se tendes resolvido salvar Israel. Fizestes o céu e a terra e todas as maravilhas que se acham sob a abóbada celeste. Sois o Senhor universal e ninguém poderia opor-se a vós, o Senhor. E agora, Senhor, que sois meu Deus e meu rei, Deus de Abraão, poupai vosso povo, pois nossos inimigos nos querem arruinar e destruir vossa antiga herança. Não desprezeis a vossa porção, que vós resgatastes do Egito. Ouvi minha oração! Sede propício para com a partilha de vossa herança, e mudai em gozo nossa dor, a fim de vivermos para celebrar vosso nome, Senhor, e não fecheis a boca daqueles que vos louvam, ó Senhor!

Evangelho (Mt 20, 17-28)

Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tempo: Subindo para Jerusalém, durante o caminho, Jesus tomou à parte os Doze e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte. E o entregarão aos pagãos para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará. Nisso aproximou-se a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e prostrou-se diante de Jesus para lhe fazer uma súplica. Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. Jesus disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu devo beber? Sim, disseram-lhe. De fato, bebereis meu cálice. Quanto, porém, ao sentar-vos à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim vo-lo conceder. Esses lugares cabem àqueles aos quais meu Pai os reservou. Os dez outros, que haviam ouvido tudo, indignaram-se contra os dois irmãos. Jesus, porém, os chamou e lhes disse: Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão.

 

Liturgia Diária- 27/02/2018

TERÇA-FEIRA DA 2ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria com Comemoração de São Gabriel de Nossa Senhora das Dores

A escolha da epístola e do evangelho deve relacionar-se com a memória de Santa Balbina, que transformou o seu palácio em igreja, onde hoje se reúne a estação, e que distribuiu todos os seus bens pelos pobres. A generosidade duma mulher pagã, a quem o profeta pede que reparta consigo a migalha de pão, que lhe resta, é largamente compensada. Inversamente, a atitude odiosa dos fariseus é denunciada severamente por Jesus. Esta condenação dos chefes do povo eleito, e a graça concedida a uma estrangeira, advertem-nos que a nossa vocação é um privilégio.


SÃO GABRIEL DE NOSSA SENHORA DAS DORES, Confessor

Comemoração- Missa Própria do dia

Este jovem santo italiano, falecido aos 24 anos como São luis Gonzaga, dá-nos como o seu compatriota, o exemplo duma adolescência toda penetrada da graça divina. Nasceu em 1838, fez-se passionista em 1856, recebeu as ordens menores e morreu no dia 27 de fevereiro de 1862. Distinguiu-se dos seus colegas de estudo apenas pela observância exata dos deveres de estado e por um culto muito vivo para com Nossa Senhora das Dores. Foi canonizado por Bento XV em 1920. 


Páginas 201 a 204 997 a 1000 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


 

LEITURAS

Leitura (I Reis 17, 8-16)

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Naqueles dias: Disse o  Senhor a Elias disse-lhe: Vai para Sarepta de Sidon e fixa-te ali: ordenei a uma viúva desse lugar que te sustente. Elias pôs-se a caminho para Sarepta. Chegando à porta da cidade, viu uma viúva que ajuntava lenha. Chamou-a e disse-lhe: Por favor, vai buscar-me um pouco de água numa vasilha para que eu beba. E indo ela buscar-lhe a água, gritou-lhe Elias: Traze-me também um pedaço de pão. Pela vida de Deus, respondeu a mulher, não tenho pão cozido: só tenho um punhado de farinha na panela e um pouco de óleo na ânfora; estava justamente apanhando dois pedaços de lenha para preparar esse resto para mim e meu filho, a fim de o comermos, e depois morrermos. Elias replicou: Não temas; volta e faze como disseste; mas prepara-me antes com isso um pãozinho, e traze-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra. A mulher foi e fez o que disse Elias. Durante muito tempo ela teve o que comer, e a sua casa, e Elias. A farinha não se acabou na panela nem se esgotou o óleo da ânfora, como o Senhor o tinha dito pela boca de Elias.

Evangelho (Mt 23, 1-12)

Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus . 

Naquele tempo, Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse: Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos. Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas. Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens. Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos. E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo.  Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Vós fechais aos homens o Reino dos céus.

 

Liturgia Diária- 26/02/2018

SEGUNDA-FEIRA DA 2ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A epístola da missa, extraída das profecias de Daniel, enfileira entre as mais belas orações da Bíblia: Jerusalém, a cidade santa, culpada e infeliz, implora o perdão. Com o Profeta peçamos a Deus a libertação dos males resultantes da nossa infidelidade, que nos torna a alma como um santuário deserto. Jesus anuncia, no evangelho, a sua Paixão; mas os termos que emprega, são também clara afirmação da sua divindade. “Vós sois da terra…; vós sois deste mundo”. Esta censura é dirigida aos homens de todos os tempos, que recusam acreditar na divindade d”Aquele que morreu na cruz por nossos pecados. 


Páginas 197 a 201 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Epístola (Daniel 9,15-19)

Leitura da Profecia de Daniel.

Naqueles dias, orou Daniel aos Senhor, dizendo: Senhor, nosso Deus, que tirastes vosso povo do Egito por um desígnio de vosso poder, e do qual vós fizestes uma glória que perdura ainda hoje, nós pecamos, nós prevaricamos. Senhor, dignai-vos, pela vossa misericórdia, afastar de vossa cidade santa, Jerusalém, vossa cólera e vossa exasperação, porque é devido às nossas iniquidades e aos pecados de nossos antepassados que Jerusalém e vosso povo são alvo dos insultos de todos os nossos vizinhos. Ouvi, pois, Senhor, a prece suplicante de vosso servo. Por amor a vós mesmo, Senhor, fazei irradiar vossa face sobre vosso santuário deserto. Ó meu Deus, ficai atento para ouvir-nos; abri os olhos para ver nossa ruína e a cidade que ostenta um nome vindo de vós. Não é em nome dos nossos atos de justiça que depositamos a vossos pés nossas súplicas, mas em nome de vossa grande misericórdia. Senhor, escutai! Senhor, perdoai! Senhor, ficai atento! Agi! Por vosso próprio amor, ó meu Deus, não demoreis, pois vosso nome foi dado à vossa cidade e a vosso povo!

Evangelho (Jo 8, 21-29)


Somente quando Jesus for exaltado, pela cruz e pela Ressurreição, é que os homens saberão quem Ele é.


Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Naquele tempo, disse Jesus às turbas dos judeus: Eu me vou, e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir. Perguntavam os judeus: Será que ele se vai matar, pois diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir? Ele lhes disse: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado. Quem és tu?, perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: Exatamente o que eu vos declaro. Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, mas o que me enviou é verdadeiro e o que dele ouvi eu o digo ao mundo. Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai. Jesus então lhes disse: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou. Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado.

