[Liturgia] Solenidade do Divino Espírito Santo

Pentecostes quer dizer o quinquagésimo dia depois da Páscoa. Esta solenidade, a terceira do tempo pascal, é ao mesmo tempo a sua conclusão e o seu complemento. Usando de uma comparação, para melhor esclarecimento, digamos: na festa da Páscoa levantou-se o Sol divino, Jesus Cristo, que agora, na festa de Pentecostes, está em pleno zênite e nos acalenta e vivifica.

Pela Páscoa nascemos para uma vida nova. Pentecostes nos comunica a plenitude dessa vida.

Neste dia nasceu a Igreja. Terminara Jesus sua obra de Redenção. Era, pois, necessário assegurar-lhe os frutos, e para esse fim enviou dez dias depois o Divino Espírito Santo. À Religião do Amor havia de espalhar-se como um fogo ardente sobre o orbe inteiro.

“Dia de Pentecostes! exclama S. João Crisóstomo, tu selaste a missão do Filho do Eterno, tu marcaste o termo das visões e dos oráculos, em ti começou a época da nossa reconciliação, tu formaste nossa inteira liberdade e asseguraste para sempre nossa ventura e nossa felicidade.”

Santo Agostinho diz que “o dia de Pentecostes é um dia cheio de mistérios, de sacramentos e de bênçãos, dia em que os Apóstolos ficaram cheios de graças, de dons e de privilégios. A datar deste dia, rios de bênçãos se espalharam por toda a terra. O Espírito Santo, descendo sobre os Apóstolos faz desaparecer as trevas que envolviam sua razão, reanima sua fraqueza, dissipa sua timidez e imprime em seus corações o valor e a coragem. Estes espíritos grosseiros, simples e ignorantes, iluminados repentinamente do Espírito Santo compreendem todas as verdades, mesmo as mais sublimes e ocultas à inteligência humana; o Espírito Santo os instrui sem estudos e sem livros e ficam tão persuadidos que se prontificam a morrer em defesa de suas crenças. – Dia de Pentecostes! dia soleníssimo e para sempre memorável que faz romper em transportes de júbilo a todo o povo cristão pela redondeza da terra.”

O Divino Espírito Santo é Deus como o Pai e o Filho, desde toda a eternidade. E um só com o Pai e o Filho. Sua missão é renovar a face da terra, e Ele a cumpre assistindo a Igreja, guardando nela pura e infalível, a doutrina, suscitando novos Apóstolos e missionários da fé. O Espírito Santo, diz Santo Agostinho, é na Igreja o que a alma é em nosso corpo.

Três lugares há na Igreja onde o Espírito Santo opera de maneira especial: o confessionário, o púlpito e o altar. Recebei o Espírito Santo, disse Jesus conferindo aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados. O Sermão é obra não do homem, mas do Divino Espírito Santo. O Sacerdote é apenas o instrumento para propagar a doutrina da Igreja. A santa Missa ainda é mais particularmente obra do Espírito Santo. Assim como se operou o milagre da Encarnação pelo Divino Espírito Santo, assim é o Divino Espírito que transubstancia o pão e o vinho em Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Eis o motivo porque o Sacerdote no Ofertório da Missa implora a Benção do Espírito Santo.

O sacerdote é apenas o instrumento para propagar a doutrina da Igreja . A Santa Missa ainda é mais particularmente obra do Espírito Santo. Assim como se operou o milagre da Encarnação pelo Divino Espírito Santo, assim é o Divino Espírito que transubstancia o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Eis o motivo por que o Sacerdote, no Ofertório da Missa, implora a bênção do Espírito Santo.

Devemos, pois, ter uma fé firme na ação do Divino Espírito Santo e um grande desejo por sua vinda na Igreja e em nós. “Vinde, Espírito Santo e enchei os corações de vossos fiéis” . Com grande alegria
celebramos esta solenidade associando-nos à santa Igreja, que canta no Prefácio: “Por isso, pela descida do Espírito Santo, o mundo inteiro exulta com imenso gozo”.

A importância do Mistério de Pentecostes, sendo tão grande na economia do Cristianismo, não é de admirar que a Igreja lhe tenha destinado, na santa Liturgia, a mesma categoria que para a festa de Páscoa. Como nesta , o Batismo era conferido na noite do sábado antecedente.

A cor litúrgica desta solenidade e de toda a oitava é a vermelha, que simboliza o fogo do Amor divino que o Espírito Santo ateou nas almas. “ln eis ignem accende”. Até nos três dias das Têmporas, se conservam os ornamentos vermelhos. A partir deste período, as festas dos Santos – frutos do Espírito Santo – são mais frequentes. Celebrando hoje e durante a oitava, a santa Missa, tenhamos a firme convicção de que também em nossas almas se renova este Mistério.


Fonte: Dom Beda Keickeisen. Missal Quotidiano. 23ª edição. Salvador: Editora Beneditina, 1962. p. 482-484.

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