Liturgia Diária – 29/06/2022

SÃO PEDRO E SÃO PAULO, Apóstolos

Festa de 1ª Classe – Missa própria

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Entre a cruz e a espada que os martirizou, um segura as chaves do poder, o outro rolos das suas epístolas. Com as suas mãos unidas, ambos sustentam a Igreja fundada sobre eles, em que Cristo, inquebrável pedra angular, une os pagãos evangelizados por Paulo aos Judeus convertidos por Pedro.

O culto dos dois grandes Apóstolos, Pedro e Paulo, tem como raízes os próprios alicerces da Igreja. Estando na origem da sua fé, ficarão para sempre seus patronos e seus guias. Roma deve-lhes a sua verdadeira grandeza. Foi a providência divina que os conduziu a ambos para fazer da capital do império, santificada pelo seu martírio, o centro do mundo cristão, donde irradiaria a pregação do Evangelho. 

São Pedro sofreu o martírio na perseguição de Nero, no ano 66 ou 67. Foi sepultado na colina do Vaticano, onde escavações recentes acabam de encontrar o seu túmulo no próprio lugar da basílica construída em sua honra por Constantino. São Paulo foi decapitado na Vila Óstia no local onde se ergue a basílica do seu nome. No decurso dos séculos, as multidões cristãs jamais cessaram de ir em peregrinação aos túmulos dos grandes Apóstolos. Nos séculos II e III vinham já retemperar a sua fé ao contato com a Igreja de Roma, constatar a sua apostolicidade, confrontar a sua doutrina infalível com a das outras Igrejas, honrar a memória de São Pedro e de São Paulo. A missa deste dia atesta a confiança da Igreja na intercessão daqueles “por quem recebeu as premissas da fé” (orações). Dá particular relevo às prerrogativas de São Pedro (evangelho), à proteção especial de Deus sobre a sua pessoa (introito, epístola); e os cristãos sabem que, quando cantam o “Tu es Petrus”, as prerrogativas do Príncipe dos Apóstolos se transmitiram aos papas, sucessores de Pedro na cátedra de Roma, como sabem também que a Providência especial de Deus continua até ao fim dos séculos a dirigir o Vigário de Cristo nas funções de chefe da Igreja. 


Páginas 1136 a 1140 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963)


PRÓPRIO DO DIA

Introito (At 12,11; Sl 138,1-2)

Nunc scio vere, quia misit Dóminus Angelum suum: et erípuit me de manu Heródis et de omni exspectatióne plebis Iudæórum.
Ps. Dómine; probásti me et cognovísti me: tu cognovísti sessiónem meam et resurrectiónem meam. ℣. Glória Patri…
Agora sei verdadeiramente que Deus enviou o seu anjo e que me salvou das mãos de Herodes e de tudo o que se esperava o povo dos Judeus. Sl. Senhor, Vós me provastes e conhecestes! Vós sabeis quando me deito e me levanto. ℣. Glória ao Pai…

Coleta

Deus, qui hodiérnam diem Apostolórum tuórum Petri et Pauli martýrio consecrásti: da Ecclésiæ tuæ, eórum in ómnibus sequi præcéptum; per quos religiónis sumpsit exórdium. Per D.N. Ó Deus, que consagrastes este dia com o martírio dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, dai que a vossa Igreja em tudo siga o preceito daqueles por meio dos quais Vos dignaste fundá-la. Por N. S.

Epístola (At 12,1-11)

Léctio Actuum Apostolórum.

In diébus illis: Misit Heródes rex manus, ut afflígeret quosdam de ecclésia. Occidit autem Iacóbum fratrem Ioánnis gládio. Videns autem, quia placeret Iudæis, appósuit, ut apprehénderet et Petrum. Erant autem dies azymórum. Quem cum apprehendísset, misit in cárcerem, tradens quátuor quaterniónibus mílitum custodiéndum, volens post Pascha prodúcere eum pópulo. Et Petrus quidem servabátur in cárcere. Orátio autem fiébat sine intermissióne ab ecclésia ad Deum pro eo. Cum autem productúrus eum esset Heródes, in ipsa nocte erat Petrus dórmiens inter duos mílites, vinctus caténis duábus: et custódes ante óstium custodiébant cárcerem. Et ecce, Angelus Dómini ástitit: et lumen refúlsit in habitáculo: percussóque látere Petri, excitávit eum, dicens: Surge velóciter. Et cecidérunt caténæ de mánibus eius. Dixit autem Angelus ad eum: Præcíngere, et cálcea te cáligas tuas. Et fecit sic. Et dixit illi: Circúmda tibi vestiméntum tuum, et séquere me. Et éxiens sequebátur eum, et nesciébat quia verum est, quod fiébat per Angelum: existimábat autem se visum vidére. Transeúntes autem primam et secundam custódiam, venérunt ad portam férream, quæ ducit ad civitátem: quæ ultro apérta est eis. Et exeúntes processérunt vicum unum: et contínuo discéssit Angelus ab eo. Et Petrus ad se revérsus, dixit: Nunc scio vere, quia misit Dóminus Angelum suum, et erípuit me de manu Heródis et de omni exspectatióne plebis Iudæórum.