Liturgia Diária- II Domingo da Quaresma

Domingo de 1ª Classe- Missa Própria

Continuando a leitura das sublimes paginas da Bíblia, iniciadas na Septuagésima, o oficio de matinas chega, hoje, à benção do patriarca Isaac a seu filho Jacó. Os Santos Padres viram no patriarca Jacó, que suplanta o irmão, para ser, em vez dele, o objeto dos favores divinos, uma figura de Cristo, segundo Adão e novo chefe da humanidade regenerada, “no qual todas as nações serão abençoadas”. O evangelho da transfiguração pareceu-lhes realizar o que a narrativa bíblica havia anunciado: Deus abençoa seu Filho “revestido da nossa carne”, como Isaac abençoara Jacó, oculto nas vestes de seu irmão. Foi por se haver solidarizado conosco, ao ponto de levar ao alto da cruz “uma carne semelhante à nossa carne de pecado”, como diz S. Paulo, que fomos constituídos co-herdeiros de Cristo, único objeto das complacências do Pai. Antes de seguir a Cristo na glória, é mister sofrer as provações desta vida. Na presente condição de fragilidade, que exige o constante socorro da graça, devemos manter corpos e almas na pratica duma vida santa, capaz de agradar a Deus.


Missa Rezada às 9:30 horas na Capela São Judas e Missa Cantada às 15:30 horas na Catedral Diocesana.


LEITURAS

Epístola (I Tes 4, 1-7)

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses : 

Irmãos: Aprendestes de nós a maneira como deveis proceder para agradar a Deus – e já o fazeis. Rogamo-vos, pois, e vos exortamos no Senhor Jesus a que progridais sempre mais. Pois conheceis que preceitos vos demos da parte do Senhor Jesus. Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo santa e honestamente, sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus; e que ninguém, nesta matéria, oprima nem defraude a seu irmão, porque o Senhor faz justiça de todas estas coisas, como já antes vo-lo temos dito e asseverado. Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.

Evangelho (Mt 17, 1-9)

Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tempo: Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais. Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos. 


Por motivos técnicos, a disponibilização do próprio do dia, bem como das partituras e respectivos áudios, não foi possível. 

Liturgia Diária- 24/02/2018

SÁBADO DAS TÊMPORAS DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

As leituras da Missa, reservadas agora para as missas conventuais e de ordenação, são ainda um vestígio das que nesses tempos se faziam durante a noite. 

A modelar ordenação das leituras, dos cânticos e das preces, lembra as antigas vigílias, em que o tema familiar da aliança de Deus com o seu povo reanimava a esperança cristã na plena realização da obra redentora. Os sacerdotes, hoje ordenados, serão para nós as testemunhas desta aliança, os mensageiros da Revelação e os depositários dos tesouros da graça, que Deus outorga à sua Igreja, para transformar-nos a vida e elevá-la para Ele.


SÃO MATIAS, Apóstolo

Comemoração- Missa própria da Têmpora, com 2ªs orações próprias

A epístola da missa conta a eleição de São Matias tal como os Atos dos Apóstolos no-la conservaram. Tinha sido discípulo de Jesus durante toda a vida pública e foi testemunha da Ressurreição; foi ele o designado pela sorte para substituir Judas no colégio apostólico. São Matias é venerado pela Igreja como os doze Apóstolos, cuja voz devia repercutir-se por toda a terra, para dar ao mundo, de geração em geração, o testemunho do que tinha visto e ouvido, vivendo com o Senhor. 


Páginas 185 a 192 994 a 996 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

I Leitura (Dt 26, 12-19)


A aliança de Deus com o seu povo introduz prescrições divinas, que se devem cumprir.


Leitura do Livro do Deuteronômio.  

Naqueles dias, falou Moisés ao povo nestes termos: Quando tiveres acabado dê separar o dízimo de todos os teus produtos, no terceiro ano, que é o ano do dízimo, e o tiveres distribuído ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que tenham em tua cidade do que comer com fartura, dirás em presença do Senhor, teu Deus: tirei de minha casa o que era consagrado para dá-lo ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, como me ordenasses: não transgredi nem omiti nenhum dos vossos mandamentos. Não comi dessas coisas durante o meu luto, nem delas separei coisa alguma em estado de impureza, e delas nada dei a um morto. Obedeci à voz do Senhor, meu Deus, e conformei-me inteiramente às vossas ordens. Olhai de vossa santa morada, do alto dos céus, e abençoar vosso povo de Israel, e a terra que nos destes, como jurasses a nossos pais, terra que mana leite e mel. O Senhor, teu Deus, ordena-te hoje que guardes estas leis e estes preceitos. Observa-os cuidadosamente e pratica-os de todo o teu coração e de toda a tua alma. Hoje, fizeste o Senhor, teu Deus, prometer que ele seria teu Deus, e que andarias nos seus caminhos, observando suas leis, seus mandamentos e seus preceitos, e obedecendo-lhe fielmente. E o Senhor fez-te prometer neste dia, também de tua parte, que serias um povo que lhe pertenceria de maneira exclusiva, como te disse, e que observarias todos os seus mandamentos, para que ele te eleve em glória, renome e esplendor, acima de todas as nações que criou, e sejas, assim, um povo consagrado ao Senhor, teu Deus, como te disse.


Exceto nas Missas Conventuais e nas de Ordenação, pode-se omitir as quatro leituras a seguir, inclusive o hino.


II Leitura (Dt 11, 22-25)


A observância dos mandamentos é penhor seguro de proteção divina.


Leitura do Livro do Deuteronômio

Naqueles dias, disse Moisés aos filhos de Israel: Se observardes fielmente todos os mandamentos que vos prescrevo, amando o Senhor, vosso Deus, andando em seus caminhos e apegando-vos a ele, então o Senhor expulsará de diante de vós todas essas nações, e despojareis povos mais numerosos e mais fortes do que vós. Todo lugar em que pisar a planta de vossos pés vos pertencerá. Vossa fronteiras irão desde o deserto até o Líbano e desde o rio Eufrates até o mar do ocidente. Ninguém vos poderá resistir: o Senhor, vosso Deus, semeará o pânico e o terror de vós em todas as terras onde pisardes, como vos prometeu.

III Leitura(II Mac 1, 23-26 e 27)


Na Igreja, como no antigo Israel, a prece e a oferta do sacrifício são confiadas exclusivamente aos sacerdotes.


Leitura do Livro dos Macabeus.

Naqueles dias: Enquanto se consumiu o sacrifício, os sacerdotes puseram-se a rezar, e todos rezavam com eles; Jônatas entoava, e os outros, como Neemias, juntavam sua voz à dele. Eis a oração: Senhor, Senhor, Deus, criador de todas as coisas, terrível e forte, justo e misericordioso, que sois o rei único e bom, o único generoso, o único justo, todo-poderoso e eterno, vós que livrastes Israel de todo o mal, que fizestes de nossos pais vossos escolhidos e os santificastes, aceitai este sacrifício, oferecido por todo o vosso povo de Israel, guardai vossa parte de eleição e santificai-a. Congregai nossos irmãos dispersos, devolvei a liberdade aos que são escravos entre os pagãos, deitai vosso olhar sobre os que são desprezados e abominados, e que as nações saibam que sois nosso Deus.

