Liturgia Diária- Domingo de Ramos

Domingo de 1ª Classe- Missa Própria – Estação em São João do Latrão

(Paramentos vermelhos durante a Procissão e ritos anexos, e roxos para a Missa)

É o domingo que precede à festa da Páscoa e dá início à Semana  Santa. Antes da Missa principal se realiza a bênção dos ramos com a procissão. Desta bênção e desta procissão, já encontramos vestígios claros no século V.

Se deveras queremos compreender a liturgia deste domingo, cumpre colocarmo-nos bem no meio do cenário onde se vai desenrolar o doloroso drama, e, para que possamos atingir esse objetivo, útil será recordarmos os acontecimentos dos últimos dias da vida do Divino Salvador aqui na terra.

Jesus, à frente de . uma romaria, vai de Jericó a Betânia, onde os hospedam com os seus amigos Lázaro, Maria e Marta, que, para O homenagearem, dão um banquete. É nessa ocasião que Maria unge com arômatas a cabeça de Jesus. Indignado com este desperdício, Judas rompe com seu Mestre. Muita gente vem a Betânia para ver a Jesus e a Lázaro ressuscitado: Com estas multidões parte Jesus no dia seguinte em direção a Jerusalém, passando pelo monte das Oliveiras. Festiva é sua entrada, como narra Evangelho. O povo aclama o Messias. Honras dignas ‘de um Rei são-Lhe tributadas, enquanto os fariseus, cada vez mais, se enraivecem. Contemplando a cidade, Jesus chora, lastimando-lhe a infelicidade e a sorte triste que a espera. Entra solenemente no templo, mas nessa mesma tarde regressa a Betânia.

Esses são os principais fatos históricos em que se firma a liturgia deste domingo, que consta de duas partes bem distintas:  Bênção e procissão dos ramos: Alegre e triunfal. Porque nela aclamamos o Cristo, Rei e Vencedor. Paramentos vermelhos. A Santa Missa – Profundamente triste. Porque nela contemplamos o Homem das Dores. Paramentos roxos.


Páginas 326 a 349 do Missal Quotidiano. (Para a Missa: a partir da pág. 336)


PRÓPRIO DO DIA

SOLENE PROCISSÃO DOS RAMOS

Os discípulos e o povo cortaram ramos de palmeiras e oliveiras e os espalharam pelo chão em homenagem ao seu Rei. Comemorando Esse fato, a Igreja benze hoje esses ramos. As Orações exprimem muito bem o seu simbolismo, a Paixão de Jesus Cristo, e também a imagem da vida do Cristo, de seus combates e vicissitudes, da paz e da misericórdia de Deus. São, além disso, um sacramental que recebemos das mãos do Sacerdote e devemos guardar religiosamente em nossas casas. Durante o ano eles nos lembram que somos destinados ao combate, à luta com o Cristo. Devemos crescer, como a palmeira e a oliveira, ricos em virtudes e boas obras, e assim também seremos vencedores com o Cristo.

BENÇÃO DOS RAMOS

Omitindo-se a aspersão com água benta, canta o coro:

Introito (Sl 30, 10, 16 e 18 | ib., 2)

osánna fílio David: benedíctus, qui venit in nómine Dómini. O Rex Israël: Hosánna in excélsis

Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja O que vem em Nome do Senhor! Rei de Israel! Hosana nas alturas!

O Celebrante benze os ramos e canta:

℣. Dominus vobiscum. ℞. Et cum spíritu tuo.

Orémus. Bene✠dic, quǽsumus, Dómine, hos palmárum seu olivárum ramos: et præsta; ut, quod pópulus tuus in tui veneratiónem hodiérna die corporáliter agit, hoc spirituáliter summa devotióne perfíciat, de hoste victóriam reportándo et opus misericórdiæ summópere diligéndo. Per Dóminum nostrum…. ℞. Amen.

℣. O Senhor esteja convosco. ℞. E com o teu espírito.

Oremos. Aben✠çoai, Senhor, nós Vos rogamos, estes ramos de palmeira e de oliveira. Concedei que o vosso povo realize espiritualmente com inteiro devotamento o que hoje faz exteriormente em vossa honra: que alcance a vitória sobre o inimigo e ame intensamente a obra de vossa misericórdia. Por Nosso Senhor… ℞. Amém.

O Celebrante asperge e incensa os ramos. 

Acabada a benção, o Celebrante faz a distribuição dos ramos, primeiro ao clero e depois aos fiéis; todos se ajoelham e beijam a mão do Celebrante. Enquanto se distribuem os ramos, canta o coro as seguintes:

I. Antífona

Pueri Hebræórum, portántes ramos olivárum, obviavérunt Dómino, clamántes et dicéntes: Hosánna in excélsis. Os filhos dos Hebreus, levando; ramos de oliveira, foram ao encontro do Senhor, clamando: Hosana nas alturas.

Salmo (23, 1-2 e 7-10)

Dómini est terra et quae replent eam, * orbis terrárum et qui hábitant in eo.
Nam ipse super mária fundávit eum, * et super flumina firmávit eum.
    Pueri Hebræórum…
Attóllite portae, cápita vestra, et attóllite vos, fores antíqæ, * ut ingrediátur rex glórire!
Quis est iste rex glórire? * Dóminus fórtis et potens, Dóminus potens in prælio.
    Pueri Hebræórum…
Attóllite portae, cápita vestra, et attóllite vos, fores antíqæ, * ut ingrediátur rex glórire!
Quis est iste rex glórire? * Dóminus exercítuum: ipse est rex glórire.
    Pueri Hebræórum…    Glória patri…
    Pueri Hebræórum…
Ao Senhor pertence a terra e tudo que ela contém, * orbe da terra e os que o habitam.
Pois ele a fundou sobre os mares * e a consolidou sobre os rios.
    Os filhos dos hebreus…
Levantai, ó portas, vossos umbrais e alargai-vos, portas antigas, * para entrar o Rei da glória! Quem é esse rei da glória? * O Senhor poderosos e forte, o Senhor, que é vigoroso no prélio.
    Os filhos dos hebreus…
Levantai, ó portas, vossos umbrais e alargai-vos, portas antigas, * para entrar o Rei da glória! Quem é esse rei da glória? * o Senhor dos exércitos: é o Rei da glória.
    Os filhos dos hebreus…    Glória ao Pai…
    Os filhos dos hebreus…

II. Antífona

Pueri Hebræórum vestiménta prosternébant in via et clamábant, dicéntes: Hosánna fílio David: benedíctus, qui venit in nómine Dómini. Os filhos dos Hebreus estendiam as suas vestes pelo caminho e clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito O que vem em Nome do Senhor!

