Liturgia Diária- Festa do SSmo. Corpo de Deus

Festa de 1ª Classe- Missa própria

DIA DE PRECEITO

A festividade do Corpo de Deus é a solene comemoração da instituição do Santíssimo Sacramento do Altar. Agradecemos e louvamos neste dia o amor de Jesus pelo dom inefável da Eucaristia. Propriamente é a Quinta-feira Santa o dia da instituição, mas á lembrança da Paixão e Morte do Salvador não permite expansões de alegria.

A santa Missa composta pelo insigne teólogo e poeta, Santo Tomás de Aquino, é uma explicação das palavras da Sequência — Panis vivus et vitalis — Pão vivo e que dá vida. Dela fazem parte os trechos mais importantes da Sagrada Escritura sobre a Eucaristia (Epístola e Evangelho). No Introito agradecemos pelo alimento do céu, a Eucaristia. Ela é para nós “fiorde trigo” e “mel do rochedo”, isto é, o Cristo, a lembrança de sua Paixão e de seu Amor (Oração). Celebrando a santa Missa anunciamos a morte do Cristo. E sob este aspecto, a Eucaristia é um verdadeiro Sacrifício (Epístola) e alimento sobrenatural (Gradual, Evangelho), símbolo da união e paz entre os fiéis (Secreta), e penhor da união com Deus (Communio). “Omnes in Christo unum”, “Todos somos um só (Corpo místico) em Jesus Cristo”.


Páginas 584 a 594 do Missal Quotidiano (D. Gaspar Lefebvre, 1963)


PRÓPRIO DO DIA

Introito (Sl 80, 17 | ib., 2)

Cibávit eos ex ádipe fruménti, allelúia: et de petra, melle saturávit eos, allelúia, allelúia, allelúia. Ps. Exsultáte Deo, adiutóri nostro: iubiláte Deo Iacob. ℣. Glória Patri… O Senhor os alimentou com flor de trigo, aleluia; e fartou-os com mel do rochedo, aleluia, aleluia, aleluia. Sl. Exultai em Deus, nosso auxílio: glorificai ao Deus de Jacó. ℣. Glória ao Pai…

Coleta

Deus, qui nobis sub Sacraménto mirábili passiónis tuæ memóriam reliquísti: tríbue, quǽsumus, ita nos Córporis et Sánguinis tui sacra mystéria venerári; ut redemptiónis tuæ fructum in nobis iúgiter sentiámus: Qui vivis et regnas. Ó Deus, que neste admirável Sacramento nos deixastes um memorial de vossa Paixão, concedei, Vos pedimos, que de tal sorte veneremos os sagrados Mistérios de vosso Corpo e de vosso Sangue que sempre sintamos em nós o fruto de vossa Redenção. Vós, que, sendo Deus, viveis e reinais.

Epístola (I Cor 11, 23-29)

Léctio Epístolæ beáti Paui Apóstoli ad Corínthios.

Fratres: Ego enim accépi a Dómino quod et trádidi vobis, quóniam Dóminus Iesus, in qua nocte tradebátur, accépit panem, et grátias agens fregit, et dixit: Accípite, et manducáte: hoc est corpus meum, quod pro vobis tradétur: hoc fácite in meam commemoratiónem. Simíliter et cálicem, postquam cenávit, dicens: Hic calix novum Testaméntum est in meo sánguine. Hoc fácite, quotiescúmque bibétis, in meam commemoratiónem. Quotiescúmque enim manducábitis panem hunc et cálicem bibétis, mortem Dómini annuntiábitis, donec véniat. Itaque quicúmque manducáverit panem hunc vel bíberit cálicem Dómini indígne, reus erit córporis et sánguinis Dómini. Probet autem seípsum homo: et sic de pane illo edat et de calice bibat. Qui enim mánducat et bibit indígne, iudícium sibi mánducat et bibit: non diiúdicans corpus Dómini.

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios.

Irmãos: Do Senhor eu recebi o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e, dando graças, partiu-o e disse: Tomai e comei: Isto é o meu Corpo que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Igualmente, depois de haver ceando, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo Testamento em meu Sangue. Fazei isto todas as vezes que o beberdes em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha. Portanto todo aquele que comer deste pão, e beber este cálice do Senhor indignamente, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Examine-se, pois, a si mesmo,o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo [de outra comida], o Corpo do Senhor.

Gradual (Sl 144, 15-16)

Oculi ómnium in te sperant, Dómine: et tu das illis escam in témpore opportúno, ℣. Aperis tu manum tuam: et imples omne animal benedictióne

Os olhos de todos em Vós esperam, Senhor, e Vós lhes dais o alimento a seu tempo. ℣. Abris a vossa mão e encheis de bênçãos tudo o que é vida.

Aleluia (Jo 56-57)

Allelúia, allelúia. ℣. Caro mea vere est cibus, et sanguis meus vere est potus: qui mandúcat meam carnem et bibit meum sánguinem, in me manet et ego in eo. 