IV Leitura (Eclo 36, 1-10)


O povo cristão dirige-se a Deus como povo privilegiado: seguro de que há de perdoar-lhe, e ajudá-lo a levar a bom termo a missão que lhe confiou. 


Leitura do livro da Sabedoria.

Tem piedade de nós, ó Deus de toda as coisas, e volta para nós os teus olhos, e mostra-nos a luz das tuas misericórdias; e espalha o teu temor sobre as nações, que, que não buscaram, para que elas reconheçam que não há outro Deus senão Tu, e publiquem as tuas maravilhas. Levanta a tua mão contra as nações estranhas, para que reconheçam o teu poder. Porque, assim como diante de seus olhos mostrastes em nós a tua santidade, assim também a nossa vista mostra nelas a tua grandeza, para que reconheçam, como também nós reconhecemos, que fora de Ti de, Senhor, não há outro Deus. Renova os teus prodígios e fazes novas maravilhas. Glorifica a tua mão e o teu braço direito. Excita o teu furor, e derrama a tua ira. Destrói o teu adversário, e afinge o inimigo. Apressa o tempo, lembra-te do fim, para que publiquem as tuas maravilhas, Senhor que sois o nosso Deus.

V Leitura (Dn 3, 47-51)

Leitura do profeta Daniel.

Eis o que diz o Senhor Deus: Então, as chamas, subindo a quarenta e nove côvados acima da fornalha, ultrapassaram a grade e queimaram os caldeus que se achavam perto. Mas o anjo do Senhor havia descido com Azarias e seus companheiros à fornalha e afastava o fogo. Fez do centro da fogueira como um lugar onde soprasse uma brisa matinal: o fogo nem mesmo os tocava, nem lhes fazia mal algum, nem lhes causava a menor dor. Então os três jovens elevaram suas vozes em uníssono para louvar, glorificar e bendizer a Deus dentro da fornalha, neste cântico:

Hino (Daniel 3, 52-56)


Mais que ação de graças, este hino é um cântico de louvor, cheio de candura à glória de Deus criador, que se faz o Salvador do seu povo.


Bendito sois, Senhor, Deus dos nossos pais: E digno de louvor e glória por todos os séculos.
E bendito o santo nome da vossa glória: E digno de louvor e glória por todos os séculos.
Bendito sois no Templo santo da vossa glória: E digno de louvor e glória por todos os séculos.
Bendito sois pelo santo Trono do vosso Reino: E digno de louvor e glória por todos os séculos.
Bendito sois pelo Cetro da vossa Divindade: E digno de louvor e glória por todos os séculos.
Bendito sois Vós, que estais sentado sobre os Querubins, perscrutando os abismos: E digno de louvor e glória por todos os séculos.
Bendito sois Vós, que andais sobre as asas dos ventos, e sobre as ondas do mar: E digno de louvor e glória por todos os séculos.
Bendigam-Vos todos os Anjos e Santos: E que Vos louvem e glorifiquem por todos os séculos.
Bendigam-Vos os Céus, a Terra, o Mar e tudo o que neles existe: E que Vos louvem e glorifiquem por todos os séculos.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo: E ao que é digno de louvor e glória por todos os séculos.
Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém: E ao que é digno de louvor e glória por todos os séculos.
Bendito sois, Senhor, Deus dos nossos pais: E digno de louvor e glória por todos os séculos.

Epístola (I Tes 5, 14-23)


Curto programa de vida cristã, inspirado em São Paulo, tem como nota dominante a expectativa da vinda gloriosa de Cristo.


Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses

Irmãos, Pedimo-vos, que corrijais os desordeiros, encorajai os tímidos, amparai os fracos e tende paciência para com todos. Vede que ninguém pague a outro mal por mal. Antes, procurai sempre praticar o bem entre vós e para com todos. Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom. Guardai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!

Evangelho (Mt 17, 1-9)


Gravem-se em nossas almas de crentes as grandezas de Jesus transfigurado, e tenhamo-las presentes nas humilhações da Paixão. Moisés e Elias, isto é, a Lei e os Profetas (todo o Antigo Testamento) e a própria voz do Pai, dão testemunho da sua missão.


Sequência do Santo Evangelho segundo São Mateus

Naquele tempo: Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais. Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.

 

Liturgia Diária- 23/02/2018

SEXTA-FEIRA DAS TÊMPORAS DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A epístola e o evangelho proclamam que a misericórdia divina está sempre ao nosso alcance. Sejam quais forem as faltas cometidas e o apego ao pecado, Deus está pronto a perdoar, desde que haja arrependimento. Já o afirmava Ezequiel. Jesus prova-o, por sua vez, com um milagre de bondade condescendente, cujo sentido simbólico a todos é evidente: Ele mesmo supre a impotência do paralítico, que implora a cura. 


SÃO PEDRO DAMIÃO, Bispo, Confessor e Doutor

Comemoração- Missa própria da Sexta-feira com 2ªs orações da Missa “In Medio” (exceto Coleta)

De temperamento ardente e duramente educado no contato com a miséria, São Pedro Damião tinha a vocação de reformador. Exerceu primeiro esta vocação contra si próprio, sendo eremita em Fontavellana em 1035, até que os seus irmão de hábito o elegeram abade (1043). Em 1057 Estevão IX o fez cardeal-bispo de Óstia. Foi um dos mais preciosos colaboradores dos papas do século XI, na sua campanha pela reforma da Igreja, pela palavra e pela pena. Morreu em Faenza em 22 de fevereiro de 1072. O título de Doutor da Igreja lhe foi dado pelo papa Leão XII, em 1823. 


Páginas 181 a 185 e 993 do Missal Quotidiano.


LEITURAS

Leitura (Ez 18, 20-28)


Não quer Deus a morte do pecador, mas que mude de conduta, para possuir a vida (Ezequiel 33,11).


Leitura do Livro do Profeta Ezequiel.

Eis o que diz o Senhor Deus: É o pecador que deve perecer. Nem o filho responderá pelas faltas do pai nem o pai pelas do filho. É ao justo que se imputará sua justiça, e ao mau a sua malícia.  Se, no entanto, o mau renuncia a todos os seus erros para praticar as minhas leis e seguir a justiça e a equidade, então ele viverá decerto, e não há de perecer. Não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas: ele há de viver por causa da justiça que praticou. Terei eu prazer com a morte do malvado? – oráculo do Senhor Javé. – Não desejo eu, antes, que ele mude de proceder e viva? E, se um justo abandonar a sua justiça, se praticar o mal e imitar todas as abominações cometidas pelo malvado, viverá ele? Não será tido em conta qualquer dos atos bons que houver praticado. É em razão da infidelidade da qual se tornou culpado e dos pecados que tiver cometido que deverá morrer. Dizeis: não é justo o modo de proceder do Senhor. Escutai-me então, israelitas: o meu modo de proceder não é justo? Não será o vosso que é injusto? Quando um justo renunciar à sua justiça para cometer o mal e ele morrer, então é devido ao mal praticado que ele perece. Quando um malvado renuncia ao mal para praticar a justiça e a equidade, ele faz reviver a sua alma. Se ele se corrige e renuncia a todas as suas faltas, certamente viverá e não perecerá.