Salmo 46

Omnes pópuli, pláudite mánibus, * exsultáte Deo voce laetítiae.
Quóniam Dóminus excélsus, terríbilis, * rex magnus super omnem terram.
    Pueri Hebræórum…
Súbicit pópulus nobis * et natiónes pédibus nostris.
Eligit nobis hereditátem nostram, * gloriam Jacob, quem díligit.
    Pueri Hebræórum…
Ascéndit Deus cum exsultatióne, * Dóminus cum voce tubre.
Psállite Dei, psállite; * psállite regi nostro, psállite.
    Pueri Hebræórum…
Quóniam rex omnis terrae  est Deus, * psállite hymnum. Deus regnat super natiónes, * Deus sedet super sólium sanctum suum.
    Pueri Hebræórum…
Príncipes populórum congregáti sunt * cum pópulo Dei Abraham.
Nam Dei sunt próceres terrae: * excélsus est valde.
    Pueri Hebræórum…        Glória patri…
    Pueri Hebræórum…
Todos os povos, batei palmas, * exaltai ao Senhor com voz de júbilo.
Pois o Senhor é excelso e terrível, * um grande rei sobre toda a terra.
    Os filhos dos hebreus…
Submeteu a nós os povos, * e pôs a nossos pés as nações.
Elegeu-nos em nossa herança, * a glória de Jacó, que ele amou.
    Os filhos dos hebreus…
Deus sobe com canto de vitória, * o Senhor ao som  da tuba.
Cantai a Deus, cantai; * cantai a nosso rei, cantai.
    Os filhos dos hebreus…
Pois Deus é o rei de toda a terra * cantai-lhe um hino. Deus reina sobre as nações * Deus se senta sobre o seu santo trono.
    Os filhos dos hebreus…
Os príncipes dos povos se reuniram, * com o povo do Deus de Abraão.
Pois os poderosos da terra são servos de Deus: * que é o mais alto de todos.
    Os filhos dos hebreus…       Glória ao Pai…
    Os filhos dos hebreus…

Terminada a distribuição, canta-se:

Evangelho (Mt 21, 1-9)

✠ Sequéntia sancti Evangélii secúndum Matthǽum.

In illo témpore: Cum appropinquásset Jesus Jerosólymis, et venísset Béthphage ad montem Olivéti: tunc misit duos discípulos suos, dicens eis: Ite in castéllum, quod contra vos est, et statim inveniétis ásinam alligátam et pullum cum ea: sólvite et addúcite mihi: et si quis vobis áliquid dixerit, dícite, quia Dóminus his opus habet, et conféstim dimíttet eos. Hoc autem totum factum est, ut adimplerétur, quod dictum est per Prophétam, dicéntem: Dícite fíliae Sion: Ecce, Rex tuus venit tibi mansuétus, sedens super ásinam et pullum, fílium subjugális. Eúntes autem discípuli, fecérunt, sicut præcépit illis Jesus. Et adduxérunt ásinam et pullum: et imposuérunt super eos vestiménta sua, et eum désuper sedére tecérunt. Plúrima autem turba stravérunt vestiménta sua in via: álii autem cædébant ramos de arbóribus, et sternébant in via: turbæ autem, quæ præcedébant et quæ sequebántur, clamábant, dicéntes: Hosánna fílio David: benedíctus, qui venit in nómine Dómini.

✠ Sequência do Santo Evangelho segundo Mateus.

Naquele tempo, aproximando-se Jesus de Jerusalém e chegando a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo achareis uma jumenta amarrada e um jumentinho com ela. Desprendei-a e trazei-mos. Se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, e logo os deixará trazer. Ora, tudo isto aconteceu para se cumprir a palavra do Profeta: Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei vem a ti, cheio de mansidão, montado sobre uma jumenta e um jumentinho, filho da que leva o jugo. Indo então os discípulos, fizeram como Jesus lhes ordenara. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram sobre eles as suas capas e fizeram Jesus assentar-se em cima. E numerosa multidão estendeu os seus mantos pela estrada; muitos cortavam ramos das árvores e com eles juncavam o caminho. E as turbas que O precediam e as que O seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja O que vem em Nome do Senhor!

PROCISSÃO DOS RAMOS

Terminada a bênção, faz-se a procissão dos ramos, que simboliza a entrada triunfal de Jesus como Rei e Vencedor na Jerusalém celeste.

O diácono canta: 

℣. Procedámus in pace. ℞. In nómine Christi. Amen. ℣. Vamos em paz. ℞. Em nome de Cristo.  Amém.

Faz-se a procissão. Todos empunham os seus ramos e o coro canta algumas das antífonas seguintes:

I. Antífona

Occúrrunt turbæ cum flóribus et palmis Redemptóri óbviam: et victóri triumphánti digna dant obséquia: Fílium Dei ore gentes prǽdicant: et in laudem Christi voces tonant per núbila: Hosánna in excélsis. As multidões saem com flores e palmas ao encontro do Redentor, e ao Vencedor triunfante rendem uma digna homenagem. As nações proclamam a grandeza do Filho de Deus e as suas vozes reboam pelas nuvens em louvor do Cristo. Hosana nas alturas!

II. Antífona

Cum Angelis et púeris fidéles inveniántur, triumphatóri mortis damántes: Hosánna in excélsis. Fiéis, unamo-nos aos Anjos e aos meninos para cantar ao Triunfador da morte: Hosana nas alturas!

III. Antífona

Turba multa, quæ convénerat ad diem festum, clamábat Dómino: Benedíctus, qui venit in nómine Dómini: Hosánna in excélsis. Uma numerosa multidão, que viera para a festa, clamava ao Senhor: Bendito seja O que vem em Nome do Senhor! Hosana nas alturas!

IV. Antífona

Coepérunt omnes turbae descendéntium gaudéntes laudáre Deum voce magna, super ómnibus quas víderant virtútibus, dicéntes: Benedíctus qui venit Rex in nómine Dómini; pax in terra, et glória in excélsis. Começaram as turbas todas, que desciam, a louvar a Deus, em altas vozes, por todos os milagres que tinham visto, e diziam: Bendito o Rei, que vem em Nome do Senhor; paz na terra, e glória nas alturas.