Aleluia, aleluia. ℣. Minha Carne é verdadeiramente comida, e meu Sangue é verdadeiramente bebida; quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e eu nele.

Sequência

Lauda, Sion, Salvatórem,
lauda ducem et pastórem
in hymnis et cánticis.
.
Quantum potes, tantum aude:
quia maior omni laude,
nec laudáre súfficis.
.
Laudis thema speciális,
panis vivus et vitális
hódie propónitur.
.
Quem in sacræ mensa cenæ
turbæ fratrum duodénæ
datum non ambígitur.
.
Sit laus plena, sit sonóra,
sit iucúnda, sit decóra
mentis iubilátio.
.
Dies enim sollémnis agitur,
in qua mensæ prima recólitur
huius institútio.
.
In hac mensa novi Regis,
novum Pascha novæ legis
Phase vetus términat.
.
Vetustátem nóvitas,
umbram fugat véritas,
noctem lux elíminat.
.
Quod in cœna Christus gessit,
faciéndum hoc expréssit
in sui memóriam.
.
Docti sacris institútis,
panem, vinum in salútis
consecrámus hóstiam.
.
Dogma datur Christiánis,
quod in carnem transit panis
et vinum in sánguinem.
.
Quod non capis, quod non vides,
animosa fírmat fides,
præter rerum órdinem.
.
Sub divérsis speciébus,
signis tantum, et non rebus,
latent res exímiæ.
.
Caro cibus, sanguis potus:
manet tamen Christus totus
sub utráque spécie.
.
A suménte non concísus,
non confráctus, non divísus:
ínteger accípitur.
.
Sumit unus, sumunt mille:
quantum isti, tantum ille:
nec sumptus consúmitur.
.
Sumunt boni, sumunt mali
sorte tamen inæquáli,
vitæ vel intéritus.
.
Mors est malis, vita bonis:
vide, paris sumptiónis
quam sit dispar éxitus.
.
Fracto demum sacraménto,
ne vacílles, sed meménto,
tantum esse sub fragménto,
quantum toto tégitur.
.
Nulla rei fit scissúra:
signi tantum fit fractúra:
qua nec status nec statúra
signáti minúitur.
.
Ecce panis Angelórum,
factus cibus viatórum:
vere panis filiórum,
non mitténdus cánibus.
.
In figúris præsignátur,
cum Isaac immolátur:
agnus paschæ deputátur:
datur manna pátribus.
.
Bone pastor, panis vere,
Iesu, nostri miserére:
tu nos pasce, nos tuére:
tu nos bona fac vidére
in terra vivéntium.
.
Tu, qui cuncta scis et vales:
qui nos pascis hic mortáles:
tuos ibi commensáles,
coherédes et sodáles
fac sanctórum cívium.
.
Amen. Allelúia.
Sião, louva o Salvador,
Louva o teu guia e pastor,
Nos teus hinos, nos teus cantos.
.
Tanto podes, tanto ouses.
Em louvá-lo não repouses:
Sempre excede o teu louvor.
.
Louva o tema especial:
O pão vivo, o pão vital,
Que hoje te é proposto.
.
O qual da ceia na mesa,
Foi dado, temos certeza,
À turba dos doze irmãos.
.
Seja pleno, seja forte,
Sonoro no seu transporte,
O eterno louvor da mente.
.
É hoje a solene festa,
Que nos recorda o que atesta
A sagrada instituição.
.
Na mesa do Novo Rei,
A Páscoa da nova lei
Põe um fim à Fase antiga,
.
A sombra foge à verdade.
A velhice à novidade,
A luz elimina a noite.
.
O que o Cristo faz na ceia,
Manda à turba que O rodeia
Fazê-lo em sua memória.
.
Herdeiros da tradição,
A hóstia da salvação,
Pão e vinho, consagramos.
.
Dado é um dogma ao cristão:
Em carne se muda o pão.
O vinho se muda em sangue.
.
Aquilo que tu não vês,
Pela fé, que o afirma crês,
Superando a natureza.
.
Sob espécies diferentes,
Sinais apenas, latentes,
Se ocultam coisas eximias.
.
Alimento verdadeiro.
Permanece o Cristo, inteiro,
Quer no vinho, quer no pão.
.
Não o parte quem celebra,
Não o rompe quem o quebra,
Mas inteiro é recebido.
.
Um come. Mil comem dele.
Quanto estes, tanto ele.
Nem comido se consome.
.
Comungam, justo e perverso,
Mas seu destino é diverso,
Pois recebem vida e morte.
.
Morte do mau; do bom vida:
Vê como a mesma comida
Produz efeitos contrários.
.
Se é partido o sacramento :
Não vaciles um momento:
Tanto está no fragmento,
Como no todo encerrado.
.
O Corpo não é partido;
Só o símbolo é rompido.
Mas não é diminuído,
Nem se muda o que contém.
.
Eis o pão que os Anjos comem.
Transformado em pão do homem ;
Só os filhos o consomem:
Não seja lançado aos cães.
.
Em tipos prefigurado.
Foi em Isaac imolado;
No Cordeiro aos pais foi dado,
E, no deserto, em maná.
.
Bom Pastor, pão de verdade,
Piedade, Jesus, piedade.
Guardai-nos na caridade,
Transportai-nos à cidade,
Onde os vivos Vos contemplam.
.
Vós que a tudo sustentais,
Que aos homens apascentais,.
Fazei a nós comensais,
Coerdeiros imortais,
Dos santos concidadãos.
.
Amen. Aleluia.