Evangelho (Jo 5, 1-15)


Incapazes de nos levantar, devemos, como o paralítico, suspirar por Cristo, que vem salvar-nos.


Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Naquele tempo: Houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos. Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, de cegos, de coxos e de paralíticos, que esperavam o movimento da água. [Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.] Estava ali um homem enfermo havia trinta e oito anos. Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus: Queres ficar curado? O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; enquanto vou, já outro desceu antes de mim. Ordenou-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda. No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou o seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado. E os judeus diziam ao homem curado: E sábado, não te é permitido carregar o teu leito. Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda. Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda? O que havia sido curado, porém, não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão que estava naquele lugar. Mais tarde, Jesus o achou no templo e lhe disse: Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior. Aquele homem foi então contar aos judeus que fora Jesus quem o havia curado.

 

Liturgia Diária- 22/02/2018

CÁTEDRA DE SÃO PEDRO

Festa de 2ª Classe- Missa Própria com Comemoração da Quinta-feira

catedra-sao-pedro

A festa da cadeira de São Pedro em Roma é muito antiga. No século VI, porém, desapareceu do calendário romano, provavelmente por cair na Quaresma. Reapareceu, então, na Gália em duas datas, 18 de janeiro e 22 de fevereiro, celebrando-se na primeira a cadeira de Roma, e na segunda, a de Antioquia. Foi deste modo que a Igreja universal celebrou as duas festas por muito tempo, até que, em 1960, com a reforma das rubricas, elas se reduziram a uma festa, no dia de hoje. 

Festejar a cadeira de São Pedro é venerar, na pessoa de Pedro, os desígnios providenciais de Deus, que o escolheu para chefe dos Apóstolos e primeiro pastor de sua Igreja. Todos os papas, bispos de Roma e sucessores de Pedro, são, como ele foi, os chefes da Igreja única e verdadeira, fundada por Nosso Senhor. Têm a missão de transmitir a doutrina do Salvador e de nos conduzir em seu nome. 


Páginas 989 a 993 do Missal Quotidiano.


Hoje não haverá Missa, como noticiado aqui no blog.


LEITURAS

Epístola (I Pedro 1, 1-7)

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo .

Irmãos: Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são estrangeiros e estão espalhados no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia eleitos segundo a presciência de Deus Pai, e santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo e receber a sua parte da aspersão do seu sangue. A graça e a paz vos sejam dadas em abundância. Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos. É isto o que constitui a vossa alegria, apesar das aflições passageiras a vos serem causadas ainda por diversas provações, para que a prova a que é submetida a vossa fé (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo se manifestar.

Evangelho (Mt 16,13-19)


A fé de Pedro e os poderes excepcionais que recebe de Cristo, formam para sempre, através da linha ininterrupta dos seus sucessores, a rocha inabalável em que se apoia a verdadeira Igreja.


Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tempo: Chegando ao território de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

 

Liturgia Diária- 21/02/2018

QUARTA-FEIRA DAS TÊMPORAS DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

As Quatro-Têmporas da primavera coincidem com a primeira semana da Quaresma. Pela escolha das leituras e dos cânticos, integram-se, perfeitamente, na fisionomia geral do Tempo. 

As duas leituras do Antigo Testamento, tradicionais na quarta-feira de Têmporas, lembram hoje os quarenta dias de jejum de Moisés e de Elias, preludiando ao grande jejum de Cristo e ao jejum anual da Igreja. O jejum fortifica as almas, e a sua ação purificadora prepara o encontro com Deus. O evangelho recorda a penitência dos Ninivitas, e, evocando a sorte de Jonas, anuncia a morte e ressurreição de Cristo.


Páginas 172 a 177 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Ex 24, 12-18)


Moisés, subindo a montanha, sugere-nos que ninguém se deve aproximar, sem preparação, da majestade divina.


Leitura do Livro do Êxodo.

Naqueles dias o Senhor disse a Moisés: “Sobe para mim no monte. Ficarás ali para que eu te dê as tábuas de pedra, a lei e as ordenações que escrevi para sua instrução.” Moisés levantou-se com Josué, seu auxiliar, e subiu o monte de Deus. E disse aos anciãos: “Esperai-nos aqui até que voltemos. Tendes convosco Aarão e Hur. Se alguém tiver um litígio, dirigir-se-á a eles.” Moisés subiu ao monte. A nuvem cobriu o monte e a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, que ficou envolvido na nuvem durante seis dias. No sétimo dia, o Senhor chamou Moisés do seio da nuvem. Aos olhos dos israelitas a glória do Senhor tinha o aspecto de um fogo consumidor sobre o cume do monte. Moisés penetrou na nuvem e subiu a montanha. Ficou ali quarenta dias e quarenta noites.

Epístola (I Reis 19, 3-8)


É longo o caminho que conduz a Deus, mas Ele mesmo, vindo em socorro de nossa fragilidade, nos sustenta na marcha.


Leitura do Livro dos Reis.

Elias chegando a Bersabéia, em Judá, deixou ali o seu servo, e andou pelo deserto um dia de caminho. Sentou-se debaixo de um junípero e desejou a morte: Basta, Senhor, disse ele; tirai-me a vida, porque não sou melhor do que meus pais. Deitou-se por terra, e adormeceu debaixo do junípero. Mas eis que um anjo tocou-o, e disse: Levanta-te e come. Elias olhou e viu junto à sua cabeça um pão cozido debaixo da cinza, e um vaso de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. Veio o anjo do Senhor uma segunda. vez, tocou-o e disse: Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer. Elias levantou-se, comeu e bebeu e, com o vigor daquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites, até Horeb, a montanha de Deus.

Evangelho (Mt 12, 38-50)


“O mistério da Igreja exprime-se aqui com toda a clareza: é ela que, seguindo o exemplo de penitência dos Ninivitas, e o zelo da rainha do Sul em procurar a sabedoria, se congrega, de todos os cantos da Terra, para receber os ensinamentos do pacífico Salomão” (Santo Ambrósio, em matinas).


Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tempo: Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre. Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas: do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra. No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas. No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão. Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por lugares áridos à procura de um repouso que não acha. Diz ele, então: Voltarei para a casa donde saí. E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada. Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta geração perversa. Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar. Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te. Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

 

Liturgia Diária- 20/02/2018

TERÇA-FEIRA DA 1ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A Quaresma é um tempo, em que Deus mais se aproxima de nós, pronto a perdoar-nos as faltas, desde que nos esforcemos por evitar o mal. Responder a seus apelos, enveredar por seus caminhos, é libertar-nos da nossa mesquinhez e permitir-Lhe realizar, em nós, os seus sublimes desígnios (epístola). Expulsemos o pecado do nosso coração, como Jesus expulsou os vendilhões do Templo, e então Deus retomará, em nossa vida, o lugar que Lhe compete. 


Páginas 169 a 172 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Is 55, 6-11)


A primeira e a segunda frase desta epístola repetir-se-ão todos os dias, como premente exortação, em prima e sexta do ofício ferial.  


Leitura do Profeta Isaías.

Naqueles dias:  Falou o profeta Isaías, dizendo: Buscai o Senhor, enquanto se pode encontrar; invocai-O. Renuncie o malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente. Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos. Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão.

Evangelho (Mt 21, 10-17)


“A alma e a consciência dos fiéis são o templo e a casa de Deus. A alma dos fiéis deixa de ser a casa de Deus, quando, abandonando a inocência e a simplicidade cristãs, se preocupa apenas com a riqueza e com tudo aquilo que pode lesar o próximo” (S. Beda, em matinas).


Sequência do Santo Evangelho segunto Mateus.

Naquele tempo: Quando Jesus entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este? A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia. Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas, e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é uma casa de oração (Is 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)! Os cegos e os coxos vieram a ele no templo e ele os curou, com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que assistiam a seus milagres e ouviam os meninos gritar no templo: Hosana ao filho de Davi! Disseram-lhe eles: Ouves o que dizem eles? Perfeitamente, respondeu-lhes Jesus. Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor (Sl 8,3)? Depois os deixou e saiu da cidade para hospedar-se em Betânia.

 

Liturgia Diária- 19/02/2018

SEGUNDA-FEIRA DA 1ª SEMANA DA QUARESMA

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

Não devia ser sem uma certa emoção que catecúmenos e penitentes ouviam a profecia de Ezequiel, em que Deus se lhes apresentava como um pastor reunindo, de todos os lados, as ovelhas dispersas e abandonadas (epístola). Este primeiro reagrupamento prepara um outro, no fim do mundo, quando separando as ovelhas dos bodes, Cristo as introduzirá definitivamente no reino de seu Pai.


Páginas 165 a 169 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Ez 34, 11-16)


A antiga abside da basílica de São Pedro “ad Vincula” representava o Bom Pastor, no meio das ovelhas, cena esta que se encontrava nas catacumbas e nos velhos cemitérios.


Leitura da profecia de Ezequiel.

Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu mesmo vou tomar o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas. Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas. Eu as recolherei dentre os povos e as reunirei de diversos países, para reconduzi-las ao seu próprio solo e fazê-las pastar nos montes de Israel, nos vales e nos lugares habitados da região. Eu as apascentarei em boas pastagens, elas serão levadas a gordos campos sobre as montanhas de Israel; elas repousarão sobre as verdes relvas, terão sobre os montes de Israel abundantes pastagens. Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar – oráculo do Senhor Javé. A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça.

Evangelho (Mt 25, 31-46)


Misericordioso conosco, Deus julgar-nos-á igualmente pelas nossas obras de misericórdia; é uma exigência de sua Lei, e Ele dá como feito a si mesmo aquilo que se fizer ao mais pequenino dos seus.


Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus. 

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: – Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: – Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: – Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: – Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: – Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? E ele responderá: – Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.

Liturgia Diária- I Domingo da Quaresma

Domingo de 1ª Classe- Missa Própria

A cena da tentação, no limiar da vida pública de Jesus, proclama, de maneira impressionante, a inversão de situações, que a Redenção vai operar no mundo. Naquilo mesmo, em que Adão havia sucumbido, Cristo, o novo chefe da humanidade, triunfará sobre o poder de Satanás: na hora da paixão será destronado o “príncipe deste mundo”. O evangelho da tentação é prenúncio da vitória de Cristo. Colocando este evangelho no princípio da Quaresma, a Igreja proclama que esta vitória há de ser a nossa. Dentro de nós e à nossa volta, é a tentação, o combate, a vitória de Cristo que continua: o nosso esforço e o seu; as nossas forças, as suas; e o nosso triunfo no dia de Páscoa será também o seu. Lancemo-nos, por conseguinte e confiadamente, no combate, cujo programa de São Paulo nos traçou na epístola da missa. É uma revisão de toda a vida cristã. Enchamo-nos de coragem, considerando que o progresso da vida cristã em nós, é a continuação do triunfo de Cristo. 

A liturgia quaresmal é uma liturgia de confiança. O salmo 90, que é essencialmente o salmo da confiança, fornece o trato e todas as partes cantáveis da missa deste dia. Dele serão também os versículos do ofício até o Tempo da Paixão . São dias de salvação os dias da Quaresma, “o tempo propício” por excelência, para emendarmos a nossa vida. A Igreja insiste neste ponto, para que, ao chegar a Páscoa, possamos celebrar, purificados de corpo e alma, o mistério da Paixão e da Ressurreição do Senhor.


Páginas 159 a 164 do Missal Quotidiano.


Missa Rezada às 9:30 horas na Capela São Judas Tadeu e Missa Cantada às 15:30 horas na Catedral Santa Terezinha. 


PRÓPRIO DO DIA

Introito (Salmo 90, 15-16.1)

Invocar-me-á , e Eu ouvi-lo-ei: Salvá-lo-ei e glorificá-lo-eu, e enchê-lo-ei de largos dias. Sl. O que habita à sombra do Altíssimo descansará sob a proteção do Deus dos céus. Glória ao Pai. 

Coleta

Ó Deus, que purificais anualmente a vossa Igreja com a observância do jejum quaresmal, fazei que a vossa família alcance, por boas obras, o que porfia merecer pela abstinência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Epístola (II Cor 6, 1-10)


Exortação premente a que não recebamos em vão a graça de Deus. Ao dirigir-no-la, São Paulo descreve o seu combate pessoal e mostra que a vitória de Cristo se manifesta numa vida como a sua. 


Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios.

Irmãos: Exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação. A ninguém damos qualquer motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja criticado. Mas em todas as coisas nos apresentamos como ministros de Deus, por uma grande constância nas tribulações, nas misérias, nas angústias, nos açoites, nos cárceres, nos tumultos populares, nos trabalhos, nas vigílias, nas privações; pela pureza, pela ciência, pela longanimidade, pela bondade, pelo Espírito Santo, por uma caridade sincera, pela palavra da verdade, pelo poder de Deus; pelas armas da justiça ofensivas e defensivas, através da honra e da desonra, da boa e da má fama. Tidos por impostores, somos, no entanto, sinceros; por desconhecidos, somos bem conhecidos; por agonizantes, estamos com vida; por condenados e, no entanto, estamos livres da morte. Somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes; indigentes, porém enriquecendo a muitos; sem posses, nós que tudo possuímos!