Durante a procissão canta-se o Hino seguinte, enquanto povo, se possível, repete continuamente os dois primeiros versos.

Hino a Cristo Rei

Glória, laus et honor tibi sit, Rex Christe, Redémptor: Cui pueríle decus prompsit Hosánna pium. ℞. Glória, laus.

Israël es tu Rex, Davidis et ínclita proles: Nómine qui in Dómini, Rex benedícte, venis.
℞. Glória, laus.

Cœtus in excélsis te laudat cǽlicus omnis, Et mortális homo, et cuncta creáta simul.
℞. Glória, laus.

Plebs Hebrǽa tibi cum palmis óbvia venit: Cum prece, voto, hymnis, ádsumus ecce tibi.
℞. Glória, laus.

Hi tibi passúro solvébaní múnia laudis: Nos tibi regnánti pángimus ecce melos.
℞. Glória, laus.

Hi placuére tibi, pláceat devótio nostra: Rex bone, Rex clemens, cui bona cuncta placent.
℞. Glória, laus.

Glória, louvor e honra Vos sejam dados, ó Cristo Rei, Redentor: A quem o coro juvenil cantou devotamente: Hosana. ℞. Glória, louvor.

Vós sois o Rei de Israel, o nobre Filho de Davi. Ó Rei bendito, que vindes em Nome do Senhor.
℞. Glória, louvor.

Toda a milícia angélica no alto dos céus. O homem mortal e todas as criaturas celebram em uníssono o vosso louvor.
℞. Glória, louvor.

O povo hebreu saí a vosso encontro com palmas. E nós vimos diante de Vós com súplicas, votos e hinos.
℞. Glória, louvor.

Eles Vos ofereciam o tributo de suas homenagens, quando íeis sofrer. Nós Vos oferecemos estes cânticos, a Vós, que agora reinais no céu.
℞. Glória, louvor.

Seus votos foram aceitos. Nossa devoção o seja também. Ó Rei de bondade, Rei de clemência, a quem agrada tudo quanto é bom.
℞. Glória, louvor.

Outras antífonas, vide Missal.

Ao entrar a procissão na igreja, canta-se:

VIII. Antífona (Áudio)

Ingrediénte Dómino in sanctam civitátem, Hebræórum púeri resurrectiónem vitæ pronuntiántes.

Cum ramis palmárum: Hosánna, clamábant, in excélsis.

Cum audísset pópulus, quod Jesus veníret Jerosólymam, exiérunt óbviam ei.

Cum ramis palmárum: Hosánna, clamábant, in excélsis.

Entrando o Senhor na cidade santa, os filhos dos Hebreus anunciaram antecipadamente a Ressurreição da vida.

Empunhando ramos de palmeira, clamavam: Hosana nas alturas.

Quando o povo soube que Jesus vinha a Jerusalém, saiu ao seu encontro.

Empunhando ramos de palmeira, clamavam: Hosana nas alturas.

Enfim, o Celebrante, de pé ante o altar e voltado para o povo reza:

℣. Dominus vobiscum. ℞. Et cum spíritu tuo.

Orémus. Dómine, Jesu Christe, Rex ac Redémptor noster, in cujus honórem, hos ramos gestántes, solémnes laudes decantávimus; ut, quocúmque hi rami deportáti fúerint, ibi tuae benedictiónis grátia descéndat, et, quavis daemonum iniquitáte vel illusióne profligáta, déxtera tua prótegat, quos redémit. Qui vivis et regnas.  ℞. Amen.

℣. O Senhor esteja convosco. ℞. E com o teu espírito.

Oremos. Senhor Jesus Cristo, Rei e Redentor nosso, em cuja honra cantamos solenemente hinos de louvor, trazendo nas mãos estes ramos; concedei, propício, que em todas as partes onde estes ramos forem levados, desça a benção de vossa graça e, dominada toda a maldade ou fraude dos demônios, a vossa Destra proteja os que salvou. Vós que viveis e reinais…  ℞. Amém.

Celebra-se imediatamente a Missa. 

A SANTA MISSA

A Missa deste dia é celebrada em Roma, na basílica de S. João de Latrão. É na igreja do SSmo. Redentor que principiamos a celebração do Mistério augusto da Redenção: a Paixão e a Morte de nosso Divino Salvador.

Todos os textos são repassados de pungente tristeza. A Igreja nos apresenta a imagem dolorosa da Paixão e Morte de Nosso Senhor. Está diante de nós o Homem das dores. Os Cânticos são queixas em sua boca. As Leituras narram a sua Paixão (Evangelho).

Três pregadores se unem para nos descrever a Paixão:  Davi, no salmo 21 (Trato), S. Paulo, que não quer falar senão do Cristo, e Cristo Crucificado (Epístola) e S. Mateus, cuja história da Paixão lemos em lugar do Evangelho.

Meditando este drama e mais ainda, unindo-nos à Paixão do Salvador, pedimos a participação à paciência de Jesus Cristo, para merecermos um dia alcançar a glória de sua Ressurreição. Jesus nos
convida (Ofertório). Digamos com Ele: Pai, faça-se a vossa vontade (Communio).

Não se fazem as orações ao pé do altar.

Introito (Sl 21, 20 e 22 | ib., 2) (Áudio)

Dómine, ne longe fácias auxílium tuum a me, ad defensiónem meam áspice: líbera me de ore leonis, et a córnibus unicórnium humilitátem meam. Ps. Deus, Deus meus, réspice in me: quare me dereliquísti? longe a salúte mea verba delictórum meórum Dómine, ne longe… Senhor, não afasteis de mim o vosso auxílio; atendei à minha defesa; livrai-me da boca do leão, e do chifre do unicórnio salvai a minha humildade. Sl. Ó Deus, Deus meu, olhai para mim. Por que me desamparastes? O clamor de meus delitos afasta de mim a salvação. — Senhor, não afasteis…

Coleta

Omnípotens sempitérne Deus, qui humáno generi, ad imitandum humilitátis exémplum, Salvatórem nostrum carnem súmere et crucem subíre fecísti: concéde propítius; ut et patiéntiæ ipsíus habére documénta et resurrectiónis consórtia mereámur. Per eúndem Dóminum nostrum Onipotente e eterno Deus, que quisestes assumisse o nosso Salvador a nossa carne e sofresse o suplício da Cruz, para que o gênero humano imitasse o exemplo de sua humildade, concedei-nos, propício, pratiquemos as lições de sua paciência e mereçamos participar de sua Ressurreição. Pelo mesmo J. C.