Evangelho (Jo 6, 56-59)

Sequéntia sancti Evangélii secúndum Joánnem.

In illo témpore: Dixit Iesus turbis Iudæórum: Caro mea vere est cibus et sanguis meus vere est potus. Qui mandúcat meam carnem et bibit meum sánguinem, in me manet et ego in illo. Sicut misit me vivens Pater, et ego vivo propter Patrem: et qui mandúcat me, et ipse vivet propter me. Hic est panis, qui de cœlo descéndit. Non sicut manducavérunt patres vestri manna, et mórtui sunt. Qui manducat hunc panem, vivet in ætérnum. —CREDO…

Sequência do Santo Evangelho segundo João.

Naquele tempo, disse Jesus às multidões dos judeus: Minha Carne é verdadeiramente comida e meu Sangue é verdadeiramente bebida. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue, permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim também, o que me comer viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que os vossos país comeram, e contudo morreram. Quem comer deste pão viverá eternamente. —CREIO…

Ofertório (Lv 21, 6)

Sacerdótes Dómini incénsum et panes ófferunt Deo: et ideo sancti erunt Deo suo, et non pólluent nomen eius, allelúia. Os sacerdotes do Senhor oferecem a Deus incenso e pães; eis porque devem ser santos diante de Deus e não profanarão o seu Nome, aleluia.

Secreta

Ecclésiæ tuæ, quǽsumus, Dómine, unitátis et pacis propítius dona concéde: quæ sub oblátis munéribus mýstice designántur. Per D.N. Senhor, Vos suplicamos, concedei benignamente à vossa Igreja , os dons da união e da paz, que misticamente estão representados nestas oferendas. Por N.S.

Prefácio (Comum)

℣. Dóminus vobíscum.
℞. Et cum spíritu tuo.
℣. Sursum corda.
℞. Habémus ad Dóminum.
℣. Grátias agámus Dómino Deo nostro.
℞. Dignum et iustum est.
.
Vere dignum et justum est, aequum et salutare, nos Tibi simper, et ubique gratias agere: Domine sancte, Pater omnipotens, aeterne Deus: per Christum Dominum nostrum. Per quem majestatem Tuam laudant Angeli, adorant Dominationes, tremunt Potestates, Coeli, Coelorumque Virtutes, ac beata Seraphim socia exultatione concelebrant. Cum quibus et nostras voces, ut admitti, jubeas, supplici confessione dicentes: Sanctus, Sanctus, Sanctus…
℣. O Senhor seja convosco.
℞. E com o vosso espírito,
℣. Para o alto os corações.
℞. Já os temos para o Senhor,
℣. Demos graças ao Senhor, nosso Deus.
℞. É digno e justo.
.
Verdadeiramente é digno e justo, razoável e salutar, que, sempre e em todo o lugar, Vos demos graças, ó Senhor santo, Paí onipotente, eterno Deus, por Jesus Cristo, Nosso Senhor. É por Ele que os Anjos louvam a vossa Majestade, as Dominações a adoram, tremem as Potestades. Os Céus, as virtudes dos Céus, e os bem-aventurados Serafins a celebram com recíproca alegria. Às suas vozes, nós Vos rogamos, mandeis que se unam as nossas, quando em humilde confissão Vos dizemos: Santo, Santo, Santo…

Comunhão (I Cor, 11, 26-27)

Quotiescúmque manducábitis panem hunc et cálicem bibétis, mortem Dómini annuntiábitis, donec véniat: itaque quicúmque manducáverit panem vel bíberit calicem Dómini indígne, reus erit córporis et sánguinis Dómini, allelúia. Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes o cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha. Portanto todo aquele que indignamente comer o pão ou beber o cálice do Senhor, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor, aleluia.

Pós-comunhão

Fac nos, quǽsumus, Dómine, divinitátis tuæ sempitérna fruitióne repléri: quam pretiósi Corporis et Sanguinis tui temporalis percéptio præfigúrat: Qui vivis et regnas Fazei, Senhor, Vos suplicamos, que cheguemos ao gozo eterno de vossa Divindade, prefigurada neste mundo pela recepção temporal de vosso Corpo e de vosso Sangue preciosíssimo. Vós, que, sendo Deus, viveis e reinais.

Faz-se aqui a procissão.


Traduções e comentários extraídos do Missal Quotidiano de D. Beda (1962).

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