Gradual (Salmo 90, 11-12)

O Senhor incumbiu os seus anjos de velar por ti, e que te guardassem em todos os teus caminhos. Levar-te-ão em suas mãos, para que não tropeces.

Trato (Salmo 90, 1-7. 11-16)


Cântico pleno de certezas. Aquele que confia no Senhor, nada tem a recear.


O que habita à sobra do Altíssimo, na proteção do Deus do Céu descansará. Dirá ao Senhor: TU és o meu defensor e o meu refúgio; o meu Deus em Quem esperei. Porque Ele livrou-me do laço dos caçadores e das palavras venenosas. Cobrir-te-á com as suas asas , e debaixo das suas penas viverás na esperança. A sua verdade cercar-te-á como um escudo, e não recearás os terrores da noite, nem a seta que voa de dia, nem o inimigo que anda nas trevas nem os assaltos do demônio do meio-dia. Cairão mil ao teu lado, e dez mil à tua direita. a ti, porém, nada te atingirá. Porque Ele incumbiu os seus anjos de velar por ti, e que te guardassem em todos os seus caminhos. Eles te levarão nas suas mãos, para que não tropeces nas pedras do caminho. Sobre o áspide e o basilisco andarás, e calcarás aos pés o leão e o dragão. Por que esperou em Mim, livrá-lo-ei; protegê-lo-e, porque conheceu o meu Nome. Clamará a Mim, e Eu ouvi-lo-e: com ele estou na tribulação. Livrá-lo-ei, e glorificá-lo-ei: enchê-lo-ei  de dias, e mostrar-lhe-ei a minha salvação.

Evangelho (Mt 4, 1-11)


“Não é indigno do nosso Redentor permitir que fosse tentado, Ele que viera entregar-se à morte. Convinha, porém, que pelas suas tentações, triunfasse das nossas, pois que viera com sua morte vencer a nossa” (São Gregório, em matinas).


Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome. O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3). O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe: Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s). Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16). O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13). Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.

Ofertório (Salmo 90, 4-5)

O Senhor cobrir-te-á com as suas asas, e debaixo das suas penas viverás na esperança. A sua verdade cercar-te-á como um escudo.

Secreta

Oferecendo-Vos solenemente, Senhor, este sacrifício no princípio da Quaresma, humildemente Vos pedimos que, pela restrição dos alimentos corporais nos leveis a não cair nos prazeres pecaminosos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Comunhão (Salmo 90, 4-5)

O Senhor cobrir-te-á com as suas asas, e debaixo das suas penas viverás na esperança. A sua verdade cercar-te-á como um escudo.

Pós-comunhão

Fazei, Senhor, que este divino sacramento nos renove as forças, e, purificando-nos dos erros do homem velho, nos faça entrar na posse do mistério da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.


PARTITURAS E ÁUDIOS

Liturgia Diária- 17/02/2018

SÁBADO DEPOIS DE CINZAS

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A missa de sábado das Cinzas não existiu durante muito tempo. Por isso a que agora vem no missal, é uma recompilação das partes cantáveis da missa de sexta-feira precedente. A epístola continua o capítulo de Isaías, iniciado ontem. As exortações do profeta concordam perfeitamente com as instruções gerais da Quaresma. Para se reconciliar com Deus, beneficiar dos seus dons, aspirar à herança prometida a nossos pais, é mister perdoar o próximo e fazer-lhe bem. O evangelho põe em relevo a influência pacificante e lenitiva de Cristo, a partir do momento em que aparece em meios aos nossos desvarios e misérias. No coração, em que Deus brilha pela graça do amor, não há assalto de vícios, nem do mundo hostil, nem dos espíritos malignos que não sejam repelidos e reduzidos ao silêncio. (Matinas, homilia de São Beda).


Páginas 155 a 158 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Is 58, 9-14)

Leitura do Profeta Isaías.

Eis o que diz o Senhor: Se expulsares de tua casa toda a opressão, os gestos malévolos e as más conversações; se deres do teu pão ao faminto, se alimentares os pobres, tua luz levantar-se-á na escuridão, e tua noite resplandecerá como o dia pleno. O Senhor te guiará constantemente, alimentar-te-á no árido deserto, renovará teu vigor. Serás como um jardim bem irrigado, como uma fonte de águas inesgotáveis. Reerguerás as ruínas antigas, reedificarás sobre os alicerces seculares; chamar-te-ão o reparador de brechas, o restaurador das moradias em ruínas. Se te abstiveres de calcar aos pés o sábado, de cuidar de teus negócios no dia que me é consagrado, se achares o sábado um dia maravilhoso, se achares respeitável o dia consagrado ao Senhor, se tu o venerares não seguindo os teus caminhos, não te entregando às tuas ocupações e às conversações, então encontrarás tua felicidade no Senhor: eu te farei galgar as alturas da terra, e gozar a herança de Jacó, teu pai; porque a boca do Senhor falou.

Evangelho (Mc 6, 47-56)


Jesus cura os doentes do corpo, mas reserva, para as almas, curas muito mais maravilhosas, autênticas ressurreições, que as levarão da morte à vida.


Sequência do Santo Evangelho segundo Marcos.

Naquele tempo: À noite, achava-se a barca no meio do lago e ele, a sós, em terra. Vendo-os se fatigarem em remar, sendo-lhes o vento contrário, foi ter com eles pela quarta vigília da noite, andando por cima do mar, e fez como se fosse passar ao lado deles. À vista de Jesus, caminhando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma e gritaram; pois todos o viram e se assustaram. Mas ele logo lhes falou: Tranquilizai-vos, sou eu; não vos assusteis! E subiu para a barca, junto deles, e o vento cessou. Todos se achavam tomados de um extremo pavor, pois ainda não tinham compreendido o caso dos pães; os seus corações estavam insensíveis. Navegaram para o outro lado e chegaram à região de Genesaré, onde aportaram. Assim que saíram da barca, o povo o reconheceu. Percorrendo toda aquela região, começaram a levar, em leitos, os que padeciam de algum mal, para o lugar onde ouviam dizer que ele se encontrava. Onde quer que ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de suas vestes. E todos os que tocavam em Jesus ficavam sãos.

 

Liturgia Diária- 16/02/2018

SEXTA-FEIRA DEPOIS DE CINZAS

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

A epístola e o evangelho insistem sobre o espírito de sacrifício e de renúncia que devem animar o nosso jejum. A penitência permaneceria estéril, se não fosse acompanhada de bondade, de caridade, de perdão – disposições de alma fundamentais, que, aos olhos de Deus, dão valor ao nosso esforço. A Igreja nos lembra frequentemente no decurso destas semanas quaresmais “Frange esurienti panem tuum: reparti o pão com o esfomeado…”. O ofício ferial repetirá, como refrão, esta solene exortação. 