Epístola (Fil 2, 5-11)

Léctio Epístolæ beáti Pauli Apóstoli ad Philippénses.

Fratres: Hoc enim sentíte in vobis, quod et in Christo Jesu: qui, cum in forma Dei esset, non rapínam arbitrátus est esse se æqualem Deo: sed semetípsum exinanívit, formam servi accípiens, in similitúdinem hóminum factus, et hábitu invéntus ut homo. Humiliávit semetípsum, factus oboédiens usque ad mortem, mortem autem crucis. Propter quod et Deus exaltávit illum: ei donávit illi nomen, quod est super omne nomen: (hic genuflectitur) ut in nómine Jesu omne genu flectátur cœléstium, terréstrium et inférno rum: et omnis lingua confiteátur, quia Dóminus Jesus Christus in glória est Dei Patris.

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses.

Irmãos: Tende em vós os mesmos sentimentos que teve Jesus Cristo, que, sendo Deus por natureza, não reputou usurpação ser igual a Deus. E aniquilou-se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens e sendo reconhecido como homem pela aparência. Humilhou-se a Si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de Cruz. Por isso também Deus O exaltou e Lhe deu um Nome [novo] que está acima de todo nome (aqui todos se ajoelham), a fim de que ao Nome de Jesus se dobrem os joelhos de todos aqueles que estão nos céus, na terra e nos infernos, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor na glória de Deus Pai.

Gradual (Sl 72, 24 e 13) (Vídeo)

Tenuísti manum déxteram meam: et in voluntáte tua deduxísti me: et cum glória assumpsísti me. ℣. Quam bonus Israël Deus rectis corde! mei autem pæne moti sunt pedes: pæne effúsi sunt gressus mei: quia zelávi in peccatóribus, pacem peccatórum videns.

Segurais a minha mão direita e segundo a vossa vontade me conduzis e me acolheis com glória. ℣. Como é bom o Deus de Israel para os que são retos de coração! Todavia quase os meus pés resvalaram; pouco faltou para se transviarem os meus passos; porque tive inveja dos ímpios, vendo a paz dos pecadores.

Trato (Sl 21: 2-9, 18, 19, 22, 24 e 32) (Vídeo)

Deus, Deus meus, réspice in me: quare me dereliquísti? ℣. Longe a salúte mea verba delictórum meórum. ℣. Deus meus, clamábo per diem, nec exáudies: in nocte, et non ad insipiéntiam mihi. ℣. Tu autem in sancto hábitas, laus Israël. ℣. In te speravérunt patres nostri: speravérunt, et liberásti eos. ℣. Ad te clamavérunt, et salvi facti sunt: in te speravérunt, et non sunt confusi. ℣. Ego autem sum vermis, et non homo: oppróbrium hóminum et abjéctio plebis. ℣. Omnes, qui vidébant me, aspernabántur me: locúti sunt lábiis et movérunt caput. ℣. Sperávit in Dómino, erípiat eum: salvum fáciat eum, quóniam vult eum. ℣. Ipsi vero consideravérunt et conspexérunt me: divisérunt sibi vestiménta mea, et super vestem meam misérunt mortem. ℣. Líbera me de ore leónis: et a córnibus unicórnium humilitátem meam. ℣. Qui timétis Dóminum, laudáte eum: univérsum semen Jacob, magnificáte eum. ℣. Annuntiábitur Dómino generátio ventúra: et annuntiábunt cœli justítiam ejus. ℣. Pópulo, qui nascétur, quem fecit Dóminus.

Ó Deus, Deus meu, olhai para mim; porque me desamparastes? ℣. O clamor dos meus pecados afasta de mim a salvação. ℣. Meu Deus, clamo de dia e não me respondeis; de noite, e não tenho sossego. ℣. Mas Vós, no santuário habitais, Louvor de Israel. ℣. Em Vós esperaram os nossos pais; esperaram e Vós os livrastes. ℣. A Vós clamaram, e foram salvos, em Vós esperaram e não foram confundidos. ℣. Eu, porém, sou verme, não homem; opróbrio dos homens e abjeção da plebe. ℣. Todos os que me veem zombam de mim, e, meneando a cabeça, dizem: ℣. Esperou no Senhor, Ele o livre, salve-o agora, pois que o ama. ℣. Eles estão me vendo, e atentam em mim; dividem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançam a sorte. ℣. Livrai-me da boca do leão, e dos chifres do unicórnio, salvai minha humildade. ℣. Vós que temeis o Senhor, louvai-O: e vós todos que sois da raça de Jacó, glorificai-O. ℣. Do Senhor se falará à geração vindoura; e os céus anunciarão a sua justiça. ℣. Ao povo que nascerá, e que o Senhor criou.

Paixão (Mt 26, 36-75; 27, 1-54)

✠ – Cristo | C. – Cronista | S. – Sinagoga e Singular.

Passio Dómini nostri Jesu Christi secúndum Matthǽum.