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naquele tempo: O rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.

Gradual (Sl 44,17-18*)

Constítues eos príncipes super omnem terram: mémores erunt nóminis tui, Dómine. ℣ Pro pátribus tuis nati sunt tibi fílii: proptérea pópuli confitebúntur tibi. Constituí-lo-eis príncipes, Senhor, de toda a terra e recordar-se-ão sempre do vosso nome. ℣ Nasceram-vos filhos para ocupar o lugar dos vossos pais. Por isso os povos Vos louvarão, Senhor.

Aleluia (Mt 16,18)

Allelúia, allelúia. ℣ Tu es Petrus, et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam. Allelúia. Aleluia, aleluia. ℣ Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Aleluia.

Evangelho  (Mt 16,13-19)

Sequéntia sancti Evangélii secúndum Joánnem.

In illo témpore: Venit Iesus in partes Cæsaréæ Philippi, et interrogábat discípulos suos, dicens: Quem dicunt hómines esse Fílium hóminis? At illi dixérunt: Alii Ioánnem Baptístam, alii autem Elíam, álii vero Ieremíam aut unum ex Prophétis. Dicit illis Iesus: Vos autem quem me esse dícitis? Respóndens Simon Petrus, dixit: Tu es Christus, Fílius Dei vivi. Respóndens autem Iesus, dixit ei: Beátus es, Simon Bar Iona: quia caro et sanguis non revelávit tibi, sed Pater meus, qui in cœlis est. Et ego dico tibi, quia tu es Petrus, et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam, et portæ ínferi non prævalébunt advérsus eam. Et tibi dabo claves regni cœlórum. Et quodcúmque ligáveris super terram, erit ligátum et in cœlis: et quodcúmque sólveris super terram, erit solútum et in cœlis.

Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Naquele tempo: Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

Ofertório (Sl 44,17-18)

Constítues eos príncipes super omnem terram: mémores erunt nóminis tui, Dómine, in omni progénie et generatióne.
.
Constituí-lo-eis, Senhor, príncipes de toda a terra e recordar-se-ão sempre do vosso nome.

Secreta

Hóstias, Dómine, quas nómini tuo sacrándas offérimus, apostólica prosequátur orátio: per quam nos expiári tríbuas et deféndi.. Per D.N. Acompanhe a prece dos vossos Apóstolos, Senhor, os dons que Vos oferecemos, para serem consagrados em vosso nome, e fazei que por meio dela alcancemos o perdão e a paz. Por N.S.

Prefácio (dos Apóstolos)

℣. Dóminus vobíscum.
℞. Et cum spíritu tuo.
℣. Sursum corda.
℞. Habémus ad Dóminum.
℣. Grátias agámus Dómino Deo nostro.
℞. Dignum et iustum est.
.
Vere dignum et iustum est, æquum et salutáre: Te, Dómine, supplíciter exoráre, ut gregem tuum, Pastor ætérne, non déseras: sed per beátos Apóstolos tuos contínua protectióne custódias. Ut iísdem rectóribus gubernétur, quos óperis tui vicários eídem contulísti præésse pastóres. Et ídeo cum Angelis et Archángelis, cum Thronis et Dominatiónibus cumque omni milítia cœléstis exércitus hymnum glóriæ tuæ cánimus, sine fine dicéntes: Sanctus, Sanctus, Sanctus…
℣. O Senhor seja convosco.
℞. E com o vosso espírito,
℣. Para o alto os corações.
℞. Já os temos para o Senhor,
℣. Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
℞. É digno e justo.
.
É verdadeiramente digno e justo, necessário e salutar pedir-Vos suplicantes, Senhor, não abandoneis o vosso rebanho, Pastor eterno, mas pelos vossos bem-aventurados Apóstolos o cerqueis de contínua proteção; seja ele governado pelos mesmos chefes, continuadores vicários da vossa obra, que à frente dele pusestes como pastores. E eis por que, em união com os Anjos e Arcanjos, com os Tronos e Dominações, com toda a milícia do exército celeste, cantamos um hino à vossa glória, repetindo sem fim: Santo, Santo, Santo…

Comunhão (Mt 16,18)

Tu es Petrus, ei super hanc petram ædificabo Ecclésiam meam. Tu és Pedro e sobre esta pedra Eu edificarei a minha Igreja.

Pós-comunhão

Quos cœlésti, Dómine, aliménto satiásti: apostólicis intercessiónibus ab omni adversitáte custódi. Per D.N. Senhor, que nos sustentais com o celeste alimento, defendei-nos, por intercessão dos vossos Apóstolos, de toda a adversidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por N. S.

Traduções e comentários extraídos do Missal Quotidiano de D. Beda (1962).

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