Páginas 150 a 154 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Epístola (Is 58, 1-9)


Rezar e jejuar de nada valem, se faltar a caridade.


Leitura do Profeta Isaías.

Eis o que diz o Senhor: Clama em alta voz, sem constrangimento; faze soar a tua voz como a corneta. Denuncia a meu povo suas faltas, e à casa de Jacó seus pecados. Sem dúvida eles me procuram dia após dia, desejam conhecer o comportamento que me agrada, como uma nação que houvesse sempre praticado a justiça, sem abandonar a lei de seu Deus. Informam-se junto a mim sobre as exigências da justiça, desejam a presença de Deus. De que serve jejuar, se com isso não vos importais? E mortificar-nos, se nisso não prestais atenção? É que no dia de vosso jejum, só cuidais de vossos negócios, e oprimis todos os vossos operários. Passais vosso jejum em disputas e altercações, ferindo com o punho o pobre. Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima vossa voz. O jejum que me agrada porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia? Curvar a cabeça como um junco, deitar sobre o saco e a cinza? Podeis chamar isso um jejum, um dia agradável ao Senhor? Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? – diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo. É repartir seu alimento com o esfaimado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos, em lugar de desviar-se de seu semelhante. Então tua luz surgirá como a aurora, e tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se; tua justiça caminhará diante de ti, e a glória do Senhor seguirá na tua retaguarda. Então às tuas invocações, o Senhor responderá, e a teus gritos dirá: Eis-me aqui! Se expulsares de tua casa toda a opressão, os gestos malévolos e as más conversações;

Evangelho (Mt 5, 43-48; 6, 1-4)


A caridade cristã não tem medida: inspira-se na de Deus, e exerce-se no segredo, unicamente sob o olhar do Pai dos Céus. 


Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tem disse Jesus: Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito. Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.

 

Liturgia Diária- 15/02/2018

 QUINTA-FEIRA DEPOIS DE CINZAS

Féria de 3ª Classe- Missa Própria

Compostas no século VIII, numa época em que Roma se encontrava sob a iminência da invasão dos Lombardos, as missas das quintas-feiras da Quaresma procuram incutir ao povo cristão, os sentimentos que o devem animar em ocasião de perigos graves. 

A de hoje convida-nos à penitência e à confiança na eficácia da oração. Foi por meio dela que Ezequias obteve o prolongamento da vida (epístola) e o centurião romano, a cura do seu servo (evangelho). É pela penitência que Deus nos restitui a paz e repele os castigos da sua cólera (orações).


SANTOS FAUSTINO E JOVITO, Mártires

Comemoração- Missa própria da Quinta-feira depois de Cinzas, com 2ªs orações próprias

São dois mártires de Bríxia, cidade italiana, e dela padroeiros. Umas atas bastante posteriores ao seu martírio apresenta-os como irmãos, sendo Faustino sacerdote e Jovito diácono.


Páginas 147 a 150 988 a 989 do Missal Quotidiano.


Missa às 18:30 horas na Capela São Judas Tadeu.


LEITURAS

Leitura (Is 38, 1-6)


A prece do rei Ezequias tem por efeito o prolongamento da vida e o afastamento da iminente invasão de Jerusalém, pelos exércitos assírios. A história da intervenção de Deus em prol do seu povo é o penhor de uma providência que jamais se desmente.


Leitura do profeta Isaías.

Naquele tempo, Ezequias esteve doente, quase à morte. O profeta Isaías, filho de Amós, veio ter com ele e lhe disse: Eis o que disse o Senhor: põe em ordem a tua casa porque vais morrer, não te restabelecerás. Então Ezequias voltou-se para a parede e se pôs a orar ao Senhor; Senhor, disse ele, lembrai-vos de que tenho andado diante de vós com lealdade, de todo o coração, segundo a vossa vontade. E chorava abundantemente. Depois a palavra do Senhor foi dirigida a Isaías nestes termos: Vai dizer a Ezequias: eis o que diz o Senhor, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi tua oração e vi tuas lágrimas, prolongarei tua vida por quinze anos, livrar-te-ei, a ti e a esta cidade, das mãos do rei da Assíria. Protegerei esta cidade.

Evangelho (Mt 8, 5-13)


“Muitos virão do Oriente e do Ocidente…”. Os catecúmenos viam, nesta página evangélica, uma predição a seu respeito. A Igreja inteira continua a ser a realização, sempre atual, deste vaticínio.


Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 

Naquele tempo: Entrou Jesus em Cafarnaum. Um centurião veio a ele e lhe fez esta súplica: Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito. Disse-lhe Jesus: Eu irei e o curarei. Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado. Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz… Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel. Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó, enquanto os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes. Depois, dirigindo-se ao centurião, disse: Vai, seja-te feito conforme a tua fé. Na mesma hora o servo ficou curado.

Tempo da Quaresma

EXPOSIÇÃO DOGMÁTICA

 O Tempo da Septuagésima já nos demonstrou a necessidade de nos unirmos, pelo espírito de penitência, à obra redentora do Salvador. Pelo jejum e outros exercícios de penitência, a Quaresma vai associar-nos a Ele de maneira efetiva. Mas não há Quaresma que valha, sem esforço pessoal de retificação da vida e de a viver com mais fidelidade, reparando, por qualquer privação voluntária, as negligências de outros tempos. Paralelamente a este esforço, que exige de cada um de nós, a Igreja ergue diante de Deus a cruz de Cristo, o Cordeiro de Deus, que tomou sobre Si os pecados dos homens, e que é o verdadeiro preço da nossa Redenção. À medida que nos aproximarmos da Semana Santa, o pensamento da Paixão tornar-se-á predominante, até chegar o momento de prender por completo a nossa atenção. Já desde o começo da Quaresma, ela nos está presente, e é em união com os sofrimentos de Cristo que o exército cristão vai entregar-se à «santa quarentena», indo ao encontro da Páscoa com a alegre certeza de partilhar da Ressurreição do Senhor.

Via Crucis – Caminho da Cruz

A Via Crucis é um ato litúrgico celebrado pela Igreja Católica para relembrar a paixão e morte de Jesus Cristo. Realizada normalmente durante a Semana Santa e nas sextas-feiras do período da Quaresma. Os católicos meditam diante de uma série de quadros que representam as principais cenas da saga de Jesus.

Esta maneira de meditar teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis que peregrinavam na Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém. Em suas pátrias, compartilharam esta devoção à Paixão. O número de 14 estações fixou-se no século XVI.

Aqui você encontra as meditações de cada estações.

Esses quadros – ou estações, como são chamados – contam a trajetória de Jesus desde o momento de Sua condenação até Seu sepulcro. Aparecem em seqüência: a condenação, Jesus carregando a cruz, o encontro com Maria, a ajuda que recebeu de Simão Cirineu, as três vezes em que caiu, o consolo às mulheres de Israel, a ocasião em que Verônica enxugou seu rosto, o momento em que foi despido, sua crucificação, morte, a descida da cruz e, por fim, seu sepultamento.