In illo témpore: Venit Jesus cum discípulis suis in villam, quæ dícitur Gethsémani, et dixit discípulis suis: ✠ Sedéte hic, donec vadam illuc et orem. C. Et assúmpto Petro et duóbus fíliis Zebedǽi, cœpit contristári et mæstus esse. Tunc ait illis: ✠ Tristis est ánima mea usque ad mortem: sustinéte hic, et vigilate mecum. C. Et progréssus pusíllum, prócidit in fáciem suam, orans et dicens: ✠ Pater mi, si possíbile est, tránseat a me calix iste: Verúmtamen non sicut ego volo, sed sicut tu. C. Et venit ad discípulos suos, et invénit eos dormiéntes: et dicit Petro: ✠ Sic non potuístis una hora vigiláre mecum? Vigiláte et oráte, ut non intrétis in tentatiónem. Spíritus quidem promptus est, caro autem infírma. C. Iterum secúndo ábiit et orávit, dicens: ✠ Pater mi, si non potest hic calix transíre, nisi bibam illum, fiat volúntas tua. C. Et venit íterum, et invenit eos dormiéntes: erant enim óculi eórum graváti. Et relíctis illis, íterum ábiit et orávit tértio, eúndem sermónem dicens. Tunc venit ad discípulos suos, et dicit illis: ✠ Dormíte jam et requiéscite: ecce, appropinquávit hora, et Fílius hóminis tradétur in manus peccatórum. Súrgite, eámus: ecce, appropinquávit, qui me tradet. C. Adhuc eo loquénte, ecce, Judas, unus de duódecim, venit, et cum eo turba multa cum gládiis et fústibus, missi a princípibus sacerdótum et senióribus pópuli. Qui autem trádidit eum, dedit illis signum, dicens: S. Quemcúmque osculátus fúero, ipse est, tenéte eum. C. Et conféstim accédens ad Jesum, dixit: S. Ave, Rabbi. C. Et osculátus est eum. Dixítque illi Jesus: ✠ Amíce, ad quid venísti? C. Tunc accessérunt, et manus injecérunt in Jesum et tenuérunt eum. Et ecce, unus ex his, qui erant cum Jesu, exténdens manum, exémit gládium suum, et percútiens servum príncipis sacerdótum, amputávit aurículam ejus. Tunc ait illi Jesus: ✠ Convérte gládium tuum in locum suum. Omnes enim, qui accéperint gládium, gládio períbunt. An putas, quia non possum rogáre Patrem meum, et exhibébit mihi modo plus quam duódecim legiónes Angelórum? Quómodo ergo implebúntur Scripturae, quia sic oportet fíeri? C. In illa hora dixit Jesus turbis: ✠ Tamquam ad latrónem exístis cum gládiis et fústibus comprehéndere me: cotídie apud vos sedébam docens in templo, et non me tenuístis. C. Hoc autem totum factum est, ut adimpleréntur Scripturae Prophetárum. Tunc discípuli omnes, relícto eo, fugérunt. At illi tenéntes Jesum, duxérunt ad Cáipham, príncipem sacerdótum, ubi scribæ et senióres convénerant. Petrus autem sequebátur eum a longe, usque in átrium príncipis sacerdótum. Et ingréssus intro, sedébat cum minístris, ut vidéret finem. Príncipes autem sacerdótum et omne concílium quærébant falsum testimónium contra Jesum, ut eum morti tráderent: et non invenérunt, cum multi falsi testes accessíssent. Novíssime autem venérunt duo falsi testes et dixérunt: S. Hic dixit: Possum destrúere templum Dei, et post tríduum reædificáre illud. C. Et surgens princeps sacerdótum, ait illi: S. Nihil respóndes ad ea, quæ isti advérsum te testificántur? C. Jesus autem tacébat. Et princeps sacerdótum ait illi: S. Adjúro te per Deum vivum, ut dicas nobis, si tu es Christus, Fílius Dei. C. Dicit illi Jesus: ✠ Tu dixísti. Verúmtamen dico vobis, ámodo vidébitis Fílium hóminis sedéntem a dextris virtútis Dei, et veniéntem in núbibus cœli. C. Tunc princeps sacerdótum scidit vestiménta sua, dicens: S. Blasphemávit: quid adhuc egémus téstibus? Ecce, nunc audístis blasphémiam: quid vobis vidétur? C. At illi respondéntes dixérunt: S. Reus est mortis. C. Tunc exspuérunt in fáciem ejus, et cólaphis eum cecidérunt, álii autem palmas in fáciem ejus dedérunt, dicéntes: S. Prophetíza nobis, Christe, quis est, qui te percússit? C. Petrus vero sedébat foris in átrio: et accéssit ad eum una ancílla, dicens: S. Et tu cum Jesu Galilǽo eras. C. At ille negávit coram ómnibus, dicens: S. Néscio, quid dicis. C. Exeúnte autem illo jánuam, vidit eum ália ancílla, et ait his, qui erant ibi: S. Et hic erat cum Jesu Nazaréno. C. Et íterum negávit cum juraménto: Quia non novi hóminem. Et post pusíllum accessérunt, qui stabant, et dixérunt Petro: S. Vere et tu ex illis es: nam et loquéla tua maniféstum te facit. C. Tunc cœpit detestári et juráre, quia non novísset hóminem. Et contínuo gallus cantávit. Et recordátus est Petrus verbi Jesu, quod díxerat: Priúsquam gallus cantet, ter me negábis. Et egréssus foras, flevit amáre. Mane autem facto, consílium iniérunt omnes príncipes sacerdótum et senióres pópuli advérsus Jesum, ut eum morti tráderent. Et vinctum adduxérunt eum, et tradidérunt Póntio Piláto prǽsidi. Tunc videns Judas, qui eum trádidit, quod damnátus esset, pæniténtia ductus, réttulit trigínta argénteos princípibus sacerdótum et senióribus, dicens: S. Peccávi, tradens sánguinem justum. C. At illi dixérunt: S. Quid ad nos? Tu vidéris. C. Et projéctis argénteis in templo, recéssit: et ábiens, láqueo se suspéndit. Príncipes autem sacerdótum, accéptis argénteis, dixérunt: S. Non licet eos míttere in córbonam: quia prétium sánguinis est. C. Consílio autem ínito, emérunt ex illis agrum fíguli, in sepultúram peregrinórum. Propter hoc vocátus est  ager ille Hacéldama, hoc est, ager sánguinis, usque in hodiérnum diem. Tunc implétum est, quod dictum est per Jeremíam Prophétam, dicéntem: Et accepérunt trigínta argénteos prétium appretiáti, quem appretiavérunt a fíliis Israël: et dedérunt eos in agrum fíguli, sicut constítuit mihi Dóminus. Jesus autem stetit ante prǽsidem, et interrogávit eum præses, dicens: S. Tu es Rex Judæórum? C. Dicit illi Jesus: ✠ Tu dicis. C. Et cum accusarétur a princípibus sacerdótum et senióribus, nihil respóndit. Tunc dicit illi Pilátus: S. Non audis, quanta advérsum te dicunt testimónia? C. Et non respóndit ei ad ullum verbum, ita ut mirarétur præses veheménter. Per diem autem sollémnem consuéverat præses pópulo dimíttere unum vinctum, quem voluíssent. Habébat autem tunc vinctum insígnem, qui dicebátur Barábbas. Congregátis ergo illis, dixit Pilátus: S. Quem vultis dimíttam vobis: Barábbam, an Jesum, qui dícitur Christus? C. Sciébat enim, quod per invídiam tradidíssent eum. Sedénte autem illo pro tribunáli, misit ad eum uxor ejus, dicens: S. Nihil tibi et justo illi: multa enim passa sum hódie per visum propter eum. C. Príncipes autem sacerdótum et senióres persuasérunt populis, ut péterent Barábbam, Jesum vero pérderent. Respóndens autem præses, ait illis: S. Quem vultis vobis de duóbus dimítti? C. At illi dixérunt: S. Barábbam. C. Dicit illis Pilátus: S. Quid ígitur fáciam de Jesu, qui dícitur Christus? C. Dicunt omnes: S. Crucifigátur. C. Ait illis præses: S. Quid enim mali íecit? C. At illi magis clamábant,dicéntes: S. Crucifigátur. C. Videns autem Pilátus, quia nihil profíceret, sed magis tumúltus fíeret: accépta aqua, lavit manus coram pópulo, dicens: S. Innocens ego sum a sánguine justi hujus: vos vidéritis. C. Et respóndens univérsus pópulus, dixit: S. Sanguis ejus super nos et super fílios nostros. C. Tunc dimísit illis Barábbam: Jesum autem flagellátum trádidit eis, ut crucifigerétur. Tunc mílites prǽsidis suscipiéntes Jesum in prætórium, congregavérunt ad eum univérsam cohórtem: et exuéntes eum, chlámydem coccíneam circumdedérunt ei: et plecténtes corónam de spinis, posuérunt super caput ejus, et arúndinem in déxtera ejus. Et genu flexo ante eum, illudébant ei, dicéntes: S. Ave, Rex Judæórum. C. Et exspuéntes in eum, accepérunt arúndinem, et percutiébant caput ejus. Et postquam illusérunt ei, exuérunt eum chlámyde et induérunt eum vestiméntis ejus, et duxérunt eum, ut crucifígerent. Exeúntes autem, invenérunt hóminem Cyrenǽum, nómine Simónem: hunc angariavérunt, ut tólleret crucem ejus. Et venérunt in locum, qui dícitur Gólgotha, quod est Calváriæ locus. Et dedérunt ei vinum bíbere cum felle mixtum. Et cum gustásset, nóluit bibere. Postquam autem crucifixérunt eum, divisérunt vestiménta ejus, sortem mitténtes: ut implerétur, quod dictum est per Prophétam dicentem: Divisérunt sibi vestiménta mea, et super vestem meam misérunt sortem. Et sedéntes, servábant eum. Et imposuérunt super caput ejus causam ipsíus scriptam: Hic est Jesus, Rex Judæórum. Tunc crucifíxi sunt cum eo duo latrónes: unus a dextris et unus a sinístris. Prætereúntes autem blasphemábant eum, movéntes cápita sua et dicéntes: S. Vah, qui déstruis templum Dei et in tríduo illud reædíficas: salva temetípsum. Si Fílius Dei es, descénde de cruce. C. Simíliter et príncipes sacerdótum illudéntes cum scribis et senióribus, dicébant: S. Alios salvos fecit, seípsum non potest salvum fácere: si Rex Israël est, descéndat nunc de cruce, et crédimus ei: confídit in Deo: líberet nunc, si vult eum: dixit enim: Quia Fílius Dei sum. C. Idípsum autem et latrónes, qui crucifíxi erant cum eo, improperábant ei. A sexta autem hora ténebræ factæ sunt super univérsam terram usque ad horam nonam. Et circa horam nonam clamávit Jesus voce magna, dicens: ✠ Eli, Eli, lamma sabactháni? C. Hoc est: ✠ Deus meus, Deus meus, ut quid dereliquísti me? C. Quidam autem illic stantes et audiéntes dicébant: S. Elíam vocat iste. C. Et contínuo currens unus ex eis, accéptam spóngiam implévit acéto et impósuit arúndini, et dabat ei bíbere. Céteri vero dicébant: S. Sine, videámus, an véniat Elías líberans eum. C. Jesus autem íterum clamans voce magna, emísit spíritum. (Hic genuflectitur, et pausatur aliquántulum) Et ecce, velum templi scissum est in duas partes a summo usque deórsum: et terra mota est, et petræ scissæ sunt, et monuménta apérta sunt: et multa córpora sanctórum, qui dormíerant, surrexérunt. Et exeúntes de monuméntis post resurrectiónem ejus, venérunt in sanctam civitátem, et apparuérunt multis. Centúrio autem et qui cum eo erant, custodiéntes Jesum, viso terræmótu et his, quæ fiébant, timuérunt valde, dicéntes: S. Vere Fílius Dei erat iste. C. Erant autem ibi mulíeres multæ a longe, quæ secútæ erant Jesum a Galilǽa, ministrántes ei: inter quas erat María Magdaléne, et María Jacóbi, et Joseph mater, et mater filiórum Zebedǽi. Cum autem sero factum esset, venit quidam homo dives ab Arimathǽa, nómine Joseph, qui et ipse discípulus erat Jesu. Hic accéssit ad Pilátum, et pétiit corpus Jesu. Tunc Pilátus jussit reddi  corpus. Et accépto córpore, Joseph invólvit illud in síndone munda. Et pósuit illud in monuménto suo novo, quod excíderat in petra. Et advólvit saxum magnum ad óstium monuménti, et ábiit. 