Estação I – Jesus condenado à morte

01 Estacao - Jesus condenado à morte

Estação II – Jesus com a cruz às costas

02 Estacao - Cruz as costas

Estação III – Jesus cai debaixo da cruz, primeira vez

03 Estacao -

Estação IV – Jesus encontra sua Mãe Santíssima

04 Estacao - Jesus encontra sua Mãe Santíssima

Estação V – O Cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz

05 Estacao - O Cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz2

Estação VI – A Verônica enxuga a face de Jesus

06 Estacao - A Verônica enxuga a face de Jesus2

Estação VII – Jesus cai, segunda vez

07 Estacao - Jesus cai, segunda vez

Estação VIII – Jesus consola as mulheres de Jerusalém

08 Estacao - Jesus consola as mulheres de Jerusalém

Estação IX – Jesus cai, terceira vez

09 Estacao - Jesus cai, terceira vez1

Estação X – Jesus despido da túnica inconsútil

10 Estacao - Jesus é despojado de suas vestes2

Estação XI – Jesus pregado na cruz

11 Estacao - Jesus pregado na cruz2

Estação XII – Jesus expira na cruz

12 Estacao - Jesus expira na cruz

Estação XIII – Jesus descido da cruz

13 Estacao - Jesus é descido da cruz2

Estação XIV – Jesus depositado no sepulcro

14 Estacao - Jesus depositado no sepulcro2

O Tempo da Quaresma

Lembrete: Amanhã, 18/02/2015, às 19:30, a Santa Missa de Quarta-Feira de Cinzas, será celebrada na Capela Nossa Senhora do Rosário.Rosario

Endereço: Praça Rui Barbosa – Centro

Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverentis. (Lembra-te homem, que és pó, e em pó te hás de converter.)


O TEMPO DA QUARESMA

1. Significação deste Tempo. Durante estes quarenta dias os Cristãos se unem intimamente aos sofrimentos e à morte do Divino Salvador, a fim de ressuscitarem com Ele para uma vida nova, nas grandes solenidades pascais.

Nos primeiros tempos do Cristianismo esta ideia fundamental achava sua aplicação no Batismo dos catecúmenos e na reconciliação dos penitentes. Por toda a liturgia da Quaresma, a Igreja instruía os pagãos que se preparavam para o Batismo. No sábado santo mergulhava-os nas fontes batismais, de onde saíam para uma vida nova, como Cristo do túmulo. Por sua vez os fiéis, gravemente culpados, deviam fazer penitência pública e cobrir-se de cinzas (Quarta-feira de cinzas), para acharem uma vida nova em Jesus Cristo. Convém reparar nestes dois elementos, para compreender a liturgia da Quaresma e a escolha de muitos textos sagrados.

2. Nossa participação neste Tempo. No ofício das Matinas do I. domingo, lemos o sermão que o Papa S. Leão Magno, no século V, dirigiu ao povo, explicando a liturgia da Quaresma: “Sem dúvida, diz ele, os Cristãos nunca deveriam perder de vista estes grandes Mistérios… porém esta virtude é de poucos E preciso contudo que os Cristãos sacudam a poeira do mundo. A sabedoria divina estabeleceu este tempo propício de quarenta dias, a fim de que as nossas almas se pudessem purificar, e por meio de boas obras e jejuns, expiassem as faltas de outros tempos. Inúteis seriam porém os nossos jejuns, se neste tempo os nossos corações se não desapegassem do pecado”.

Lendo estas palavras, parece-nos assistir à abertura de um retiro. Com efeito, a Quaresma é o grande retiro anual de toda a família cristã, sob a direção maternal e segundo o método da Santa Igreja. Este retiro terminará pela confissão e comunhão geral de todos os seus filhos, associados assim, realmente, a Ressurreição do Divino Mestre, e ressurgindo por sua vez a uma vida nova.

As práticas exteriores que devem desenvolver em nós o espírito do Cristo e unir-nos a seus sofrimentos, são o jejum, a oração e a esmola.

O jejum é imposto pela santa Igreja a todos os fiéis, depois de 21 anos completos até atingirem os 60 anos. Seria um engano pernicioso não reconhecer a utilidade desta mortificação corporal. Seria menosprezar o exemplo do próprio Cristo e pecar gravemente contra a autoridade de sua Igreja. O Prefácio da Quaresma nos descreve os efeitos salutares do jejum, e aqueles que por motivos justos são dele dispensados não o estarão do jejum espiritual, isto é, de se privarem de festas, teatros, leituras puramente recreativas, etc.

A oração. Assim como a palavra jejum abrange todas as mortificações corporais, da mesma maneira compreende a palavra oração todos os exercícios de piedade feitos neste tempo, com um recolhimento particular, como sejam: a assistência à santa Missa, a Comunhão frequente, a leitura de bons livros, a meditação especialmente da Paixão de Jesus Cristo, a Via Sacra e a assistência às pregações quaresmais.

A esmola compreende as obras de misericórdia para com o próximo. Já no Antigo Testamento está dito: “Mais vale a oração acompanhada do jejum e da esmola do que amontoar tesouros” (Tob. 12, 8).

Praticando essas obras, preparavam-se antigamente os catecúmenos / para o Batismo que iam receber no sábado de Aleluia, enquanto os penitentes públicos se submeteram a elas com espírito de dor e arrependimento de coração. Saibamos também nós que aquele que não faz penitência perecerá para toda a eternidade (Luc. 13, 3).

Renovemos era nós a graça do Batismo e façamos dignos frutos de penitência. Os textos das Missas, a cada passo nos exortam a isto.

Convém entretanto evitar que a nossa piedade seja excitada por compaixão sentimental ou tristeza exagerada. Sim, é um combate, uma morte terrível que vamos contemplar, mas é também, e sobretudo, uma vitória, um triunfo. Em verdade assistiremos a uma luta gigantesca do homem novo; ouviremos os seus gemidos, seguiremos os seus passos sangrentos, contaremos todos os seus ossos; mas isto é apenas um episódio de sua vida; o desenlace é um grito de vitória, um canto de triunfo.

3. Particularidades deste Tempo. A cor dos paramentos é a violácea. Omite-se completamente o Aleluia, e o Glória só se canta nas festas dos Santos. Os altares são despojados dos seus enfeites e o órgão se cala, menos no IV Domingo. No fim das Missas do Tempo, o Sacerdote diz: Benedicámus Domino, em vez de Ite, Missa est, para exortar os fiéis a perseverarem na oração.

Cada dia deste tempo tem a sua “estação”, com indulgências especiais e uma liturgia própria, cujos Cânticos e Leituras nos incitam à penitência e à conversão, enquanto as Orações imploram para nós o perdão e a graça.

In Missal Quotidiano, D. Beda Keckeisen, O.S.B., Tipografia Beneditina, LTDA, Bahia, junho de 1957.