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus.

Naquele tempo, dirigiu-se Jesus com seus discípulos a um lugar chamado Getsémani, e ali disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu vou adiante a orar. E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu começou a entristecer-se e a angustiar se. E disse-lhes então : Minha alma está triste até a morte: ficai aqui e velai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se, com a face em terra, e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; contudo não seja como eu quero, e sim como Tu queres. Voltando a seus discípulos, achou-os a dormir, e disse a Pedro: Assim, não pudestes velar uma hora comigo? Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito em verdade está pronto, mas a carne é fraca. Retirando-se outra vez, orou, dizendo: Meu Pai, se não pode este cálice passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. Indo novamente a eles, achou-os a dormir, porque os seus olhos estavam pesados de sono. E deixando-os,, foi-se de novo e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Então veio a seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai; eis que chegou a hora em que o Filho do homem será entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos. Vamos, eis que se aproxima quem me trairá. Enquanto Ele falava, eis que chega Judas, um dos doze, e com ele uma grande multidão com espadas e paus enviada pelos príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo. Ora, o que O traíra lhes tinha dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, Esse é; prendei-O. E logo, chegando-se a Jesus, disse: Salve, Mestre! E beijou-O. Disse Jesus: Amigo, a que vieste? Então os outros avançaram, agarraram a Jesus e O prenderam. E logo um dos que estavam com Jesus [Pedro], estendendo a mão, desembainhou a sua espada e feriu o servo do príncipe dos sacerdotes, cortando-lhe uma orelha. Então Jesus lhe disse: Mete a tua espada em seu lugar; porque todos que tomarem a espada, à espada morrerão. Acaso pensais que não poderia rogar a meu Pai, que me enviasse agora mais de doze legiões de Anjos [72.000]? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim deve suceder? Naquela mesma hora disse Jesus às turbas: Como se eu fora um ladrão, viestes armados de espadas e varapaus para me prender; todos os dias estava sentado entre vós, ensinando no templo, e não me prendestes. Tudo isto, porém, aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos Profetas. Então, todos os discípulos abandonando-O, fugiram. Aqueles, porém, que haviam prendido a Jesus, O levaram a Caifás, príncipe dos sacerdotes, onde os escribas e anciãos se haviam reunido. Pedro, no entanto, O foi seguindo de longe, até o pátio do príncipe dos sacerdotes. E entrando, sentou-se com os criados para ver o fim. Os príncipes dos sacerdotes e todo o concelho buscavam algum falso testemunho contra Jesus, para O poderem condenar à morte, mas não o achavam, ainda que muitas testemunhas falsas se houvessem apresentado. Finalmente, vieram duas falsas testemunhas e disseram: Este disse: Eu posso derribar o templo de Deus, e reedificá-lo em três dias. E levantando-se, o príncipe dos sacerdotes disse-Lhe: Nada respondes ao que estes dizem contra Ti? Jesus porém calava-se. E o príncipe dos sacerdotes disse-Lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo, que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus. Disse lhe Jesus: Sim, eu sou. Digo-vos, porém, que de ora em diante vereis o Filho do homem sentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu. Então o príncipe dos sacerdotes rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou. Para que necessitamos ainda de testemunhas? Eis que agora ouvistes a sua blasfêmia. Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte. E cuspiram no rosto de Jesus e Lhe deram punhadas. E outros Lhe deram bofetadas, dizendo: Adivinha, ó Cristo; quem foi que Te bateu ? Pedro estava sentado fora, no pátio. E chegou-se a ele uma criada, dizendo: Tu também estavas com Jesus, o Galileu. Ele negou, no entanto, diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. Saindo ele à porta, viu-o outra criada e disse aos que aí se achavam: Também este estava com Jesus, o Nazareno. E Pedro negou outra vez com juramento: Não conheço o homem. Pouco depois aproximaram-se os que ali estavam, e disseram a Pedro: Certamente tu és também deles; porque a tua fala te dá a conhecer. Então começou ele a fazer imprecações e a jurar que não conhecia tal homem. E logo o galo cantou. Lembrou-se então Pedro da palavra de Jesus que lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E, saindo, chorou amargamente. Logo ao amanhecer fizeram conselho todos os príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo, contra Jesus para O condenarem à morte. E levando-O amarrado, eles O entregaram ao governador Pôncio Pilatos. Quando Judas, que o traíra, viu que Jesus fora condenado, cheio de arrependimento foi levar as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, a traindo o sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Arranja-te. E ele, jogando os dinheiros no templo, retirou-se e foi enforcar-se com uma corda. Os príncipes dos sacerdotes, tomando então as moedas de prata, disseram: Não é lícito pô-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue. E deliberaram entre si, comprar com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos peregrinos. Por isso chamou-se àquele campo Hacéldama, isto é, campo de sangue, até o dia de hoje. Assim se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias, nestas palavras: Tomaram as trinta moedas de prata, custo d’Aquele cujo preço foi avaliado pelos filhos de Israel, e as deram pelo campo de um oleiro, como o Senhor me ordenou. E compareceu Jesus diante do governador, que O interrogou desse modo: És Tu o Rei dos judeus? Disse-lhe Jesus: Sim, eu o sou. E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e anciãos, nada respondeu. Então Pilatos disse-Lhe: Não ouves quantas coisas dizem as testemunhas contra Ti? E Jesus a nada respondeu, de maneira que o governador se admirava em extremo. Naquele dia solene costumava o governador soltar um preso ao povo, qualquer que quisessem. E havia então um preso afamado chamado Barrabás. Pilatos disse, pois, à multidão reunida: Qual dos dois quereis que vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama o Cristo? Porque sabia que por inveja é que O haviam entregado. E estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não te embaraces com esse Justo, porquanto muito sofri hoje, em sonhos, por causa d’Ele, Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram às turbas que pedissem Barrabás, e fizessem morrer a Jesus. O governador, respondendo, disse-lhes: Qual destes dois quereis que vos solte? E eles responderam: Barrabás. Pilatos lhes disse: Que farei pois, de Jesus, que se chama o Cristo? Disseram todos: Seja crucificado. O governador lhes observou ainda: Que mal fez Ele no entanto? E eles ainda mais gritavam, dizendo: Seja crucificado. Pilatos, vendo que nada conseguia e antes crescia o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos diante do povo, dizendo: Eu sou inocente do sangue deste Justo: vede-o, vós outros. Respondendo, todo o povo disse: Caia seu sangue sobre nós e sobre os nossos filhos. E logo Pilatos soltou-lhes Barrabás e entregou-lhes Jesus, depois de O açoitar, para ser crucificado. Então os soldados do governador levaram Jesus ao pretório e reuniram em redor d’Ele toda a corte; despindo-O, eles O cobriram com um manto de púrpura; e tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na sobre a sua cabeça; e meteram uma cana em sua mão direita. Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam, dizendo : Salve, Rei dos Judeus! E cuspindo n’Ele, tomavam a cana e Lhe batiam na cabeça. E depois que zombaram d’Ele, tiraram-Lhe o manto, e O vestiram com os seus vestidos, levando-O para ser crucificado. Ao sair, encontraram um homem de Cirene, por nome Simão, ao qual forçaram a levar a cruz de Jesus. E chegaram ao lugar que se chama Gólgota, isto é, lugar do Calvário. Deram-Lhe então a beber vinho misturado com fel; mas Jesus, provando-o, não o quis beber. Depois O crucificaram, e repartiram os seus vestidos, lançando a sorte para que se cumprisse o que fora predito pelo Profeta nestas palavras: Dividiram entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica, lançaram sortes. E assentando-se, eles O vigiavam. E puseram sobre a sua cabeça a causa da sua morte, assim A escrita: Este é Jesus, Rei dos judeus. Juntamente com Ele, foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro, à esquerda. E os que passavam blasfemavam contra Ele, meneando a cabeça e dizendo: Tu, que destróis o templo de Deus e em três dias o reedificas, salva-Te a Ti mesmo. és o Filho de Deus, desce da cruz. Da mesma forma também os príncipes dos sacerdotes com os escribas e anciãos, zombando d’Ele, diziam : A outros salvou; a Si mesmo não se pode salvar. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e n’Ele havemos de crer. Confiou em Deus; livre-O Esse agora, se O ama, porque disse: Sou o Filho de Deus. E os mesmos impropérios Lhe lançavam em rosto os ladrões que com Ele estavam crucificados. E desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona. [Das 12 às 15 horas.] E perto da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamma sabactháni? Isto é: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? E alguns dos que ali estavam, ouvindo-O, diziam: Ele chama por Elias. E logo, um deles, a correr, tomou uma esponja, e ensopando-a em vinagre, colocou-a em uma cana e Lhe dava a beber. E os outros diziam: Deixa, vejamos se Elias vem para O livrar. E Jesus, clamando outra vez em voz forte, entregou o espírito. (Aqui todos se ajoelham em honra da morte de Nosso Senhor) E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu, as pedras se fenderam, os sepulcros se abriram e muitos corpos dos santos, que tinham adormecido, ressuscitaram. E, saindo dos sepulcros depois de sua ressurreição, vieram à cidade santa e apareceram a muitos. O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram muito medo e disseram: Verdadeiramente Este era o Filho de Deus. Achavam-se também ali, olhando de longe, muitas mulheres, as quais, desde a Galileia, haviam seguido a Jesus, servindo-O. Entre estas estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Quando se fez tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também era discípulo de Jesus. Ele foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos ordenou então que lhe dessem o Corpo. E José, tomando o Corpo, envolveu-O em um lençol limpo, e depositou-O em um sepulcro novo que mandara abrir para si, na rocha. E encostando uma grande pedra à entrada do sepulcro, retirou-se. 

Ofertório (Sl 68, 21-22) (Áudio)

Impropérium exspectávit cor meum et misériam: et sustínui, qui simul mecum contristarétur, et non fuit: consolántem me quæsívi, et non invéni: et dedérunt in escam meam fel, et in siti mea potavérunt me acéto. Meu coração só aguarda impropérios e miséria; esperei que alguém se entristecesse comigo, e ninguém houve procurei quem me consolas: se e não encontrei; por alimenta eles me deram fel e em minha sede, com vinagre me abeberaram.

Secreta

Concéde, quæsumus, Dómine: ut oculis tuæ majestátis munus oblátum, et grátiam nobis devotionis obtineat, et efféctum beátæ perennitátis acquírat. Per D.N. Concedei, Senhor, Vos pedimos, que o dom oferecido aos olhos de vossa Majestade nos obtenha a graça da submissão  e a recompensa de uma feliz eternidade. Por N.S.

Prefácio (da Santa Cruz)

℣. Dóminus vobíscum.
℞. Et cum spíritu tuo.
℣. Sursum corda.
℞. Habémus ad Dóminum.
℣. Grátias agámus Dómino Deo nostro.
℞. Dignum et iustum est.

Vere dignum et justum est, æquum et salutáre, nos tibi semper et ubíque grátias ágere: Dómine sancte, Pater omnípotens, ætérne Deus: Qui salútem humáni géneris in ligno Crucis constituísti: ut, unde mors oriebátur, inde vita resúrgeret: et, qui in ligno vincébat, in ligno quoque vincerétur: per Christum, Dóminum nostrum. Per quem majestátem tuam laudant Angeli, adórant Dominatiónes, tremunt Potestátes. Cœli cœlorúmque Virtútes ac beáta Séraphim sócia exsultatióne concélebrant. Cum quibus et nostras voces ut admítti júbeas, deprecámur, súpplici confessióne dicéntes:

Sanctus, Sanctus, Sanctus…

℣. O Senhor seja convosco.
℞. E com o vosso espírito,
℣. Para o alto os corações.
℞. Já os temos para o Senhor,
℣. Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
℞. É digno e justo.

Verdadeiramente é digno e justo, razoável e salutar, que sempre e em todo o lugar, Vos demos graças, ó Senhor santo, Pai onipotente, eterno Deus, que estabelecestes no madeiro da Cruz a salvação do gênero humano, para que renascesse a vida de onde se originara a morte, e o que no lenho vencera, no lenho fosse vencido por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Por Ele louvam os Anjos a vossa Majestade, as Dominações a adoram, tremem as Potestades. Os Céus, as Virtudes dos Céus, e os bem-aventurados Serafins a celebram com recíproca alegria. As suas vozes, nós Vos rogamos, mandeis que se unam as nossas, quando, em humilde confissão, Vos dizemos:

Santo, Santo, Santo…

Comunhão (Sl 26, 12) (Áudio)

Pater, si non potest hic calix transíre, nisi bibam illum: fiat volúntas tua. Pai, se este cálice não pode passar de mim sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.

Pós-comunhão

Per hujus, Dómine, operatiónem mystérii: et vitia nostra purgéntur, et justa desidéria compleántur. Per D.N. Fazei, Senhor, que pela ação deste Mistério, sejam expiados os nossos vícios e cumpridos os nossos justos desejos. Por N. S.

O Celebrante, no fim da Missa, após a bênção de costume, omite o último Evangelho.

Nas outras Missas, sem a benção dos ramos, lê-se no fim o Evangelho da Benção de Ramos (Cum appropinquasset Jesus).


Traduções e comentários extraídos do Missal Quotidiano de D. Beda (1962).

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